Comentário: Um novo tipo de depressão chamado “depressão sorridente” foi identificado. Envolve apresentar uma aparência feliz e esconder sintomas depressivos. Isso está se tornando cada vez mais disseminado.
As pessoas estão ocupadas na vida, têm uma profissão, filhos, família, hobbies e, ao mesmo tempo, estão em constante depressão. Por fora, sorriem e apresentam uma aparência feliz, mas por dentro estão em verdadeiro tumulto.
Minha Resposta: Parece-me que isso afeta grandes partes da humanidade hoje — as massas.
Vivemos em um mundo em que nosso egoísmo está em constante desenvolvimento. E o que nos convinha e satisfazia há 1.000 anos, deixou de nos satisfazer há 500 anos. E hoje não nos satisfaz nem um pouco.
No início do século XX, quando uma pessoa tinha algo para comer, algo para vestir e um lugar para dormir, a pessoa média era feliz, mas hoje isso não é um indicador de que a pessoa esteja em um estado confortável. Isso acontece porque nosso egoísmo cresce e exige uma realização muito maior de uma pessoa, mesmo aquela que a própria pessoa desconhece.
Eu só me sinto mal e estou vazio! Eu comi? Acho que comi. Eu dormi? Eu dormi. Eu tenho um lugar para dormir? Sim. Eu tenho algo para comer? Sim. Algo para vestir? Eu tenho isso também. Eu tenho um emprego e tudo mais. O que me falta? Eu mesmo não sei.
Pergunta: E o que falta a uma pessoa?
Resposta: O sentimento de realização, o sentimento de felicidade. É isso que está faltando. Posso ter tudo, mas me sinto vazio.
“O que lhe falta? Diga-me o que é. Vou escrever, e prometo lhe fornecer isso”.
“Você não pode me dar isso. Eu tenho que me preencher com algo. Há um vazio dentro de mim que não posso preencher de forma alguma — nem bebendo, nem comendo, nem nada. Você pode me fazer cócegas, e eu não vou rir. Eu não tenho essa realização!”
Pergunta: Como uma pessoa pode encontrá-la?
Resposta: Não tem jeito. Há um sentimento de falta dentro dela, um sentimento de vazio interior que não pode ser preenchido com nada em nosso mundo.
Você pode levá-la, como uma criança, em um carrossel, em caminhadas, em viagens, rodar alguns filmes na frente dela, seja o que for, ela permanecerá a mesma. Ela assistirá a um pouco disso, isso a distrairá um pouco, mas ela ainda sentirá que isso é apenas uma fuga do vazio. Ou seja, há o vazio, e ela se eleva um pouco acima dele, mas não o deixa.
Pergunta: O famoso psiquiatra e neurologista austríaco Viktor Frankl escreveu que a pedra angular da boa saúde mental é um propósito na vida. É necessário encontrar o sentido da vida?
Resposta: Em nosso tempo, sim. No passado, o sentido da vida era apenas sobreviver.
Morei na Lituânia uma vez. Pessoas que moravam lá antes do regime soviético me contaram como tudo era organizado.
De manhã, você ia a algum lugar para trabalhar. O trabalho, via de regra, não era permanente, porque é um país pequeno. Se você tivesse sorte, conseguia trabalho, era pago pelo dia, voltava para casa, tinha algo para comer — para você, para sua família e assim por diante. E assim era para pessoas comuns que não eram ricas. Era assim que as pessoas viviam. Ou seja, se uma pessoa ganhasse algum dinheiro naquele dia e tivesse algo para alimentar a si mesma e sua família, ela ficava feliz.
Cinquenta anos se passaram. Pode tal modo de vida ser considerado bem-sucedido para uma pessoa moderna hoje em dia — que de manhã ela não sabe onde ganhará dinheiro e à noite não sabe como alimentará a si mesma e sua família? Não, uma pessoa precisa de muitas coisas.
Seu egoísmo se tornou muito mais amplo e muito mais profundo. Ela precisa saber quanto está ganhando, quando recebe seu salário, o que comprará com ele, onde passará as férias para se divertir, onde seus filhos estudarão, qual será sua aposentadoria e, em geral, realmente tudo!
Pergunta: Então agora ela deve cuidar disso sozinha?
Resposta: Suas necessidades cresceram tanto, e ela não pode fazer nada a respeito; é seu egoísmo interior que se desenvolveu tanto, não que ela seja mimada a ponto de não poder ser feliz hoje ao receber uma porção mínima da satisfação necessária.
Ela nem sabe que tipo de realização, mesmo que tenha tudo. Afinal, essa depressão afeta praticamente todas as classes da sociedade.
Pergunta: Onde está a saída deste labirinto da vida?
Resposta: Não sei. Mas lembro que eu era assim na minha geração, e foi difícil para mim. Durante toda a minha infância e juventude, eu estava em um estado semidepressivo até que encontrei minha ocupação séria — a Cabalá.
Eu não sabia como me preencher e por que eu existia. Tudo isso era de alguma forma rebuscado, que eu tinha que suportar esse fardo da vida por todos os meios. Por quê?! Para quê?! Essa é a coisa mais terrível! Isto é, quando você acorda de manhã e se pergunta: “Por que eu levantei? Por que eu acordei?”
Esses estados são constantes em pessoas que são espiritualmente elevadas ou devem ser espiritualmente elevadas, mesmo em um Cabalista, porque novas demandas aparecem neles, as quais eles percebem e sobem os degraus espirituais na realização do superior.
Mas quando esse vazio que precisa ser preenchido é revelado em você, e você ainda não sabe que tipo de preenchimento, então você está em um estado que, em geral, é definido como depressão, embora não seja depressão.
Para os Cabalistas, isso não é depressão; eles amam esses estados porque sabem de antemão que eles os preencherão, que nesse vazio eles alcançarão a sensação do mundo superior.
Estamos em uma nova geração, quando as pessoas modernas manifestam esse vazio, essas demandas e esses desejos enormes. Mas em nosso mundo não conseguimos encontrar nenhum preenchimento para elas. Elas devem receber esse preenchimento do próximo nível.
Pergunta: Não estamos falando de depressão clínica, que é uma doença mental. Qual é a receita para a felicidade ou uma saída para essa depressão sorridente, ou apenas para o baixo astral?
Resposta: Um fogo expulsa outro. Não há outra maneira. Precisamos necessariamente encontrar um preenchimento para essa demanda interna de vazio. E está no sentido da vida.
As pessoas, em princípio, perguntam isso. Mas mesmo que não perguntem, essa pergunta existe nelas. Essa é uma pergunta que as atormenta, e elas têm medo de perguntar. Uma pessoa tem medo de admitir para si mesma que não sabe para que vive, e é exatamente isso que não lhe dá energia para viver.
Pergunta: Por que ela está com medo?
Resposta: Porque não há resposta. E para se encontrar diante do vazio.
Comentário: É assustador.
Minha Resposta: Não é que seja assustador; isso praticamente me destrói como um ser racional que existe racionalmente e sabe por que existe. Se eu disser a mim mesmo que não sei por que existo, então eu sou, em princípio, nada. E isso me faz sentir ainda pior. Por causa disso, eu vou apenas deitar e não levantar.
Pergunta: Então, qual é o sentido da vida para uma pessoa?
Resposta: O sentido da vida é revelar nossa raiz espiritual na qual existimos eternamente e mergulhar em nosso mundo terreno temporariamente para subir ainda mais alto com sua ajuda. Ou seja, você precisa ver todo esse sistema e participar dele.
Então, a pessoa começa a trabalhar em si mesma espiritualmente. Ela revela o mundo superior, o sistema de controle, o sistema do universo, e vê o que deve fazer para sentir-se realizando um plano enorme a cada minuto!
Pergunta: O que uma pessoa ganha ao revelar este mundo?
Resposta: Ela revela, e vê com todos os seus sentidos, com todas as suas fibras, absorve o universo inteiro, sente-se diretamente parte dele, e interage com ele. Ela afeta o mundo, e o mundo a afeta.
Então começa seu grande jogo, como uma criança com seus brinquedos. Ele a cativa. Claro, não é fácil e não imediatamente, mas, em princípio, se ela já começa a entender que isso é destinado a ela, isso já é um grande desenvolvimento.
O mais importante é se sentir diante da porta, aproximar-se dela, e então ela se abrirá.
De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 12/06/19
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