O Amor Terreno É Um Desejo De Realização

527.03Pergunta: Qual é a conexão entre a raiz espiritual do amor e seu ramo terreno?

Resposta: O ramo terrestre representa minha atitude unilateral e egoísta em relação a mim mesmo, quando eu, como um cachorro, sinto com meu nariz onde ainda posso me divertir, e somente isso me puxa para frente.

Comentário: O conceito de “primeiro amor” é dado a uma pessoa quando ela pensa apenas no objeto de sua afeição.

Minha Resposta: Ou seja, sou atraído por um prazer tão grande que não consigo pensar em mais nada: nem em comida, nem em caminhadas, nem em estudos, nem em esportes. Esse é o desenvolvimento egoísta dos hormônios.

Estou me tornando um homem, sinto picos hormonais, não entendo o que é nem como realizá-los. Sou atormentado por palpites vagos e me sinto atraído pelo objeto de sua realização. Só isso. Que tipo de amor é esse?

Contei como minha mãe, médica de formação, me explicou como usava injeções hormonais para fazer as pessoas se apaixonarem. A mesma coisa acontece aqui. Não vou zombar desse sentimento. Pelo contrário, ele nos desenvolve muito na juventude, quando ocorre a transição da adolescência para a juventude. Essa é uma qualidade muito útil, mas é puramente egoísta.

Pergunta: Não há um propósito nisso? A natureza?

Resposta: É claro que a natureza tem um plano para desenvolver ainda mais nosso egoísmo.

Pergunta: Essa é uma boa condição?

Resposta: Qualquer desenvolvimento é bom, mas quando o egoísmo se desenvolve completamente, ele precisa ser corrigido de alguma forma. O desenvolvimento fisiológico completo de uma pessoa normalmente termina entre 18 e 22 anos. No entanto, às vezes, ele pode continuar por mais tempo porque, sob a influência do ambiente, surgem todos os tipos de outros impulsos.

Basicamente, o conjunto de desejos humanos inclui comida, sexo, família, riqueza, fama e conhecimento; existem apenas seis propriedades básicas nas quais nosso ego se desenvolve. Não há mais nada aqui.

Considero constantemente o que é mais proveitoso para mim e o que mais amo. Se o conhecimento prevalecer, posso abandonar o resto. Mergulho na ciência e ela me absorve completamente. Isso também é amor.

Isto é, o amor é um desejo de realização inerente a cada pessoa.

Da Lição Diária de Cabalá de 06/08/17, “Amor Verdadeiro”

Por Que Um Filho Se Torna Um Fardo?

626Pergunta: As pessoas costumavam se reunir e formar famílias. Havia felicidade em ter um filho. Deixe-me fazer uma pergunta estranha. Qual era a felicidade dos pais em ter um filho?

Resposta: Para ver o futuro no filho.

Pergunta: É assim que deveria ser?

Resposta: Sim, claro. Filhos devem nascer e dar continuidade à sua linhagem familiar.

Pergunta: Hoje em dia, parece que desapareceu. De repente, para muitos casais, ter um filho se tornou um fardo. Por quê?

Resposta: Nosso egoísmo nos dividiu, nos desconectou, colocou cada um em seu canto, e é isso.

Pergunta: Mas por que o egoísmo precisa disso?

Resposta: É assim que funciona. Nosso egoísmo se beneficia quando nos concentramos apenas em nós mesmos e nos importamos apenas com isso.

Comentário: E quanto ao nosso egoísmo, que é o mais próximo e querido de nós, dizemos que ele é um fardo para nós.

Minha Resposta: Não é o mais próximo e querido. Dizemos que é um fardo para nós porque nos impede de cuidar da nosso verdadeiro “filho”, aquele que existe dentro de nós!

Pergunta: Então esse “eu”, meu ego, é o mais próximo e querido?

Resposta: Sim.

Comentário: Olha onde chegamos! Imagino o que virá a seguir.

Minha Resposta: Vai piorar. Chegaremos a um ponto em que cada um se esconderá no seu canto e não quererá falar com ninguém. É isso! Só vou pedir, digamos, pizza e refrigerante, ou outra coisa.

Pergunta: E o que acontecerá então? Estamos constantemente levando a humanidade a algum tipo de beco sem saída.

Resposta: É um beco sem saída. A humanidade precisa enxergar o seu próprio beco sem saída. Mas quando ficar claro que realmente é um beco sem saída, uma epifania surgirá desse beco sem saída: a de que não podemos continuar assim.

Pergunta: Você acha que não pode haver despertar antes disso?

Resposta: Não, creio que precisamos alcançar esse reconhecimento. Em outras palavras, não deve haver guerras, tumultos ou explosões de violência, mas sim uma clara consciência da desesperança e do impasse. Então, começaremos a pensar: “O que devemos fazer?”. Então nos lembraremos: “Espere, uma vez ouvi algo dos Cabalistas”.

Pergunta: Sim, há um livro na minha estante, um recorte salvo e assim por diante. Então, eles vão olhar e começar a se mover em direção à correção?

Resposta: Tenho certeza disso.

Pergunta: Precisamos continuar introduzindo isso, colocando-o em prateleiras e em computadores?

Resposta: Com certeza! Não temos outra escolha.

Pergunta: Mesmo se continuarmos chegando aos mesmos resultados?

Resposta: Não importa. Se você tem um filho pequeno que está crescendo e se desenvolvendo, ainda precisa dizer a ele o que fazer e como se comportar corretamente. Você não pode simplesmente deixar para lá.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 03/07/25

A Escuridão É O Começo De Um Novo Grau

944Pergunta: No primeiro dia da convenção, sentimos um oceano de luz. Mas no segundo dia, foi como se tivéssemos mergulhado em algum lugar e perdido toda a noção de cima ou baixo; perdemos o equilíbrio.

O que precisamos acrescentar para que isso flua e nos una?

Resposta: Falta-nos a escuridão. Não o vazio que o mundo inteiro sente como a ausência de pequenas realizações, mas a verdadeira escuridão. A escuridão é o sofrimento causado pelo anseio de revelar o Criador, o sofrimento de estar desconectado do sentido da vida, de sua fonte, do que ela deveria ser.

Por um lado, toda a criação nos mostra o quão interconectada, perfeita e acima de nós ela é. Por outro lado, quando começamos a tentar nos orientar, sentimos que não vemos nada nela: nem começo, nem fim, completa desorientação.

Este é, na verdade, o melhor sentimento; ele surge em nós a cada momento em que nos movemos em direção à maestria do espaço espiritual, em direção à revelação do Criador. A cada momento, sentimos que estamos nos aproximando ou nos afastando Dele, caindo e na escuridão.

Se ontem você sentiu um “oceano de luz”, hoje sentirá o oposto, e não apenas igualmente, mas até pior. Isso se repetirá a cada vez. As descidas serão menores e, consequentemente, as conquistas serão maiores.

Temos que nos acostumar a nos mover na escuridão e na desorientação porque é justamente isso que nos ajuda a nos livrar completamente de direções, pistas e definições egoístas.

Quando nos desorientamos em nossos parâmetros, direções e sentimentos habituais, quando não compreendemos nem sabemos nada, quando experimentamos uma sensação de estarmos perdidos e talvez até mesmo na escuridão, precisamos reconhecer que este é o início de um novo nível. Temos a oportunidade de nos elevar precisamente nesta escuridão para ver a luz, o Criador, através dela. Isso é uma grande ajuda em nosso avanço.

Portanto, devemos mergulhar especificamente nesse estado de escuridão e a partir dele revelar a luz.

Esse é o nosso trabalho. Caso contrário, jamais revelaremos o Criador; isso é apenas do estado oposto a Ele.

Da preparação para a 4ª lição do Congresso na Moldávia, 07/09/19

Conectar-se Com Um Grupo Leva Ao Criador

528.01Se as ações de uma pessoa são direcionadas à conexão com amigos, ela rapidamente descobre a necessidade de uma conexão direta com o Criador, que deve ajudar nessa conexão. Cada ação deve levar à correção da quebra, à unidade entre nós, e então a necessidade da ação do Criador; a qualidade de doação e amor se manifesta nela.

Então os três componentes do nosso estado são revelados: a Torá, Israel e o Criador.

A Torá é a força que cria o desejo (o mundo foi criado pela Torá), a força que corrige a intenção do desejo (a luz que reforma) e a força que preenche o desejo (prazer e sabedoria, o propósito da criação).

“Ame o seu próximo como a si mesmo” é a regra geral da Torá. “Israel” (aspirar ao Criador, a alma) é o Kli comum (a conexão das almas, Shechina). A Torá é a luz, a força corretiva. O Criador é a fonte interior dessa força.

Juntos, criamos a condição para a unidade e a garantia mútua, preparamos um lugar para a revelação do Criador. Até o momento em que “os filhos de Israel clamaram pela obra”, quando realmente precisamos da Sua ajuda.

Em quase todas as descrições da Torá, vemos uma comparação entre a sociedade e o Criador. Sem sociedade, não podemos chegar ao Criador. Portanto, o grupo é o meio. É a Shechina, o Knesset de Israel, a reunião de almas que pedem para não permanecer no pó (egoísmo). Todos os escritos falam sobre isso.

Uma pessoa esquece a necessidade de conexão com o Criador porque isso é contra a sua natureza, mas essa conexão surgirá em nossa natureza se nos unirmos em um grupo. Se não estou conectado com o grupo, não sou direcionado e não encontrarei a direção para o Criador.

Da Lição Diária de Cabalá de 19/07/10, Escritos do Rabash

Como Podemos Fazer Da Unidade Na Dezena A Nossa Vida

938.03Pergunta: Como podemos fazer da unidade na dezena uma parte de toda a nossa vida e um grande deleite que doamos ao Criador?

Resposta: Depende da nossa atitude em relação ao que nos afeta, doação ou recepção, e de quanto escolhemos entre elas e queremos estar mais próximos dos sábios ou do Criador através das diferenças que existem entre a santidade e a Klipa (força impura).

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá de 15/07/25, “A Ruína como uma Oportunidade para Correção”

Não Se Engasgue Com A Sua Própria Verdade

627.1Pergunta: Existe algum tipo de verdade que deve ser dita a uma pessoa?

Resposta: A única verdade é dar livre-arbítrio à pessoa e deixá-la escolher a sua própria verdade. Só isso. Isso é o mais importante na criação dos filhos e nos relacionamentos entre adultos.

Pergunta: Como você faz isso? Por exemplo? Baseado em quê?

Resposta: Ensine a uma pessoa o método de revelar corretamente a vida.

Comentário: Parece ótimo! Isso é o principal.

Minha Resposta: Sim.

Pergunta: E se uma pessoa estiver cem por cento convencida de que está certa e precisar passar isso para alguém?

Resposta: Então eles deveriam se calar e engolir isso! Para não se engasgarem com a própria verdade!

Pergunta: Mesmo que eu sinta que, ao fazer isso, estarei ajudando-os?

Resposta: Que egoísmo enorme ele tem! Está explodindo dentro dele! Ele não tem o direito nem de sentir isso. A única coisa que ele pode fazer é entender o quanto é egoísta se se sente obrigado a encher outra pessoa com sua própria opinião.

É terrível! Há um ditado muito simples sobre isso: “O silêncio é a cerca que cerca a sabedoria”.

Pergunta: Que lindo! Ou seja, é melhor ficar em silêncio nesse momento?

Resposta: Sim.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 08/07/25

Concordando Com O Criador

249.01Naquele momento, a pessoa deve prestar atenção a isso e acreditar que o Criador está cuidando dela e a guiando no caminho que leva ao palácio do Rei (RABASH, Artigo nº 6, “Quando a Pessoa Deve Usar Orgulho no Trabalho”).

Uma pessoa deve verificar constantemente todas as suas sensações e pensamentos, bem como seu coração e mente, para ver se concorda com o fato de que o Criador a está guiando em direção a Si mesmo.

“Eu concordo com o que o Criador está fazendo comigo? Ele me joga para baixo, me levanta, me joga em todas as direções. Um momento eu choro, no outro eu rio; às vezes me alegro, às vezes me angustio. Eu entendo que preciso passar por esses estados, mas que o mais importante é permanecer em conexão, em adesão com o Criador — que não há outro além Dele?”

Conclui-se que ela deve se alegrar porque o Criador está cuidando dela e também lhe dando as descidas. Ou seja, a pessoa deve acreditar, tanto quanto puder compreender, que o Criador está lhe dando as ascensões…

Além disso, a pessoa deve acreditar que o Criador lhe as descidas, porque Ele quer aproximá-la. Portanto, tudo o que puder fazer, deve ser feito como se estivesse em um estado de ascensão.

Em princípio, não há descidas. O que ocorre é meramente a revelação do próximo grau não corrigido, seguido por sua correção. Esses graus nos são revelados — eles foram formados antes mesmo de nós, como resultado da destruição de Adam HaRishon. E nós os corrigimos continuamente por meio de nossa atitude.

Nada nos é exigido! Não precisamos fazer nada, exceto concordar com o Criador, justificá-Lo.

A palavra hebraica para “justificar” é “LeHatzdik“, e quem justifica o Criador é chamado de Tzadik, o justo, porque O justifica. Essa é toda a nossa obra. Mas, para isso, precisamos absolutamente de um ambiente; sem ele, não seremos capazes de justificar sequer um único ato do Criador, nem emocional nem mentalmente.

Portanto, quando ela supera um pouco durante a descida, isso é chamado de “despertar de baixo”. Cada ato que ela faz, ela acredita que é a vontade do Criador, e por isso mesmo ela é recompensada com uma aproximação maior, o que significa que a própria pessoa começa a sentir que o Criador a trouxe para mais perto.

Do Congresso de Cabalá na Moldávia, 08/09/19, Lição 7

Nós Nos Reunimos Aqui Para Nos Tornarmos Humanos

530Nós nos reunimos aqui para estabelecer uma sociedade para todos aqueles que desejam seguir o caminho e o método do Baal HaSulam, o caminho pelo qual ascender aos graus do homem e não permanecer como uma besta (Rabash, Artigo nº 1, Parte 1, 1984, Propósito da Sociedade – 1).

Deste artigo, precisamos extrair os princípios-chave:

    1. O que significa reunir-se?
    2. Qual é o método do Baal HaSulam?
    3. Qual é o grau de humano?
    4. O homem foi criado para o prazer ou para temer o Criador?
    5. A condição para alcançar tudo isso é a equivalência de qualidades com o Criador.
    6. O desejo de receber não é mau em si; é a própria matéria da criação. O que é chamado de inclinação ao mal (Yetzer Ra) é a nossa relutância em nos unir, a nossa recusa em corrigir a quebra da alma em suas partes — nossas almas individuais.
    7. Não destruímos o desejo egoísta, mas apenas corrigimos sua intenção de “para mim” para “para os outros”.
    8. Ou seja, no desejo de receber, estamos sempre opostos ao Criador; mas na intenção de doar, nos conectamos a Ele.
    9. A adesão ao Criador se dá pela equivalência de qualidades com Ele. A intenção de doar é alcançada através do trabalho em grupo. Esta é uma tarefa tanto realizável quanto verificável. O desejo coletivo de doar que construímos é a alma comum, que o Criador preenche.
    10. Cada estado pelo qual passamos consiste em dois opostos e, à medida que avançamos, a distância entre eles aumenta. Eu revelo:
      1. Minha crescente inutilidade
      2. A crescente grandeza da meta.

Devo conectá-los em um só ponto para sentir a quebra entre as almas tão profundamente que force a luz superior a me corrigir. Então, a doação reinará entre mim e os outros.

Isso é chamado de entrega da Torá: a luz da correção.

E depois, o doador da Torá também se revela dentro da nossa atitude corrigida em relação aos outros, dentro do vaso espiritual coletivo (Kli).

Da Lição Diária de Cabalá de 16/05/10, Escritos do Rabash

Os Portões Da Oração Não Estão Trancados

534Na corporeidade, você pode ver a porta assim como pode ver a abertura. Mas na espiritualidade, você vê apenas a abertura. Mas você não pode ver a abertura a menos que tenha fé completa e pura. Então você vê a porta, e naquele momento ela se transforma em uma abertura porque Ele é um e Seu nome é “Um” (Baal HaSulam, Carta 26).

Ou seja, eu vejo diante de mim um muro através do qual é impossível penetrar, contornar ou saltar. Mas no momento em que revelo a qualidade da fé, essa qualidade forma uma entrada no muro, e eu atravesso. Desejo isso a todos nós.

Os portões da oração não estão trancados. Devemos tentar constantemente, junto com nossos amigos, orar ao Criador para nos ajudar a nos unir, a esclarecer o que é chamado de força de doação e a alcançá-Lo com essa força de doação.

Somos obrigados a atingir tal estado, a empregar toda a quantidade e qualidade de esforços para chegar ao portão das lágrimas. Somente através do portão das lágrimas se entra no mundo superior, o espiritual.

Devemos orar por cada amigo do grupo para que ele alcance o portão das lágrimas, o mundo espiritual, tudo! “Quem ora por seu amigo é atendido primeiro”. Isso faz as pessoas progredirem muito.

Mas não se trata de palavras; a oração é chamada de “trabalho no coração”.

O portão das lágrimas é um portão especial que se abre somente quando a pessoa compreende que não tem força alguma para realizar o menor ato de doação. No entanto, ao mesmo tempo, ela deve alcançar esses atos de doação, não importa o que aconteça. Ela está pronta para abrir mão de tudo apenas para se tornar alguém que doa. Então, esses portões se abrem.

Da Lição Diária de Cabalá 10/10/21, Escritos do Baal HaSulam, “Minha Alma Chorará em Segredo – 1”

Fronteiras Abertas Da Vida

527.03Pergunta: Não entendo o que significa ceder sem anular meu próprio desejo. Qual é a diferença entre uma concessão na qual me anulo e uma na qual não me anulo?

Resposta: Uma concessão na qual eu me anulo é quando alguém fica em cima de mim com um pedaço de pau e depois de alguns golpes eu não tenho escolha a não ser desistir do meu desejo e fazer o que o portador do pedaço de pau exige.

Mas a concessão de que falamos na educação integral é algo que faço por livre e espontânea vontade. Quero ceder porque entendo o que ganho ao fazê-lo.

Entendo que não tenho outra maneira de crescer, expandir e estender meus limites se não me anular. Concessão significa anular meus próprios limites e permitir que qualidades, desejos e objetivos estranhos entrem em mim. E eu os aceito como se fossem meus. Caso contrário, não crescerei e não serei capaz de me conectar com ninguém. Permanecerei para sempre dentro do meu eu inflado, que em essência é um zero inflado, trancado por todos os lados.

Absorção, assimilação e inclusão mútua são condições necessárias para o desenvolvimento; são uma forma de vida. Todos nós já vimos filmes em que duas células se encontram, se fundem em uma só e então começam a se multiplicar e se expandir em um novo corpo. Isso só é possível porque cada célula se rende e se abre para a outra a fim de se unir. Sem isso, não haverá vida — este é todo o segredo.

Isso precisa ser explicado e enfatizado da perspectiva da sociedade. Por outro lado, estamos sendo empurrados nessa direção pela crise global que exige que comecemos a conectar nossas células mortas e isoladas e construir um corpo vivo a partir delas.

Abro meus limites e tento usar meu desejo, meus hábitos e todas as minhas habilidades para satisfazer o desejo de outra pessoa. Minha concessão reside no fato de que desconsidero a mim mesmo para satisfazer o desejo do meu próximo. Com isso, adquiro seus sentimentos, sua razão e seus pensamentos.

Tudo começa com uma conversa. Cada um deve imaginar um mapa interno do seu parceiro. O que cada um de nós deseja do outro? O que ele exige e o que gostaria de ver no outro? Começamos a praticar essas discussões.

Mas não fazemos isso como uma família comum tentando simplesmente melhorar o relacionamento, mas sim para adquirir e construir novos sentidos em nós mesmos, capazes de perceber o outro. Dessa forma, eu saio do meu egoísmo e começo a enxergar o que está acontecendo ao meu redor.

Se uma pessoa consegue se corrigir dessa forma dentro da unidade familiar, também terá sucesso no trabalho, nos relacionamentos com os outros e, por fim, alcançará o equilíbrio com toda a natureza. Dessa forma, nos sintonizamos para perceber a realidade externa. Não vivo mais apenas dentro de mim, mas começo a absorver informações do ambiente externo. E fora de mim existem vastas forças que atualmente não conheço nem sinto.

De KabTV, “Nova Vida 40 — A Chave para um Bom Relacionamento é a Concessão Mútua”, 25/07/12