Textos na Categoria 'Torá'

Sabendo O Que Perguntar E A Quem

Avanço espiritual é, de acordo com a fórmula de “Israel, a Torá e o Criador são um “. “Israel” é aquele que exerce a disciplina em si mesmo, a fim de construir uma deficiência dentro de si cumpra o desejo do Criador permitindo assim que Ele seja revelado. A fim de fazer isso, o vaso dos seres criados tem que ser inteiro. Quem anseia por descobrir todo o vaso é chamado de “Israel”. Afinal, o Criador, a Luz superior, está em repouso absoluto e precisa apenas dos vasos.

A Torá é realmente o instrumento que precisamos para descobrir o amor para os seres criados e do amor do criado para alcançar o amor do Criador. Nós esforçamo-nos pelo desejo de amar os seres criados, subindo acima de nosso estado, e para estar incorporados no ambiente, organizando-o de acordo com todas as condições necessárias para que ele nos influencie e nos corrija. É impossível alcançar o despertar certo sem um ambiente; só é possível por influência externa.

Quando nós nos esforçamos o suficiente, nós descobrimos que não podemos fazer nada. E outra vez, descobrimos que não podemos alcançar o amor dos seres criados e, eventualmente, nós entendemos que precisamos da ajuda do Criador. Em seguida, uma oração explode por si só e nos leva ao Amor do Criador.

Acontece que as três condições: Israel, a Torá, e o Criador nos levam ao objetivo, como é dito: É impossível saltar imediatamente à frente sem primeiro “eu tenho trabalhado e tenho encontrado, acredite.” Moldando a si mesmo, isto é, sem a Torá, sem oração, sem um pedido, é impossível alcançar o Criador. Seria um pedido egoísta para o qual não vais obter uma resposta. Não tens as letras da oração, uma vez que são criadas apenas pelo esforço de uma pessoa. Somente quando a sua medida é preenchida vais saber como voltar para o Criador com o pedido.

Antes, não tens sequer uma deficiência ,eis porque o Criador ta quer dar , para que não voltes para o Ele com o mesmo pedido, e isso diz claramente por que não ganhas nada antes de a adquirir.

Se quiseres economizar tempo e energia, e para alcançar a meta rapidamente, deves agir no sentido de “Israel, a Torá e o Criador são um” para que, eventualmente, eles se unam em um todo. Acontece que a direção certa é o esforço de conexão no grupo, a fim de descobrir o Criador e trazer-lhe felicidade. Como está escrito: “. Desde o amor dos seres criados para o amor do Criador” Todos os sábios dizeres “referem-se apenas a esses três estágios: Israel, a Torá e o Criador.

Da preparação para a Lição Diária da Cabala 10/04/13

Nós Não Somos Escravos De Escravos, Mas Sim Servos Do Criador!

Dr. Michael LaitmanRabash, “Dargot HaSulam“, artigo 932, “A Primeira Inovação”: Todas as inovações só começam após a pessoa merecer deixar a aquisição para si mesma. Antes disso, ela está totalmente imersa em seu desejo de prazer, e este desejo a domina. Portanto, nenhuma inovação pode acontecer nela, tudo vem apenas de seu ego. Uma inovação só pode vir através do poder de outra natureza, que a pessoa ainda não tem. Por este motivo, todas as inovações só começam depois que a pessoa deixa o seu ego, o desejo de receber para si mesma, isto é, ela deixa o Egito.

E esta é a idéia de que é proibido ensinar Torá aos adoradores de ídolos.

A pessoa que serve a outros deuses ainda não tem contato com o Criador, não saiu do Egito. Este é o nome de um nível espiritual. Portanto, uma pessoa normal deste mundo não deve chamada assim. Adoradores de ídolos são pessoas como nós, que são atraídas ao Criador, mas ainda atribuem particular importância aos valores materiais, à recepção para si mesmo.

Por esta razão, elas são chamadas de AKUMA (um acrônimo para “Servos de estrelas e constelações”, e também desvio ( Akum ), “indireto”). Você vê que elas não estão dirigidas “direto ao Criador” (Yashar-El), como Israel, mas sim adoram estrelas e o destino, o que significa que são dominadas por várias forças e valores egoístas.

É proibido ensinar Torá para adoradores de ídolos. “Proibido” significa impossível. Você vê que a Torá é a Luz, todo o sistema superior, todos os mundos espirituais, as relações entre a pessoa e o Criador. É impossível ensinar isso a um idólatra, que se encontra na receptividade egoísta e não tem nenhuma conexão com o sistema de doação.

E, de fato, quando a pessoa está no Egito, ou seja, na receptividade egoísta, ela não pode ser um Yehudi, (da palavra “Yichud” – unidade, que significa unir-se com toda a criação e com o Criador), porque está escravizada ao Faraó, rei do Egito. A pessoa é escravizada pelo seu ego, o rei do mundo material.

E quando ela é escrava do Faraó, ela não pode ser serva do Criador. Ou é o Faraó ou o Criador, porque tudo depende da intenção com que uma pessoa se identifica e que ela quer servir: benefício pessoal ou doação.

“E esta é a ideia, ‘Porque os filhos de Israel são meus’, eles são os meus servos”, diz o Criador, “e não sejam escravos de escravos”. Você vê, o Faraó também é um servo do Criador, ele é um anjo, e é um sistema que realiza o pensamento da criação por compulsão, sem qualquer liberdade de escolha. O Faraó é um anjo; você vê que está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal”. Toda a criação, todo o ego se encontra nas mãos do Criador. E se a pessoa serve em nome do Faraó, ela é chamada de “escravo de escravos”, pois ele serve o escravo e não o Mestre.

Quando a pessoa serve a si mesma, ela não pode ser serva do Criador, pois é impossível servir a dois reis ao mesmo tempo. E só depois que a pessoa deixa o Egito, depois que ela recebe suficiente Luz que Reforma, elevando-o acima de seu desejo de prazer, que é da recepção para si mesma, então ela pode ser serva do Criador. Mas, para continuar a ser serva do Criador, ela precisa escolher isso o tempo todo: em cada momento, com cada desejo Então, ela está pronta para merecer a Torá. Segue-se que a primeira inovação é a saída do Egito.

A Torá começa com a saída do Egito em diante. Portanto, depois disso ocorre a entrega da Torá. A Torá inclui toda a Luz do Infinito, toda a Luz superior que preenche os mundos superiores e é projetada para a correção gradual do desejo de receber da criatura, até que ela chega à  equivalência de forma com o Criador.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 31/03/13

Uma Mensagem Para A Nuvem De Glória

Dr. Michael LaitmanO Midrash, “O Livro de Jetro”: Quando Jetro se aproximou do acampamento dos filhos de Israel, escreveu uma carta a Moisés dizendo: “Seu sogro Jetro chegou. Por favor, venha e me encontre. Se você não vier por minha causa, faça-o por sua esposa Séfora; se não for por ela, faça-o por seus dois filhos”. Jetro amarrou a carta em uma seta e lançou-a para a Nuvem de Glória. A Nuvem geralmente rejeitava tudo, mas ela deixou esta mensagem passar por causa de Moisés.

Esta passagem fala sobre um estado interno da pessoa. Não há nenhuma conexão entre a propriedade de “Jetro” e a propriedade de “Moisés”. Moisés separou-se de Jetro, e é por isso que Jetro diz: “nós temos a oportunidade de estabelecer uma conexão entre nós; se não entre você e eu, então entre você e Séfora; se não com Séfora, então com seus dois filhos”. Ele está procurando uma maneira de fazer uma conexão. “Lançar uma seta para a Nuvem de Glória” significa que Moisés permanece no próximo nível (superior) e este é impossível alcançá-lo.

Quando na espiritualidade eles dizem que “alguém envia uma mensagem (ou um representante/intermediário) para outro porque é impossível aproximar-se diretamente dele”, isso significa que duas propriedades (recepção e doação) são incompatíveis e não se entendem. Jetro é a propriedade de recepção (egoísmo), enquanto que Moisés representa a propriedade da doação. Essas duas propriedades são incompatíveis dentro de uma pessoa, de modo que deve haver um “adaptador” que as conecte. A única coisa que a propriedade denominada “Jetro” é capaz de fazer é elevar seus desejos e “enviar uma mensagem para a Nuvem de Glória,” isto é, para a propriedade de Moisés, a qual ele é incapaz de se aproximar e compreender.

A separação que existe entre Moisés e Jetro é essencial e indispensável. Neste ponto, juntos eles começam a criar uma conexão. É o momento quando as propriedades egoístas começam a se manifestar no povo de Israel. O povo de Israel saiu do Egito sem corrigir essas propriedades; eles simplesmente receberam estas qualidades sem implementá-las.

Este é o momento quando estas qualidades começam a se corrigir gradualmente; Jetro é a manifestação das mesmas propriedades egoístas, mas agora elas têm um desejo de alcançar o nível de Moisés. Este nível já está “semeado” em Jetro, já que Moisés passou 40 anos junto com Jetro (a distância entre Malchut e Bina), colocando este ponto nele. Este ponto é a “seta” que Jetro envia a Moisés. Naturalmente, Moisés muda seu caminho e o enfrenta, uma vez que nenhum homem é capaz de rejeitá-lo, pois ele percebe como este é essencial para ele.

Moisés diz a Jetro tudo o que aconteceu com ele. Jetro começa a sentir o que ele está falando e abençoa o Criador por tudo o que Ele fez por Israel. Essas duas propriedades dentro de uma pessoa começam a sentir uma à outra e são incorporadas uma na outra. Antes de tudo, Moisés tem que fazer o trabalho no nível de Bina e, em seguida, continuar a usar suas qualidades inferiores (chamadas “povo”), ou seja, que o trabalho espiritual é sempre feito primeiro no plano mais fino e só depois os desejos mais espessos, grosseiros são adicionados a ele.

Moisés transfere a Torá a Jetro na medida em que a Torá entra no egoísmo e começa a trabalhar no seu interior. Depois que Jetro recebe a Torá, ele por sua vez explica a Moisés como trabalhar com o egoísmo.

A distância entre Malchut e Bina são 40 degraus (ou 40 anos). Jetro é Malchut que sobe ao nível de Bina e se une a ela. Moisés, em seguida, inclui-se em Jetro e começa a trabalhar nele, que é Bina que desce a Malchut.

Moisés entregou a Torá a Jetro sob a forma alegórica; ele abrangeu parcialmente os degraus que já foram cobertos por Moisés e o povo, ou seja, as qualidades que já tinham sido corrigidas. Em seguida, Jetro diz a Moisés como trabalhar com o egoísmo, isto é, Malchut que sobe a Bina cria o sistema que trabalha com o egoísmo. Desde então, o nível superior (Bina) tem que incorporar o egoísmo, a fim de descobrir como trabalhar com ele e criar um sistema de correção gradual do “egoísmo dentro do egoísmo”. É por isso que Jetro e Moisés têm que ser incluídos um no outro, em vez de ficarem distantes.

Depois que Moisés transfere a Torá para Jetro na forma que ele mais precisa para voltar ao seu povo e corrigir seus desejos inferiores (Jetro é uma etapa transitória para abaixar os desejos que apoiam “seu povo”), Moisés recebe de Jetro um sistema que funciona com o egoísmo. Ele começa a perceber as maneiras de dividi-lo em dezenas e centenas de milhares de partes e aprende a trabalhar com a espessura (Aviut) dos desejos, ou seja, com algo que está ausente em Bina por causa de sua transparência. Quando a espessura se aproxima de Bina, surge a necessidade de iniciar um sistema hierárquico. Isto é como o sistema é construído, embora não seja muito típico para Israel.

Israel é uma propriedade de Bina, a qualidade de doação. No entanto, o povo de Israel saiu do Egito tendo absorvido o egoísmo em sua totalidade. Neste momento, eles começaram a “organizar” o egoísmo e perceber como trabalhar com ele passo a passo. Devido a Jetro, o povo de Israel adquiriu a chance de aceitar o sistema que visa o egoísmo.

Da Kab Tv “Mistérios do Livro Eterno”, 11/03/13

Os “Estrangeiros” do Nosso Mundo

Pergunta: Em uma das partes semanais da Torá, fala-se principalmente sobre o monte Sinai e dos mandamentos, mas é chamado pelo nome do herói “Yitro -. Jethro” .Por quê? Fala-se sobre ele apenas no início e esta não é a coisa principal.

Resposta: Isso só parece ser assim. Nós não sabemos o que é importante na Torá e que não é. Ela revela tudo de uma forma acidental como esta, para que unicamente uma pessoa que está ocupada com o trabalho, a fim de que ela entre no mundo espiritual, começe a entender o que realmente está sendo dito neste livro de instruções. Portanto, existem quatro níveis de compreensão da Torá:. Simples, literário, alegórico, e verdadeiro.

Jethro é um grande sistema do mundo espiritual que, essencialmente, conecta a característica de doação e a característica de recepção, e, especificamente, devido a isso, uma pessoa pode começar a trabalhar com os seus desejos egoístas, na forma correta. [Leia mais →]

Quem Conquista Amaleque?

Dr. Michael LaitmanE sucedeu que, quando Moisés levantava a mão, Israel prevalecia, e quando ele abaixava a mão, Amaleque prevalecia. Mas as mãos de Moisés eram pesadas, e eles tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, e ele sentou-se nela, e Arão e Hur sustentavam-lhe as mãos, um de cada lado, e suas mãos ficaram firmes até o pôr do sol.

E Josué prostrou Amaleque e seu povo com o fio da espada (A Torá, Êxodo, “Beshalach“, 17:11-17:13).

Moisés descobriu o atributo de Bina, o atributo da doação numa pessoa. As mãos estendidas para cima simbolizam alegoricamente a conexão com o Criador. Esta é a elevação de MAN (pedido), a conexão do Partzuf inferior com o superior.

Quando Moisés levantou as mãos, ou seja, quando o atributo de Bina se alimenta de Keter (Coroa), do atributo superior de doação, então Israel ganha. Isto significa que estes são os atributos de um homem que tenta escapar de Amaleque e se eleva. Ele sobe acima de Amaleque e, assim, conquista-o.

Amaleque é a base do mundo, a base do ego. No entanto, isso nem sempre é claramente revelado. As pessoas comuns não pensam que são egoístas. Elas se consideram cidadãos normais, que dão e recebem. Considerando que esses atributos aparecem mais tarde nas pessoas com o ponto no coração que descobrem a sua natureza como sendo completamente egoísta, isso já é Hamã, Amaleque, Balaão e Balaque.

É impossível conquistar Amaleque porque os meios e as forças numa pessoa para conectar com o Criador são limitados. Assim, o ato em si, a guerra com Amaleque, continua de geração em geração. Isso significa que, devido a sua subida em cada nível espiritual, você está sempre em guerra com ele.

Isso continua até que você destrói completamente Amaleque pela força do Criador. Isso acontece quando a pessoa, que já se corrige, conquista seus atributos corrigidos e não pede nada para si. Assim, o Criador corrige nele seu último atributo egoísta de uma só vez.

Isto significa que, enquanto existe inconscientemente um grão de ego em mim, visto que ele está dentro de mim como a minha base, é impossível para eu trabalhar quando não estou conectado à ação e seu resultado. Isso é Amaleque, como uma serpente, que de qualquer forma está rastejando em algum lugar. Assim, a guerra com ele nunca acaba.

Apenas os atributos especiais numa pessoa lutam com ele, e os outros não, já que é impossível colocá-los na guerra contra Amaleque. Eles cairiam. Eles não seriam capazes de resistir ao pedido para você ter apenas doação. Assim, apenas alguns poucos atributos guerreiam. Neste nível, os atributos de doação vencem, ou seja, a fé, que é o atributo de doação e amor, e continuam avançando.

Pergunta: Diz-se, “… e as suas mãos estavam firmes até o pôr do sol”. Que estado é este estado chamado “até o pôr do sol”?

Resposta: Enquanto a Luz superior é atraída a Moisés, enquanto existe a conexão entre Moisés e Keter (entre Bina e Keter), não há força que se oponha a Amaleque. Então, depois disso, tudo desaparece. Este nível está oculto e o próximo nível é revelado, já que o dia começa com a noite.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 04/02/13

O Plano Geral E Cada Passo Ao Longo Do Caminho

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que se diz que se a pessoa executa uma Mitzva, esta a protege e salva, enquanto que a Torá protege e salva a pessoa quando esta lida com ela e quando não lida? Porque é que existe tal divisão na correção?

Resposta: A Torá é chamada de Luz que circunda a pessoa no caminho espiritual. Mesmo quando a Luz Interior, que costumava preencher seu vaso no estado atual, desaparece, ainda há a iluminação da Luz Circundante, que sustenta a pessoa. Afinal, se não houver nenhuma Luz que brilhe para a pessoa, ela deixa de existir. Tudo na vida é sustentado apenas pela Luz.

Quando a pessoa não realiza uma Mitzva, ou seja, que ela não descobre certa Luz — a Luz de Hassadim ou a Luz de Hochma — ainda há a iluminação geral chamada “Torá” graças ao estado que ela alcançou. Este é o plano geral da criação que está diante da pessoa e brilhando para ela. Ela entende isso, mas neste momento, ela não está lidando com determinado item com uma correção específica.

Estas Mitzvot são ações de uma pessoa de acordo com Reshimot específicos (genes espirituais) que são revelados a ela, nos quais a Luz Interior, a Luz Circundante e o Partzuf espiritual participam. Ela está trabalhando em certa autocorreção. Portanto, existem 613 Mitzvot que incluem toda a Torá. A Luz de Ein Sof (Infinito) é chamada de Torá, a Luz que vai ser revelada no final da correção.

Torá é um sistema de desejos (vasos), Luzes, Reshimot e diferentes relações entre o ponto no coração e o Criador. Todo este sistema que se destina a levar o ponto no coração à adesão com o Criador é chamado de Torá.

Mitzva é um passo concreto que temos que dar em nosso caminho para atingir a meta.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/03/13, Shamati #6

Olhando Para O Resultado Final

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar,” Item 4: Para compreender essas questões e dúvidas, a única tática é examinar o final do ato, ou seja, o propósito da Criação. Pois nada pode ser entendido no meio do processo, mas somente no seu final.

Esta é a regra, apenas ao observar o final do ato nós podemos entender todos os detalhes, fases, razões para tudo e o processo inteiro. É porque só no final é que se torna claro como cada detalhe é essencial, e até que ponto todos estes detalhes tiveram que ser dispostos um após o outro nesta ordem; só no final nós vemos que tudo está completo. O final completo só é possível quando todos os detalhes são organizados corretamente. Mas como podemos chegar ao final, se estamos no meio do nosso caminho?

Está claro que não há nenhum ato sem um propósito. Nós vemos isso hoje na ciência moderna, onde tudo realmente age de acordo com uma relação de causa e efeito e de acordo com leis absolutas. Pelo menos ao nível da natureza inanimada, vegetal e animal, eu descubro grande sabedoria, lógica e bom senso; não há nada de redundante, e tudo está organizado de modo que cada pequeno detalhe está conectado a todos os outros detalhes infinitos. Assim, eu posso chegar a uma conclusão sobre o nível “falante”: que a corrupção que vejo decorre da minha própria percepção corrupta, que não me permite ver a ordem maravilhosa que está também no nível “falante”, mas, pelo contrário, mostra-me uma imagem que é o oposto da verdade. Nós realmente vemos corrupção e grande transtorno na sociedade humana, mas é porque estamos causando isso.

Claro, pode haver outra explicação para este fenômeno: podemos dizer que o Criador é bom e benevolente e que Ele inclui tudo e faz tudo, mas que Ele abandonou Sua criação. Baal HaSulam traz diferentes análises desta abordagem, em seu artigo “A Paz”. No entanto, se eu já respondo ao que vejo na vida e uso diferentes abordagens, eu entendo melhor que é preferível olhar para o resultado final. Com a experiência de nossos estudos, nós vemos que a natureza se desenvolve segundo determinado objetivo. Assim, Baal HaSulam diz que devemos primeiro olhar para o objetivo da criação, uma vez que é impossível entender qualquer coisa no meio do caminho, mas apenas olhando para o resultado final.

Eu sei que há aqueles que lançam sobre suas costas o fardo da Torá e Mitzvot, dizendo que o Criador criou toda a realidade,  e depois a abandonou sozinha. Aqui, Baal HaSulam refere-se às pessoas que não acreditam que tudo foi criado para o homem, que o homem é o centro da criação, e que somente deste ponto podemos nos desenvolver corretamente. Tudo foi criado para mim — todo o nosso mundo e todos os mundos — e eu tenho que aceitar isso, revelar isso e controlar a situação; “para mim” significa que posso corrigir e usar isso. Este uso é chamado de “observar as Mitzvot” o que faço com a ajuda da Luz que Reforma ou “Torá”. Assim eu atinjo a meta da criação.

Na verdade, eles falaram sem conhecimento, pois é impossível comentar sobre a nossa baixeza e falta de sentido antes de decidirmos que criamos a nós mesmos com nossas naturezas corrompidas e perniciosas. É claro que não somos um todo, mas é impossível decidir que o mundo é baixo se não vemos como tudo nele gradualmente revela a sua plenitude.

A pergunta é: se o Criador é completo, então Ele não criou a evolução de uma forma perfeita desde o início? Mas isso não é possível, já que também deve haver uma realidade na criatutra. Esta realidade é o oposto do Criador, e por isso tem que ser constituída de duas partes opostas: o atributo do Criador e o atributo da criatura. Os dois atributos têm que crescer na criação e dentro dela enfrentar um ao outro; ela está no meio entre os dois atributos, construindo-se de duas forças: a força de doação e a força de recepção.

Isso significa que se nós não compreendermos a meta, definitivamente não seremos capazes de justificar a criação e vamos encontrar diferentes justificativas, tais como: o Criador que é um todo está decepcionado conosco, nos deixou e encontra-se em algum lugar em Sua plenitude. Outras versões são de que o Criador não se encontra nestas duas forças, a força boa e a força má, ou que pode haver muitas forças boas e muitas forças do mal, etc.

De uma forma ou de outra é claramente impossível justificar o que está acontecendo, a menos que a pessoa receba a Torá, isto é, a menos que atinja o estado que entende que está num sistema corrupto e que é dessa forma que ela se tornará parte dele, vai corrigi-lo pela Luz conforme atrai a si mesma cada vez mais para operar o sistema. Então ela descobre que tudo foi criado para ela e que era impossível alcançar o nível do Criador sem primeiro corrigir o sistema, ou para ser mais exato, instalá-lo. Da mesma forma que crianças constroem a si mesmas através de jogos, coletando e juntando seus brinquedos, o mesmo ocorre em nosso trabalho, a conexão das partes. Por isso temos que jogar jogos de conexão, união e garantia mútua, a fim de entender a meta.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/02/13, “Introdução ao Livro do Zohar

Ajudar–Me A Construir O Puzzle Da Criação

Temos sempre que estar ligados e tentar ver a Torá na conexão entre nós e como cumpri-la. O que representa uma certa conexão, onde entre nós está Hamã, onde está a Mordecai, que é Ester, quem é Assuero, o que aconteceu com os dez filhos de Hamã e sua esposa?

Se ignorarmos os caracteres físicos, nossos e dos amigos e falarmos sobre forças, sobre atributos, acerca de discernimentos e não sobre os corpos que são percebidos pelos cinco sentidos, se nós nos elevarmos ao nível da rede das forças da criação, em seguida, isso significa que estamos cumprindo a Torá nas relações entre nós. Então nós já começamos a vê-las e aprendemos isso. Isso é chamado de implementação, chegando mais perto da correção, e construímos a imagem de Adão , o homem. Então, você verá o quão necessário, cada um dos amigos é e que mesmo que todas as forças negativas têm existir para que você não concorde com tal comportamento, vai manter-se longe deles, e decidir não usá-los internamente.

Não aplicamos suficientes esforços constantes para nos aproximarmos e conectarmos no nível das forças, intenções, e não ao nível dos corpos físicos. Temos de penetrar um pouco mais e começar a desenhar afastado da imagem corporal habitual, a fim de ver a rede que estamos construindo entre nós, ou mais precisamente, para descobrir isso.

Todos têm que tentar imaginar que estão no sistema de forças e não entre corpos físicos deste mundo e todo o seu lixo. Temos, finalmente que ver e imaginar este mundo corretamente. É impossível, mencionar isto o tempo todo. Uma pessoa tem de mudar seus pensamentos. A fim de fazer isso, temos que apoiar um ao outro e precisamos de garantia mútua, quando todos pensam da mesma forma.

Então você começa a perceber e identificar que todos os amigos estão em tais relações internas, de tal intenção, em tais ações, que você percebe que eles não estão realizando as ações externas, mas que todos estão a tentar construir e a ligar esse puzzle. Todo mundo sente que seus esforços determinam se este puzzle estará corretamente ligado, se todo mundo se liga e como na foto que está gradualmente sendo concluída, revelando a força geral de doação chamada o Criador, com todos os seus detalhes e características especiais.

Isso já é um sinal de que a Torá está sendo revelada para nós, que a Luz superior está começando a esclarecer e explicar as suas regras, a sua natureza. Assim, começamos a viver nesse nível.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala de 25/02/13 , Escritos de Baal HaSulam

Pergunte A Hamã E Faça O Oposto

Dr. Michael LaitmanRabash, “E Ele Deve Considerar em Sua Torá (Ensinamentos)”: Assim, nós lemos na Meguilá, “e depois de tudo isso, o rei elevou Hamã”. Literalmente é difícil de entender. Afinal de contas, depois do que fez Mordechai, que foi bom para o rei, o rei deveria elevar Mordechai e não Hamã, e isso precisa ser explicado…

Quando a pessoa não consegue ver a verdadeira face do seu mal, o que significa a verdadeira forma de Hamã, ela não consegue orar ao Criador, para que Ele a salve do mal. Somente quando a pessoa vê a grandeza de Hamã, que quer matar e destruir todos os judeus, ou seja, que Hamã queria destruir tudo o que pertencia ao judaísmo, que não o deixa fazer tudo o que está relacionado à Santidade, então a pessoa pode elevar uma verdadeira oração. Assim, o verso “o Criador o ajuda” é cumprido.

Só se nós ansiamos pela unidade como Mordechai, que evocou o anseio pela unidade ao descobrir a conspiração contra a unidade e a matando-a (dois dos cortesãos do rei que o traíram), Hamã é evocado. A inclinação ao mal enfrenta a boa inclinação, o desejo de receber de eleva diante do desejo de doar, e uma luta entre os dois começa dentro da pessoa.

Apenas ao elevar e capacitar a força boa é que a força do mal cresce e, então, nós elevamos o bem de novo e o mal também cresce. Este processo continua até chegarmos a um estado em que temos que tomar uma decisão nesta luta. Não podemos pedir a boa inclinação, uma vez que ela não precisa de nada, não quer nada, mas apenas doar sempre que recebe. Portanto, nós sempre perguntamos a inclinação para o mal, e daí fazemos o oposto.

Isso é chamado “trabalhar na fé acima da razão”. Nós sabemos como o nosso desejo de receber sente e segue a fé acima da razão. Caso contrário, não temos como imaginar como o mundo espiritual é, o que significa estar acima de mim mesmo, o que significa doar. Mas nós sabemos que ele é oposto ao nosso desejo de receber egoísta, que nós conhecemos muito bem.

Portanto, quando o desejo de doar cresce, nós temos que elevar o desejo de receber e perguntar-lhe o que ele acha que deve ser feito, e depois fazer o contrário! É assim que funciona.

É porque nós não vemos a imagem do bem; nós não temos uma imagem que possa se assemelhar ao Criador. A única maneira é criá-la como uma imagem oposta do desejo de receber. Por isso, nós recebemos um ambiente que deve nos ajudar a transformar o desejo de receber, ou seja, a intenção de receber numa intenção de doar. Isso é chamado de “arrepender-se”, voltar ao Criador, a subida de Malchut à Bina.

Nós não temos ideia do que é a imagem do bem, mas apenas que é oposta ao mal.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 25/02/13

A Unidade Determina Tudo

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Shamati, artigo 66, “A Entrega da Torá”: A questão da entrega da Torá, que ocorreu no Monte Sinai, não significa que a Torá foi dada uma única vez e depois a doação foi interrompida. Ao contrário, não há ausência na espiritualidade, uma vez que a espiritualidade é uma matéria eterna, interminável. Mas, já que do ponto de vista do doador, nós não estamos aptos a receber a Torá, nós dizemos que a interrupção é pelo Superior.

Uma vez na história da humanidade, um bebê nasceu cujos pais o chamaram de Adão. Por que eles o chamaram de Adão? Eles não sabiam por que, isso foi determinado pela Providência superior.

O bebê cresceu, amadureceu e, provavelmente, começou a perguntar sobre o significado da vida. “Por que e para que estou vivendo?”. Então, por volta dos 37 anos, o Criador foi revelado a Adão e ele começou a ensinar as pessoas, e, assim, lançou as bases para uma cadeia de eventos que a Torá descreve, todas as gerações até Abraão e as fases de desenvolvimento que se seguiram.

No geral, nós estudamos a história, a geografia e a essência espiritual junto. Portanto, no que devemos acreditar? Ou, mais precisamente, como devemos imaginar esses eventos? Será que eles se desenvolvem tanto na espiritualidade quanto na corporeidade? Por exemplo, a transição do grupo de Abraão da Babilônia para a Terra de Canaã é idêntica a uma subida interior? Ela foi acompanhada pelo reconhecimento do mal e da bondade, pela unidade?

Por exemplo, se eu me unir fortemente com os amigos, eu deixo a Babilônia, e se me unir mais fortemente com eles, eu entro na terra de Canaã. Se eu descer os níveis de unidade, eu me encontro no Egito. Se eu me unir de uma forma diferente, eu passo de Hebron para Beer Sheba…

Acontece que tudo é medido de acordo com a intensidade da nossa unidade. É sobre isso que nos fala a sabedoria da Cabalá: não é sobre este mundo; eu não olho para ele, exceto dentro, sabendo que dentro de mim todos os detalhes da minha percepção dependem do nível de união ou separação dos amigos.

Ao mesmo tempo, os Cabalistas dizem que também deve haver um “ramo” corporal que é paralelo ao que acontece na “raiz” espiritual. A “raiz” deve tocar o “ramo” uma vez: em sua primeira revelação. Afinal, esta revelação vem de cima para baixo, e assim, tudo o que a Torá descreve também foi cumprido até certo ponto em nosso mundo.

Nós sabemos que o Primeiro e Segundo Templo, a história de Purim que é descrita no livro de Ester, as guerras do povo de Israel, os exílios realmente ocorreram. Os túmulos de José, Rebeca, a Caverna de Machpelah e outros lugares santos ainda existem. Em outras palavras, os níveis espirituais foram realmente revelados nas pessoas que viviam naqueles tempos em nosso mundo.

Primeiro, o processo descendente ocorre desde o mundo de Ein Sof (Infinito) até o verdadeiro “fundo” – como dizemos: de uma extremidade a outra. Então, nós temos que cumprir o potencial que adquirimos nos níveis dos “antepassados” durante a destruição do Templo e durante o exílio.

Hoje nós estamos num tal estado de escuridão que sequer sabemos ao que realmente se refere um exílio. Se levarmos em conta a atual crise, muitos sentem que talvez tenham sido exilados da terra da riqueza, respeito e outros prazeres terrenos. Nós descemos tão baixo, em tais profundidades onde a escuridão esconde a essência real do exílio do mundo espiritual, do atributo de amor e doação. Para nós, a doação é o oposto: um atributo indesejável.

Agora nós temos que começar a subida e ela tem que ser uma subida interior. É claro que ela também vai afetar o mundo físico, mas nenhuma ação externa é exigida de nós. É a espiritualidade que determina a forma que vamos ter, individual e coletivamente, que tipo de humanidade haverá, e que tipo de mundo.

A entrega da Torá diante do Monte Sinai ocorreu tanto num nível espiritual como num nível corporal. A questão da entrega da Torá, que ocorreu no Monte Sinai, não significa que a Torá foi dada uma única vez e depois a doação foi interrompido. Ao contrário, não há ausência na espiritualidade.

Não é o mesmo na corporeidade: não há nada de sagrado no Monte Sinai, e nem as pessoas ortodoxas ou não religiosas são atraídas a ele. Por outro lado, a espiritualidade é uma matéria eterna, interminável. Mas, já que do ponto de vista do doador, nós não estamos aptos a receber a Torá, nós não atingimos o nível certo, nós dizemos que a interrupção é pelo Superior.

Na realidade, a interrupção não é da nossa parte. A escada espiritual ainda existe, e todas as suas condições são mantidas; a espiritualidade é eterna e, por isso, se você chega a certo estado você recebe a Torá.

Suba mais alto e você vai estar no deserto, depois na terra de Israel, etc. Estes são os níveis da ascensão espiritual.

Eu não posso dizer como o nosso mundo vai mudar de acordo com esta subida, mas, sem dúvida, vai mudar. Afinal, um “ramo” age de acordo com a “raiz”. Se mudarmos a raiz pela nossa subida e nossa participação nela, ela certamente vai afetar o mundo de forma diferente e então o mundo vai mudar.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/01/13, Shamati # 66