Textos na Categoria 'Percepção'

A União De Vinte Bilhões De Pessoas

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós vemos que o homem é um predador. Todo o significado de sua existência é para devorar o seu vizinho e chegar ao seu próprio objectivo. Se alcançarmos a garantia mútua e a população da Terra aumentar para 20 ou 25 bilhões, como é que tudo isso realmente vai acontecer?

Resposta: Qual é o problema de ter vinte bilhões de pessoas? Imagine que todos eles são seus parentes e você se sente como um todo com eles. Não te incomoda nada que eles estejam juntos com você. Pelo contrário, você muda sua atitude para com eles: Você se sente bem quando todos estão o mais perto possível de você.

Pergunta cont.: Mas o que acontecerá se não houver limites?

Resposta: Cada pessoa faz um limite em si mesmo. Imagine uma mãe que tem vinte milhões de crianças. Será que este número a preocupa, se ela tem tudo o que precisa? Ela existe no mundo do Infinito, ou seja, no mundo da Luz absoluta, da satisfação, da realização e da abundância.

Naturalmente, é difícil imaginar como uma pessoa muda. Mas se você está ao lado de seu amado e realmente o ama, sem qualquer cálculo, então você quer ficar com ele o tempo todo. Você sempre quer estar ao lado dele e tão perto quanto possível.

Então, qual seria o problema de ter vinte bilhões de amados? Você não vai sentir que há vinte bilhões de pessoas. Você vai sentir que elas estão todas juntas com você. Este estado é o mais conveniente e confortável.

Na realidade você não vai dividi-las em vinte bilhões, mas só há um você. Isso se chama inclusão.

O nosso obstáculo é um problema psicológico. Não podemos imaginar como isso vai acontecer. Nós imaginamos que existimos num corpo, mas quando atingimos a garantia mútua, em vez dos corpos sentiremos o potencial interior de cada pessoa.

Da 2a Lição da Convenção em Berlim em 28/01/11

Reincialização Da Percepção

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na espiritualidade, por que nós temos que formar um desejo para cada novo prazer?

Resposta: Porque na espiritualidade não há prazer sem desejo. Sem desejar, você não conseguirá nada. E o desejo tem que ser novo a cada vez. Estes não são os desejos com os quais você nasceu no nosso mundo.

Quando nós nascemos aqui, nossos sentidos ainda não funcionam. Um bebê praticamente não percebe nada. Ele não ouve ou vê. Ele só tem algumas reações no nível animal. Então, nós imediatamente começamos a bombear e enchê-lo com os nossos programas de percepção.

Se nós dotássemos esta criatura que acabou de sair do ventre da mãe com outros programas, nós a transofrmaríamos em algo completamente diferente. Nós seríamos capazes de construí-la espiritualmente. Isso depende da educação, da criação, do método de desenvolvimento.

Com a nossa atitude desde o primeiro dia, nós criamos a criança para ser egoísta. Não obstante, ela está aberta a tudo: ela pode ouvir e ver de maneira diferente, pode perceber o mundo de forma oposta. No final, tudo depende do ambiente.

Agora, com a ajuda do ambiente, através do mesmo princípio, nós devemos transformar a nossa visão do mundo, a nossa atitude perante a vida.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/12/10, Escritos do Rabash

Cabalá: A Revelação Da Realidade Inteira Dentro De Você

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é a sabedoria da Cabalá?

Resposta: Certa influência desce até nós a partir da raiz superior (o pensamento da criação), de Cima para baixo através de todos os mundos e, finalmente, chega ao ponto final, este mundo. Ela inclui as partes  exterior e interior: os cinco mundos superiores e os seres criados.

O universo inteiro é formado por mundos e almas que existem dentro dos mundos. A sabedoria da Cabalá examina tudo, exceto a raiz verdadeira: como ela se dissemina de Cima para baixo e depois retorna, de baixo para cima. Tudo isso acontece em relação à realização da pessoa.

Há alguém chamado de “homem” dentro deste sistema (até agora, não sabemos quem ele é). Tudo o que está sendo revelado em relação a ele é chamado de sabedoria da Cabalá.

Neste momento, eu existo na realidade deste mundo, e percebo tudo através dos cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato. Eles me ajudam a revelar e perceber o que acontece fora de mim, mas eu não sei o que está realmente acontecendo lá.

Os físicos dizem que estamos sendo influenciados pelas ondas e que não existe nada além de ondas. Os químicos dizem que estas são reações entre certas substâncias, moléculas. No entanto, o que importa é que eu percebo certas influências e reajo a elas. Esta é a minha percepção interior, e os outros podem reagir de uma maneira diferente.

Todos nós somos pessoas e agimos da mesma maneira. Por esta razão, nós como que percebemos as mesmas coisas. Um outro ser pode sentir uma realidade diferente. Cada ser percebe o mundo de acordo com suas qualidades, caráter, e genes informacionais. Pessoas, animais, insetos, plantas, e até mesmo rochas  percebem a si e seu ambiente de diferentes maneiras.

No entanto, a Cabalá só fala da forma como os seres humanos percebem o mundo. Embora existam diferenças mesmo aqui, nós ainda temos certa percepção comum. Nós ainda nos entendemos. Nossas impressões coincidem de tal forma nos níveis inanimado, vegetal, e animal, que estamos totalmente em sintonia com eles.

As dificuldades na percepção só começam no nível em que a psicologia humana, as características individuais, as percepções e as sensações começam. Se examinarmos apenas a influência sobre os cinco sentidos, os quais ainda não foram deformados pelos fatores psicológicos da percepção, então tudo o que percebemos neles é referido como a percepção deste mundo, até aqui sem os nervos e os pensamentos sobrepostos nela.

Quando nós atingimos a totalidade dos cinco mundos espirituais dessa maneira, isso é chamado de sabedoria da Cabalá: toda descida de Cima para baixo, do começo ao fim, e a volta do fim ao começo, todos os objetivos e sistemas, causas e conseqüências, tudo até o último detalhe. Assim, a Cabalá explica quem é o homem, sua finalidade, as razões para a necessidade de descer de Cima para baixo, e o que nos aguarda no final da subida.

Esta sabedoria incorpora tudo. Ela incorpora a física, a química e a vida de uma pessoa neste mundo. Tudo está lá dentro. A Cabalá é a revelação de toda a realidade dentro da pessoa que a alcança.

A pessoa ascende através dos mundos espirituaia e alcança a realidade em uma de suas partes: no primeiro, segundo, terceiro grau, e assim por diante. Quando ela sobe ao grau seguinte, torna-se claro que todos os graus anteriores estão incluídos neste grau.

Da 4 ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/01/2011, “A Essência da Sabedoria da Cabalá”

O Problema Comum De Sete Bilhões De Pessoas

Dr. Michael LaitmanNós pensamos que cada um tem seus próprios questionamentos, seus próprios problemas. “Eu quero alcançar a espiritualidade, e eu não ligo para o resto do mundo. Às vezes eu penso neles, mas, essencialmente, o que importa? Onde está o mundo, e onde estou eu?”.

Obviamente, esta é uma resposta egoísta normal. Mas o que se pode fazer? Temos apenas uma escolha: pense o quanto estamos fortemente conectados uns com os outros. A Cabalá diz que todos os seres humanos estão interconectados. Nós já sentimos isso, e hoje estamos mais ou menos conscientes disso.

Infelizmente, ainda não temos quaisquer resultados com relação a isto. É evidente que tanto governos quanto indivíduos, não importa quão inteligentes sejam, não conseguem mudar e continuam vivendo dentro de suas cascas pessoais e egoístas. Mas o problema é realmente global e pode ser resolvido somente se estivermos conectados.

A sabedoria da Cabalá diz que todos nós somos indivíduos separados, ligados por vários tipos de conexões. É um sistema enorme, pesado, muito intrincado e multifacetado, composto por sete bilhões de partes interconectadas.

Nesse sistema, eu posso sentir meu “eu” dentro de mim, e então sinto o nosso mundo. Ou, eu posso sentir o que está fora de mim: as outras partes, os laços entre eu e todos os outros. Nesse caso, eu perceberei o mundo superior fora de mim.

Ele é considerado superior porque eu sou regido por aquilo que é fornecido a mim de todo mundo. Tudo o que ocorre em mim acontece porque os laços de todas as sete bilhões de partes vêm ao meu encontro.

Então, como vamos resolver o problema atual que a Natureza nos impõe? Parece que temos de encontrar uma conexão benevolente entre nós, porque é o sistema inteiro que nos envia todos estes sinais preocupantes.

Isto requer que nós transcendamos a nós mesmos e comecemos a sentir o espaço circundante. Fora de mim, existe o mundo do Infinito. Assim, todos nós temos que sair e experimentar o campo que vive entre nós. Ninguém pode senti-lo dentro de si.

Lição 2 Convenção de Berlim  28/01/2011

Percepção Da Realidade: De Newton A Cabalá

Dr. Michael LaitmanNós vivemos em um mundo bastante confuso. E as pessoas se perguntam sobre onde elas vivem, onde elas existem. Geralmente, nós não fazemos essas perguntas ao longo do curso de milhares de anos. Nós pensamos que o mundo em que vivemos é este mundo. Esta concepção é chamada de “percepção do mundo de acordo com Newton”.

Depois, à medida que nós avançamos em nosso estudo da natureza, descobrimos que outros seres, que são diferentes dos seres humanos, percebem o mundo de outras maneiras: cobras o percebem sob a forma de pontos de calor; cães o percebem como uma nuvem de cheiros; abelhas o percebem dividido em vários setores, e assim por diante. Em outras palavras, cada ser percebe o mundo de maneiras diferentes e é orientado de acordo com suas sensações. E isso não nos impede de existir em uma única dimensão, onde todos percebemos o mundo de formas totalmente diferentes.

Depois, surgiu um paradigma diferente. Einstein veio e provou que tudo é relativo: tempo, espaço, movimento, e que não há nada absoluto. Em outras palavras, a nossa percepção da realidade é apenas nossos hábitos, e nós podemos percebê-la de uma forma completamente diferente.

Se tivéssemos que nos mover a uma velocidade muito rápida, se tivéssemos que orbitar em torno de grandes massas celestes, o tempo e o espaço se tornariam deformados, e nós sentiríamos, veríamos e perceberíamos a nós mesmos de maneira totalmente diferente. Esta é a percepção da realidade de acordo com Einstein, que é a teoria da relatividade: Tudo é relativo ao homem. O próximo cientista, Hugh Everett, provou que o mundo que percebemos em relação a nós, isto é, que depende de nós, praticamente não existe; nós o construímos em nossas sensações.

Então surgir a sabedoria da Cabalá, a qual foi ocultada por quase 6.000 anos, e estava sempre escrito em seus livros que nem nós nem o mundo existem como nós o percebemos; tudo é apenas relativo aos nossos sentidos. Se mudássemos os nossos sentidos, o mundo mudaria.

Em outras palavras, de acordo com a teoria de Einstein, há um observador e o objeto de observação. Segundo a teoria de Hugh Everett, há um objeto e um observador, ambos mudando constantemente, e nós somos capazes de perceber algo intermediário entre eles. Mas nós também podemos perceber “exigindo” (por exigência), de acordo com nossas qualidades internas. É disso que fala a Cabalá.

Por que precisamos de todo esse conhecimento? Nós precisamos dele para que possamos, finalmente entender onde nós vivemos, o mundo em que existimos. Surgiram filmes como “Matrix” e “What the Bleep Do We Know” (Quem Somos Nós?), que transmitem concepções e idéias de que a dimensão que percebemos através dos nossos sentidos físicos não é a dimensão em que vivemos.

Nós temos visão, audição, paladar, olfato e tato. Nós percebemos o que se enquadra no âmbito destes cinco sentidos. A nossa imagem do mundo é baseada nisso.

Mas se nós tivéssemos que começar a nos separar destes sentidos, a imagem do mundo  começaria a diminuir e desaparecer. Em outras palavras, o que percebemos não é o que atualmente existe fora de nós, mas nossas reações, nossas influências internas, as chamadas “perturbações” em relação às coisas que não entendemos.

Mas, que mundo nós perceberíamos se nos libertássemos dos nossos cinco sentidos? Este é o local onde a Cabalá vem e nos diz como podemos nos elevar acima desses cinco sentidos e começar a perceber o mundo de forma diferentes, complementar. Nós podemos começar a perceber a natureza, o mundo, do jeito que ele existe fora de nossos corpos, fora de nossos cinco sentidos, além do mundo onde existimos agora em nossos corpos como qualquer organismo vivo.

Nós temos um princípio dessa percepção, também chamado de “ponto no coração”. Esse não é nem um coração nem um ponto nele. Isso é simplesmente um nome para um sentido rudimentar e adormecido que temos. Nós podemos desenvolver e usá-lo a fim de começar a perceber o mundo que podemos imaginar fora de nossos corpos.

Assim, a Cabalá fala sobre o mundo que existe na realidade fora de nós, fora de nossos cinco sentidos, fora do fluxo de informações que entra em nós. É por isso que é chamada de “Cabalá” (“recepção”), um guia para a aquisição de uma percepção verdadeira da realidade atual.

Da Palestra Pública em Berlin 27/01/2011

O Mundo Foi Criado Por Mim

A convenção em Berlim está para começar. Nossa intenção tem que ser simples: eu desejo me unir com os outros e através dessa união, receber novas, adicionais, grandes forças que me ajudarão a ver toda a realidade dentro de mim. Eu desejo sentir que tudo o que não era meu é meu, tudo externo é interno, e que o Criador está também dentro de mim. Eu desejo desvelar tudo dentro de mim e tratar a criação como meu mundo interno, mesmo que egoisticamente por agora.

Pergunta: Então, ao invés de exercitar o princípio de “Não há nada além d’Ele”, eu devo dizer: “ Não há ninguém mais além de mim?”

Resposta: Verdade. Não há ninguém mais além de você. O Criador, os amigos estão dentro de mim; tudo está em mim. A pessoa deve dizer a si mesma: “O mundo foi criado por mim”.

Você pode colocar objeções a isso: “Eu trago todos para dentro, mas ainda os trato egoisticamente”. É como se eu tivesse encontrado meus filhos. Previamente, eu não sabia que eram meus, mas agora eu descubro que é assim Então, naturalmente, eu os amo, se somente expandisse meus Kelim (vasos) egoístas e considerasse que vantagens me dão. Assim, eu estou simplesmente cultivando meu desejo de receber, não estou?
Não se preocupe. Enquanto você estiver na convenção, você também irá sentir a força de resistência, e então, a unificação com os amigos não se tornará outro toque de desejo egoísta. Ao contrário, ele será dado por sobre seu egoísmo. A unificação é formada num degrau mais elevado.

Diga-me Quem És, E Eu Te Direi Como Teu Mundo Se Parece

Tudo acontece dentro da pessoa. No caminho espiritual, ela começa a compreender que não existem forças fora dela. As forças da  natureza, a força do grupo, tudo está dentro dela, e ela trata tudo como relevante para ela. Nesse caso, o grupo entra, as forças dos amigos aparecem dentro, e a pessoa vê mais claramente que tudo depende do grau de suas qualidades.

Por exemplo: o capítulo da Tora dessa semana (“Mishpatim”) nos fala sobre preceitos judiciários. Ela proíbe se casar sob certas circunstâncias, se deitar com bestas, roubar, julgar injustamente, etc.. Tudo isso se refere a “processos” internos. Uma pessoa precisa construir relações corretas com sua “besta”, “ladrão” e “a mulher de outro”. Tudo é interno. [Leia mais →]

Desfrute De Cada Momento Da Vida

Dr. Michael LaitmanSe a vida passa, e existem nela estados bons e maus, então toda a sabedoria repousa na nossa capacidade de desfrutar também os estados desagradáveis. Isto é o que chamamos de sabedoria da vida: como tratar o que é mau de forma que o vejamos tanto como a nossa atitude em relação a, a preparação para, ou parte de um estado bom.

De facto, é realmente assim, à semelhança de sentir fome antes de estar saciado ou cansado antes de ter o descanso desejado. Não pode ser de outra forma. Tem de haver “escuridão” antes do “alvorecer”, como está escrito: “E houve noite e houve manhã”.

Por exemplo, eu adoro o pensamento de que em breve vou de férias. Então, parte destas férias já as estou a sentir, agora mesmo, embora na realidade ainda não tenham começado para mim.

Então começo a pensar: “Preciso mesmo tirar férias? Ou, posso começar a desfrutá-la aqui e agora mais que quando elas começarem?”. E de facto, quando realmente vamos de férias, não desfrutamos tanto disso porque desfrutamos a antecipação, a suas preparação.

É isso que é a sabedoria da vida. Quando a usamos, vivemos sempre em belas ilusões e desfrutamos cada momento. Esta é uma abordagem autêntica, uma vez que não somos satisfeitos dentro do desejo. Tudo repousa acima dele.

Da Conversa com Rachel Laitman, antes de gravar um programa de TV 19/1/11

Tudo Depende Do Observador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós aceleraremos o nosso progresso?

Resposta: Isso é muito difícil. Eu sei pela minha própria experiência. Eu acho que a única possibilidade é através da sorte. A mente não funciona aqui, e nada ajudará. Aqui, o que é necessário é chamado de “boa sorte” ou sorte, “Mazal ” em hebraico.

Ou de forma mais simples, anular-se, transformar-se em uma pequena engrenagem, um mecanismo dentro do grupo: “Eu farei tudo como dizem os meus amigos; eu faço tudo que eles querem, com menos dos meus próprios pensamentos”. Pegue algum tipo de trabalho e execute-o automaticamente, sem ativar os seus sentimentos ou pensamentos; apenas envolva-se nele, e apegue-se aos seus amigos. Isso ajuda.

Mas no geral, isso é muito difícil. Incorporar-se de forma apropriada no grupo é o passaporte para o sucesso. Você não precisa de mais nada. Uma vez que você se sintoniza no grupo, descobre que ele está completamente corrigido, que todos os mundos existem nele, e que o Criador está dentro dele.

Seus amigos nem sentem isso, mas quando você se anula em relação a eles, você começa a descobrí-lo entre eles. De repente você vê: “Céus, onde estou? Nosso mundo passa a ser o mundo do Infinito? Para onde foi toda a negatividade? Não há nada disso aqui! Tudo é belo, a perfeição absoluta”.

É assim que você vê o mundo quando você se corrige. É por isso que em hebraico “mundo” é “Olam“, da palavra “Nehelam” (ocultar). Ele é relativo. Assim como a teoria da relatividade, tudo depende do “usuário”, do observador.

Da 2ª Lição em Moscou, 16/01/11, “A Oração de Muitos”

Um Raio De Luz Na Escuridão

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que os autores de O Zohar escrevem usando uma linguagem muito mundana em alguns trechos, o que só nos confunde, como se estivessem falando sobre o nosso mundo, e em outros trechos escrevem usando a linguagem dos Partzufim e Sefirot?

Resposta: A linguagem que foi criada desde Adão HaRishon contém várias Segulot  (qualidades milagrosas). Por que existem as Segulot? Porque nós não entendemos o significado do mundo espiritual. Nós não o alcançamos e não podemos imaginá-lo corretamente. Não podemos expor o mundo espiritual com precisão diante de nós, qualquer que seja a sua forma.

Inicialmente, está claro que todos os nossos conceitos, mesmo os deste mundo, são totalmente falsos. Como pessoas cegas, estamos tentando avançar sentindo o caminho a nossa volta, sem saber com o que nos deparamos e o que está acontecendo. Todas as nossas lembranças e imagens fictícias são incorretas e falsas.

Estamos em um estado tão obscuro que nunca provamos o sabor da verdade. Nem mesmo um tênue raio de Luz penetrou nesta escuridão a fim de iluminar, mesmo que seja um pouco, quaisquer detalhes do mundo em que vivemos, bem como as conexões entre nós.

É por isso que surge uma pergunta: é possível falar com estas criaturas? É ainda pior do que cavar minhocas no chão e tentar ensinar-lhes a Torá. Isso é não é uma piada!  A diferença entre nós e o mundo espiritual é muito maior do que entre nós, seres vivos, e um verme no chão, que também é uma criatura viva.

Você difere do verme pelo tamanho da sua consciência e conhecimento, na mesma escuridão em que ambos existem. No entanto, você e uma pessoa que está na espiritualidade estão separados por percepções opostas – um abismo que é impossível até de imaginar.

Adão HaRishon foi a primeira pessoa que revelou o fato de que além de nosso estado, existe uma fonte – o mundo espiritual, a verdadeira realidade, enquanto que nós estamos na escuridão total, como vermes no chão que nunca se arrastaram para o exterior e nem ao menos sabem que existe um mundo diferente. Por isso, nós devemos receber ao menos a ponta de uma corda onde possamos nos agarrar.

Assim, aqueles que atingiram a espiritualidade a partir de Adão HaRishon inventaram o que parece ser todos os tipos de histórias. No entanto, elas não são histórias, mas um sistema que nos conecta com o mundo e as almas que atingiram a espiritualidade, com a conexão entre elas e a Luz que está nelas.

Neste momento, nós não sabemos qual é o significado de nenhuma dessas palavras – nem sobre esse mundo, nem sobre as almas, nem sobre a conexão, nem sobre a Luz – nada! No entanto, eles traçaram certa conexão a partir do estado que é desconhecido para nós, e nós não temos idéia do que seja essa conexão. Mas eles fizeram isso para conectar de certa forma este estado a nós. E se usarmos esta conexão seguindo seus conselhos, isso nos influenciará de forma gradual.

Portanto, é totalmente irrelevante perguntar porque eles escreveram usando um tipo ou outro de linguagem – uma que é mais sensível ou racional, uma que é mais clara ou menos clara. Nós só conseguimos ficar confusos com as descrições que parecem mais mundanas e próximas de nós.

Existe apenas uma oportunidade de se aproximar do Zohar: conectar-se mutuamente, o máximo possível. Conforme nos unimos através dos esforços para estarmos acima do nosso ego, nós damos a estes estados espirituais a oportunidade de serem revelados. Mas enquanto eles não forem revelados, não descobriremos o que eles são. Está escrito: “Eu vi um mundo inverso”. Você verá que o mundo espiritual é completamente diferente daquilo que você era capaz de imaginar.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/1/11, O Zohar