Reação Defensiva Dos Judeus

294.2Pergunta: Você acredita que os judeus de Israel acabarão por promover a correção de toda a humanidade?

Resposta: São precisamente as circunstâncias em que se encontram que os obrigarão a agir assim. Por que o mundo à sua volta se opõe a eles?

Isso é antissemitismo eterno; o sentimento perpétuo de ser odiado e de ter que se defender e justificar sua existência no mundo. Quando tudo isso se transmite de geração em geração, é perpetuado pelos genes; deixa marcas comportamentais no caráter, na percepção do mundo e na atitude em relação a tudo. Não existe nada parecido em nenhuma outra nação.

Os judeus não são como os ciganos, que são simplesmente desprezados, nem como pessoas que impõem sua cultura, costumes, modo de vida ou religião a outras nações. Nesses casos, tudo deriva de um sentimento de superioridade. Mas aqui, ao contrário, deriva de um sentimento de inferioridade, insignificância e inutilidade.

Esse complexo se desenvolveu intensamente nos últimos 2.000 anos. Ele já produziu consequências secundárias e terciárias, que gradualmente evoluem e se fundem com todas as outras filosofias de vida.

Tudo isso deixou uma marca profunda em sua atitude em relação a tudo e gerou enorme tensão interna no povo, especialmente entre o ramo europeu dos judeus, que foram forçados a se desenvolver para se elevarem acima das nações vizinhas de alguma forma, para se protegerem.

Observamos, na Idade Média, como eles repentinamente experimentaram um salto em traços de caráter especiais e habilidades intelectuais; nem mesmo está claro o porquê. Anteriormente, nada parecido existia em lugar nenhum, nem mesmo entre outros ramos dos judeus em outros países onde viviam de forma mais ou menos pacífica.

Há muita pesquisa sobre este tema. E, de fato, vemos quantos cientistas, artistas e pensadores eles produzem. Tudo isso é resultado de sua reação defensiva.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada, Os Judeus de Israel”, 13/09/10

Como Se Elevar À Fé Acima Da Razão

231.01Ter fé acima da razão significa aceitar a visão do Ser Superior mesmo quando ela entra em conflito com meu próprio entendimento, como está escrito: “Eles têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem”. Isso significa que posso me elevar a um nível superior a cada vez, como se estivesse me puxando para o próximo grau, escolhendo a opinião do Ser Superior em detrimento da minha, mesmo quando ela contradiz tudo o que sei.

Se um amigo me entrega um envelope com mil dólares e eu não verifico o valor porque confio nele, isso é fé abaixo da razão. Minha confiança não contradiz o que eu sei e, portanto, não exige fé.

O conhecimento é a mente e a percepção que possuo neste mundo material, como um juiz que se baseia unicamente no que seus olhos podem ver. A fé, porém, é o que transcende esse conhecimento, assim como Bina transcende Malchut. E para ascender do grau de Malchut ao de Bina, devo avançar através da fé acima da razão.

Se eu contar o dinheiro e descobrir que há US$ 999 em vez de US$ 1.000, então US$ 999 representam meu conhecimento, e o “US$ 1” restante é a medida da minha fé. Mas se o envelope contiver apenas US$ 1, ou estiver completamente vazio, e ainda assim eu acreditar no superior, considerando sua visão verdadeira, eu me elevo acima da minha própria razão e começo a ver a partir da perspectiva do superior.

A mentalidade do superior é a opinião do grupo ou do professor. Se eu me esforçar a cada vez para elevar a fé acima da razão, isso significa que estou ascendendo em graus espirituais. Se eu não fizer nenhum esforço para aceitar a mentalidade do superior, não entrarei nem me aproximarei do mundo espiritual.

A fé acima da razão é o único ponto de livre escolha concedido a uma pessoa neste mundo.

Se eu aceitar a visão do superior e concordar que o envelope contém US$ 1.000, embora eu tenha contado apenas US$ 999, então me elevo ao seu nível. Então eu mesmo testemunho como o envelope se enche completamente, não com dinheiro, mas com a grandeza do Criador.

A fé acima da razão é um mecanismo especial, um método único que nos eleva do plano material ao espiritual, e de um plano espiritual inferior a um superior. Este é o único caminho para a ascensão: adotando a opinião do superior.

A cada vez, é como se eu renascesse em um novo nível, repetidamente. Entro no novo estado como um recém-nascido que não carrega nada do anterior; apego-me à mente do nível superior e sigo com ela.

Com meus próprios sentidos, vejo apenas 1 dólar no envelope. Contudo, além dos meus sentidos, devo aceitar que se trata de 1.000 dólares. Não anulo meu conhecimento, deixo-o como está. Vejo claramente a lacuna entre o que sei e o que transcende o conhecimento.

Essa lacuna define a diferença entre Malchut e Bina. Por um lado, “o juiz só tem o que os olhos veem” — isso é Malchut . No entanto, devo ir contra esse conhecimento e preferir o conhecimento do superior — Bina, a fé.

E nesse intervalo — nessa divergência entre Malchut e Bina , entre conhecimento e fé acima do conhecimento — o mundo superior e a realidade espiritual começam a se revelar.

Todo o trabalho na dezena procede pela fé acima da razão. Posso não ver amor entre os amigos; pelo contrário, parecemos prontos para nos devorar uns aos outros. Contudo, trabalhamos para amar uns aos outros. Aos olhos do Ser Supremo, nossa dezena é perfeita e permanece em completa unidade; aos nossos próprios olhos, parece totalmente diferente. É essa diferença que devemos examinar e superar.

Essa contradição permanece. Não consigo conciliar uma com a outra, pois essa distância é a própria lacuna entre Bina e Malchut, que não pode ser fechada; na verdade, continua a aumentar.

Esta é a diferença entre o Criador e o ser criado, à medida que desperta dentro de mim. E quanto mais sigo a fé, mais me apego ao Criador em vez de me agarrar à minha própria mente e corpo animal. É assim que o progresso espiritual se desenrola.

Da Lição Diária de Cabalá de 23/04/20, “Trabalho com a Fé Acima da Razão”

Sem Conexão Não Podemos Avançar

527Pergunta: Como podemos verificar se estamos trazendo contentamento ao Criador? O que devemos sentir?

Resposta: Devemos sentir que temos uma conexão interior com o Criador, ou seja, sentir Sua presença em meu coração, Sua atitude para comigo e minha atitude para com Ele. Em essência, este é o fundamento da conexão.

Pergunta: Sentirei isso internamente, com meu coração, mas existe alguma indicação externa, relacionada ao ambiente, de que estou corretamente direcionado ao Criador?

Resposta: Aprendemos constantemente com as fontes que isso depende do amor pelos amigos, da conexão com eles e da ajuda mútua.

Tudo isso se relaciona com a conexão dentro do grupo. Sem ela, não podemos avançar.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá de 10/11/25, Escritos do Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”

Como Evitar Cair Em Um Buraco Nas Reviravoltas Da Vida

760.4Pergunta: Como aprender a aceitar todas as reviravoltas do destino? Diz aqui: “Aceite todas as reviravoltas do destino. É uma imagem divertida”, e assim por diante. Como aprender isso? Hoje em dia, o destino dá voltas bruscas.

Resposta: Você precisa encarar tudo isso com certa empolgação, como um jogo. Quando seu oponente faz um movimento no tabuleiro de xadrez ou joga uma nova carta na mesa, você começa a visualizar sua próxima jogada. Você deve se alegrar por estar em conexão com esse “jogador”. E desejar, por meio dessa conexão com ele, revelar o Criador.

Pergunta: Então, cada uma das minhas reações, essa é a aventura? A minha aventura interior. E todos os meus pensamentos são “como e o quê?”

Resposta: Sim.

Pergunta: Então você disse a frase: “Você se encontra em conexão com o Criador”. Mesmo que esse pensamento não exista de fato dentro de mim, é precisamente isso que leva a essa jornada pela vida?

Resposta: Sim, é isso que você deseja alcançar.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 07/11/25

O Grupo É O Meu Diapasão Espiritual

938.02É impossível medir diretamente nossa atitude mútua ou nossa atitude para com o Criador; ela só pode ser medida em relação a um padrão externo que não está Nele, nem em nós, mas sim entre nós. Nesse padrão, que se interpõe entre nós, podemos encontrar o que nos une e o que nos separa.

Este padrão é o grupo. Se eu me apego aos amigos do grupo, nessa mesma medida, descubro-me em adesão ao Criador. O grupo me dá a capacidade de mensurar parâmetros concretos, a “altura” e o “peso” do meu amor e ódio, através dos quais alcanço a adesão ao Criador.

De acordo com a medida da minha adesão à dezena, posso determinar a medida do meu preenchimento de luz. Afinal, não tenho qualquer possibilidade de medir a luz em si, apenas indiretamente, através do grupo. Através dos desejos compartilhados no grupo, começo a sentir a luz que o preenche.

Só consigo sentir prazer nos meus próprios desejos, e isso não basta. Preciso verificar como, através do prazer nesses desejos, me conecto com aquele que os satisfaz e a quem, por minha vez, eu satisfaço. Portanto, existe a condição de que “Do amor pelos seres criados se chega ao amor do Criador”.

Não podemos julgar a luz em si, mas apenas os desejos que ela satisfaz, assim como não se fala da eletricidade em si, mas apenas dos fenômenos elétricos. É revelador que a eletricidade não passe pelo interior do fio, mas sim ao seu redor.

Portanto, o grupo é o padrão perfeito para minha adesão ao Criador, como um diapasão pelo qual se avalia o som de uma corda em um instrumento musical. Até que eu toque a corda e ela comece a soar, nada se pode dizer sobre ela. Somente pelos desejos (Kelim) é que se pode julgar a luz.

Um exemplo semelhante são as notas musicais, pelas quais avaliamos uma melodia. As notas indicam quais cordas devem ser dedilhadas ou quais teclas devem ser pressionadas. Elas são a partitura dos desejos com os quais trabalhamos para ouvir os sons da música dentro de nós. Uma nota não indica o som em si, mas o instrumento que o produz. Portanto, ao alcançarmos os instrumentos de conexão com o grupo, alcançamos a adesão ao Criador.

Da Lição Diária de Cabalá de 27/08/18

Uma Pessoa Pode Suportar Tudo

508.1Pergunta: Você já disse mais de uma vez que uma pessoa recebe apenas o que pode suportar. O que você quer dizer com isso? Vemos que as pessoas recebem coisas que não conseguem suportar. Ou será que ainda assim conseguem suportá-las?

Resposta: Sim, elas conseguem. O que é que as pessoas não conseguem suportar? Apenas nos parece que elas não conseguem suportar algo ou sobreviver a isso. Não, uma pessoa sobrevive a tudo, suporta tudo e consegue trabalhar em si mesma a tal ponto que nenhuma outra criatura conseguiria suportar tais coisas.

Pergunta: O que significa suportar? Significa aceitar esse golpe? O que significa sair dessa situação?

Resposta: Mesmo concordar, mesmo entender, perceber e passar por isso é chamado de sair de uma descida.

Pergunta: Com base nisso, qual deveria ser o princípio orientador da vida de uma pessoa?

Resposta: O princípio da vida deve ser muito simples: em vez de sentir a mim mesmo, devo sentir os outros; devo viver não dentro de mim, mas dentro dos outros. É isso. Essencialmente, isso leva ao resultado correto.

Pergunta: Então, você está dizendo que se eu me fechar em mim mesmo, a descida é inevitável? Mas se eu estiver sempre aberto aos outros e viver para eles, então sairei rapidamente desses estados.

Resposta: Sim.

Pergunta: Por que são dadas as descidas?

Resposta: Uma descida serve para esvaziar a pessoa do passado, para que ela esteja pronta para ser preenchida pelo futuro. Cada descida e cada subida é uma renovação interior da pessoa.

Pergunta: Até quando uma pessoa pode se renovar? Que ápice ela precisa atingir?

Resposta: Até que ela se renove completamente. Este é um estado em que se retorna à essência da alma. A partir desse ponto, não há mais necessidade de mudanças internas, por assim dizer.

Pergunta: Elas retornam ao seu local permanente?

Resposta: Elas retornam ao seu lugar, ao seu ponto original na alma de Adão.

Pergunta: “A alma de Adão”, você quer dizer que é uma única alma?

Resposta: Sim, uma pessoa retorna ao seu ponto de origem nesta alma. Todo ser humano deve percorrer esse caminho de subidas e descidas para retornar a esse ponto. Não podemos escapar dele.

Pergunta: Sabemos disso de antemão? Sabemos para onde estamos indo?

Resposta: Não podemos saber porque ainda não conseguimos sentir.

Pergunta: Em que momento começo a sentir isso?

Resposta: Na medida em que você realmente se aproxima disso.

Pergunta: Por que nos é dado não sentir isso?

Resposta: Porque ainda não possuímos as qualidades de doação, amor e conexão com os outros, com outras almas, e assim por diante.

Pergunta: Estou caminhando em direção àquela conexão que nos unirá em um todo único? É para lá que estou indo?

Resposta: Sim, portanto, o mandamento, a condição principal, é: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 11/11/25

O Criador É Revelado Na Linha Média

629.4A linha esquerda simboliza seguir com conhecimento e ver o mundo sem correções. Ou seja, vejo que o mundo sofre com uma infinidade de problemas, meus amigos são cheios de falhas e o Criador não é melhor. Critico tudo porque meu desejo de desfrutar cresceu e se revelou, e falo a partir dele. Isso é chamado de linha esquerda.

Mas esta é uma linha divisória, e não uma simples insatisfação com a vida material. Estou criticando o trabalho espiritual, o grupo, nosso progresso e o aperfeiçoamento do nosso trabalho. A linha divisória me afasta do trabalho espiritual, mas não me joga completamente nas coisas materiais. Caso contrário, deixaria de ser a linha divisória e se tornaria puro egoísmo.

A linha esquerda no meu trabalho indica que quero me conectar com o grupo e com o Criador, mas não consigo. Posso avaliar e contabilizar exatamente o que não consigo realizar e por quê. Isso é o que chamamos de linha esquerda.

Quanto maior a frequência com que alcançamos a linha média a partir de qualquer estado, maior o progresso e a aceleração em nosso trabalho. A partir desses pontos, construímos uma linha média que adquire tal força que o Criador se revela dentro dela.

A linha média não existe na natureza; nós a construímos, e por isso se diz: “Tu me criaste”.

Se não nos ajudarmos, ninguém o fará. Afinal, já estamos na dezena, e nela, todos são responsáveis ​​por todos. O Criador me conduz ao lugar certo e diz: “Tome para si”. E se eu não tomar, tudo bem; essa é a minha livre escolha. O Criador não fará nada diferente. Mais tarde, Ele me ajudará a superar o sofrimento, mas quem sabe quando isso acontecerá?

Da Lição Diária de Cabalá, 06/09/20, Trabalhe com Fé Acima da Razão

Você Não Precisa Perder A Cabeça, Nem Mesmo Na Espiritualidade

222A criação é um desejo vazio, enquanto o Criador é Luz. Como pode esse vazio estar conectado à Luz, sendo que são dois opostos completos? Caso contrário, a criação, cuja própria natureza é um desejo de receber vazio, permaneceria vazia para sempre.

Como podem esses dois opostos se unir? Afinal, segundo a lei da equivalência de forma que rege toda a natureza, eles não podem se aproximar ou se unir, como polos opostos. Portanto, é necessário combinar o desejo de receber com o desejo de doar.

Na cabeça (Rosh), surge a intenção de receber com o propósito de doar. Mas no corpo (Guf) desperta a força egoísta, de receber para si mesmo. Assim, ocorre uma quebra entre a cabeça e o corpo, uma perda de conexão entre eles, a incapacidade de pensar e agir em uníssono.

Um pensamento reside na cabeça, mas um desejo completamente diferente reside no corpo. O coração e a mente já não estão unidos.

Da Lição Diária de Cabalá 07/07/10, Escritos do Baal HaSulam, “Introdução ao Livro Panim Meirot uMasbirot

Endurecimento Do Coração — Um Convite À Ascensão

527Devido ao congresso, sentimos que nos afastávamos ligeiramente e nos aproximávamos novamente do nosso ponto de equilíbrio, como um pêndulo oscilando para frente e para trás, alterando o grau da nossa conexão uns com os outros, com o Criador e com o nosso comportamento em relação ao estudo. A força e o desejo diminuem, a fraqueza se instala e, então, a força retorna. Cada ciclo completo do movimento do pêndulo, subindo e descendo, não passa despercebido; deixa uma marca em nós.

Parece que uma pessoa de fé inabalável sempre encontra forças para superar qualquer situação sem perder a conexão com o Criador, seja na tristeza ou na alegria, como se nada pudesse abalá-la ou separá-la da união eterna.

Mas, na realidade, não é assim. Uma pessoa que aspira ao Criador experimenta mudanças constantes. Ela deve sentir fraqueza cada vez maior, mas, ao mesmo tempo, saber como alcançar mais confiança e união com o Criador. Assim, ela continua avançando e crescendo.

Se uma pessoa não sente essas mudanças em si mesma, nenhuma impotência e incerteza, nenhum declínio e nenhum medo de se desviar da direção correta em direção ao Criador e ao propósito da vida, se ela não se preocupa com isso, isso é precisamente um motivo sério de preocupação.

É preciso se envolver com o grupo o mais rápido possível, com todas as suas forças, para que, por meio disso, a pessoa possa começar a receber a luz circundante que a transformará.

Se nos parece que tudo está em ordem e nada nos incomoda, é hora de nos preocuparmos.

Neste mundo, aquele que avança sem sentir o peso do fardo é considerado forte. Acrescentam-lhe mais dez quilos nas costas e ele continua a caminhar, mais vinte e ele continua como se nada tivesse acontecido. Este é um homem forte, um herói!

Mas na espiritualidade, é o oposto. Um herói é alguém muito sensível a cada grama que lhe é acrescentada ao longo do caminho e que imediatamente se volta ao Criador, pedindo que Ele corrija a falta de confiança e força que lhe falta.

O progresso espiritual é diferente; reside no aumento da sensibilidade. O Criador nos acrescenta qualidade e quantidade, e sempre temos a oportunidade de pedir a Ele novas forças através do ambiente, e assim progredir.

O avanço no caminho depende apenas das mudanças que sentimos, que o Criador desperta em nós. A cada momento, preciso compreender minhas fraquezas e como me fortalecer para prosseguir. Naturalmente, me faltam fé e a força da dádiva. Portanto, preciso cada vez mais do ambiente e do Criador para me fortalecer, para me voltar ao Criador por meio dele e, assim, continuar no caminho.

Todos precisam verificar as mudanças que o congresso provocou neles. Um sente rejeição, outro sente atração, e um terceiro tem a mente e os sentimentos confusos. Alguns não conseguem se encontrar na dezena; olham para os amigos e não os sentem mais, não os veem mais em seus corações como antes. O envolvimento na dezena maior o afetou de tal forma que ele perdeu a antiga conexão que tinha com seus amigos.

Há muitos fenômenos pós-congresso que não podemos ignorar enquanto aguardamos o retorno à nossa rotina normal. Preciso verificar o que está acontecendo comigo, por que está acontecendo e como o congresso me afetou. Isso é muito importante.

Cada pessoa na dezena sente-se de forma diferente, e precisamos verificar se podemos retornar ao nosso estado anterior ou se o nosso novo estado é muito mais claro, elevado e nítido.

Afinal, começamos a valorizar mais a conexão entre nós e a entender por que retornamos à nossa dezena para estarmos juntos. Não apenas seguimos o conselho dos Cabalistas, mas já percebemos que sem ele não teremos a confiança ou a força para avançar; não haverá de onde extrair força ou a quem recorrer para nos voltarmos para o Criador.

A dezena se transforma em uma fonte espiritual para nós, uma nascente. Sentimo-nos capazes de nos estabilizar nela e retornar ao caminho da correção. Cada um de nós possui uma característica especial, como as dez Sefirot. Portanto, somos muito diferentes. Mas estamos conectados por um trabalho e um objetivo comuns. Assim, a partir de dez pessoas, e não menos, podemos formar uma atitude completa em relação ao Criador.

A dezena se transforma em um Kli, uma ferramenta com a qual podemos mudar algo, influenciar algo e nos conectar com um nível mais amplo ou superior.

O centro da dezena é o buraco de uma agulha minúscula através do qual passo para o mundo espiritual. Para isso, preciso restringir todos os meus pensamentos e desejos e comprimi-los em um único ponto para me conduzir ao mundo superior através do centro da dezena.

Da Lição Diária de Cabalá de 16/11/19, “Endurecimento do Coração – Um Convite à Ascensão”

Como A Pessoa Pode Alcançar A Fé Acima Da Razão?

938.07O que é a fé acima da razão? Estar dentro da razão significa estar de acordo com o nosso entendimento, de acordo com a mente de uma pessoa neste mundo, que é baseada no egoísmo.

Assim, uma pessoa percebe, sente, toma decisões e age. Isso é chamado de “segundo a minha opinião”. Mas acima da minha opinião está a opinião do Superior, e, portanto, devo substituir a minha opinião pela Dele, pela opinião do Criador.

Mas eu não conheço a opinião do Criador; ela me chega através da minha dezena. Se eu me conectar a eles, então, ao me anular gradualmente e me fundir com meus amigos, eu substituo minha opinião pela deles.

Não se trata de uma simples substituição de um por outro, caso contrário eu me tornaria um anjo, uma espécie de animal espiritual. Em vez disso, realizo este ato acima da minha razão; conservo minha própria opinião e me elevo acima dela. Assim, ocupo dois níveis, e na diferença entre eles descubro a percepção de um ser humano espiritual.

Nada na percepção de uma pessoa é destruído ou apagado. Na verdade, adquire-se uma natureza adicional, a natureza do Criador, e assim se alcança a “fé acima da razão”. Possui-se o próprio conhecimento e, acima dele, a fé; e existe entre os dois.

O Criador não criou nosso desejo de desfrutar em vão. É o fundamento que nos acompanha constantemente para que “a escuridão brilhe como luz”. A escuridão do meu egoísmo, da minha opinião, sustenta a opinião superior que se ergue acima dela. Precisamente da contradição entre elas, alcanço a grandeza do Criador contra a insignificância da criatura.

Não nos anulamos nem perdemos nada dentro de nós. Firmemente apoiados em ambos os pés, construímos a linha média, e somente assim nos estabelecemos como seres humanos, Adão, “semelhantes ao Criador”. Tudo o que existe nesta criação é recebido do Criador, mas por decisão própria.

O Criador me dá um adaptador que me conecta a Ele: a dezena. Este adaptador é muito complexo, mas não há escolha. Devo conectá-lo e usá-lo, não importa quantos anos leve. Devo me anular, caso contrário não me conectarei ao grupo, porque meu plugue não se encaixa na tomada.

Dentro dos meus amigos reside o Criador, que me ajuda a unir-me a eles cada vez mais até que eu comece a revelá-Lo neles. Começo a trabalhar com o Criador através dos meus amigos, pois eles são a minha alma, e o Criador é a luz que preenche essa alma.

O principal é integrar-me ao ambiente, e então começo a receber opiniões, desejos e pensamentos, não apenas de um nível superior, mas de uma qualidade totalmente nova. Pois dentro do grupo existe “fé acima da razão”, uma nova percepção não inerente a uma pessoa deste mundo.

Portanto, não há outro caminho. É preciso se anular, entrar no grupo e deixar para trás, por ora, a experiência anterior. Estamos falando de uma pessoa adulta com muita experiência de vida e conhecimento, mas que, em relação ao grupo, se transforma em um embrião, um zero. E quando uma pessoa começa a receber conhecimento e a crescer, constrói a fé acima da razão com base em suas qualidades, pensamentos, desejos e “eu” anteriores. Um não pode existir sem o outro.

Da Lição Diária de Cabalá de 23/01/19, Escritos do Rabash, “Sobre Acima da Razão”