Não Transforme O Sofrimento Em Um Ídolo

963.5Pergunta: Os artigos falam muito sobre sofrimento e uma sensação de peso, e a pessoa começa a aceitar isso como algo natural, justificando-o dizendo que a luz circundante está brilhando sobre ela. Como podemos evitar que essa atitude se transforme em uma fuga das verdadeiras questões difíceis?

Resposta: A pessoa começa a sentir peso e sofrimento, e estes parecem se transformar em ídolos. Ela passa a venerar esse estado, chegando a pensar que, se sofre, é superior a toda a humanidade. Afinal, a humanidade sofre por falta de dinheiro, honra e outras coisas, enquanto ela sofre por ainda não ter alcançado a espiritualidade.

Se uma pessoa deseja permanecer nesse estado, mesmo que por um instante, significa que não está mais sofrendo, mas sim desfrutando do seu sofrimento, tal como um masoquista. Trata-se de uma Klipa (casca, impureza) que se apoderou da pessoa, sussurrando: “Agora você está verdadeiramente trabalhando para o Criador. Observe os nobres ideais pelos quais está sofrendo”.

Cada momento de sofrimento de uma pessoa é dirigido contra o Criador, contra o objetivo de trazer o bem às Suas criações. Sei por experiência própria que é muito difícil se libertar disso, e impossível fazê-lo sozinho. Requer uma espécie de lavagem cerebral por parte do grupo. Deixe que seus amigos lhe digam constantemente que isso está errado.

É fácil para nós darmos lições uns aos outros e representarmos um papel aos olhos do outro; o próprio desejo de receber sustenta essa abordagem, quando me apresento a vocês como alguém firme em minhas convicções. Contudo, isso não impede que vocês levem tudo a sério, então por que não aproveitar essa oportunidade?

Fomos dotados de uma natureza tola, na qual a manifestação externa de outra pessoa nos impressiona, pois meu amigo pode projetar externamente a imagem que desejar. Assim, por meio de seu falso “eu externo”, ele define meu verdadeiro “eu interno”.

E não há nada que se possa fazer a respeito — simplesmente sou constituído de tal forma que sou suscetível às impressões causadas pelas ações das pessoas ao meu redor. Assim como um bebê, que pode se assustar com uma expressão facial assustadora e se divertir com uma risada. Somos exatamente iguais e não diferentes de um bebê nesse aspecto, exceto pelo fato de que nossas reações não são tão óbvias. É impossível abandonar esse estado.

Uma pessoa pode sofrer durante anos, justificando seu sofrimento ao se considerar uma heroína. Por que uma heróina? Porque sofre. Alguns chegam a ir para a prisão e sofrem lá por toda a humanidade, sentindo-se especiais em seu sofrimento. Isso se manifesta como uma Klipa (casca) em vários níveis — tanto em conexão com a espiritualidade quanto fora dela.

Afinal, o propósito da criação, que emana do Bom que faz o bem, é doar bondade às Suas criações e para que elas existam na bondade. Qualquer coisa contrária a isso, não importa como se justifique, é inadequada.

Mesmo que você observe as coisas mais terríveis do mundo, se começar a sofrer, significa que você está implicitamente justificando o que está acontecendo. Você não está justificando o fato de que o Criador é quem causa essas coisas — embora, é claro, isso de fato seja verdade — mas sim o próprio fato de que essas coisas estão acontecendo com as pessoas; consequentemente, seu sofrimento provém de algo além do estado atual delas.

Você pode se perguntar: o que significa “sofrer junto com a sociedade”, como está escrito nos livros? Significa relacionar-se com as pessoas a partir da perspectiva do Criador e lamentar a ausência da Shechina (Presença Divina) entre elas.

O arrependimento pelo exílio da Shechina é um estado intencional que leva a pessoa a ajudar os outros a alcançar um estado de revelação, e não a chorar ao lado deles. Isso é completamente diferente do estado para o qual nosso corpo tenta nos inclinar.

Da Lição Diária de Cabalá 28/07/26, Rabash, “Qual é a proibição de ensinar a Torá aos adoradores de ídolos na Obra?”