Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Qualquer Um Pode Fazer Isso

Dr. Michael LaitmanPergunta: Um avarento pode alcançar a doação?

Resposta: Nenhuma pessoa é incapaz de mudar, desde que ela seja mentalmente sã. Todos nós somos “pecadores” e “transgressores”. É por isso que nós nos dirigimos à  sabedoria da Cabala: nós queremos que a Luz nos corrija, de modo que possamos merecê-la e nos tornemos semelhante a ela.

Não existe nada em uma pessoa que possa se tornar um obstáculo intransponível. A pessoa tem a oportunidade de corrigir-se, se evitar fugir e desprezar o trabalho espiritual.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/11/10, O Zohar, Introdução, “A Rosa”

Números Indicam Qualidade, Não Quantidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é “uma rosa com treze pétalas”?

Resposta: Na Cabalá, os números caracterizam um estado. Em geral, nós estudamos os estados do nosso desejo em relação ao Criador. Existem apenas dois jogadores neste jogo: o desejo de desfrutar e a Luz (o Criador). Os Cabalistas nos descrevem suas interrelações.

Existem diferentes maneiras de fazer isso. Uma das opções é a característica do número. Os números não designam um valor numérico, mas apontam para as características dos estados. Cada número traz uma essência interior específica e simboliza algo.

O número 13 indica adição, ou seja, as Sefirot HaGaT adicionais. Todos os outros números e seus valores numéricos (Gematria) são calculados de acordo com o mesmo princípio.

Em geral, não existem cores, distâncias, ruídos, ou formas na espiritualidade. O que quer que os Cabalistas nos descrevam, eles sempre apontam para o caráter da interação entre o desejo e a Luz. Tudo se resume a um único parâmetro: de que forma o desejo torna-se similar à Luz em todas as suas qualidades.

Cada desejo é composto por 10 Sefirot ou 613 partes. Assim, cada desejo pode ser considerado como certa totalidade ou volume; ele não é algo único, mas um conjunto de vários detalhes de percepção. Como resultado, nós atribuímos a ele um nome, o caracterizamos com certa luz, som e forma. Mas, no final, nós sempre comparamos o desejo com a Luz.

Da mesma forma, todos os objetos do nosso mundo, desde os sólidos até os gasosos, podem ser retratados sob a forma de ondas com certo comprimento, o que desenha imagens em nossa consciência.  

Da 1ª parte da Lição Diáriade Cabalá 29/11/10, O Zohar, Introdução, “A Rosa”

O Lugar Onde Eu Descubro O Criador

Dr. Laitman with StudentsPergunta: Se durante a aula a pessoa sente raiva e ódio em relação aos amigos, como ela pode construir a intenção voltada à união?

Resposta: Em primeiro lugar, a pessoa precisa se ver nela. Então, ela deve imaginar a imagem correta: Eu e o Criador estamos em pólos opostos, e, entre nós, há o grupo. Eu formo a minha atitude para com o grupo até perceber o Criador nele. Na verdade, este é o lugar onde eu revelo o Mundo Superior e o Criador.

Por um lado, a fim de unir-me com os amigos, eu posso submeter o grupo à crítica: nosso esforço não é unificado o suficiente. Mas, por outro lado, como eu posso ter certeza que não estou apenas reclamando ou deslizando a lama do meu egoísmo sobre os amigos?

Eu percebo isso nos comentários deles, de como eles elevam a importância da meta aos meus olhos. Então, tendo sido imbuído da importância da meta, eu me volto ao grupo a fim de encontrar a Luz Circundante (Ohr Makif) que nos corrige.

Graças ao impacto da Luz, eu sofro mudanças e novamente me volto aos amigos para revelar o Criador entre eles. Isso encerra o ciclo inicial da minha análise. Então, a próxima Reshimo (registro ou gene espiritual) desperta, e começa um novo ciclo.

Da 1ª parte da Lição Diáriade Cabalá 28/11/10, O Zohar, Introdução, “A Rosa”

Conserte Minha Alma!

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que nós podemos fazer para forçar a Luz Superior a nos elevar ao primeiro nível espiritual?

Resposta: Só existe uma resposta: continue tentando verificar: Você está realmente dirigindo-se à Luz Superior ou à sua fonte, o Criador? Você está juntando todos os elementos? Porque se você não estiver, então você está se desviando do caminho; você não está se dirigindo ao lugar certo e não está entrando no vaso quebrado (Kli) de sua alma, dizendo: “Por favor, conserte-a para mim aqui!”.

Suponha que você pegue um balde furado, vá a um ferreiro, e diga: “Olha, há um buraco aqui. Eu quero que você o conserte”. Então, de acordo com o seu pedido, ele vê o buraco e o fecha.

O mesmo acontece na espiritualidade. Você tem que levar seu vaso (desejo) com o local da quebra e dizer o que precisa ser feito, o que significa para você ser corrigido. Então a Luz certamente fará com que isso aconteça.

A Luz deve realizar isso; essa é a ação em si. O seu trabalho é preparar a intenção para esta ação. A Luz imediatamente cola, repara ou põe um remendo. Isso é feito pela Luz. Mas cabe a você fazer o resto.

Nos níveis espirituais superiores, você tem que levar o Kli sabendo exatamente a extensão da quebra e como ela pode ser corrigida. Nesse ponto, você toma o exemplo da correção do Superior; você concorda com ele total ou parcialmente. Você não analisa apenas a intenção, mas os tipos de correção.  

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/11/10, O Zohar

A Medida Da Pureza No Trabalho

Dr. Michael LaitmanPergunta: Que deficiência no trabalho espiritual permite que as “forças impuras” (intenções egoístas) se agarrem a ela?

Resposta: Isso acontece quando eu, no meu trabalho espiritual, permito que as intenções egoístas (forças impuras) surjam e existam em mim, por querer usar os dados, as forças e os discernimentos espirituais de forma egoísta. Isso me desvia da meta. Prevenir-se contra esses pensamentos é chamado de “a medida da pureza” no trabalho.

Eu posso errar nas minhas intenções; no entanto, um desejo consciente (intenção) “de doar a fim de receber” ou “de receber a fim de doar” é um ato impuro. Por outro lado, a pureza é definido pelo meu discernimento: se estou ou não roubando da espiritualidade em prol da materialidade.

É muito importante não tentar tirar nenhum benefício pessoal em tudo o que diz respeito ao trabalho espiritual. Nós nos apoiamos e somos responsáveis exatamente por isso.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/11/10, Beit Shaar HaKavanot

Os Quatro Exílios

Dr. Michael LaitmanOs quatro exílios descritos no Zohar são nossos “filósofos interiores”, que nos obrigam a trabalhar “dentro da razão”, no desejo de receber prazer, e seguir todos os seus comandos. Sair deles significa elevar-se acima da mente, acima do desejo, com a ajuda da Luz que Corrige.

Assim, se eu sinto que estou imerso em minha mente e sensações, e trabalho apenas dentro deles, será que eu estou ou não no exílio? Será que eu concordo com o meu estado? Talvez eu ainda ame a minha mente e sentimentos, tenha fé neles, estude, entenda e acumule mais conhecimento e sensações a cada dia?

Por um lado, isso é bom. No entanto, se a pessoa não percebe que tudo isso é um meio para alcançar a espiritualidade, isso é ruim, já que ela não faz nada por isso. Ela só obtém a falsa confiança de que um dia esta abordagem a levará à espiritualidade. Mas isso nunca acontecerá, pois a pessoa não estuda através da sua mente. Não importa o quanto você sabe, você não se aproximará nem um centímetro da espiritualidade.

Então o que devemos fazer? Devemos fazer uma análise. Isso se chama “e eles clamaram a partir deste trabalho”. A pessoa percebe que ao usar toda sua força durante os “sete anos de fartura”, ao alcançar dentro de sua mente e sentimentos, e compreender o que estava escrito em todos os artigos, ela não conseguiu nada. O texto impresso no papel ficou gravado em suas células cerebrais, mas isso é tudo que ela tem agora …

Então, ela faz outra análise: “Eu só preciso da Luz que Corrige! Tudo o que eu tenho dentro de mim e eu mesmo, tudo isso não tem nada a ver com espiritualidade”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/11/10, O Zohar, Introdução, “Dentre Todos os Dábios das Nações do Mundo, Não Há Ninguém como Você”

O Livre Arbítrio Está Acima Do Desejo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que nós recebemos a ilusão da liberdade neste mundo?

Resposta: Nós nos consideramos livres sempre que deixamos de pensar muito sobre isso e nos identificamos com nosso corpo animal. Mas, se nos elevarmos um pouco acima do nosso corpo, veremos que ele obedece rigidamente às leis e processos ao quais está sujeito.

Eu acho que depende de mim quando irei dormir e quando irei ao trabalho. Mas de quem realmente depende isso? Eu sou colocado em determinadas condições e recebo certas qualidades internas. Enquanto isso, o nosso desejo de receber prazer atua como um motor que funciona de acordo com um princípio simples: o prazer máximo com o mínimo de esforço, ou seja, o ganho máximo com o mínimo de investimento.

Este é o cálculo que fazemos em cada momento de nossas vidas, em todos os aspectos, em qualquer direção, lugar e em relação a tudo que existe. É assim como funciona a nossa natureza, levando em consideração as diferentes condições: o quão cansado e saudável estou, quão grande é o perigo e o possível prazer, e assim por diante. De forma compreensível, enquanto permanecemos dentro do nosso ego, não há livre arbítrio.

Nós temos que perceber que o livre arbítrio só é possível se eu controlo meu desejo e estou acima dele. Por enquanto, eu permaneço na minha natureza egoísta, eu serei sempre um fantoche obediente, totalmente controlado pelo meu egoísmo.

Se, no entanto, eu quero ter o controle em minhas mãos, eu tenho que controlar o meu desejo, tendo subido acima dele. Em outras palavras, o livre arbítrio é possível, mas somente acima do desejo. E a única pergunta é: como faço para elevar-me acima da minha natureza, com quais meios?

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabala 26/11/10, “A Liberdade”

A Linha Reta Criada De Múltiplos Pontos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se eu já escolhi o caminho e elevei-me acima do meu egoísmo, eu sou livre para o bem ou devo novamente manter a escolha?

Resposta: Para alcançar o propósito da criação, nós devemos alcançar o estado de “Israel (aqueles que aspiram ao Criador), a Torá (a Luz da correção), e o Criador são um” e experimentá-lo em todas as nossas qualidades e desejos.

Portanto, em cada momento de nossa evolução nós devemos nos dirigir à união com o Criador, a qual constitui o nosso livre arbítrio. De todos estes pontos de adesão, nós construimos uma linha e chegamos ao destino final.

Em outras palavras, não basta escolher uma vez, de modo que depois você possa fazer o que quiser. Você escolhe com base nas condições que são reveladas a você no momento. Mas da próxima vez, você será completamente diferente, uma nova criação, um novo mundo dentro e fora.

Isso porque você continua descobrindo um novo e mais forte desejo por prazer, que tem qualidades diferentes. E você ainda deve perceber novamente em que condições você é colocado, deve encontrar o ponto de livre arbítrio, decidir o que está escolhendo, e seguir em frente com essa nova escolha.

Por outro lado, em cada ponto da jornada, você precisa realizar o trabalho de esclarecimento, a fim de “distanciar-se do mal e escolher o bem” e perceber esse ponto de adesão plena.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabala 26/11/10, “A Liberdade”

A Caverna De Machpelah: O Lugar Da Vida Espiritual

Dr. Michael LaitmanQuando nós nos desenvolvemos na linha média, devemos conectar a qualidade de doação (Bina, a linha direita) com a qualidade de recepção (Malchut, a linha de esquerda), corretamente. Sua união forma um Kli (vaso) chamado de “caverna”, e esta caverna é dupla (Machpelah). Na “terra” (Malchut) há espaço adequado para se viver, enquanto que a vida é Bina.

Mas antes que Bina possa entrar em Malchut, deve haver uma ação inversa: Malchut deve entrar em Bina, pois esta sabe como acomodar Malchut, para que Malchut saiba como exigir a participação de Bina.  Como resultado, forma-se a penetração recíproca de Malchut e Bina ou a “caverna dupla”, e ela é a base da correção geral do ser criado.

Uma vez que este é o lugar da correção, os antepassados, os desejos corrigidos pela intenção de doar, residem nele. Eles alcançaram a conexão correta de Bina e Malchut: recebem em Malchut e doam à Bina, isto é, trabalham com recepção e doação.

Mas o que fica enterrado? Nós enterramos a intenção de receber, que envolve o desejo como uma casca (Klipa), transformando-o em uma inclinação ao mal. Portanto, o enterro é considerado como o ato de correção.

Nós não tocamos desejos: quanto maior eles forem, melhor. Mas a cada grau, ou em cada geração, nós enterramos a “intenção de receber para a auto-gratificação” e nos tornamos corrigidos ao estabelecer o equilíbrio entre a recepção e doação.

Da Lição sobre a Porção Semanal da Torá 29/10/10

Trabalhar Em Nome Da Alegria

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós conversamos sobre sentir-se alegre com a realização, mas que tal sentir-se alegre ao se esforçar em alcançá-la?

Resposta: Eu sinto ódio e ressentimento em relação a uma pessoa, e tenho que construir uma atitude de amor por cima disso, de modo a satisfazê-la, satisfazendo assim a mim mesmo. Para conseguir isso, eu faço certo esforço, pois preciso trabalhar acima do meu egoísmo. Se eu canalizar a Luz através de mim, a fim de preencher os outros, eu transformo o meu egoísmo em “ajuda contra ele”, e, ao invés de receber, esse egoísmo trabalhará na doação. Para mim, isso é um desafio, e eu preciso me convencer de que isso faz sentido.

Por um lado, graças ao fato de que eu canalizo a Luz Superior a alguém, o meu egoísmo fica satisfeito. Por outro lado, eu estou unindo o desejo que estou satisfazendo a mim mesmo, e isso se torna parte de mim, o que também me satisfaz. Eu recebo a Luz do Criador e a Luz retorna a mim na forma de realimentação espiritual, ao satisfazer o outro.

Se eu ligo o desejo do outro a mim, isso se chama “amar o outro como a si mesmo”. Isto é descrito como “os justos são recompensados duas vezes”. Fora o fato de que o desejo de receber deles fica satisfeito, eles recebem prazer ao satisfazer o desejo de outro.

De Cabalá para Principiantes, “Felicidade”, 28/10/10