Textos na Categoria 'Percepção'

Liberdade: Alcançar a Eternidade

Laitman_058O Baal HaSulam inicia o artigo “A Liberdade” com as palavras “‘Harut (Entalhado) nas pedras; não pronuncie Harut (Entalhado), mas sim Herut (Liberdade), para mostrar que eles são libertados do anjo da morte “. O que será que a pessoa precisa neste mundo, enquanto ainda for incapaz de sentir o mundo espiritual Superior e apenas se preocupar com sua vida, como qualquer outro animal? Neste momento, a principal preocupação da pessoa é a questão da vida e da morte. Há uma razão para estar escrito que liberdade significa a libertação do anjo da morte. A ciência Cabalística é o método de conquista da eternidade, e ela é de fundamental importância para todos.

Subconscientemente, a humanidade esconde a questão da morte de si mesma; esse problema não tem solução, mas reduz a todos nós a um nível de seres inúteis. Tudo o que fazemos neste mundo (cultura, educação, trabalho) é feito para ocultar a certeza da morte. Nós tentamos empurrá-la ainda mais longe e não pensarmos nisso, como se não existe. No entanto, se esta questão surge dentro de uma pessoa, ela se sente totalmente impotente, já que nada pode ser feito para impedir uma pessoa de morrer. Nós podemos lidar com qualquer coisa e conseguir qualquer coisa, exceto uma coisa – a vida eterna.

A inevitabilidade da morte anula o ser humano em mim. Portanto, tudo que a humanidade se ocupa, subconscientemente vem desse único pensamento. Nós não entendemos em que medida veríamos a vida de forma diferente se fôssemos imortais. Toda a nossa atitude em relação à nossa existência, à realidade, às outras pessoas, e a nós seria completamente diferente.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 15/04/10, Artigo “A Liberdade”

Brincadeira Prática

Laitman_195Fui emboscado em minha pele que me corta do Criador que está situado “do lado de fora”. Eu sou um escravo e não posso fugir. A cada instante, uma força me influencia e automaticamente me devolve ao meu eu, ao centro egoísta.

Como forçar a mim mesmo a ter atenção ao que está acontecendo do lado de fora para entender que também está acontecendo em mim? Minha verdadeira realidade está “fora”; lá, eu estou junto com o Criador; lá, eu estou fora do meu animal; lá minha alma está fora do “eu” egoísta, que atualmente eu imagino como eu mesmo.

Essas são as duas forças que atuam na natureza. Eu preciso organizá-las de tal modo que a segunda força (centrífuga) me influenciará da mesma maneira natural, instintivamente e inevitavelmente, assim como a primeira força (centrípeta). Deixo que ela ocupe minha mente e coração e remova à força. Deixo que me force a pensar sobre os outros e a me preocupar com eles. Eu preciso disso desde que esse é o único jeito para encontrar minha alma.

Nesse aspecto, a força de um grupo Cabalístico me ajuda; somente o grupo pode me convencer a sair do meu círculo e voltar minha atenção para o que está “fora dele”. Quando eu mudo minha atitude de “intra” para “extra”, eu paro de me preocupar com meu corpo e começo a me preocupar com minha alma.

Eu compreendo que a realidade externa, que me parece estranha e a qual sou completamente indiferente, contém o meu eu real. Esse círculo externo é na verdade muito mais valioso para mim do que o interno uma vez que ele contém minha alma que é eterna. Enquanto isso, o círculo interno é meramente animal, e dura uns 70 anos.

Porém, o encobrimento não me permite ver tudo isso. Quando eu começo a perceber isso, eu fico impressionado com o tamanho do jogo que o Criador joga comigo.

O Mundo Espiritual Está Acima da Razão

Laitman_184Shamati, Artigo 86: Existe uma grande regra que precisamos saber. Nosso trabalho, que nos foi dado para ser a base da fé por cima da razão, não é porque somos indignos de um nível mais alto. Então, isso nos foi dado para que o tomemos todo em um vaso de fé. 

Vivemos em um mundo que percebemos através de nossos sentidos e avaliamos no nosso cérebro. (“coração e cérebro”). Esse tipo de percepção é chamado “razão”. “Razão” significa que reconhecemos e sentimos algo que “entra” em nossos sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato) e que constitui “nosso mundo”. Nós percebemos o todo através de nossos cinco sentidos.

Qualquer coisa que sentimos é chamada “dentro da nossa razão” e corresponde às nossas sensações e observações. O mundo espiritual é algo “acima da razão” uma vez que somos incapazes de senti-lo e assim não podemos percebê-lo (nem no coração nem no cérebro nem em nossos órgãos de percepção). Para começar a perceber a espiritualidade, temo que obter novas propriedades (desejos) que correspondam ao seu nível: um “coração espiritual” e um “cérebro espiritual”.

De acordo com o tipo de percepção, a realidade está dividida em duas partes: o setor interno (eu) e o setor externo (o mundo fora de mim). Dirigidos pelo desejo de receber prazer, nós percebemos as influências interiores e exteriores seletivamente. Essa percepção seletiva constrói um quadro que é chamado “meu mundo”. 

A divisão da realidade em duas partes se origina na separação da alma em duas partes: Keter, Hochma (GE) e Bina, Zeir Anpin, Malchut (AHP). Antes que a separação acontecesse, todas elas constituíam os cinco desejos da alma, cinco Sefirot. Como resultado da separação, nossa percepção do mundo foi dividida em duas partes: GE (Galgalta Eynaim – crânio, olhos) formaram nossos desejos internos através dos quais nós sentimos nosso mundo e a nós mesmos, enquanto que sentimos AHP (Awsen, Hotem, Peh – ouvidos, nariz, boca) como algo “fora de nós”.

As coisas estão arranjadas dessa forma de propósito. É para nos dar a chance de trabalhar em GE “com a razão”. Porém, se escolhemos trabalhar com AHP, tratando-os como nossos próprios desejos, nós alcançamos o estado chamado “acima da razão”. Nossa “razão” é alto que existe dentro de nós, enquanto que “acima da razão” significa algo fora de nós.

Se quisermos alcançar a espiritualidade, temos de nos conectar com os desejos AHP dentro de nós; quando o fazemos, isso é chamado “trabalho acima da razão”. Na realidade, esses termos são simplesmente palavras que usamos para descrever nossa atitude frente a nossos desejos, internos e externos.

Mudando O Nosso Programa Operacional

Nós precisamos entender que alguém de Cima está brincando conosco. Agora eu percebo a mim como algo que é mais precioso. No entanto, eu estou simplesmente programado para perceber desta forma. Não há nada de especial ou original sobre mim. Eu só fui criado para cuidar mais de mim. Um programa foi inserido no meu aparelho interno que me faz fixar em mim; assim, a todo o momento, como um robô, eu me preocupo somente comigo.

No entanto, este programa é realmente mais estranho para mim do que algo que eu percebo fora de mim. É importante discernir que este programa interno está operando em mim, e entender que ele é completamente oposto à verdade. Nós devemos tentar mudar para o programa externo. Nós temos que construir o programa externo a nós mesmos. Construí-lo significa que nós voltamos ao ato da criação.

Em vez do Criador, nós começamos a agir. Nós usamos o Seu poder da Luz para nos programarmos em relação aos nossos desejos externos (Kelim), da mesma forma que o Criador nos programou em relação aos nossos desejos atuais. Nós fazemos o mesmo trabalho. Ao fazê-lo, nós estudamos o que o Criador fez; nós obtemos o poder sobre a realidade e nos tornarmos tão sábios quanto o Criador. Nós adquirimos a mesma percepção.

Embora este trabalho seja chamado de “acima da razão”, isso não significa que nós o executamos sem qualquer raciocínio. Pelo contrário, eu sempre verifico o que o Criador fez em mim, e agora eu tenho que transferir isso para fora de mim. No entanto, eu tenho que aprender sobre o meu ego gradualmente, porque, no interior, eu trabalho “acima da razão”. O Criador me programou para cuidar constantemente de mim, mas através deste trabalho, eu verifico e percebo que isso é tão artificial e injustificado. Eu percebo que além de ser inútil, isso me machuca. Assim, eu uso isso para aprender a mudar o programa na direção oposta – de dentro para fora.

Revelando A Realidade Que O Zohar Descreve


No Zohar, o capítulo “VaYaera (E o Senhor Apareceu),” Item 126: … No começo, o Rabino Aha pensava que havia  Dever(praga) na cidade, no qual uma oração é necessária para trazer o Nukva de volta para a qualidade de Rachamim. É por isso que ele pediu a eles que rezassem. Mas quando ele soube que houve várias mortes, quando lhe foi dito que esse e aquele morreram e que alguém estava prestes a morrer, ele viu que era uma praga, e que uma oração não seria suficiente contra uma praga. Isto é porque isso não exige a suavização da qualidade de Rachamim. Pelo contrário, o incenso é necessário, para revelar a linha média nele e incorporar as linhas em um e outro.

As sensações internas de uma pessoa que reconhece suas numerosas propriedades, e reconhece o quão longe ela está do estado de correção são chamadas de “infecção”, “epidemia”, “ocorrências de várias mortes ” ou ” condições perto da morte.”

A “praga” (Dever) é contrabalançada por um “sábio” que vive dentro de cada um de nós, esta qualidade única é chamada de “Rabi Aha”. Os autores do Zohar são, de fato, a fonte de qualidades superiores, os quais estão presentes em cada alma – você também as têm! [Leia mais →]

Esteja Preparado Para Mudar Percepções


Quem é Ele, o Criador? O Criador é a minha sensação interna do meu próximo estado exaltado na medida em que sou capaz de imaginar. Toda vez que eu mudar, eu imagino o Criador na nova maneira. É por isso que Ele é chamado de Bo-reh (venha e veja).

Temos que entender que não há nada absoluto e imutável aqui. Tudo depende da compreensão de uma pessoa, percepção e realização. Na realidade não existe uma verdade eterna e imutável. Precisamos estar prontos para estas mudanças de percepções. Algo que era negro se tornará branco e vice-versa. A atitude inteira, avaliação e visão das coisas vão mudar.

Nos parece que este é um sistema um tanto precário, que não têm uma base firme. Por outro lado, ele nos dá um fundamento novo, completamente original, que é chamado de fé acima da razão. Em outras palavras, em relação aos desejos egoístas, é impossível receber qualquer conhecimento concreto que pode ser escrito na pedra e que nunca fosse mudar…

Essa verdade hesitante realmente leva uma pessoa a procurar por verdades (Terra firme). E a busca nos leva a descobrir que a única verdade inabalável é revelada no mundo espiritual. A terra firme é encontrada para ser fé, na força de doação, ao invés da força de receber. Revela-se em fatos que estão acima da minha mente e sensação – ao nível de doação, Bina.

De repente, torna-se claro que lá não existem coisas que negam a outra, coisas que não estão em oposição uma a outra. Em vez disso, é revelado que, ligando e complementando uma a outra, todas se tornam partes da totalidade única e perfeita. Vê-se que o faraó, o Criador, a própria pessoa, e a serpente fazem parte de um todo singular. Esta perfeição torna-se revelada numa pessoa como uma base rígida e imutável para todos os seus atos.

Expandindo A Nossa Percepção : Opostos Podem Ser Verdadeiros


Isaac é a força que se desenvolve em oposição à Abraão e serve como “ajuda contra ele”. Nós começamos a descobrir que a espiritualidade não é uma força única como se pensava. Nós somos incapazes de entender como duas opiniões opostas podem coexistir e ambas serem verdadeiras. Além disso, não entendemos que é exatamente nessa colisão e disputa se revela a verdade. Nós achamos que tudo deve ser definido de forma clara e direta.

Entretanto, nós começamos a perceber que as coisas não são tão claras como havíamos percebido. Quando nós começamos a trabalhar com a nossa qualidade de “Isaac” e a corrigimos,  começamos a perceber que as coisas não são tão diretas como tínhamos percebido antes, através do nosso egoísmo. Em outras palavras, tudo o que vimos através do nosso egoísmo foi o desejo de desfrutar e o prazer oposto ao desejo, mas agora vemos que há uma linha esquerda e uma linha direita. Além disso, ambas podem ser verdadeiras e corretas, que nos ajudam a avançar. Por outro lado, ambas podem se contradizer; no entanto, as duas têm lugar na criação, porque estão ligadas ao Criador.

Com efeito, ambas as qualidades de “Isaac” e “Abraão” estão incluídas dentro de nós: a qualidade de recepção da pessoa, por meio da qual ela continua a ser uma criatura existindo separadamente do Criador; e acima dela uma qualidade de doação, que se adquire do Criador. Conseqüentemente, sempre haverá um conflito interno entre estas duas forças dentro da pessoa. Assim, somente elevando Isaac e Abraão conseguimos compreender a nossa verdadeira posição em relação ao Criador. É por isso que a palavra “filho” (Ben) significa “compreensão” (Leavin), que é Bina, um novo grau.

Construindo Um Instrumento Para Sintonizar com a Luz


Antes da criação atingir um estado de realização, há um processo de pré-requisito para a obtenção de um desejo de estar satisfeito. Todos os dias, exemplos desta preparação para a antecipação deste cumprimento são rituais de acasalamento animal ou de “guardar o nosso apetite” para uma refeição especial. A fase preparatória que cria o desejo de ficar satisfeito que é sempre mais importante que a realização em si, pois define a medida e tipo de prazer que experimentamos eventualmente.

Na espiritualidade, tudo depende da vontade desde que a Luz (Prazer) é ilimitada para sempre e absolutamente tranqüila. Ela preenche completamente o espaço em torno de nós em cada momento. O que nos falta é o desejo de recebê-la e as ferramentas para percebê-la. [Leia mais →]

A Oportunidade De Alcançar A União

A quebra da alma comum foi algo verdadeiramente grandioso. Através da quebra, o Criador deu-nos a oportunidade de existir e nos exprimirmos a nós mesmos. Afinal, se as partes da alma comum não estivessem distanciadas umas das outras, nós não seriamos capazes de construir a imagem do Criador e nos percepcionar a nós mesmos em relação aos outros. Nós simplesmente nos dissolveríamos dentro da Luz, pois é impossível distinguir alguma coisa dentro de um objecto unificado.

A criação não pode existir dentro de um todo; nós podemos apenas existir quando há em nós algo mais. A nossa percepção resulta da distância entre nós. Nós não podemos alcançar nada em luz absoluta ou em completa escuridão.

Por esta razão, a quebra deu-nos a oportunidade de alcançar e experimentar a existência. Caso contrário, se nos encontrássemos a nós mesmos em absoluta e total escuridão, não sentiríamos nada e não seriamos capazes de sentir que existimos. Isto porque todos os nossos sentidos são baseados na percepção entre dois opostos, tais como som versus silêncio, ou odor versus sem odor. Se houvesse “silêncio” em todos os nossos sentidos, não nos conseguiríamos percepcionar a nós mesmos.

Então, a quebra aconteceu precisamente para dar à criação a oportunidade de existir e perceber a si mesma. Este é, realmente, um privilégio divino. Nós enchemos o espaço em que a quebra ocorreu. Nós enchemos o espaço vazio entre as partes que aparentemente parecem estar distanciadas umas das outras com a Luz. Na realidade, contudo, foi o Criador que desapareceu do todo único, de forma a nos dar a oportunidade de alcançar a mesma união de forma independente.

Adquirindo a Verdadeira Percepção do Mundo

O Zohar, Capitulo “Pekudei (Contas),” Item 15: Quando o Criador disse a Moisés, “Faça o Tabernáculo”, Moisés ficou desnorteado; ele não sabia o que fazer até o Criador incisivamente lhe mostrar, como está escrito, “Veja e faça-os conforme seu padrão, que te está a ser mostrado a ti na montanha”. “No seu padrão” significa que o Criador mostrou a Moisés tudo na sua forma superior e espiritual, e cada uma das formas espirituais acima estava a fazer a sua forma similar à forma fictícia que foi feita abaixo, na terra. Foi assim que Moisés soube.

É nisto que consiste o nosso trabalho, pois o mundo espiritual não tem uma forma e nós não sabemos o que é a Luz Superior por si mesma. Esta noção não existe separadamente da criação. Nós podemos alcançar e defini-la apenas em relação a nós mesmos e através das nossas sensações. Contudo, as nossas sensações são imaginárias, porque sentimos sempre reacções a uma influência exterior. Nós nunca descobrimos o que está verdadeiramente a acontecer fora de nós, pois nós não nos conseguimos extrair a nós mesmos dos nossos sentidos perceptivos.

Acontece que a pessoa só pode percepcionar adequadamente conforme a similaridade das suas propriedades com as propriedades espirituais. Quando as propriedades do homem e do Criador coincidem, o homem revela o Criador conforme essa similaridade. Inicialmente, nós podemos apenas percepcionar a forma imaginária deste mundo. O nosso trabalho consiste de nos elevarmos acima dela e pedirmos que a forma Superior espiritual se revista nela. Assim que tenhamos estas duas formas, em que uma esteja confinada dentro da outra, nós iremos adquirir a percepção adequada do mundo.