Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

O Arrogante Não Aprende

Dr. Michael LaitmanPergunta: Está escrito que a cabeça do Partzuf inferior fica vestida no corpo do Partzuf superior. O que significa “fica vestida no superior”?

Resposta: O “corpo” do superior são suas ações, trabalhar acima dos desejos, enquanto que a “cabeça” é a tomada de decisão. O inferior não pode realizar nada com sua “cabeça”, em seu nível. Está escrito: “De suas ações, eu O conhecerei”. Em outras palavras, o inferior tem que incluir-se no “corpo” do Partzuf superior.

E quando ele descobre o que o superior faz, através do exemplo, ao repetir suas ações, somente então ele começa a entender o que o superior quis lhe dizer. Até que você tenha feito o que o superior lhe disse para fazer, você não entenderá o que ele está dizendo.

E não por meio de qualquer ação animal e impensada, quando você é obrigado a fazer o que o superior diz; você tem que fazer isso para que você possa aprender! Olhe como as crianças copiam o que os adultos fazem: elas imitam o nosso comportamento, sem compreender seu significado. Quando a criança recebe um martelo de plástico e pregos, ela não sabe o que fazer com eles. Mas ela vê como você martela os pregos e faz o mesmo, de onde ela começa a compreender o que isso significa.

A criança não pode aprender de outra forma. Nós precisamos ter isso em mente ao projetar programas de educação: O ensino só pode ter êxito se ensinar pelo exemplo. Nós vemos que a causa tem origem nas raízes espirituais e está incorporada na natureza durante a expansão dos Partzufim (diminuição da conexão das almas) de Cima para baixo.

A mente dada ao inferior é necessária apenas para ser capaz de copiar as ações do superior. A cabeça do Partzuf inferior deve funcionar apenas de tal forma. Se a cabeça do  inferior olha para cima para copiar e realizar suas ações através do superior, o inferior está destinado ao sucesso. Mas se ele acha que pode usar sua própria cabeça para julgar, tomar decisões e fazer alguma coisa, ele está destinado ao fracasso.

Ele pensará que está nesse nível em que pode fazer algo por conta própria. Mas todos os atos ocorrem no “corpo” do superior. Se o inferior é inteligente o suficiente para anular sua inteligência e razão, ele sobe e recebe a sabedoria, a mente do superior.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/01/11, Talmud Eser Sefirot

Preste Atenção No Criador

Dr. Michael LaitmanSomente quando nós começamos a juntar as partes quebradas de Adam HaRishon (o Primeiro Homem) em um todo, é que começamos a notar como tudo o que aconteceu conosco neste mundo começa a se encaixar de forma milagrosa. Todos os eventos, desde os mais desagradáveis até os mais agradáveis, importantes ou não, inexplicáveis e aparentemente acidentais, chegam ao fim e se encaixam perfeitamente, nos mínimos detalhes.

Então, começamos a compreender a necessidade de toda a pressão e crise que o mundo está passando hoje, bem como os estados dolorosos que cada pessoa está experimentando em sua vida individual. Tudo isso serve apenas para empurrar cada um de nós em direção ao seu local, missão, e sua realização correta. Somente se prestarmos atenção ao que o Criador deseja fazer com cada um de nós, se exercitamos o “Não há outro alé Dele”, convidando-O a fazer Sua obra sobre nós e ouvindo-O, será suficiente.

Mas, para ouvi-Lo, precisamos nos preparar para isso com nossas ações, conforme descrito em “Faremos e ouviremos”, já que ouvir o que o Criador faz significa ter atingido o nível de Bina (ouvir é o nível de Bina, um nível muito elevado). Portanto, em primeiro lugar, devem ser realizados certos atos, como descrito em pé no Monte Sinai: “Faremos e ouviremos”.

Nós temos que passar pelo mesmo processo através do esforço em nos aproximarmos uns dos outros em corações, como um homem com um coração, e para alcançarmos a garantia mútua, ajudando uns aos outros a se unirem. Afinal, somente juntos, desejando ardentemente conectar todos os nossos pontos nos corações, nossos desejos, estamos reconstruindo este Kli (desejo) quebrado, montando-o a partir das partes e restaurando-o novamente.

Da Lição 2, da Convenção no Deserto de Arava 31/12/10

Ao Atravessar Para A Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanFalando sobre atualizar a sabedoria da Cabala, nós devemos levar em consideração que o nosso atual Gilgul (ciclo de vida) está longe de ser o primeiro. Temos passado por múltiplos ciclos, e ninguém sabe exatamente quantos cada um de nós tem. Isto será revelado para nós mais adiante, mas, francamente, não há muita utilidade em rever as nossas encarnações passadas, já que todas estavam ainda nos níveis vegetal ou animal da evolução do desejo de desfrutar.

A nossa evolução aconteceu com base nisso. Primeiro, nós existíamos no nível inanimado de desenvolvimento, seguido do vegetal, quando experimentávamos a realidade como as plantas fazem. Mais adiante, cada um de nós evoluiu para nível animal, percebendo a realidade da mesma forma que os animais.

Assim, nós passamos por várias vidas, até que (como está escrito na Árvore da Vida do ARI e no Estudo das Dez Sefirot, Parte 3, do Baal HaSulam), do nível animal, através dos símios (nível intermediário entre o animal e o homem), nós finalmente alcançamos o nível humano neste mundo. Os seres humanos também são uma espécie animal, mas muito mais evoluídos do que os animais.

No nível falante deste mundo, nós também passamos por muitas vidas, até atingir nossa condição atual. Agora, nesta encarnação, estamos fazendo um tipo especial de trabalho, a fim de ascender a um nível completamente novo e experimentar uma nova realidade espiritual: a realidade do Criador.

Durante as transições, de nível em nível e de estado para estado, existem fases intermédiárias. Como o ARI descreve, entre os níveis inanimado e vegetal, existem corais que combinam ambas as características: inanimada e vegetal. Entre os níveis vegetal e animal, há uma criatura intermediária, um pequeno animal chamado de “cachorro do campo” que vive na terra e alimenta-se da terra como uma planta, mas cujo corpo se comporta como o de um animal. Entre o animal e o humano, existe o macaco, um mamífero com características humanas rudimentares.

Atualmente, nós estamos na transição entre o ser humano deste mundo, que vive como todos os outros sete bilhões de pessoas, e algo espiritual. Nós não sabemos ainda o que significa este “espiritual”, mas estamos entre estes dois estados.

Pela primeira vez, nestas transições que temos passado desde os níveis inanimado ao vegetal, do vegetal ao animal, e do animal ao falante (humano), ignorando o que aconteceu conosco e vivendo como todas as pessoas neste mundo, nós agora temos de fazer a transição conscientemente, participando dela de forma plena. Seremos nós que decidiremos se isso acontecerá ou não. Apenas o nosso desejo pode fazer com isso aconteça.

Esta evolução depende de nós. Essa transição é única e diferente de qualquer outra, porque somos nós que cultivamos o ser humano em nós, o humano idêntico ao Criador.

Assim, pela primeira vez na nossa história, em toda a nossa evolução, a sabedoria da Cabalá está sendo revelada para nós. Ela se destina a acompanhar-nos como um manual de instrução, a diretriz principal, um código de leis, uma ciência, com a ajuda da qual completaremos essa transição. Afinal, se não esclarecermos isso para nós mesmos, não a desejaremos e não a estudaremos; não seremos capazes de triunfar.

É por isso que somos chamados de “judeus” (“Ivrim”, da palavra hebraica “Laavor”, atravessar), pois estamos atravessando do estado de humano deste mundo para o nível humano espiritual, semelhante a Adam HaRishon, ou a imagem do Primeiro Homem. Épocas atrás, ele parecia ter sido quebrado em fragmentos, e agora temos que voltar a remontá-lo de novo, suas partes masculina e feminina.

Tudo isso tem que ser implemenatdo em nosso trabalho coletivo. Nós temos todas as ferramentas necessárias para isso, mas cabe a nos esclarecer tudo, aprender o que nos falta para nos transformarmos nesse Humano, e desenvolvê-lo.

Da Lição 2, da Convenção no Deserto de Arava 31/12/10

Doação A Prazo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como a pessoa pode escolher a doação, em vez da recepção?

Resposta: Primeiro de tudo, isto exige preparação da parte dela. Ela tem que desejar que isso aconteça. Mesmo que ela seja desviada do caminho, porque o Criador aumentará  seu desejo egoísta e seus pensamentos discrepantes, a preparação que ela fez ainda fará o seu trabalho.

Em segundo lugar, a pessoa precisa separar um tempo para estudar e fazer coisas relacionadas com a doação. Isso também lhe dará forças para voltar ao caminho.

Em terceiro lugar, uma pessoa deve motivar o ambiente a doar e alcançar a garantia mútua, para que nenhum dos amigos possa parar para pensar nisso, mas sempre aspirará a ascender acima da razão e do egoísmo. O pensamento constante e comum do grupo é a garantia mais segura que pode haver.

Está escrito: “Faça tudo que esteja a seu alcance”.  No final do dia, os nossos esforços comuns despertam a Luz que Corrige. Uma pessoa tem que entender que é necessário obrigar o Criador a dar-lhe a Luz. O Criador constantemente  aumenta seu desejo egoísta, e apenas às vezes desperta na pessoa o desejo de doar, a Luz, a fim de acender sua centelha interior, a qual ela tem que levar ao grupo. No entanto, isso só pode acontecer algumas vezes e não devemos esperar que isso aconteça, pois este tipo de despertar está ligado a um cálculo muito desagradável.

Isso porque o Criador não pode dar-lhe um desejo de doar “de graça.” Portanto, se você está esperando por isso, você terá que experimentar o sofrimento e pagar integralmente pelo apoio. Por outro lado, você pode pedir isto com antecedência, de acordo com o princípio, “Dirija-se a mim e eu darei a você”. Você pode pedir ao Criador as forças de doação e, então, pagar por elas.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 4/1/11, Escritos do Rabash

Ter O Superior Sobre Seus Ombros

Dr. Michael LaitmanEscritos do Rabash, “Aquele que Não Fez Um Esforço Na Véspera do Shabat…”: Os principais esforços são feitos no trabalho contra o conhecimento, quando a pessoa não sabe em prol do que deve trabalhar. Isto é muito difícil.

Pergunta: Por que é tão difícil?

Resposta: Porque contradiz completamente tudo o que eu sou. Na realidade, isso não é apenas muito difícil, mas impossível. Eu não terei êxito nisso com a minha própria força, porque não tenho nenhum meio para realizar qualquer ação em minha mente ou sentimentos que esteja acima do conhecimento.

Eu sempre atuo com base em meus próprios pensamentos e desejos. Pode ser o contrário? O que mais uma pessoa tem?

No entanto, a fim de tornar a ação correta, a pessoa deve estar equipada com a mente do Criador, em vez da criação. Isso significa que eu preciso de Sua cabeça em vez da minha. Mas como eu posso conseguir isso?

É por isso que os Cabalistas dão-nos conselhos. Quando a pessoa quer servir alguém grande, o grupo ou os amigos, ela tenta desligar sua mente e seus sentimentos, aceitando em vez disso a mente e o sentimento do outro. Com a ajuda destes exercícios nós construímos a mesma atitude para com o Criador.

Uma pessoa pequena sempre carece de uma “mente” ou compreensão. Ela não sabe como se tornar semelhante ao Superior e não O entende. É por isso que ela tem que receber ou aceitar uma parte da mente do Superior. Trabalhar com a mente do Superior em vez da sua própria significa fé acima da razão.

Por que “fé”? Não poderia simplesmente dizer, “a mente do Superior”? A questão é que o inferior adquire a cabeça do Superior, rejeitando sua própria mente na qualidade de Hafetz Hesed, a qualidade de doação. Caso contrário, ele não pode fazer isso. Ele não pode ver a ação do Superior e tornar-se semelhante a Ele.

Os meios mais eficazes que permitem à pessoa adquirir a sabedoria e a grandeza de um novo nível é tentar neutralizar sua mente e sentimento, a fim de aceitar a mente e o sentimento do outro, que é superior a ela. Caso contrário a pessoa cresce somente na parte animal, crescendo quantitativamente e não qualitativamente.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 3/01/11, Escritos do Rabash

Sete Bilhões De Centelhas Brilhantes

Dr. Michael LaitmanPergunta: Pode a leitura do Livro do Zohar nos ajudar a adquirir uma percepção geral e universal? Isso não seria anular a singularidade de cada ser humano?

Resposta: Que singularidade pode haver neste momento? Que ser humano?  Nós estamos falando de sua “besta”, que temos que transformar em um Ser Humano.

Você tem um “burro” (“burro” em hebraico é “Hamor“, da palavra “Homer” – “matéria”), e só há uma centelha espiritual nele. Nós queremos ajudá-lo a extrair essa centelha do “burro” e conectá-la com o resto das centelhas brilhantes, acima do rebanho de “burros”.

Imagine sete bilhões de “burros” e uma centelha brilhante acima de cada um deles. Nós queremos unir essas centelhas e construir a partir delas o Ser Humano, equivalente ao Criador. Só então elas poderão adquirir uma percepção geral da alma coletiva de Adam HaRishon.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/01/11, “Introdução do  Livro do Zohar”, Artigo “Yitro (Jetro)”

O Único Meio De Estudar

Quando eu vim estudar com Rabash, eu tinha 33 anos. Eu era uma pessoa forte e bem sucedida; eu tinha uma família, casa, e negócios de sucesso. Perguntei-lhe: “Agora, eu vou investir toda a minha vida em você. Eu estarei ao seu lado até o fim, porque senão é impossível aprender algo. Estou pronto para fazer isso, mas como eu posso ter certeza de que estou no lugar certo?”.

O Rabash respondeu que eu tinha todo o direito de fazer essa pergunta. No entanto, eu tenho que escolher sozinho o professor ao qual quero agarrar-me. Ninguém deve interferir ou influenciar a minha decisão. Ele disse: “Vá e verifique outros lugares!”.

Mas depois de tomar a sua decisão e escolher o seu lugar, você deve jogar fora qualquer dúvida sobre isso e não balançar de um lado para outro no meio do caminho. Você não pode estar sob qualquer outra influência, exceto a do seu professor.

Em outras palavras, se você se tornar meu aluno, você é obrigado a receber apenas o meu espírito e não ouvir ninguém. Afinal, você vai se desenvolver e é proibido para uma pessoa ouvir outras opiniões durante seu crescimento.

Da 2ª lição, Convenção no Deserto de Arava 31/12/10

O Espaço Derivado Da Alma

Dr. Michael LaitmanPergunta: Está escrito que o primeiro homem (Adão) tinha vários órgãos e revestimentos. Como o “corpo”, a “matéria”, e o “revestimento” diferem?

Resposta: A “matéria” é o desejo de desfrutar. O “revestimento” é o grau de doação que pode estar dentro.

Toda a “história” da matéria começa com a quebra dos mundos, seguida pelo nascimento da alma coletiva (Adão), que também se quebra e que precisamos corrigir, uma vez que são suas partes. Para isso, é necessário selecionar os desejos (Kelim), depois de esclarecer qual deles pode e não pode ser corrigido, e quais não precisam ser corrigidos. Portanto, eles são divididos em três categorias ou três corpos.

O corpo externo é o pior desejo, o qual você não pode corrigir de modo algum. O corpo interno não precisa ser corrigido, porque é corrigido a partir do Alto. Na verdade, se ele não tivesse sido corrigido do Alto, nós não seriamos capazes de corrigir coisa alguma

Não se espera que possamos corrigir todos os danos da quebra, uma vez que somos incapazes de realizá-lo. Nós precisamos nos tornar parte do sistema que nos ajudará a fazer as correções. Portanto, os desejos que estão em doação são corrigidos a partir do Alto. E os autênticos Kelim (vasos) de recepção, o “coração de pedra” (Lev ha Even), não podem ser corrigido por nós.

Na verdade, nós não corrigimos coisa alguma; apenas discernimos a diferença entre o Criador e o ser criado! Eu não preciso corrigir o meu desejo de sentir prazer, uma vez que ele é dado a mim para fins de esclarecimento, para que através da análise e síntese, eu venha com um “derivado”, um novo significado sintetizado.

Não importa se ele é interessante (se é “corrompido” ou “corrigido”): ao contrário, é mais interessante usá-lo para discernir um conceito mais exaltado: “Quem é o Criador?”, ou seja, conhecê-Lo através de “Seus atos”. Portanto, eu não preciso trabalhar com desejos que não podem ou não precisam ser corrigidos. O que eu preciso fazer é examinar o local onde eles estão todos misturados.

No “coração de pedra”, não há nada para estudar e examinar. Com os desejos mais exaltados, GE (Galgalta vê Eynaim), também não há nada a fazer, já que eles são as qualidades da alma que não pertencem a mim. Eu só posso estar no meio, entre um e outro. Toda a minha correção equivale ao discernimento, ordenar o bem do mal.

Ao fazer isso, eu não corrijo nada, pois isso não é o meu trabalho. Mas graças ao meu discernimento e esforço, confusão e dor, eu adquiro algo especial, que está acima dos desejos que não vão além do nível animal.

Éssa é  toda a questão da criação, o desejo de desfrutar: os níveis mineral, vegetal e animal. Mas eu preciso descobrir o nível humano, o nível do Criador em mim! Atualmente, ele não existe dentro de mim, mas ao descobrir a diferença entre a recepção e doação, eu começo a compreender o Criador. Este é o “benefício” do trabalho espiritual.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 23/12/10, Beit Shaar HaKavanot

A Ajuda Em Contra Torna-Se Um Ladrão

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando criam um filho, os adultos usam principalmente a ternura, numa tentativa de incentivar e apoiar a criança de qualquer modo que puderem. Por que eu tenho a sensação de que o Criador nos educa mais com a vara do que com a cenoura?

Resposta: Isso se chama: “Cada pessoa julga de acordo com suas próprias falhas”. Mas quando você revelar a atitude Dele em relação a nós, você verá com que infinita misericórdia Ele tem agido. Nós não conseguimos ver nem entender isso, olhando com nossos olhos egoístas.

Mesmo que hoje você tenha uma satisfação plena, no instante seguinte, quando novos genes informativos (Reshimot) emergirem, você vai sentir como se você não tivesse nada e perguntará: “Bem, onde está Aquele que me criou? Por que Ele não me satisfaz?”.

Do ponto de vista do ego, é uma reivindicação justa. Se Ele criou o desejo de desfrutar, Ele provavelmente deveria preenchê-lo com prazer, não deveria? Nós apenas não levamos em conta que Ele quer nos preencher com prazer num outro nível, mais elevado, e para isso precisamos primeiro nos tornar como Ele. Estando em nosso nível, é impossível justificar as ações do Criador. Portanto, o estágio dos justos começa de Bina para cima.

Como nós sempre sentimos que o nosso ego está apanhando, temos a capacidade de prosseguir pela fé acima da razão. Somente ao submergirmos em intermináveis problemas e dúvidas, somos capazes de romper com o nosso ego. Tivesse o Criador sempre me preenchido de prazer, eu estaria correndo como um ladrão na frente da multidão, gritando mais alto do que o resto: “Pega ladrão!”.

Em seguida, eu estaria cantando louvores do amanhecer ao anoitecer: “Viva o Criador, o Bom que Faz o Bem!”. Eu O agradeceria por sua generosidade para com o meu egoísmo.

Porém, nós precisamos nos elevar acima desses desejos vazios. Eles não são apenas vazios, mas têm um enorme sinal “negativo” de grande sofrimento. Se a pessoa é capaz de superar essa sensação e começar a doar, isso significa que ela está fazendo uma restrição (Tzimtzum) e uma tela sobre o seu ego.

Além disso, se adicionalmente ela é capaz de receber prazer, mas não para si mesma, concordando em permanecer vazia por dentro, enquanto é preenchida somente com o intuito de doar ao Criador, então ela é chamado de justo completo.

Da 4ª parte da Lição Diária da Cabalá 23/12/10, “Paz no Mundo”

Você Viu Sete Céus No Céu?

Dr. Michael LaitmanTodas as definições da Cabalá derivam da criação original, o desejo de receber prazer, que se opõe à Luz e precisa se tornar idêntico a ela. É por isso devemos avaliar o nosso desejo apenas em relação à Luz e não em relação às nossas experiências atuais.

O homem organizou todo um sistema de critérios de bem e mal, bom e ruim, agradável e desagradável,  o qual ele emprega. Agora, você está lendo um texto Cabalístico que lembra algo totalmente diferente, mas você não deseja penetrar no seu real significado. Você deseja distorcê-lo, para que ele sirva ao seu ego.

Nós estamos lendo textos escritos por Cabalistas e achamos que podemos entendê-los usando nossa percepção atual, pois ela se adapta às nossas definições de “bem” e “mal”, “doação” e “recepção”, “em cima” e “embaixo”, “corrupção” e “correção”. Mas, na verdade, nós não sabemos absolutamente nada sobre o verdadeiro significado deles.

O livro diz “este mundo”, e eu acho que isso significa o mundo em que vivo atualmente. Mas espere, primeiro você deve tomar o lugar do autor e ler com os olhos dele! Por exemplo, no livro Beit Shaar HaKavanot (O Portão das Intenções), o Baal HaSulam escreve: “E os sete céus que vemos neste mundo…”.  Onde você viu sete céus aqui?

Em outras palavras, nós precisamos compreender que esta frase refere-se a significados espirituais,  opostos ao nosso atual entendimento. Até que entremos no mundo espiritual, nós não os entenderemos; no entanto, devemos nos esforçar para, de alguma forma, nos familiarizarmos mais com eles.

Da 4ª parte da Lição Diária da Cabalá 23/12/10, “Paz no Mundo”