Textos com a Tag 'Criador'

O Criador Só Pode Ser Revelado Dentro de Nós


Uma pergunta que recebi: Você disse que quando estudamos O Livro do Zohar, é necessário seguir duas condições:

  • Eu tenho de pensar acerca de desejar unir-me com outras almas,
  • Eu devo desejar ver a mim mesmo a participar em todas as acções descritas neste livro.

Como é que Malchut do Mundo de Atzilut estabelece uma conexão com Zeir Anpin do Mundo de Atzilut? Será que estas duas condições também se aplicam a ela?

A Minha Resposta: Malchut não existe, a menos que nos sintonizemos com ela sob as condições mencionadas. Não existe nada exceto o Infinito; não existem graus e mundos. Mas assim que eu executo uma acção que tem equivalência de forma com o Criador, ou dito de forma diferente, assim que eu me torno similar ao Criador no menor grau, combinando Ele com a menor das dez Sefirot, esta acção constrói imediatamente uma escada de graus. Esta escada é uma relação entre eu – o ponto composto de dez Sefirot, e o Criador – o Mundo do Infinito.

Isso é explicado no exemplo onde eu estou diante do Anfitrião, mas Ele está completamente oculto de mim, porque eu desejo tudo para meu próprio benefício, o que me torna completamente oposto a Ele. Assim que eu consigo levar a cabo a condição da Primeira Restrição (Tzimtzum Alef), em que paro de receber para mim mesmo, eu revelo a presença do Anfitrião. É quando eu começo a encontrá-Lo. O Anfitrião diz, “Aceita a comida que preparei para ti!”. Mas eu tenho de rejeitá-la, pois, caso contrário, o Anfitrião se esconderia novamente, porque eu violar a lei da equivalência de forma.

Eu tenho de levar a cabo a condição da Primeira Restrição – não receber nada para eu mesmo, exceto o que for essencial. Então, se eu recebo algo do Anfitrião, será apenas para revelar o meu amor por Ele – receber para doar. Primeiro, eu preciso desejar ser como Ele, estar na Luz de Hassadim, na linha direita, onde eu desejo fazer o bem a Ele porque O amo e desejo estar próximo a Ele. Neste ponto eu ainda não recebo nada d’Ele. Todo este trabalho ocorre na linha direita.

O Anfitrião está diante de mim, mas eu rejeito os prazeres que ele me oferece, porque não quero receber nada para meu próprio benefício, e ainda não tenho a força para receber em prol da doação. Desta maneira, eu revelo desejos cada vez maiores e afasto-os de forma a estar próximo ao Anfitrião, ter equivalência de forma com Ele. Isto significa que trabalho na linha direita.

O Anfitrião está a persuadir-me a aceitar a comida, mas eu rejeito-a várias vezes. Contudo, independentemente, ali existe uma conexão entre nós. Em outras palavras, eu estudo a ciência Cabalística, eu estou conectado ao Criador, Ele influencia-me, e eu trabalho em mim mesmo.

Finalmente, sob a influência da Luz Superior, eu chego a um estado em que consigo receber em prol da doação. Eu começo a trabalhar na linha esquerda, a me conectar a ela, e a atraí-la para a linha direita, à medida que posso “comer” um pedaço dela, “provar” o prazer para agradar ao Anfitrião. Este trabalho é mais avançado e ocorre na linha do meio.

Neste caso, eu estabeleço uma conexão com o Anfitrião. Assim que eu começo a adquirir certa conexão com Ele – mesmo no nível mais inferior de “Hafetz Chesed” (não desejar  nada para mim), no estado de embrião, em que começo a aderir ao fundo do útero com o ponto no coração; então, eu já estou conectado ao Criador, e há uma escada de graus entre nós.

Sou eu quem constrói esta escada de graus. Assim que eu torno um dos meus desejos similar ao Criador, ou até mesmo um por cento de um desejo, então já há uma escada de graus entre nós. Eu ascendi um por cento mais alto nesta escada, e a distância, a ocultação entre eu e o Criador, agora é de 99%. Porém, eu já tenho uma conexão com Ele.

Todavia, se eu ainda não tiver equivalência com Ele – seja no nível da restrição (Tzimtzum Alef), no grau de “Hafetz Chesed” (a recompensa a partir do temor), ou no nível da “recepção em prol da doação” (a recompensa a partir do amor), isto significa que ainda não existe nenhuma escada dos mundos em mim. Isso porque todos os mundos estão em mim, em minha alma. Por agora, a minha alma é apenas o ponto no coração, o desejo pela raiz da vida que se revelou em mim.

Portanto, agora nós temos de nos concentrar inteiramente no nosso ponto no coração – como revelá-lo e como revelar pelo menos certa medida de equivalência de forma com o Criador dentro dele. Quando o revelamos, então conquistamos uma conexão com o Criador. E até que isso aconteça, esta conexão existe apenas do lado d’Ele, e não do nosso.

Página Diária 27.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português.

Trabalhe em Benefício do Criador com Alegria!

Pergunta de um aluno: Porque o trabalho em prol do Criador deve ser com alegria?

Resposta do Dr. Michael Laitman: A “alegria” é um sinal que você está trabalhando com o intuito da doação, e não obrigado, por não ter outra escolha, ou por temer as crises. Uma mãe não fica contente quando está alimentando o filho, e este quando recebe dela e desfruta isso? Veja como ela conta para todo mundo como ele comeu e aceitou o seu alimento.

Como é possível que o ato de doar, que vem do amor, não causaria alegria? A alegria é um sinal, o resultado das boas ações. Por outro lado, a pessoa que está sob o controle do seu desejo de receber, sob controle do ego, normalmente está estrassada, com raiva, ansiosa em relação ao Criador.

Portanto, o nível de bondade, de fé, de anulação perante a Forca Superior, de modo que isso possa influenciá-lo e corrigí-lo em prol da doação, tudo isso deveria resultar em felicidade. É impossível se dirigir ao Criador, quando isso não for resultado da alegria. O choro não é ouvido lá em cima. Quando “O Zohar” escreve “Porta das Lágrimas”, isto significa que desejamos nos igualar ao Criador (“lágrimas”, dmaot, da palavra le’idamot, significa “assemelhar-se”). Isto se refere à deficiência da pessoa em se igualar ao Criador, e não ao ato de chorar. A pessoa está feliz por ter alcançado essa deficiência.

Se você se dirige ao Criador em prantos, na verdade você O acusa de ter arranjado isso para você, toda essa situação. É como se você estivesse infeliz com tudo isso, e você executa isso devido à falta de escolha, sem a capacidade de justificá-Lo.

Portanto, se a pessoa não está contente com cada estado que ela atravessa – tanto o melhor quanto o pior, isso significa que ela ainda está no desejo de receber para receber, e que não possui nada com que se dirigir ao Criador. Somente depois que ela se eleva a um estado de felicidade – e, portanto, não se importa com o que acontecerá a ela, porque pede a força da doação – ela recebe essa força.

Existem situações delicadas aqui, que nós ainda não somos capazes de digerir. Se eu estou feliz e satisfeito, como serei capaz de me dirigir ao Criador? A resposta é que, se a pessoa quer doar, a sua felicidade resulta daquilo que ela conseguiu realizar ao pedir a força da doação, e não importa a ela o que acontecerá em seus vasos. Ela não tem qualquer necessidade de algo para si mesma.

Porém, novamente, esse tipo de pedido vem somente da alegria. Você não pode ir até o dono da realidade chorando. Este é um sinal que você não está satisfeito com Ele , que você está reclamando de tudo que Ele faz, e se sente mal em Seu mundo. Caso contrário, por que você está pedindo algo para Ele? Você só deve pedir uma coisa: ser semelhante a Ele, ser até mais doador em relação a Ele. Mas este é um pedido que se estende da alegria, pois vocês já se assemelham a dois amantes que entendem a conexão entre si, estão em companheirismo, e aprendem como podem se conectar mais e satisfazer um ao outro. 

Porta das Lágrimas

Pergunta de um aluno: Se eu já sou feliz, porque eu deveria pedir a doação a Ele?

Resposta do Dr. Michael Laitman: Eu estou feliz por ter alcançado esse pedido, “A Porta das Lagrimas”. “A Porta das Lágrimas” é um estado cheio de alegria. Eu alcancei um estado onde estou explodindo de alegria, com a magnitude da condição na qual eu finalmente me encontro diante do Criador, com meu pedido sendo aceito, que a Luz vem até mim e me reforma, e com a capacidade de realizar um ato com o intuito da doação. Isto é chamado de “Porta das Lagrimas”. 

O Esforço é o Mais Importante

Pergunta de um aluno: A leitura do Zohar influencia a pessoa, mesmo que ela não perceba isso?

Resposta do Dr. Michael Laitman: A pessoa que se sentar para estudar O Zohar por dez lições seguidas, certamente sentirá que este livro a influencia e age sobre ela. Quem estuda O Zohar atravessa grandes e diferentes mudanças: primeiro, na concentração em relação à vida – para que tipo de coisas ela presta atenção ou não; segundo, ela se torna mais introvertida em seus sentimentos internos; terceiro, as atitudes em relação aos outros mudam – ela lhe dá mais espaço.

A pessoa que estuda O Zohar, de repente começa a pensar sobre suas ações, sobre o que lê no Zohar, e começa a vê-las como ações mais interiores do que o nosso mundo, etc. É certo que a pessoa que estuda O Zohar muda – O Zohar a transforma bastante, acalma-a, torna-a mais introvertida, mais séria, mais decidida. Nesse aspecto, a influência do Zohar é muito forte. E isso não depende do seu nível de entendimento, mas sim do seu esforço, à medida que a pessoa se esforça para entender o que está acontecendo aqui, o que está sendo discutido.

Deixe-me Ir, Pois O Dia Está Raiando


O Zohar. Capítulo: “Deixe-me ir, pois o dia está raiando”.

Quando o Criador salva os filhos de Israel e os liberta do exílio, uma estreita, pequena porta de Luz se abre para eles. E, então, outra porta se abre para eles, um pouco maior que a primeira. Isso continua até que o Criador de um golpe abre a porta superior, que se defronta com todos os quatro cantos da terra.

Então, a libertação não vem para eles de uma só vez, mas como o amanhecer que floresce gradualmente, até que o dia se inicia.
Essa libertação está garantida para nós – a aquisição da qualidade de amor e doação que existe no Criador, conduzindo-nos à adesão com Ele.

E isso é o que o Criador faz aos filhos de Israel… Israel se refere a qualquer um que deseja ser atraído para perto do Criador, porque “Isra-el” significa “aspirar ao Criador”, não importando sua descendência corporal. Depois, o Zohar fala para todos os “Babilônios” – todos nós… e os justos entre eles. Isso se refere àqueles que desejam revelar o Nível Superior para justificar o Criador ao invés de acusá-lo.

Ele os liberta gradualmente, não de uma só vez. É como um homem que viveu na escuridão toda sua vida; se você deseja lhe dar Luz, você precisa primeiro revelar um raio muito pequeno, como o buraco de uma agulha, e então um pouco mais, e assim em diante, gradualmente aumentando-o até que ele é iluminado com toda a Luz.

Isso fala sobre a Luz do amor e doação aos outros, que só pode ser revelada quando nós coletivamente concordamos em desejá-la, demandar, e pedir. Por isso a revelação para nós é gradual, no nível em que entendamos nossa natureza e quão opostos ela é à natureza do Criador.

É assim que revelamos nossa alma – do menor raio de Luz até a revelação do completo Partzuf espiritual, toda HaVaYaH e as três linhas, chamadas as “12 tribos de Israel” – as 12 qualidades da alma.

Um Intermediário entre O Criador e a Criatura


Se o inferior não pode receber nada, o Superior se restringe. O Parsa é um local muito especial, onde ocorre a restrição do Superior. Há uma grande diferença entre o que está acima do Parsa – o Mundo de Atzilut, onde a Luz pode ser disseminada, onde Bina – a doação domina; e o que está abaixo do Parsa – os Mundos de Beria, Yetzira, e Assiah, onde Malchut, o desejo de receber, domina.

Com isso, uma estrutura unificada é separada em duas partes, opostas uma à outra. A parte superior é governada pelo Criador, e a inferior é governada pela criatura. Este é o primeiro passo para se criar uma conexão entre a criatura e o Criador.

Antes disso, a criatura fazia apenas o que a Luz lhe ordenava. A Luz me anulava, e eu só era capaz de doar porque ela agia sobre mim. Porém, agora existem dois reinos em mim e eles são totalmente opostos. Eles são o reino da Luz e o meu reino, onde eu sou o governante.

A Luz me abandonou e eu fiz uma restrição sobre o meu desejo. Porém, neste lugar vazio da restrição surgem novos desejos: os desejos egoístas, a Klipa. Então, nós estamos separados como dois mundos opostos! Acima do Parsa, no Mundo de Atzilut (onde “Etzlo” significa “Ele tem”) existe a correcção completa, a Luz Infinita. Abaixo do Parsa, tudo é o oposto: a quebra, o mal, e toda a ofensa imaginável.

Então, Ele e eu nos tornamos claramente opostos um ao outro ,e começamos a nos odiar. Nós ficamos distantes, embora estejamos separados apenas por uma divisão muito estreita, o terço médio de Tifferet, a Klipat Noga, onde está concentrada toda a minha liberdade de escolha.

Por um lado existe o Criador, a Santidade Superior, e por outro, abaixo, debaixo do Parsa, existe a criatura corrupta, o ego, e a imundice – e eu sou um intermediário entre eles, no meio. Toda a minha existência, o meu “Eu”, reside nesta faixa estreita.

Foi-me dada a oportunidade de me esgueirar num corredor estreito entre estes dois grandes exércitos: a força da recepção e a força da doação, de forma a me tornar um intermediário entre ambos, levá-los a um acordo, e depois à conexão e ao amor. Ao uní-los, eu construo a mim mesmo sendo composto pelos dois.

Página Diária 06.12.09

A Atitude em Relação ao Grupo Determina Tudo
A principal coisa que devemos lembrar a todo momento é que nós somos um grupo, e cada um de nós, como membro desse grupo, deve fazer uma autocrítica interior: será que eu sou um justo dentro de uma sociedade de pessoas justas? Será que eu e todo o grupo pretendemos alcançar a auto-anulação e o amor pelos outros, onde revelaremos a doação ao Criador e Ele como nosso doador e sustentador? Nós devemos prestar atenção nisso o tempo todo.
A todo momento, quando eu não estou nesse estado, eu fico automaticamente sujeito à minha natureza – o desejo de receber. Então, eu me encontro em “Moshav Letzim” (local de zombadores), numa sociedade egoísta, porque a atitude da pessoa em relação ao grupo é que determina isso. Assim, ela não deve esperar nada; ao invés da poção da vida ela entra na poção da morte. As mudanças, de um extremo ao outro, são determinadas por: será que eu presto atenção às coisas certas, na medida em que sou capaz de fazer isso, ou não presto atenção a elas? Portanto, nós devemos nos esforçar nessa análise contínua.

Não Podemos Fazer Nada Sem a Luz que Corrige
Depois que a pessoa investe algum tempo nos estudos e no trabalho em grupo, a Luz que Corrige lhe traz os discernimentos corretos: que a qualidade de doação, a própria qualidade do amor é que lhe dá a liberdade. Então, ela reconhece que quer a espiritualidade porque essa é mais vantajosa do que toda a materialidade. E isso já é um belo discernimento no nível de “Lo Lishma” (desejar a espiritualidade egoisticamente para si mesmo). “Eu quero doar, amar, sair de mim mesmo, para me anular. Para deixar a prisão. Isso é bom”; no entanto, “Eu quero sair de mim porque eu serei feliz. Mas eu realmente quero sair desta prisão de inclinação egoísta”.
Quando a pessoa está num grupo e anseia atingir a meta espiritual junto com os amigos, estes não são mais chamados de “Moshav Letzim”, mas sim “Cabalistas”, em relação ao objetivo que pretendem atingir. Então, quando ela começa a trabalhar com os outros, e tenta sair de si mesma, ela começa a sentir que não ocorre nenhuma mudança nela, que ela não consegue mudar. A Luz que age sobre ela lhe traz os discernimentos. Em cada estado, a Luz que Corrige é que lhe traz a emoção, a inteligência, a visão, o sentimento de conexão com os outros, e as análises. Então, ela percebe que não pode fazer nada sem a ajuda da Força Superior, exigindo assim o terceiro componente.
Em outras palavras, “Eu e o grupo nos influenciamos de forma positiva, mas nós não somos nada”. Ali ocorrem muitas decepções, e começam a ocorrer tensões e problemas no grupo. Eu espero que nós sintamos realmente como nós estamos recebendo simultaneamente uma boa influência, como está escrito: “as Luzes agitam os vasos”. Porém, como resultado disso, nós já começamos a entrar em algum tipo de harmonia, mesmo que ela seja negativa; ou, quem sabe, talvez ela seja positiva, na verdade? Mas pelo menos isso está ocorrendo reciprocamente, em algum tipo de conexão, em conjunto. Então, a Luz começa a influenciar cada um com mais intensidade, porque todos começam a sentir essas mudanças muito rapidamente, como num amplificador. Então, elas alcançam o reconhecimento do mal – que elas já não podem fazer nada sem o Criador, sem a Luz que Corrige.

Alcançar a Sensação do Criador
Vejam como é difícil para nós introduzir o conceito de “Unidade” em todos os nossos pensamentos e desejos, atribuir a nós mesmos, dia e noite, sem parar, algum tipo de Força Superior que “Tu me cercaste por detrás e por diante “; vejam de que modo estamos fugindo desta conexão. Não diga “eu não O sinto “, pois é claro que você não O sente. Se você sentisse, você estaria conectado a Ele; essa sensação já teria exigido que você fizesse isso de forma obrigatória. Nós, que já estamos discutindo e lendo sobre isso, somos incapazes de atribuir tudo o que ocorre na sociedade, na família, dentro de nós, no mundo, no nosso trabalho interior, ao Uno e Único Criador. Isso porque nós não sentimos o Criador.
Até que eu O sinta em meus sentidos, até que eu esteja conectado a essa fonte através de um feixe de luz, até que eu esteja dentro Dele e Ele esteja dentro de mim de alguma forma, eu não posso pensar Nele uma vez que algo aconteça comigo, mas eu penso imediatamente em cerca de mil e uma outras razões, e não sobre Ele. Devido à sua natureza egoísta, a pessoa é incapaz de estar conectada ao conceito do “Uno”.
Pergunta de um aluno:
Resposta pelo Dr. Michael Laitman: Porque nós estamos numa quebra, porque somos feitos de Luz e vaso, escuridão e luz, calor e frio. O nosso sentimento é composto do desejo e do sentimento de realização, ou de algum tipo de deficiência dentro deste desejo. Um vem diretamente do Criador, enquanto o outro vem indiretamente d’Ele. Tanto o prazer quanto o déficit vêm indiretamente, e por isso eu não posso atribuí-los ao Criador. Como eu vou atribuí-los a Ele?
Acontece que, até que a pessoa reconheça, sinta, e revele o Criador, a todo o momento nós dizemos: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”, isso é uma mentira. Na verdade, nós não estamos realmente sentindo isso. Portanto, alcançar este slogan e realmente dizê-lo, significa alcançar a “revelação do Criador”.

Página Diária 04.12.09

Fazendo as Pazes com o Ódio e o Amor
A qualidade na qual estamos imersos nos permite perceber apenas o que entra em nós, e nós devemos nos esforçar para desenvolver em nós uma nova qualidade, um senso de percepção através da doação, para começarmos a sentir o que se encontra em outra pessoa, que aos meus olhos parece externa a mim.
Eu devo me conectar aos sentidos dos outros e aceitá-los como se fossem meus; assim, eu expando o meu Kli (vaso). Imagine você: eu junto aos meus cinco sentidos, ao cérebro, à emoção e a tudo o que eu tenho, o que você também tem, e olho tudo através de você e eu. Agora, imagine que você junte todos os povos do mundo a você. Não que eu os conecte a mim e aumente a minha percepção interior, mas sim que, apesar de eu juntá-los a mim, eles permanecem fora de mim.
Então, através da percepção das coisas fora de mim, como se elas fossem minhas, eu adquiro “Aviut” (grossura) (por você continuar a ser um estranho para mim), e “Zakut” (pureza) (porque você se tornar como eu). Há um ganho duplo aqui. Assim, a minha percepção é chamada de “percepção espiritual”. Nós devemos pensar nessas coisas com mais carinho.
Quando eu ajo deste modo, eu adquiro um sentido que é mais exaltado do que o meu sentido atual. Eu entro no outro e olho através dele, mas esse outro permanece um desconhecido para mim, porque nós não cancelamos a Aviut entre nós.
Precisamente neste estado, com a condição de que permanecemos distantes, nós construimos a conexão, a ponte entre nós. Assim, em vez de anularmos o ego, nós nos conectamos acima dele, e ampliamos a intensidade da nossa percepção.
Quando nós falamos sobre isso, as pessoas pensam que estamos falando sobre sentir o outro como a mim mesmo, à semelhança de um Cabalista em nosso mundo, mas isso não é verdade. Tal abordagem anula a diferença entre as pessoas, e isso não é bom, porque tudo que você adquire através disso é o pequeno ego do outro.
Enquanto que, por desejarmos nos conectarmos acima do ego que brota em nós, nós obtemos a Aviut espiritual, revelamos a Klipa (casca) entre nós, e depois, revelamos o mundo espiritual acima dela. Não há outra maneira. Em outras palavras, quanto mais você expande seus vasos de recepção, mais você se torna egoísta, adquire uma Aviut maior, e sente mais o quanto você odeia, é repelido e distanciado dos outros. E você não apaga esta lacuna, mas constrói novas conexões acima dela. O problema é que leva tempo para o grupo perceber que essas duas coisas opostas precisam conviver juntas, e montar a linha do meio que as conecta.
É por isso se diz que o mundo espiritual está acima de nós, acima do nosso ego, no lugar onde podemos construir as conexões entre nós sem cancelarmos o ego que está realmente ardendo dentro de nós.
Nós devemos ouvir falar cada vez mais sobre isso, e nos esforçarmos em implementá-lo. O problema no grupo é que nós queremos anular tudo entre nós, o que nos atrapalha. Mas a verdadeira anulação é trabalhar junto com aquilo que é revelado entre nós. E essa é toda a diferença entre o método da Cabalá e os outros métodos e religiões. Esta esquerda, o ego explosivo, o mal, permanecem na pessoa, e graças a Deus que eles existem. Como os Cabalistas escrevem: “Eu criei a inclinação ao mal, e criei para ele a Torá como tempero”, ou seja, que todas as correções são apenas como um tempero para a inclinação ao mal, para que nós a utilizemos corretamente.
Portanto, nós não devemos ter vergonha de toda a atrocidade que existe em cada indivíduo, não há necessidade de escondê-la, ou de ser uma alma delicada. Pelo contrário: este sou eu, e essas são as qualidades com as quais eu nasci. Sim, eu sou repugnante, eu sei. Mas, acima disso, com toda a atrocidade que existe na conexão entre eu e os demais, eu construo a minha conexão com eles. Não é simples, porque você deve se agarrar a duas coisas opostas, ao amor e ao ódio, ao mesmo tempo. Como? Precisamente quando tentamos fazê-lo, neste método único e especial, percebemos que não podemos.
Nós podemos permanecer no nosso ego até o fim, ou anulá-lo e nos tornarmos bons filhos, mas nós somos incapazes de estar em ambos os estados simultaneamente. Portanto, nós rogamos pela Força Superior que fará a paz entre nós, a realização que permitirá com que a esquerda e a direita coexistam. Você precisa de um Criador aqui, a terceira força; então, você descobre que Ele existe precisamente no ponto entre o ódio eo amor.
E se Ele existe, Ele se liga entre o ódio eo amor, como está escrito: “O homem e a mulher, e a Shechiná (Divindade) entre eles”. Caso contrário, as forças doadora e receptora não podem coexistir. Somente a Força Superior faz a “paz em Seus céus” e a “paz entre nós”, a “realização” entre as duas linhas.
A sabedoria Cabalística é o único método que nos leva à necessidade da ajuda do Alto, porque você está parado, sem saber o que fazer. E quando nós descobrimos essas coisas no grupo, que queremos fugir – quebrar tudo como resultado do ódio, ou anular o ego a fim de alcançar o amor.
Mas este é exatamente o ponto em que devemos exigir que a Força Superior nos corrija e nos leve à plenitude. Todos os tipos de situações são deliberadamente organizados para nós desde o Alto, para que nós realizemos a oração, e a Luz venha, corija, e se revele. E isso pode acontecer aqui e agora. Nós só devemos ver a situação de forma correta e exigir a correção, sem fugir, permitindo que uma linha neutralize a outra. Não é simples, mas isso está realmente acontecendo aqui e agora, e não em algum lugar distante.

Construindo a Linha Média Durante a Leitura do Livro do Zohar


O Zohar: O Criador disse a Noé: “Entre na arca com toda a sua família”. Uma das qualidades do homem, que ele define como o Criador, dirigi-se à sua outra qualidade chamada Noé. Noé é a qualidade de doação e amor, a aspiração por elevar-se acima do ego. A qualidade chamada Criador fala com esta qualidade chamada Noé, a fim de elevá-la ainda mais. É por isso que o Criador diz: “Entre na arca!”, o que significa: Fortifique-se na qualidade de doação.

Está escrito sobre a entrada na arca: “O Criador (Havaya), Zeir Anpin, disse”, e está escrito sobre a saída: “Elokim disse”, referindo-se à Nukvah de Zeir Anpin. Está escrito que o dono da casa, Zeir Anpin, permite que Noé entre na arca. A arca é a qualidade de doação (Bina). Se uma pessoa (a qualidade de Noé que aspira à doação) entra na arca (Bina), ela sente que nada pode prejudicá-la – ela está a salvo de todas as suas outras qualidades, que discordam de Noé. O resto das qualidades do homem são egoístas e podem prejudicar seu progresso espiritual; é por isso que ele quer separar a qualidade de Noé das demais e avançar apenas com ela. Por enquanto, ele deixa as outras qualidades sozinhas, faz uma restrição sobre elas, ocultando-as.

Então a senhora, Nukvah de Zeir Anpin, diz para ele sair. Ele entrou com a permissão do senhor, Zeir Anpin, mas saiu com a permissão da senhora, Nukvah de Zeir Anpin. Isso se refere a duas forças que influenciam uma pessoa: a força Zeir Anpin e a força de Nukvah, o julgamento e a misericórdia. Através da influência destas duas rédeas, nós nos aproximamos do objetivo.

Assim, nós descobrimos que o senhor levou o convidado para a casa, e a senhora o retirou para fora, como está escrito: “Elokim disse a Noé: Saia da arca!” Elokim é a força masculina, a força que vence. Ela tem a permissão para retirar o convidado para fora, mas não tem o direito de deixá-lo dentro.

Mesmo que estas duas forças sejam opostas, elas atuam em conjunto a fim de nos fazer avançar. Nós não podemos avançar somente com a ajuda de uma força que nos empurra para frente. Nós também precisamos da força que nos empurra para trás. Nós somos sempre controlados por elas, como duas rédeas. Se nós entendermos que estas duas forças nos influenciam para o nosso próprio bem, e equilíbrarmos a força da esquerda com a da direita, então nós as uniremos e construiremos a linha média.

Uno, Único e Integral


Uma pergunta que recebi: Por que é tão difícil associar tudo o que acontece na vida com uma força – o Criador?

Minha Resposta: É impossível pensar no Criador toda vez que nos acontece algo, a menos que O sintamos através dos nossos sentidos, que estejamos conectados com esta fonte de Luz, que estejamos presentes Nele e Ele se manifeste em nós.

Nós reagimos a qualquer sensação ou pensamento que surge em nós buscanndo milhares de outras fontes que não o Criador, visto que nós não O percebemos como a única força que preenche tudo o que existe. Não importa se estamos falando de algo que aconteceu há 5000 anos atrás ou hoje. Por causa de nossa natureza egoísta, o ser humano é incapaz de permanecer conectado à idéia de uma única força governante, o Criador.

Nós existimos num estado de dualidade, visto que somos criados por dois opostos: a Luz e o vaso (Kli), a Luz e as trevas. A nossa percepção é composta por duas partes: desejo e sensação (reação), satisfação ou vazio dentro do desejo. Uma dessas partes (desejo) origina-se diretamente do Criador, e a outra (prazer) chega até nós indiretamente. O sofrimento não vem direto do Criador, e, portanto, nós não podemos associá-lo a Ele.

Assim, até que nós revelemos o Criador por meio de nossa mente e sentidos, a afirmação de que Ele é “Uno, único e Integral” é falsa para nós. Ninguém pode afirmar que existe apenas uma força que rege o universo, pois de acordo com a natureza humana, isso não é verdade. Somente quando a pessoa revela o Criador é que ela pode dizer que Ele é “Uno, Único e Integral”, pois ela pode sentir isso interiormente.

O Criador Ensinará A Sabedoria Secreta À Nossa Alma

laitman7O Zohar: A alma diz ao Criador: “Deixe-me penetrar nos segredos da Sabedoria Superior. Diga-me: o que Você vê e como Você governa o mundo superior? Ensina-me a sabedoria secreta que eu jamais havia conhecido ou aprendido; assim, eu não sentirei vergonha andando nos Níveis Superiores”.

A frase, A alma diz ao Criador, indica que a pessoa já atingiu uma conexão com a Força Superior e, portanto, sente como o Criador age e a desperta. Deixe-me penetrar nos segredos da Sabedoria Superior é um pedido para saber como eu posso alcançar a Luz que me corrigirá, de modo que serei capaz de revelar todo o Sistema Superior.

Nós revelamos tudo dentro do nosso desejo. Nada foi criado além deste desejo, e, portanto, ele é o lugar onde tudo se revela, inclusive este mundo e o mundo vindouro, o Criador, a criação, os mundos e todos os níveis espirituais. Tudo acontece dentro do desejo, e nós só podemos ascender se o corrigirmos.

O que Você vê e como Você governar o Mundo Superior? Neste ponto, nós poderíamos nos perguntar: por que a alma é tão curiosa? Porque conhecer o Criador é como doar a Ele, como está escrito: “Conheça o seu Criador e trabalhe para Ele”. O nosso objetivo é chegar a conhecer todo o universo no nível do Criador, e tornar-se igual a Ele em todos os sentidos.

É por isso que a alma pede: Ensina-me a sabedoria secreta que eu jamais havia conhecido ou aprendido! Nós ascendemos aos níveis mais elevados com a ajuda da Luz que Reforma. Em cada nível a pessoa deve revelar um novo desejo interior pela sabedoria secreta – a sabedoria de como usar todas as suas qualidades, a fim de doar ao próximo.

A Verdadeira Conexão com o Criador


Uma pergunta que recebi: Será que um Cabalista pode se tornar religioso, uma vez que ele revela o Criador?

Minha Resposta: Um Cabalista está preocupado apenas com uma coisa: como atingir a conexão com o Criador. O restante se desenvolve dependendo disso. Tudo que está acontecendo agora com você, ocorre em seu desejo não corrigido. Sua atitude em relação ao mundo, em relação a você mesmo e o Criador, está completamente errada. Então, como você pode ter uma atitude correta em relação a Ele?

Se você se corrigir, então não importa como será a sua conexão com o Criador. A coisa mais importante é que ela seja real e verdadeira, e é isso que o Criador espera de nós.

Portanto, nós não perguntamos como serão as nossas religiões no futuro, ou como as pessoas se comportarão, como serão suas vidas, e se esse mundo existirá. A coisa mais importante é que essa seja a verdade.

Se eu não estou corrigido agora, então tudo que eu sinto, vejo, penso e entendo é incorreto, tanto em minha mente quanto em meu coração. Portanto, nada disso permanecerá no futuro; todas as coisas quebradas serão substituídas por outras corrigidas.

Então, como será a vida? Eu não sei, e eu não consigo imaginar isso dentro das minhas qualidades corrompidas. Eu só posso lhe dizer que tudo se transformará em seu oposto, como está escrito: “Vi um mundo invertido!”. Você só tem que estar pronto para as mudanças que a Luz Superior realizará em nós.