Um Olhar Sobre A Geração Emergente, Parte 1
Será que nossas crianças são menos humanas?
Pergunta: Na semana passada, vários artigos e programas de TV sobre adolescentes foram divulgados, causando uma onda de reações. Um programa descrevia adolescentes realizando orgias em casas com quartos especiais para sexo.
Outro artigo dizia que os adolescentes começam a se interessar por pornografia aos nove anos de idade. E havia também um artigo de um renomado antropólogo que afirmava que nossos filhos são menos humanos do que nós, mas não percebemos. Será que existe realmente algo de especial na geração moderna?
Resposta: A mesma coisa já foi escrita há dois mil anos: que a juventude não é mais a mesma, e que as crianças costumavam obedecer aos pais, mas hoje não o fazem.
Pergunta: É fato conhecido que os mais velhos sempre repreendem os mais jovens. Mas vivemos em uma era de revolução tecnológica e estamos nos desenvolvendo a um ritmo sem precedentes. Será que a última geração realmente difere de todas as outras?
Resposta: Acredito que não existe uma “geração má” ou uma “geração boa”. Tudo depende da formação. Se hoje descobrimos repentinamente que algo está errado com nossos filhos, devemos nos perguntar: “Onde estávamos antes? Como permitimos que eles chegassem a esse ponto?”
Por que não demos atenção enquanto as crianças cresciam? Porque estávamos ocupados com todo tipo de trivialidades e desejos, tentando tornar nossas próprias vidas o mais agradáveis possível. Entregamos as crianças à escola e deixamos que a escola as criasse.
Mas a escola também nunca pensou na formação dos filhos. O currículo escolar é projetado para encher a criança de conhecimento. A escola não é um lugar onde o caráter é moldado; ela simplesmente fornece certas informações sobre o mundo para preparar os alunos para a universidade.
Não houve verdadeira formação, apenas a transmissão de informações. Portanto, não devemos nos surpreender que as crianças tenham se tornado assim. E mesmo agora, ao vermos os resultados, não queremos mudar nada. Mal somos pais. Até os animais criam seus filhotes melhor do que nós.
Comentário: Um artigo afirma que os pais se comunicam com os filhos por mensagens de texto. O pai ou a mãe nunca está em casa e só envia mensagens como: “Você comeu? Você fez a lição de casa?”. Mas, na realidade, o pai ou a mãe não vê o filho, não conversa com ele e não participa da sua criação.
Minha Resposta: É verdade. O problema é que, antigamente, as pessoas viviam em casas particulares com quintal, e as crianças brincavam perto de casa. Elas não estavam expostas ao mundo exterior. Brincavam com gatos e cachorros, chutavam uma bola e andavam de bicicleta. Os meninos jogavam futebol, as meninas brincavam de boneca. Tudo acontecia ao ar livre, e os pais podiam ver o que seus filhos estavam fazendo. Era uma espécie de cena bucólica.
Hoje, tudo isso acabou. As crianças não saem de casa; cada uma está grudada na tela do computador.
Pergunta: Uma criança passa mais de nove horas por dia olhando para a tela do computador ou do celular. Isso é um fato. Qual seria a solução?
Resposta: Isso é resultado da nossa negligência e do nosso desrespeito pela formação adequada. Nada surge por si só; todo fenômeno tem uma causa. E a causa aqui é muito clara: o comportamento humano. É o ser humano que destrói a natureza e o meio ambiente, e é o ser humano que cria uma sociedade humana prejudicada.
A culpa é exclusivamente nossa. Somos as únicas criaturas na natureza que receberam a liberdade de moldar o mundo como bem entendermos. E se decidirmos que não nos importamos com nossos filhos, ou com o tipo de pessoa que eles se tornarão, o resultado será inevitável.
A natureza humana é egoísta e prejudicial desde o nascimento, e se uma pessoa não for orientada e educada, é óbvio onde ela vai parar. O mesmo teria acontecido com a nossa geração se tivéssemos crescido nas condições que as crianças enfrentam hoje.
De KabTV na rádio 103FM, 01/08/16
Pergunta:
Pergunta: