Textos na Categoria 'Percepção'

Equilíbrio No Nível Dos Pensamentos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você definiu a ordem do mundo moderno da seguinte forma: “A falta de participação mútua nos levou à perda de um ponto de referência”. Será este o resultado final?

Resposta: Esta é simplesmente a consequência da nossa incapacidade de utilizar as duas forças: doação e recepção (que é referida como falta de participação mútua). Isto leva à perda de um ponto de referência, e nós não entendemos onde estamos. A falta de participação mútua significa que a força de recepção e a força de doação dentro de mim não estão equilibradas, e é por isso que não sou capaz de me comprometer com ninguém.

Eu não entendo onde estou por causa da minha falta de equilíbrio interior. Isso ocorre porque eu vejo através dos meus canais de percepção, e quando eles são tortos e desequilibrados, eu vejo um mundo torto e não entendo o que está acontecendo com ele.

Isso é óbvio em funcionários do governo, economistas e banqueiros, que não são capazes de encontrar o caminho para o nosso mundo. Eles não vão encontrá-lo! Eles farão o que puderem para esticar as coisas e adiar o fim, tanto quanto possível. Desta forma, eles vão continuar caindo em estados ainda piores até que milhões de pessoas saírem para as ruas e começarem os problemas no nível de uma guerra mundial, epidemias e cataclismos naturais.

Isto é sobre o mundo das forças, e nós possuímos a maior força em toda a natureza. À medida que equilibrarmos as forças dentro de nós no nível humano, o nível mais alto de todo o sistema, nós equilibramos o universo inteiro, em todos os outros níveis da natureza: animado, vegetal e inanimado.

Isto é porque nós estamos no mais alto grau de poder e compreensão. Nós temos a capacidade de estabelecer o equilíbrio entre as forças mais delicadas que existem na natureza: o poder do pensamento. Todas as outras forças são inferiores ao poder do pensamento. Essas são forças muito corporais ativados pelo poder do pensamento.

Este poder não é o poder dos nossos pensamentos, mas do pensamento contido na natureza, o programa comum, o motor que funciona e gira tudo.

Portanto, nós estamos num ponto especial do nosso desenvolvimento. Até agora, a natureza nos dominou totalmente, e nos trouxe ao ponto mais baixo do nosso desenvolvimento. Agora, nós temos que subir por conta própria e adquirir a força contida na natureza: a força do equilíbrio entre o bem e o mal, entre o egoísmo e o desejo de doar, entre a força de recepção e a força de doação.

Se conseguirmos adquirir este instrumento que vai nos ajudar a combinar estas duas forças, vamos ganhar o poder sobre toda a natureza diante de nós. Afinal, nós e a natureza estamos no mesmo sistema, e estamos nos tornando um elemento ativo na mesma, um elemento vivo, em movimento e em desenvolvimento, que dá força vital a todo este sistema.

Nós podemos chamar esta força de Luz que anima todo este sistema. Então, segue-se que você revive todo este sistema.

Da “Discussão sobre a Educação Integral” # 12, 16/12/11

Inclusão Na Mente Global

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa a capacidade de “sentir o mundo através de todos”?

Resposta: Se eu estou incluído nos outros, se eu sinto o que eles sentem e penso o que eles pensam, então, obviamente, eu possuo capacidades muitas vezes maiores do que uma pessoa comum. Eu sou muito mais amplo, sou capaz de incluir muito mais coisas dentro de mim. Afinal, a nossa percepção de qualquer fenômeno depende do número de parâmetros que somos capazes de apreender, da resolução da nossa visão.

O número de parâmetros depende da quantidade de coisas opostas que estão incluídas em mim. Devido ao contraste entre elas, eu distingo as partes individuais e posso construir a partir delas, como blocos de construção, muitas opções. Ao mesmo tempo, compreendo que estas construções são compostas de como elas diferem umas das outras.

E se os sentimentos e a razão que recebo dos outros são absorvidos por mim, eu me torno dono de qualidades diferentes e opostas. Então, eu percebo o mundo de uma forma mais multifacetada e, em relação à percepção planar anterior, esta parece ser uma entrada numa nova dimensão.

Psicologicamente, esta é uma percepção completamente nova, um mundo novo. Através dela eu supero as limitações do corpo, associado com as categorias de tempo, movimento e espaço, já que estou incluído na humanidade. Eu adquiro seus sentimentos compartilhados, suas atuações mentais – os dados que vem da natureza.

Eu recebo a oportunidade de alcançar o sentimento e a mente inerente à natureza, que existem dentro dela como minha raiz. Todo o desenvolvimento no mundo vem disto. Neste desenvolvimento, eu vejo que volto para esse lugar, para esta raiz do sentimento e da mente dentro da natureza, de onde toda a cadeia da criação evoluiu: o inanimado, vegetal, animal e eu – o ser humano que alcança a raiz e, assim, completa o círculo de desenvolvimento.

Eu quero enfatizar que não é por acaso que a natureza está nos empurrando para um estado de garantia mútua, de modo que literalmente perderemos nossas qualidades individuais. Na verdade, nós não as perdemos, mas apenas nos elevamos acima delas porque elas são corporais, pertencentes ao nível animal.

Cada aspecto indivídual dentro de mim diz respeito a cuidar do corpo para que ele sobreviva da melhor maneira possível ao tempo que lhe é disponível. Mas o desenvolvimento consiste em nos elevarmos acima da preocupação com o corpo, a uma preocupação comum. Essa preocupação comum nos propicia qualidades completamente diferentes, não as corporais. Graças a elas, eu revelo o programa e o propósito da criação, a intenção da natureza na qual um único elemento não se desenvolve por acaso – tudo avança de acordo com um programa. E eu posso alcançar e compreender este programa.

Assim que eu me dirijo para uma visão integral, conectando-me com outras pessoas, eu imediatamente começo a entender esta visão integral, troco meus “óculos” por óculos redondos e integrais. Eu vejo a totalidade da natureza e não recebo dela apenas um canal estreito relacionado ao meu próprio corpo, do que quer que me traga benefício ou dano: alimentação, sono, entretenimento, e assim por diante. Não, eu não vivo por isso! Eu vivo num nível independente do meu corpo e já olho para a natureza que está acima de dos corpos. É como se eu não estivesse mais dentro de um corpo: eu julgo, verifico e controlo a partir da mente e do sentimento humano universal. Esta fase diferente fundamentalmente da atual.

Agora, eu sou apenas um animal avançado, dentro de certos limites, e não está claro se este avanço está numa boa ou uma má direção. Mas, devido à inclusão na mente global, eu atinjo uma nova dimensão. Eu mudo qualitativamente a minha percepção do mundo em que me encontro. Ela se torna verdadeira, já que eu não vejo o mundo através de uma estreita fenda egoísta, atraindo para mim o que é benéfico e afastando o que é prejudicial; pelo contrário, eu literalmente saio dela e vivo no mundo. Lá, a percepção é completamente diferente, não através de uma peneira egoísta, através da qual vejo somente o que é útil ou prejudicial para mim, mas completamente independente de mim. Isto é o que significa a nova dimensão inerente ao homem.

Então, eu realmente revelo a mente e o sentimento que existe lá, no interior do estado brilhante fora do meu corpo, por trás da parede com uma fenda estreita, através da qual eu espreito. Eu entendo todo o processo e finalidade da criação.

Nossa pesquisa mostra que isso é realmente assim, que isso é algo indescritível e imperceptível para nós. Mas nós já estamos começando a perceber que, evidentemente, este nível existe. Ele pode ser comparado à matéria escura: ele existe, mas nós não percebemos, mesmo que componha 90% de toda a matéria no Universo.

Da mesma forma, nós ainda não conseguimos revelar o sentimento e a mente comum que existem no Universo. No entanto, cientistas que estudam o cosmos falam da presença de um forte sentimento e mente lá, como sons que não podemos captar, ouvindo apenas algum tipo de ruído. Nós não podemos revelar esses fenômenos porque pertencem a uma dimensão acima de nós.

De KabTV “Uma Nova Vida” Episódio 3, 29/12/11

Os Guias da Última Geração

Baal HaSulam, “A Paz”: Ao estudar a ciência da Cabalá com a intenção altruísta, o povo de Israel deve preparar-se bem como todos os habitantes do mundo, até evoluirem para assumir este trabalho do Alto, de amor pelos outros, que é a escada em direção ao objetivo da criação, adesão com o Criador.

Isso não depende de nós, mas da raiz da alma. Por um lado, somos uns enormes egoístas com um desejo grosseiro e cruel, e é por isso que somos corrigidos na última geração, por outro lado somos caracterizados por um excelente fenômeno, o mais puro Reshimot (genes informacionais), e portanto, nós pertencemos à cabeça da última geração.

Esse antagonismo, essa contradição nos leva à formas extremas, em comparação com todas as outras gerações: Próximas a nós, era mais fácil, para elas, revelar o Criador, alcançar a doação e unidade. Elas tinham uma afinidade para compreender isto que não provocou tantas rejeições e distúrbios. Talvez, elas experimentaram mais problemas materiais, mas menos obstáculos espirituais.

Além disso, não temos outra alternativa. Nós não escolhemos a nossa tarefa. De qualquer forma, a fim de guiar o mundo, compreendê-lo completamente, e levar todos os seus habitantes em direção ao objetivo da criação, temos que saber todo o sistema do universo, todo o programa do Criador, e sermos capazes de realizá-lo com todas as almas que serão abertas agora e depois de nós.
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A Importância da Luz é Realizada na Escuridão

É preciso perceber a importância da espiritualidade na escuridão, da ausência de sua percepção. Apenas em resposta a tal forma de se relacionar com, faz com que o mundo espiritual apareça do nevoeiro e nasça da não-existência. Ela penetra na minha consciência, nos meus sentimentos e compreendemos que eu estou mantendo e trabalhando com isso, mas apenas na medida de sua importância para mim. Aumentando a realização da importância, eu “tiro” isso do esconderijo e levo para a Luz.

Tudo isso é para garantir que a minha abordagem seja altruísta. Caso contrário, eu nunca poderei revelar o mundo espiritual, já que estarei sempre aspirando a isso com a intenção para receber, como em relação a tudo em nosso mundo.

Então, como posso perceber a importância de algo que eu não vejo? Como posso abordar o oculto com a intenção para o bem de doação? Para isso, os cabalistas dizem que o ambiente é necessário, uma sociedade de amigos. Quando eles exaltarem a importância de algo, mesmo que um fio não esteja me conectando com o objeto de seus louvores, em qualquer caso eu começo a valorizá-lo.

É o mesmo em nosso mundo – o que as pessoas em torno de mim pensam e falam a respeito, o que é importante para ela torna-se importante para mim. Isso acontece de tal forma que, de repente, começamos a valorizar o que eu nunca vi e senti. E, agora, eu começo a falar sobre o quão importante e maravilhoso ela é. Olhando para mim, muitos se perguntam: “De onde tal entusiasmo vem?” E eu às vezes me vejo em súbita reverência em direção a algo que já vi na televisão e algo que eu ouvi de outras pessoas … Isso acontece com todo mundo. Por quê? É devido a opinião comum. A sociedade considera algo importante e isso que passa para mim.

Por que é este o caminho que temos que seguir para ir ao espiritual? Por que a publicidade se torna tão difundida no século XX logo antes da nossa ascensão espiritual comum? É assim que sabemos até que ponto devemos usar o meio ambiente.

Durante décadas fomos convencidos de que o ambiente é capaz de influenciar-nos e através de publicidade podemos destacar nos nossos olhos coisas que não têm importância ainda menor. Não há nada nelas, exceto o prestígio social. O que outros elogiam será importante para mim também. Estamos constantemente sendo manipulados dessa forma, eles cobram o preço de alguma coisa, e o público está disposto a pagar três vezes o preço original. Os meios de comunicação, sociólogos e cientistas políticos estão fazendo este trabalho muito bem e criaram toda uma indústria de importância artificial.

Além do mais, nós não suspeitamos que estamos também “calibrados” em todos os nossos parâmetros internos, qualidades, e opiniões. Temos sido “ajustados” e “configurados” para que pudéssemos olhar para cada coisa de uma certa maneira. Na realidade, eu vejo o mundo com olhos “estranhos”. E não há nada que pode ser feito aqui, já somos “cegos”, já não posso sair desta formatação. A mesma lavagem cerebral está sendo experimentada pelos nossos filhos também.

Então porque passamos por todo este processo? Afinal, nada acontece por acaso – é para entender que somos completamente dependentes do ambiente e, com a sua ajuda, podemos elevar a importância de qualquer coisa. Assim, sabemos como aumentar a importância do mundo espiritual sobre os nossos olhos, embora não vemos ou sentimos.

Anunciantes me mostram, vamos supor,  uma pequena garrafa de água e falam dela como se fosse água benta. Portanto, poderiamos estudar este mecanismo, que seria capaz de fazer a mesma coisa para o nosso desenvolvimento espiritual. Afinal, ninguém sabe o que o mundo espiritual é, ninguém o vê, se é
importante ou não, o quanto é importante, como é benéfico para nós. Só sabemos de uma coisa – se atribuirmos a  importância dele no círculo do meio ambiente, então todos serão elevados ao lugar mais alto na nossa escala de prioridades. Vamos absorver esse sentimento de importância do mundo espiritual de “publicidade social” e então será fácil para nós sentirmos.

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Da Convenção de Arava de 24/2/12,Lição 5.

O Cérebro Distingue Entre O Sagrado E O Profano

Dr. Michael LaitmanNas notícias (de ScienceDaily): “Um estudo de neuro-imagem mostra que os valores pessoais que as pessoas se recusam a negar, mesmo quando é oferecido dinheiro para fazê-lo, são processados de forma diferente no cérebro do que valores que são de bom grado vendidos.

“‘[O] experimento descobriu que o reino do sagrado – quer se trate de uma forte crença religiosa, uma identidade nacional ou um código de ética – é um processo cognitivo distinto’… Os resultados foram publicados na Philosophical Transactions of the Royal Society.

“Valores sagrados estimularam maior ativação de uma área do cérebro associada com processos mentais baseados em regras de certo ou errado, demonstrou o estudo, ao contrário das regiões ligadas ao processamento de custo- benefício…

“Os participantes da pesquisa que relataram filiações mais ativas com organizações, tais como igrejas, equipes esportivas, grupos musicais e clubes ambientais, tiveram atividade cerebral mais forte nas mesmas regiões do cérebro que se correlacionaram com os valores sagrados”.

Comentário: As decisões sobre o que é certo e errado são estabelecidas pelo ambiente e têm um peso maior do que decisões individuais sobre prazer e recompensa. É por isso que a única maneira de mudar a si mesmo é escolher um ambiente adequado.

O Nosso Mundo É Finito?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Existe alguma esperança de que as nossas aspirações e valores, pelos quais nos esforçamos agora, passem para os nossos filhos e deles para seus filhos? Afinal de contas, nós vemos que tudo está em declínio.

Resposta: A natureza não vai morrer; a vida vai continuar. Nós teremos que viver em nossa dimensão atual, que sentiremos enquanronão completarmos nossa correção.

Portanto, não se preocupe com o fim do mundo, o que vai permanecer ou não para os nossos filhos e netos, e se este mundo existirá em poucas gerações. O nosso mundo só deixará de existir quando não for mais necessário. Ou seja, quando as últimas pessoas completarem a sua correcção, toda a humanidade que existir naquele momento, sentirá simultaneamente que esta é a correção final que encerra todos numa comunidade global ideal e permite que comecem a sentir o desaparecimento gradual deste mundo.

Porém, mesmo antes, conforme a pessoa se corrige e se torna integral, o nosso mundo desaparece de suas sensações. No entanto, ele não “desaparece” completamente, mas apenas como o mundo da governança, como o mundo que tem alguma importância ou propósito especial, além daquele que nos permite ascnder mais alto.

Este mundo só desaparecerá da nossa percepção quando completarmos nossa correção nele. Ele realmente não existe; existe em nossos sentidos. Nós queremos chegar a este estado.

Por que nós estamos falando de nossos filhos e netos? Amesma coisa os spera. Tudo é um movimento perpétuo, até a correção final.

Portanto, não há nada a temer, não há necessidade de fazer planos. Nós ainda somos pequenos para entender algo sobre isso. Faça o que você tem que fazer hoje: é o melhor.

Da Série Lição Virtual aos Domingos 12/02/12

Holograma Do Mundo Espiritual

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, Capítulo “Beresheet (Gênese)”, item 237: É por isso que está escrito sobre Moisés: “Nenhum arbusto do campo estava ainda na terra”, ou seja, que o justo, Moisés, ainda não havia crescido, de quem o versículo, “A verdade salta da terra”, está escrito, e de quem está escrito em relação à verdade, “Lança a verdade ao solo”, referindo-se aos discípulos do sábio, que são como as gramíneas que crescem na terra. Elas não crescem e não saem da Divindade no exílio até que o verso “A verdade salta da terra”, se torne realidade.

Em cada nível, em cada estado, toda a realidade, nos é revelada, mas em diferentes extensões. É Ein Sof (Infinito), mas cada vez de forma minimizada ou ampliada. Como uma imagem holográfica, onde todos os detalhes estão sempre lá, mas nós os vemos mais ou menos: mas é sempre um vaso espiritual cheio.

Portanto, agora devemos nos relacionar com a nossa situação desta maneira, pois se até mesmo o menor grau espiritual for revelado, ele se parece como Ein Sof para nós, e lá estão todas as forças, incluindo Moisés.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/02/12, O Zohar

Retornar À Verdade

Dr. Michael LaitmanO Criador é uma força única e unificada. Como se diz: “Não há outro além Dele”, “Eu não mudei meu HaVaYaH“, ou “a Luz está em repouso absoluto”. É tudo sobre uma essência.

Toda a nossa realidade só pode existir se separarmos o Um e existir fora Dele. Mas, na verdade, não há nada exceto esse Um. A pergunta sempre vem à tona: “Se não há outro além Dele, então quem somos nós?”. Mas, na verdade, nós não existimos. Toda a nossa realidade está na nossa imaginação, até retornarmos ao Um: um desejo e uma Luz, como se diz, “Ele e Seu nome são um”.

Então, tudo que não o Um desaparece. Todo o processo que parece que passamos fora desse Um só existe em nossa imaginação corrupta, desvinculada da verdadeira realidade, em ocultamento, em uma percepção distorcida. Isto é o que temos de corrigir: a partir de nossa visão ilusória em que há dois, nós devemos mudar para a verdadeira, em que há apenas Um.

Este Um é a única coisa que existe e governa. Devemos entender que o mundo que vemos, em que há muitas criaturas diferentes, é como um sonho, uma ilusão de ótica. É como se nós não pudessemos concentrar a nossa visão e encontrar o pensamento ou sentimento certo. É como se nós estivéssemos perdidos num nevoeiro, confusos, e, portanto, sentimos o mundo desta maneira.

Então, como podemos voltar à verdade falada na sabedoria da Cabalá, chamada de “sabedoria da verdade”, ou seja, o método que nos leva à verdade? Como podemos voltar à verdadeira consciência, plena e correta? Qual é a razão de existir tantos de nós e de estarmos todos neste estado  falso, confuso e, depois, voltarmos à verdade, ao Um?

Os Cabalistas escrevem que, para chegar a esse Um, temos que ir da imperfeição à perfeição. Devido a isto, o Um é revelado e uma unidade diferente aparece.

Agora é impossível reconhecer o objetivo final e quão elevado ele é. Mas nós tentamos de alguma forma imaginar a diferença entre o desejo e o pensamento privado de todos e o desejo e o pensamento que conecta e adere ao conceito de “Um”.

A unidade que alcançamos graças à nossa conexão não é uma simples combinação das forças de muitas pessoas que estão juntas. É uma força que cresce não apenas em quantidade e nem mesmo em qualidade. A lei de equivalência de forma está em vigor aqui. Se nos conectarmos porque queremos chegar à doação, para nos elevarmos acima da nossa atual natureza, então, de acordo com a lei de equivalência de forma, chegamos ao conceito de “Um” que se assemelha ao Criador.

Se simplesmente nos conectarmos, nos tornaremos um grupo comum, como um grupo de fãs de futebol ou soldados do exército, que recebe a soma geral das forças de todos os seus membros. Mas aqui não é apenas a soma das forças individuais. Afinal, todos não vêm aqui com a sua força, o ego, a mente e o desejo a fim de conectar todos os atributos, desejos, forças e cérebros juntos.

Pelo contrário, todos se elevam acima de sua mente e sentimento, e assim conectam seus desejos a fim de estar acima da razão, acima de si mesmos. Em seguida, eles são incorporados no conceito de “Um” chamado “o Criador” e adquirem uma mente e um sentimento. Esta mente e  desejo começa a governá-los.

Portanto, todos os sábios e Cabalistas têm um desejo e um pensamento, embora pareça que eles expressem opiniões diferentes e até mesmo argumentação (como a Casa de Hillel e a Casa de Shamai). Mas eles só debatem para esclarecer o conceito de “Um” com mais clareza, para ver como cada indivíduo o sente de seu ponto de vista, depois que se eleva acima disto e descobre este Um.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/02/12, Escritos do Baal HaSulam

Tornando-se Parte Merecedora Da Criação

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Paz”: Tudo na realidade, bom e mau, e até mesmo os mais prejudiciais do mundo, tem o direito de existir e não deve ser erradicado do mundo e destruído. Nós só precisamos consertar e reforma-lo, porque qualquer observação da obra da Criação é suficiente para nos ensinar sobre a grandeza e perfeição do seu Operador e Criador.

Gradualmente, ao longo dos estados do seu desenvolvimento, a humanidade começa a entender isso. Antes queríamos corrigir o mundo e pensávamos que entendíamos algo nele e que poderíamos fazer melhor. Agora, nós não estamos mais tão seguros de nós mesmos, e estamos ainda começando a perceber que é impossível brincar com a natureza.

Deve ser entendido que a natureza é perfeita. Este sistema desceu de cima, e se queremos nos sentir bem nele, temos que nos imaginar estar dentro da natureza, e não maior do que ela. Nós somos apenas uma pequena parte integrante dela, sensível e fraca, graças à nossa sensibilidade extra. É por isso que vale a pena estudar a natureza para descobrir como alcançar o equilíbrio com ela da maneira mais correta.

A coisa mais importante é entender que estamos localizados num mundo perfeito, eterno e corrigido! Mas se nós o vemos como algo mais, então isso é só porque nós estamos olhando através das qualidades não corrigidas, como é dito: “Cada um julga por suas próprias falhas”.

Só esta visão correta do mundo pode construir relacionamentos corrigidos em nós em relação ao ambiente e a nós mesmos, e nos permitirá viver bem e com confiança, com esperança de um bom futuro.

Nós tivemos que chegar a esta conclusão por meio do sofrimento por milhares de anos, recebendo golpe após golpe, até que finalmente nos tornamos mais inteligente e vimos que é assim.

Hoje, está finalmente se tornando claro para o homem o que os Cabalistas escreveram cerca de três a quatro mil anos atrás.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/12/11, “A Paz”

Uma Variedade De Profissões Espirituais

Dr. Michael LaitmanToda percepção individual de cada um se desenvolve de acordo com a raiz de sua alma, seu caráter e mentalidade.

Existem pessoas que estão mais inclinadas a um desenvolvimento técnico, enquanto outras têm uma inclinação mais sensorial, do mesmo modo que no nosso mundo existem pessoas humanitárias e técnicas. Alguns estudam música, literatura, filosofia, engenharia e outros estudos, matemática, arquitetura e assim por diante.

Espiritualmente, existe uma enorme diferença entre eles. Por que um Cabalista escreve num estilo, enquanto outro em outro estilo? Este é um resultado dos traços do caráter da alma de uma pessoa; cada um percebe o mundo espiritual de forma diferente. Posteriormente, eles se complementam, mas como um todo, existe uma grande diferença entre almas, muito maior do que as diferenças entre as pessoas em nosso mundo.

Claro, todo mundo percebe a realidade espiritual; à medida que avançamos e passamos a Machsom (barreira para a espiritualidade), chegamos todos à percepção. Porém, para uma pessoa o mundo espiritual pode ser revelado de uma forma que ela veja um quadro inteiro e trabalhe com a realização figurativa, enquanto outra, com uma disposição mais técnica da alma, tenha uma percepção como a de um físico em nosso mundo. O terceiro percebe a espiritualidade como um psicólogo o faz em nosso mundo, e o quarto como um simples operário.

Nos mundos espirituais, há uma “variedade” muito mais rica de profissões do que em nosso mundo, como a projeção de um mundo no outro.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/02/12, O Zohar