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As Realidades Verdadeira e Imaginária


Antes do seu pecado, Adam HaRishon alcançava o mundo numa única forma, sem o seu reflexo imaginário neste mundo. Toda a sua realização estava dentro de Bina. Ele já havia nascido circuncidado, isto é, desconectado (isolado, cortado) de Malchut. É por isso que ele só percebia a verdadeira forma de doação que estava em Bina. No entanto, todas as outras formas de realização do Criador ocorriam dentro da conexão entre Malchut e Bina.

O reflexo de Bina em Malchut é chamado de imagem imaginária, enquanto que a própria Bina é a forma verdadeira e autêntica. Malchut é chamada de espelho de Bina. Bina e Malchut, as realidades verdadeira e imaginária, estão conectadas entre si até o final da Correção. Nós nem podemos dizer que a verdade é realmente verdade, porque nós sempre atingimos a Malchut limitada dentro de Bina; ou a percepção de Bina e Malchut é baseada num reflexo de Bina que nós recebemos dentro de Malchut. No entanto, a realidade imaginária não é uma miragem, mas sim um reflexo que tem uma existência verdadeira.

Criando o Criador a Partir da Quebra

A quebra cria uma realidade imaginária, espaço, e distâncias. Partes de Malchut afastaram-se uma da outra durante a quebra da alma comum. É precisamente neste espaço entre as suas partes que eu diferencio a mim mesmo e os outros, os que estão perto de mim e os que estão longe. Dentro desta esfera, eu imagino uma distância entre estas partes separadas, que não estão conectadas como um todo.

Então, é como resultado da quebra que eu começo a sentir esta realidade. Se tal realidade não existisse, eu não seria capaz de trabalhar para me aproximar e me conectar aos outros. Eu não teria uma oportunidade de alcançar algo. Afinal, toda a minha realização vem da inspiração de aprender, “O que é isto?”. Então eu aproximo-me do objecto que me interessa, muito mais como uma pequena criança que trás tudo à sua boca, o seu sentido mais desenvolvido, de forma a provar isso.

Dado que a quebra existe, eu começo primeiro a ansiar egoisticamente para unir as partes individuais de mim mesmo; então, eu desejo unir-me com elas na doação. Se eu desejo unir-me com elas egoisticamente, eu desejo alcançar apenas as minhas sensações internas. Contudo, se eu desejo unir-me com os outros em doação a eles, desta forma eu alcanço a Luz que desapareceu durante a quebra. Eu desejo preencher o vazio entre nós com esta Luz.

Eu construo uma imagem do Criador dentro dos desejos (Kelim), que estão distantes um do outro. Eu preencho este espaço vazio entre eles com a minha Luz Reflectida. Isto significa que eu construo uma imagem do Criador. Desta forma, o Criador (Bore) é chamado “Vem e Vê” (Bo-Re), dado que EU crio-O.

A Realidade Filtrada Pelo Egoísmo


O nosso desejo egoísta filtra a realidade para satisfazer o seu propósito. Com efeito, vemos o mundo através de um filtro. Por outras palavras, nós não vemos o mundo, a natureza, a sociedade, e as pessoas objetivamente, da maneira como eles realmente são; pelo contrário, nós vemos o que é rentável para o nosso ego, o que é benéfico ou prejudicial a ele. Assim, de uma realidade infinita, sentimos apenas a sua parte minúscula chamada “este mundo”, porque o nosso ego não pode perceber nada mais que isso.

Uma Questão de Vida e Morte


A ciência da Cabalá diz-me que a realidade não existe fora de mim. Toda a realidade existe dentro da pessoa que a observa e sente. Fora de mim não há nada. O problema é que nos acostumamos a esta percepção da realidade.

Eu nasci percebendo a realidade através dos cinco sentidos do meu corpo. Isto é muito limitado, e é difícil identificar-se com o mundo de forma diferente. Quando eu começo a perceber que a minha realidade depende das qualidades dentro de mim, isso me força a examiná-las e a determinar o que elas devem ser. Eu percebo que devo corrigí-las de forma a criar uma realidade verdadeira, imutável e eterna dentro de mim mesmo. Esta é a verdadeira realidade, mas eu devo viver em estados diferentes, niveis diferentes da falsa realidade, antes que possa alcançá-la.

Os Cabalistas nos dizem como alcançar a verdadeira percepção da realidade. Eles me dizem que sou eu quem determina a minha própria vida. Se eu começar a olhar para a vida de acordo com a percepção de que “tudo existe dentro de mim”, então eu posso colocar o mundo exterior inteiro dentro de mim. Então, eu nunca morrerei, pois o mundo inteiro permanecerá dentro de mim e eu continuarei existindo dentro dele.

Portanto, a percepção da realidade, que inicialmente nos parece uma filosofia abstracta, algo virtual e surreal, torna-se a nossa questão de “vida ou morte”. Se eu sou capaz de mudar as minhas qualidades, a minha percepção, tudo o que eu atualmente vejo e sinto como existindo fora de mim, então eu começo a perceber e a sentir o mundo como meu fenômeno interno, a minha existência eterna, imutável e perfeita, e nada terá mudado, desaparecido, ou perecido. Ao mudar a minha percepção da realidade de externa para interna, ao colocá-la dentro de mim, eu ascendo 125 níveis da percepção da realidade, e alcanço um estado de completa conexão com a eternidade, pois percebo-a totalmente dentro de mim.

As Cinco Limitações das Nossas Sensações Internas

Na Mídia (da Universidade da Columbia Britânica): “A Aferência Tátil Afeta Aquilo que Escutamos: estudo UBC. Os seres humanos usam todo o seu corpo, e não somente seus ouvidos, para entenderem a fala, de acordo com o departamento de pesquisa lingüística da Universidade da Columbia Britânica. Já se sabe que os seres humanos naturalmente processam expressões faciais junto com o que está sendo escutado, para entenderem tudo que está sendo comunicado. O estudo UBC é o primeiro a demonstrar que nós também processamos informações táteis para percebermos os sons da fala.

Na Mídia (da Scientific American): “Provando a Luz: Dispositivo Permite que Cegos ‘Vejam’ com Suas Línguas”. Um par de óculos de sol interligado a um pirulito “elétrico” ajuda os deficientes visuais a recuperar as sensações visuais óticas através de uma via diferente. Agora, um novo dispositivo se aproveita disso e visa restaurar parcialmente a experiência da visão para os cegos e deficientes visuais, contando com nos nervos sobre a superfície da língua para enviar sinais luminosos ao cérebro.

Meu Comentário: Isso tudo confirma o que a Cabalá ensina sobre a percepção da realidade – que o mundo inteiro existe dentro de nós; nossos sentidos não são mais do que a mostra dos cinco limites das nossas sensações internas.

Todos Somos Interconectados


Nós não percebemos o quanto estamos interligados, mas estamos conectados com os outros como um corpo através de milhares de ligações: através de desejos, intenções, pensamentos, esforços, e tudo mais. O fator de definição de um sistema, todo integral é o fato de se alterar qualquer dos seus elementos, as mudanças de todo o sistema completamente. Caso contrário, o sistema não seria um todo único.

Da mesma forma, ser global significa estar ligado em todos os lados, em todas as propriedades, e em todos os sentidos. Essa conexão significa que cada pessoa inclui todos dentro dela. Eu sou eu e os outros estão em mim, e ele é ele e os outros estão nele, e o mesmo é verdade para todos os outros.

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