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Como Podemos Evitar Outro Holocausto?

Dr. Michael LaitmanEu sou um filho de sobreviventes do Holocausto que estava entre os poucos da família Laitman que sobreviveram ao Holocausto. Dois terços dos meus parentes foram abatidos nos campos de extermínio. Eu nasci em 1946 e fui criado sob a sombra escura que a guerra deixou em minha família e na população judaica em toda a Europa Oriental.

Para mim, o Holocausto não é uma memória distante, mas uma lembrança dolorosa do que poderia acontecer conosco. É esse pensamento que traz à tona a questão preocupante e constante em mim: Como podemos prevenir outro Holocausto?

Eu sinto um oceano de ódio se fechando sobre nós. Os sinais externos nunca foram mais claros, e relatórios internacionais indicam um aumento no antissemitismo. No Dia Internacional Em Memória ao Holocausto, uma questão foi levantada na BBC para saber se chegou a hora de deixar de falar sobre o Holocausto, e cerca de um mês atrás, não deveria haver uma convenção científica na Inglaterra sobre a legitimidade do Estado de Israel. Se isso não for o suficiente, recentemente foi assinado um acordo sobre o uso de armas nucleares com o Irã, que é mais uma evidência de por que não devemos confiar em nossos aliados.

É difícil ignorar os sinais de alerta claros quanto ao que é esperado. Portanto, como podemos prevenir outro Holocausto? Além de lamentar o passado, nós temos que criar condições para uma análise minuciosa, exame e a correção do nosso estado atual. Nós vivemos num sistema fechado de forças que operam de acordo com a lei da conexão. Quando somos compatíveis com essa lei, nos sentimos bem, e quando estamos divididos e separados, este sistema, como qualquer outro sistema na natureza, nos obriga a nos equilibrar. Às vezes corrigir essa direção pode envolver um grande sofrimento.

Eu estou ciente de quão difícil pode ser para os sobreviventes do Holocausto e suas famílias ler o que eu digo, mas ainda assim a verdade deve ser dita. O Holocausto ocorreu porque a nação de Israel não cumpriu a lei da conexão. Por que nós? Porque nós temos uma responsabilidade especial de manter essa lei. Nós temos um papel que nos foi dado de volta nos dias de Abraão. Quando o egoísmo separou o povo da antiga Babilônia, nosso pai descobriu a lei que rege a nossa realidade, que é a lei da conexão. Os poucos que aprenderam o método da conexão dele tornaram-se a nação de Israel.

Manter a lei da conexão é o objetivo da nossa vida, e passar o método da conexão e unidade é a única justificativa para a nossa existência como nação. No início do século XX nós recebemos a oportunidade de voltar à terra de Israel, não a fim para construir um lar para o povo judeu, mas para se conectar dentro dele. Os judeus não aproveitaram essa oportunidade e preferiram se isolar em suas comunidades na Europa ou se integrar na sociedade em geral. A reação do sistema superior a essas ações foi o Holocausto. Um momento antes do mundo se afogar em sangue, os Cabalistas ainda gritavam que tínhamos que voltar a nossa terra e nos unir, mas os judeus não deram ouvidos. Em vez de nos aproximarmos de bom grado, as terríveis aflições do Holocausto nos trouxeram mais perto um do outro, e foi como resultado do Holocausto que recebemos um país.

Com todo o respeito às Nações Unidas, o verdadeiro mandato para a existência deste país é o nosso papel. A região que recebemos, como os Cabalistas dizem, é apenas uma oportunidade para observar a lei da conexão, que é exatamente o que o mundo exige de nós. Inconscientemente, o mundo quer que a gente se una e também passe o método de Abraão a eles. Mas nós nos recusamos a nos conectar, e esta é a origem do ódio que eles sentem em relação a nós.

O Dia em Memória do Holocausto e O Dia da Independência têm que se tornar dias em que todos se envolvem em nosso papel como uma nação, e também devem ser dias de se rever a essência de nossa existência. Durante esses dias, nós temos que nos reunir em dezenas de milhares de mesas redondas em todo o país e falar sobre a única maneira de sermos verdadeiramente independentes: independentes do nosso ego e conectados uns aos outros através do amor ao próximo. Essa é a única maneira de podermos garantir o nosso futuro e o futuro dos nossos filhos.

O Renascimento Da Nação

laitman_229Confucionismo, Religião e Sociedade

Pergunta: Hoje, Cingapura, Hong Kong, Macau e Taiwan, países onde a maioria da população é chinesa, é uma área em rápido desenvolvimento. Ela está relacionada com atributos psicológicos especiais ou filosofias do povo chinês? Afinal de contas, o confucionismo é a base da sua filosofia, que inclui a lealdade para com a nação, moderação e manutenção da lei.

Resposta: Sim, isso é relevante e significativo em certa medida, já que o Confucionismo substitui as religiões que são a base de rituais religiosos em outros países na Ásia e na Europa. O Confucionismo é a religião da sociedade. O estado e a sociedade tornam-se o Deus de uma pessoa, e a pessoa torna-se sua serva. Confúcio lançou as bases de um sistema sério que coincide com a natureza da nação que se expressa em ilimitada lealdade à sociedade e a prontidão da pessoa de desistir de tudo o que ela tem para o bem da sociedade.

A Sabedoria da Cabalá e o Confucionismo

Pergunta: Nós podemos ver alguma conexão entre o Confucionismo e a sabedoria da Cabalá, de certa forma, onde um dos componentes importantes dessa psicologia ou filosofia é a capacidade de adiar o consumo para o dia seguinte? Ainda hoje, existem leis rígidas em Cingapura que regulam o consumo. Se você ganha mais do que certa quantia de dinheiro, você não pode gastá-lo consigo mesmo, mas deve dar para um fundo especial que guarda para sua educação, cuidados de saúde e pensões futuras. Isto significa que tudo se resume a normas de consumo inteligente.

Resposta: Isso é verdade. Você trouxe um ponto muito importante: a conexão entre a sabedoria da Cabalá e o Confucionismo. A sabedoria da Cabalá pede para amar seu amigo como a si mesmo. Se investigarmos mais profundamente o Confucionismo, veremos que ele também aspira à unidade do povo e a fornecer suas necessidades básicas, normais, enquanto tudo o que excede as necessidades normais de uma pessoa deve ser dirigido para o benefício da sociedade.

Comentário: Na verdade, foi graças a tais fundos que a economia de Cingapura está florescendo tão rapidamente. Você investe o seu dinheiro no seu futuro, e ele é investido no desenvolvimento da economia, que, por sua vez, leva a elevar o padrão de vida de cada membro na sociedade.

Resposta: Infelizmente, as tentativas feitas na China, Cingapura e outros países desmoronarão no final porque eles estão desconectados da natureza. Sua atual situação é temporária, e continuará até que o egoísmo na sociedade cresça a tal ponto que eles não serão capazes de permanecer nas velhas estruturas e leis existentes. Isto levará à corrupção em grande escala e roubos que não vimos nem na Rússia nem nos Estados Unidos.

Comentário: No entanto, existem ainda pessoas entre os líderes desses países que compreendem o perigo iminente. O atual presidente Chinês, por exemplo, está combatendo a corrupção como ninguém antes dele combateu.

Resposta: Eles não serão capazes de fazer nada a não ser que renovem os valores educativos da nação. Não se trata de uma nova educação chinesa, mas da educação Cabalística. Uma pessoa deve sentir que pode alcançar um novo nível de desenvolvimento através da educação, e ao mesmo tempo, ela ganha seu estado eterno. Se não o fizer, ela vai apodrecer como um animal. É um dos dois. As pessoas vão concordar de bom grado em se limitar a nível corporal por uma recompensa tão grande, porque ela promete apenas resultados positivos, sendo a forma sensata de consumo e serão mais atenciosas com os outros já que vão sentir que é na conexão com os outros que podem adquirir o acordo, a estrutura, onde vão sentir a próxima dimensão.

A Constituição de Israel: Ama Teu Próximo Como a Ti Mesmo

Pergunta: Eu não trouxe países como um exemplo aleatório. É porque é mais fácil ilustrar determinados benefícios em uma pequena área geográfica. Sua ideia pode ser demonstrada primeiro em Israel?

Resposta: Eu ficaria feliz em implementar essa ideia entre os chineses e em outros lugares remotos, mas ela só pode funcionar em Israel com seu povo teimoso, egoísta. Porque é a partir dessa nação que tais ideias passarão ao mundo inteiro. Eu acredito que é somente através do trabalho com nosso povo que sentiremos a necessidade urgente de uma mudança de paradigma, da base real da nossa visão de mundo e da nossa atitude para com mesmos, com o estado, com a nação e com o mundo. No momento, não temos tudo isso; no momento não há nenhuma nação e nenhum Estado.

Comentário: Ainda não há nenhuma constituição em Israel.

Resposta: Há na verdade uma antiga constituição. Ela está escondida nas bases da sabedoria da Cabalá: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Eu acredito que seremos capazes de cumpri-la em nossas vidas quando nos aproximarmos de todos os setores da nação, para conhecê-los, conversar com eles, não pela aproximação com o governo.

De KabTV “Conversas com Michael Laitman” 01/04/15

Noite Em Dia

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que nós podemos dizer que toda a nação de Israel vai sofrer o estado da escuridão do Egito, na medida em que nuvens negras estão sendo construídas a nossa volta e as coisas estão ficando muito tensas. Essa é a noite que se aproxima?

Resposta: Claro. É impossível de outra forma, porque nós temos que construir a qualidade de doação que começa com um desejo, e o desejo por ela só pode aparecer num estado de noite. Nós devemos lembrar disso.

Noite, sofrimentos, desprendimento, fraqueza e decepções fazem parte do nosso caminho. Nós precisamos recolher todos eles e ansiar em avançar; caso contrário, não vamos sentir o dia. Na Torá não há dia ou da noite. No momento em que processarmos tudo, sentirmos a noite corretamente, vamos começar a sentir a Luz em seu lugar.

Afinal, o que nós sentimos como dia? A atitude de amor e doação aos outros. Agora, no entanto, nós sentimos isso como noite, como escuridão. É apenas a mudança em nossa atitude em relação à escuridão que irá invocar o sentimento de Luz em vez de escuridão.

Nós não passamos de um hemisfério do globo para o outro onde o sol brilha e preenche tudo com Luz. Não, nós processamos internamente nossas impressões negativas de doação, amor e ajuda mútua numa atitude positiva, e, assim, a noite se transforma em dia.

Tudo se passa dentro de nós, na nossa atitude em relação a esses valores. Não pode haver nada mais. Nós sempre começamos de noite, porque o atributo de doação é noite para nós.

Quando corrigimos os nossos sentimentos e impressões negativas e as mudamos, sentimos Luz e dia no estado oposto. Nós somos os únicos que determinam internamente o que é noite, e o que é dia.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/11/14

Conforme Nos Corrigimos, Corrigimos A Humanidade

laitman_944Torá, “Levítico” 26:9 – 26:12: Eu me voltarei para vocês e os farei prolíferos; e os multiplicarei e guardarei a Minha aliança com vocês. Vocês ainda estarão comendo da colheita armazenada no ano anterior, quando terão que se livrar dela para dar espaço para a nova colheita. Estabelecerei a minha habitação entre vocês e não os rejeitarei. Andarei entre vocês e serei o Seu Deus, e vocês serão o Meu povo.

Pergunta: O que isso significa: “Andarei entre vocês…”?

Resposta: Significa que toda a distância e espaços entre nós serão preenchidos com as características do Criador, as propriedades de doação e amor. Então, vamos nos tornar Seu povo, o sistema que, de forma consciente, de bom grado e com amor, aceita e percebe todas as Suas leis e sente o Criador, e Ele a nós, pois de acordo com a lei de “equivalência de forma”, Ele se encontra entre Seu povo.

O Criador se volta a todos os que querem ser como Ele ao realizar essas condições. Cada pessoa pode se tornar Israel, com exceção de algumas pessoas que são como Amaleque. Elas não estão dispostas a mudar a si mesmas. No entanto, em cada um de nós, há uma característica de Amaleque, porque, caindo de uma altura espiritual, elas se misturaram entre nós no final do último exílio, de modo que nos tornamos uma mistura de todos os tipos de qualidades. Portanto, nós precisamos acabar completamente com a propriedade de Amaleque em nós e substituí-la por uma nova qualidade. Isso se refere às qualidades e quantidades que temos que corrigir.

Nós precisamos entender que cada um de nós inclui dentro de si todas as qualidades humanas. Portanto, quando corrigimos a nós mesmos, podemos corrigir toda a humanidade e, dessa forma, abrir caminho para o resto do povo, fragmentos do qual já se encontram dentro de nós.

Comentário: No entanto, é difícil para uma pessoa entender que cada um de nós é composto de todo o resto, e ainda assim você introduz isso como um axioma.

Resposta: Eu não diria que é difícil de compreender e interiorizar isso. Isso é basicamente um quadro científico característico de um mundo global em que todos estão mutuamente ligados, incluindo as propriedades opostas dentro deles.

O fato é que, se não discernirmos a realidade dessa forma, não podemos ser corrigidos. Nós precisamos atingir esse pensamento e entender que, enquanto a última pessoa de sete bilhões não se corrigir, a humanidade não será corrigida, porque seu fragmento existe em cada um de nós. Ela deve ser corrigida e integrada com os outros. Este é um sistema integral no qual cada parte é composta de todo o resto, bem como a sua própria.

Comentário: Você disse uma vez que os filmes eram para uma pessoa se identificar com alguém e até mesmo senti-lo, como, por exemplo, O Príncipe e o Mendigo.

Resposta: No mundo tudo é criado apenas para que nossas características sejam misturadas. Os filmes são um dos meios através dos quais podemos nos tornar integrados com os outros. Afinal, em qualquer caso, é informação, não importa qual.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/11/14

Dia Da Independência: Onde A Independência Começa?

Independence Day: Where does Independence Begin?No mundo corpóreo eu dependo de todos e de tudo. Eu não sei o que vai acontecer no próximo instante em diante. Mas quando se fala sobre a independência além do tempo, espaço, localização e movimento, aqui eu mesmo defino meus estados futuros, tornando-me livre de todos os fatores que podem me mudar contra a minha vontade.

Isso só pode acontecer num determinado caso: quando eu estou completamente conectado com o Criador que determina o presente e o futuro de todo o universo.

Baal HaSulam acreditava que a nossa independência começa com a efetiva criação do estado de Israel, porque a única maneira que podemos alcançar a unidade com o Criador é através da nossa própria interconexão. E isso vai acontecer, uma vez que não há elementos estranhos entre nós. É por isso que temos que nos reunir novamente nesta terra.

E quando as pessoas (judeus e não-judeus), que entendem sua missão e se esforçam pela união com o Criador, trabalham nisso, sua unidade, o círculo que elas criam entre si, as transforma num receptor da influência do Criador e um sensor, que revela o Criador dentro delas.

Nós começamos determinando inteiramente nosso presente e futuro, desenvolvendo e cultivando este sentimento, revelando o Criador, na medida da nossa unidade. Esta é a obtenção da independência.

É por isso que não há como alcançar a independência antes de nos transformarmos nessa estrutura e começarmos a trabalhar nela em nosso mundo. O trabalho espiritual começa com a criação física de um grupo, que se reúne num círculo e começa a cultivar a qualidade de doação, de intercâmbio e de interconexão.

Depois nós devemos nos posicionar de uma forma em que todos vão perder o seu “eu”, todos se transformam num “nós”, e, depois, esse “nós” se transforma num “um”, onde começamos a perceber a unicidade da qualidade de bondade e de amor, que é chamada de Criador.

Da “Palestra sobre o Dia da Independência”, 02/04/15

Os Primeiros Passos Bastam

The First Steps are EnoughtPergunta: É realmente possível se unir de uma forma que os outros se tornam mais importantes para mim do que eu mesmo, se uma pessoa sempre pensa primeiro em si mesma?

Resposta: A pessoa tem que subir para um nível em que ela pensa primeiro nos outros.

Pergunta: Por que o Criador nos dá missões impossíveis? Primeiro Ele nos dá uma natureza egoísta, depois nos pede para alcançarmos o “ama ao próximo como a si mesmo”, e quando não podemos fazer isso, ele nos envia o Holocausto.

Resposta: Será que nós realmente tentamos isso e não conseguimos? Nós sequer tentamos fazer isso. Se começarmos a tentar nos unir, vamos ver como o Criador virá e lutará a batalha para nós.

Nós não somos obrigados a fazer nada além de nos esforçar em alcançar a unidade. É claro que não temos o desejo, forças ou entendimento para fazer isso. Mas nós só temos que começar a nos esforçar, como um bebê dando seus primeiros passos.

Estes esforços são a única coisa exigida de nós. Eles são o suficiente, e o Criador fará o resto. A lei superior operando no universo vai terminar este trabalho para nós.

Ao longo de todas as gerações, a nação de Israel foi perseguida por outras. Desta forma, estamos sendo empurrados em direção à correção, unidade e “ama ao próximo como a nós mesmos”. Quando os outros se tornarem mais perto de nós do que nós mesmos, nós criaremos uma conexão integral onde toda a humanidade estará conectada numa esfera. Todo mundo estará unido e dependerá de todos. Ninguém será mais ou menos importante; todos serão totalmente iguais. É quando vamos revelar um novo mundo.

Hoje nós vemos o mundo pelos olhos do nosso egoísmo, avaliando o quanto podemos usá-lo para o nosso próprio benefício. Mas, se alcançarmos a unidade, vamos ver uma realidade perfeita sem limites, que está além do nosso egoísmo, além do interesse pelos lucros ou o medo de perder. Esta será a vida no mundo ad eterno e perfeito: uma vida de paraíso.

De KabTV “Uma Nova Vida” 12/04/15

Da Babilônia Para A América Do Sul

Dr. Michael LaitmanPergunta: O grupo europeu do Bnei Baruch também deve se culpar se o mundo experimenta um desastre por causa de uma falta de conexão dentro de Israel?

Resposta: Hoje em dia, todo mundo é responsável por isso, ou seja, cada um que estuda a sabedoria da Cabalá e sente uma conexão dentro de Israel. Quando me refiro a Israel, refiro-me a todos os nossos amigos e grupos de todo o mundo.

Todos nós recebemos um despertar do Criador, assim como o grupo de Abraão recebeu na antiga Babilônia. Portanto, hoje, nós estamos na mesma situação de Israel (Yashar-El – direto ao Criador).

Não importa que um recebeu um despertar há 3500 anos na Babilônia, veio com ele até este dia, e outro recebeu este despertar na América do Sul apenas alguns meses ou anos atrás. De acordo com o mundo espiritual, não há nenhum significado nesses anos físicos.

Todos nós já estamos relacionados com Yashar-El, diretamente conectados aos Criador, e assim devemos transmitir a Luz através de nós para o mundo. Se fizermos isso, ele vai ser bom; e se não, vai ser muito ruim. Eu espero que consigamos.

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/04/14, Temas Escolhidos: Dia em Memória do Holocausto

Refúgio

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Holocausto que se abateu sobre a nação judaica foi o evento mais trágico de toda a nossa história. Mas quando vemos como o antissemitismo está ganhando força em todo o mundo, parece que, em vez de se tornar uma coisa do passado, o Holocausto é possível inclusive hoje. Pode o Holocausto acontecer de novo?

Resposta: O ponto do processo que está acontecendo conosco é para nos arrependermos de nossa natureza egoísta e exigirmos sua substituição, a substituição do ódio pelo amor fraternal. A fim de chegar a esse tipo de realização, nós precisamos aprender sobre todo o programa da criação.

A ciência da Cabalá explica que toda a criação é um sistema analógico fechado, cuja totalidade das partes estão interconectadas em todos os níveis numa esfera. Assim, cada elemento afeta todos os outros elementos, e todos participam harmoniosamente no sistema, exceto o homem.

Imagine uma esfera que ainda a natureza inanimada, plantas, animais, e que todos existem em total simbiose com o outro. Mesmo que víssemos como um deles devora o outro, é apenas porque o homem, a criatura mais desenvolvida, é má e egoísta por natureza.

O egoísmo nos separa e nos obriga a lucrar à custa dos outros, a competir e guerrear. Cada pessoa se sente melhor se consegue chegar à frente dos outros, em vez de deixá-los chegar à frente dela.

A natureza humana é oposta à natureza integral global e perfeita, que é um sistema redondo e fechado. Mas, no final, a humanidade tem que chegar à equivalência com a natureza e alcançar um estado maravilhoso, perfeito, onde todas as nações do mundo estão unidas.

Há uma nação especial chamada a nação de Israel, que tem o método para alcançar a unidade. Esta nação viveu em tal unidade por 1600 anos, desde o tempo da antiga Babilônia em diante.

Depois de sair da antiga Babilônia, a nação judaica atravessou a terra de Canaã, o Egito e o deserto do Sinai, e depois atingiu a terra de Israel, onde viveu até a destruição do Templo e sua expulsão no último exílio. Por cerca de 1500 anos, essa nação viveu pelo princípio do “ama ao próximo como a si mesmo”.

A nação judaica viveu na realização da natureza geral da unidade, e em virtude disso alcançou as leis da natureza geral, alcançou o “Criador”, ou perfeição, amor mútuo e doação.

Depois disso, nós caímos da altura do amor para o ódio e, assim, nos tornamos iguais a todas as nações do mundo, entre as quais vivemos até hoje. Mas cerca de cem anos atrás, a nação judaica teve a oportunidade de voltar à terra de Israel, a fim de criar novamente o Estado de Israel aqui.

O Estado de Israel deve ser criado de acordo com o nosso programa, as leis pelas quais estamos habituados a viver, ou seja, as leis da unidade da nação e do Estado. Sem essa unidade, que atende a nação judaica, isto é, o “ama ao próximo como a si mesmo”, não podemos nos tornar uma nação. É por isso que ainda somos chamados de uma reunião de exilados.

Só pela realização do método da unidade, que nos foi dado, é que vamos construir a nação de Israel. Caso contrário, não podemos ser considerados uma nação. Parece que vivemos juntos, num país, mas, na realidade, cada um é por si mesmo. É assim que vivemos hoje. Muitas pessoas até gostariam de sair, e ficariam felizes em deixar o país se tivessem a chance de viver bem no exterior.

Não há o espírito de uma nação aqui, vivendo num país, em sua terra. É mais como um refúgio onde nos reunimos porque não tínhamos outra escolha. No entanto, enquanto que em gerações anteriores, imediatamente depois do Holocausto, quando os judeus escaparam para cá de outros países, Israel se assemelhava a um refúgio, hoje já não é mais um, porque hoje cada pessoa tem a oportunidade de viajar pelo mundo e viver onde ela quer. Você pode encontrar israelenses em qualquer parte do mundo. Ou seja, nós estamos mais uma vez dispersos por todo o mundo, como se a ameaça já tivesse passado e nós pudéssemos sair do refúgio.

Mas, de acordo com o programa da criação, nós temos que nos tornar uma nação, e não é para podermos viver bem, mas para mostrar o bom exemplo para todos os outros. Este é o significado de se tornar “uma luz para as nações do mundo”.

Nós vamos ter que perceber essa unidade, quer queiramos ou não. Portanto, vamos experimentar todos os tipos de problemas dentro da nação de Israel, junto com um terrível ódio e antissemitismo de fora, de outras nações, até que tudo isso nos obrigue a unir. Mas nós podemos nos tornar conscientes da necessidade de unir por nossa própria conta e começar a trabalhar nisso de acordo com o método da Cabalá, que explica como a amar ao próximo como a si mesmo. Então não precisaremos ser cutucados por lutas internas ou ódio externo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 12/04/15

Quando “Pão Frugal ” Se Transforma Em “Pão Do Amor”

Laitman_633_4Pergunta: Pessach é um feriado especial. Todo mundo o respeita, tanto as pessoas seculares como as religiosas. Todo mundo se prepara para o Seder de Pessach (refeição festiva), limpa a casa, compra roupas novas, convidando hóspedes e contemplando a melhor forma de comemorar o Seder de Pessach.

Eu quero entender a essência e o significado simbólico deste feriado. O símbolo mais importante de Pessach é Matzá. O que ele representa?

Resposta: Matzá simboliza o estado em que usamos apenas nossos vasos de doação sem a interferência do nosso ego, do nosso desejo de receber. Nós estamos proibidos de usar desejos egoístas, uma vez que são de propriedade do Faraó. Nós temos que ascendê-los. Desprender-se de nossos desejos egoístas significa o “pão frugal” ou Matzá.

Nós temos que nos relacionam entre nós apenas com amor e doação na medida em que isso está disponível para nós. Nós não estamos prontos para isso ainda, nem entendemos plenamente o que significa. Pessach é um “pequeno estado” (Katnut) que está associado com a falta de energia. O feriado significa o nosso êxodo do poder interno do egoísmo e fazer a transição para a jurisdição da união e do amor entre nós.

O nome do feriado, Pe-sach, significa transição, saltar do egoísmo para o amor e doação. Esta travessia é o símbolo do feriado.

Pessach é uma celebração da liberdade; é uma fuga do ego devastador que nos enterra vivo. Como resultado da redenção, nós começamos a ser uma nação livre na terra livre, ou seja, independentes de nossos desejos (país ou Eretz deriva de Ratzon ou desejo). Nós paramos de nos “devorar” como antes. Em vez disso, nos esforçamos para nos tornarmos o povo de Israel, para unir e se tornar um todo.

Isto é o que significa o êxodo do Egito. Não é uma noção geográfica ou física; é uma sensação interna de alcançar a liberdade interior do anjo da morte. Nossa vida cotidiana é a prova de que a nossa natureza má funciona como um anjo da morte que nos enterra. Ele não nos deixa receber prazer, e constantemente nos força a lutar e discutir, e até mesmo nos leva a guerras internacionais.

O egoísmo não é sobre o nosso desejo de receber prazeres padrões da família, crianças, boa comida, férias ou viagens. O ego significa uma má atitude de um ser humano para com outro ser humano. É um desejo de receber prazer à custa dos outros. Isso explica por que o êxodo do ego significa fugir do ódio aos nossos próximos, da inveja constante, da nossa incapacidade de tolerar os outros, desapego, e dividir-se em numerosos partidos e setores.

Pergunta: Será que isso nos obriga a desistir de algo?

Resposta: Você deve rejeitar o seu ego que é medido apenas pelo grau de seu negativismo em relação aos outros.

Pergunta: No longo prazo, eu vou ganhar ou perder em minha sensação interna de felicidade e contentamento?

Resposta: Eu sou totalmente positivo que só podemos vencer e não temos nada a perder. Nós sofremos danos porque tratamos mal uns aos outros.

Pergunta: Se voltarmos aos símbolos de Pessach, o que o Matzá significa hoje, em Israel de 2015?

Resposta: Nós temos que começar a tratar bem um ao outro. Isso irá desencadear uma atmosfera boa e especial entre nós. No início, as nossas relações futuras parecerão muito “simples”, já que não terão muitas nuances e sabores que resultam de nossas intermináveis discussões ​​e mal-entendidos.

Nós seremos como bons filhos cujas mães lhes pedem para não brigar entre si, mas eles não sentem vida num comportamento pacífico. Só depois que eles se envolvem em conflitos com seus amigos eles obtém impressões coloridas.

É por isso que, a princípio, ele é chamado de “pão frugal” ou Matzá. Mais tarde, nós começamos a desenvolver nossas relações, que não só nos permitem nos separar da maldade, diminuindo-nos na medida em que já não tratamos mal os nossos próximos, mas promovemos a abstinência aos outros que nos permite alcançar bons relacionamentos benevolentes entre nós.

É como se nós rastejássemos por um túnel estreito e gradualmente chegássemos a uma ampla e poderosa estrada de relações benevolentes entre todos nós. Assim, o “pão frugal” se transforma no melhor bolo, o chamado “pão do amor”.

De KabTV “Uma Nova Vida” 24/03/15

Diga A Seu Filho E A Todo Mundo

laitman_622_02Pergunta: É dito que durante o jantar festivo em honra do início de Pessach (Páscoa Judaica), nós temos que conversar com os nossos filhos sobre o êxodo dos judeus do Egito. O que exatamente devemos dizer-lhes? Qual é a coisa mais importante que eles deveriam saber?

Resposta: Em primeiro lugar, eu não acho que exista uma diferença entre adultos e crianças. É dito, “Diga ao seu filho”, ou seja, cada um que não sabe essas coisas e queira aprendê-las é como um filho para nós.

Todo mundo deve descobrir o que o “êxodo” significa e como ele é diferente da libertação. Nós devemos saber se ainda estamos no estado de exílio e continuamos a buscar a redenção.

Exílio é um estado que é oposto à redenção. Eles significam duas sensações internas opostas; até o momento, não somos capazes de definir qualquer um desses estados em nós.

Falando do Egito… Ele era tão ruim para os judeus? No início, eles desfrutavam uma abundância de alimentos e levavam uma “vida de reis”. O Faraó os tratava muito bem, era um verdadeiro paraíso. Por que, de repente, os sete anos de saciedade foram substituídos por sete anos de fome e os judeus reconheceram que estavam no exílio?

As pessoas perderam o propósito da vida. A pessoa parou de entender por que ela vive. Hoje, muitas pessoas podem fazer a mesma confissão: “Eu não sei por que eu vivo. Isso envenena minha vida na medida em que não quero me manter vivo”.

As pessoas escolhem se tornar terroristas pelo desespero, em busca da Luz em suas vidas. Elas buscam um ideal que vale a pena viver. Lutar com coisas que não combinam com seus ideais as fazem sentir que são heróis conquistando inimigos. Essa sensação faz com que suas vidas tenham um propósito; caso contrário, elas se sentem mortas.

Hoje em dia, muitas pessoas estão preocupadas com a descoberta do propósito na vida. Sem nenhum objetivo vital, nossa existência perde o gosto e até mesmo a morte parece melhor para nós do que esse tipo de vida. A abundância da carne e do alho egípcios não satisfaz mais.

O Egito reunia todo tipo de desejos humanos: comida, sexo, família, dinheiro, poder e conhecimento. Era um paraíso para todos, e os judeus eram os mais respeitáveis e ricos de toda a população egípcia. Portanto, o que lhes faltava? Apenas o propósito da vida. Quando esse tipo de pergunta desperta numa pessoa, ele envenena a própria sensação de ser. Nós sentimos que vivemos numa gaiola dourada e somos incapazes de sair dela.

Isto é o que é chamado de “escravidão”. Nossa vida próspera nos sufoca e mata. Se a nossa existência não fosse tão “saciada” justificaria o nosso desejo de fugir dela. No entanto, o nosso egoísmo não nos permite rejeitar uma existência confortável.

Nosso ego recebe prazer da vida egípcia. Ao mesmo tempo, nós somos conduzidos por uma pergunta: “Por que vivemos? Somos pessoas ou apenas animais?” Isto é o que está acontecendo no mundo hoje em dia.

Nós podemos prover tudo o que precisamos para viver uma boa vida, mas tudo o que temos é embebido com amargura. A pergunta sobre a essência da vida é muito mais importante do que benefícios materiais regulares. Ela nos atira do topo da montanha para o abismo, fazendo-nos reconhecer a nossa total obscuridade.

Isso é muito comum no mundo moderno, especialmente entre as gerações mais jovens. Nós começamos a sentir que estamos no exílio, em nosso egoísmo que nos mantém sob seu domínio e não nos deixar ir. Esse estado é chamado de “escravidão do Egito”. Nós temos que nos libertar dele.

De KabTV “Uma Nova Vida” 31/03/15