Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Uma Pessoa Espiritual Num Veículo Da Terra

Dr. Michael LaitmanA restrição não afeta os níveis inanimado, vegetal e animal dentro de mim. Eu devo existir e fornecer tudo o que preciso para mim. Não há vergonha em receber dessa forma. Mas quando eu termino os três primeiros níveis e começo a pensar no quarto nível, o humano, é quando começam as perguntas, e surge a liberdade de escolha: eu devo continuar a receber para o meu próprio benefício ou começar a doar ao próximo? Todos os argumentos, análises e ações giram em torno disso.

Como estes primeiros níveis estão livres da restrição, faça o que você quiser com eles, porque você está tomando o que sua natureza exige em prol da existência. Cada pessoa deve tomar o que precisa para ter uma vida normal. Uma vida normal significa tanto quanto ela exige para libertar o seu coração e mente, a fim de cuidar do ser humano. Isso simplesmente é a nossa responsabilidade. Assim como nós devemos doar no quarto nível, também devemos receber nos três níveis anteriores.

Acima disso, todo o quarto nível só existe para a doação. A restrição foi feita nele: a Luz Refletida é o mandamento de alcançar a equivalência com o Criador. Nós devemos sentir isso muito bem.

Em outras palavras, há partes dentro de mim que devem existir, tais como o coração, o cérebro e todas as minhas qualidades pessoais, mas elas existem como carne normal, como matéria. Existe uma camada adicional em cima disso que é o trabalho interior e espiritual do ser humano dentro de mim. Esta é a quarta fase dentro da quarta fase (Dalet de Dalet), que segue os três estágios prelimimares de desenvolvimento dentro do próprio homem. É esta fase que realiza uma restrição e uma decisão com respeito à tela (a Luz Refletida) e à equivalência de qualidades.

Isso é o que significa estar no nível humano, onde nós evoluímos da natureza inanimada, vegetal e animal e deixamos de ser primatas. É por isso que, mesmo estando no nível  humano, nós ainda mantemos todos os níveis anteriores do corpo inanimado, vegetal e animal, bem como todo o nosso desenvolvimento corpóreo da ciência, intelecto e sentimento. No entanto, quando alcançamos o nível humano, nós o percebemos como uma aspiração especial que desperta em direção ao Criador.

A restrição, o trabalho interno e a ocultação só se aplicam a ele e nada mais. É por isso que o mundo espiritual não leva em conta como as pessoas se comportam em suas vidas cotidianas. Quando toda a humanidade em geral atinge o estágio da correção, este começa a preocupar a todos, mas através do tornar-se incluído um no outro.

É por isso que aqueles que até agora não sentem um despertar em direção ao mundo espiritual não precisam fazer nada sobre isso. A própria natureza irá encaminhá-los através de golpes. Toda a responsabilidade recai sobre aqueles que foram despertados.

Nós devemos enfatizar e cuidar do desejo que pertence ao nível humano, onde a pessoa sente como se pertencesse ao Doador de alguma forma. Tudo o resto pertence à existência essencial que não pode ser “condenada nem elogiada”. Nós trabalhamos somente com o desejo Dalet de Dalet, no qual devemos concentrar a nossa atenção. Ele só pode ser cultivado através de uma conexão universal e mútua na sociedade.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/09/11, TES

Amor E Ódio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Onde está o limite entre entender o seu conselho e adorá-lo cegamente ?

Resposta: O limite é a análise crítica. A pessoa que trabalha corretamente não concorda com o professor e sente ódio, antagonismo e desprezo total por ele, mas ao mesmo tempo ela supera isso, sobe acima de si mesma, e aceita as instruções do fundo do seu coração, anulando-se completamente diante do professor.

O adorador tem apenas um lado da moeda: ele se curva sem qualquer crítica. Ele foge de qualquer pensamento negativo como do fogo. Porém, esse não é o nosso caso. No entanto, também não significa que se deve artificialmente tentar evocar protesto e repulsa interiormente.

Basta começar a ficar mais perto do seu amigo, e você vai ver como ele é detestável para você. O ódio tem que se expressar em concordância com a necessidade de amor. Caso contrário, não será criativo. Nós não o atiçamos; ele vem por si mesmo.

É aí que reside a verificação: amor e ódio agem em conjunto, paralelos um ao outro, enquanto a pessoa trabalha na linha média, acima de ambos.

Da Lição em 9/9/11, Escritos do Rabash

O Criador Irá Terminar O Trabalho Para Nós

Dr. Michael LaitmanNão há nada a temer. Você não deve ter medo de ficar confuso ou não saber algo. Na verdade, este trabalho nunca foi revelado para ninguém na história desse mundo. Não temos ninguém para tomar como exemplo, uma vez que tudo está acontecendo pela primeira vez.

Portanto, nós devemos valorizar o papel que nos foi atribuído. Nós nem sequer sabemos como merecemos isto, e só podemos ficar orgulhosos deste fato e nos esforçar ao máximo para disseminar e explicar o conhecimento do mundo global em todos os idiomas. Assim, vamos atrair progressivamente grandes mudanças Acima, e depois disso, como está escrito: “O Criador vai terminar o nosso trabalho para nós”.

O nosso trabalho é apenas desejar e nos esforçar, como crianças que crescem desta maneira – e as mudanças virão.

Da Lição Diária de Cabalá 02/09/11, Escritos do Rabash

Tudo Vem Da Terra, Mas Depende Do Homem

Dr. Michael LaitmanOs níveis inanimado, vegetal e animal existem e evoluem em função da natureza. Eles crescem graças ao poder da Luz e podem recebê-la para avançar. Isso é chamado de Luz da vida.

No entanto, a quarta fase (Behina Dalet) é construída de forma diferente. Ela pertence ao nível humano e se desenvolve de forma completamente oposta, em comparação com os três níveis anteriores. Eles se desenvolvem diretamente, de Cima para baixo, enquanto que a fase humana (Behina Dalet) é exatamente oposta, desenvolvendo-se de baixo para cima.

Os níveis anteriores se desenvolvem em virtude do crescimento em seu ego, o desejo de desfrutar. O mesmo ocorre no mundo do Infinito, nas quatro fases da Luz Direta, e depois em nosso mundo, ou seja, em toda parte. Isso é chamado de as três primeiras fases, ao longo das quais a Luz desce, desenvolvendo o desejo até o quarto e último nível.

Mas em Behina Dalet já é diferente! Ela precisa estabelecer sua independência e se desenvolver por conta própria, caso contrário, nem uma única ação seria possível. Ela deve se opor a todas as três fases anteriores, tomar exemplos delas, e transformá-las de dentro para fora. A maneira como elas recebem a Luz é a maneira como Behina Dalet deve doar a mesma Luz.

Embora “tudo venha da terra”, do nível inanimado, isso se inverte: O homem toma tudo que existia nos três níveis anteriores e leva à equivalência com o Superior que os fez.

Por isso, nós estamos sempre falando de um herói principal que determina tudo: a fase humana da criação. E todos os outros níveis não são levados em conta porque é a natureza, a forma na qual o Criador aparece diante de nós para que possamos realizar as ações do homem e alcançar a equivalência com Ele. De fato, no nível “falante” nós não temos contato com o Criador até que comecemos a senti-lo.

Todas as fases anteriores da natureza foram dadas a nós para que pudéssemos existir de alguma forma até agora, e depois, sustentados sobre elas, construir o protótipo do homem.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 04/09/11, O Estudo das Dez Sefirot

O Grupo, A Nação, O Mundo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Parece que as circunstâncias nos empurram para a união, aparentemente para superarmos a crise, mas, na realidade, é para corrigir nossa natureza e nos elevar ao nível “humano”. Qual é a diferença entre a união no grupo, na nação e no mundo?

Resposta: Toda a sabedoria da Cabalá nos ensina a nos unir no grupo. Este também era o sistema durante o exílio (Galut), quando um pequeno número de Cabalistas se conectou em grupos. Isso é escrito sobre o Ari, Ramchal, Rabash e o Baal HaSulam. A sabedoria da Cabalá é realizada num grupo, na união. De dentro dessa união os Cabalistas viam o mundo superior, isto é, o que é sentido no atributo de doação que eles desenvolveram mutuamente no grupo.

Hoje, a partir do estado que chegamos ao grupo, nós precisamos sair para um estado onde todos os nossos grupos se unam num só, e este grupo comum e geral está dentro da humanidade como parte sua. Por outro lado, chegou o momento de nos unir dentro de Israel. É sobre isso que o Baal HaSulam escreve.

Mas de onde se pode começar? Pode-se começar com o grupo Cabalista que trabalha em sua união, e com base nela explica à nação a necessidade de se unir. Como essa necessidade já despertou não de dentro do homem, ou seja, do ponto no coração, mas através de um impulso da natureza, quando todos, Israel e, especialmente, as nações do mundo, sentem a pressão, o problema, crise integral global e geral. Assim, eles empurram por trás através do sofrimento à união.

Nós vemos que hoje em dia a necessidade de união não emerge porque um desejo individual, o ponto no coração, surge em nós. Em vez disso, as circunstâncias, a necessidade histórica nos obriga a conectar, para formar uma entidade completa a partir de nós mesmos, e assim ser exemplo para o mundo, tornando-se a “Luz para as nações”, de acordo com o mandamento bíblico.

Se assim for, nós continuamos o nosso movimento a partir dessa mesma sabedoria da Cabalá, de Abraão, de seu sistema, da nação de Israel nos tempos antigos, de sua conexão de amor mútuo. Aos poucos nós compreendemos que hoje temos que atingir esse mesmo estado: retornar às nossas raízes e continuar essa conexão a partir de nós para todo o mundo que evoluiu da antiga Babilônia e não quis receber o sistema de Abraão de conexão naquela época.

Assim, o grupo Cabalista que se ocupa da sabedoria da Cabalá está dentro. Ele é composto de pessoas que são impulsionadas pela demanda interna da alma. A nação que sente a crise, a pressão externa, se reúne em torno dele e involuntariamente toma sobre si a correção. E o mundo se reúne em torno da nação, com a ajuda de nossos grupos do mundo inteiro, que pertencem tanto ao grupo interno e às nações do mundo.

O grupo interno é chamado de “Kabbalah La’Am (Cabalá para a Nação)”, o qual se ocupa da sabedoria da Cabalá. A nação de Israel precisa tomar a forma de um grupo, não de um grupo Cabalista, mas como uma unificação numa família de Garantia Mútua. Este é o nosso movimento. A correção da alma é para o grupo, e a conexão da garantia mútua é para a nação.

A partir da necessidade de avançar no sistema de conexão, nós devemos nos voltar para o governo e outras instituições onde possamos promover a nossa idéia, abordar o Ministério da Educação e participar na educação da nação. Devemos fazê-lo por meio de cientistas que confirmem a existência da crise atual, baseado em critérios sociais objetivos e que realmente percebam a necessidade de união. Assim, com a ajuda dos cientistas devemos nos voltar para aqueles acima e abaixo: acima, para o governo, e abaixo, à nação. Devemos convidar cientistas para nossas discussões e despertar o interesse dos meios de comunicação de massa.

A Pessoa Não Pode Ser Forçada A Se Tornar Um Ser Humano

Dr. Michael LaitmanNós ainda estamos num estado antigo, onde percebemos a nós mesmos como os mestres do mundo, e esperamos corrigir a situação atual com algum tipo de ação. Nós descobriremos que nenhuma de nossas ações funciona, e não saberemos o que fazer depois. Se não há nada que possa ser feito, então só podemos esperar e ver o que se revela. Aconteça o que acontecer, acontece. Nós não temos escolha; nós estamos completamente desamparados.

Aqui, de uma forma um pouco indireta, a ciência da Cabalá se revela e explica ao mundo confuso e desesperado que uma nova autoridade da Natureza está sendo revelada. Ela está nos dizendo para parar de tratar a Natureza como algo primitivo, existindo nos níveis inanimado, vegetal e animal. A Natureza existe num nível muito mais absoluto, e contém um programa para todas as suas partes, especialmente a parte humana.

Finalmente, chegou o momento de nós realmente nos separar dos macacos. Até hoje, nós éramos como os macacos, ou seja, agíamos de acordo com nossa Natureza inata e éramos levados apenas pelos nossos desejos, decidindo qual banana arrancar da árvore. No entanto, a partir de agora, devemos evoluir de acordo com o programa da Natureza que nos desenvolveu até hoje, só que agora teremos de fazê-lo conscientemente, como seres humanos. Isto é o que está sendo revelado hoje.

É claro o motivo pelo qual esta explicação teve que vir de alguma força externa. (Entenda agora como a ciência da Cabalá é vital e porque ela tinha que acontecer numa forma artificial, através de um avanço externo). Afinal, o Criador poderia ter revelado tudo isso para nós, mas se Ele tivesse feito isso, nós não teríamos tido escolha. Nós teríamos continuado nosso avanço como macacos, como “animais sagrados”.

Se o Criador Se revelasse, nós aceitaríamos Seu governo como condição da Natureza. Agiríamos obedientemente de acordo com ela, assim como fazem os animais . No entanto, não nos tornaríamos independentes; não nos tornaríamos seres humanos, Adão, derivado da palavra Dome ou semelhantes ao Criador. Nós só estaríamos nos níveis inanimado, vegetal e animal da santidade, porque a Natureza (Criador) nos obriga.

O nosso método de correção teve que vir até nós indiretamente, para que pudéssemos nos tornar independentes como o Criador e ter a liberdade de escolha. É para que nós não estivéssemos frente a frente com o Criador, mas sim com o grupo e os livros, com algo que não nos obrigue diretamente e não afete nossas mentes e sensações.

Eu não sou obrigado de forma alguma. Eu li um livro Cabalístico, e fiquei impressionado até certo ponto, começando no nível zero, e depois no primeiro, segundo e terceiro  níveis, mas não no quarto. Para ser impressionado no quarto (humano) nível, eu devo ativar a mim mesmo, me inspirar a tomar certas medidas para atrair a Luz superior que corrige. Então, eu começarei a compreender e sentir as mudanças no meu quarto nível, dentro da minha matéria, o desejo de receber.

Da Lição Diária de Cabalá 02/09/11, Escritos do Rabash

Construindo Uma Ponte Acima Do Ódio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Existe diferença entre o trabalho interno pessoal e o trabalho em grupo?

Resposta: Na espiritualidade, não há separação entre o trabalaho pessoal e o trabalho em grupo: tudo é um só trabalho. Se eu existo apenas sob uma autoridade, sob o domínio completo do meu egoísmo, nada pode ser feito. Esta realidade é chamada “este mundo”, e em tal estado eu não tenho chance de mudar o meu ego.

Alterar o meu estado significa mudar “um lugar”. Ou seja, eu tenho que construir um novo lugar, novos sentimentos e mente espirituais. Isso só é possível por meio da conexão.

Meu trabalho pessoal é fazer um esforço para me conectar com os outros. Por essa razão, eu escolho as pessoas que podem me ajudar: elas são chamadas de grupo. Assim, tanto o meu trabalho pessoal quanto o trabalho em grupo acontecem, mas, essencialmente, este é um trabalho geral. Isto é porque eu não posso ficar sem elas, e elas não pode existir sem mim: é assim como nós somos organizados desde o início.

Não há outro trabalho além de conectar e sentir novos fenômenos espirituais dentro dessa conexão. Na medida em que eu desejo anexar o desejo interno delas em mim, eu corrijo o meu desejo. Na verdade, o meu vaso espiritual existe além do meu “Eu”, em todos os outros.

Eu tenho que conectar o que parece estar separado e distante de mim na minha consciência, obscurecido por uma parede do meu egoísmo, inveja, ódio e ambição, ou seja, o meu desejo de dominar os outros, de desconsiderar a todos, de governar e de usar.

Assim, o meu ego propositadamente me mostra diferentes formas do meu afastamento e abandono em relação ao outro ser humano, de modo que eu construa a ponte de amor em direção a ele. Quanto mais eu avançar, mais forte eu sentirei que desprezo os outros, rejeito-os, e quero usá-los para o meu próprio bem.

Eu faço isso com prazer ou vejo que é simplesmente necessário, e vou sofrer se não usar o outro. Nós estamos sendo submetidos a tais estados e colocados diante da necessidade de usar o outro e negligenciá-lo para nos salvar dos problemas. Enquanto isso, eu tenho que perceber que tudo isso é apenas um exercício ou uma brincadeira que tenho que superar a fim de vencer e me conectar aos outros, ou seja, acima disso.

A força egoísta me leva a um estado de total desespero: “Olha, se você não prejudicar os outros, você não será capaz de existir!”. Todo o nosso trabalho está em elevar-se acima disso. É por isso que este princípio é expresso em palavras tão gerais: “Ame ao outro (próximo) como a ti mesmo” – acima da inveja e do ódio, acima do desejo de usar os outros.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/08/11, Shamati # 121

Amar O Próximo? É Fácil!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Onde é que o mundo superior e este mundo entram em contato um com o outro?

Resposta: O nosso mundo e o mundo superior se encontram no desejo das outras pessoas, o qual eu posso conectar aos meus desejos para que se tornem como o meu. É por isso que existe a condição: “Ama o próximo como a ti mesmo”.

O meu desejo primordial é apenas um ponto. Eu não posso receber nada nele; ele não tem volume. Se eu posso conectar o desejo do outro a mim e aceitá-lo como meu, eu atuo de uma maneira muito interessante: eu peço para receber a Luz a fim de satisfazê-lo. A Luz vem, passa por mim, e eu preencho esse desejo. Se eu me conectar do mesmo jeito a um desejo ainda maior, e a desejos cada vez maiores, eu alcanço o mundo do Infinito.

O mundo do Infinito é todos os pontos em todos os corações. Assim, toda a Luz do Infinito passa por mim, e eu sinto essa Luz em todos os outros, nos desejos aparentemente estranhos que, como eu os conectei a mim, tornaram-se meus.

Isso esclarece o significado da máxima: “Ama o próximo como a ti mesmo”: “Tu” (um egoísta) “ama o próximo” (todos os outros, de modo que eles se aproximem de ti) “como a ti mesmo” (conecta os desejos deles a ti mesmo).

Então, você passará toda a Luz superior através de si mesmo. Você vai recebê-la nos desejos que você conectou a si mesmo: eles são seus. Assim, nós atingimos a perfeição, a eternidade, o mundo do Infinito. Esse é todo o nosso trabalho.

Da Série Lição Virtual aos Domingos 04/09/11

As Metamorfoses Do Desejo

Dr. Michael LaitmanPergunta: A correção ocorre do simples para o complexo, mas a revelação, a compreensão, ocorre do complexo para o simples. Como podemos combinar estes dois opostos?

Resposta: Estes dois opostos se encontram na pessoa, no seu desejo. À medida que o desejo é despertado, a pessoa executa certas ações: direciona o seu desejo, concentra-o, trabalha com ele corretamente e sente certos resultados nele.

Nós, a nossa natureza, o nosso desejo, são os objetos de estudo aqui. Eu investigo o que está acontecendo em meu desejo, em meu ser. Ao estudar os livros, chamados de “Torá” (de “Oraa” ou “manual”), eu transformo meus desejos de várias maneiras: mudo, combino, analiso, sintetizo, conecto-me aos outros, me aproximo ou me afasto, e assim por diante. Ao ler os livros que me falam das várias metamorfoses que ocorrem em meu desejo, eu atraio certo efeito sobre mim.

Assim, meu desejo se transforma constantemente e toma formas novas e adicionais. Ao mesmo tempo, nenhuma das formas muda. O desejo só fica encerrado em formas cada vez maiores, até adquirirmos todas as vestimentas em nosso ponto original no coração e alcançarmos a correção completa.

Da Série Lição Virtual aos Domingos 04/09/11

A Indiferença Mata Silenciosamente, Como Uma Serpente Astuta

Dr. Michael LaitmanA força da inércia, que constantemente nos impede de fazer alterações por nossa própria conta, de despertar e nos aproximar do Criador apesar da pressão dos sofrimentos, e coloca uma nuvem sobre nós, é chamada de “Amaleque”. Em geral, ela trabalha contra a importância da meta e é a causa de todos os fracassos.

Ela não parece fazer nada em particular. Ela simplesmente enfraquece a pessoa, tira seu desejo e a acalma, sugerindo que não há nada a temer: “Apenas vá em frente, e tudo ficará bem”. Ela é muito inteligente e, portanto, a mais forte: ela nos infecta com a indiferença. Portanto, esta força chamada de “Amaleque” é considerada o nosso principal inimigo neste caminho.

Nós vemos que todos os outros inimigos que querem nos impedir, gritam, se mostram e revelam suas qualidades. Mas Amaleque não é assim: ele vive silenciosamente nos bastidores, como uma serpente astuta. Há pessoas assim, que sabem como seres invisíveis, mas nunca se esquecem de si mesmas e sempre conseguem, de forma oculta e furtiva, transformar tudo em seu favor. Essas pessoas causam mais danos.

É dito que nós temos que apagar a própria memória de Amaleque. Este é o trabalho sobre a importância da revelação do Criador, no que diz respeito às ações que estamos fazendo para esse fim e com respeito às nossas esperanças de que isso acontecerá de Cima.

Nós estamos no mundo da ação. Portanto, até que possamos realizar algumas ações na prática, nada acontecerá. Pode parecer que as ações não decidem nada, porque o principal é a intenção. Mas a verdadeira intenção está Acima na Luz, e nós estamos no desejo.

É por isso que até que a possibilidade de realizar as ações de conexão ou proximidade mútua se apresentasse desde baixo, a sabedoria da Cabalá não foi revelada e não saiu da ocultação. Afinal, nada poderia ser feito se não houvesse oportunidade de realizar qualquer correção de forma prática.

Nossas intenções são sempre egoístas, mas as coisas poderiam trazer mudanças, como se diz, que os corações seguem as obras. É por isso que quando o mundo começa a mudar muito, porque o Criador está se aproximando de nós, nós podemos realizar as mesmas ações, indo até Ele. E mesmo que essas ações sejam sem a intenção correta, elas ainda mudarão e purificarão os nossos desejos, ou seja, serão úteis.

Portanto, a sabedoria da Cabalá está sendo revelada, e nós podemos trabalhar e produzir mudanças em nós mesmos através de nossas tentativas de união mútua e através da disseminação desta mensagem em todo o mundo. Nós explicamos o futuro que a humanidade deve alcançar e o que nos espera. Nós explicamos como devemos agir para que a revelação do Criador seja suave, quando não a evitamos de todas as formas possíveis, mas sim desejamos viver segundo a Sua nova abordagem.

Um novo controle, um novo poder, foi estabelecido no mundo; uma nova rede de forças que rege o mundo atual está sendo revelada. E nós temos que entender e senti-la, para estar em conformidade com ela. Se dermos o melhor de nós para conseguirmos isso, apagaremos a memória de Amaleque, porque Amaleque trabalha principalmente minimizando a importância do Criador, a qualidade de doação mútua, que é toda a essência do novo controle, o novo governo, aterrissando agora no nosso mundo e cobrindo-nos como uma nuvem.

A razão para a crise é que o Criador está se aproximando; Sua qualidade de doação está chegando até nós, e nós começamos a senti-la cada vez mais forte entre nós. Nós “apagamos a memória de Amaleque” com nossas explicações na prática, neste mundo de baixo. Então, o Criador, a força superior, concluirá esta ação de Cima com a Luz que Corrige.

Se nós tentamos realizar essas ações, mesmo em nossa velha natureza egoísta, mas em conjunto, com o mundo inteiro, sempre que possível, explicando e aproximando as pessoas do Criador, atraímos a Luz da correção e começamos a mudar. Isto é, primeiro nós apagamos a memória de Amaleque embaixo, e de acordo com isso, o Criador depois apaga a memória dele Acima.

Assim, nós nos tornamos aliados Dele, lutando contra um inimigo que está entre nós e nos separa do Criador, e também nos separa uns dos outros. Com isso, a nuvem de neblina se transforma em um poderoso campo de conexão, onde descobrimos o nosso novo vaso (desejo), e lá a qualidade de amor e doação, que é chamada de revelação do Criador aos seres criados.

Da Lição Diária de Cabalá 02/09/11, Escritos do Rabash