A Quem E O Que Um Cabalista Doa?

528.03Pergunta: Para poder doar, é preciso ter alguém a quem doar e algo para doar. Como um Cabalista resolve esse problema? A quem e o que ele doa?

Resposta: Quando um Cabalista tem a oportunidade de doar, ele percebe que essa oportunidade existe apenas em relação ao Criador. Mas onde está o Criador? Acontece que tudo ao seu redor é o Criador. Portanto, não há problema em doar.

O Criador mostra especificamente à pessoa onde e como doar, influenciar e realizar o Seu desejo. A pessoa se torna a “mão do Criador”.

Doar ao Criador é doar às pessoas. Em primeiro lugar, disseminar o método de aproximação ao Criador é a melhor coisa que pode ser feita tanto pelas pessoas quanto pelo Criador. Dessa forma, dá-se às pessoas a oportunidade de receber a luz superior, a abundância, para preencher a si mesmas e ao Criador.

Pergunta: Mas poucos têm essa oportunidade. Se uma pessoa não ensina e não tem amigos por perto com quem possa implementar o método, o que ela deve doar?

Resposta: Então ela não tem oportunidade de progredir em lugar nenhum. Ela deve ter pessoas com a mesma mentalidade por perto; o melhor é uma dezena.

Pergunta: Digamos que há várias pessoas ao meu redor e eu lhes falo sobre o Criador. É isso que eu doo a elas?

Resposta: Não, deve haver pessoas próximas a você com quem você esteja trabalhando na implementação do método. Vocês se ajudarão a construir uma rede comum, que o Criador preencherá. E você, ao receber Dele, O preencherá.

Pergunta: Então unir-se aos amigos no grupo é o que é doação?

Resposta: É claro que juntos vocês criam um vaso espiritual que o Criador preenche, e vocês recebem esse preenchimento com a intenção de devolvê-lo ao Criador.

Da Lição Diária de Cabalá de 13/05/18, “Como Nossos Desejos Moldam Nossas Vidas?”

Conheça Seus Limites

532Fazer qualquer movimento apenas como resultado do amor pelos outros, sem nenhuma centelha de luz refletida ou esperança de qualquer tipo de recompensa em troca é completamente impossível por natureza (Baal HaSulam, “Matan Torah [A Entrega da Torá]”).

E isso ainda precisa ser revelado. As palavras são corretas e maravilhosas, mas uma pessoa precisa realizar muitas ações voltadas para a doação, dedicar muitas horas de estudo e se esforçar muito para se unir a outros para chegar à conclusão de que não tem a menor chance de realizar um ato de doação.

É claro que se pode admitir imediatamente que se é um egoísta que não se importa com ninguém, que não valoriza ninguém e a quem tudo é indiferente. Mas isso não atesta a revelação do vaso, o Kli; qualquer um pode dizer isso sobre si mesmo. Concordamos com isso sem palavras desnecessárias.

O problema é perceber o mal dentro de si, compreender que, mesmo que deseje, é incapaz de realizar qualquer ato de doação. Isso significa conhecer a própria natureza, conhecer os próprios limites. Com todas as suas forças, usando todas as possibilidades e meios, a pessoa se pressiona a revelar a doação ao próximo e descobre a mais pura recepção egoísta. Ela não encontra nem um por cento de doação.

E quanto mais tento fazer o bem a alguém, mais minha intenção original se revela a mim depois de todos esses esforços enormes. Antes, eu não sabia disso e não conseguia detectá-la, mas agora acontece que todas as minhas ações visavam ganho pessoal.

Este é um estudo muito profundo. Só recebo essas lições depois de me esforçar. Com a alma pura, começo a trabalhar, desejando beneficiar os outros o máximo possível, e me uno a eles, esquecendo-me completamente de mim mesmo. Aos meus olhos, meus amigos são tão importantes que simplesmente me perco, desapareço entre eles. E, no final, após cada ação, a imagem oposta me é revelada: fiz tudo em meu próprio benefício.

Essa verdade se manifesta como uma recompensa, como um prêmio pelos meus esforços para realizar a doação máxima e pura do coração.

Então, graças aos meus esforços, chego ao resultado final, ao que é dito: “Eu criei a inclinação ao mal”.

A entrada se abre diante de mim, a compreensão destas palavras. Começo a perceber o que o Criador criou. Até então, eram apenas palavras.

Então, como de costume, passo por quatro estágios de desenvolvimento e chego à necessidade da Torá como tempero, isto é, um método de correção. Começo a entender o que é a Torá, o que é o tempero, o que ele acrescenta à inclinação ao mal, de que forma deve ser usado e como funciona. Mesmo que eu esteja apenas no início do caminho e ainda não tenha experiência, o meio chamado “tempero da Torá” já me foi revelado superficialmente.

E também, a luz que retorna à fonte (a luz que reforma), que está embutida nela, me é revelada. Estamos falando de conceitos diferentes; a Torá e a luz não são a mesma coisa.

É por isso que receber a Torá é uma questão muito complexa. Além disso, surge a pergunta: quem me dá a Torá? Afinal, essa doação é necessária, e é precisamente graças a ela que chegamos a receber a Torá.

Da Lição Diária de Cabalá de 06/07/11, Baal HaSulam “Matan Torá [A Entrega da Torá]

Perguntas Sobre O Trabalho Espiritual — 242

290Pergunta: O que significa abrir o coração?

Resposta: Abrir o coração significa limpá-lo do egoísmo e direcionar todas as nossas ações unicamente para a doação ao Criador.

Pergunta: Normalmente, não quero receber de uma amiga porque não quero me sentir inferior. O estado correto é quando recebo para que ela se sinta bem. Nesse caso, sinto-me superior. Este também não é o estado correto. Qual é o cálculo correto?

Resposta: O cálculo correto é quando você quer apenas o benefício do outro. Comece a agir como dizemos e você sentirá isso.

Pergunta: Para o Kli, o início da restrição está sempre na mente, e o início da realização está no sentimento?

Resposta: Sim, você pode dizer isso.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá de 29/06/25, “Vencendo a Guerra”

A Fé É Maior Que O Conhecimento

623Pergunta: Como podemos trabalhar corretamente na fé acima da razão quando não apenas aceitamos as supostas deficiências dos amigos, mas fazemos um trabalho de correção que leva a um amor natural pelos amigos?

Resposta: Continue trabalhando do jeito que você diz e você chegará lá. Você não pode pular para a última etapa imediatamente.

Pergunta: Adquirimos fé acima da razão quando temos uma tela. Neste momento, estamos brincando e tentando entrar nesse estado, e isso nos aproxima do objetivo. Mas como podemos brincar de fé acima da razão?

Resposta: Continue brincando o máximo que puder. Brinque como costumava brincar com bonecas e então verá como isso a molda.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá de 29/06/25, “Vencendo a Guerra”

O Poder Da Grandeza

032.01Pergunta: Quando chegamos ao autossacrifício e à devoção ao grupo, precisamos de força. É uma tarefa muito grande. Se me falta força no grupo, sinto a grandeza do professor e tiro força dele. Até que ponto posso usar essa força no grupo para me anular diante dos amigos?

Resposta: Pegue o máximo que puder. A medida em si não importa. Mais tarde, começaremos a medir: Nefesh, Ruach, Neshama, Haya e Yechida, ou seja, com que força precisamos da ajuda do alto para existir acima da luz que é revelada de baixo.

Pergunta: Como a devoção e a aliança com o Criador estão conectadas? Qual é a aliança com o Criador que fortalece a devoção?

Resposta: A devoção é necessária em qualquer relacionamento de uma pessoa com o Criador, mesmo com amigos, entre pessoas. Acho que você mesmo entenderá isso rapidamente.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá de 29/06/25, “Vencendo a Guerra”

O Que Determina A Devoção Da Alma?

237Comentário: Falamos de autossacrifício, mas, ao mesmo tempo, sentimos uma espécie de ganho, inclusão e integração. A pessoa não sente que está abrindo mão de algo.

Minha Resposta: Uma pessoa abre mão de tudo o que pode, exceto da conexão com o Criador. Isso é essencialmente o que define o autossacrifício, a devoção da alma (Mesirut Nefesh).

Pergunta: Não entendo muito bem como alguém pode desistir do Criador porque deseja alcançá-Lo, compreendê-Lo e sentir Seu amor.

Resposta: Isso não significa que você desista do amor ao Criador, mas sim que nada mais importa para você além disso.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá de 29/06/25, “Vencendo a Guerra”

Verificação Da Devoção Da Alma

938.03Pergunta: Como posso saber até que ponto estou em devoção da alma, por exemplo, por grama ou por quilograma?

Resposta: Primeiro você verifica isso em relação aos amigos e depois em relação ao Criador.

As palavras explicam muito pouco sobre esses estados porque nos verificar em relação aos amigos e ao Criador são, em essência, estados tão elevados que não podemos controlá-los de forma alguma.

Podemos lançá-los através do Criador, porque se eu quiser fazer isso, peço ao Criador, e Ele o faz. Mas nós mesmos não podemos fazê-lo de forma alguma.

Pergunta: Cada pessoa tem sua própria medida de esforço ou é a mesma?

Resposta: Cada pessoa tem a sua. Não podemos compará-las.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá de 29/06/25, “Vencendo a Guerra”

A Vida Difícil Dos Cabalistas

961.2Pergunta: Foi difícil para você se comunicar com seu professor RABASH do ponto de vista mental?

Resposta: Absolutamente não. Em termos de mentalidade, éramos muito próximos. Ele era um judeu polonês do início do século passado. Eu era um judeu bielorrusso que cresceu nos arredores de Vitebsk, numa cidade onde muitos judeus viveram. O espírito, o modo de vida, os hábitos — tudo permanecia ali, e de alguma forma eu o incorporei.

Em princípio, quando você estuda Cabalá, tudo isso não importa. Mas eu entendia o Rabash como pessoa, com todos os seus hábitos. Cresci em uma cidade com poucas casas: meus avós moravam em uma, alguns parentes em outra, um pouco mais longe moravam mais parentes, e assim por diante. Tudo era muito natural para mim.

Desde a infância, eu tinha memórias que correspondiam exatamente às histórias do RABASH. Então, em termos da vida cotidiana, não tive conflitos ou problemas com ele.

Claro, ele tinha seus próprios hábitos, adquiridos em Israel, depois de emigrar da Polônia. Ele amava muito café, pois morou por muitos anos em Jerusalém com seu pai, Baal HaSulam, que era um grande apreciador de café. Eles despejavam água fervente sobre uma colher de café preto moído e bebiam. Baal HaSulam precisava de vinte desses copos por dia, se não mais, e cigarros.

Meu professor também fumava, não cigarros comuns, mas tabaco muito forte, primeiro sem filtro, depois com filtro.

Eles passaram por muitas reviravoltas na vida. Depois que Baal HaSulam foi proibido de publicar um jornal, ele sofreu um ataque cardíaco e, pouco depois, foi diagnosticado com câncer.

Meu professor passou pela morte da filha e do marido dela, que faleceram com apenas seis meses de diferença. O marido dela era o braço direito do RABASH, seu ajudante em tudo. Eles morreram um ano antes de eu ir até ele. Sim, ele tinha problemas sérios. Todos os Cabalistas têm.

É por isso que acredito que somos os primeiros e os mais felizes, provavelmente porque somos fracos e indignos de provações sérias. Muito pouco nos é dado. Pelo contrário, recebemos um bom retorno por tudo o que fazemos. É por isso que conseguimos disseminar a Cabalá, desenvolver, realizar congressos, atrair centenas, milhares e até mais pessoas.

Baal HaSulam e RABASH não receberam nada disso. Viveram em condições terríveis, trabalharam mil vezes mais do que nós, sofreram e, no final, receberam um resultado pífio comparado a nós, se você olhar de fora. E morreram em desespero: o que vem a seguir?

E como o ARI morreu? Está documentado que, quando seus alunos perguntaram: “Para onde você vai?”, ele respondeu: “Se vocês fossem dignos, eu teria ficado. Se vocês quisessem me ouvir e escutassem o que eu estava dizendo, eles não teriam me levado”. Isso foi dito por um grande Cabalista, que morreu aos trinta e sete anos. Ele sabia que seus alunos não continuariam seu trabalho e, antes de morrer, proibiu-os de estudar Cabalá.

Você consegue imaginar um castigo maior para os alunos do que ouvir: “Eu os proíbo de estudar! Voltem ao seu estado animal e vivam”. E você não ousa desobedecer ao seu professor.

Não sabemos quase nada sobre o que aconteceu com a maioria dos estudantes do ARI. Ele permitiu que apenas um continuasse estudando Cabalá: Chaim Vital, que reuniu todos os seus escritos. O ARI ordenou que esses escritos fossem enterrados com ele. Algum tempo depois, seu túmulo foi aberto, os escritos foram retirados e, a partir deles, suas obras foram compiladas, nas quais o Baal HaSulam baseou O Estudo das Dez Sefirot e outros escritos. Assim, os Cabalistas do passado passaram por estados terríveis!

E Rashbi, que escreveu O Livro do Zohar? Ele vivia em uma caverna apertada, perto de uma pequena fonte e de uma alfarrobeira com vagens doces. Era isso que ele e seu filho comiam. Em condições tão adversas, eles cavaram a areia e estudaram Cabalá. Mais tarde, mais oito estudantes se juntaram a eles e, juntos, escreveram O Livro do Zohar, sentados naquela caverna, no frio, no norte do país! Que horror!

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Os Elos da Cadeia Cabalista do ARI ao Rabash”, 04/09/10

Quem Vem Estudar Cabalá?

630.2Comentário: Via de regra, uma pessoa começa a estudar Cabalá mais perto dos trinta anos. Não se vê jovens de dezoito anos querendo saber o sentido da vida.

Minha Resposta: Existem os dois tipos. Mas aos dezoito anos, a questão é que precisamos nos desenvolver e, de alguma forma, nos realizar no nível da vida cotidiana. Nossos hormônios estão ativos. Precisamos explorar este mundo, compreender algo nele e compreender o quão vazio ele é. Tudo isso é dado a uma pessoa.

Muitas pessoas vêm até nós depois de terem passado por tudo isso. Elas, por assim dizer, estabilizaram sua compreensão deste mundo e da falta de algo verdadeiramente bom nele.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Quem Vem à Cabalá?”, 19/09/10

Perguntas Sobre O Trabalho Espiritual — 241

528.01Pergunta: Como posso sentir as faltas dos amigos se não falamos sobre elas diretamente, mas apenas abstratamente, não a partir dos sentimentos, mas do intelecto?

Resposta: Isso não importa. O que importa é o que você pensa, sonha e decide. Você deseja agir de forma prática com base na sua decisão.

Pergunta: Se eu sentir certas necessidades, posso dizer que meus amigos não têm as mesmas necessidades e então orar para que o Criador também as conceda a eles?

Resposta: Não, você não deve medir os amigos por si mesmo.

Pergunta: Como podemos verificar qual nível de doação alcançamos na dezena?

Resposta: Devemos atingir um nível de doação que se assemelhe ao Criador. Mas esse, é claro, é um nível muito alto. Antes disso, é dezenas ou mesmo centenas de vezes menor.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá de 22/06/25, “Vencendo a Guerra”.