Textos com a Tag 'Criador'

O Que Nos Espera Do Outro Lado Do Mar Vermelho?

Dr. Michael LaitmanA primeira revelação do Criador é a descoberta da pura qualidade de doação, a saída de si mesmo para “fora”. Sem dúvida, isso parece irracional para nós: por que eu pensaria nos outros?

Se eu, sendo egoísta, penso em outra pessoa, eu sinto um vazio e espero compensação. Eu ainda não transcendi o cálculo egoísta e não percebi que superando o meu ego eu recebo um novo cálculo, que é atualmente desconhecido para mim.

Eu posso entender que a semelhança com o Criador é provavelmente benéfica. Aproximar-me Dele é um ganho tão óbvio que estou pronto para pagar por isso. Se isto me obriga a sair de mim mesmo, estou pronto! Eles também me prometem todo o mundo espiritual; portanto, eu estou disposto a trabalhar por isso.

Em outras palavras, enquanto eu vislumbrar certo lucro, auto-satisfação, eu naturalmente tenho a força e a vontade de me conectar com o ambiente, unir-me em prol desse objetivo. No entanto, no instante em que começamos a sentir que a qualidadade da doação não trará qualquer benefício para os nossos desejos egoístas, surge o problema.

Nós devemos entender que estamos prestes a revelar uma nova realidade, uma dimensão diferente que não tem nada em comum com este mundo. A distância e a oposição entre os dois mundos é tão grande que não podemos imaginá-la com antecedência. Nós não temos nenhum exemplo que nos permita, de certa forma, entender, sentir ou imaginar direta ou indiretamente, qualquer coisa relativa à vida espiritual.

A pessoa transita de um mundo para outro, o que é chamado de “travessia do Mar Vermelho (Yam Suf)”, sem saber para onde está indo ou o que a espera lá. O Criador e a criatura são dois opostos absolutos. E até a pessoa se deslocar de um para o outro, é impossível compreender o que significa a sua oposição.

Assim, exigir certa compreensão, conhecimento ou apoio do coração e da mente egoísta da pessoa é como atirar no próprio pé e parar o seu progresso. Como você pode exigir algo agora, se você mesmo bloqueia a roda da carruagem que o faz avançar?

É proibido despertar desejos egoístas! Enquanto isso, nós não apenas os despertamos, mas também os amargamos com nossos gritos: “Deixe-me ver e sentir alguma coisa! Quero receber alguma prova, a fim de me livrar de qualquer dúvida!”.  É como se estivéssemos dando um ultimato: “se eu não recebo, eu não me mexo”. Nós até pensamos que esta teimosia age em nosso benefício….

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/03/11, Preparação para  a Convenção NÓS!

A Criatura Que Está Fora Do Controle Do Criador

Dr. Michael LaitmanÉ dito: “Eu criei a inclinação ao mal, e criei a Torá (Luz) como meio de corrigi-la“. E, de fato, essa é a condição mais importante, porque todas as outras disposições, princípios e recomendações que os Cabalistas nos dão, suas explicações sobre o Criador e as leis da criação, tudo isso decorre da referida lei suprema.

Primeiro, ela começa com a criatura em si: “Eu criei a inclinação ao mal”, ou seja, antes não há nenhuma criatura. Até que o homem encontre a “inclinação ao mal” dentro de si, ele não é considerado “criatura”. Todos os outros atributos, pensamentos, desejos, tendências e ações que não dizem respeito à inclinação ao mal, não são considerados como criatura.

Em outras palavras, nem o lápis que eu tenho em minhas mãos, nem eu mesmo, podem ser considerados como criatura, enquanto não houver nenhuma inclinação ao mal revelada interiormente. Para começar, eu preciso ver a inclinação ao mal, que é a única coisa que damos o título de “criação” ou Beria, da palavra hebraica “fora” (Bar) do Criador, isto é, oposta a Ele, contra Ele. Assim, deve haver primeiro um entendimento de quem é o Criador, e então você entenderá o que é a “inclinação ao mal” (ou a criatura em oposição a Ele).

Em toda a criação, a inclinação ao mal está presente somente no ser humano deste mundo, e também não em todos, mas apenas na pessoa que desenvolveu o desejo de receber prazer com uma intenção egoísta chamada de “ódio” em relação aos outros. Se ela tem um desejo que atingiu certo grau equivalente ao Monte Sinai (a montanha de ódio), então ela pode ser considerada como “criatura”, e a Cabalá é endereçada especificamente a ela.

Tudo o resto não se refere ao mal, porque é simplesmente a natureza, que funciona de acordo com suas leis específicas que não podemos mudar. Se existe um lugar onde alguma coisa possa ser esclarecida e trabalhada, de tal modo que possa ser alterada a fim de obter uma recompensa por um esforço de alguém, esse lugar é chamado de inclinação ao mal, o ódio.

O ódio surge durante a quebra dos desejos (Kelim). Havia uma alma integral, mas ela quebrou, ou seja, a força de separação, ressentimento e ódio surgiu e agiu entre suas partes, que costumavam ser um todo. Agora, cada um quer usar os outros, tendo prazer ao humilhar e explorá-los, até destruir o outro completamente. Em outras palavras, ele gosta de machucar os outros.

Portanto, a pessoa deve fazer a diferenciação entre o “eu” e a “inclinação ao mal”, a criação dentro de si, se ele chegar a descobri-la.

Da 1ª parte da LiçãoDiária de Cabalá 17/03/11 sobre o tema “Eu Criei a Inclinação ao Mal, e Criei a Torá Como Tempero”

Um Lego Feito De Pedaços Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante a aula nós trabalhamos com a Luz que nos corrige. Mas com o que trabalhamos na Convenção?

Resposta: Na Convenção isso acontece ainda mais! Nós não temos nenhum outro meio para influenciar o que está acontecendo conosco, além da Luz que corrige. Essa é a única coisa que podemos despertar!

Nós despertamos nossos estados futuros, que ainda não foram revelados em nós e que estão para ser revelados. São estados de doação para fora, onde cada pessoa doa para fora, para o seu próximo. Esta é precisamente a qualidade que queremos descobrir – cada pessoa dentro de si mesma e todos nós como um todo.

Quando revelamos esta qualidade de doação, significa que revelamos o Criador. Como os Cabalistas nos dizem, esta qualidade nos criou, nos formou, e nos espalhou longe uns dos outros, para que, unindo-nos novamente, a revelássemos novamente.

Entretanto, o Criador está no exílio. O que isso significa? Podemos dizer que Ele também se desintegrou em pedaços minúsculos e está dentro de todas essas partes quebradas que estão longe umas das outras. Assim que você começa a conectá-las, você começa a recriá-Lo ou restaurá-Lo, a força comum de doação.

Nós temos que construir uma imagem para nós mesmos que esteja próxima da verdade. Caso contrário, vivemos em várias fantasias religiosas, imaginando uma imagem irreal, não-materialista.

Nós temos que entender que a diferença entre crenças ou religiões e a ciência da Cabalá é que as crenças ou religiões querem imaginar a espiritualidade nos desejos materiais, que percebem tudo “dentro” e, portanto, constroem suas noções de acordo com a realidade terrena, com a criação estando abaixo e o Criador acima, como se estivessem separados mais pela distância do que pelas qualidades. Elas não falam sobre a correção do homem.

Em contraste, a ciência da Cabalá diz que tudo está dentro do homem. Assim, a realidade ou dimensão superior se revela nas correções e mudanças internas da pessoa. Portanto, a coisa mais importante para nós é  corrigir o homem. Ao corrigir suas qualidades, a pessoa sente que o Criador é revelado dentro dela.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/03/11, O Zohar

A Criação Multidimensional

Dr. Michael LaitmanO Criador criou um único desejo que, inicialmente, estava em total união com a Luz que o concebeu, em uma adesão sustentada pelo poder da Luz. Esse é o primeiro e, da parte do Criador, totalmente perfeito estado; somente a criatura não o sente. Isso é porque esse estado foi criado pelo Criador, e lhe falta a consciência da criatura. Essencialmente, não há criação ainda, há somente algo que foi criado e existe por causa da força que o gerou.

Assim, o ser criado precisa passar por um longo processo para ganhar autoconhecimento, e existem vários estágios nesse caminho. Primeiro, ele parece não existir de forma alguma, como “existência a partir da ausência” (Yesh Mi Ain). Porém, no final, a criatura é preparada para se tornar “existência a partir da existência” (Yesh Mi Yesh), isto é, como o Criador.

A criatura supera essa discrepância, de “Yesh Mi Ain” a “Yesh Mi Yesh”, gradualmente, pelo seu desenvolvimento passo a passo, adquirindo finalmente uma segunda natureza: a natureza do Criador. Porém, para alcançar isso, ela tem que agir independentemente, para alcançar por si mesma: o que a criação, “Yesh Mi Ain”, e o Criador, “Yesh Mi Yesh”, são e como eles diferem.

Ela tem que acessar constantemente esses dois estados ao concordar ou discordar com eles, isto é, ao declarar seus desejos, tendo recebido livre arbítrio. Assim, a criatura se aproxima ainda mais da forma do Criador e a aceita não porque ela seja mais prazerosa e benéfica (isto é, não por causa da sua aspiração egoísta), mas porque, de fato, ela adquire as qualidades do Criador, os atributos da doação pura.

Em geral, a realização só é possível através da equivalência de forma. De outra forma, nada pode ser alcançado. Nem o Criador nem Suas qualidades podem ser compreendidos se a pessoa não os possui. Assim, para que o ser criado alcance o Criador completamente e se torne semelhante a Ele, o Criador divide o estado que Ele partilha com o ser criado em múltiplas partes, estados consecutivos, e vários desejos e pensamentos.

Isso pode ser visualizado como a construção de blocos ou como um quebra-cabeça, mas não como um uni ou tridimensional, mas como a construção de blocos em um sem número de dimensões. Qualquer parte desse quebra-cabeça tem um número infinito de lados com os quais se liga a todos os outros, para que assim ninguém tenha nada de si mesmo, mas sempre sua parte superior se conecte com a superior, e sua parte inferior se conecte com a outra parte abaixo dela.

Todos estão todas conectados de tal maneira que ninguém tem nada que pertença a si mesmo, exceto uma coisa: o ponto central no Tabur (umbigo). É o lugar onde cada um decide o quanto quer participar de forma independente, com sua própria realização e consciência, e alcançar essa interconexão onde, contra sua vontade, encontra a si mesmo para dar toda sua força e desejo para sustentar a ligação.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 15/03/11, Escritos do Rabash

A Conversa Entre O Criador E Sua Amada Criação

Dr. Michael LaitmanQuando eu começo a corrigir meus relacionamentos com o mundo inteiro, com todas as outras almas, e com os amigos no grupo que estudam comigo, de repente descubro que só existe o Criador e eu, e ninguém mais. Em outras palavras, existem meus amigos, o mundo, a natureza inanimada, vegetal, e animal, pessoas e almas, e tudo isso é, essencialmente, as manifestações do Criador que pertencem a mim.

Afinal, o Criador não pode Se mostrar a mim como a Luz sem o vaso (Kli), uma vez que eu não terei nada com que percebê-Lo. Desta forma, o Criador divide a criação em duas partes: a própria criação, sua alma, e os outros desejos além dessa criação que são qualidades do Criador.

“O Criador” (Boreh) vem das palavras hebraicas “venha” e “veja” (Bo e Reh). Em outras palavras, se o ser criado se conecta com o Kli que está aparentemente fora dele, ele expressa sua atitude para com o Criador, e nesse vaso surge a Luz. Tudo isso dá à criatura a oportunidade de perceber a força superior (relativo a si mesma).

Então, a criatura começa a entender a “linguagem” do Criador, a conversa que o Criador está tendo com ela. Algumas vezes, parece à criatura que esse Kli “externo” está acima dela, e outras vezes que está abaixo dela. De vez em quando ela vê o mundo como um vácuo onde não há nada. Porém, se a criatura entende que é o Criador quem cria esse espaço vazio, para a criatura preencher com seu desejo de doar por si mesma, ela recebe um lugar para trabalhar.

Nesse vazio, existe a falta da Luz da fé, a Lua da doação, Hassadim (Misericórdia). Se a criatura é capaz de preencher essa dimensão vazia com a Luz de Hassadim, consequentemente, ela se une ao Criador e também pode encontrar ali a Luz de Hochma (Sabedoria).

Existem estados opostos quando o Criador permite que a criatura se sinta satisfeita. Primeiro, você sente que está de pé diante de uma enorme Luz que por enquanto está fora de você. Essa sensação nos é dada nas primeiras nove Sefirot (Tet Reshinot). Você tem que fazer uma restrição nisso, elevar seu limite interno, para que assim você possa receber a Luz (no Nikvey Eynaim), e trabalhar nas três linhas para avaliar com sua tela a satisfação que está diante de você, ou discernir em qual medida você pode recebê-la para doar.

Assim, nós avançamos passando por vários estados, mas nem sempre conscientes deles. Porém, eles só se revelam quando nós não esquecemos que só há uma única Luz e um único vaso que está dividido em muitas partes para o nosso bem, e que temos que incorporar gradualmente em nós mesmos com a intenção de doar.

Nesse caminho, há dois estágios para nós. O primeiro é o patamar de Biná (Hafetz Hesed) onde a pessoa não pode realmente se conectar com os outros por agora e somente aprende a resistir a seu egoísmo, eleva-se acima de seus desejos, acima de sua “inclinação ao mal” que está sendo revelada e obtém os Kelim de GE (Galgalta Eynaim).

Depois, a pessoa começa a trabalhar com a “unificação da qualidade da misericórdia e o vaso” quando até mesmo os seus desejos de receber, que estão incluídos nele, são usados somente para doar.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 15/03/11, Escritos do Rabash

O Homem Pode Atingir A Mente Do Criador

Dr. Michael LaitmanQuando a criatura começa a ser esclarecida sobre o que é o livre arbítrio, ela percebe que, se a qualidade de doação está acima da qualidade de recepção, então ela lhe traz a  verdade e a liberdade! Assim, a criatura escolhe a doação, pois entende que somente a doação transmite a integridade e a independência de seus desejos, isto é, a verdade absoluta que está acima do Criador, bem como da criatura.

O homem atinge um estado elevado. Afinal, o Criador e a criatura residem em suas qualidades correspondentes: as do Criador e da criatura. Mas o homem tem que fazer uma escolha que é independente de ambas as qualiades.

Parece que a força do Criador e a força da Criação ficam uma contra a outra, enquanto o homem realiza um ato único considerado como “oração”. Ele faz uma escolha que se encontra acima destas duas forças. Desse modo, o seu novo desejo (Kli) é produzido, onde a qualidade de recepção e a qualidade de doação, ou o atributo do Criador e o atributo da criatura, unificam-se como um, acima dessas qualidades.

É assim que o homem recebe um único resultado: ele descobre Keter do Criador. Não se trata dos atos do Criador, através dos quais o próprio homem é criado, mas Seus pensamentos, o plano que precede a criação. Este é o resultado da linha média que se eleva sobre as duas primeiras: a direita e a esquerda, as qualidades do Criador e da criatura, que atingem o homem em ação. Mas, na linha média, o homem sobe acima do início da Criação.

Aqui se desenvolve uma nova oportunidade dada à criatura: subir acima de todas as forças existentes e qualidades. Na verdade, todas as forças, qualidades, desejos, genes de informação, tudo o que existe no universo e é revelado a nós – a matéria da recepção, a força de doação – são apenas os instrumentos para levar a criatura à noções mais elevadas que precedem o ato de Criação.

Assim, em cada estado onde a criatura precisa fazer uma escolha correta, ela se sente totalmente impotente em relação ao ponto que precede todo seu nascimento. Ela precisa discernir os vasos e a Luz, o desejo de receber prazer que ela possui e o desejo de doar, ao passo que a escolha está acima de ambos.

A oração nasce quando a criatura percebe que no estado que ela chegou, como resultado de todos os seus discernimentos, ela não tem e não pode ter qualquer chance de se elevar acima dessas opções igualmente valiosas e tomar uma decisão. Aqui, o Criador tem a palavra final!

Nós achamos que precisamos do Criador apenas para derrotar a força do egoísmo com a nossa própria força de doação, para destronar o Faraó. Mas há mais do que isso, do que um simples confronto dos desejos, quando o homem fica entre as duas forças: o Criador e o Faraó. A essência não está em esclarecer quem é mais poderoso e, portanto, quem vai ganhar, mas sim em unir essas duas forças em uma só, na linha média, e subir acima delas.

Da 1a  parte da Lição Diária de Cabalá 10/03/11, sobre a Oração

O Diretor-Geral Do Criador, Que Governa A Criação Inteira

Dr. Michael LaitmanNós residimos em um sistema de forças que se expandem de cima para baixo. Portanto, uma escada de degraus foi formada neste sistema, onde cada degrau é feito de forças opostas, em suas várias combinações, tanto em altura quanto em qualidade. E toda a diferença nessas forças reside na profundidade do nível do desejo (Aviut) que elas trabalham, visto que a profundidade do desejo muda sua qualidade. Afinal, o desejo pode ser de qualquer grau: inanimado, vegetal, animal e falante (0-1-2-3-4).

Mas quando começamos a subir, nós só recebemos uma força, a princípio: a de recepção. Então, começamos a trabalhar com o grupo, e dentro dele vemos a segunda força: a de doação. É contra essa força que descobrimos a força de recepção, que não é o mesmo desejo terreno com o qual chegamos aqui, inicialmente.

Quando começamos a estudar Cabalá e tentamos nos unir ao grupo, nós atraimos a Luz que ilumina um novo desejo dentro de nós, que é contra a unificação, o grupo, o amor e a doação. Então, com a ajuda desta Luz, conhecemos o nosso mal.

Somente devido ao envolvimento no grupo é que estas duas forças emergem na pessoa e se colocam em oposição entre si: a força do amor e a força do mal, sendo que ambas estão conectadas à meta espiritual com a qual a pessoa está trabalhando, a fim de alcançá-la. E todas as qualidades e tendências que ela tinha ao chegar à Cabalá realmente não importam. Elas são simplesmente os atributos de seu corpo animal.

Portanto, todo o sucesso no avanço depende da forma como a pessoa se esforça para se envolver no grupo e chegar a união. Ela vai conhecer a força de rejeição, e ambas as forças vão começar a agir: às vezes uma após a outra e, outras vezes, chocando-se uma com a outra. Então, ela vai conhecer a força da oração, sem a qual é impossível unir essas duas forças em uma só.

Por um lado, ela não quer perder o seu “eu” sob o poder infinito da força de doação, mas ela também não quer continuar a ser escrava do seu egoísmo, a força de recepção. Na pessoa, cresce um caráter independente que fica bem no meio entre as duas forças e toma decisões. Ela quer superar estas duas forças, a direita e a esquerda, na linha média. É isso que ela pede ao Criador na sua oração.

A qualidade de Biná que a pessoa recebe, permite que ela mantenha as duas forças em equilíbrio e esteja acima delas. Ela adquire a força de “receber para doar”, que lhe permite doar ao Criador. Ambas as forças, recepção e doação, residem nela, enquanto ela mesma se torna a cabeça (Rosh) do Partzuf espiritual e decide como e de que forma ela pode doar. É assim que a pessoa avança ao longo dos degraus espirituais.

Ela não pede ao Criador que uma força derrote a outra, mas a oportunidade de unificá-las e estar acima delas com a sua “cabeça”. Isto é o que ela pensa o tempo todo. É por isso que ela é considerada como um sábio, um “discípulo do sábio” (Talmid Hacham) que, graças às suas orações, sempre aprende com o Criador (o sábio) a ser capaz de usar as duas forças corretamente.

Assim, a pessoa eleva-se acima da Criação e torna-se como o Criador, usando a força de doação e a força de recepção, permanecendo acima delas e tomando decisões. Da mesma maneira, a criatura começa a agir.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/03/11 sobre a Oração

O Criador Une Os Casais

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em uma sociedade moderna e machista os homens são normalmente julgados por quão ricos ou inteligentes são, e as mulheres pelos concursos de beleza. Quais serão os critérios aplicados pela sociedade quando ela se desenvolver?

Resposta: Se a sociedade começar a valorizar a meta espiritual, seja por falta de esperança por estar em um mau estado ou devido a uma pontual compreensão do mal quando estiver em um bom estado, nós veremos a nós mesmos e aos outros como amigos e parceiros no caminho em direção à meta.

Agora eu julgo cada pessoa, objeto e estado baseado no quanto este pode beneficiar a minha existência egoísta. Da mesma forma, no futuro, eu vou julgar tudo em nosso mundo, do nível inanimado ao humano, baseado em como ele afeta meu avanço em direção à meta.

Se uma rainha de beleza passa a ser a mais húbil para alcançar a meta, eu vou casar com ela. Mas se a garota do supermercado passa a ser a mais útil, eu vou casar com ela. Tudo é determinado pela meta.

Nós temos um exemplo de como a nação judaica se comportou antes da destruição do Templo, e nas formas ortodoxas quase até hoje. A riqueza nunca foi um objeto de respeito. O rapaz foi sempre julgado por seu conhecimento. Aquele que conhecia de cor mais páginas da Torá era melhor, e não havia outros critérios para julgar uma pessoa durante toda a história. As moças eram julgadas com base nas famílias de onde vinham e na sua educação.

Quando chegava a hora de escolher um parceiro, os pais decidiam, não nos hormônios após um encontro casual em uma festa. Por que isso? Isto está de acordo com a lei espiritual. De Atik  vem a Luz que induz Malchut do mundo de Atzilut a se unir com Zeir Anpin. Em outras palavras, a decisão vem de cima.

Diz-se que o Criador junta um casal. No nosso mundo, são os pais do jovem casal que decide o que é melhor para eles.

Isso tem sido sempre feito desta forma a fim de neutralizar a influência da beleza externa. Como o Rabash costumava dizer, as duas pessoas devem se conhecer, falar e se certificar de que não há aversão mútua. Se elas não se repelem mutuamente, isto é tudo que é necessário. Tudo o resto é construído em compromissos mútuos. Então, certamente haverá amor entre elas.

Na verdade, a tradição dos pais fazer o casamento é comum entre todas as nações. Aos jovens não era perguntado e os pais costumavam juntá-los.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/03/11 sobre a Mulher

Se Você Deseja Olhar A Face Do Criador

Dr. Michael LaitmanDepois de todas as suas buscas, a pessoa alcança o estado onde pede só uma coisa: a capacidade de tomar a decisão correta. Isso significa que ela alcançou a oração correta.

A coisa mais importante que nós iremos descobrir ao estudar a unificação das forças de recepção e doação é como o Criador toma decisões enquanto está acima delas, em que Ele baseia Suas decisões. Nós O alcançaremos por Suas ações. Mas, ao investigar tudo o que acontece dentro de nós sob Sua influência, nós queremos alcançar Sua mente, Seu plano, intenções, pensamentos. Esse é todo nosso trabalho.

E para fazer isso, é necessário a oração. Como nossas próprias forças não conseguimos alcançar Sua mente e cabeça, o lugar onde as decisões são criados de de onde surgem todas as ações. Isso porque nós também somos Suas ações.

E, visto vez que a ação espiritual é sempre feita “para doar”, nós não podemos entender como a mente superior pode ter tomado essa decisão. Isso acontece sempre como uma “descoberta” ou milagre, como está escrito: “Eu me esforcei e encontrei!”. É impossível entender diretamente a mente do Criador, ao observar a combinação de duas forças: recepção e doação. Aquie reside a diferença entre o próprio Criador, Sua decisão, e todas as ações que resultam de Sua decisão.

Desta forma, a pessoa que alcança a oração pede pela capacidade de entender exatamente isso: o plano e o pensamento do Criador, que toma as decisões. Da mesma forma, foi dito a Moisés: “Você me verá pelas costas, mas não verá Minha face”. Essa oração surge continuamente.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 10/03/11 sobre a Oração

Revelar A Unidade

Dr. Michael LaitmanQuando eu digo: “Não há outro além Dele”, isso significa que eu aceito certa função no mundo e não vou apenas com a maré, vivendo um momento após o outro, dizendo a mim mesmo “deixe estar”. Pelo contrário, a cada instante eu concentro meus desejos e pensamentos sobre como corrigir a minha conexão com o mundo e se esforço para encontrar nela uma única força governante. Este meu esforço é considerado como “se eu não fizer por mim mesmo, quem o fará?”.

Suponha que eu fique doente e vá ao médico. Mas, ao fazê-lo, não me preocupo apenas com meu corpo animal, mas sim, penso em como adicionar tudo a essa força única. Afinal, o médico, o remédio e eu, somos todos partes do sistema integral. O médico é gerenciado pelo Criador, e o remédio foi descoberto por causa Dele. Em outras palavras, eu devo conectar tudo o que me parece existir separadamente (o médico, o remédio, a minha doença, e eu) à fonte única.

Mais tarde, quando eu me recuperar, devo dizer que tudo isso, desde o início, estava unificado. O Criador simplesmente transformou as circunstâncias para que eu pudesse unificá-las dentro de mim e visse a Sua unidade.

Da Lição Diária de Cabalá 18/02/11, Baal HaSulam, Carta 16, 1925