Os Objetivos Que Escolhemos

623O trabalho sem prazer é chamado de “trabalho”. Ou seja, a pessoa não o faria se não soubesse que seria paga pelo esforço. (Rabash, Artigo 27 (1987), “O que são ‘bênção’ e ‘maldição’ no trabalho?”)

Antes de realizar qualquer ação, uma pessoa sempre se pergunta: “O que eu vou ganhar com isso?” Paz, dinheiro, honra, algo de que ela precisa. Isso pode ser visto até mesmo na enorme variedade de hobbies que existem no mundo.

Nada obriga uma pessoa a seguir um hobby, exceto o prazer. Uma pessoa gosta de pescar, de fisgar peixes com anzol; outra, ao contrário, gosta de alimentar peixes e criá-los em aquário; uma terceira coleciona um herbário de folhas. Não encontramos nada nisso para nós mesmos, enquanto para ela é exatamente o oposto. E assim cada um tem seu próprio caminho. Alguns colecionam coisas que podemos compreender: dinheiro, experiências, honra, conhecimento e assim por diante.

Assim, o prazer pode se manifestar das mais diversas formas, mas precisa estar presente. Se não vejo nenhum prazer, não consigo realizar uma ação. Preciso vislumbrar algum prazer à frente. Ele pode vir daqui a um mês, no fim da minha vida, ou mesmo depois que ela terminar. Muitas pessoas estão dispostas a trabalhar arduamente durante toda a vida para serem lembradas após a morte. Vemos, portanto, que os prazeres humanos podem até mesmo transcender as barreiras do tempo.

No entanto, a própria sensação do prazer que está por vir já pertence ao presente. Essa sensação, ao vivenciar o prazer futuro agora, me fornece a energia e o combustível para realizar a ação. Observo o que me acontecerá; aproximo esse prazer de mim, como se estivesse abastecendo meu tanque de combustível, e com isso posso agir.

Mas se eu não vejo absolutamente nenhum prazer à frente, não tenho energia, nem uma gota de combustível para realizar qualquer ação. O carro para, e é isso. Às vezes nos sentimos exatamente assim: “Não importa o que aconteça, eu não consigo nem me mexer”. Esses sentimentos são dados a uma pessoa que inicia um trabalho espiritual.

Então surge a pergunta: qual objetivo será importante para mim? Isso depende da sociedade em que vivo, de onde cresci, do que fiz e do tipo de educação que recebi. É assim que se forma minha atitude em relação a tudo e, de acordo com ela — bem como, é claro, de acordo com minha natureza — escolho certos objetivos na vida.

Os objetivos são formas de prazer que desejo desfrutar no futuro, enquanto já os desfruto agora por meio da minha conexão com eles.

Da Lição Diária de Cabalá 18/08/26, Rabash, “O que são ‘Bênção’ e ‘Maldição’ no Trabalho?”