Portanto, venham e vejam como devemos ser gratos aos nossos mestres, que nos transmitem suas luzes sagradas e dedicam suas almas para fazer o bem às nossas almas. Eles estão no meio termo entre o caminho dos tormentos cruéis e o caminho do arrependimento. Eles nos salvam do mundo inferior, que é mais duro que a morte (Baal HaSulam, Introdução ao Livro Panim Meirot uMasbirot).
No dia em memória do grande Cabalista, nosso mestre RABASH, não nos entregamos às memórias e não lamentamos sua morte, como é costume no mundo corpóreo, o que está longe da verdade.
Percebemos este dia como uma oportunidade de nos conectarmos ainda mais fortemente, de nos unirmos, de nos aproximarmos ainda mais da nossa raiz. Porque RABASH é a revelação do Criador em relação a nós, de uma certa forma e com uma certa força.
Gostaríamos de agradecer ao Criador por nos ter enviado tal mensageiro, por meio do qual Ele nos abriu a possibilidade de nos aproximarmos da força superior, de nos corrigirmos, aproximando-nos do Criador. Através do RABASH, nos ligamos ao Criador, pois ele é um nível intermediário entre nós e o Criador, graças ao qual existimos e recebemos tudo o que é necessário para a ascenção espiritual através dele.
O RABASH nos é revelado como um sistema que nos conecta com o Criador, por meio do qual podemos nos realizar e nos aproximar da verdade. Portanto, não nos lembramos da imagem externa do homem e de seus hábitos terrenos, mas, antes de tudo, o consideramos como uma revelação especial do Criador para nós, manifestando-Se dessa forma.
Quanto mais reverenciamos o RABASH, mais nos aproximamos do Criador, valorizando aquela revelação especial que o Criador fez por meio dele. Assim, a força superior chamada “RABASH” torna-se importante para nós, liga-nos ao Criador e nos aproxima Dele.
Até certo ponto, essa revelação do Criador se manifestou de forma externa e depois desapareceu. No entanto, apesar desse desaparecimento externo, desse obscurecimento, devemos igualmente nos iluminar e alcançar a conexão com o RABASH, com essa raiz espiritual, assim como com nosso grau superior, para, por meio dela, nos conectarmos com o Criador.
Existem almas especiais por meio das quais o Criador influencia um certo número de almas inferiores. Como se o cérebro desse um comando a um órgão importante para que este enviasse sinais às diversas células do corpo sob sua tutela e direcionasse seu comportamento. RABASH, que foi a continuação do Baal HaSulam em nossa geração, tornou-se um ponto de virada para nós, a fonte do método moderno e prático de ascenção espiritual.
Portanto, precisamos entender que presente nos foi dado por termos tido a oportunidade de nos conectar a ele, de absorver dele o método adequado aos nossos dias e de realizá-lo.
Quão gratos devemos ser ao nosso mestre, RABASH, cuja alma, esta parte da realidade, foi tão grandiosa que pôde formar e transmitir-nos todo o método de correção. Sem ele, teria sido extraordinariamente difícil, talvez até mesmo completamente impossível, alcançarmos o mundo espiritual.
A força superior se espalha dentro do sistema de Adam HaRishon, revelando-se de cima para baixo, vivificando cada vez mais partes da alma. E quando a luz precisa se espalhar para as camadas inferiores do sistema, para vivificar os próximos órgãos na cadeia do corpo de Adam HaRishon, surge a necessidade de que as partes superiores e especiais do sistema entrem neste trabalho.
O desenvolvimento procede de cima para baixo e, portanto, quando algum grau inferior se desenvolve, induz mudanças em todos os graus superiores. Toda correção visa apenas despertar almas cada vez mais inferiores, chamadas de “Última Geração”, para também trazê-las à semelhança com o Criador.
O RABASH simboliza uma grande força global atuando sobre toda a nossa geração. Resta-nos apenas compreender o método do Baal HaSulam, que nos foi transmitido e explicado pelo RABASH. Portanto, estudamos os artigos do RABASH para perceber o mundo como um sistema único e atualizá-lo corretamente, para o qual o RABASH nos conduz da forma mais prática.
Baal HaSulam nos é revelado não como um guia, mas como um cientista que conhece toda a criação, de ponta a ponta, e até além de seus limites. E o RABASH nos toma pela mão, como um adulto guiando uma criança, e nos conduz por esse caminho até o fim da correção. Ele nos abre o caminho e caminha ao nosso lado.
As almas pesadas e grosseiras reveladas em nossa geração não seriam capazes de alcançar a adesão ao Criador sem o método revelado a nós pelo RABASH. Porque ele explica como atingir os estados sobre os quais Baal HaSulam escreve.
Baal HaSulam escreve sobre os graus e estados superiores como um pesquisador científico. E RABASH fala mais, não sobre os graus em si, mas sobre o trabalho interior que uma pessoa deve realizar para alcançá-los; isto é, sobre os meios: o ambiente, a unidade, a autoanulação.
Baal HaSulam descreve todo o sistema superior nesses livros, mas estes não são livros didáticos pelos quais se pode ascender. Ele é como um compositor que escreveu uma sinfonia. Mas primeiro precisamos aprender a notação musical e a técnica das escalas antes de podermos ler a partitura e tocá-la. Para isso, precisamos de outra pessoa, um professor, e esse professor para nós se tornou RABASH, que nos guia por todo o caminho.
Sem suas explicações, poderíamos ter nos confundido com os ensinamentos do Baal HaSulam e começado a interpretá-los incorretamente, de acordo com nossa própria imaginação. Mas se compreendermos as instruções do RABASH, que nos permitem alcançar tal realização, começaremos a entender o que o Baal HaSulam escreve.
Da Lição Diária de Cabalá de 03/10/19, “Dia em Memória do Rabash (Yahrzeit)”
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