Fuja Do Reino Do Ódio

115.05Não passamos pelo estágio dos antepassados, pelo que aconteceu no princípio: Adão HaRishon, Babilônia, a terra de Canaã, Jacó e seus doze filhos, e a descida ao Egito. Começamos a nos revelar já no Egito. O período anterior refere-se aos “antepassados” e está incluído em nós como genes espirituais (Reshimot), qualidades interiores.

Nosso trabalho real começa no Egito, onde finalmente percebemos que estamos imersos em um desejo egoísta e precisamos escapar dele, pois ele nos dá cada vez menos força vital. Leva anos para reconhecer isso e fugir.

Se estivermos juntos em grupo durante esse processo, ajudamos uns aos outros. Está escrito: “E os filhos de Israel suspiraram da obra”, que significa “todos juntos”. Todo o êxodo do Egito acontece em conjunto.

O Êxodo é a saída da separação em direção à conexão. Não é uma saída física de uma localização geográfica. No Egito, descobrimos que estamos separados pelo nosso egoísmo. Todo o trabalho durante a escravidão egípcia reside no fato de tentarmos nos conectar uns aos outros e fracassarmos. Passamos a ver que o Faraó se interpõe entre nós e impede nossa conexão.

Continuamos trabalhando em nossa conexão e, a cada vez, revelamos que ela é impossível. Então, Moisés aparece, mata o egípcio e foge para o deserto por 40 anos. Tudo isso é um trabalho constante e contínuo em direção à conexão até que Moisés retorna, vai até o Faraó e exige: “Deixe meu povo ir”; isto é, “permita-nos conectar”.

Quero me conectar com aqueles que agora me parecem estranhos. É o Faraó quem os mostra como estranhos e os faz parecer como se não fossem parte de mim. Mas peço a capacidade de me unir a eles. Que o Faraó permaneça; quero me unir acima dele. Portanto, preciso de uma força maior, mais forte do que todo o seu vasto desejo e egoísmo que me distorce para qualquer lado que queira.

Acontece que preciso pedir que meu egoísmo diminua, que pare de me dominar. É isso que peço ao Faraó. E o Faraó responde: “Devo descer da minha altura, do meu trono?!” Ele só endurece o coração, e por isso preciso que o Criador seja ainda mais forte que o Faraó.

Este é o papel do Faraó: elevar o Criador aos meus olhos, para que eu seja forçado a valorizar cada vez mais a força geral de doação que governa a natureza. Só ela pode nos dar a capacidade de nos conectarmos uns com os outros.

Precisamos entender corretamente o que é o Egito. O Criador precisa crescer constantemente aos meus olhos, ou jamais conseguirei me unir aos meus amigos, que é o que o Êxodo significa, e permanecerei na escravidão para sempre.

Egito é separação. Mas para onde estou fugindo? Quero me unir acima dessa separação, acima do ódio que me é revelado, o Monte Sinai (“a montanha do ódio”), e é por isso que deixo o Egito. Este ato é chamado de Êxodo.

Da Lição Diária de Cabalá de 05/02/12, Escritos do Baal HaSulam, “E Aconteceu no Decurso Daqueles Muitos Dias”