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A Realização Espiritual Não É Ficção

276.02Pergunta: Por que a realização espiritual não é imaginária, como uma ilusão deste mundo? Como distinguimos os tipos de realizações?

Resposta: A realização espiritual não é uma imaginação fictícia ou qualquer outra coisa que imaginamos, porque ela surge do esforço de uma pessoa para se elevar acima de si mesma.

Isso acontece quando ajo contra a minha natureza, contra a minha essência, e nessa intenção e esforço, elevo-me acima de mim mesmo e adquiro a propriedade de amor e doação, na qual sinto um novo mundo. Aí, a pessoa encontra propriedades opostas a este mundo e começa a se ver invertida, alterada.

Pergunta: Por que os Cabalistas não escreveram livros que descrevessem o mundo espiritual de forma simples e bela?

Resposta: Você não teria entendido de qualquer maneira. Como eles retratariam o mundo espiritual, em que palavras? Nas palavras do nosso mundo? Então você imaginaria o nosso mundo.

Tudo o que poderia ser dito sobre o mundo superior está escrito na Torá, no Talmude, em todos os livros sagrados, mas alegoricamente, pois somente O Estudo das Dez Sefirot pode descrevê-lo diretamente. Ele descreve a mecânica pura: a ascensão e a descida de várias telas, a restrição imposta aos desejos, a partida e a chegada da luz, e assim por diante. É impossível dizer quais sentimentos estão por trás disso, porque ainda não temos uma percepção adequada desses sentimentos.

Da Lição de Cabalá em Russo, 19/03/17

Entre O Amor E O Ódio

534Pergunta: Você disse uma vez que toda a nossa vida se desenrola entre o amor e o ódio. Mas como esses dois sentimentos estão conectados?

Resposta: Se não houvesse ódio, também não haveria amor. Se eu não desejasse algo e me sentisse realizado por isso, como poderia sentir que o amo?

A medida, a qualidade e a profundidade do amor sempre dependem da medida, da qualidade e da profundidade do ódio.

Ódio é quando rejeito algo e quero afastá-lo de mim, ou sofro profundamente por não tê-lo. Dentro desse espectro está toda a gama dos nossos relacionamentos. Na verdade, tudo na vida se divide apenas entre o que odeio e o que amo.

Nós somos criados a partir do desejo de desfrutar. Portanto, há coisas que odeio e das quais quero me distanciar, pois afetam negativamente meu desejo de desfrutar, e há coisas que amo e das quais quero me aproximar, pois afetam positivamente meu desejo de prazer. Toda a minha vida se entrelaça entre esses dois polos: entre o que é bom para mim e o que é mau para mim, entre o ódio pelo que me faz mal e o amor pelo que me faz bem.

No entanto, talvez devêssemos nos reeducar para reconsiderar o que é bom e o que é mau, o que é digno de prazer e o que não é. Educação, nesse sentido, significa reformular nossa atitude em relação ao que parece atraente e agradável, e em relação ao que parece desagradável ou prejudicial.

Essa mudança nos permite ir além da simples questão do que amar ou odiar, e, em vez disso, perguntar: o que é verdadeiro e o que é falso? Afinal, algumas coisas que amo acabam sendo enganosas e prejudiciais, enquanto outras que rejeito instintivamente são verdadeiras e, em última análise, benéficas. Devo prestar atenção a elas, aproximar-me delas, e descobrir que elas genuinamente me conduzem à bondade.

Em outras palavras, não devo viver de acordo com meu senso instintivo ou culturalmente adquirido de bem e mal — o que amo e o que odeio —, mas acrescentar a ele uma investigação racional: o que é verdadeiramente bom e o que é verdadeiramente mau? Não da perspectiva do que me parece agradável ou desagradável, mas da perspectiva mais elevada do que vale a pena experimentar como bom ou mau. Assim, não definirei mais o bem e o mal pelos meus gostos pessoais ou pela atração ou repulsa natural, mas pelo bem absoluto e pelo mal absoluto — acima dos meus instintos.

Isso é possível porque o ser humano é uma criatura social. Podemos determinar o que é bom ou mau não apenas por nossas sensações pessoais, mas também pela influência do ambiente. Afinal, precisamos daqueles ao nosso redor: eles podem nos respeitar ou, ao contrário, nos envergonhar. Como estamos sujeitos à influência do ambiente, podemos mudar completamente nossos valores aprendendo a odiar o que antes amávamos.

Tomemos, por exemplo, uma pessoa que antes se comportava de forma descuidada, como bem entendia. Então, sob a influência do ambiente ao seu redor, ela de repente percebe que os outros não a respeitam, até mesmo a desprezam, por seu desleixo ou falta de educação.

Ela sente que não tem escolha a não ser mudar, corrigir-se, porque a influência da sociedade é poderosa e sentida intensamente, seja positiva ou negativa. Ela começa a ver sua negligência com os outros como prejudicial a si mesma e, por isso, se esforça para corrigir seu comportamento e atitude. Ao fazer isso, ela reformula seus valores.

É assim que podemos transformar o que amamos e o que odiamos.

De KabTV, “Nova Vida 692 – O Que é o Amor?”, 16/02/16

Criatividade Na Cabalá

626Pergunta: Cada um tem suas próprias habilidades: alguém é designer, alguém é artista, alguém escreve bem. Como você descobre essas qualidades em si mesmo?

Resposta: Se você trabalhar adequadamente no desenvolvimento da qualidade de doação e inclusão nos outros, o que o ajudará a desenvolver um senso de interação absolutamente completa com o mundo, verá dicas muito claras sobre como realizar suas habilidades. Elas certamente se abrirão em você, e exatamente da maneira que você poderá usá-las para se promover.

Por exemplo, eu ensino, desenho, escrevo e represento de uma certa maneira; é assim que me expresso. Você se expressa de uma maneira diferente, e outra pessoa se expressa de uma maneira diferente.

Pergunta: Mas isso complementará o sistema geral de compreensão?

Resposta: Se vier da alma, certamente a complementará, visto que todas as almas são um sistema comum. Portanto, quanto mais você se expressa através da sua alma, mais você se torna parte integrante da alma comum, Adão.

Pergunta: Uma pessoa de fora sente mais quando vem do sistema geral?

Resposta: Sim. Portanto, de acordo com a capacidade de uma pessoa de trabalhar sobre si mesma de forma antiegoísta, é necessário deixá-la se desenvolver, ou seja, manifestar-se na arte, na literatura, na pintura ou no cinema, na fotografia, no vídeo e até mesmo na liderança; este também é um tipo de atividade criativa. Mas, ao mesmo tempo, você precisa garantir que não esteja no nível do egoísmo, mas acima dele.

Pergunta: Como você pode determinar isso?

Resposta: Depende do que é importante para uma pessoa em primeiro lugar: avançar ou se desenvolver na arte, progredir ou liderar.

Comentário: Mas às vezes isso pode sobrecarregar tanto uma pessoa que ela pensa que está fazendo isso por um propósito…

Minha Resposta: Existe um ambiente para isso, um líder que pode protegê-lo e não deixá-lo cair.

Comentário: Na Cabalá, uma pessoa, em princípio, deve trabalhar contra a sua vontade, assumir algum tipo de trabalho que ela faz à força. Mas, neste caso, simplesmente não funciona. Digamos que uma pessoa tenha a habilidade de escrever, mas lhe dão algo para picar na cozinha.

Minha Resposta: Ela vai escrever de qualquer jeito, e não vai a lugar nenhum. Ela ainda precisa se expressar. A alma é eterna e vai romper com ela mesma. A vida é a força maior que sempre encontrará algum tipo de brecha e se manifestará.

Comentário: Você sabe o quão forte o egoísmo de uma pessoa pode ser…

Minha Resposta: Não! Não importa! Mesmo assim, o desenvolvimento e a evolução caminham para o fato de que a alma se manifestará acima do corpo, porque esta é a fonte mais elevada. Nosso corpo é apenas uma pequena parte animal. Isso se manifesta gradualmente ao longo da evolução. Os animais não evoluem, mas os humanos sim.

O “homem em nós” cresce de geração em geração e gradualmente chega ao ponto em que sua parte humana cresce cada vez mais a partir deste homem animal. E agora ele está passando por uma transformação revolucionária, um salto. Um componente espiritual começa a se manifestar em nós, que é superior a esta vida. Por um lado, esta vida se torna visível como uma catástrofe global e, ao mesmo tempo, temos a oportunidade de revelar a parte espiritual de nós mesmos. Esta é a nossa geração.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Criatividade na Cabalá”, 05/10/10

Para Onde O Trem Está Indo?

294.2Comentário: Devemos levar a Cabalá às pessoas sem assustá-las.

Minha Resposta: Não estou assustando-as. Estou oferecendo um remédio para os seus medos, só que não para que permaneçam nesta vida e a adocem um pouco, mas para que se elevem a um nível onde sejam eternas, perfeitas, infinitas. Claro, parece legal e confuso, mas, no fundo, cada pessoa quer basicamente apenas isso.

Comentário: É claro que aquele que está destinado a vir à Cabalá virá, e seu interior se abrirá. E aquele que não está destinado a…

Minha Resposta: Mesmo quem não está destinado ainda vai querer vir, porque esta vida está se tornando muito assustadora. Assustadora! Espere só um pouco. Aqui vai haver um vazamento de óleo, um vulcão, outro tsunami, mais alguns incêndios. Vamos viver até o inverno e vocês verão que tipo de inverno será, talvez cinquenta graus negativos. Isso é pior do que quarenta graus positivos no verão.

Então, tudo ainda está por vir. Não estou ameaçando, pelo contrário, quero que sigamos um caminho rápido e bom, porque você sempre quer que seu filho fique mais sábio, não cometa erros tolos e que tudo corra bem, e não que você tenha que puni-lo.

Pergunta: Mas, de fato, quando um golpe acontece, a pessoa se sente deprimida, indisposta. Você realmente acha que alguma parte dela se abrirá ou que algum processo acontecerá nela?

Resposta: Se você for atingido algumas vezes, concordará com qualquer coisa! Você não tem seu próprio “eu”. Nosso “eu” não é nosso. Somos todos pequenos animais. O “eu” pode ser suprimido de qualquer maneira, e você concordará com qualquer coisa.

Mesmo agora, você age inconscientemente de acordo com seu estado animal. Você não tem filosofia pessoal, nem ideologia, nem se apoia em nada. Não existe tal noção em nosso mundo. Todos nós procedemos do nosso egoísmo; ele nos dita a que nos apegar, a que valorizar. Isso é tudo.

Afinal, quem é uma pessoa neste mundo? Uma pequena criatura egoísta, programada e sem nada que lhe pertença. Uma marionete manipulada por fios, sem livre-arbítrio. Então, por que sequer pensar nisso?

Pergunta: E o processo? O que acontece com a pessoa após o golpe? O que é transformado?

Resposta: Este boneco começa a se mexer um pouco. Então ele tem a chance de ouvir como se livrar do sofrimento.

Pergunta: E como ele ouvirá a massa geral de informações ao seu redor?

Resposta: Talvez ele tenha que ir para a Índia por vinte anos e voltar de mãos vazias. E a próxima geração não irá. Por enquanto, nada pode ser feito.

Pergunta: Então não é uma fase de um único golpe?

Resposta: Não, a humanidade precisa chegar à consciência por conta própria, caso contrário, vocês a conduzirão à força. Essa fase não processada precisa se desenvolver. É como um foguete: a primeira fase se esgota, a segunda se acende, depois a terceira, e assim por diante.

As pessoas devem enxergar o vazio nas filosofias, nas ciências, nas religiões e em tudo o mais. Devem descobrir esse vazio, enxergar em tudo isso apenas a cultura terrena e, nesse sentido, usá-lo com sensatez. Mas isso lhes dará apenas o registro do trem em que viajam. E para onde o trem está indo? Isso cabe a elas descobrirem.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Para Onde O Trem Está Indo?”, 26/08/10