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No Reflexo Da Luz Superior

Pergunta: Se o Criador é imutável, por que cada um de nós O percebe de forma diferente?

Resposta: Cada um de nós percebe o Criador de forma diferente conforme o desenvolvimento de nossa alma, de acordo com nossos desejos e qualidades. Isso é devido a que o Criador mesmo não pode ser percebido. Eu nunca O sinto; eu percebo a mim mesmo em relação à “Luz superior simples”. Em relação a essa Luz superior simples, eu me descubro.

Assim, quem sou eu? Você é o mundo inteiro. Você sente isso? Sim. Você existe junto com aqueles ao seu redor? Sim. Bem, então você é esse mundo inteiro. É no seu desejo que você percebe tudo.

Você sente como se isso estivesse acontecendo externamente? Você está errado. Tudo isso está dentro de você. Todo o mundo está dentro de você. Você simplesmente percebe sua realidade dessa forma, em oposição à Luz superior. Você não percebe essa Luz superior, mas ela existe, e também não externamente, mas dentro de você.

Tudo que você possa imaginar está dentro de você, a Luz superior também. Mas o que é a Luz superior? Você só pode falar dela com base em sua experiência. Onde ela está? Está dentro de seus desejos. Tudo está dentro do homem.

Isso continua até que nós realmente revelamos a força superior.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/04/11Shamati No.1

Um Ponto Negro Num Oceano De Bondade

Dr. Michael LaitmanToda a diferença entre os Cabalistas (pessoas com o ponto no coração que seguem o caminho do desenvolvimento espiritual) e as massas religiosas está em sua atitude para com o Criador. Os Cabalistas dizem: “Tudo depende de mim, eu preciso mudar, enquanto que o Criador é absoluto e, assim, imutável”.

Os únicos que podem mudar são aqueles que podem ser melhores ou piores, mas o Criador é somente “O Bom, que faz o Bem”. Como posso pedir que Ele mude e Se aprimore? Isso não O tornaria “mau” agora?

Um Cabalista acredita que ele é o único que precisa mudar, e ninguém mais é objeto de correção: nem o mundo, nem os amigos, nem o grupo, nem uma só pessoa. Agora mesmo, eu existo dentro do Bom que faz o Bem, o Criador, a única força da natureza: “Não há ninguém além Dele”. Como eu O percebo depende de minhas qualidades.

Quando eu trabalho com o grupo, eu sou aquele que trabalha; eu sou aquele que muda. Por isso me parece que existe um grupo que passa por diferentes estados, mas na verdade, eu trabalho com minha sombra, minhas qualidades.

É o mesmo com respeito ao Criador. Parece-me que Ele me trata de diferentes formas. Algumas vezes Ele se aproxima de mim, e algumas vezes Ele Se distancia, mas sou eu trabalhando comigo mesmo contra o absoluto, o Bom que faz o Bem, e não há ninguém além Dele. Eu estou dentro Dele.

Assim, “cada um julga de acordo com suas próprias falhas”. Eu vejo minha sombra em oposição ao Criador. Isso sou eu me vendo externamente, o reflexo de minhas próprias qualidades.

Dessa forma, o mundo inteiro, exceto os Cabalistas, está pedindo que o Criador mude, e todos estão prontos para fazer tudo que for necessário somente para que o Criador seja amável com eles. Eles não pensam que precisam mudar sua natureza, corrigir sua “inclinação ao mal”, seu ego, mas pedem ao Criador que seja bom com eles assim do mesmo modo que eles são bons.

Os Cabalistas dizem o oposto: O Criador é “Bom e faz o Bem”, e “Não há ninguém além Dele”, a força universal e única da natureza. Nada mais existe além do Criador. Além Dele, só há um ponto do desejo de receber prazer, a “existência a partir da ausência”. Várias ações acontecem dentro desse ponto, e essas são mudanças em sua consciência, sua existência na Luz superior.

De repente, esse ponto sente que está se expandindo para a escala de Malchut do Infinito, a forma dos mundos, e algumas mudanças acontecem. Porém, é o mesmo ponto experimentando tudo isso. Nada mudou. Todas as mudanças só estão acontecendo em suas sensações.

 Isso continua até que ele alcança um estado constante, a sensação que ele é como um ponto negro que existe dentro do “Bom que faz o Bem”, o Único que existe. Todo esse círculo, que passamos dentro criação até a completa correção (Gmar Tikkun), tem somente a intenção de determinar nosso verdadeiro lugar, revelando o Criador.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 26/04/11Shamati No.1

As Dificuldades São A Ajuda Do Alto

Dr. Michael LaitmanSomente a pessoa que,em sintonia com a raiz de sua alma, deseja encontrar uma força unificada e superior que governa a realidade, é “ajudada” pelo Alto e recebe obstáculos. O Criador permanece revelando novos desejos nela que a atrai em várias direções. Assim, a pessoa esquece que não há nada mais além do Criador e fica confusa novamente e é incapaz de se juntar interiormente à imagem da única força superior, à qual a pessoa deve se voltar.

Todas essas dificuldades são a ajuda do Alto enviada na forma de obstáculos a alguém que possui uma aspiração dirigida para encontrar o Criador. E a pessoa pensa que os outros têm êxito em manter esse quadro único, a sensação única de que não há ninguém mais exceto o Criador. Mas para ela, essa imagem constantemente desaparece e se perde.

É fácil para o mundo dizer isso, mas ela é a única para quem é difícil, e ela constantemente luta com isso como se estivesse numa névoa, não entendendo o que atua nela: ela mesma, o Criador, ou ambos juntos, e que relacionamento deve ser estabelecido com Ele. Nada está claro.

Parece injusto que somente ela receba dificuldades do Criador ao invés de ajuda. É assim que um Criador amoroso e afável deveria agir? Por que então Ele usa tais truques astuciosos e prepara para o homem tais problemas na vida, dos quais não sabemos como escapar?

A pessoa pensa que mesmo o indivíduo mais cruel não faria isso. Afinal, de onde vem toda a crueldade senão da mesma força superior? Todas as coisas mais brutais e horríveis vêm de uma única força, e ainda mais, nós temos que concluir que essa força é boa, infinitamente amorosa, e trabalha somente para o bem, é isso?

Se dermos uma olhada no mundo, é impossível reconhecer isso. Nós só ficamos convencidos de como é fácil ele nos confundir e nos fazer duvidar da unidade da força superior, quando vemos o mundo diante de nós, cheio de dor, problemas, violência, terror, e ódio.

Não é a mesma força que causa isso? Certamente que sim, já que não há ninguém mais exceto Ele, e nós não fazemos nada. Eu vejo com meus próprios olhos que o mundo é governado pela força do mal e não pela força do bem. E tento como posso me agarrar ao pensamento de que não há ninguém além do Criador bom. Eu balanço como se estivesse na ponta de uma agulha prestes a cair. Afinal, de todas as direções eu recebo a prova do oposto absoluto, e isso parece muito real para mim.

Eu nem posso fechar meus olhos para o que está acontecendo e minto para mim mesmo. Eu vejo que eu simplesmente preciso conhecer o Criador! Então, uma necessidade verdadeira emerge em mim. Eu não estou disposto a vê-Lo como uma força má! Mas, para que eu O experimente como uma força boa, eu peço Sua ajuda.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 26/04/11Shamati No.1

Pavimentar O Caminho Para A Luz

Dr. Michael LaitmanA escravidão no Egito começa com o desejo de José de se unir com seus irmãos, mas, ao invés disso, o ódio se revela entre eles. Esse é ponto quando eles entram no Egito e o vendem.

José (o homem justo, o fundamento do mundo) é o que é chamado de solo (base), Sefira, que conecta todas as Sefirot precedentes a ela, ou “os filhos de Jacó”. Ele quis unir todos eles, mas eles não acataram; cada um deles desejou ficar sozinho. E José diz: “Vocês devem se unir em mim”, uma vez que a Sefira Yesod une dentro dela todas as outras Sefirot; ela não tem nada dela mesma.

Porém, todas as outras qualidades no homem são opostas a ela, e por isso eles começaram a experimentar o exílio no Egito. Em outras palavras, todo nosso trabalho pertence somente à unificação, na qual você tem o grupo mundial, bem como os grupos locais. E cada um de nós tem oportunidades de avançar quer nos grupos físicos ou nos virtuais. Ademais, todos já fizeram alguma preparação para a união, mas nós ainda não fomos capazes de tomar a decisão final.

E pode ser que nós tenhamos que tomar a decisão final a cada instante e que nada irá acontecer a menos que nos unamos, acima do egoísmo pessoal de cada um. Lá, no ponto de nossa união, está a espiritualidade. Esse minúsculo ponto escuro de repente se revela e nós encontramos nele a entrada para o mundo espiritual . Ele é como uma passagem estreita e apertada e seria difícil de acreditar que algo realmente pudesse se abrir ali.

É semelhante a dar à luz. Primeiro, a saída está fechada, o embrião permanece dentro do útero, considerado como “Mem Stuma” (a letra “Mem” é a qualidade de Biná, fechada por todos os lados). E só depois, quando o enorme desejo de nascer está presente, essa letra “Mem” se divide em duas portas (as letras “Dalet”, da palavra “porta” ou “Delet”) em duas articulações (“Tzirim” ou “dobradiças”, a palavra que também significa contrações do parto), e é assim que o bebê nasce.

Mas, no instante que antecede, o recém-nascido não tem nenhuma chance de saber, prever, ou sentir que o estado em que está pode se abrir. Desta forma, um ambiente forte é necessário. Ele irá pressionar constantemente cada um de nós e nos assegurar a garantia: o poder de apoiar, a força de despertar que sempre ira me trazer de volta à intenção pela união.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 21/04/11, Beit Shaar HaKavanot

Cruzar A Fronteira Do Egito

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que posso fazer se tenho um grande desejo de união com os amigos, mas não importa o quanto me esforço para fazer isso, sou incapaz de ficar assim por mais de cinco minutos e sou levado por toda sorte de pensamentos irrelevantes?

Resposta: Você precisa se transferir de um pensamento para outro, repetidamente. O que você pode fazer se nosso trabalho é feito em pequenos passos, como crianças que crescem pouco a pouco a cada dia. Mas, a criança não trabalha o dia inteiro para avançar. Ela constantemente testa o ambiente e a si mesma: o quanto ela pode se adequar a ele e empregá-lo, como desenvolver-se, para tirar o maior proveito do ambiente.

Mas, nós não fazemos o mesmo. A cada segundo nós não examinamos como devemos usar nosso ambiente, qual o melhor jeito de nos conectar com ele. Nós não desejamos nos unir e nos testar: Doamos ao ambiente? Você pode realmente fazer isso a cada momento, como uma criança faz? É aí que estão os nossos problemas; essa é a razão do nosso progresso ser tão lento.

Nada está nos detendo. Nós recebemos todos os instrumentos; tudo está escrito para nós; tudo está explicado; e tudo que precisamos é pular nisso juntos e fazer só isso! Então, toda e qualquer pessoa, mesmo que esteja no canto mais distante da Terra, também irá sentir que não pode fazer isso de outra maneira.

O Egito não é tão necessário se nós estamos atravessando-o juntos. O Criador organizou tudo para que possamos tolerar essa confusão que é considerada como a “dor de amor”, quando eu sonho em me encontrar com alguém que eu amo e anseio por Ele, por essa antecipação do encontro que está adiante.

Eu naturalmente sofro, já vez que ainda não cheguei a esse encontro e nós não nos reunimos, mas eu já estou ansioso por ele, na antecipação iluminada do futuro. A única dificuldade nesse caminho é a falta de união entre nós. Além disso, não há nada mais.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 21/04/11, Beit Shaar HaKavanot

Quando Eu Recebo A Vida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a conexão entre disseminar a sabedoria da Cabalá e a realização espiritual?

Resposta: A realização espiritual vem somente através da disseminação. Sabemos da sabedoria da Cabalá que uma alma consiste de duas partes: GE (Galgalta ve Eynaim) e AHP (Awzen, Hotem, Peh), que são as minhas qualidades (Kelim), pelas quais permaneço em doação aos outros. GE obedece a lei da Restrição, onde apenas a Luz de Hassadim (Misericórdia) está presente. Não é a realização, mas apenas a correcção do Kli (vaso).

Contudo, se desejo atingir a Luz de Hochma (Sabedoria), preciso envolver o meu AHP, os meus Kelim (vasos) de recepção. Por outras palavras, devo doar aos outros; senão, não serei capaz de ativar o meu AHP. Devo receber MAN deles, que resultará em ser capaz de canalizar a Luz de Hochma a eles.

Portanto, é dito: “Aprendi uma grande lição com meus professores, mais com os amigos e ainda mais com os estudantes”. Afinal, os estudantes trazem-me os seus desejos insatisfeitos, e eu elevo-os para o Infinito, tiro de lá e canalizo através de mim a Luz de Hochma que eles pedem, e assim apreendo.

A pessoa nunca alcança a espiritualidade em seus Kelim, mas apenas adicionando os desejos dos outros aos seus próprios. Ela pode ativar o seu AHP apenas se dentro dele houver o GE de outro. E o AHP do último, por seu turno, tem de estar ligado a mais alguém, e por aí fora. Nenhum de nós está livre.

Assim, todos os Partzufim espirituais são formados até o mundo do Infinito. Tomemos o Partzuf da minha alma, por exemplo (veja o diagrama em baixo). A sua parte inferior reside dentro do Partzuf inferior, totalmente controlado por ela. E na segunda parte da minha alma reside a superior. Por outras palavras, com a parte superior da minha alma eu pertenço ao superior, e com a parte inferior, ao inferior. Então, onde está o meu Eu?

Bom, eu não existo. Não consigo existir por mim mesmo. A minha vida (e nós iremos em breve começar a ver isso no nosso mundo global) está ligada quer ao superior como ao inferior, a ambos, mas ela certamente não me pertence. Se na minha parte superior eu me entrego completamente ao superior, junto com ele, eu alcanço no meu GE e no AHP dele em mim as dez Sefirot completas. E por baixo, no meu AHP e GE do inferior, eu também alcanço todas as dez Sefirot. Desta forma, eu recebo vida.

Mas eu nunca tenho o meu próprio Kli, excepto na conexão com os superiores e inferiores. Eu não possuo as minhas próprias dez Sefirot ou, para ser ainda mais preciso, eu não tenho quaisquer Sefira de mim mesmo. A minha única parte superior está sempre totalmente ligada ao superior, enquanto que a outra, a inferior, está completamente atada ao inferior. E apenas no meio posso eu fazer uma decisão para me separar nestas duas partes.

É precisamente isto que revelaremos agora como resultado de uma crise mundial global. Não há outra ligação entre pessoas, nações, países, e todas as partes da natureza. Estamos todos ligados como células de um único organismo. E se fizermos um esforço para preencher esta condição, iremos achar uma boa vida. E se não, iremos sofrer.

Esta é a lei espiritual que define como os Partzufim estão ligados. Aprendemos isto no Estudo das Dez Sefirot.

Pergunta: Quanto tempo devemos dedicar à análise interna e quanto tempo à disseminação externa?

Resposta: Dedique 100% à unidade interna com 100% de disseminação ao mundo em cima disso!

Da Lição 7, Convenção NÓS! 03/4/11

O Início Do Nascimento

Dr. Michael LaitmanEu acho que os dias de união durante a Páscoa foram muito bons para nós. Basicamente, nós revelamos um importante momento no desenvolvimento espiritual do homem, que marca o início do seu nascimento espiritual, o início da saída do exílio espiritual: o “lugar” da união do grupo, os amigos, foi descoberto em cada um de nós.

Esta sensação do lugar espiritual tem que se expandir. Esta é a nova realidade. Quando a pessoa não abandona a preocupação com esse “lugar”, ela rapidamente avança para sua realização. No final, ele se tornará o lugar da revelação do Criador, e continuará a se desenvolver até o ponto de adesão completa do ser criado com o Criador: o mundo do Infinito.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/04/11, “Revelando Uma Parcela, Cobrindo Duas”

Aquela Evasiva “Fé Acima Da Razão”

Dr. Michael LaitmanShamati # 13, “Uma Romã”: A medida do preenchimento é o máximo que se pode ir além da razão, e isso é chamado Romemut.

Só há vazio em um lugar onde não há existência, como está escrito: “suspende a terra sobre o nada”. Então, qual é a medida do preenchimento do espaço vazio? A resposta é, de acordo com sua elevação acima da razão.

Isso significa que o vazio deve ser preenchido com elevação, ou seja, acima da razão, e pedir ao Criador para dar-lhe essa força. Isso significa que todo o vazio foi criado, ou seja, que a pessoa deve sentir que está vazia, apenas para ser preenchida com a Romemut [grandeza] do Criador. Em outras palavras, devemos considerar tudo acima da razão.

Não sabemos o que é “fé acima da razão”. É uma separação total de todos os nossos cálculos. Lembro-me de como, três ou quatro meses depois de começar a estudar com o Rabash, perguntei a ele: “O que é a fé acima da razão, já que está escrito que uma pessoa deve estar sempre nela?” Naquela época, até escrevi na mão que não deveria esquecer de pensar na fé acima da razão, embora eu não soubesse o que era. Enquanto estava sentado no carro ao volante ao lado do Rabash, olhei para o que estava escrito em minha mão e perguntei a ele: Qual é o significado desse conceito?

Em resposta, ele me deu um exemplo que é, certamente, limitado pelas fronteiras deste mundo: suponha que um amigo tomasse emprestado mil dólares de você e depois lhe devolvesse o envelope como se tivesse a soma inteira dentro. Mas você encontra apenas um dólar dentro. Seu amigo diz que há mil dólares dentro, mas de acordo com seus cálculos, há apenas um. Onde estão os outros $ 999?

É quando você pode avançar pela fé acima da razão. Ou seja, você obtém tal correção (em vez de apenas perdoar a dívida do seu amigo!) que percebe esse dólar como se tivesse recebido mil em vez de um, como se o amigo devolvesse tudo para você.

Mas como você percebe os $ 999 que estão faltando? Isso é chamado de força da fé acima da razão. É impossível entender o que isso significa com antecedência. Somente quando essa força se revela dentro de nós como resultado de nossos esforços internos, dentro de nossos desejos, quando mudamos, vemos que podemos realmente compensar o conhecimento com fé, e essa fé é doação em vez de recepção.

De qualquer forma, isso permanecerá obscuro até que a pessoa realmente adquira essa qualidade.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/04/11, Shamati

O Primeiro Artigo, Que É O Começo De Tudo

Dr. Michael LaitmanO nosso problema principal é estabelecer a nossa atitude para com o Criador. Claramente, isso é subjectivo e depende inteiramente de nós, em como pensamos e sentimos. Isso não muda dependendo da atitude do Criador, que nos é desconhecida, mas é determinada pelo que nós pensamos sobre Ele.

Por uma lado, estamos a falar da natureza, do ambiente no qual nos desenvolvemos. Há muito tempo o homem começou a revelar a natureza, ascendendo assim no nosso mundo do nível animal para o nível humano, à medida que pesquisava a natureza à sua volta. Depois disso, ele começou a pesquisar o mundo espiritual, uma vez que seu desejo cresceu para esse nível. Assim, a medida que o seu desejo crescia, a pessoa aprofundava-se cada vez mais na natureza.

Contudo, a pessoa consiste de duas partes: uma que sente e uma que percebe, e as duas têm ligações e influências específicas entre elas. Precisamente através delas – sentimento e razão, ou coração e a mente, ela investiga o que sente. Tudo o que não entra nos seus sentidos continua desconhecido para ela. Ela investiga apenas as suas sensações, onde as coisas que são inacessíveis para a sua sensação não podem de forma alguma ser discutidas, porque isso seria uma filosofia e fantasia vazias.

Assim, as nossas ideias do Criador não estão baseadas em como Ele realmente é, mas em como nós o percebemos. Nunca saberemos quem Ele realmente é! Apenas sabemos que existe uma força superior, externa que é sentida como a natureza à nossa volta.

Chamamos sua parte mais próxima de “este mundo”. Mas há uma natureza maior que se revela à pessoa quando ela atravessa um desenvolvimento especial. É chamada de natureza superior. Contudo, ninguém conhece quem é o Próprio Criador.

Por isso, a ciência da Cabalá fala de tudo em relação ao homem. Está escrito “Não há nada além d’Ele!”. É assim como a pessoa sente e o que ela discerne como resultado de sua investigação.

Os Cabalistas falam-nos das suas impressões de uma força superior única, e acontece que o Criador parece ficar zangado, ou feliz, ou desfrutar algo. Mas é assim como a pessoa sente. É assim como ela sente a força superior! Contudo, não sabemos o que realmente lhe acontece.

Ainda assim, é muito importante para nós estabelecer a nossa atitude para com esta força superior de maneira que possamos saber de onde esta forma, imagem, impressão ou sensação vêm, que recebemos d’Ele. Quem é que sentimos: Ele ou a nós próprios? Ou sentimo-nos a nós mesmos no pano de fundo da Sua Luz? Ou sentimos algo que é comum a ambos, algumas interacções entre nós? Isso é algo que eu tenho de saber!

Quando me sinto bem ou mal, então de quem é que esta sensação depende – de mim, ou ela vem do Criador? Ou talvez dependa da nossa semelhança para com os outros, nalguma ligação especial?

Se eu realizo a minha acção, seja em palavras, pensamentos, ou fisicamente, é Ele que me força a agir dessa força ou tenho eu algum tipo de liberdade? Mas onde é que posso apanhar essa liberdade se sou um resultado, um produto do Seu trabalho?

Isto é, devemos de alguma forma definir-nos em relação à nossa ligação com o Criador. De outra forma iremos ficar confusos constantemente. Isto comporta grande significado para com a nossa atitude, o nosso trabalho interior, e a nossa ligação com Ele. Isto é também reflectido em todas as nossas relação uns com os outros, dentro da família e quando a pessoa está cara a cara consigo mesma.

Portanto, esta não é uma questão abstracta para nós. Estabelecer o nosso estado, ligação e atitude para com o Criador influencia todas as camadas das nossas vidas. Esta é a coisa mais fundamental que existe. É por isso que a opinião do Baal HaSulam é tão importante para nós neste sentido, que ele detalha no artigo, “Não há nada além d’Ele”, o primeiríssimo artigo do livro Shamati.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/4/11, Shamati

A Disseminação É Como Dar À Luz Na Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: A minha pergunta diz respeito à disseminação. Na escola, eu falo com meus colegas sobre a Cabalá. Há uma impressão de que eles estão interessados nela, o que cria um certo contato entre nós, mas assim que eles vão para casa, a atitude de desprezo das suas famílias e ambiente em relação à Cabalá estraga tudo. O podemos fazer para que estas famílias percebam a importância da meta?

Resposta: Eu não tenho certeza, pois nunca lidei com isso. Afinal, estamos falando do amor dos amigos e do amor dos outros não com estranhos, mas com aqueles que já se juntaram a nós.

A sabedoria da Cabalá ensina que devemos disseminá-la passivamente, sem forçar ninguém a ela. Eu preciso fornecer certas informações à pessoa: porque o mundo está sofrendo, qual é a causa disso, para qual direção estamos indo, e porque as crises ocorrem.

Também tentamos explicar a ela que tudo isso está acontecendo devido ao programa da natureza, de modo a demonstrar-nos que a evolução egoísta da crescente curva exponencial atingiu o seu ponto final e agora estamos caminhando para a ruína. Isto significa que iremos sentir a dor e os problemas (possivelmente graves), visto que o nosso desenvolvimento egoísta acabou, e precisamos superar o ego.

Este é o tipo de informação que precisamos para disseminar ao mundo. Mas se eu começar a falar com as pessoas sobre isso, vai demorar muitas horas para explicar as coisas a elas, até que elas compreendam. É por isso que disseminamos a sabedoria da Cabalá de maneira passiva, através de livros ou pela Internet, e aqueles que se interessam por ela, e sentem que ela satisfaz certa necessidade neles, vão nos encontrar.

Nós estamos no campo da força superior, em um campo de Luz. E se a pessoa tem uma inclinação para a correção pessoal e um tipo de tendência à unificação, à espiritualidade, o que equivale ao amor aos outros, à doação ao Criador, ela encontrará as nossas fontes. Não há absolutamente nenhuma necessidade de chegar às pessoas, pressionar, e começar uma enorme propaganda.

Você pode conversar com os amigos sobre a Cabalá, o que não é proibido. Mas se você perceber que depois eles imediatamente se esquecem ou perdem o interesse nela, ou se eles mudaram rapidamente o pensamento, mesmo que inicialmente concordassem com alguma coisa, tudo isso é um sinal de que esta sabedoria provavelmente não é para eles.

Se eu estivesse no seu lugar, eu lhes daria um livro para ler que, em sua opinião, melhor lhes convêm. Tenha uma pequena biblioteca em casa. Eu sugiro que todo mundo faça o mesmo.

Todos aqueles que estudam a Cabalá devem ter uma coleção completa de nossos livros. Além disso, mantenha três ou cinco livros mais adequados para iniciantes e empreste-os a outras pessoas para ler um por um, e depois que elas terminarem pegue-os de volta. Então você vai ver se elas mostram algum interesse ou não.

Um livro tem um poder exclusivo. E mesmo que eu costume ler e trabalhar com um texto em um computador, eu ainda mantenho um livro na minha frente. Ele tem uma raiz espiritual, que o computador não tem.

Mas o que eu realmente aprecio neste jovem e o elogio por isto é seu desejo de disseminar a sabedoria da Cabalá. Ele é tão grande! E nós devemos seguir seu exemplo.

Cada um de vocês deve verificar o que pode fazer na disseminação, visto que quanto mais você dissemina a sabedoria da Cabalá, mais internamente enriquecido você se torna. Em correspondência, quanto mais pessoas recebem o conhecimento do mundo espiritual ou a realização espiritual através de você, o mesmo grau de realização espiritual também passará por você. É como se você desse a luz a elas, e elas se tornassem seus filhos mais tarde, o que estimula seu crescimento.

E a pessoa que não aproxima ninguém da sabedoria da Cabalá e não impacta ninguém espiritualmente neste mundo é semelhante a alguém que nunca deu vida a ninguém e não tem continuação. Cada um de nós deve se tornar um disseminador.

Da Lição 5, Convenção NÓS 02/04/11