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A Imagem Da Criação Pendurada Em Dois Ganchos

Dr. Michael LaitmanA fim de captar a imagem certa da realidade, nós temos que estar familiarizados com os dois pontos de vista que existem: o ponto de vista do Criador e o ponto de vista da criatura, e entender a relação entre eles. Com base nestes dois estados, podemos determinar a nossa atitude para com o desejo, de modo que, no final, todos estes pontos determinem a relação entre o Criador e a criatura de acordo com a oposição em semelhança de um com o outro, e nos dê uma nova percepção da realidade.

Não será mais a mesma imagem falsa que vemos agora, chamada de “mundo imaginário”, que é unilateral e limitada apenas ao que se passa através de nós, através do filtro egoísta, proporcionando-nos o sentimento deste mundo. Com a realidade ampla e infinita fora de nós, para além dos limites de nossa percepção, quando ela passa pelo nosso ego e atinge nossos sentimentos, ela é restrita ao tamanho de uma imagem corporal deste mundo que, no final, nós sentimos. Mas para chegar a uma percepção ilimitada, nós precisamos de novos pontos de vista.

A nossa realidade limitada e egoísta é chamada de “animal”, uma vez que é percebida pelo nosso organismo animal. A fim de sentir a verdadeira realidade, nós precisamos de dois pontos de vista: um ponto que é o oposto ao Criador e outro ponto que é semelhante ao Criador. Entre estes dois pontos, a partir dos diferentes tipos de conexões entre eles, tais como a favor e contra, semelhante e oposto, nós vamos construir a nova imagem do nosso mundo. Todos os atributos opostos e todos os semelhantes serão os componentes de nossa percepção.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/07/12, Escritos do Baal HaSulam

Roteiro Para O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso me relacionar com o Criador, se Ele é a qualidade de doação?

Resposta: Realmente, o que significa a “qualidade” de qualquer maneira? É uma força física? Eu posso realmente amar ou odiar a gravidade? Por exemplo, eu posso gostar dela na condição de que ela faça algo bom para mim. Mas isso não significa que eu a amo ou odeio. Eu percebo que é algo inanimado e, portanto, me relaciono com ela de acordo com meu sentimento, de acordo com os benefícios que recebo dela.

Eu gosto do sol. Mas, eu realmente o “amo”? Como nós podemos amar o sol comparado a amar uma planta, um animal ou uma pessoa?

Então, como me relacionar com o Criador? Primeiro de tudo, é dito sobre ele: “Eu HaVaYaH não mudo”. A Luz superior está em repouso absoluto; é o “Bom que faz o bem para o bom e o mau”; o Criador nos trata com amor absoluto.

Por outro lado, o Criador é chamado o Grande, o Terrível, e assim por diante. Todo o mal vem Dele; todo o bem é originário Dele. Tudo é tão contraditório que eu fico confuso.

Se algo é imutável, é ruim. Por que eles nos dizem que o Criador não muda?

Baal HaSulam explica em sua carta número dois, que se um pai se relaciona com seu filho com amor absoluto, ele faz o filho odiá-lo, em vez de amá-lo. Afinal, se não há reação alguma em nome do pai, o filho vê que não importa como ele trata o seu pai; de qualquer forma, o pai lhe responde com amor absoluto. Ele impede que o filho desenvolva amor, e não permite que ele mude, veja a conexão e fique em contato. É como se ele estivesse diante de um objeto inanimado. As plantas têm certo nível de reação, os animais respondem mais fortemente, sem mencionar o ser humano. Em seguida, as reações positivas e negativas penetram umas nas outras e criam uma nova conexão, uma inclusão mútua.

Mas se o Criador não muda, e ao mesmo tempo, Ele é tão bondoso e amoroso, então o que eu sinto por Ele? Não há como eu possa levá-Lo em consideração. Além disso, se eu não posso considerá-Lo, eu O deixo fora de cena, como se Ele não existisse. Por que eu consideraria alguém que nunca muda?

É uma noção muito profunda, que foi explorada não só pelos Cabalistas. No entanto, os Cabalistas se esforçaram em demonstrar que em todos os momentos o Criador significa “Venha e veja” (Bo-reh, em hebraico); assim eu O revelo. Eu não consigo revelar Ele mesmo, Sua essência, mas apenas Sua forma que está vestida na matéria. É por isso que quando nós O alcançamos em Sua totalidade, revelamos Sua forma final e perfeita e realmente O vemos como Absoluto, Perfeito, Eterno, o Bom que faz o bem.

Em todos os outros estados, nós consideramos o bem ou o mal que vem Dele dependendo do nível da nossa própria corrupção, como é dito: “Todo mundo julga de acordo com suas próprias falhas”. Assim, nós temos a oportunidade de nos relacionar com Ele de acordo com nossas próprias deficiências e correções, e vê-Lo como bom ou ruim.

Além disso, nós temos que acreditar no que disseram os grandes Cabalistas que O revelaram em Sua verdadeira forma, que Ele é totalmente bom e doador.

Portanto, nós temos que relacionar isso com os nossos desejos (Kelim): neste momento, nós vemos o Criador de acordo com a exatidão ou corrupção dos nossos desejos, mas quando nós o alcançamos no final da escada, vamos revelá-Lo como o Bom que faz o bem.

Assim, todas as contradições terão desaparecido, e nós receberemos um “roteiro do progresso”, que é dimensionado conforme nossa atitude para com o Criador. Ele nos permite ver como nós mudamos e, consequentemente, como o Criador muda aos nossos olhos.

Nós expressamos nossa gratidão ao Criador por nos dar a escada da ocultação; com a sua ajuda podemos alcançar a conexão com Ele. Caso contrário, não seremos capazes de nos conectar com perfeição.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/07/12, “O Livro do Zohar”

O Único Presente Do Criador

Dr. Michael LaitmanComentário: Nós sabemos que só podemos receber prazer do Criador se isso for importante para nós. Acontece que mesmo se houver uma parede na minha frente, tudo depende de como isso é importante para mim.

Resposta: Tanto o Rabash quanto o Baal HaSulam dão o exemplo da noiva que está satisfeita se alguém que ela considera importante concorda em se casar com ela. Por isso, é como se ele a “comprasse”. Mas ele não paga nada, ele não lhe deu nada; então, por que ela está satisfeita com isso? Porque ele é importante para ela.

O que o nosso desejo recebe do Criador? Nada. Mas Ele é grande, e nós estamos prontos para o “casamento”; nós concordamos em aderir a Ele com coração e alma, em adesão infinita e absoluta. O Criador “compra” você só com a Sua importância. É a única coisa que você adquire à medida que se desenvolve, e é isso que o preenche.

O nosso desejo – que cresceu graças à Luz, que recebeu a doação do Criador – o que ele quer desfrutar? Na verdade, ele quer desfrutar a grandeza e nada mais. Não podemos desfrutar o prazer em si; isso só acontece em nosso mundo com prazeres imaginários que vêm do Criador, a ponto de algo proveniente do nada. Os prazeres deste mundo só estão disponíveis para nos sustentar até começarmos a compreender a grandeza do Criador. Todos os níveis espirituais são o reconhecimento de Sua grandeza, e com Sua ajuda você desfruta se quer doar a Ele.

Por outro lado, a inclinação ao mal, o Faraó, é a tentativa de desfrutar diretamente, mas, novamente, só a grandeza do Criador. Isso é chamado de prazer espiritual.

Parece que a grandeza é necessária somente para superarmos o nosso ego e que depois seremos capazes de desfrutar a fim de doar, mas isso não é assim; todo o nosso trabalho reside em aumentar a grandeza do Criador aos nossos olhos. Com isso nós desenvolvemos novos desejos, e a ênfase muda de receber diretamente prazeres egoístas para receber prazer de Sua grandeza; assim, ao menos nós chegamos às Klipot (cascas), e isso não é nada simples.

A grandeza do Criador nos atinge, e é muito difícil sair deste cativeiro. Afinal, toda a criação é a essência dos degraus da escada. Quando alguém de um nível superior brilha sobre mim um pouco de sua grandeza, eu me rendo, eu me torno viciado na raiz e desde então ele é meu “chefe”, o “rei”.

Mas eu quero agir de forma diferente, consciente e inteligentemente. Eu quero resistir à vantagem que o superior tem sobre mim; eu não quero ser subornado por Sua importância e poder.

Isto significa que não se trata de receber Dele; nós estamos lutando com o nível de importância. Eu não quero trabalhar só para o benefício do superior simplesmente porque Ele é grande. Por que eu simplesmente me anulo naturalmente.

Pergunta: Isso significa que todos os livros de Cabalá e todas as idades de desenvolvimento foram dedicados a uma única coisa, para o reconhecimento independente da Sua importância?

Resposta: É isso mesmo, e não é por acaso que o mundo moderno está tão confuso e que ninguém entende o que está acontecendo. Afinal, tudo gira em torno de um ponto de adesão.

Pergunta: Mas, ainda assim, não há nada mais importante neste mundo. Eu não estou tentando elevar a importância de algo artificialmente. Estão todos os mundos e todos os níveis destinados apenas a isso?

Resposta: Eles foram criados como resultado da Luz que preencheu o desejo e deu-lhe diferentes formas. Com o que o Criador nos preenche? Que prazer Ele ganha por ter criado a criatura de modo que ela só desejará isso? Além disso, será que o Criador tem somente a força de doação? Não. Ele criou mecanismos de percepção nas criaturas, níveis especificamente para esta força de doação; nós nos desenvolvemos apenas de acordo com esta importância.

Onde estão os prazeres que Ele preparou para mim? Onde estão as bebidas que o anfitrião preparou de acordo com o famoso exemplo?

Não há sequer um pingo de prazer do jeito que você imagina. Não há refrescos, embora pareça assim: é apenas uma ilusão. Em nosso mundo você se contenta com um falso prazer, você engole iguarias, mas não está preenchido. Portanto, livre-se das ilusões e comece a discernir os níveis da grandeza do Doador. Daí você vai começar a calcular as coisas dentro dos limites da sua percepção.

Agora nós podemos entender o que aconteceu na primeira restrição. Malchut começou a se restringir quando descobriu que recebia com respeito ao Doador; ela descobriu a diferença entre o receptor e o Doador, e não entre a fome e as deliciosas bebidas. É a grandeza do Doador que me puxa para fora de mim. Eu não calculo este “prazer”, mas sim o prazer do Doador. Quando eu descubro a doação por parte Dele e a recepção da minha parte, sou preenchido pela vergonha, mas não por causa das bebidas que gosto, mas vergonha quando vejo a Sua grandeza em comparação com a minha baixeza.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar

Um Filtro No Caminho Para O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quais pedidos alcançam o Criador?

Resposta: Em primeiro lugar, nós temos que entender que, se o pedido não vem de um pedido coletivo, ele não é aceito. As pessoas clamam ao Criador do fundo de seus corações quando têm um ataque e no momento da morte, mas nada ajuda. Por quê? Porque a sua oração não passa pelo filtro, que é a única forma do pedido ser aceito. É somente através do sistema, apenas através da conexão entre nós, não importa se ela é boa ou ruim, é apenas no que diz respeito à conexão que o pedido é aceito.

Pergunta: Como posso amarrar meu desejo com o desejo de alguém, quando não o sinto?

Resposta: Tente sentir ou pelo menos clamar, porque você não pode sentir. Afinal, você entende que o seu desejo único e individual não pode agir de qualquer forma. Se dois conseguem, isso é ótimo! Bem, o que vocês querem? Estabelecer uma conexão? Unir-se? Vocês brigam? Mas vocês são dois; vocês esclarecem a relação entre vocês? Isso é bom!”.

Por que é tempo de correção agora? Porque as pessoas começam a sentir que há algo de errado na conexão entre elas. Mas ela estava bem antes? Antes, não havia conexão. Hoje, nós sentimos que há algo de errado e que temos que corrigi-la; portanto, a correção começa de agora em diante.

Se não levarmos em conta a conexão entre nós, não importa qual for, não há nada com que possamos chegar ao Criador. Pessoalmente, eu não posso fazer nada, não há nada a corrigir em mim. A única coisa que temos que corrigir é a conexão entre eu e os outros.

Pergunta: Você nos disse uma vez sobre o sistema que converte um pedido irreal num real. Será que você se refere ao pedido individual ou geral?

Resposta: Não há pedido individual! O fato de eu clamar por mim não quer dizer que a minha solicitação seja individual. A principal coisa é o que eu clamo. Isto é o que determina se a minha oração é uma oração coletiva ou não.

As pessoas pensam que se um Minian (dez homens) se reúne, é uma oração. Pode ser uma pessoa que pede conexão, pela correção do sistema, e então ela chamou de “oração coletiva”.

Assim, quando nos aproximamos do estudo, é muito importante para vir com o pedido correto. Caso contrário, o estudo nos distancia, e em vez do elixir da vida, ele se torna a poção da morte.

Vemos que as pessoas fogem e caem. Por que isso acontece? Porque a mesma Luz que age de forma errada traz escuridão, o que significa que te leva para a meta através do caminho longo.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/07/12, O Zohar

O Mundo Todo É A Face Do Criador

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“, Item 33: E você deve saber que qualquer satisfação do nosso Criador em doar às Suas criaturas depende da medida em que elas O sentem — que Ele é o doador, e que Ele é aquele que lhes dá prazer; pois Ele recebe grande prazer delas, como um pai brincando com seu filho amado, na medida em que o filho sente e reconhece a grandeza e exaltação de seu pai, e seu pai mostra-lhe todos os tesouros que preparou para ele.

Pergunta: Por que é tão importante para as criaturas sentir que é o Criador quem lhes dá prazer?

Resposta: As criaturas só conseguem sentir aquilo com que elas têm uma equivalência de forma. Se elas quiserem sentir o Criador como aquele que doa, elas têm que entender o que significa isto; elas têm que ser incluídas na doação e realmente subir a essa altura. Daí elas vão receber esse prazer, o mesmo nível de existência e poder de vitalidade que o Criador possui.

Pergunta: Aqui há o exemplo do pai brincando com o filho, querendo que ele O considere como a fonte de todos os prazeres. Isso parece ser um ato muito egoísta.

Resposta: Mas pode haver outro exemplo de uma atitude semelhante: o pai teve o filho não para apreciá-lo, mas para levá-lo à bondade. O pai faz tudo que está em seu poder até que o filho cresça para doar a ele. Então, quando o filho cresce e recebe todos os tesouros do pai, compreendendo e sentindo toda uma existência eterna, isto traz contentamento ao pai. Isto significa que, se o Criador desfruta, é sinal de que eu alcancei a perfeição. É assim que você deve ver: que isso se origina do Seu amor.

De nossa parte, nós temos que tentar trazer contentamento a Ele e trazer doação total e infinita à força superior. Nós recebemos as deficiências dela, desejos vazios, e dela recebemos as Luzes que corrigem essas deficiências, transformando-as de “a fim de receber” em “a fim de doar”. Assim, nós avançamos em direção à equivalência com o Criador. Esta é a única maneira correta e desejável pela qual podemos avançar. Assim, nós sentimos a força da vida espiritual que nos preenche, chamada Luz.

Este processo está descrito em nossa linguagem, na linguagem corporal, e assim parece que o Criador chora e sente pena se não agirmos como deveríamos ou se não acompanharmos o ritmo desejado. Assim, os Cabalistas transmitem as reações que provocamos Nele por nossas ações indesejadas. No entanto, se formos bem sucedidos, eles dizem que Ele fica feliz.

De uma forma ou de outra, “a Torá falou na linguagem dos humanos”. É daí que surge o exemplo do pai, que intencionalmente muda sua expressão em relação ao seu filho, expressando assim insatisfação, desejo ou felicidade, a fim de permitir ao filho estabelecer a conexão com ele. Mas isto é apenas uma expressão, uma vez que o próprio pai provoca diferentes estados e humores no filho, e é ele quem cria as circunstâncias que acompanham o seu crescimento. O filho obedece totalmente ao seu pai, interna e externamente. Portanto, diferentes imagens surgem diante dele: ele também vê que seu pai é sério, risonho, insatisfeito ou satisfeito.

Em geral, todo o meu mundo interior e o meu ambiente é o Criador. Dentro, isto está totalmente oculto de mim, e do lado de fora eu posso atribuir o papel principal ao destino e até mesmo à força superior, apesar de ainda não vê-la. O objetivo é entender onde está o “corte”, a diferença, onde está o “eu” aqui.

Diz-se: “Não há outro além Dele”. O Criador envia-me tudo que eu sinto internamente; Ele controla meus pensamentos e desejos e tudo o que acontece comigo, como eu recebo isto e como respondo ao que está acontecendo. Num raio-x, eu posso ver que não tenho controle sobre nada, que Ele controla tudo.

Então, o que sou eu? “Eu” é o ponto que quer revelar o Criador. É isso! É um ponto que está fora do Criador, o ponto de separação, de quebra, o ponto do meu “eu”, minha base, sobre a qual eu preciso descobrir o Criador e Sua unicidade.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar

 

Crescer Nos Suplementos Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como os desejos dos níveis inanimado, vegetal, animal e falante da natureza diferem? Quais as alterações de parâmetros nesta escala?

Resposta: Parte do Criador que está na natureza inanimada transforma-se no desejo do nível vegetal. Outra parte transforma o desejo do nível vegetal no nível animal e outra parte eleva o desejo do nível animal para o nível falante. Cada vez, outra força qualitativa é adicionada: Malchut do superior transforma-se em Keter do inferior. A força do Criador que está oculta nela irrompe e gera um novo nível mais inferior.

A forma do novo nível é determinada diretamente de Cima, enquanto o seu conteúdo, seu preenchimento, a essência do nível, conforme o qual ele é determinado, vem do Criador. Assim, em todas as quatro fases da Luz direta, há a mesma matéria típica do desejo de receber, mas elas são totalmente diferentes, pois cada fase tem uma nova parte suplementar do Criador.

O nível inanimado da natureza só pode preservar a si mesmo conforme o Criador o criou. Ele é chamado de “um embrião no ventre de sua mãe”.

O nível vegetal não se anula totalmente perante o superior; ele já quer acrescentar algo de si mesmo, pois recebe o alimento só quando quer comer, etc. Ele pode dar alegria à mãe, e, portanto, sofre quando está longe dela e feliz quando está perto dela.

O nível animal já se aproxima e se afasta de forma independente. Ele já tem uma mente e pode ser oposto ou semelhante ao superior. Temendo pela oposição, ele se assemelha a ele novamente, trazendo assim mais satisfação. Não é por acaso que nós amamos as crianças desobedientes mais do que as calmas. É porque às vezes você não sente uma criança quieta, enquanto que a criança travessa, que causa dores, faz você sentir a discrepância entre os estados, e você a ama mais e se sente mais perto dela. Ela estimula você e muda o seu humor e, no final, atrai amor. Ela esculpe constantemente um “entalhe” no seu coração e, às vezes, “espalha” algo de bom nele.

Quanto ao nível falante, ele pode tomar o lugar do Criador na criação. Ele cuida de tudo e vê toda a criação como uma oportunidade de doar ao Criador.

Isto é o que é típico sobre esse desenvolvimento: quanto mais a criatura está aderida ao Criador, mais claramente ela descobre a sua oposição em relação a Ele.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/07/12, “Introdução ao Livro do Zohar

O Mundo É Uma Rede De Conexões Entre Todos Com O Criador

Dr. Michael LaitmanSe pudéssemos ligar nossa visão interior (como um raio-x), poderíamos descobrir uma gigantesca rede de informação, que conecta todos os habitantes do mundo.

Nós precisamos reforçar que é inadmissível o critério rigoroso e unilateral. No passado, houve a globalização dos países, depois a globalização das corporações, e agora há a globalização das pessoas em pequenas sociedades. Enquanto desviarmos nossas opiniões para questões gerais sobre política e economia, desviamo-nos do que é importante, da integralidade do mundo.

A economia serve para manter a vida do corpo vivo ou social. Quanto mais complexo é o objeto, maior é o montante das inter-relações em seu corpo, assim como a densidade da sua comunicação e relações interpessoais. Seu conhecimento é necessário para a gestão financeira moderna, para apoio na vida, e os resultados da falta desta informação é a razão de nossas falhas e da crise.

Nos países que ainda não desenvolveram tais conexões, eles ainda não se sentem numa crise, mas ela chegará a eles também. E se nós inventamos nossas próprias leis, nós como que erguemos paredes no caminho para as conexões naturais da sociedade, e, no final, nós anulamos a conexão natural e o desenvolvimento.

Sem dúvida, todas as objeções à integração, a organização de todos os tipos de coligações e alianças, são contra o desenvolvimento social e o plano da natureza, e, portanto, levará os seus participantes à sua queda.

Na base da integração está a aspiração da força superior da natureza, que traz a todos a uma única forma, à consolidação, à participação, à unidade, à compreensão mútua, à justiça superior. Assim, os vários tipos de formas privadas de alianças vão descobrir a sua falta de coordenação em relação à natureza geral e vão obrigar os criadores das alianças, de uma forma ou de outra, a se voltar para completar a integralidade.

Assim, todo o sistema de novos valores, aqueles principais e secundários, os dos indivíduos e da sociedade, terá de ser construído em coordenação com as prioridades naturais, que vai levar a civilização à harmonia e união.

Para esclarecer as prioridades, é importante manter discussões e fóruns e ouvir a opinião pública, mas não com a finalidade de alterar as prioridades que são determinadas pela natureza e foram transmitidas a nós pelos Cabalistas, mas apenas para esclarecer o nível de desenvolvimento da sociedade e a correção de sua formação integral.

Detector Para O Criador

Dr. Michael LaitmanNós estamos todos “flutuando” no campo informativo. Ele está acima do tempo, espaço e movimento. Ele é constante. Mas nós não estamos sentindo este campo porque temos propriedades diferentes. No entanto, se nós nos unirmos, nós nos tornamos, conforme o nosso grau de interconexão, semelhante a este campo: nos tornamos unificados como ele e começamos a captar suas informações.

Quando todos existem no estado de separação, sem união entre si, eles sentem neste campo informativo apenas uma pequena parte informativa que é sentida por todos como “nosso mundo”, isolado deste campo informativo e que pode ser detectado somente nessa pessoa, em sua parte egoísta individual.

Assim que nos unimos, o mínimo de muitos é dois (“Miut HaRabim – Shnayim”), então nós imediatamente começamos a corresponder a esse campo informativo e começamos a senti-lo no nível mínimo chamado “Nefesh de Nefesh ” e assim por diante. Isso significa que de acordo com a lei da equivalência, nós sentimos este campo, o Criador, conforme o grau de nossa conexão. Por isso, nós estamos criando um órgão sensorial fora de nós mesmos.

Eu Escolho Vocês, Irmãos!

Dr. Michael LaitmanSe a pessoa compreende a natureza de seu trabalho, ela começa a tratar o seu ambiente de maneira diferente, porque vê que não tem vontade própria e que tudo vem do Criador. É por isso que ele não permite que ela seja considerada uma criatura.

Ela será chamada de criatura quando se virar para o ambiente e receber o desejo dele. Então esses desejos serão registrados em sua conta.

Ou seja, ela precisa abaixar a cabeça e entender que apenas os desejos que recebe do ambiente são chamados de Shechiná, o lugar para a revelação do Criador, que é chamado Shochen (Morador). É por isso que a inclusão no grupo é totalmente obrigatória para o avanço espiritual.

Diz-se que é necessário amar os amigos: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Afinal de contas, nessa conexão mútua, chamada de amor, a pessoa revela o mundo espiritual, o Criador.

Na verdade, eu não escolho os amigos. Minha escolha vem depois. No início, o Criador me traz ao grupo, e eu não tenho qualquer liberdade aqui. Minha escolha inicia mais tarde, quando eu realmente me conecto com eles e devo responder a pergunta: Por que eu preciso e o que quero receber deles?

Assim, eu avanço, cada vez escolhendo os amigos, porque tenho que ver todos eles como grandes, apesar do fato deles parecerem para mim cada vez mais insignificantes e vazios. Isso significa que eu os escolho, porque agora eu escolho precisamente esses amigos que o Criador me deu para o avanço espiritual.

Desta forma, eu avanço e construo sozinho um novo desejo. Este próprio desejo que recebo do ambiente e no qual quero me tornar semelhante ao Criador, para revelar a força de doação, é chamado de ser humano.

Todo mundo é obrigado a mostrar o seu amor pelo grupo, porque nós temos que apoiar uns aos outros, que é chamado de garantia mútua. Todo mundo se torna uma garantia para o resto, que todos eles terão força o suficiente para revelar a força de doação e atingir equivalência com o Criador. É por isso que eu sou responsável por todos, eu assinei a sua garantia. Sua espiritualidade está em minhas mãos, assim como a minha espiritualidade está em suas mãos. E se um de nós fizer um buraco no barco comum, todos nós vamos nos afogar em nosso egoísmo, nossas intenções egoístas, e não seremos capazes de revelar o Criador.

É por isso que, quanto mais avançamos em direção à revelação do Criador, mais rigorosas e exigentes se tornam as condições. Nós precisamos entender que estamos diante das leis da natureza da Luz e do desejo, e não pode haver compromissos e concessões. Tudo é feito de acordo com as leis das relações entre essas duas forças.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/07/12, Escritos do Rabash

Um Diapasão Para O Violino De Davi

Dr. Michael LaitmanEu não consigo me sintonizar com o Criador sem primeiro me ajustar corretamente com a ajuda dos meus amigos. Não tenho qualquer outra ferramenta para verificar a mim mesmo: nem a sua base, seus limites, suas qualidades de referência.

Eu primeiro devo chegar à configuração correta, como a lente na câmera ou a afinação inicial de qualquer instrumento. Eu preciso me conectar a determinado sistema de informação.

É o mesmo em relação ao Criador, porque eu não tenho quaisquer pontos de referência quando se trata Dele. Cada religião e crença lhes dão sua própria definição; há uma abundância de opiniões, todos imaginam o que gostam.

Por isso a quebra dos desejos nos dá a oportunidade da verificação, de modo que nós não vamos ficar confusos. Eu sou capaz de me ajustar perfeitamente com um diapasão em relação a um grupo de amigos. Eu preciso de pelo menos mais uma pessoa (dois é o número mínimo) que eu possa usar para determinar a direção correta e o ponto de partida para o avanço, combinando “Israel, a Torá e o Criador”.

Mas eu devo começar a trabalhar, transformando-me num instrumento devidamente ajustado, tão preciso quanto possível. Toda a escada dos graus espirituais onde estou trabalhando constantemente em maior adesão, a união de todas as almas, todas as pessoas, representam uma melhor qualidade e um ajuste mais fino em relação a algo chamado Criador até eu me concentrar num único ponto, que aponta na direção absolutamente precisa.

Todas as minhas qualidades, todos os meus desejos, se conectam neste ponto, dando um som puro, como o do violino de David. Isso significa que estou atingindo a verdadeira adesão, revelando este fenômeno chamado Criador em todas as minhas qualidades.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 03/07/12, Escritos do Baal HaSulam