Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

A Expansão É Em Doação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu me dirijo ao Criador pedindo que ele me ajude com a doação ao próximo. Por favor, você poderia descrever isso em uma linguagem mais científica? Por que, em essência, o Criador é a lei da natureza?

Resposta: Como nós sabemos, Malchut deve se anular diante de Zeir Anpin (ZA). Então, ZA aceita o seu desejo, e os desejos deles sobem juntos para a mãe, Bina. Em resposta, Bina tem que dar a Zeir Anpin o estado adulto (de modo que ZA cresça), bem como a Luz para Malchut.

Isto é o que atinge o doador. Se você realmente quer dar ao seu amigo, você receberá o dobro. O que você dá a ele criará o estado adulto em você, um status mais elevado, de modo que você cria o nível do seu amigo e dá a ele.

Para ele, você será espiritualmente grande, você será o doador. Neste papel, você recebe novos desejos dele e, de Cima, você recebe a realização. Assim, você constantemente “se expande”, ao receber os desejos dos outros e a Luz de Cima.

Isto é o que significa ser o doador. No entanto, você “expande” em seus vasos de doação. Aqui, uma transformação psicológica está oculta. Como você pode crescer mais em doação? Onde está o lucro? Como eu faço para me satisfazer? O que me preenche?

O nosso problema é que não sentimos muito ganho nos vasos de doação. Mas isso é óbvio a partir do gráfico.

Da  5ª parte da  Lição Diária de Cabalá 27/06/11, “Matan Torá  (A Entrega da Torá)”

À Frente Da Natureza

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Matan Torah (A Entrega da Torá)”: Assim, essa criatura se desenvolve e sobe nos graus da exaltação acima mencionada, até que ela perde todos os vestígios de amor-próprio e todos os mandamentos no seu corpo se elevam, e ela executa todas suas ações somente para doar, de modo que mesmo a necessidade que ela recebe corre em direção à doação, para que ela possa doar. Por isso nossos sábios disseram: “Os mandamentos foram dados somente para purificar as pessoas”.

Através do principio do “ama teu próximo como a ti mesmo”, nós chegamos ao final do caminho: à adesão. Quer queiramos ou não, nós precisamos alcançá-la. Nossa livre escolha é nos mover depressa, o que podemos fazer se tirarmos vantagem do ambiente. De outra maneira, a natureza irá nos empurrar até nos forçar para dentro dele – e nós iremos querer nos mover mais depressa que a natureza de qualquer jeito.

Como nós avançamos? Nós avançamos devido ao desenvolvimento interno. Como ele acontece? Ele acontece por causa da “Torá e mandamentos”, isto é, o método de correção pelo qual nós temos que nos purificar. Claro, nós não estamos falando de ações externas desse mundo. O Baal HaSulam menciona um trecho da Gemará para nos esclarecer isso: É-nos requerido executar especialmente a correção interna de nossas qualidades. Isso significa que nossos inter-relacionamentos devem estar dirigidos exclusivamente para a doação no mesmo nível que a do Criador.

Como isso pode ser alcançado? Isso é feito em estágios. Primeiro, a pessoa não sabe nada, como uma criança que recém começou a crescer. Então, ela recebe gradativamente explicações, e entende cada vez mais. Em última análise, tudo depende do ambiente, das explicações, dos esforços que são aplicados durante sua educação, e dos seus próprios esforços quando ela pratica as tarefas determinadas. 

Em essência, a pessoa é ensinada a estar no ambiente e usá-lo corretamente, de acordo com o princípio: “Eu criei a inclinação ao mal, e Eu criei a Torá como condimento”. A inclinação ao mal é revelada especialmente no ambiente; não há outra possibilidade.

Além disso, exige-se a Torá como “um condimento”, isto é, a Luz que Corrige. A pessoa sente o mal em relação à Luz. A Luz expõe meus vasos, e eu exijo dela a correção deles. Então, a Luz os preenche.

Assim, passo a passo, a pessoa chega à correção.

Da 5a parte da Lição Diária de Cabalá 27/06/11, “Matan Torah  (A Entrega da Torá)”

As Faces Do Amado

Dr. Michael LaitmanDe acordo com nossa natureza, o caráter de nossas ações, nós somos receptores. Porém, quanto mais você recebe para doar, maior você é como doador. A ação em si mesma não muda, somente a sua intenção muda. É isso que o transforma em doador ao invés de receptor.

Será que o Criador sente isso? É possível dizer que nada muda para o Doador, mas somente para o ser humano. Não há nada a acrescentar à perfeição. Todas as Suas respostas e impressões são, na verdade, manifestadas em você, na imagem do Criador que você formou.

Graças a isso, você pode alcançar a equivalência com Ele: parece a você que mudanças acontecem n’Ele, que você dá a Ele mais ou menos prazer. Você sofre ou se deleita por causa d’Ele, em relação a quanto Ele sofre e se deleita por sua causa, etc..

Todas essas relações se revelam na criatura somente para elevá-la ao nível do Criador, isto é, para suplementar a criatura com a perfeição que vem da qualidade de doação. Acontece que o Criador brinca com a criatura somente para educá-la.

Da mesma forma, nós mostramos às crianças várias faces: nós rimos com elas, nos tornamos sérios, expressamos raiva. Tudo para educar, para mostrar à criança o máximo de nuances possíveis e desta forma ensiná-la como trabalhar corretamente consigo  mesma e com o ambiente. E, de fato, somente o amor nos motiva.

No seu “Prefácio ao Livro do Zohar”, Item 33, o Baal HaSulam escreve sobre isso: “A verdade é que existe uma vontade Divina aqui, de que essas semelhanças, que agem somente nas almas dos receptores, parecerão às almas como se Ele Mesmo participasse nelas para aumentar bastante a realização das almas.

É como um pai que se restringe para mostrar a seu filho querido uma face de tristeza e uma face de contentamento, embora não haja nem tristeza ou contentamento nele. Ele somente faz isso para impressionar seu filho querido e expandir seu entendimento, assim como para brincar com ele”.

Da 5a parte da Lição Diária de Cabalá 26/06/11, “Matan Torah  (A Entrega da Torá)”

Fisicamente, Eu Estou No Grupo. E Quanto À Minha Alma?

Dr. Michael LaitmanPergunta: É verdade que nós só nos tornamos conscientes do mal após a Machsom (barreira para a espiritualidade)? O que posso fazer até lá?

Resposta: Cada nível tem sua medida, seu padrão e seu critério. De forma igual, eu tenho diferentes visões de mim mesmo aos quatro, cinco, seis ou sete anos de idade.

Mesmo agora, eu tenho a possibilidade de reconhecer o mal. Fisicamente, eu estou presente no grupo, mas será que eu estou lá com minha alma? Não, eu não estou.  A que esse estado vai me conduzir? O que vai acontecer comigo? Eu não posso alcançar a espiritualidade assim. É uma pena. Eu me sinto triste por perder tempo, eu desperdicei a vida, da qual não ganhei nada.

Então, eu começo a odiar o que me impede de me conectar com meus amigos: minha diferença em relação a eles. Claro, isso tudo ocorre no egoísmo, no desejo de receber, que quer alcançar a espiritualidade assim como não quer perder nada na vida. Porém, isso me põe em contato com minha condição egoísta de Lo Lishma (para si mesmo), e então a influência da Luz o transforma no estado altruísta de Lishma (para o Criador).

De qualquer forma, a vergonha está presente aqui também. Primeiro, eu estou envergonhado pela possibilidade de ser pego por roubar; depois, eu observo que não vale a pena roubar, pelo menos não sempre. Como resultado, eu mudo internamente, para que assim eu não queira nada de ninguém. Tudo que eu quero é doar. Essa é minha aspiração, e estou feliz com ela.

Maravilhosamente, isso é Lo Lishma, e o desejo de doar, o ato de doar, já está embutido nele. No entanto, há uma recompensa: a sensação boa. Dessa forma, nós nos conectamos com o bem e não pedimos nada por enquanto.

No próximo estágio, a Luz corrige a pessoa mesmo sem sua consciência, e ela realmente se conecta com o Bom que faz o Bem. Assim, primeiro eu me conecto com o bom que me faz sentir bem, e depois eu mudo para a verdadeira doação ao Criador.

Da 5a parte da Lição Diária de Cabalá 26/06/11, “Matan Torah  (A Entrega da Torá)”

A Insuportável Diferença Do Criador

Dr. Michael LaitmanSe o Criador, alinhado com Seu pensamento da Criação, não tivesse a intenção de nos elevar ao mais alto grau da evolução, Ele não teria criado em nós a sensação de sermos diferente d’Ele. A questão não é a diferença entre o Doador e o receptor. Está claro que o Criador está na direção. Ele é o bom que faz o bem. Ele é o Absoluto, e, sendo o Doador, Ele nos criou como receptores “à revelia”. Nós certamente não nos sentiremos envergonhados enquanto recebemos d’Ele. Qual seria o problema em receber d’Aquele que Doa? Afinal, é assim que Ele nos fez.

Porém, a vergonha resulta somente da sensação de ser diferente, que foi determinada pelo Criador, a sensação de separação entre Ele e nós, que nos leva a começar a sentir a recepção como falha. Essa regra também foi projetada em nosso mundo, onde nos sentimos desconfortáveis quando recebemos prazer de alguém com quem temos um relacionamento especial, onde o outro tem um status mais elevado.

Aqui existe um problema adicional. Comparado à espiritualidade, isso toma formas opostas com relação a nós e levanta uma questão: Será que eu posso parar de sentir vergonha? Na espiritualidade, porém, minha questão é como eu posso aumentar a vergonha, porque ela se torna um instrumento para eu me analisar, um veículo para elevar minha consciência do meu mal.

Como sabemos, além da consciência do mal, nós não precisamos de nada mais. Todo o resto é dado pela Luz superior. O que é o mal, afinal? Não é o fato de eu ser um receptor por natureza. Eu compreendo quão mau eu sou quando descubro quão verdadeiramente grandes são as diferenças entre minhas qualidades e as do Criador.

Eu desejo muito aumentar essa sensação, essa consciência, uma vez que é o que me leva a pedir pela correção. Nós consideramos tal oração como “o portão das lágrimas”. Os detalhes necessários da percepção são reunidos em mim até que a consciência do meu mal finalmente me faça gritar, porque eu não posso suportar essa discrepância entre o Criador e eu.

Assim, o mal não é uma mera distinção entre o receptor e o Doador. Evidentemente, o Criador dá, enquanto eu recebo. Tal disposição permanece em todos os níveis espirituais, no final da correção e depois dele. O problema está em se tornar consciente da distinção interna e qualitativa entre minhas as quelidades e as d’Ele. É isso que me faz sentir vergonha.

Da 5a parte da Lição Diária de Cabalá 26/06/11, “Matan Torah  (A Entrega da Torá)”

Uma Lasca No Universo Ou Uma Criança Amada?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução Geral ao Livro, Panim Meirot uMasbirot”: … como coisas corpóreas são separadas umas das outras por um machado e um martelo, as espirituais são separadas umas das outras pela disparidade de forma entre elas. E quando a disparidade de forma aumenta até o ponto de oposição, de um extremo ao outro, é criada uma separação completa entre elas.

Da perspectiva do Criador, que criou o desejo de receber, não há oposição entre este desejo e o desejo de doar. É como um bebé que recebe de uma mãe – não há divisão entre eles. Eles estão inseparavelmente conectados e desfrutam um do outro.

Vemos como na natureza um organismo estranho composto da carne de alguém recebe a oportunidade de crescer dentro do corpo da mãe e não é interpretado por ela como estranho! Como é que este fenómeno é sequer possível – um feto dentro da barriga da mãe, considerando que quando encravamos uma pequena lasca, o corpo imediatamente começa a rejeitar o objecto estranho? Forma-se imediatamente uma infecção à volta dela e o corpo tenta empurrá-la e separá-la.

É sabido como durante um transplante de órgãos é muito difícil superar esta barreira, a incompatibilidade do corpo e a rejeição de um corpo estranho. Mas aqui ocorre o oposto: Um corpo cresce dentro do outro, e o corpo grande cuida sempre do corpo pequeno, fazendo tudo apenas para seu benefício!

Este é um exemplo do desejo de desfrutar (o feto) e do desejo de doar (a mãe) em harmonia um com o outro. A mesma coisa ocorre em relação ao Criador, que cria o desejo de desfrutar. Este desejo não contradiz ou se opõe à doação.

Contudo, se o objectivo é levar este desejo de desfrutar para a forma de doar, então eles realmente se tornam oposto um ao outro de acordo com as suas intenções. No estado inicial existe um desejo de doar e um de receber – o Criador e a criação. Mas não há discrepância entre eles e eles estão unidos. Mas depois a criação se desenvolve e adquire uma intenção egoísta, e agora, de acordo com as suas intenções, eles tornam-se opostos: a intenção de doar é oposta à intenção para si próprio do início ao fim, de zero até o infinito.

O que temos de corrigir é a intenção egoísta e não o desejo! O desejo permanece em nós. Nós mantemos sempre o desejo de receber. Mas a intenção tem de ser “em prol de doar”.

Contudo, ficamos normalmente confusos sobre isto, pensando que temos de lutar com os nossos desejos. As religiões e diferentes práticas espirituais tentam destruir o desejo ou diminui-lo. Mas a Cabalá diz o oposto: “Aumente o seu desejo e a intenção de doar juntamente com ele!”. Então, você será capaz de doar mais com as suas acções.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/6/11, “Introdução Geral ao Livro, Panim Meirot uMasbirot

Tempo É A Intensidade Das Ações

Dr. Michael LaitmanTempo na espiritualidade é uma série de ações aplicadas à criatura. De fato, mesmo no nosso mundo, onde vivemos pelo relógio na parede e navegamos pelo sol, a lua, e o globo, ainda temos a sensação pessoal de tempo ditada pela intensidade das ações.

Às vezes, o tempo congela e não se move aos nossos olhos. Em outra ocasião, ele voa com uma velocidade supersônica. O tempo é a nossa impressão pessoal, que depende do número de transformações que ocorrem em nós. Portanto, o tempo em si não existe.

O número de mudanças que precisamos experimentar dentro de nós a partir deste momento até o fim da correção é considerado como 6000 níveis espirituais ou anos, 2000 + 2000 + 2000. Por outro lado, isso pode ser visto como os três mundos de BYA (Beria, Yetzira, e Assiya), que devemos elevar ao mundo de Atzilut.

Ascender ao mundo de Atzilut é o que chamamos de fluxo de tempo, passo a passo, de um ano para o outro. Um “ano” (Shana, em hebraico) é uma transformação (Shinuy, em hebraico), o mesmo círculo, redondo, apenas em um grau mais elevado.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/06/11, Talmud Eser Sefirot

O Ego Sofre Pela Luz do Bem

Dr. Michael LaitmanPergunta: Os pensamentos sobre espiritualidade causam tristeza e sofrimento em mim porque eu não sinto o Criador. O que posso fazer?

Resposta: Se uma pessoa sofre realmente na sua vida, essa dor oculta o Criador dela. Isto é feito de propósito, de forma que não estraguemos a nossa relação com o Criador e ainda assim permaneçamos ligados a Ele, em vez de começar a odiar e a rejeitá-Lo.

Há vários estados, mas na medida em que a pessoa se sinta mal, nessa medida o Criador oculta-se, e nós temos que alcançar o apoio mútuo e a garantia do ambiente. Neste caso, mesmo durante grandes problemas, o ambiente irá ajudar-nos a superar um sentimento mau em relação a sua causa.

Então perceberei que o sentimento do mal vem não do Criador, não da força superior, mas da força do meu próprio egoísmo. Eu começarei a dividir os meus sentimento em duas parts: 1) os meus desejos que não estão corrigidos e fazem-me sentir mal neles, e 2) o Criador, a Luz superior, que irradia bondade sobre mim.

Precisamente porque o Criador emana bem sobre mim, enquanto eu estiver oposto a Ele, sinto o bem como mal; isto é, para mim o Seu bem transforma-se no seu oposto. Assim, o Criador não consegue ser revelado a mim porque eu sentir-me-ei tão mal que não serei capaz de o aguentar.

Enquanto permanecemos incorrectos e sentimos o Criador na Sua forma oposta, porque o nosso ego transforma a Luz em escuridão, o Criador é revelado para nós na medida em que conseguimos aguentar isto. E na medida que não o conseguimos tolerar, Ele oculta-se.

Ele revela-Se apenas ligeiramente para mostrar apenas um pouco de mal para nós, de forma que nós não nos desconectemos da nossa mente e possamos analisar os nossos sentimentos. Então, eu começo a verificar de onde vem este mal e o que o causa. Consequentemente, eu venho ao grupo, aos livros, e ao professor, que me explicam que eu próprio atraio o mal devido à minha oposição ao Criador.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/6/11, Shamati #241

Uma Pessoa Não Pode Tornar-se Humana Sem Amor

Dr. Michael Laitman with StudentsA sabedoria da Cabalá é o meio que nos permite ascender do nível animal ao humano. Se não usarmos este meio para transformar a nossa natureza egoísta, permanecemos como animais, como é dito: “Todos são como animais”.

De facto, nesse caso, nos desenvolvemos apenas dentro do nosso ego; não temos nada com que o corrigir e ascender acima dele, dos desejos de receber aos desejos de doar. Então, sentimos apenas este mundo; vivemos e morremos como animais.

Enquanto que no nível humano, eu torno-me semelhante ao Criador (homem ou “Adam” vem da palavra “Edome” ou semelhante em hebraico). Com a ajuda da ferramenta chamada “a Luz que Corrige”, que atraio sobre mim ao ler textos Cabalísticos e especialmente O Livro do Zohar (a fonte mais forte da Luz superior oculta ), eu posso corrigir-me e ascender da natureza egoísta para a altruísta, para a doação e o amor pelo próximo.

Então, em vez do desejo de usar o outro, eu dôo a ele, e em vez de ódio, eu sinto amor em relação a ele. Na medida em que eu apreendo esta natureza, eu começo a descobrir a força superior com os meus desejos altruístas, nas minhas qualidades de doação e amor. Eu sinto o que preenche as minhas novas qualidades, e isto é chamado de “Luz superior” ou “Criador”.

Contudo, tudo isto é alcançado na força de doar. Como posso alcançá-la? Para este propósito, antes do nível mais baixo do mundo de Assia (chamado “este mundo”) ter sido criado, a criatura criada pelo Criador, e chamada de alma comum de Adão ou Homem, foi dividida em muitas partes. Agora, de forma a atrair a Luz, estas partes devem unir-se umas às outras no estado anterior à divisão, quando a Luz Superior as preenchia.

Contudo não podemos unir-nos uns aos outros por nós próprios, mas desejando isto, querendo e esforçando-nos com toda a nossa força, com nossos esforços atraímos a Luz desse estado de unidade. Esta Luz não vem até nós e não se veste em nós porque nós ainda não nos unimos. Mas ela brilha em nós de longe, conforme a nossa aspiração por ela – a Luz de doação e amor ao próximo.

Mas eu realmente aspiro a isto?… Eu imagino que desejo esta Luz, como algo muito bom para o meu ego. Mas se eu interpreto isto correctamente, como a Luz de doação e amor, que desfruto ao doar ao próximo, e atuo apenas em prol da doação, então eu não preciso dela particularmente.

Assim, primeiro de tudo, de forma a lutar pela Luz, pela correcção, de forma a tornar-me doador e amar ao próximo, devo adquirir a importância disto. Posso obter a importância da correcção das duas fontes seguintes:

  1. Se eu sofro, sinto dor, eu luto para mudar a minha condição. Estou até disposto a dar, apenas para não me sentir mal. Isto é chamado avanço pela via do sofrimento.
  2. Posso receber a importância da doação e amor pelo próximo do ambiente, que começa a “fazer-me lavagem cerebral”, convencendo-me do quão importante é doar, quanto posso ganhar, quão bom é, que prazeres a doação traz.

Um parece contradizer o outro: “Doe e você receberá prazer! Doe e sentirá o Mundo superior!”. Isto é chamado “Lo Lishma” (para si próprio) mas, ainda assim, esta é uma fase intermédia do avanço. Neste caso, eu luto por avançar pela via de “Lo Lishma”, a via da Luz. Nós todos somos egoístas e temos de imaginar um ganho próprio entendível à nossa frente; de outra forma, não seremos capazes de fazer nada.

Assim, estou no grupo, junto com pessoas que também querem atingir a espiritualidade. Não é importante que todos nós visualizemos o mundo espiritual como um bom prémio: nós queremos estar acima dos outros, ganhar mais, superar esta curta vida cheia de sofrimentos, atingir algo que valha a pena, grandioso.

Se nós promovermos ao menos a importância deste objectivo entre cada um de nós, então algo maior, grandioso, eterno, perfeito, que valha a pena, será revelado na conexão entre nós, e nós teremos a força para avançar em direcção à conexão interior entre nós pelo menos ligeiramente. Se na conexão entre nós descobrirmos a força interna comum chamada vaso espiritual (o desejo de doar), então neste vaso, conforme este desejo de doar, revelaremos a Luz: a Luz de doação, a Luz superior, ou o Criador.

Assim, antes de começarmos a ler O Livro do Zohar, e assim atrairmos a Luz, temos de imaginar que aspiramos a estar na conexão interior entre nós, quando cada um se anula e sente apenas os outros: todos juntos, todo o grupo interior, onde estamos conectamos entre todos na nossa alma. E nesta conexão entre as almas, revelamos a Luz, a força comum de doação e amor – e o Criador com ela. Se esta é a nossa linha de raciocínio durante a leitura de O Zohar, ela influencia-nos da forma mais efectiva.

Não interessa quanto entendemos do texto e sabemos as palavras. É importante pensar acerca de uma coisa apenas, o tempo todo: “Agora, estou a tomar o meu medicamento. Quero conectar-me aos outros, e então, na união entre nós, conseguirei tudo: todo o mundo espiritual e superior. Estou ansioso por isto!”

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/6/11, O Zohar

O Que É Uma “Elevação” Espiritual?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, O Estudo das Dez Sefirot, Parte 1,Tabela de Perguntas e Respostas para o Significado das Palavras“: Questão 26: O que significa “elevação”? A Hishtavut ha Tzura (equivalência de forma) do inferior com o superior é uma “elevação”.

Não há subida ou descida, nem movimentos para a direita ou esquerda. Tudo isso é avaliado apenas em relação às qualidades, e nós estamos falando de sua transformação, de alcançar a equivalência de qualidades do inferior e do superior.

No entanto, o que acontece quando o inferior “sobe” em direção ao superior e torna-se o mesmo? Ele desaparece completamente e se transforma no superior, ou o inferior existe próximo ao superior?

Cada um fica com seus desejos, aspirações e qualidades naturais, que não mudam. A matéria do desejo de receber permanece inalterada. Diz-se: “A forma dos seus rostos difere, suas almas também diferem”. Nada muda na pessoa além da intenção com que ela usa todos os seus desejos e qualidades.

Se nós somos iguais em nossas intenções, no nível e força delas, então isso significa que nós estamos no mesmo nível. Se um é menor e o outro é maior, isso significa que as intenções de uma pessoa são ainda mais fracas do que as intenções da outra.

O inferior está se elevando em direção ao superior, “tornando-se como Ele”, mas não Ele mesmo. Obviamente, a diferença entre eles permanece.

Quando eu subo em direção ao Criador através dos 125 degraus da escada de equivalência de forma, eu O sinto em cada degrau, mesmo no menor deles, e me torno ligado a Ele de alguma forma. A cada novo degrau, eu me conecto com Ele e O conheco cada vez mais. No entanto, o Criador e a criatura permanecem, assim como a conexão entre eles, a Dvekut (adesão): um não desaparece dentro do outro.

Assim, uma “elevação” é a equiparação em termos de qualidades do inferior para com o superior. Eles são equivalentes só em termos de sua forma de doação, enquanto cada um permanece com suas qualidades naturais.

Da 3ª da Lição Diária de Cabalá 22/06/11, Talmud Eser Sefirot