Textos na Categoria 'Percepção'

Morte: A Taxa Para O Desenvolvimento Do Egoísmo

Dr. Michael LaitmanO puro desejo sem intelecto representa uma forma original que é derivada da raiz. Se o desejo se esforça apenas em se manter sem outros desejos, ele é chamado de “inanimado”. Ele não muda, mas sempre quer por todos os meios preservar totalmente a sua existência do jeito que ela é, e sempre resiste a qualquer tipo de modificação. É por isso que é chamado de “morto”.

Por um lado, é a força mais poderosa que mantém a matéria inanimada em sua forma e como é inanimada, é mais forte do que qualquer outra coisa. Por outro lado, tem um déficit, porque não se desenvolve por completo, nem cria qualquer forma avançada!

A planta não possui tanta força por auto-preservação como a matéria inanimada; ela é mais fraca. Mas tem uma adição: ela é capaz de mudar! Ela se desenvolve, altera e cresce. Por outro lado, ela ainda não pode permanecer eterna; é por isso que “adquire” vida e morte.

Não há escolha, há um preço pela oportunidade de continuar a se desenvolver. Se você não possui firmeza de pedra, mas sim permite-se mudar, você vai de ponta a ponta, da vida à morte, não há outra opção. Em outras palavras, o nosso desenvolvimento acontece à custa da imortalidade.

Para uma pedra sem vida, a vida e a morte são iguais. Para uma planta, a vida e a morte são diferentes já que as plantas podem sentir a vida. Esta é a raiz de qualquer sensação, prazer e aflição, um contra o outro.

Os animais estão muito mais longe da natureza inanimada; eles passam por mudanças dramáticas e experimentam um enorme crescimento. Eles adquirem um intelecto superior que acompanha seus desejos; por isso, durante o processo de desenvolvimento, os animais adquirem formas diversas. Naturalmente, os animais são sujeitos a uma série de influências externas e internas. Em comparação com o níveil inanimado e até mesmo o nível vegetal, os animais têm uma organização muito mais complexa. É claro, os animais sentem sua mortalidade muito fortemente como a diferença entre a vida e a morte.

A capacidade adicional de usar o intelecto para a análise constitui uma distinção entre os seres humanos e animais. Em oposição a um animal, a pessoa desenvolveu-se na medida em que reconhece o “tempo” em seu cérebro: passado, presente e futuro. As pessoas podem aproximar o tempo, incluindo-o no desejo. De repente, nós começamos a invejar alguém que viveu há mil anos atrás ou alguém que vai nascer daqui a 200 anos.

Nós observamos que no nível humano, o intelecto aumenta o desejo. O trabalho do intelecto sobre o desejo está diretamente relacionado à Luz; na verdade, é o único trabalho que nós fazemos. Quanto mais trabalhamos no esclarecimento e expansão dos nossos desejos, mais avançados nos consideramos em relação ao nosso passado, os estados subdesenvolvidos: os subníveis inanimado, vegetal, animal e falante dentro do nível humano.

Naturalmente, os seres humanos sentem a vida e a morte, a Luz e as trevas, ainda mais fortemente. Nós nos tornamos mais dependentes, delicados, sensíveis e restritos. Mas este é o pagamento pelo nosso desenvolvimento.

No momento em que o nosso desenvolvimento nos níveis simples (inanimado, vegetativo, animal e falante) está completo, nós nos aproximamos do nível do Criador, onde ganhamos novos sentidos, um tipo diferente de inteligência e uma força alternativa de desenvolvimento, todos os três componentes juntos, os quais não tínhamos antes.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 06/01/12, O Zohar

Será Que Ele Realmente Me Abandonou?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa para prosseguir pelo caminho da doação?

Resposta: Se o objetivo da criação é dar prazer às criaturas, e o Criador é a força positiva que faz o bem, e somente essa é a essência de Seu tratamento conosco, então por que precisamos orar para Ele fazer o bem a nós?

Todo mundo clama ao Criador, “Faça alguma coisa boa por nós!”. Mas isso é ridículo! Por que pedir para alguém realizar um ato de bondade para comigo? Ele já está fazendo o bem, Ele não pode fazer mais nada. Afinal, está escrito que o Criador é benevolente para os bons e os maus. Ele nunca muda sua atitude, como está escrito: “Eu não mudei meu HaVaYaH” e “a Luz existe em repouso absoluto”.

Isso vai nos mostrar que não vale a pena pedir a Ele pelo bem. No entanto, todas as orações, todos os pedidos e os salmos são compostos pelos Cabalistas, as pessoas que existem na realização espiritual. Então, por que eles oram, “Ajude-me, salve-me, faça por mim?”.

Essas são solicitações para formar o desejo de “Ajuda-me a corrigir minha percepção!”. Isso é chamado de “a obra do Criador”, enquanto que para o Criador doar a nós não é trabalho, é prazer.

Meu trabalho é pedir o desejo ou vaso correto, e sua obra é criar esse vaso. Em outras palavras, solicita-se a prontidão em aceitar a satisfação devido a qual nós alcançamos a adesão ao invés de um pedido por uma mudança agradável.

A palavra “oração” é traduzida como “autojulgamento”; é o pedido da criatura para ser transformada. Quando eu pergunto: “Por que me desamparaste?”, será que Ele realmente me abandonou? Ou será que eu digo isso apenas em relação à minha própria percepção, dentro da qual eu sinto que Ele me deixou e eu percebo isso por mim mesmo? Basicamente, eu peço para ele corrigir a minha sensação de modo que eu sinta que Ele não me abandonou ou se distanciou de mim.

A oração é um pedido para a correção de nossos desejos, e tudo isso é chamado de trabalho para o Criador, em vez de satisfação pessoal.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/01/12, Escritos de Rabash

Um Anjo – Escavando No Lixo

Dr. Michael LaitmanNós temos que tentar imaginar cada vez mais corretamente o que vemos, e em vez da externalidade ver a internalidade. Eu e o meu professor (Rabash) costumávamos ter discussões sobre as forças que víamos por trás desta imagem do mundo.

Uma vez eu vi um cavalo na rua comendo numa lata de lixo e, de repente, o Rabash me disse: “Olha, isso é um anjo!”. Eu fiquei surpreso, porque não via nada, exceto o cavalo comendo as sobras da nossa refeição. No dia seguinte eu lhe pedi mais informações sobre o que ele tinha dito, tentando aprender a ver as forças internas por trás deste mundo.

Se eu vejo uma imagem que está focada na minha retina ou na parte de trás do cérebro, esta é a forma como as forças são retratadas para mim, como numa tela de computador, que juntas compõem uma forma. Mas essa forma não existe em si mesma. Eu só preciso dele para que eu possa me agarrar a algo. Na verdade, é a expressão de uma atitude daquele que me dá, que me doa por meio de algum objeto.

Há três componentes: aquele que doa, a sua doação para mim, e seu impacto sobre mim, que isso cria alguma forma. Através dessa forma, eu preciso voltar para aquele que doa, a fim de entender o que ele quer de mim mostrando-me esta forma. Se eu vejo um cavalo, o que o Criador quer me dizer mostrando-a a mim: qual é a combinação de forças, qual é Sua atitude em relação a mim, que tipo de reação Ele espera de mim? Como é que eu tenho que tratar este cavalo e, através dele, aquele que doa, aquele que está me mostrando este filme? Temos que aprender tudo isso.

Agora, nós vemos o mundo na sua forma externa e não o conteúdo interno. Isto é muito útil e não serve para nos confundir de propósito como nós geralmente pensamos. Na verdade, ele nos ajuda a atingir a percepção espiritual! Isso porque nós temos que nos esforçar para mudar da forma externa para a forma interna.

Eu prometo que se você começar a “penetrar” nos amigos e ver os “pontos no coração” que estão amarrados juntos, você começará a notar que o mundo inteiro é feito da mesma maneira. Você vai entender que as pessoas não são imagens externas, mas desejos, “pacotes” de energia. Todas estão em algum tipo de relacionamento e você pode influenciá-las e elas podem influenciá-lo. Você verá as forças e não corpos!

Mesmo hoje nós já tratamos uma pessoa como algum tipo de força e falamos sobre sua essência, mas você precisa penetrar mais profundamente. O fato de que nós não vermos o mundo em sua forma espiritual, mas na sua forma externa, e a diferença entre as duas, sempre nos mostra que ainda não chegámos à adesão com o ambiente.

No momento em que nos aderimos ao ambiente e atingimos o primeiro contato, toda essa confusão desaparece imediatamente. Você vê as pessoas, mas você se relaciona com sua essência e não com os valores externos. Assim como um bom psicólogo que quando olha para as pessoas imediatamente vê a sua essência, seus desejos, pensamentos, tendências e desvios.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 03/01/12, “Estudo das Dez Sefirot

A Crise: Convite Para Correção

Dr. Michael LaitmanA crise atual que estamos experimentando em nosso mundo não é uma crise da economia e de toda a nossa vida, mas a revelação da ausência da percepção correta da realidade. Anteriormente, nós percebíamos a realidade completamente quebrada, dividida em partes separadas, entre as quais não há conexão, natureza comum ou força única, e sem qualquer plano, meta ou processo de desenvolvimento. Agora, com a ajuda da crise, nós estamos começando a nos tornar cada vez mais conscientes da conexão entre todas as partes da realidade.

Este é o sinal de uma nova era, uma mudança de paradigma, a percepção de uma nova realidade. Agora estamos descobrindo a realidade como quebrada e separada em nossa consciência: isso é chamado de crise geral. Mas esta não é uma crise de alguma coisa, mas sim a revelação anteriormente inexistente. Antes vivíamos com a percepção de nossa camada de realidade, mas agora uma camada mais interna está sendo revelada, e nós vemos que nada está dando certo e que tudo está realmente quebrado. É verdade que esta é uma crise. Mas esta crise é a revelação de um novo estado e uma oportunidade, um convite para a correção.

A partir daqui nós vemos que só podemos corrigi-la avançando em direção à unificação entre todas as partes da realidade e revelando dentro dessa unificação a lei natural que existe nesse sistema, bem como várias formas de relações e tendências diferentes. Em suma, vamos começar a ver a realidade corretamente.

O que precisamos para isso? Claro, nada em nosso mundo vai nos ajudar agora. Afinal, isso não tem a ver com o desenvolvimento egoísta, mas com a correção do ego, que se revela na forma da crise. Segue-se que nada pode ajudar a humanidade, exceto a Luz que Reforma. É por isso que a sabedoria da Cabalá, o método de correção, se revela. É por isso que nós temos que levar esta Luz para o mundo através de nós. Mesmo que para nós seja a Luz que Reforma, para o resto será a nova e correta estrutura do mundo, de modo que ela deixará de parecer quebrada para nós. Assim se parecerá a nossa.

É por isso que temos de compreender que tudo é determinado por esta abordagem: ver o mundo como um todo e explicar aos outros que ele é um. Mas nós explicamos isso a eles simplesmente a partir de uma perspectiva científica, similar ao modo como os cientistas explicam as coisas. Mas para nós esta união assume um único desejo, que inclui 620 desejos, que nós devemos conectar em um. E nada mais existe, exceto a percepção da pessoa, que deve chegar a um estado onde será capaz de ver toda a realidade como um único organismo.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 10/01/12, O Zohar

Vendo O Mundo Através Do Desejo

Dr. Michael LaitmanQuando nós chegamos à sabedoria da Cabalá através de diferentes eventos em nossas vidas, nós pensamos que o mundo espiritual tem uma forma externa, semelhante a este mundo, onde há diferentes objetos que têm um volume, e que não há movimento e tempo lá. É assim que a pessoa imagina o mundo espiritual, com base nas impressões que ela tem desse mundo, que ela está acostumada a ver, o que significa dizer, que ela está acostumada a sentir. Ela acha que pode sentir o mundo espiritual desta maneira.

Ao estudar a sabedoria da Cabalá, nós estudamos a “percepção da realidade”, segundo a qual toda a imagem da realidade é revelada dentro do nosso desejo. Todas as imagens que vemos e a sensação de movimento, espaço, tempo e volume são todos discernimentos do desejo.

Certo desejo nos dá a sensação de tempo, outro desejo nos dá a sensação de mudança e um terceiro desejo nos dá a sensação de volume, e assim por diante. Cores, sons, altura e largura são todos diferentes desejos ou vetores que, juntos, representam o mundo para nós, tanto este mundo quanto o mundo espiritual.

A única diferença é que em nosso mundo nós imaginamos que estamos entre as figuras que realmente existem no exterior, enquanto no mundo espiritual, sentimos e entendemos que nossas forças internas são aquelas que criam a realidade dentro de nós. Nós sentimos e compreendemos isto de acordo com nosso controle sobre essas forças ou desejos.

Se eu não controlo as forças do meu próprio desejo, essas forças externas parecem como se não estivessem sob meu controle. No entanto, se eu começo a controlá-las com a ajuda da restrição e das Masachim (telas), como resultado de minha tentativa de controlá-las, eu as revelo como forças internas sob meu controle.

Assim, aos poucos nós começamos a perceber o mundo em sua verdadeira forma, até mesmo este mundo que estamos acostumados a ver como externo é gradualmente sentido mais como um mundo interno que está dentro de nós. Então, nós entendemos como os escritores do Livro do Zohar olharam para a realidade, como sentiram a realidade, e como transmitem isso para nós quando a descrevem em palavras deste mundo, em termos Cabalísticos, na linguagem do Midrash, ou da moral.

Na verdade, tudo o que eles falam é das forças internas de uma pessoa e dos desejos nos quais a Luz traz todas as formas e impressões. É apenas sobre como os desejos são impressionados pela Luz.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/01/12, O Zohar

A Ciência Sobre Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ao que devo me agarrar durante a leitura do Livro do Zohar, ao grupo, ao Criador ou ao Rabi Shimon?

Resposta: Não há Rabi Shimon, Criador, grupo ou Luz, nada. Há uma impressão interior de uma pessoa que está dividida em tais termos.

Eu não sei o que existe fora de mim. Eu só sei que existe algo chamado “Eu” e eu não sei o que é. Esse “eu” está impressionado com alguma coisa. Eu também não sei o que o impressiona.

Assim, eu estou em certo estado chamado “minha realidade”. Agora, eu preciso investigar essa realidade: quem sou eu e o que eu sinto? A ciência da Cabalá fala sobre isso: como revelar este estado.

Nós começamos a partir daqui. Isso é chamado de “compreender o significado da vida”. Não estamos falando de nossa vida na terra por várias décadas, mas sobre atingir a própria essência da realidade na qual eu e o que eu sinto são, a saber, esta presença em minha primeira realização: “Eu” e “sinto”.

Toda a ciência da Cabalá é destinada à pessoa revelar a verdadeira realidade – o que acontece a você quando você tem uma noção do que ela é, o que este mundo imaginário que você vê apresenta e, em geral, toda a realidade, a vida e a morte, impressões boas e ruins.

Por que eles surgem? Para que você comece a formar a si mesmo: quem você é, o que você sente, como, e assim por diante, até você começar a descobrir o ponto de estabilidade, a partir do qual você será capaz de ver e começar a organizar toda a realidade. Isto é o que significa a ciência da Cabalá.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/01/12, O Zohar

Os Elementos De Uma Realidade Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: A psicologia comportamental fala do chamado “triângulo de compreensão mútua”.  Dois de seus cantos representam a comunicação e a empatia, e o terceiro é a realidade compartilhada. Na educação integral a comunicação é conduzida num círculo. Do ponto de vista da psicologia comportamental, supõe-se que no processo de crescimento da compreensão mútua, a empatia também aumente. Agora, surge uma pergunta: essa própria integralidade é uma realidade compartilhada?

Resposta: Nós temos que existir dentro dela. Não dentro de nós mesmos, mas fora do eu, dentro desta realidade compartilhada que nós criamos, porque isso é exatamente o que significa a realidade objetiva. Tudo o que existe dentro de mim é subjetivo, isto é, pura mentira. Eu minto para mim mesmo sobre a construção do meu próprio eu. Esse mundo é totalmente irreal, inventado por mim.

Às vezes, eu estou conversando com alguém e admiro como nós percebemos o mundo de forma diferente. Eu estou falando de uma coisa, e ele vê uma imagem completamente diferente e fala sobre outra coisa. Ele é totalmente sincero, assim como eu, porque cada um de nós vem de suas próprias sensações.

Assim, é necessário subir mais alto, no desejo comum, na mente comum, no coração e no cérebro comum, e observar o mundo de dentro da imagem coletiva do homem que representa a totalidade de todos nós. Então, nós veremos o mundo de forma totalmente diferente: não individualizado, não distorcido pelas nossas qualidades interiores intrínsecas.

Se o máximo possível de pessoas se reunirem no sistema comum do “homem” (a imagem conjunta do homem), então, naturalmente, vamos ver uma imagem completamente diferente do mundo, do universo e de nós mesmos. E esta vai ser muito diferente da que vemos hoje. Afinal, a imagem do mundo depende da percepção subjetiva, e os psicólogos sabem muito bem disso.

Nós só precisamos mostrar que se você pegar os seus desejos e qualidades internas e compará-los aos outros, isto é, à imagem coletiva emergente do homem como um todo, então, de dentro dela, você vai começar a observar um mundo verdadeiramente diferente.

Você se eleva acima de si mesmo e se distancia do seu corpo, de suas qualidades pessoais, de modo que o corpo não importa mais para você. Como vemos a partir da experiência, é muito provável que isto começará a ser percebido como algo estranho, como um animal que existe perto de você. Quando você entra nessa imagem coletiva do homem, você vê seu corpo existindo num nível animal. E a imagem generalizada do homem pertence ao nível humano.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

Um Salto Para O Futuro

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Liberdade”: “Isso pode ser comparado a um homem doente que não quer obedecer às ordens do médico antes que entenda por si mesmo como aquele conselho possa curá-lo, e, portanto, começa a estudar medicina. Ele pode morrer de sua doença antes de aprender medicina”.

Suponha que eu viva no fim do mundo numa cabana em alguma aldeia remota, e há um par de outras famílias como eu. Nós gastamos nosso tempo caçando e colhendo frutas e não conhecemos nada exceto este tipo de vida.

Mas, de repente, pessoas civilizadas de algum país desenvolvido vêm até nós com todos os tipos de instrumentos e ferramentas. Para mim eles são como magos que desceram do céu.

A questão é: eu tenho que passar por todo o processo da forma que eles fizeram, ou eu posso adquirir a sabedoria, razão e sentimento a partir deles, além de seus produtos tecnologicamente avançados e, assim, saltar séculos em meu desenvolvimento? Isso é possível?

Claro, eu posso aprender a usar suas ferramentas. Você não precisa de cérebro para isso. Mas nós estamos falando de um desenvolvimento interior, que é ao mesmo tempo emocional e cognitivo: eu posso tentar preencher a lacuna entre nós e saltar os séculos que seus países e o seu povo atravessaram?

Bem, isso é possível com a ajuda da conexão entre nós. Não a aparente conexão externa, mas a verdadeira conexão interna. Assim, nós podemos realmente passar um ao outro a nossa mente e sentimento. Não há nenhuma necessidade de todos passarem por todos os níveis que os outros já passaram. Nós não começamos do zero, mas dependemos da sociedade e do que podemos adquirir dela.

Esta é a nossa salvação. É assim que encurtamos o caminho e aceleramos o desenvolvimento. Em vez de aprender com os problemas, podemos aprender com outras pessoas e adquirir sabedoria. Embora em nosso mundo nós nem sempre passamos ao outro um potencial positivo. Pessoas que estão mais conectadas com a natureza são realmente mais desenvolvidas. Elas são mais delicadas, mais sensíveis, e mais próximas da espiritualidade em comparação com o mundo “civilizado”.

Mas, a coisa principal é a mesma: nós recebemos a razão e o sentimento daqueles com quem nos unimos. Isto é verdade até mesmo no nível corporal deste mundo. Assim, cada passo em nossa comunicação, na conexão entre nós, também se reflete na cooperação mútua. Como resultado, a humanidade se desenvolve mais rapidamente; isso foi revelado de forma mais destacada no século XX com o seu enorme crescimento depois de anos relativamente “lentos”. Tudo isso é resultado dos fios de conexão mútua que foram tecidos entre as pessoas, através dos quais o sentimento e a razão são transmitidos.

Deesa forma, nós também podemos adquirir, por nossa conexão com o grupo correto, a mente e o sentimento dos amigos e assim completar o que não passamos por nós mesmos. Na verdade, não faz diferença quem é “pequeno” e quem é “grande” entre nós. Eu adquiro deles o que eu nunca poderia ter alcançado sozinho Eu sou apenas um ponto no campo de força do sistema geral, e eu adquiro todo o sistema geral deles. Se eu não me conectar a eles, então não há nenhum lugar onde eu possa sentir essa nova dimensão.

Assim, se em nosso mundo se conectar com outras pessoas é benéfico em alguma medida, então na espiritualidade é crucial: somente graças à conexão eu posso adquirir o vaso espiritual.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 27/12/11, Baal HaSulam, “A Liberdade”

Entrar No Sistema De Doação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual será o sistema de doação entre nós que veremos quando ele se revelar para nós?

Resposta: Nós devemos ver esse sistema entre nós agora, depois da convenção. Cada pessoa deve ver os pontos no coração e entender que, embora ela esteja distante dos outros, a rede que conecta nossos corações existe.

Há uma rede mais interna, formada por todos os nossos amigos (e dentro dela, o sistema superior de todos os Cabalistas do passado). Em torno dela, há uma rede mais externa: toda a humanidade. Os sistemas estão interligados, e esta conexão não muda, é constante. Apenas a nossa atitude correta foi quebrada.

Como dizemos em nosso mundo, os relacionamentos foram quebrados, ou seja, que eles eram bons e tornaram-se maus. As relações existem, mas estão quebradas.

Nós temos que descobrir o sistema no qual estamos todos conectados. É impossível destruir essas conexões ou mudá-las. Somente as relações dentro das conexões podem ser alteradas. Agora, cabe a nós como descobriremos a vida dentro deste sistema.

Isso se relaciona ao mundo inteiro. Para nós, é uma ação interior, nossa disseminação interna. Em relação ao mundo, é a disseminação externa. Assim, esses dois sistemas começam a interagir.

A pessoa deve sentir internamente que é assim. Então, ela começará, gradualmente, a ver que o nosso mundo é imaginário. Quanto mais a pessoa se vê como parte desse sistema e sente que depende dele, mais ela verá que tudo em sua vida, mesmo em sua vida externa e corpórea, no trabalho por exemplo, depende da intensidade de seu esforço neste sistema.

Então, todas as ações corporais, as formas corporais, e todo o mundo que você vê ao seu redor gradualmente se transformarão em algum tipo de forma externa inflada, como um fantoche que se move porque a mão do criador de fantoche está brincando com ele como se ele fosse vivo.

Em vez de ver apenas pessoas, você verá a sua conexão com o regime geral. Você entenderá o que as motiva, que sinais recebem do sistema, e suas reações com eles. Você verá que em cada um, é a sua conexão com o resto do sistema que age, e nada mais que isso. Você perceberá que o corpo que veste essa conexão é como um halo, uma nuvem, que não tem essência independente.

Enquanto não vemos este sistema, nos é mostrado todos esses corpos e este mundo para nos monstrar que algo existe e para nos dar o livre arbítrio para penetrá-lo, para começarmos a viver no mundo real. É nisso que temos que entrar agora.

A convenção nos deu o ponto de conexão com este sistema, e nós temos que segurá-lo para que possamos começar a ver o sistema a partir dele. Esta é a nossa obrigação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/12/11, Escritos do Rabash

Ajuste Fino À Frequência Correcta

Dr. Michael LaitmanO que é o meu “eu”? Eu existo, sinto, vivo, e percebo a realidade… Mas não sei o que é o “eu”. Eu só sei que é a forma na qual eu sinto a mim mesmo. Existe o “eu” e existe o ambiente. De onde vem esta sensação? Vem do meu desejo de receber. Sinto todo o tipo de prazeres e deficiências de uma forma ou outra, e eles são parte da minha percepção, sensação, cognição e entendimento.

Em geral, os meus vasos compõem o desejo de receber. Em certa medida, eles estão cheios e noutra medida eles estão vazios. O desejo que está dividido em cinco níveis de desenvolvimento (inanimado, vegetal, animal, falante e a raiz) compõe a sensação do meu corpo pessoal, minha vida, meu “eu”, e o ambiente. Entretanto, eu tenho de apreender a essência do meu desejo com tudo o que está dentro dele. O que é este desejo? O que significa senti-lo?

Eu estou nele, e ele radia esta sensação de si próprio e da realidade externa. A sensação do eu é o meu corpo. A sensação da vida exterior é composta de muitas pessoas e do universo inteiro. Tudo isto está retratado e presente dentro do meu desejo.

Estas coisas devem ser esclarecidas à luz do livre arbítrio: Como posso usá-las? Em que direcção devo direccioná-las? Posso fazer o que quiser com estas sensações? Ou posso usá-las apenas se me virar numa certa direcção? Tenho de encontrar a “frequência” correcta, o intervalo correcto de frequências nas quais verei a imagem inteira e o caminho para o objectivo? Em tal caso, todas as outras vias estão fechadas. Não são para mim.

Uma abordagem muito delicada é necessária aqui, a única abordagem que me permitirá ver a imagem com a luz correcta. Todas os outros caminhos me dão imagens falsas e distorcidas, e eu pagarei caro por sua falsidade. O ponto principal aqui é perceber o que eu devo fazer e onde devo ir. Para fazer isso, eu sintonizo-me ao intervalo de frequências desejado, escolho a “fenda” correcta, de forma a olhar para a minha realidade interna e externa. Tal abordagem leva-me à única acção possível que devo realizar – essa do livre arbítrio.

Tudo o resto é irrelevante. Mesmo se não souber nada mais, não faz diferença. O ponto principal é que eu sei isto. Toda a minha vida e o futuro dependem disto. Ao preencher este princípio “subtil”, posso também mudar tudo o resto, ao extremo. Devo lidar com o que é importante e não com qualquer outra coisa, porque então eu apenas irei estragar as coisas.

Assim, o livre arbítrio deve proteger-me de acções falsas e prejudiciais que exigirão grandes esforços a corrigir. Preciso atingir a essência da forma mais curta possível e perceber isto.

Para isso, o Baal HaSulam explica que cada estado em que eu estou está dividido em quatro partes. Se eu me conheço a mim mesmo, eu estou sob o seu controlo. Estes são os factores:

  • A fonte;
  • A conduta inalterável de causa e efeito;
  • A conduta interna de causa e efeito;
  • A conduta de causa e efeito de coisas alheias.

A fonte é a natureza inalterável, a essência, que recebi mesmo antes de sentir a mim mesmo aqui e agora. Uma pessoa pode perguntar sobre suas questões como, porquê, e para quê, mas não irá alterar a realidade. Você é o que você é, e você avança numa rua de sentido único, do início ao fim. A distância que você percorreu é o passado, e não adianta queixar-se dele. Tudo o que tem de fazer é descobrir como tornar o futuro melhor.

Relativamente à conduta de causa e efeito, aqui também, como o Baal HaSulam diz, não há nada que você possa fazer. Claro, o trigo irá crescer de um grão de trigo, e o arroz irá crescer de um grão de arroz. Estas mudanças são adições à fonte, elas se vestem sobre ela. Além dos dados iniciais que existem na Reshimo, na “partícula de informação” que contém tudo, há também o resto do desenvolvimento, o segundo factor, que é também predeterminado. Isto significa que a pessoa deve procurar o livre arbítrio no terceiro e quarto factores.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/12/11, “A Liberdade”