Textos na Categoria 'Percepção'

Dois Paradigmas, Dois Mundos

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”, Item 11: Agora você pode entender a real diferença entre espiritualidade e materialidade: qualquer coisa que contenha um completo desejo de receber, em todos os seus aspectos, que é Behina Dalet, é considerada “material”. Isto é o que existe em todos os elementos da realidade à nossa frente neste mundo. Por outro lado, qualquer coisa acima dessa grande quantidade de desejo de receber é considerada “espiritualidade”. Estes são os mundos de ABYA – acima deste mundo – e toda a realidade dentro deles.

Lá, onde o desejo de desfrutar, a intenção de receber para si mesmo, reina, onde existe o ganho pessoal, onde eu olho a realidade, eu mesmo, o mundo e os outros através do paradigma egoísta, através da intenção chamada “o que posso ganhar com isso?”, que é inerente a mim, lá, eu vejo o mundo material. Eu nasci e cresci assim, e não posso olhar para qualquer coisa de forma diferente.

Eu reconheço apenas o que parece bom para mim, útil ou perigoso, nocivo. Em suma, eu só vejo o que o meu desejo de desfrutar pode obter prazer ou do que ele deve se afastar para evitar o sofrimento. Eu não observo a quem eu posso dar, e vejo apenas de quem pode receber. Este quadro apresentado diante de mim é chamado de “este mundo”.

Se eu mudo meu paradigma, a minha percepção da realidade, e desejo olhar do ponto de vista de quem e quanto eu posso dar, então eu já vejo o mundo futuro, acima do nosso mundo. Então, é claro, eu vejo outras formas, diferentes relações, que eu imagino na espiritualidade. Este é o chamado mundo espiritual.

Da 4ª parte da  Lição Diária de Cabalá 20/06/11, “Prefácio à Sabedoria da Cabalá”

O Programa de Desenvolvimento Codificado “HaVaYaH”

Dr. Michael LaitmanHaVaYaH (Yod-Key-Vav-Key) é o único modelo que o Criador imprimiu no desejo criado por Ele “a partir da ausência”. Toda a criação está incluída nestas quatro fases que continuamente expandem e desdobram-se nos mundos.

No entanto, nós nunca deixamos Malchut do mundo do Infinito, que começa a se desenvolver dentro de si mesma, e é isso que nós consideramos como os mundos de Adam KadmonAtzilut, a quebra, os mundos de Beria, Yetzira, Assiya, este mundo e nós neste mundo.Tudo isso permanece dentro dessa mesma Malchut do Infinito.

Todos esses mundos surgem em relação àqueles que estão atingindo as qualidades de Malchut e o lugar onde residem. Assim, Malchut revela-se a eles. É por isso que dizemos que estamos “neste mundo”. Mas o que é “este mundo”? É a mesma Malchut do Infinito, que está, no entanto, tão escura, tão auto-restrita, que experimentamos como “este mundo” em vez do mundo da Luz infinita.

Quando nós começarmos a trabalhar e a atrair a Luz, alinhando-nos com a Luz, nós começaremos a experimentar, em vez deste mundo, os mundos de Assiya, Yetzira, Beria, e assim por diante em um grau maior, até que toda a  Malchut seja revelada a nós de forma plena.

Depois que foi criada, Malchut estava em seu estado primordial (1); agora, estamos no mesmo processo de correção (2); no fim, mós chegaremos ao estado da correção final (3). No entanto, isso ainda é a mesma criação, uma Malchut do mundo do Infinito.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 30/05/11, Talmud Eser Sefirot

Recuperando A Consciência

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá não é revelada por si mesma, porque as pessoas a revelam em seu desenvolvimento. Ela declara que de acordo com a estrutura do universo, nós precisamos chegar ao nosso ponto inicial outra vez.

Inicialmente, um desejo foi criado, e esse primeiro estado é chamado o mundo do Infinito. Nesse estado, o desejo e a Luz que criou o desejo existem em absoluta semelhança, fusão, e complementação mútua. Ali, o desejo é preenchido com a Luz, mas esse é somente o estado concebido da futura criatura. Ela ainda não sente nada.

Assim, no começo, ela deve se tornar oposta ao Criador, oposta à Luz. Para se separar completamente da fonte, a criatura passa por cinco estados especiais de desenvolvimento chamados mundos. Assim, ocorre a descida desse desejo, isto é, o consistente distanciamento do seu estado original.

O primeiro mundo é chamado de Adam Kadmon. Adão é o protótipo do futuro ser humano. Depois, vem o mundo de Atzilut (o mundo da emanação), seguido por Beria (o mundo da criação), Yetzira (o mundo da formação) e Assia (o mundo da ação). Esses são os cinco mundos, cinco descidas consecutivas, espessamentos, ocultações, e saída da Luz do desejo que ela preenche. Cada estado seguinte é como o mundo do Infinito, exceto que a Luz lá existe numa forma mais oculta.

Mesmo agora, nós estamos no mundo do Infinito porque não existe mais nada. Acontece que esse estado está oculto de nós atrás de muitas telas internas. Nós temos que abri-las, descascá-las, e então, gradualmente, começaremos a nos sentir na forma verdadeira.

É semelhante ao estado de uma pessoa que está inconsciente. Esse é nosso estado número dois, aqui nesse mundo. Nós estamos em completa ocultação aqui, como se tivéssemos perdido a consciência e existíssemos em certas flutuações internas, imaginando algo.

Se nos esforçarmos numa forma particular e recuperarmos a consciência, iremos subir para nosso estado inicial. Este é chamado de terceiro estado. Esse também é o mundo do Infinito. Nós o alcançamos subindo exatamente os mesmos degraus dos mundos, pelos quais passamos em nossa descida quando perdemos o sentido da perfeição, a presença completa da Luz. Ao subir gradualmente os mesmos degraus, experimentaremos a realização, a transição do nosso estado inconsciente para o consciente.

A primeira saída do estado inconsciente para o consciente é chamada de barreira (Machsom). A coisa mais importante para nós é cruzar essa Machsom, sair do estado de separação completa da percepção da natureza global.

Agora, nós sentimos a natureza somente na forma do nosso mundo e não a percebemos através dos desejos espirituais. Nós experimentamos o mundo enquanto estamos num estado totalmente desconectado, sem usar as ferramentas que temos totalmente à nossa disposição. 

Nós nos sentimos através de nossos cinco órgãos sensoriais: olfato, tato, visão, audição, paladar. Assim, nosso sentido de identidade é passado através de nosso corpo animal. Então, dentro, surge um quadro específico em nossa mente. Na parte posterior do nosso cérebro, temos um tipo de “tela”, na qual é projetado tudo que percebemos. Tudo isso compõe um único quadro do mundo.

Isso não é o que vemos durante a saída do estado inconsciente. Tão logo atravessamos a Machsom, nós começamos a sentir estados completamente diferentes. Começamos a sentir a Luz interiormente. Nosso desejo recebe o prazer da satisfação, do conhecimento sobre o mundo real, e um quadro preciso é desenhado dentro de nós.

Assim, o plano do Criador, a intenção original da Luz, é criar o desejo (a Luz é primária, o desejo é secundário), para que esse desejo, isto é, a criatura, se torne igual à Luz em status, poder e sensações. Naturalmente, esse estado está acima do nosso mundo, ou seja, acima do tempo, espaço, movimento, e acima da divisão em vida, nascimento, e morte. Acima de tudo isso.

Ao descobrir esse novo sentimento dentro de nós, iremos nos sentir existindo eternamente como toda a natureza. Nós iremos parar de nos identificar com um “animal” que existe aqui nesse mundo. É como se ele desaparecesse de nossa percepção como a menor de nossas sensações.

Portanto, com respeito à consciência, a pessoa pode de alguma forma imaginar e lembrar o que aconteceu com ela. Essa sensação permanece em algum lugar, mas é tão pequena, tão insignificante, que é suprimida pela consciência da existência num mundo grande, novo, infinito, eterno, e perfeito. Essa é a Machsom que precisamos cruzar.

Da 1a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

Existe Algum Bem No Mundo?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu vejo não só o mal, mas também o bem no mundo. Eu tenho que encontrar o mal dentro de mim e corrigi-lo. E o que posso fazer com o bem?

Resposta: Na verdade, não existe bem no mundo externo. Esta é uma imagem do meu egoísmo. Se eu aspiro à meta corretamente, eu começo a observar a raiz boa em tudo o que me rodeia, porque começo a vê-la como a manifestação da Luz, o Criador. E isso só é revelado conforme o meu esforço em alcançar a meta através deste mundo.

Eu não acho que você deva prestar atenção particular a este mundo ou analisá-lo. Comece a aspirar à meta através dele, e este mundo vai se aperfeiçoar, vai mudar sua forma.

Você descobrirá que não há nada de bom se você não conectar a sua intenção correta a ele. Não há bem em si mesmo. Há um enorme desejo corrompido que se transforma em bem com a intenção de doar, com a intenção de trabalhar para o benefício dos outros.

Da 7a Lição na Convenção de Moscou 10/06/11

O Estímulo Certo

Dr. Michael LaitmanA ciência da Cabalá tem uma seção interessante sobre a maneira como percebemos o universo, sobre como o homem atinge o mundo em que vive. Por que nós nos sentimos no mundo exatamente desta maneira? O nosso mundo é realmente da maneira como nós o percebemos, ou ele é completamente diferente? Na realidade, depois de passar pelos nossos cinco sentidos, ele adquire uma forma específica em nossa percepção. Nós observamos exatamente este quadro, ao invés de ter uma percepção objetiva e direta do mundo real.

Hoje, os cientistas investigam como o mundo é visto por borboletas, abelhas, cobras e cachorros. Cada criatura o vê da sua própria maneira, em escalas diferentes, através de um esquema de cores ou cheiros, e assim por diante. Cada criatura tem seu próprio tipo de orientação no mundo e vê a sua própria imagem, o que difere do que as outras vêem.

Então, porque a imagem é precisamente desse jeito aos nossos olhos? E como ela realmente é do ponto de vista objetivo? Será que nós podemos alcançar uma visão de mundo realmente objetiva? É disso que fala a seção da Cabalá chamada de “Percepção da Realidade”.

No entanto, a parte mais importante da Cabalá não é a descida de cima para baixo desde o mundo do Infinito até o nosso mundo, mas o que acontece depois. A coisa mais importante para nós é a Machsom e o subseqüente caminho ascendente. Isto é o que estamos enfrentando agora, o que temos que passar agora. Temos que passar por isso na prática, não na teoria, e temos que passar por este caminho juntos.

Temos que implementar isso o mais rápido possível, de modo que a força negativa do desenvolvimento não nos pressione por trás, dando-nos um estímulo negativo. Na Roma antiga, Estímulo significava uma vara afiada usada para cutucar os burros para que pudessem avançar. Assim, é importante que não sintamos esse estímulo em nossa carne, mas aspiremos avançar, com a ajuda da força positiva que nos é dada agora.

Basicamente, esta é a razão pela qual nos reunimos. Nós podemos ficar juntos e nos organizar, e podemos começar a sentir um ao outro internamente, mesmo sem contato físico. Vamos sentir que, unindo-nos, nos tornamos semelhantes à natureza global. Então, dentro da nossa união, revelaremos o campo comum e sentiremos que estamos subindo um pouco mais alto. Isso é realista e espero que você e eu consigamos.

Da 1ª Lição na Convenção de Moscou

Um motor propulsionado pela vergonha ardente

O mais doloroso e pior estado vivido por Malchut é o estado de realização total da Luz no mundo do Infinito, uma vez que não tem nada para se cobrir-se com. Tudo isto força Malchut a sofrer várias transformações que chamamos de movimentos, ações.

Esta cadeia de reações pelas quais Malchut tem que passar é considerado como o movimento da sua parte. Por isso, é tudo sobre as sensações internas, a sabedoria interior, o movimento interno, e sobre o fato de que tudo é feito unicamente pelo desejo e a intenção que o acompanha. Nada mais é real, só isso!

Nosso mundo, que observamos ao redor é imaginário. Tudo está acontecendo dentro de Malchut do mundo do Infinito, até completar-se e começar a receber para doar, ou seja, abandonar o sentimento de receber auto-gratificação que costumava ter antes da Primeira Restrição. Isso é assim, mesmo que esta primeira sensação não se qualifique como egoísta já que Malchut não cometeu conscientemente e não sabia o estado em que estava entrando. [Leia mais →]

A Antena Que Recebe Sinais Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você dá muitos exemplos da ciência quando falamos sobre a Cabalá. Houve um inventor famoso na Itália chamado Guglielmo Marconi, que aperfeiçoou o primeiro receptor de rádio, melhorando a sua sensibilidade a tal ponto que permitiu a conexão a uma grande distância. Então, será que nós precisamos melhorar a sensibilidade da nossa alma da mesma forma, para desenvolver uma conexão com os outros? A fé é a mesma antena que garante a nossa conexão com o Criador?

Resposta: Guglielmo Marconi foi um grande cientista, e ele tinha muitos segredos. Ele só nos revelou uma pequena parte das suas descobertas. Ele descobriu ondas que ainda desconhecemos, que prontamente envolvem o nosso planeta e até mesmo penetram-no completamente. Ele era um gênio único.

Quando “saimos” de nós mesmos, começamos a perceber o campo geral de energia, que preenche todo o espaço entre nós. Este campo é Deus, o Criador. Percebê-lo significa atingir o Criador, a força superior que conecta todas as almas. Então, nós, juntos, e Ele, essa força superior, o pensamento denominado “Pensamento da Criação”, tornam-se como um todo. É por isso que o homem é chamado de Adão, da palavra Dome em hebraico (semelhante ao Criador).

Nós chegamos a um estado em que simplesmente nos associamos a Ele, ou seja, existimos Nele, tendo consciência e compreendendo. Essa força a qual nos associamos é chamada de poder da fé.

A fé é a Sefira Biná (da palavra “Havana“ou compreensão). Em outras palavras, “crer” não significa fechar os olhos e mover-se como uma pessoa cega, confiando em algo que alguém disse. Não mesmo! A fé é baseada na força da doação. Quando eu sou capaz de mudar o canal do meu “receptor de rádio” interior, eu sintonizo a mesma onda, e a informação que recebo dele se chama fé.

Da Palestra em Roma, 20/05/11

Entender O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na sabedoria da Cabalá, você fala sobre o ego do homem, sobre a união com todos, e sobre a necessidade de atingirmos o equilíbrio com a natureza. Mas como isso se relaciona com a conexão com Deus (Elohim)?

Resposta: Na sabedoria da Cabalá, nós falamos da natureza. De acordo com a Gematria (o valor numérico da palavra), “natureza” e “Elohim” são a mesma coisa. Ou seja, se falamos da força superior, da natureza, Deus ou o Criador, não importa como você quiser chamá-Lo, tudo à nossa volta é apenas uma manifestação dessa força.

Se nós falamos da força superior, qual é a diferença chamá-la de “Elohim” ou “natureza”? Ela é a força superior (realmente superior!) que cria e governa tudo, e nós queremos saber como nos conectar a ela, como revelá-la, entendê-la.

Assim, se eu saio de mim mesmo, do meu ego, e começo a revelar a realidade fora de mim, acima do meu ego, isso é chamado de entendimento, realização, revelação do Criador. Naturalmente, tudo isso ocorre dentro de mim e somente em relação a mim.

Aos poucos, eu organizo o meu desejo, minha estrutura espiritual, ou seja, a qualidade de doação e amor para com os outros: Keter, Hochma, Bina, Hesed, Gevurah, Tifferet, Netzach, Hod, Yesod e Malchut. De acordo com essa estrutura, eu conheço as conexões entre eles e, assim, revelo o Criador.

Elohim é também chamado de “Criador” (Boreh), das palavras hebraicas “venha” (Bo) e “veja” (Reh), porque temos que “vê-Lo”, alcançar o estado em que O entendemos, como se O víssemos pessoalmente. Nós fomos criados por Ele para essa finalidade.

Da Palestra em Roma, 20/05/11

Acima Da Matéria Do Egoísmo

Dr. Michael LaitmanÀ medida que nós superamos o egoísmo, apesar de tudo o resto, fazemos uma descoberta maravilhosa: nós começamos a perceber que, em essência, o mundo inteiro existe dentro e não fora de nós. E isso é lógico, porque eu realmente não sei o que existe fora.

A pessoa só percebe o que entra em seus sentidos e, através do sistema nervoso, atinge o seu cérebro, que processa a “imagem” final. Esta é a maneira como percebemos o mundo. Basta cortar um nervo para fazer parte da nossa realidade desaparecer dos nossos sentidos.

Assim, à medida que a pessoa se eleva acima de si mesma, vê que sua percepção não está de modo algum no exterior, mas que depende totalmente de seus sentidos, desejos, pensamentos, sensações e mente. E quando nós sabemos como alterar esses parâmetros, podemos expandir a nossa percepção e elevar-nos acima dos limites dos cinco sentidos.

É daí que vem o nome “sabedoria da Cabalá”, que literalmente significa “recepção”. A pessoa que a utiliza, gradualmente sai dos sentidos físicos do corpo animal e expande as sensações até o infinito. Enquanto vive em nosso mundo, ela avança até o nível onde não se associa mais com o corpo físico, uma vez que percebe uma realidade muito maior acima dela.

Agora, ela não conduz mais a sua vida com a percepção dos cinco sentidos. Mesmo depois que o corpo morre, a pessoa permanece na realidade que adquiriu acima dele. Ela não sente a morte, uma vez que uma nova dimensão entrou em sua percepção antes da morte do corpo.

Desta forma, a pessoa vive em dois níveis: o nível material, como todos nós, e o nível “imaterial” que se eleva acima do egoísmo.

Da Palestra em Roma , 20/05/11

Revelar A Conexão Entre Tudo

Dr. Michael LaitmanBasicamente, a Cabalá é o método de correção do homem, da sua natureza. Assim, no âmbito dos nossos estudos, nós estamos envolvidos em uma ampla disseminação.

Nós temos cerca de dois milhões de estudantes em todo o mundo; nós ensinamos em 26 idiomas em vários países. Nós vemos que diferentes tipos de pessoas, representantes de diferentes nações, expressam sua necessidade dessa sabedoria e começam a compreender que o mundo não tem futuro sem ela.

Além disso, nós ensinamos as crianças e vemos o quanto elas se tornam mais desenvolvidas, como ela as desenvolve. Nós publicamos livros, transmitimos pela televisão, trabalhamos ativamente na Internet. Nós defendemos o desenvolvimento.

Nós estudamos a sabedoria da Cabalá em grupos. Não se trata de crescer separado dos outros; pelo contrário, a pessoa se desenvolve individualmente quando está no grupo, no ambiente, e muda constantemente através da dinâmica do grupo. Essencialmente, a pessoa se adapta ao ambiente, que deve mostrar-lhe, repetidamente, a necessidade de elevar-se acima do egoísmo, sair de si mesma para amor aos outros. A pessoa pratica isso no grupo.

Ao estabelecer contato com o ambiente, a pessoa sente a necessidade de unir-se com ele. Então, revela-se uma rede de conexão entre todos; ela está acima do egoísmo pessoal, e a pessoa sente laços comuns e a força comum que habita entre eles. Como resultado, é como se todos saíssem e começassem a se conectar com essa força coletiva.

Graças a isso, nós descobrimos que, acima da realidade que temos consciência, existe uma realidade mais elevada. Nós percebemos nossa realidade atual interiormente, no nosso vaso, e, portanto, somos limitados. Nós queremos receber prazer, e quando o prazer penetra o desejo, eles se anulam devido à sua oposição mútua.

Acontece que cada vez que nós conseguimos algo, o apreciamos por um momento e o prazer desaparece imediatamente. Nós corremos atrás do próximo prazer, o tocamos, e ele também desaparece. Assim que o prazer entra no desejo, neutraliza-o imediatamente: um curto-circuito entre o positivo e o negativo leva à aniquilação.

Por outro lado, quando a pessoa sai de si mesma e, acima de seu egoísmo, começa a se unir com o grupo, com outras pessoas, ela cria um vaso acima de si, um desejo externo. Agora, ela sente fora de si tanto o desejo quanto o prazer, e eles não desaparecem. Pelo contrário, a realidade se transforma no fluxo da vida infinita acima do tempo.

O prazer que entra e desaparece várias vezes cria em nós a sensação de tempo. Mas se o prazer não se extingue, se sentimos que ele flui sem parar, então nos elevamos acima da sensação de tempo e começamos a perceber a força geral da natureza, que nos envolve e organiza.

Nós começamos a perceber as conexões entre todas as partes da realidade, semelhante aos fios entrelaçados no verso do bordado. Lá fora, vemos um “padrão” do nosso mundo, mas se olharmos por trás de sua superfície, veremos os fios amarrando as partes da imagem. Isto é o que descobrimos com a ajuda da ciência da Cabalá: a conexão e a influência mútua entre nós.

Isso produz um grande impacto nas pessoas e elas mudam. Tendo em vista esta realidade, elas entendem que não teremos êxito sem a a conexão e a compreensão mútua, porque elas percebem o dano que podem causar aos demais.

Assim, nós não precisamos da fé, mas da realização. Desta forma, a pessoa torna-se livre e começa a ver o mundo de forma clara. Então, de acordo com seu grau, ela determina o curso correto das ações para si mesma.

Da Palestra em Roma , 20/05/11