O Sistema Nos Controla Ou Nós Controlamos O Sistema?

929Pergunta: Os cientistas chegaram à conclusão de que o sistema imunológico humano usa a teoria do caos para o funcionamento eficiente do corpo.

A teoria do caos diz que a causa do caos é a sensibilidade às condições e parâmetros iniciais, e qualquer pequena mudança no nível inicial leva finalmente a grandes mudanças e dinâmicas em todo o sistema.

Eles dão como exemplo o “efeito borboleta” — uma borboleta bateu as asas de um lado do mundo e um furacão ocorreu do outro.

Os cientistas dizem que no sistema imunológico essa “borboleta” acaba sendo uma certa proteína que desencadeia a ativação de genes individuais e, assim, altera o estado das células.

O sistema imunológico, para responder ao comportamento dessa proteína, que também é muito sensível e muda seu comportamento, age de forma diferente a cada vez. Ou seja, não formalmente, mas, ao que parece, em uma ordem muito caótica. Ou seja, ele é constantemente atualizado, e vários processos ocorrem.

Ele não fica estagnado, portanto a vulnerabilidade não se acumula e é capaz de repelir vários ataques.

A sociedade também se move de acordo com essa teoria do caos, na dinâmica do caos? Qual é a maneira correta para uma pessoa na sociedade e para a própria sociedade se moverem em direção ao desenvolvimento, e não em direção à destruição, doenças e assim por diante?

Resposta: Primeiro, precisamos entender que estudamos a natureza com base em nossas próprias propriedades. E nós mesmos somos caóticos; há um caos absoluto em nós, na maneira como entendemos, conhecemos e sentimos. Ou seja, não nos conhecemos de forma alguma e, portanto, nos consideramos imprevisíveis e caóticos, e consideramos o mundo ao redor o mesmo.

Mas, na realidade, nada aleatório acontece nele. Tudo é construído em leis estritas e claras da natureza, mas não as vemos todas juntas; não entendemos e não vemos sua interdependência.

Não há nada aleatório na natureza e não há caos. Então, se alguma borboleta em algum lugar bate suas asas, significa que é absolutamente certo que ela deve bater. Tudo isso é estritamente definido, estabelecido e registrado na natureza, tanto bilhões de anos atrás quanto por bilhões de anos à frente. Caso contrário, nada acontece na natureza.

Comentário: O sistema é muito complexo e é atualizado constantemente.

Minha Resposta: Isso acontece diante dos nossos olhos porque não vemos processos mais profundos! Não vemos o sistema que governa tudo isso!

Onde está todo esse computador, todo esse programa enorme que gerencia toda a natureza? Não o vemos.

Pergunta: Antigamente, os índios que viviam no planalto sobre o qual os aviões voavam, simplesmente não os viam. Como uma pessoa pode romper com essa realidade onde algo está acontecendo?

Resposta: É preciso focar a visão em algo específico. É preciso ter um conceito preexistente na mente, modelos como “avião” ou “navio”. Sem eles, eles realmente não verão. Operamos dentro de um sistema que pode identificar algo com muita precisão — ou não — dependendo se está codificado em nossos genes, atributos ou memória.

É como um computador. Essencialmente, somos computadores. Por exemplo, um computador escaneia textos ou imagens em busca de características específicas, e se essas características não estiverem em seu banco de dados, ele não as reconhecerá. Da mesma forma, temos pontos cegos onde não vemos que nos falta a estrutura para perceber.

Comentário: O cientista Mensky, que lida com física quântica, diz que entre os neurônios no cérebro, “trilhos” são colocados ao longo dos quais uma pessoa se move e não pode se desviar. Acontece que toda a sua vida passa como se tivesse vendas nos olhos. Ou seja, ela anda por um caminho e não pode se desviar.

Minha Resposta: Naturalmente. Vemos isso em nós mesmos e naqueles ao nosso redor.

Pergunta: Ao mesmo tempo, Mensky acredita que em um momento há um número infinito de alternativas para várias situações. Como uma pessoa pode mudar, para estar em tal dinâmica o tempo todo? Como ela pode permanecer na dinâmica do sistema? E o que a ajudará a mudar constantemente?

Resposta: Não, essa não é a abordagem correta. Simplesmente alternar para frente e para trás não produz o efeito desejado.

É preciso entender que somos movidos pela força superior, a força unificada da natureza, que é chamada de “natureza”. Podemos influenciar essa força unificada apenas nos reunindo em grupos homogêneos com um objetivo compartilhado, esforços coletivos e apoio mútuo. Por meio dessa ação unificada, podemos influenciar a natureza com nossos desejos e desencadear resultados específicos, positivos, não prejudiciais.

Dessa forma, podemos afetar genuinamente esse vasto supercomputador no qual existimos. Mesmo assim, nossas ações irão principalmente acelerar nosso desenvolvimento em direção ao mesmo objetivo, mas ao longo de um caminho mais gentil e suave.

Se nos alinharmos uns com os outros e desejarmos o mesmo objetivo que a natureza determinou para o nosso desenvolvimento, podemos acelerar nosso progresso com esforço coletivo. No entanto, esses esforços devem ser colaborativos.

Pergunta: Em uma de suas postagens no Twitter, você escreveu que o sistema superior opera em nós, e reconhecemos essa influência como negativa apenas devido à nossa diferença em propriedades. Como podemos perceber isso positivamente, como uma boa influência, em todas as nossas ações?

Resposta: Para fazer isso, precisamos entender o objetivo da natureza, por que ela nos influencia e como o faz. Precisamos estar preparados com antecedência para aceitar corretamente essas influências.

Se eu entender quem está enviando essas influências, por que elas são enviadas e para onde elas devem me levar, então, em princípio, posso permanecer em um estado confortável o tempo todo e estar pronto para contribuir cada vez mais com meu próprio esforço para a influência da natureza sobre mim.

Tente entender o que a natureza espera de você e implemente isso em sua vida. Então você verá quão rápido, suave e positivamente você pode seguir em frente.

Pergunta: Como uma pessoa pode reconhecer o que a natureza exige dela?

Resposta: A natureza exige algo que não gostamos de ouvir: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.

Comentário: As pessoas perguntam: “Por que fazer algo bom para o próximo? É mais fácil simplesmente removê-los e destruí-los, e então não preciso fazer nada de bom para ninguém”.

Minha Resposta: Mas ao fazer isso, estou removendo meu próprio progresso na vida. Ou seja, não me movo em direção a um objetivo melhor.

O objetivo final do nosso desenvolvimento é que todos nós nos unamos como um todo único, por meio de nossos desejos, pensamentos, intenções, planos, tudo. Nós formamos coletivamente um enorme sistema interconectado. No entanto, em nossas percepções e entendimentos atuais, esse sistema parece fragmentado. Nós nos sentimos distantes uns dos outros, desalinhados, indiferentes, sem vontade de ouvir ou ajudar uns aos outros.

A visão da natureza para o nosso futuro é o oposto: que todos nós nos unamos e conectemos todos os nossos desejos e intenções em um único sistema mútuo de apoio.

Se eu me esforçar para isso, mesmo que em pequenas coisas, já estarei me alinhando com a meta que a natureza estabeleceu para mim. Como resultado, não precisarei de correções severas ou mesmo cutucadas dolorosas da natureza para me empurrar à frente.

Pergunta: Então, com minhas ações, causo a mesma reação em outra pessoa?

Resposta: Sim, mostro a ela que estou fazendo isso porque dessa forma quero o melhor para mim e para ela.

Pergunta: Podemos reorientar as pessoas com essa abordagem?

Resposta: Tente. Mostre aos outros que, ao fazer o bem para eles, você aumenta a bondade no mundo e quer que o mundo inteiro seja assim.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 20/06/19