Pergunta: É muito importante para uma pessoa sentir que sua vida tem sentido. O sentido da vida é universal para todos ou cada pessoa deve encontrar o seu próprio sentido?
Resposta: Todos nós temos um único sentido para a vida: alcançar o ápice do desenvolvimento humano e atingir a força superior que nos criou e nos governa. Podemos nos aproximar dela, compreendê-la, conhecê-la e nos tornar seus parceiros. O sentido da nossa vida reside em alcançar essa força. De acordo com a ordem da criação, não há outro sentido.
Não criamos a natureza, este mundo, nem a nós mesmos. Existimos dentro de um sistema de leis sem determinar o que nos acontecerá a qualquer momento, nem nossas reações. Absolutamente nada depende de nós. Então, o que nos resta dentro de todo esse sistema no qual somos como peixes presos em uma rede?
Estamos inseridos em um sistema de forças que atuam em todas as formas e combinações possíveis, em todos os níveis: inanimado, vegetativo, animado e humano, e em todos os tempos: passado, presente e futuro, que me conectam com todas as gerações que foram, são e serão. Sinto que pertenço a elas porque, essencialmente, sou apenas um entre bilhões ao longo dos milhares de anos de história.
Portanto, na busca pelo sentido da vida, analiso primeiramente o dia que estou vivendo agora e imediatamente descubro que não o compreendo. Se ao menos eu conhecesse todo o processo pelo qual eu e a natureza estamos passando! Mas como pode uma pessoa tão pequena compreender assuntos tão sublimes?
Nesse caso, é preciso limitar-se a buscar sentido nesta vida temporária e breve. Isso significa que não questiono mais suas causas e consequências além da vida e da morte, mas me concentro apenas na própria vida.
É assim que as pessoas vivem: querem alcançar o sucesso, formar uma família, criar bons filhos, viajar pelo mundo, tornar-se um cientista ou músico renomado, etc. Cada pessoa encontra sentido naquilo que lhe é mais próximo.
Talvez eu simplesmente queira me divertir, ou trabalhar apenas o necessário, e à noite chegar em casa e assistir televisão sem sair do sofá. Isso também pode ser considerado um sentido da vida.
Mas o problema é que não vivemos de acordo com os nossos próprios planos. O motor do desenvolvimento gira e nos impulsiona continuamente, em todos os sentidos e qualidades, no desenvolvimento intelectual, emocional e interior. Por isso, mudamos, e o sentido da vida de ontem perde o seu sentido hoje. Os meus antigos sonhos de infância já se dissiparam.
Por exemplo, meu neto, aos três anos, sonhava em ser motorista de caminhão de lixo. Para ele, era o ápice da felicidade: ser a pessoa que controlava uma máquina tão grande e fazia tanto barulho. Hoje, meu neto tem dez anos e, claro, já não sonha mais com um caminhão de lixo.
Em outras palavras, o sentido da vida está em constante evolução. Mas será que uma pessoa que vive neste mundo compreende o que é o sentido da vida, ou simplesmente, sob o peso dos problemas, se conforma com o que existe? Ela não se preocupa se há ou não um sentido. O que importa para ela é se sentir bem.
Lembro-me de ter perguntado à minha professora na escola sobre o sentido da vida, e recebi esta resposta: o sentido da vida é ler um bom livro, assistir a um filme interessante…
E um amigo meu, desde os quatorze anos, dedicou-se ao estudo da Guerra dos Trinta Anos na França. Ele fez disso o trabalho da sua vida e tornou-se um verdadeiro especialista no assunto. Foi assim que ele encontrou o sentido da vida, embora essa paixão tenha se dissipado mais tarde.
Assim, todos encontram algum sentido na vida — na família, nos filhos. Mas se você perguntar às pessoas qual o sentido do seu dia a dia, elas não saberão responder, ou dirão que o sentido da vida é simplesmente viver. Se nascemos, então não há para onde ir; temos que viver. Mas com que propósito viver, ninguém sabe. E assim a vida continua sem qualquer sentido.
De KabTV, “Nova Vida 945 – O Sentido da Vida”, 09/01/18
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