Textos na Categoria 'Educação'

Como Podemos Influenciar Nossos Filhos?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa “educar um filho com ‘Torá e mandamentos’ e com a intenção de doar ao Criador, em vez do amor por si mesmo?”.

Resposta: Os “mandamentos” são as etapas da correção do nosso desejo egoísta, o desejo de receber prazer, que se revela cada vez mais a cada passo, como se impedisse o amor entre nós. No entanto, quando nós tentamos corrigir esse egoísmo que nos separa e transformá-lo em doação, o amor se manifesta especificamente nele, ou seja, ele se torna nosso aliado. Isto é o que chamamos de “Torá e seus mandamentos”.

A “Torá” é a Luz que Corrige (o amor e a doação) e os “mandamentos” são as ações de corrigir os desejos humanos em amor e doação. A Torá é o método que nos permite alcançar o amor, a união e a doação, pois contém a Luz, a força da correção. Esta Luz criou o desejo, e só ela pode corrigi-lo. No entanto, há uma condição: nós devemos desejar a correção, evocar que a Luz atue. Este é o papel do homem.

Os filhos não são criados nem pelo pai nem pela mãe, nem pela professora. Mesmo se você fosse o maior dos Cabalistas, você não seria capaz de educar um filho; somente a sociedade apropriada pode fazê-lo. Não importa o quanto os pais invistam em seus filhos, estes não tomam nada de seus pais, mas sim caem sob a influência do ambiente na rua ou na escola, e lá recebem todos os seus modelos de comportamento e valores de vida.

Eles percebem o pai e a mãe como um sistema e não como seu ambiente. O ambiente é algo que está próximo aos filhos. Ele fala uma linguagem que os filhos compreendem e que também os compreende. Eles estão em um nível. A necessidade de um ambiente surge por volta dos 3 a 4 anos de idade, e é preciso impor limites apropriados ao redor deles.

Na sabedoria Cabalística, nós aprendemos que só percebemos um Partzuf que seja igual a nós ou um superior que tenha descido até nós. Nós não percebemos acima do nível de igualdade. É por isso que a criança percebe o pai e a mãe como aqueles que devem serví-la.

É por isso que só podemos educar através do ambiente. Crie um ambiente adequado para seus filhos. Então, você será capaz de influenciá-los.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabala 10/10/10, “O Amor pelo Criador e Amor pelos Seres Criados”

A Escola Da Verdade

Pergunta: Como eu posso explicar às crianças a lei de “ama teu próximo como a ti mesmo”?

Resposta: A educação deve ser a mesma para crianças e adultos. Somente que com a criança você revela tudo numa medida menor, apresentando exemplos que ela possa entender que são meramente “reduzidos” a seu nível, e não contos de fadas. Em cada caso é preciso dizer a ela a verdade! Nós simplesmente precisamos ter a certeza de que ela nos entendeu de forma apropriada, no seu nível, como adaptamos a linguagem dos Cabalistas num esforço para trazê-la para perto do homem moderno e fazer com que seja clara para todos.

São necessárias várias aulas para explicar a uma criança uma pequena parte do que os adultos estudam na lição diária. Depois de verificar que todas as lições anteriores foram entendidas, eu revelo um novo problema para o grupo de crianças resolverem; eu dou a elas “meia colher”, só para dar um “gostinho”.

Mas, depois, as crianças precisam começar a fazer perguntas, enquanto estão sem entendimento e afetadas por dúvidas, discutir isso com seus amigos, juntos tentar entender o que está realmente acontecendo, em que repousa o problema e sua solução. E o professor se inclui na discussão em iguais termos com elas, guiando-as para o caminho correto enquanto mantém sua distância.

Primeiro, nós clarificamos completamente a questão em si, e, então, tentamos achar uma solução. Através desse processo o professor avalia o progresso das crianças: cada grau precedente se conecta no grau subsequente com sua parte inferior. Não são dadas notas, todas são iguais; nós só avaliamos a solução coletiva para cada problema.

Guiar As Crianças Para A Vida Real

Dr. Michael LaitmanO nosso sistema de educação deve trabalhar em um filão da nossa própria vida. Nós não devemos dizer absurdos e mentiras às crianças ou pintar um falso mundo para elas. Todo brinquedo deve orientar a criança para a vida real e a análise correta da mesma. Cada detalhe deve ser um pequeno exemplo das realidades do grande mundo. Nós devemos mostrá-lo à criança gradualmente, mas endo em mente que é o mundo real e não uma ficção.

Para preservar a criança, eu traço limites para ela, mas ao mesmo tempo dou-lhe liberdade dentro destes limites. A criança aprende a ser um ser humano com suas ações nestas condições restritas e seguras. Aos poucos, os limites se expandem, e, gradualmente, o ser humano é formado dentro dela.

Além disso, eu não lhe ofereço soluções pré-definidas, mas apenas um exemplo limitado. Eu não monto para ela os “blocos de cubo” interconectados, mas apenas defino um padrão a ser seguido, e deixo-a com a liberdade de fantasiar e criar. Às vezes, eu mesmo preparo enigmas, truques e armadilhas para ela, de modo que ela seja capaz de aprender com os erros. Somente assim eu prepararei a criança para a vida.

Como eu posso lhe oferecer todas as soluções com antecedência? Pelo contrário, nós crescemos a partir de nossas experiências em enigmas e exercícios, tentativas e erros. A memória deles cria a abordagem correta na criança, e assim ela sabe por onde começar e como resolver um problema. No final, se ela errar, isso será apenas porque ela foi pega de surpresa e não esperava tal reviravolta nos acontecimentos.

Cada nova etapa começa exatamente assim: ela é nova e imprevisível, e a criança erra. Porém, enquanto a criança está nela, ela aprende com seu fracasso e se beneficia com isso.

Da Discussão sobre a Educação 29/09/10

Educar Pela Verdade

Dr. Michael LaitmanEducar um filho significa aproximá-lo do nosso mundo e do mundo espiritual. Durante um curto período de tempo, especialmente entre as idades de nove a treze anos, a criança tem que descobrir tudo.

A educação termina com a idade de doze ou treze anos, porque as crianças naturalmente deixam de nos ouvir. Elas agem e realizam por conta própria, não recebendo nada de nós. Portanto, nós temos que dar-lhes explicações e a verdade sobre o que está acontecendo no mundo .

Se nós as alimentamos com mentiras, isso é como um veneno que não pode ser removido de sua consciência. Ela distorce a sua visão de mundo e, de certa forma, separa as crianças da realidade, substituindo-a por uma ilusão.

Obviamente, isso não significa que nós não possamos usar analogias e lendas quando educamos uma criança, mas sua forma e os limites devem ser claramente definidos. Uma coisa é a criança entender o que você está falando com ela de forma metafórica, e outra completamente diferente se ela achar que realmente existe uma floresta habitada por animais que ela só vê em fotos e que esses animais são capazes de falar uns com os outros.

Tudo depende de como você apresenta as coisas: no primeiro caso a pessoa se torna familiarizada com o mundo real, enquanto que no segundo, a sua consciência e memória são permeadas por imagens falsas. Apesar disso, nós devemos entender que em muitos aspectos os atuais contos de fadas vêm de antigas crenças e mitologias, quando cada objeto era pensado para ter uma alma, uma força superior, e uma influência especial sobre a pessoa.

Da Discussão sobre a Educação 29/09/10

O Propósito da Educação

O objetivo da educação é explicar que o “amor ao próximo” é uma lei comum da natureza. Só isso transforma uma criança em um ser humano. Isso precisa ser refletido em cada assunto a ser ensinado, todos eles devem incorporar o conceito de unificação da natureza e de governança (“não há outro além Dele”) e a interligação absoluta de todas as partes da criação (“amarás o teu próximo como a ti mesmo “).

Então todo o curso do estudo será baseado e regulado pela lei única, que se move em uma direção, e é exatamente isso que a criança vai entender. Se está escrito que a lei de “amar o próximo” é a “principal regra da Torá” (ou seja, a lei comum do universo), então temos que educar as crianças com base nesta lei e mostrar que tudo que acontece no mundo é definido por essa condição.

As crianças vão entender essa lei singular, e tanto a governança superior e seu comportamento adequado ficará óbvio para eles. Quando nós mostramos que os eventos melhores e os eventos mais horríveis do mundo só acontecerão a fim de revelar-nos o lugar onde nós precisamos revelar esta lei, as crianças começam a ter uma atitude diferente, proposital à realidade.

Aqueles que querem corrigir-se e, através deles, o mundo é chamado de humano.Isto é como nós elevamos os seres humanos dos animais.

Da  quarta parte da Lição Díaria de Cabala de 27/9/10 , “O amor pelo Criador e do Amor Pelo Seres Criados”

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Aprenda A Ser Um Humano

Como Ficar Conectado Com as Suas Crianças

Questão: Minha esposa acabou de dar à luz a um filho, com quem pretendo partilhar o caminho espiritual. Mas o meu vizinho que também teve um filho não quer estudar a Cabala. Ele vê como os pais e as crianças não estão, atualmente, mais unidos como antes e teme perder a conexão com o seu filho. O que posso dizer-lhe se ele não está indo estudar Cabala e só quer alguns conselhos sobre como manter um relacionamento com seu filho?

Resposta: No passado as pessoas eram ligadas por forma egoísta de existência: Casa, família, sustento, e preocupações com a saúde das pessoas ligadas em conjunto no seio da família, nação e país. Hoje em dia, essas definições não têm mais o mesmo efeito, e ninguém sabe como evitar isso ou o que vai acontecer em seguida.

Por quê? Bem-estar material não une mais as pessoas. Todo ser humano começa a evoluir e se elevar além do reino animado, do nível material, como acima da água. E você deve oferecer-lhe uma resposta a nível espiritual.

Assim, o seu vizinho não tem escolha. Ele terá que se conectar com seu filho no plano espiritual, caso contrário, eles não terão nada em comum. É por isso que está escrito sobre o Criador (em relação a se unir com todos na  qualidade de doação): “Aquele que retorna o coração dos filhos aos seus pais e os corações dos pais aos seus filhos.”

Da 4a. parte da Lição Diária de Cabala de 10/08/10, Uma Aula Sobre Assuntos Atuais

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Estabelecendo Exemplos de Doação

Ensinando A Bondade Às Crianças

Dr. Michael LaitmanUma pergunta que recebi: Se eu criar meus filhos nos princípios da Cabalá, ensinando-lhes sobre o amor e a doação, como eles sobreviverão neste mundo egoísta ?

Minha resposta: Não se preocupe com isso. A criança que cresce em um ambiente que fornece apenas exemplos positivos e motiva boas atitudes não se torna mais fraca que as outras crianças. Pelo contrário, ela descobre várias forças do bem que ajudam e trabalham por ela, protegendo-a das forças do mal.

Mesmo na vida cotidiana, nós protegemos instintivamente os filhos de qualquer coisa que consideramos ruim e os ensinamos a serem gentis, transigentes e educados com os outros. Nós agimos assim porque, de forma inata, entendemos que boas relações com o ambiente – e não lutando com ele ou ganhando algo pela força – implica em segurança e paz.

É evidente que a violência não resolve os problemas de um indivíduo ou de um país. Aqueles que usam a força sempre perdem no final, embora acreditem ter êxito. É assim que o mundo corpóreo é construído, onde o único poder que governa é o do Criador. E mesmo quando parece que alguém está ganhando ao recorrer à violência, nós certamente  o veremos cair. Isso se refere à uma pessoa, à uma nação e ao mundo, como um todo.

Nós podemos ter êxito com uma condição: tendo a equivalência de forma com o Criador. Essa equivalência é a chave para o sucesso. Portanto, não tenha medo que a criança receba uma educação “suave”. Nossa tarefa é educar a criança para que ela se aproxime o máximo possível do Criador e, dessa forma, ela certamente terá sucesso na vida. Qualquer outro modelo de comportamento só irá prejudicá-la.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cablaá 1/07/10, Introdução ao Livro, Panim Meirot uMasbirot

Estabelecendo Exemplos de Doação

Nós não podemos sequer imaginar o quanto o ambiente em que crescemos nos moldou para a vida. Fomos constantemente expostos a exemplos de como lucrar no nosso desejo egoísta. É assim que os outros se comportavam, e com eles aprendemos a fazer o mesmo. Nós nunca recebemos um único exemplo de como executar os atos de doação! Isso até mesmo quando nos foi ensinado “bom” comportamento ou nos foi explicado que determinados comportamentos são de nosso interesse.

Em outras palavras, fomos recebendo constantemente exemplos egoístas. O programa de recepção que visa garantir um ganho egoísta era simplesmente “incorporado” em nós. Então, um hábito tornou-se algo natural, e agora eu não posso ver o mundo de outra maneira. Possivelmente, se eu visse o mundo em ondas de doação, ao invés de recepção, veria uma imagem completamente diferente. Quem sabe, talvez visse algo que eu atualmente não pudesse discernir?

Eu simplesmente cresci e me tornei como eu sou. Agora, um enorme trabalho é necessário para transformar a minha natureza. Mas talvez o tempo virá quando as crianças estiverem crescendo de uma maneira diferente, em um ambiente de professores, pais, familiares e a sociedade em geral relacionando-se um com outro de uma maneira completamente diferente: altruísta. Então as crianças seriam influenciadas desta forma altruísta.

Da 4ª Parte da Lição Diária de Cabala 6/6/10, Artigo, “Sobre a  importância da Sociedade”

A Maioria da Sociedade e Uns Poucos Escolhidos

Os Escritos de Rabash, vol.3, Artigos Dargot Sulam, pg. 1774(resumido): Com respeito ao alcance espiritual, a sociedade é dividida entre a maioria e uns poucos escolhidos. A maioria precisa ser educada, instruída como observar a Tora e os mandamentos mecanicamente. A educação que a pessoa recebe a compele a executar essas ações.

Uma pessoa justifica suas ações, porque as executa, citando a maneira como foi educada, o que inclui os costumes que aprendeu do ambiente no qual cresceu. Por isso, a educação e o hábito não faz com que a pessoa deixe de cuidar dos seus costumes, uma vez que o hábito se torna uma segunda natureza. Assim, todos os hábitos, palavras e ações que a pessoa adquire como resultado da educação não são difíceis de observar.

Porém, se a pessoa deseja executar ações com as quais ela não está acostumada desde a sua infância, seu corpo questiona cada mínima ação: “Por que você estão fazendo isto?” ou, em outras palavras: “O que faz você fazer isto?” Se a pessoa não recebe apoio do ambiente, ela precisa procurar por ele no Criador.

Por isso tal pessoa é escolhida e não pertence à maioria. Ela necessita do apoio do Criador, como está dito: “Aquele que se purifica (do egoísmo), recebe ajuda do Alto”. Ela é incapaz de receber ajuda do ambiente e desse modo força a vinda da ajuda do Alto.

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A obra do criador

Calculando O Prazer De Um Desejo Desconhecido

Dr. Michael LaitmanUma pergunta que recebi: Ontem eu fui até o restaurante do Criador e pedi um bife por 100 dólares, mas hoje, com apenas 80 dólares disponíveis, eu posso apenas pedir frango. Se eu nunca experimentei frango, como posso eu calcular o prazer em relação ao desejo usando a tela (preço)?

Minha Resposta: Esta é uma pergunta muito profunda e importante, uma vez que ela determina a diferença entre todos os estados e graus pelos quais nós ascendemos ou descemos. Cada satisfação difere da outra, como o prazer da música difere do prazer da arte, e assim por diante. Então podemos nós fazer este cálculo ou não? Se não podemos, então como avançamos nós na espiritualidade?

Como executo eu um calculo baseado no bife de ontem de 100 dólares com o frango de hoje de 80 dólares, se eu nunca experimentei o frango, e ainda assim,todavia, quero executar o cálculo máximo para doação? Se a doação não for 100% então não é chamada doação. Além do mais, se eu recebo mais do que é possível, eu irei para a Klipa (egoísmo), que deve ser evitada.

Desta forma, eu realizo um cálculo sobre Dalet-Hitlabshut (o quarto nível de prazer) e Guimel-Aviut (o terceiro nível de desejo), isto é, um cálculo sobre quanto da carne de ontem eu receberia por 80 dólares. Ontem eu recebi bife por 100 dólares, e hoje com apenas 80 dólares aparenta ser o mesmo bife, apenas mais pequeno. Eu corto a Luz de Yechida dele, e deixo apenas Nefesh, Ruach, Neshama, e Haya.

Como resultado, eu começo a sentir a diferença entre o quarto e o terceiro nível. Por conseguinte, em vez de executar um cálculo sobre o bife que eu agora rejeito, eu executo um cálculo sobre o dinheiro: o que significam os 100 dólares em relação aos 80 dólares? A diferença é o prazer que eu agora rejeito. Logo, eu agora compreendo o valor dos 80 dólares, e assim eu executo um cálculo em relação ao máximo que eu posso receber dele em prol da doação.

Este é um dos princípios da educação: compreender uma coisa a partir de outra (“Lilmod Devar Mi Toch Devar”). Eu executo um cálculo considerando uma coisa, então conecto-a à outra, e avanço para um terceiro cálculo.

Desta forma, no nosso cálculo nós temos sempre em conta o Rosh de-Hitlabshut (a Luz anterior) do estado espiritual anterior (o Partzuf anterior). Daí nós já podemos descer para Rosh de-Aviut (desejo) a fim de executar um cálculo sobre uma nova satisfação.

Da 2ª parte da  Lição Diária de Cabalá 23/04/10, Prefácio à Sabedoria da Cabalá