Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Correndo De Um Tapa De Leve

Pergunta: Por que as mudanças para melhor não podem acontecer sem sofrimento?

Resposta: Sofrimento é qualquer sensação que me leva do estado atual para o  próximo. Suponha que agora mesmo eu esteja num estado absolutamente confortável. Se minha matéria e essência são o desejo de ter prazer e todos os meus desejos estão satisfeitos, então eu não tenho qualquer oportunidade de me mover adiante. Somente a sensação de falta me move em direção à origem da satisfação. Quando eu quero beber, eu me aproximo de uma garrafa. Quando eu quero dormir, eu me aproximo da cama, e etc.. Se eu não tiver quaisquer desejos, significa que não há movimento ou desenvolvimento.

Assim, que tipo de sofrimento eu deveria sentir para avançar? Para uma pessoa inteligente ou energética um sofrimento bem pequeno é suficiente para ela se mover adiante para resolver o problema. As pessoas preguiçosas continuarão a sofrer, mas ainda será difícil para elas se moverem de onde estão. Tolos sentem dor, mas não entendem de onde ela vem e por que. Eles se sentam e choram, mas não podem se mover de onde estão.
O sofrimento também vem em formas diferentes. Por exemplo: uma posição desconfortável me faz sentar de forma diferente, o que também é um tipo de sofrimento. “Sofrimento” é a ausência total e absoluta de conforto. Se o sofrimento – isto é, um adicional desejo vazio – não for despertado numa pessoa, então ela não se moverá nem se desenvolverá.
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Um Ponto Negro No Oceano De Amor

Pergunta: Como eu alcanço a semelhança de propriedades com o Criador quando Sua intenção E Sua ação ambas são de doação, e eu somente tenho a habilidade de corrigir a intenção? Como eu posso me tornar como Ele na total acepção da palavra?

Resposta: Você se torna absolutamente como Ele de acordo com a essência da ação. Você dá a Ele? Você dá. Ele dá a você? Ele dá. Você faz tudo que está em seu poder para expressar seu amor a Ele? Ele faz o mesmo.
Quando uma criancinha faz tudo para fazer sua mãe feliz, ela não se importa se recebe algo dela ou dá algo a ela, é a qualidade da ação que conta. É o mesmo com as pessoas: você está olhando para a direção da satisfação, mas o que acontece aqui é a revelação do relacionamento, e pode ser que o receptor doe. [Leia mais →]

A Masach Faz Você Atravessar A Machsom

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença entre Masach (tela) e Machsom (a barreira que nos separa da espiritualidade)?

Resposta: Atravessar a Machsom é equivalente a receber a primeira tela anti-egoísta. Tais barreiras existem entre todos os níveis, mas nós simplesmente as chamamos de níveis.

O primeiro grau espiritual, “Machsom“, é único, porque a pessoa não tem idéia do que é a doação. No entanto, após atingi-la, ela já começa a imaginar um pouco a doação; ela vê um exemplo do Superior e o imita. A pessoa já tem certa conexão com o Criador. Por outro lado, quando ela sobe para o seu primeiro nível, ela tem que romper essa “barreira” embora esteja totalmente cega.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 1/12/10, Beit Shaar HaKavanot

Conectar Para Ascender

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos conectar os opostos?

Resposta: Coisas opostas só podem ser conectadas através da resistência que se opõe a ambos. Não importa que tipo de resistência; ela existe e é a única coisa que pode conectar os dois fenômenos opostos.

Por exemplo, duas pessoas, um marido e mulher, não se dão bem um com o outro. Eles vão a um especialista, um psicólogo, e ele os conecta. Como? Ele não concorda com nenhum delas; ele está no meio.

Tal juiz deve existir dentro de nós: eu não conecto duas coisas opostas sem um terceiro, porque a conexão entre elas é impossível. E se eu tentar fazer isso, eu obtenho um curto-circuito, causando destruição.

Isso também está relacionado com a conexão entre marido e mulher. Devido ao crescimento do desejo egoísta, eles se sentem opostos entre si, e entre dois opostos deve haver algo superior que os conecte.

Zeir Anpin e Malchut (ZON) do mundo de Atzilut conectam-se somente sob a condição de que subam ao Partzuf Aba ve Ima. Antes disso, não há nenhuma conexão entre eles, uma vez que ela só é formada devido à subida, à conquista do Criador.

No futuro, a família só existirá devido à meta espiritual superior, e para atingí-la os cônjuges se apoiarão entre si.

Da Lição Diária de Cabalá 10/12/10, Talmud Serifot Eser

Na Zona Neutra

Dr. Michael LaitmanPergunta: Está escrito que a criação deve alcançar o Criador de forma independente, mas o que isso significa?

Resposta: Qual é a minha independência e onde posso encontrá-la?

Eu tenho que descobrir qual é a minha dependência, de quem ou do que eu dependo e o que depende ou não de mim. É possível que eu seja independente, e eu tenho que concordar ou discordar disso. Depois de fazer todas as análises do meu estado, eu descubro que estou fora do Criador.

Isso é possível porque o Criador é expresso como a influência de duas forças sobre mim: positiva e negativa, direita e esquerda. É por isso que há um estado entre nós onde ambas se neutralizam como o campo entre dois ímãs.

Eu estou na zona neutra. A linha direita é a força da doação, enquanto a linha da esquerda é a força da recepção, e eu estou entre elas. Eu sou influenciado por duas forças, mas, ao mesmo tempo, não sou influenciado por nenhuma. A neutralização delas está dentro de mim. Ou seja, por um lado o Criador existe e essas duas forças me influenciam, mas elas me influenciam de tal forma que eu não sinto sua influência sobre mim, porque elas se neutralizam dentro de de mim.

Assim, por um lado, “não há outro além Dele”, mas por outro lado, “Se eu não fizer isso por mim, quem o fará?”. Este estado neutro é chamado de parte central da Sefira Tiferet . Se eu encontrar esse estado, ele é o meu ponto básico, a partir do qual eu determino pessoalmente a direção que prefiro para o meu desenvolvimento: a direita (doar) ou a esquerda (receber).

Da Lição em Moscou, em 14/01/11

Crescer A Partir Dos Opostos

Dr. Michael LaitmanNós estamos numa parte da natureza, a parte receptora, e temos de chegar à outra parte – a parte doadora. Hoje, esta parte é completamente confusa para nós e isso é porque a transição de um degrau para o outro é sempre confusa. Na dialéctica isto é chamado de “lei do duplo negativo”.

O próximo degrau é uma mente diferente, sentimentos diferentes, uma visão diferente. De facto, tudo é diferente, tendo completado novos parâmetros. Estamos a falar de algo ligeiramente maior que aquilo que temos agora, mas um degrau qualitativamente novo. Em geral, no caminho espiritual cada nível é completamente diferente dos anteriores, estando totalmente separado deles e tendo dez Sefirot novas.

A ordem de ascensão é a seguinte: imergimo-nos no desejo egoísta, digamos um centímetro de profundidade, e avaliamo-lo como o mal da nossa existência, desejando corrigí-lo para o bem. Depois ascendemos um centímetro acima dele, isto é, começamos a usá-lo inversamente, na direcção da doação, vendo um mundo completamente novo.

Depois descemos uma vez mais, mas desta vez na profundidade de dois centímetros. No início tudo está bem: usamos o mundo, isto é, o estado, para nós mesmos. Mas então descobrimos gradualmente uma imagem horrível e uma vez mais começamos a transformar o mal em doação. Uma vez que nos livramos do mal, ascendemos dois centímetros, e uma vez mais vemos o mundo da doação, que é completamente diferente dos níveis anteriores.

Quanto maior a imersão, maior a ascensão. Níveis adjacentes são divididos uns dos outros pelo descenso e todo o seu conteúdo é absolutamente diferente. Nós revelamos continuamente um mundo novo, sem saber como agir de um estado para o outro. Os estados são completamente diferentes, mesmo se nos pareça que “já estivemos lá”.

Como, então, podemos fazer a escolha? Como posso eu escolher uma direcção e o próximo estado?

Isto requer uma acção simples: como resultado de todos os estados possíveis, escolho os mais complexos, aqueles que são mais difíceis para mim agora, aqueles que a minha natureza mais repugna. É assim como actuo em relação aos meus amigos contra a minha natureza, e é assim como ascendo ao próximo estado.

Eu devo escolher continuamente o estado espiritual que é mais oposto ao meu estado atual. Desta forma, a recepção e a doação crescem uma a partir da outra. Esta é a lei do duplo negativo. Esta lei é a base da vida vegetal, do crescimento das células vivas, do caminho dos nossos pensamentos, e por aí fora. Tudo se desenvolve ao ter opostos crescimendo um a partir do outro.

Da Lição em 17/1/11, Shamati

Passos Em Direcção Ao Desconhecido

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é que a Luz trabalha em nós tão devagar? Que mais podemos fazer?

Resposta: Nós avançamos a grandes passos. Contudo, não conseguimos medir quantos passos mais temos de dar de forma a trocar a nossa percepção do consumo interior para a doação, de forma a adquirir a força que irá unir as “engrenagens”, nossas almas, deixando-nos sentir o mundo superior.

Nem eu nem qualquer outra pessoa no mundo, incluindo todos os Cabalistas das gerações anteriores, alguma vez experienciaram o estado que estamos a passar hoje. Nunca antes um grupo tão grande de pessoas se esforçou para terminar a correcção baseado na falta de conexão entre elas, assim como na falta da revelação do Criador nelas. Uma vez que não há precedentes para tal, não consigo dizer de que forma isso irá ocorrer.

Na verdade, na sabedoria da Cabalá, tudo é idêntico à natureza. Se algo não é revelado, você não consegue saber como se manifesta. Um verdadeiro cientista diria que de acordo com os seus dados, seria desta ou daquela forma, mas se ele dá um passo adiante, ele entra no desconhecido.

Há cientistas que passam décadas a estudar certo fenómeno e estão certos de que encontraram uma explicação de como ele funciona. Ainda assim, de repente eles dizem: “Não, nós estávamos errados”, e começam tudo de novo.

O mesmo é verdadeiro em relação à sabedoria da Cabalá. Ela é uma ciência. Temos de explorar o mundo superior por nós mesmos e não esperar um e-mail, SMS, ou outra coisa qualquer de lá. Tudo o que tem sido revelado até este momento, foi revelado nos Kelim (vasos) pessoais, individuais de cada Cabalista.

Agora, devemos descobrir o mundo superior neste enorme desejo colectivo, na nossa união mútua. E isso será feito pela primeira vez. Todos os sete biliões de pessoas podem não se unir, mas haverá ainda centenas de milhares ou mesmo milhões.

Por outras palavras, a aspiração de ver o mundo espiritual tornou-se mais colectiva que individual. Isto nunca tivera sido visto no passado. Assim, é impossível dizer quando isso irá ocorrer, mas estamos a avançar a um ritmo rápido.

Da Palestra no Dia da União 26/12/10

A Razão De Nós Acendermos A Vela

Dr. Michael LaitmanPergunta: Que sentido interior deve estar ligado ao acendimento das velas em Chanucá? O que precisamos explicar às crianças?

Resposta: Nós aspiramos à doação e o amor ao nosso próximo, e isto deveria tornar-se para nós a Luz que nos enche de prazer. Se todos nós nos conectarmos como um homem com um coração, nos vamos começar a sentir o mundo espiritual, o Criador, a vida eterna. Isso é chamado acender “as luzes de Chanucá”.

Chanucá  ainda não é o fim da correção, mas apenas uma parada no caminho. Nós alcançamos a qualidade de Bina, doação em prol da doação; nós saímos do nosso egoísmo, isto é, ascendemos de Malchut à Bina.

Por enquanto, eu ainda sou incapaz de descer de volta de Bina e começar a usar Malchut. Eu só subo acima da razão. Isso é chamado de Chanucá. É por isso que não devemos usar essa Luz; só podemos olhar para ela.

Mais tarde, quando nós atingimos o feriado de Purim, tomamos esta Luz e a usamos em nosso desejo de receber prazer, de forma que “a escuridão brilhará como a Luz”. Então, todos os poderes de Bina descem à Malchut, e Malchut mesma começa a brilhar.

Este é o fim da correção, enquanto Chanucá  (Hanu-Ko, “eles pararam aqui”) é ainda uma parada, uma pausa no meio do caminho. É como se fosse uma geração peregrinando no deserto e discernindo os modos de superar o seu ego.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/12/10, Escritos do Rabash, Carta 43

Vibrações Elétricas De Doação

Dr. Michael LaitmanNós temos de tentar construir um estado de uma convenção sem fim e ser constantemente impressionados por milhares de pessoas reunidas em um só lugar. Eu tenho que sentir as mesmas “vibrações elétricas” a qualquer hora e em qualquer lugar. A distância não afeta este campo de força espiritual. Isso depende de nós; nós podemos criar este estado de existência permanente.

Este campo único de conexão e direção espiritual é o que se chama grupo Cabalístico. Nele, todos mantêm a influência não só dos 7.000 amigos, mas de milhões de nossos amigos em todo o mundo.

Primeiro de tudo, nós criamos o grupo de milhares de nossos alunos, onde todos estão mutuamente conectados dentro de nossa rede integral. Se parte desse grupo atinge o estado de Arvut (garantia mútua), ele começa a projetar essa iluminação externa, e não pode mais ser parado.

Isto é o que é chamado de autêntica circulação da Cabalá. Todos terão a chance de vir, ver, aprender e analisar se ela se adpta a eles ou não, e se não se encaixa hoje, então talvez amanhã.

Esta convenção deve mostrar-nos um exemplo de tal estado, e tem que tornar-se permanente, para que possamos subir mais e mais. Esse será o impacto do ambiente sobre a pessoa, e é nosso trabalho criá-lo.

Se o ambiente determina todo o meu futuro e minha velocidade de avanço espiritual, então eu devo estar preocupado apenas com a forma de tornar esse ambiente mais forte de modo a constantemente inspirar-me e puxar-me para frente “pela orelha”.

Nesse caso, com certeza vou ir à convenção. Afinal, o que mais me pode fazer avançar para frente? Eu não possuo outros meios, exceto este. Eu irei, mas temos de continuar a oferecer o mesmo tipo de influência o tempo todo. Embora seja verdade que não há qualquer outro mecanismo que promova o crescimento espiritual.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/11/10, “Exílio e Redenção”

A União É Um Trabalho Espiritual

Dr. Michael Laitman with StudentsEu recebo a força para alcançar a espiritualidade do ambiente, e ela é uma força única. Chegamos à sabedoria da Cabalá com o desejo pela espiritualidade, mas esse desejo é egoísta: obter tanto este quanto o mundo futuro.

Este desejo enorme empurra a pessoa para frente, mas quando ela pretende relacionar-se com os amigos, ela tem que anular-se e aumentar a importância do amigo. Assim, ela eleva a sua atitude para com o amigo a um nível espiritual mínimo. Ela anula-se, deseja unir-se, e reconhece o amigo como o mais importante.

É um esforço muito desagradável e repulsivo, mas não há outra escolha: precisamos nos unir. E se fizermos isso, eu recebo do amigo a importância do objectivo, a força para subir. Esta força é espiritual. Afinal de contas, a fim de voltar ao amigo, eu me anulava e realçava o seu valor. Visto que eu me relacionei com ele de acordo com a regra espiritual, a importância do amigo, eu recebi dele a força para subir, apesar do fato dele ser igualzinho a mim.

Mesmo se eu atuar sem esperança, porque quero obter o mundo espiritual de forma egoísta, recebo o verdadeiro poder do amigo, que me eleva acima de mim mesmo. Agindo desta maneira com os amigos, eu adquiro a abordagem correta para com a espiritualidade. Além disso, os amigos podem não prestar nenhuma atenção a isso, nem sequer ter consciência do que me abastece com energia espiritual. Eu adquiri isso através da realização de um ato egoísta, anulando-me em relação a eles, apesar da força do ressentimento.

É muito difícil, mas se eu conseguir me superar, eu recebo dos amigos a força para avançar. Esta é a essência do nosso trabalho, e este é o objetivo da futura Convenção.

Da Palestra no Dia da União 31/10/10