Textos na Categoria 'Percepção'

Tudo Depende Do Foco Correto

Dr. Michael LaitmanNós não percebemos que toda a nossa visão de mundo passa através do prisma da sociedade humana. A diferença entre o nível animal e o nosso nível humano reside precisamente no fato de que nós construímos um ambiente.

Nós costumávamos viver em bandos, como os animais. Mas depois começamos a organizar relações especiais entre nós, organizando as pessoas de acordo com uma hierarquia e distribuindo funções. O nosso desenvolvimento, portanto, assumiu um caráter social, mesmo que se desenrolasse de forma egoísta, natural e instintiva, por ordem da natureza. Ainda assim, fomos nos tornando humanos.

Nós não podemos sequer imaginar o que seria viver completamente sozinhos, sem nenhuma lembrança da sociedade humana. Nesta situação, a pessoa viveria por si mesma, no mesmo nível de um animal.

Com isso, fica claro que nós não percebemos a realidade como ela é, mas através do ambiente. A sociedade me criou, me dotou de hábitos e  modelos, ditando como olhar para o que está acontecendo, como avaliar as coisas, e como aceitar tudo o que vejo. Minha mente e sentimentos são programados de acordo com o sistema de valores que a sociedade me condicionou a ter ao longo dos primeiros 20 anos da minha vida. Eu não vejo o mundo como ele é, mas a imagem imposta a mim pela sociedade.

Da mesma forma, na sociedade espiritual temos que dar à pessoa a nossa visão de mundo, canalizada através do prisma do amor, da aspiração de doar aos outros, ao invés do benefício pessoal. A doação tem que adquirir maior importância aos olhos de cada pessoa.

Ao mesmo tempo, a visão de mundo de uma pessoa ainda será construída de acordo com o programa “instalado” nela pela sociedade. Isso é natural, pois é a única maneira dela poder olhar para o mundo. Uma pessoa por si mesma é apenas “um ponto de observação”, enquanto que a análise e a compreensão vêm das normas da sociedade, que lhe diz: isso é importante e isso não, isso significa uma coisa e aquilo significa outra coisa. É como se construíssemos uma matriz na frente da pessoa, através da qual ela vê a Luz superior. Caso contrário, seria impossível vê-la.

Por outro lado, agora nós vemos a Luz superior através da matriz da sociedade humana. Este é o nosso mundo.

Assim, temos que estar plenamente incluídos no grupo, usando os materiais do Baal HaSulam e Rabash. É assim que vamos construir uma nova visão de mundo dentro de nós. Isto é visto de forma muito clara quando se olha para os principiantes. Eles vêm para a aula ou palestra como se viessem de um outro mundo, mas aos poucos adotam uma direção um pouco diferente, uma perspectiva diferente, e valores diferentes. Aos poucos nos aproximamos deles e eles mudam seu ponto de vista, a “polarização” da imagem de sua percepção. No mesmo mundo, uma forma diferente de ser surge através deles.

Então, a palestra termina, a conexão comigo é cortada, e tudo desaparece. Da próxima vez, eles retornam novamente desfocados, com uma “resolução” distorcida. Em cada aula leva-se um tempo para concentrá-los novamente, para trazer os detalhes que se difundem aos seus olhos de volta para um só.

Eu sou incapaz de fazer isso o tempo todo. Vocês devem se concentrar em si mesmos, unindo-se, para que cada ação mútua os mantenha constantemente no foco espiritual. Isso deve se tornar um pouco mais focado e, em seguida, um pouco mais, como se você estivesse ajustando a resolução dos binóculos girando duas lentes para que elas se juntem na meta espiritual. Quando você conseguir isso, você irá imediatamente revelar o mundo espiritual.

Tudo é determinado pelo amor entre os amigos. Este é o “foco” que nos permite ver o Criador. Os amigos reúnem os meus sentimentos e mente em uma direção, para o amor ao próximo, e procuram que eu olhe somente para eles e que só pense em como ajudá-los. Eu me concentro constantemente nisto e, por meio do grupo, foco a minha atenção para a linha mais fina. É assim que eu revelo o Criador.

Da 5ª Lição da Convenção NÓS! 01/04/11, Propósito da Sociedade

Você Encomendou Uma Visita Ao Mundo Espiritual?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como posso experienciar todos os termos Cabalísticos que estudamos no Talmud Eser Sefirot, como por exemplo, NHY e Nefesh?

Resposta: Quando você alcançar o mundo espiritual, você sentirá a Luz que é chamada NHY ou a Luz de Nefesh. Você senti-la-á! Então você também entenderá o que os Cabalistas escrevem.

A isto é chamado, “a alma de uma pessoa ensinar-lhe-á”. Você irá senti-la, e a partir da sua sensação você também entenderá o que é chamado. É como se você estivesse numa cidade desconhecida onde você olha para determinado edifício que não pode ser reconhecido de fora, e você diz: “Isto é um teatro que foi construído há 300 anos; e aquele é um museu”. Assim, você descreve tudo o que vê. Á medida que reconhece as coisas, você revela os seus nomes, a sua essência, e absolutamente tudo.

A isto é chamada a percepção espiritual e significa que a alma da pessoa a ensina. É como se houvesse um instrutor dentro de você que lhe ensina. Essa é a sua alma. Isto porque vocês estão sintonizados dentro das mesmas fontes. De onde é que os Cabalistas obtiveram este conhecimento? Apenas da sua percepção. De onde é que Adam HaRishom o retirou, sendo a primeira pessoa que alcançou a espiritualidade? Ele revelou o seu mundo interior, o mundo espiritual.

Este não é um mundo imaginário que parece como o nosso mundo nesta carapaça externa do nosso corpo. Quando entramos, vemos o mundo espiritual. Lá, Adão revelou tudo e começou a chamar todas as partes da realidade por nomes diferentes. Deu-lhes nomes. É assim que você irá também conhecer como cada elemento do mundo espiritual é chamado.

Da Lição de 25/3/11, Talmud Eser Sefirot

Aumentar O Contraste Da Imagem Da Realidade

Dr. Michael LaitmanA natureza é o bem absoluto e, portanto, tudo deve ser avaliado pelo estado final ao qual ela está nos levando. Em geral, a “natureza” e “o Criador” são a mesma coisa. Então, por que a natureza organiza as coisas de forma que, no processo do nosso desenvolvimento, temos de passar por tantos estados desagradáveis, problemáticos e atrozes no caminho para a boa linha de chegada?

A resposta é simples: bondade como tal não existe. Nós só a revelamos em comparação com o mal. Não há bem sem mal. Por isso, nós temos que revelar falhas, juntamente com sua compensação, continuamente. Essa é a única maneira de adquirir a profundidade da sensação. O contraste entre o bem e o mal nos traz a compreensão, e no caminho que conduz à série de estados, ganhamos experiência em fazer a transição do mal para o bem.

Nesse movimento constante nós acumulamos todo o mal dentro de nós, e acima dele todo o bom. Assim, nos tornamos conscientes da diferença entre eles, do abismo entre o infinito com um sinal de menos e o infinito com um sinal positivo. Tudo isso se encaixa dentro de nós, é absorvido em nós, e se torna nosso vaso ou volume.

O bem e o mal (o mais e o menos) não podem existir em nós separadamente. Não existe um Criador sem criação. Nós só falamos da Luz no contexto do vaso que já está presente dentro. Nós não vemos o Criador separado da criação que Ele criou. É impossível dizer se alguma coisa existia anteriormente, porque a própria noção de tempo, a base da percepção, desaparece. Não há ninguém para falar algo e ninguém para falar disso. Tudo só é alcançado pela criação. Mesmo que ela seja secundária em relação à Luz, é tão somente em termos de causa e efeito.

O Ari escreve: “Eis que antes das emanações serem emanadas e das criaturas serem criadas, a Luz Simples Superior preencheu toda a existência”. Em outras palavras, a Luz já enche a realidade, existe nela, e está sujeita à percepção ou sensação. Tendo alcançado essa realidade, o Cabalista nos fala dela. Nós nunca seremos capazes de discutir qualquer coisa que não alcancemos dentro de nossos vasos.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/03/11 sobre Educação Global

Acorde

Dr. Michael LaitmanDeixe-me contar-lhe um segredo, mas é apenas entre você e eu. Ouça: Nós vivemos em um mundo maravilhoso e fantástico. Tudo é maravilhoso; existe apenas bondade, paz, e conciliação onde quer que você olhe. Mas você não sente nada disto. Você está desligado, permanece inconsciente, sem qualquer sentimento ou brilho.

Porquê? Porque a sua realidade é unilateral. Sem a conexão com o seu oposto, você não sente nada. É por isso que fomos criados, e a criação não consegue discernir a luz sem a escuridão.

Imóvel e impassível, você existe no Criador. Então, como pode Ele revelar este mundo maravilhoso a você – ou por outras palavras, revelar-Se? Como pode o Criador revelar-Se a você?

Existe só um meio: perturbar o seu sono com uma gota de maldade, de forma que ao prová-la, você acorde e se descubra na bondade infinita. É isso que Ele está a fazer.

De outra forma você permaneceria sem sentir para sempre. Você não seria capaz de perceber o seu estado, medi-lo, ou perceber onde você está e quem você é. Você não teria qualquer chão por baixo dos seus pés.

Através do sonho você ouve e espera que seja possível extrair uma conexão com essa base eterno na qual você existe, para colocar-se em dependência constante a ela e, sem se importar com o que aconteça, medir e verificar as suas sensações apenas através dela.

Quando você faz isto, tudo se ordena por si mesmo para você e não há mal no seu mundo. Isso porque tudo o que lhe foi revelado, todos os contornos opostos e obscuros têm apenas a intenção de enfatizar e ressaltar a bondade e a luz aos seus olhos.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/3/11 sobre a Educação Global

Por Definição, Não Podemos Nos Entender

Dr. Michael LaitmanSem definições corretas, não existe uma linguagem comum. Nós aparentemente usamos as mesmas palavras, mas cada palavra tem um significado completamente diferente para nós. Digamos que começassemos a ensinar uma língua estrangeira para alguém, mas déssemos uma definição arbitrária para as palavras. Nosso aluno começaria a falar com alguém e ninguém se entenderia. Como pessoas comuns, os cientistas e filósofos não entendem os Cabalistas.

Em geral, esse é o problema com todas as relações humanas, pois cada um de nós tem suas próprias definições particulares para as palavras. Normalmente, essas diferenças não são significativas, mas, no entanto, é por isso que é tão difícil para nós nos comunicarmos uns com os outros.

Considerando as diferenças entre as definições usuais aceitas na ciência e na filosofia, e na sabedoria da Cabalá, não há absolutamente nenhuma compreensão. Parece que as pessoas já sabem o que o mundo espiritual e o Criador são. As pessoas sentem que não precisam mudar para alcançá-Lo em suas sensações. Elas não entendem que percebem o mundo inteiro em seu desejo egoísta e que a percepção espiritual exige alcançar similaridade com o que está sendo estudado.

Até que cheguemos a um denominador comum aqui, é impossível falar. Por definição, não nos entendemos uns aos outros. Os cientistas são pessoas inteligentes, mas, infelizmente, usam diferentes definições.

A Cabalá declara que a percepção da realidade depende da pessoa, de suas qualidades, egoístas ou altruístas. Nós percebemos toda a realidade dentro de nós mesmos; nada existe fora. Tudo é relativo.

É difícil para os cientistas concordarem com isso. Eles não têm tais suposições prévias antes de seus estudos; eles não precisam delas. A ciência estuda tudo dentro do desejo egoísta e não sai fora desse limite. É por isso que eles não são sensíveis a essas sutilezas, estando dentro do desejo, de acordo com seu tamanho e qualidades.

Além disso, para eles, tudo já está aparente. Eles estão dentro de uma sala pequena e estudam coisas apenas dentro dela. Você pode dizer: “Mas eu estou estudando as coisas no quarto ao lado. Alguém poderia ir de uma sala para outra, e  estudar coisas lá “. Mas eles ficam perplexos: “Existe outro quarto?”. Não há necessidade, compreensão, ou percepção de que tal coisa possa existir. É por isso que eles consideram a Cabalá uma filosofia  alegadamente desligada da realidade. Para eles, a ciência, os estudos e os fatos estão apenas aqui no nosso mundo.

Em outras palavras, em seu desenvolvimento, a pessoa ainda não conseguiu perceber que existe uma realidade maior do que a que percebemos com nossos limitados órgãos de percepção. Para isso, são necessárias as respectivas qualidades internas, a revelação na pessoa do gene espiritual (Reshimo, reminiscência) para que ela comece a concordar, aceitar e sentir tais definições.

Na realidade, só os golpes ajudam aqui. A Luz bate no desejo repetidamente, deixando a pessoa sentir como ela é jogado para cima e para baixo. Assim, pouco a pouco, ela começa a perceber que tal coisa pode realmente existir.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 27/12/11, “A Sabedoria da Cabalá e a Filosofia”

Livrando-Se Das Ilusões

Dr. Michael LaitmanA Filosofia e a maioria das pessoas em geral acreditam que o mundo material nasceu do espiritual. Na verdade, a Cabalá afirma o mesmo: Após a quebra dos mundos e da alma coletiva, os desejos perderam suas telas, tornaram-se egoístas, e desceram cada vez mais, até que caíram “neste mundo”. Isto definiu a nossa existência neste mundo e todos os nossos sentidos, os órgãos de percepção.

Consequentemente, nós “chegamos” aqui a partir do mundo espiritual e de nenhum outro lugar. De uma forma ou de outra, a corporalidade é conseqüência da espiritualidade. A única questão é se o mundo corpóreo separou-se completamente do mundo espiritual, ou se ele ainda tem alguma conexão indireta com ele?

Nem a filosofia nem as ciências naturais deste mundo estão aptas a analisar a força da doação, estando apenas dentro do desejo egoísta. Por esta razão, elas não têm contato com o mundo espiritual e só podem imaginá-lo.

Existem experimentos “científicos” sobre o que se considera ser a “alma”, ou uma suposta conexão a ela que possa ser compreendida, os quais se baseiam em definições incorretas do mundo espiritual. Também existem argumentos filosóficos de pessoas que carecem de instrumentos de investigação e uma conexão real com o mundo espiritual, isto é, uma abordagem científica, e eles simplesmente supõem coisas.

As pessoas podem imaginar qualquer coisa. Não há limites para a imaginação humana. Por exemplo, havia observações sobre as mudanças de peso do corpo humano antes e depois da morte. Supostamente, a diferença determinava o peso da alma. É assim que eles pesavam a alma. Eles também registravam impulsos elétricos no cérebro no momento da morte, e consideravam que esta era a manifestação da alma deixando o corpo.

E sobre as diferentes alucinações no cérebro no momento da morte clínica, cuja natureza é semelhante aos sonhos? Estas foram consideradas como sendo sensações do mundo espiritual, onde a pessoa “sobe” e depois “volta”  para nós quando recupera a consciência.

Todas estas mentiras são causadas pela ausência de uma definição correta do mundo espiritual. É por isso que as pessoas ficam confusas e pensam que podem tocar o mundo espiritual e examiná-lo.

No entanto, o mundo espiritual é uma realidade que está acima do nosso desejo egoísta, acima da nossa matéria. É aqui que surge o problema da percepção da realidade, porque as pessoas estão confusas sobre o que é a matéria. Uma famosa definição estabelece que a matéria é uma realidade objetiva que nos é dada por nossas sensações. O que eu percebo? É o meu desejo.

Isto é confuso para as pessoas. Elas pensam que a matéria são corpos sólidos, líquidos, os quatro elementos: fogo, água, ar e terra, ou os níveis inanimado, vegetal, animal e o humano da natureza. No entanto, os Cabalistas dizem que a matéria é o desejo, e nós examinamos o desejo que é, de fato, nosso!

Isto é totalmente confuso para nós. Eu vejo um tubo de metal na minha frente que sou completamente incapaz de mover, e estou sendo informado de que ele é meu, e existe dentro de mim. Aqui, as pessoas ficam totalmente desnorteadas, e fica muito difícil falar com elas desse ponto.

Em outras palavras, é necessário superar muitos obstáculos, até atingirmos um ponto de vista e a definição de todos os fenômenos que nos permitam ver a realidade juntamente com os cientistas e os filósofos. Até agora, todos estão no seu próprio nicho, o que leva a uma enorme confusão.

O principal problema está nas diferentes definições de “espiritualidade” e “corporalidade”. Mais frequentemente, as pessoas assumem que a cultura e as diferentes atividades humanas estão incluídas na vida espiritual. Nesse sentido, dançar é algo espiritual.

Estas definições incorretas realmente confundem as pessoas e evitam conversas sérias. Por esta razão, antes de tudo, o mundo precisa dar definições corretas da espiritualidade e corporalidade, vida e morte, e a realidade superior.

Desta forma, nós vamos resolver todos os problemas. As definições corretas precisam estar bem enraizadas em sua mente, e você deve ver a realidade apenas através delas. Então, você certamente não vai errar.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá, 27/12/11, “A Sabedoria da Cabalá e a Filosofia”

Um Método Científico: “Faremos E Escutaremos”

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como  a necessidade de uma abordagem científica combina com o princípio do “Faremos e escutaremos”?

Resposta: Ambos combinam muito bem. “Faremos e escutaremos” é uma abordagem científica pura que existe na ciência verdadeira. Isto porque a ciência constantemente revela fenômenos que antes estavam ocultos de nós. Nós não tínhamos conhecimento factual nem conexão com eles. Tudo o que tínhamos era o nosso desejo de revelar, de desenvolver nossas percepções e habilidades, a fim de compreender fenômenos novos e adicionais, testá-los em nós, em nosso próprio corpo, com nossos sentidos, e registrá-los. Confiando nesses dados, obtemos uma imagem mais sólida da realidade em que existimos.

A mesma abordagem funciona na Cabalá. Ela é uma ciência como qualquer ciência normal, a medida que é a nossa aspiração em revelar uma nova realidade. Não há nenhuma diferença.

No entanto, nas ciências naturais comuns deste mundo, nós não somos obrigados a mudar os nossos sentidos. Nós só precisamos desenvolvê-los. O instrumento de investigação já existe: é o nosso desejo de receber prazer. Nós simplesmente devemos expandi-lo através de diferentes microscópios, telescópios e outros instrumentos que aumentam a nossa sensibilidade em relação a fenômenos até então ocultos.

A totalidade da realidade se divide em duas partes: recepção e doação. A fim de verificar, analisar e estudar a realidade que se baseia na doação, ao invés da recepção, precisamos primeiro nos armar com os respectivos instrumentos de percepção (Kelim, vasos).

Já não basta simplesmente expandir os nossos sentidos. Inicialmente, nós precisamos construir novos órgãos baseados na doação. Isso é chamado de nascimento no mundo espiritual.

No mundo espiritual, uma natureza diferente, onde estudamos a força da doação, a nossa capacidade de testar, analisar e registrar dados, depende da expansão e do desenvolvimento dos nossos sentidos. O mesmo ocorre com os nossos egoístas órgãos de percepção quando construímos diferentes ferramentas auxiliares.

É assim que surge a ciência superior chamada Cabalá. Ela é chamada de “superior” porque trabalha com a força da doação na natureza, enquanto que as ciências do nosso mundo analisam a força egoísta da recepção.

No entanto, no final nós descobrimos que existe uma fonte única tanto para a força de recepção quanto para a de doação. Isso ocorre porque essa divisão só existe em relação a nós; nós dividimos a realidade desta forma. Entretanto, ambas vêm de uma única fonte: a força superior.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/12/11, “A Sabedoria da Cabalá e a Filosofia”

Todas As Ciências Examinam O Criador

Dr. Michael LaitmanHá uma conexão histórica entre a Cabalá e a filosofia. A filosofia parece ser o alicerce de todas as ciências. Há milhares de anos atrás, não havia ciências separadas, como matemática, física, química, biologia, geografia e astronomia. Um cientista fazia tudo e era até médico, ao mesmo tempo.

Este conhecimento geral era chamado de filosofia, que se traduz como “amor à sabedoria”, conhecimento. Johann Reuchlin, famoso filósofo do século XVI, escreveu: “Meu professor Pitágoras, o pai da filosofia, tirou seus ensinamentos dos Cabalistas… ele foi o primeiro que traduziu a palavra Cabalá, desconhecida de seus contemporâneos, para a palavra Grega filosofia”.

A conexão entre a Cabalá e a filosofia, e todas as ciências em geral, é muito profunda. Realmente, a ciência já faz parte da revelação do Criador, de Suas ações, que não se revelam apenas através das sensações do corpo, mas através do mecanismo em nós que se chama  “homem” e que já pertence ao nível humano, embora ainda seja uma pessoa deste mundo.

Antes de sua conexão com a Cabalá, a ciência antiga desenvolvia-se no nível animal. Foi só depois que a Cabalá se revelou ao primeiro homem (Adam HaRishon) e desenvolveu-se por vinte gerações (de Abraão em diante), visto que ela revelou as ações do Criador, que a ciência moderna deste mundo pode surgir sobre esta base.

Nós não vemos uma conexão entre uma e outra. Afinal, a ciência normal é construída com base na mente humana e nas sensações, o desejo egoísta de receber prazer, onde revelamos o mundo, e ela parece estar desconectada da Cabalá e do mundo espiritual. No entanto, na realidade, isso não é assim, porque ela examina as mesmas ações do Criador, que só se revelam em uma matéria diferente, egoísta.

Estas são as ações do Criador que apontam para a conexão entre as partes da realidade. Por esta razão, mesmo as ciências naturais regulares são uma espécie de revelação do Criador, só que em nosso nível terrestre.

Isto ocorre porque não existe nada no Universo exceto o Criador, e tudo o que revelamos são Suas ações. Só nós podemos revelá-Lo em nosso desejo egoísta, e isso é chamado de ciências naturais. Nós também podemos revelá-Lo no desejo de doar, e isso é chamado de Cabalá.

No entanto, isso é a revelação do Criador em ambos os casos. O Criador é um, e Ele não se divide em dois. Somos nós, os investigadores, que O dividimos desta forma, dependendo dos desejos onde O percebemos.

Do lado do Criador não há separação; todas as divisões acontecem em relação a nós. É assim que nós recebemos o eterno problema de como uma coisa se conecta a outra e como elas influenciam-se mutuamente.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 27/12/11, “A Sabedoria Cabalística e a Filosofia”

O Pior Pesadelo Da Criação

Dr. Michael LaitmanNós precisamos unificar Israel, a Torá e o Criador como um (a pessoa  esforcando-se diretamente à Luz e o Criador). Cada parte deve se esforçar para se unir com os outros, para que no final ela possa doar à Luz. É como no início, a Luz era a única a doar, tendo dotado Malchut com a sensação de Seu amor, levando-a a todas as ações que começaram com a Primeira Restrição (Tzimtzum Aleph) e revelaram-se mais abaixo.

Mas quando, depois de todas esses correções, Malchut retorna ao mesmo estado de perfeição, plenitude e unidade, no seu amor e doação em relação a Luz do Infinito, nós começamos a ver que tudo isso é apenas uma criatura, que passou por todos os tipos de “sofrimentos”.

Estas “situações difíceis” são consideradas como os “mundos”, da palavra “ocultações” em hebraico. São ocultações do estado perfeito do Infinito, de maneira a retirar-se desta sensação de realização e se submeter a todos os tipos de experiências interiores,  impressões, escolhas e guerras, para construir dentro uma relação idêntica com a Luz, ao atravessar os estados de separação dela e, depois, aproximando-se do mundo do Infinito,  para finalmente chegar à adesão total.

Em todo este processo, existem infinitos detalhes, cada um dos quais está relacionado com o início e o fim do processo. Afinal, nós também participamos deste emaranhado de sentimentos que Malchut experimenta, causado pela colisão da Luz e do vaso, o prazer e o desejo, a força do Criador e a da criatura. Nós atravessamos os mesmos estados individualmente, como partes de Malchut, de modo que no final nós nos sentimos como uma única alma.

Afinal, há apenas uma criatura: Malchut do mundo do Infinito. E cada um de nós deve se unificar com todos os outros, tendo superado este terrível pesadelo e nossa separação ilusória, essa ocultação de um estado perfeito e eterno. Então, todos vão ver que estão incluídos em todos os outros com seus sentimentos, pensamentos, amor e doação.

Portanto, precisamos fazer tudo o que pudermos para acelerar o nosso despertar deste sonho. Está escrito que o Criador nos trará de volta “fora de Sião”, isto é, que há uma saída (Yetzia) desta realidade, deste sono. Então, vamos ver que estávamos em um estado de sonho e iremos nos unificar em uma só alma.

Espero que a próxima convenção nos ajude a dar um enorme salto adiante, para que acordemos e nos sintamos como uma só alma.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/03/11, Preparação para a Convenção NÓS!

Sair Da Mentira Ilusória

Dr. Michael LaitmanPor detrás de cada palavra ou frase d’O Zohar, temos de tentar reconhecer formas de conexão entre o homem e o seu ambiente. Não há nada mais na realidade além das formas de conexão entre uma pessoa e aqueles que estão à sua volta.

Mesmo agora, quando vejo pessoas e as paredes desta sala à minha frente, ou ouço o barulho vindo do exterior, todas estas são formas de conexão entre nós. Não há nada além destas forças que nos conectam, que são forças do desejo que assim me parecem na minha percepção material da realidade.

Da mesma forma, se tentarmos, então começaremos a imaginar outros tipos de conexão entre nós, outras forças que não operam dentro da recepção, mas dentro da doação entre nós. Então veremos que, na realidade, nunca existiram conexões egoístas entre nós. Nós sentimo-las como num sonho, de forma que baseado nesta conexão ilusória, que é oposta à verdadeira, reconheceráiamos a verdadeira conexão, a única que existe em contraste com a vida ilusória: o desejo de desfrutar com toda a sua força.

Afinal de contas, este desejo existiu apenas para que nós o transformássemos no desejo de doar. O Criador suporta-o desta forma artificial, mas não tem por si próprio qualquer essência real. Apenas a força de doar existe no mundo.

É por isso que O Zohar nos descreve todas as variedades da força de doação, que revelamos em todas as diversas formas, assim como as forças de recepção opostas a elas, sendo a base sobre a qual as forças de doação são reveladas no processo da guerra interior do homem.

É esta a única coisa em que temos de pensar enquanto lemos O Livro do Zohar, fazendo esforços de forma que a revelação destes níveis espirituais nos ajude e possa revelar-se em nós para que a possamos incluir dentro de nós.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/3/11, O Zohar