Envelhecemos, Mas Não Ficamos Mais Sábios
Pergunta: Onde reside nossa sabedoria, nossa maturidade? Quero dizer, nosso amadurecimento parece se resumir a que, ao darmos algo a outra pessoa, não lhe oferecemos o melhor, mas guardamos o melhor para nós mesmos. Por que isso acontece?
Resposta: Porque o nosso egoísmo inevitavelmente vira tudo de cabeça para baixo.
Pergunta: Estamos cientes disso?
Resposta: Sabemos disso. Eu mesmo me lembro disso por experiência própria. Quando eu tinha uns dois anos, também agia assim, dava o que tinha de melhor. Mas aí me senti na obrigação de estragar alguma coisa. Alguém me deu dois cartões-postais e pediu para eu dar um deles para minha prima. Eu não sabia qual escolher, porque os dois eram lindos, coloridos, vibrantes e atraentes. Tive que fazer alguma coisa com um deles. Então, dobrei um canto, esfreguei um pouco e dei para ela. Eu já era mais esperto.
Pergunta: Mas você entendeu que estava danificando-o de propósito para poder dá-lo de presente sem problemas?
Resposta: Para que eu soubesse qual dar. Caso contrário, não conseguiria escolher entre os dois.
Pergunta: Será que fica mais assustador à medida que avançamos?
Resposta: Claro!
Pergunta: Quando surge esse sentimento: “O que estou fazendo?! Como posso fazer isso?!”
Resposta: Você precisa estudar bastante e aprender com exemplos. Não é simples.
Pergunta: Mas será que essa percepção chega a uma pessoa, ou pode nunca chegar?
Resposta: Depende da pessoa.
Comentário: Então talvez isso aconteça, e ela fique horrorizada ao descobrir que sempre quer dar o pior aos outros.
Minha Resposta: Sim. Veja bem, ainda me lembro desse exemplo até hoje.
Pergunta: Aparentemente, realmente penetra no coração.
Quando uma pessoa entende isso e sente: “É assim que eu sou, e não quero viver de acordo com essa natureza”, quais devem ser suas ações? Suponha que eu perceba que sempre transmito o pior aos outros.
Resposta: Se isso já está mudando dentro de uma pessoa, e ela começa a tomar consciência disso, esse já é o caminho para a correção, para o autoexame e assim por diante. Isso já é algo significativo.
Pergunta: Então, posso dizer a mim mesmo que já iniciei algum tipo de jornada?
Resposta: Provavelmente, sim. Você já está se aproximando do autoexame.
Pergunta: Lembro-me de você nos contando como estava sentado com seu professor, separando grãos de café. E que aquilo estava te incomodando muito, porque você tinha que separar cada grão, cada um deles.
De repente, seu professor disse: “Pense assim: você está separando este grão específico para o seu professor, para o café que ele vai beber com este grão”. E assim por diante. E este, por exemplo, é para os amigos.
Diga-me, naquele momento, isso dá força a uma pessoa? Você essencialmente considerava seu professor quase como um pai. Isso dá força a uma pessoa?
Resposta: Para ser honesto, acho que não entendi completamente naquele momento. Mas, em geral, claro que é um ótimo exemplo.
Pergunta: Seu professor Rabash vivia dessa maneira?
Resposta: Ele vivia assim. Lembro-me de quando ele me contou isso, percebi que eu não estava entendendo nada.
Pergunta: Então, quando uma pessoa finalmente entende que “não está perdendo o ponto principal”, isso significa que ela chegou a uma espécie de linha reta, ao caminho certo?
Resposta: Sim. É bom para uma pessoa atingir esse estado.
De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 19/08/26