Textos na Categoria 'Percepção'

TES: Um Diário Cabalístico Pessoal

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se a chave é atrair a Luz sobre nós mesmos, por que nós discutimos tão a fundo a estrutura dos mundos descrita no TES (O Estudo das Dez Sefirot) durante a aula?

Resposta: Não é nossa meta falar sobre a estrutura dos mundos em detalhe; nós simplesmente tentamos captar alguns detalhes para explorar o que os Cabalistas nos dizem sobre isso. Mas, quando estudamos o TES, como qualquer outra fonte, nós primeiro precisamos pensar na alma, porque é lá que existem todos esses elementos que eu estou lendo e onde todos os fenômenos ocorrem.  

Os Cabalistas que revelaram dentro de si mesmos a propriedade de doação discernem que ações eles podem executar dentro dela, e escrevem sobre isso. Além disso não há mais nada. Mesmo nós estamos em alguma realidade imaginária desse mundo, que realmente não existe e se dissolve depois, ou vivemos nele como num sonho, ou alcançamos a realidade autêntica da doação, a realidade do Criador.

Afinal, não “há nada além d’Ele”, e se algo na verdade existe, é somente lá. E o TES descreve de que forma essa autêntica realidade está sendo revelada a nós dentro de nossos desejos.

Como um Cabalista, eu posso descrever em que medida eu vou entrar nessa realidade e descobrir que ela de fato opera em mim, como eu irei me conectar e começar a me identificar com ela. E outro Cabalista faz o mesmo. Em outras palavras, nós todos escrevemos sobre a mesma unificação com a eterna Luz superior e o que encontramos nela desde nosso ponto negro da criação, o “ponto de ausência”.

Quando eu entro em contato com a Luz e alcanço a equivalência com ela, eu sinto que dentro de mim vários fenômenos começam a ocorrer, ou vestindo-se em mim de Cima  para baixo (a Luz de Hochma) ou em largura (a Luz de Hassadim). Esses fenômenos produzem várias sensações em mim, e eu as descrevo, tendo a oportunidade de expressá-las em palavras e sons.

Mas, todas as impressões que temos derivam do encontro desse ponto negro com a Luz, onde o primeiro se torna semelhante ao último. E essa é a essência da sabedoria da Cabalá: encontrar a Luz dentro do ponto negro da criação.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 12/04/11, Talmud Eser Sefirot

Seja Mais Sério Na Caixa de Areia!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Mesmo que o nosso mundo seja uma realidade imaginária, os Cabalistas o levam muito a sério. Porquê?

Resposta: Porque nós crescemos e agimos ao mesmo tempo que estamos dentro dele. Mesmo que esta realidade seja realmente imaginária, você tem que levá-la a sério e organizar as coisas nela como se realmente existissem.

Imagine que você se juntou a um grupo de crianças para brincar com elas com a maior seriedade possível, tornando real o jogo da forma como o fazem. Os pequeninos estão correndo em volta, tentando juntar alguma coisa e discutindo sobre brinquedos; mas, para eles, isso é vida. E você participa da vida deles, ajudando-os a juntar seus mimos, para que eles crescam rápido e corretamente nesta “caixa de areia”.

Isto exige uma atitude séria. É preciso um grande esforço para educar uma criança neste mundo, e a pessoa deve tratar a si mesma exatamente da mesma maneira. Esta é a forma como ela deve tratar o filho espiritual que está crescendo dentro dela. Você não pode fazer nenhum compromisso a esse respeito: eu cuido de mim, da minha família, do filhos, dos pais, e de todas as necessidades materiais. E mesmo que tudo isso seja obviamente uma ilusão, não importa.

As imagens do mundo material são descritas em meu cérebro pelo desejo egoísta e eu não posso corrigir esse desejo, porque ele está no nível inanimado. Até mesmo o grande Cabalista Rabbi Shimon tinha que comer, beber, ganhar a vida e cuidar de seus alunos. Você realmente acha que eles estavam flutuando nas nuvens, não se preocupando com suas famílias e em colocar o pão na mesa?

Este mundo é parte do meu crescimento, “incluindo as dores de dente”, como o Rabash costumava dizer. A única diferença é que devemos aspirar cada vez mais alto em direção à doação, ao mundo espiritual. Os Cabalistas têm um problema diferente: como permanecer sério nesta caixa de areia de crianças. Eles são obrigados a fazer isso. É por isso que eles têm uma atitude tão responsavel em relação à educação e outras áreas no mundo material. A pessoa tem de cuidar de todas as suas necessidades vitais.

A corporalidade só desaparece das nossas sensações no final da correção, quando não há mais necessidade deste jogo da imaginação.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 12/04/11, Escritos do Rabash

O Criador Está Em Toda Parte

Dr. Michael LaitmanPergunta: Onde está o Criador em todo o sistema dos mundos?

Resposta: O Criador está em toda parte. Este sistema de mundos só existe em relação a nós. Digamos que eu existo no meio, e todos os graus me cercam como os anéis de expansão do campo de força superior.

O Criador preenche todo este universo. Para Ele não há grande ou pequeno, interior ou exterior. Todas as divisões só existem em relação a mim. Eu existo no centro e tenho que expandir a mim, meus sentidos e minhas correcções, a fim de apreender um mundo, depois outro, um terceiro, e assim por diante. Cada vez o meu ego cresce mais, do nível zero aos níveis 1, 2,  3 e 4. Eu corrijo o meu egoísmo e, assim, atinjo a doação.

Desta forma, eu incluo todos os mundos dentro de mim. Antes eles parecem existir fora de mim, mas agora eu os devolvo a mim mesmo, aos meus desejos interiores.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/11, Escritos do Rabash

O Criador É Conhecido Por Suas Ações

Dr. Michael LaitmanOs Cabalistas começam nos contando sobre a criação, dizendo que “antes das criaturas serem criadas, a Luz superior simples preenchia toda a existência” (palavras iniciais do livro do Ari, A Árvore da Vida). Em outras palavras, a realidade já existia, a qual é o desejo da criatura de sentir prazer que foi preenchido com  Luz.

O plano da criação é deleitar os seres criados. E este presente que o Criador deseja doar só pode ser aceito com duas condições: a criatura deve se tornar como o Criador e, ao mesmo tempo, ser independente Dele.

O melhor estado de existência é sentir a presença do Criador. É o maior prazer, e ele deve ser sentido independentemente de qualquer outra pessoa. O ser criado deve ser completamente autônomo e igual ao Criador.

Portanto, a força superior está oculta. Neste momento, estamos rodeados por varias ondas de rádio, mas a unica pessoa quem tem conhecimento delas é a que possui um rádio capaz de receber algo que possa reproduzi-la interiormente, com as  propriedades delas. Estamos cercados por uma luz branca, mas nós a percebemos como azul, vermelho e todas as outras cores. Enquanto a luz em si não tem cor, a cor é criada por aquele que a recebe, absorvendo apenas certas ondas através de um prisma próprio.

Assim, a luz nos parece amarela, azul e vermelha. Na verdade, a razão para isto é o vidro que pára e reflete essas ondas que se parecem com cores. Mas não há sombras na luz em si.

Desta mesma forma nós percebemos o Criador. Na medida em que pudermos nos igualar a Ele, Sua propriedade de doação, em cada um dos 613 desejos, nestes muitos desejos e níveis, nós  perceberemos o Criador. Então, gradualmente, começaremos a conhecê-Lo em pequenas porções.

No homem, há sempre 613 desejos atuando, que são a base da nossa percepção. No entanto, podemos fortalecer o poder deste vaso espiritual ao nos elevarmos nos 125 degraus da equivalência com o Criador, até que todos os nossos 613 desejos se tornem totalmente idênticos a Ele. Assim, nós alcançamos o Criador, e isto é considerado como “conhecê-Lo por Suas ações”.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/11, Escritos do Rabash

O Portão Para o Livro do Zohar

Há muitas histórias do Livro do Zohar que foram escritas em linguagem alegórica (Midrash). Elas estão aparentemente descrevendo pessoas e os anjos (as forças da natureza) , animais e plantas, e é por causa disso que os autores do Livro quiseram explicar todos os níveis da criação para nós: inanimado, vegetativo, animado, e falante.

BaalHaSulam preparou quatro introduções para o o Livro do Zohar:

1.”Prefácio à Sabedoria da Cabala(Pticha)”: É um prefácio científico, onde ele explica a estrutura dos mundos, Partzufim, Sefirot, a interação das Luzes e desejos (vasos, Kelim).

2.” O preâmbulo ao comentário do Sulam”: É ligado ao referido prefácio acima. Aqui, ele também explica como trabalhar com as três linhas, Luzes e desejos, apenas em uma forma mais particular, mais perto de cada alma.

3.” Prefácio ao Livro do Zohar”: Nesta introdução, Baal HaSulam explica a percepção da realidade. Ele descreve como é a transição da nossa percepção corporal, percepção comum da realidade para o mundo espiritual, quando começamos a perceber a realidade através deste mundo, que se torna transparente, e ver as forças que nele trabalham, em vez da imagem externa do mundo. [Leia mais →]

Por Que É Tão Difícil Perceber A Espiritualidade?

Dr. Michael LaitmanA resposta é simples: porque a espiritualidade é oposta a nós, à nossa essência, à nossa natureza egoísta. O egoísmo nos governa; nós desejamos satisfazê-lo. Assim, como resultado de tudo que nos rodeia, nós somente vemos o que desejamos ver em nosso egoísmo: algo agradável ou, no máximo, ameaçador.

É por isso que a pessoa que deseja revelar o mundo superior, descobrir o que a cerca, mas que permanece despercebido em sua percepção egoísta, precisa se reconstruir. Por essa razão o ambiente é tão crítico para a pessoa: ele ajuda a reconstituir a percepção da pessoa, a atraí-la para a importância de perceber o que é desagradável ao egoísmo, o que é oposto a ele. Então, a pessoa será capaz de testemunhar um mundo extenso que sempre a cerca. Isso é chamado de mundo espiritual porque está acima do egoísmo da pessoa.

Parece-nos que nossos pontos de vista são resultado de nossas experiências, mas eles são resultado do acúmulo de informação conveniente para nosso egoísmo. E não faz diferença o que eles dizem, se for verdade ou mentira: para nós a verdade é o que coincide com nossa opinião: o egoísmo.

Nós sempre olhamos somente para o que apoia nossa opinião, e rejeitamos o que se opõe a ela. Em última análise, nós nos formamos e não desejamos mudar. Somente o sofrimento (as tentativas de encontrar o sentido da existência) e um forte ambiente espiritual (o grupo) ajudarão a pessoa a se tornar objetiva, a substituir a percepção egoísta com a opinião do ambiente. Então, o mundo superior que sempre existiu a seu redor se abrirá para ela!

Da Ilusão Virtual Para A Realidade Espiritual

Dr. Michael LaitmanCaros amigos!

Todos nós experimentamos juntos os inesquecíveis momentos na Convenção NÓS!, realizada em Nova Jersey. A cada convenção a nossa conexão e sensação de todo grupo mundial se torna mais clara e próxima.

Mas, ao mesmo tempo, há uma necessidade de ver e ouvir a todos ao mesmo tempo, em uma tela comum, tal como se estivéssemos todos juntos em uma sala da convenção. Peço a todos que pensem nisso, porque assim teremos êxito na criação de um programa que seja capaz de aceitar todos os grupos e apresente a todos como se estivessem juntos, ouvindo e vendo a mesma coisa.

Temos que criar essa ilusão virtual entre nós. Ela vai nos ajudar a chegar rapidamente a unificação espiritual total, de todos em um só desejo e pensamento, para nos tornar um homem, Adão.

Dr. Michael Laitman

Um Caleidoscópio De Mundos Em Transformação

Dr. Michael LaitmanMesmo para estudar a teoria de Einstein ou física quântica, precisamos de uma nova abordagem, com outro tipo de matemática e fenómenos. O princípio aplica-se ainda mais ao mundo espiritual, onde precisamos de órgãos sensoriais adicionais, pois nossos cinco sentidos e a nossa mente, que operam pelo mesmo esquema, são insuficientes.

As nossas sensações animais são limitadas. Porém, de que forma devemos expandi-las? Devemos desenvolver o ponto no coração numa nova dimensão. Então, próximo ao ser humano familiar deste mundo, uma nova criatura irá emergir.

Nós já temos as suas raízes dentro de nós. Agora precisamos apenas de atrair a Luz superior, uma energia especial que irá cultivar esta semente, este gene espiritual, num ser humano adicional ao qual chamaremos homem. Os Cabalistas também chamam isto de alma.

Quando nos identificarmos com ela, a partir de suas qualidades, mudando continuamente como resultado do nosso trabalho, começaremos a apreender o mundo pertencente a esta nova criatura, deliberadamente desenvolvida por nós de forma a investigar o superior com a sua ajuda. Será chamada a nossa alma existente no mundo espiritual.

E este ser humano adicional pode continuar a se desenvolver gradualmente até que alcance o universo inteiro. Ele possui órgãos sensoriais ilimitados, desejos e oportunidades!

Nós nascemos animais, e a expansão do nosso espectro sensorial é limitada aos telescópios, óculos, e por aí fora, porque a nossa mente não muda mas trabalha precisamente de acordo com a sua natureza. É por isso que ainda pertencemos ao nível animal, onde “homem” é a entidade espiritual que iremos construir para lá de nós mesmos. Nela, toda a nossa percepção pode mudar.

Mudará tanto que de um estado ao outro, de um degrau espiritual a outro, não iremos sequer reconhecer-nos a nós ou ao nosso mundo que, de repente, nos será revelado! A cada momento iremos subitamente tornar-nos outra pessoa, não a mesma de há sequer um momento atrás, incapaz de reconhecer o mundo à nossa volta, pois tudo será novo!

De facto, em oposição a este mundo, todos os meus sentidos – a mente e o coração – mudarão. Não irão simplesmente crescer; antes, irão substituir completamente o sistema de coordenadas, a percepção inteira, na medida que quem quer que esteja num nível inferior não poderá provavelmente perceber a do nível superior.

Assim como aqui trabalhamos com os nossos sentidos e da mesma forma revelamos a natureza, o mesmo princípio é aplicado na espiritualidade, e é também chamado uma “ciência natural”, excepto que aqui a natureza é inferior, corporal, enquanto lá é superior, espiritual. Mas o método científico continua o mesmo.

Obviamente, os cientistas deste mundo não aceitarão isto, porque eles trabalham apenas nos seus cinco sentidos corpóreos, e assim não irão considerá-la ciência. Naturalmente, se alguém está limitado por alguma pequena esfera de percepção, apenas querendo aceitar isso e nada mais, não vale a pena discutir.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá, “Corpo e Alma”

Revele A Verdade Para Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se eu vejo apenas os meus desejos, como posso perceber desejos que não quero sequer detectar?

Resposta: Se nós víssemos apenas os desejos que queremos ver, não seríamos capazes de revelar a verdade. Eu me desenvolvo apenas porque a nossa realidade se divide em boa e ruim, verdade e mentira, eu e os outros, eu e o grupo, inimigos e amigos. Em essência, esta divisão em qualidades opostas resulta da Luz e do desejo.

A Luz é a qualidade de doar, o Criador, o bom que faz o bem, e o Seu completo antagonismo é o ponto do desejo de receber para si mesmo, para o seu próprio prazer. Como estas duas qualidades opostas, que são os únicos elementos existentes na natureza, interagem e se influenciam mutuamente, o desejo acumula impressões diferentes.

Estas impressões são chamadas “mundos”, e tudo o que existe nas forças espirituais e no nosso mundo corpóreo são originários deste pequeno ponto criado pela Luz. Este ponto recebeu uma impressão do seu antagonismo em relação à Luz, e é este ponto que devemos devolver ao seu estado oposto, chamado “gota de unidade”.

Da Série de Leituras Introdutórias 23/11/10, Percepção da Realidade

Ensinar Às Crianças A Percepção Da Realidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu disse ao meu filho de três anos de idade que tudo que nos rodeia existe dentro do homem. Ele me perguntou: “Será que existe dentro do meu corpo?”. Eu não sabia o que responder-lhe. Como podemos explicar isso para uma criança?

Resposta: É proibido falar sobre essas coisas com crianças pequenas. Podemos discutir a percepção correta da realidade com crianças de nove anos de idade, dando-lhes a informação em pequenas porções, já que a sua percepção interna e externa da realidade contradizem-se mutuamente.

Isso pode provocar um conflito na criança, já que o seu cérebro não está suficientemente desenvolvido e ainda não consegue perceber duas partes como sendo opostas e relacionadas entre si. Todas as outras coisas podem ser discutidas em idades mais jovens.

É aconselhável nos consultar sobre essas questões. Nós coletamos uma grande quantidade de material educativo de crianças; um grande departamento está trabalhando nisso. Duas vezes por semana eu dou palestras sobre educação, que fornecem respostas a tais perguntas.

Da Lição 2, Convenção NÓS! 02/04/11