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O Programa Pelo Qual Nos Desenvolvemos

294.2Pergunta: Você acha que as lições de áudio e vídeo, palestras e programas que você gravou no passado são adequados para um aprendizado futuro?

Resposta: Acho que ninguém virá me substituir tão rapidamente ou começará a apresentar o material de uma forma ainda mais simples. Pelo menos não vejo a próxima pessoa a liderar. Mas isso não importa. Não me incomoda.

Em primeiro lugar, o que posso dizer ou fazer? Por um lado, tudo é preparado de cima para baixo. Por outro, simplesmente não é necessário. As pessoas terão a mídia gravada em boa qualidade e a estudarão, adaptarão a si mesmas e a aplicarão.

Basta, porque tudo já foi explicado. Se eu tiver força, tempo e anos, talvez consiga simplificar ainda mais o material. No mínimo, as pessoas podem usar facilmente o conteúdo dos últimos dez anos, podem trabalhar com ele e se beneficiar dele.

No fim das contas, nem eu nem elas somos os donos dos nossos estados, o Criador é. Seja o que for que Ele decida, assim será. Há um programa pelo qual estamos nos desenvolvendo.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Duas Mil Lições”, 03/08/10

O Campo Do Amor

938.02Pergunta: Lembro-me de quando fui a um congresso pela primeira vez, tive um grande desejo de atravessar o Machsom. Fui tomado por uma sensação de certa unificação, como se você simplesmente se apegasse aos outros e quisesse sentir algo.

Não sei se isso é psicossomático ou, na verdade, um sentimento inconsciente e temporário de um todo único. É esse o sentimento de que você está falando ou apenas uma autossugestão?

Resposta: É também um sentimento psicológico criado por você e pelos outros, mas em um nível muito pequeno, baixo e animado. Isso é algo que pode ser feito em qualquer empresa.

O Criador não participa disso e, portanto, não é espiritual. Um campo único e singular de amor ainda não foi sentido nele.

Amor não é o que imaginamos em nosso mundo. Amor é a qualidade de doação absoluta; é quando os seus desejos e os dos outros se fundem completamente em um único todo e você só tem uma intenção: satisfazê-los a partir de si mesmo, doar-se a eles. É isso que é amor.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Campo de Amor”, 04/07/10

Cada Um Tem Sua Realidade

423.02Pergunta: Como podemos explicar o fato de que cada pessoa vê sua própria realidade e, ao mesmo tempo, como diz a Cabalá, ela não existe de fato, existindo apenas eu com minha percepção?

Resposta: Sim, existe apenas você e nada mais — nenhuma história, nenhuma geografia, absolutamente nada. Você existe como um certo ponto de desejo. Além do desejo, não há nada, e dentro desse desejo algumas percepções ou realizações são sentidas.

Essas realizações aparecem exatamente na forma como você se percebe atualmente. Em outras palavras, o sentimento de “eu” se manifesta dentro do desejo na forma da sua imagem, e a percepção do mundo ao redor também aparece como imagens dentro do desejo. Ou seja, você sente a realização do desejo nessa forma específica.

Pergunta: Quando você descreve algo, fala em termos gerais, “uma pessoa”, sem se dirigir a ninguém especificamente. Então, todos os outros realmente existem?

Resposta: Uma pessoa, naturalmente, não existe. Então, como vemos os outros e o nosso universo? Nada disso existe. Os mundos? Eles também não existem.

Existe apenas um estado, que convencionalmente chamamos de “Mundo do Infinito”, ou seja, a criação repleta do Criador.

Pergunta: Mas por que eu percebo o mundo de tal ângulo, como complexo, composto de outros elementos, pessoas e animais?

Resposta: Porque dentro de você existe um desejo imperfeito, fragmentado, desarticulado, não integral. Você percebe a sensação interior desse desejo como “eu e algo ao meu redor”, ou “muitas coisas ao meu redor”.

Comentário: Mas quando digo algo para outras pessoas, elas concordam, ficam encantadas com um pensamento, elas parecem realmente existir de forma independente.

Minha Resposta: Sim, estes são os seus próprios desejos, que aparecem a você na forma de pessoas separadas, que aparentemente existem objetivamente, independentemente de você e em contraste com você.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Realidade da Percepção”, 20/07/10

Conecte-se Às Fontes Primárias

209Pergunta: Antes de explicar um determinado tópico, você sempre pede para ler o artigo relevante primeiro. Por que você faz isso em vez de simplesmente começar a falar sobre as coisas em geral?

Resposta: Eu também poderia falar por mim. Mas quero ensinar as pessoas a se conectarem com as fontes primárias, porque o principal para nós é estarmos conectados com aqueles grandes Cabalistas, participantes do sistema comum de almas, que percebem o campo unificado, o Criador, e existem dentro dele.

É por isso que estudamos um livro escrito por um Cabalista que viveu em nosso mundo. Na verdade, trata-se de uma alma que sentiu o campo do Criador e o descreveu: o que acontece em sua relação conosco, como ele nos criou, nos desenvolveu e nos trouxe ao estado em que existimos agora.

Pergunta: Mas seus próprios textos também são muito profundos. Você não transmite a partir do seu nível, assim como outros Cabalistas?

Resposta: Sim, mas ainda não reivindico o papel de Baal HaSulam, meu mestre Rabash, Rabi Shimon ou o ARI. Estes são grandes Cabalistas — partes poderosas da alma coletiva — que estão em profunda e vasta conexão com este campo, com o Criador.

Eles descreveram suas sensações e percepções de uma maneira especial. E se eu aderir a eles por meio do que escreveram, eu me conecto às suas sensações como uma pequena parte delas, e assim posso seguir em frente. Mas se eu não interagir com a fonte delas, como posso seguir em frente?

Afinal, em nosso mundo, também aprendemos com os outros. Se eu tentasse aprender sozinho, levaria de vinte a trinta mil anos para me tornar um ser humano. Imagine uma criança abandonada na floresta: no que ela se transforma? Nada mais do que um animal. Ela jamais poderá se tornar um homem.

Então você quer que eu e meus alunos fiquemos sozinhos na floresta? Precisamos aproveitar tudo o que as grandes gerações anteriores fizeram por nós, e elas prepararam tudo!

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. A Importância das Fontes”, 15/07/10

Palestras Sobre os Degraus da Escada, Parte 107


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 107

Como sabemos se agimos corretamente?

Se fizermos algo errado, simplesmente ficaremos presos. No entanto, se estudarmos, estivermos no ambiente certo e, de modo geral, no caminho certo, embora, sem dúvida, cometamos erros em cada detalhe, não nos desviaremos do curso do trabalho. Por quê? Isso ocorre porque estamos no ambiente certo, temos acesso aos livros certos e à orientação adequada, e tudo o que nos resta é reconhecer nossos erros em cada detalhe e suportar a decepção. É assim que nos lembramos do Criador e percebemos por que não progredimos. Lembramos que não somos nós que agimos, mas o Criador que faz tudo.

Então, os obstáculos e decepções nos trazem de volta ao Criador; eles nos dão uma deficiência que nos força a nos conectar com Ele. Onde podemos obter essa deficiência se, desde o início, o Faraó existe dentro de nós? Inicialmente, pensamos que construiremos tudo sozinhos e isso basta. Por exemplo, recebemos o desejo de avançar na espiritualidade, mas esse desejo ainda carece de direção. Cabe a nós moldá-lo para que seja direcionado à doação ao Criador ou ao recebimento Dele. O que mais importa é a conexão com o Criador.

Só conseguimos alcançar tal conexão por meio de fracassos. Ao entrarmos no trabalho com nossa própria força, no final alcançamos a consciência de que “não foi minha força e poder que nos levaram a isso”. Então, a partir da decepção e do desamparo, da percepção de que somos incapazes, começamos a ver que não há sentido no trabalho se ele incluir apenas a nós, o indivíduo. Começamos a compreender que nossa ação é meramente um esforço bestial como o de toda a humanidade, a menos que a revelação do Criador esteja presente nela.

Essa percepção nos reencontra com o Criador. Devemos nos voltar a Ele e pedir que Ele realize a ação por nós, pois vimos que nós mesmos não podemos fazê-la. Isso significa que, se não sentíssemos decepção e desespero em cada detalhe do nosso trabalho, não nos voltaríamos ao Criador. Por que nos voltamos a Ele? Por necessidade, para que o trabalho seja concluído.

Mas todos esses atos de “não para o nosso próprio bem” nos levam, em última análise, à compreensão de que o que realmente importa para nós é a conexão com o Criador, não as ações em si, nem os tijolos, nem qualquer outra coisa. O resto é apenas um meio, já que fomos construídos dessa forma, para finalmente nos retornar à intenção correta, à compreensão de que não precisamos de nenhuma dessas coisas. Tudo o que precisamos é estar conectados ao Criador para doar a Ele.

Esta é uma sequência de pensamentos, causas e efeitos, e demandas externas que gradualmente se tornam internas. É uma cadeia que se desenvolve dentro de nós e nos leva de um estado em que queremos colocar tijolo sobre tijolo, mas não conseguimos. Então, ficamos frustrados conosco mesmos e reconhecemos que nossa verdadeira preocupação é o Criador. Primeiro, ficamos com raiva do Criador por não nos deixar colocar tijolo sobre tijolo, mas depois começamos a perceber que colocar tijolos não é o objetivo. Em vez disso, precisamos nos conectar com o Criador. A ênfase, o centro de gravidade, gradualmente se desloca de nós mesmos para o Criador.

À medida que esse processo se desenrola, a importância da conexão com o Criador cresce, e a conexão não se refere mais ao tijolo, mas somente a Ele. Assim, não nos conectamos ao Criador para nosso próprio benefício, mas para doar a Ele. Há muitos detalhes a serem examinados, mas, ao nos envolvermos com cada detalhe do mundo corpóreo, finalmente examinamos todos os aspectos, de uma ponta a outra.

Assim está escrito: “Sete vezes cai o justo e se levanta”. Cada passo à frente envolve um momento de fracasso, arrependimento, reconhecimento do mal e correção. É assim que fomos feitos. Precisamos analisar cada detalhe.

Não determinamos esses estados. Não sabemos quando um novo desejo surgirá, como será examinado ou o que precisa ser feito para que isso aconteça. Quando nos imergimos completamente em um desejo, não podemos agir como um filósofo observando o panorama geral e “vagando” entre diferentes estados de consciência. O que importa é o movimento geral que mantemos, como está escrito: “Tudo o que a sua mão tiver para fazer com a sua força, faça-o”.

O esforço geral que investimos é o que produz essa sequência de eventos em desenvolvimento, a transição de um estado para outro, até que alcancemos a conclusão do nosso escrutínio e correção, e alcancemos a intenção de doar. Esse é o objetivo. Tudo o que vivenciamos até este momento nada mais foi do que um meio para alcançar o ponto de unidade com o Criador.

Ao completarmos esse reconhecimento, recebemos novamente a oportunidade de colocar “tijolo sobre tijolo”. Novamente, começamos a colocar tijolos sem a presença do Criador. Avançamos e agimos com nossa própria força, pensando que estamos realizando algo grandioso, que estamos envovlvidos em uma construção.

Isso pode acontecer em qualquer ação neste mundo, da mais bestial à mais espiritual, até mesmo na disseminação da sabedoria da Cabalá ou em uma palestra importante, onde pensamos que estamos prestes a fazer um grande esforço. Ficamos imersos na ação em si e esquecemos o resultado esperado da ação: o fortalecimento da nossa conexão com a Shechina.