Comentário: A sabedoria do povo chinês costuma ser muito profunda. Por exemplo:
“Aquele que aponta seus defeitos nem sempre é seu inimigo, e aquele que elogia suas virtudes nem sempre é seu amigo”.
Minha Resposta: Isso é verdade. O mais importante para uma pessoa é se corrigir ao longo da vida. E alguém que aponta suas falhas está fazendo um trabalho enorme por você.
Para descobrir essas falhas por conta própria (e ainda mais para corrigi-las), você encontraria inúmeros obstáculos, bateria a cabeça neles e se meteria em encrenca. Às vezes, as pessoas acabam na prisão, são libertadas depois de alguns anos e precisam começar tudo de novo. Mas se alguém puder realmente apontar suas deficiências, e você for capaz de senti-las, compreendê-las e reconhecê-las, essa pessoa lhe poupará um sofrimento enorme.
Comentário: No entanto, muitas vezes consideramos essa pessoa um inimigo: “Ela expôs minhas falhas, ela me humilhou”.
Minha Resposta: Humilhação é outra história. Consigo sentir meus defeitos e ainda assim me alegrar por alguém tê-los apontado para mim. Mas quem não diz nada, ou até me bajula, talvez o faça com malícia para que eu não preste atenção às correções que preciso fazer.
Pergunta: Então não é em vão que você continua dizendo que alguém que o critica está mais próximo de você do que alguém que o elogia?
Resposta: Sim, claro.
Pergunta: Você dá ouvidos a alguém que de repente lhe conta algo sobre você?
Resposta: Eu gostaria muito de poder.
Citação: “O que acontece, acontece na hora certa”.
Minha Resposta: Devemos aceitar isso a priori como um axioma. A questão é que tudo vem do mundo ao nosso redor e tem seu próprio caminho de desenvolvimento. Portanto, tudo o que se desenrola diante de nós vem desse grande mecanismo do qual existimos como pequenos participantes.
Precisamos entender que tudo o que acontece ao nosso redor, na sociedade ou no universo como um todo, ocorre de acordo com um vasto plano, e nós estamos dentro desse plano. Nossa tarefa é nos encaixar nesse plano, não alterar o fluxo externo de forma alguma, mas nos corrigir para nos adaptarmos a ele.
Pergunta: Então sentirei que tudo o que aconteceu chegou na hora certa?
Resposta: Sim. Chegou na hora certa, de forma adequada e correta. De repente começo a entender a correção de tudo o que acontece e como isso me convém perfeitamente.
Pergunta: E não me arrependo?
Resposta: Não há nada do que me arrepender, porque tudo acontece fora de mim, diante de mim. E o que me é mostrado são apenas os passos que devo dar dentro de mim para perceber tudo corretamente, concordar com isso, conectar-me com isso e avançar em ressonância com isso.
Pergunta: Ou seja, em harmonia com ela?
Resposta: Sim, concordo com isso.
Citação: “Aquele que bebe a água deve lembrar-se daqueles que cavaram o poço”.
Minha Resposta: Lindamente dito. É preciso ser grato a eles, porque quem cavou o poço não estava pensando apenas em si mesmo, mas também em mim, antecipando minha necessidade.
Portanto, sou profundamente grato a ele e devo, de alguma forma, retribuí-lo, seja simplesmente com minha atitude sincera, ou talvez fazendo algo de bom em torno daquele poço. Em geral, até mesmo um sentimento caloroso e grato por aquele que abriu uma fonte de vida para mim já ajuda a corrigir o mundo.
Pergunta: Isso soa muito como uma abordagem Cabalística. Ou seja, em vez de me concentrar no prazer que recebo da água, volto meus pensamentos para aquele que cavou o poço para mim. Uma pessoa deveria se comportar dessa maneira na vida, por exemplo, cavando poços para outros em troca?
Resposta: Uma pessoa deve sentir que tudo o que tem ao seu redor e no mundo nos foi dado por nossos ancestrais, que o deixaram para trás. E devemos fazer o mesmo pelos outros e pelas gerações futuras.
Citação: “O infortúnio entra pela porta que lhe foi aberta”.
Minha Resposta: Isso depende apenas da pessoa.
Pergunta: Sou eu quem abre a porta para o infortúnio?
Resposta: Sim, naturalmente. Somos nós que fazemos tudo isso.
Na verdade, o mundo está repleto de felicidade absoluta e ilimitada, mas, por meio da nossa própria atitude, nós a transformamos no oposto. É por isso que se diz, alegoricamente, que “abrimos a porta” para o infortúnio.
Pergunta: E se eu estivesse imbuído do pensamento de que o mundo ao meu redor é a felicidade absoluta? Se eu pensasse nisso constantemente e me esforçasse para alcançá-lo, ainda abriria a porta para o infortúnio? O infortúnio ainda me atingiria?
Resposta: Este é o nosso egoísmo. Na verdade, ele existe dentro de nós para que possamos aprender a reconhecer e abrir muito mais portas para o que é bom. Mas o usamos incorretamente; esse é o problema.
Uma pessoa é essencialmente infeliz. Ela recebe um desejo egoísta, uma base, um caráter, uma aspiração, mas apenas para que possa sentir corretamente, com antecedência, o que evitar e como se adaptar. No entanto, ela usa esse desejo da maneira errada.
Pergunta: É por isso que ela abre a porta para o infortúnio?
Resposta: Exatamente. Ela continua pisando no mesmo ancinho. Imagine que existem “ancinhos” colocados no chão para lhe mostrar o caminho certo e guiá-lo para caminhar entre eles. Mas, em vez disso, você constantemente pisa diretamente neles. Essa percepção equivocada da vida decorre do fato de que nos relacionamos com ela de forma totalmente incorreta. Ou seja, na verdade, não conseguimos entender que o próprio egoísmo nos mostra como caminhar corretamente e o que evitar. Mas o usamos em seu sentido direto, e assim pisamos no ancinho repetidamente.
De KabTV, “Notícias com Dr. Michael Laitman”, 10/11/24
Categoria: Crianças, Educação, Estudo Cabalístico, Notícias, Religião por souzapin - Comentários desativados em Sabedoria Chinesa