A Unidade Das Duas Linhas

232.08Dois opostos em um todo único é o ponto principal que define a entrada para o mundo superior, para a dimensão espiritual, ou seja, para o espaço onde habita o Criador, a fonte das duas forças.

Em relação a nós, elas se revelam como a força do mal e a força do bem — Klipa e santidade, doação e recepção, duas forças opostas. Mas para o Criador não há contradição e tudo está unido em um só.

Somente em relação a nós, à nossa percepção e compreensão, elas aparecem como duas forças que se contradizem. Quanto mais começamos a perceber a criação, mais distância e oposição vemos entre elas.

Por causa disso, somos incapazes de perceber o espiritual. Como está escrito: “Em Isaque será chamada a tua descendência, mas terás de sacrificá-lo”. Uma coisa contradiz a outra. Por um lado, ele deve ser morto; por outro, ele deve dar continuidade ao teu caminho.

Como isso é possível? Não podemos compreender isso com nossa mente terrena. Devemos alcançar a mente do Ser Superior. Se nos esforçarmos para manter ambos os princípios, atraímos a luz que retorna à fonte, a qual constrói uma nova realidade para nós. Nesse novo espaço que revelamos, chamado de linha intermediária, essas duas linhas opostas podem coexistir como um todo único e se complementar.

Isso é extremamente difícil de compreender, praticamente impossível. Precisamos de um ambiente e da luz superior que retorna à fonte e une as duas linhas na linha do meio. A linha do meio é o Criador.

A revelação do Criador, a unidade das duas linhas opostas, conduz-nos gradualmente ao propósito da criação, ao fim da correção. Passo a passo, esses opostos crescem e se unem cada vez mais, e essa é toda a obra.

Já concluímos uma preparação suficiente ao longo de muitos anos e reunimos muitas pessoas capazes de dar esse passo. Os demais se tornarão capazes ao se juntarem àqueles que já atingiram o nível de prontidão necessário.

Assim, em nosso mundo, as crianças que nascem no século XXI se juntam a todos os avanços alcançados pelas gerações anteriores e as superam porque se apegam aos pais e recebem tudo o que eles têm.

Assim é no grupo cabalístico. Não importa quem tenha avançado mais ou menos. Se cada um se esforçar ao máximo para alcançar o objetivo, com toda a sua força e preparação, todos o alcançarão.

Espero que você aborde este tema com seriedade, pois em toda a sabedoria da Cabalá — no trabalho espiritual, na busca pelo Criador, pela realidade superior e pela perfeição da natureza — não há nada mais importante do que este princípio da unidade das duas linhas.

Essa integração dos opostos é o espaço espiritual que se revela a uma pessoa. Ao entrar nele, ela começa a sentir o outro mundo. Não há dúvida de que, por meio de nossos esforços conjuntos, somos capazes de avançar e alcançar tudo isso, conduzindo cada pessoa a esse nível, ao início da verdadeira escada espiritual.

A partir deste momento, avançaremos sempre nas três linhas, guiados pela fé acima da razão. Então, toda a Torá e o mundo inteiro se tornarão claros para nós. Toda a realidade começará a se revelar; ela se dividirá em três linhas e mostrará a interação entre elas.

Por ora, não sabemos de onde vêm o positivo e o negativo, nem para onde nos levam. Mas se soubermos conectar corretamente os opostos acima deste mundo e acima do intelecto terreno, dentro do sentimento e da razão espiritual, então alcançaremos a revelação ilimitada e compreenderemos como o Criador age, o que Ele faz, o que devemos fazer para sermos semelhantes a Ele, para nos tornarmos “como deuses, conhecendo o bem e o mal”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá de 23/12/19, “Dois Opostos em um Só Assunto”

 

Onde Fica A Escola Que Forma Um Ser Humano?

962.5Pergunta: Hoje em dia, as crianças também aprendem a compartilhar e a doar na escola, mas quando saem para o mundo, ficam sob a influência de valores diferentes. O que devemos acrescentar ao sistema educacional existente para formar um ser humano e não apenas um especialista?

Resposta: Uma escola contemporânea típica não consegue formar um ser humano ou incutir a atitude correta em relação aos outros, porque isso só é possível através do ambiente adequado (sociedade) que deve ser criado em torno dos alunos.

Nenhuma escola no mundo estabelece isso como meta. Os alunos em todos os lugares aprendem a obter sucesso formal em exames, a vencer competições e a passar por cima dos outros. O principal objetivo na vida é ter sucesso e adquirir uma profissão que proporcione a maior renda possível.

Essa era a abordagem correta em uma sociedade competitiva. Mas hoje, entramos em uma sociedade integral onde a lei é: “Não é o mais forte que conquista tudo, mas sim aquele que se une aos outros que vence (junto com todos)”. Portanto, surgiu a necessidade de cultivar um novo tipo de ser humano, não um adversário de todos, mas um amigo de todos.

Educar esse tipo de pessoa vai contra nossa natureza egoísta. Portanto, um método especial (a sabedoria da Cabalá) e um meio (a força da correção) são necessários. Caso contrário, as pessoas distorcerão mais uma vez a ideia de unidade, transformando-a em algo como “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”, e tentarão novamente construir o socialismo ou kibutzim. Enquanto agirmos movidos pelo nosso egoísmo inerente, nada mais nos ocorrerá.

Portanto, a educação é o problema fundamental da sociedade. Sem resolvê-lo, a sociedade jamais se reconstruirá como exige a natureza. E tal reconstrução só é possível por meio da aplicação dos princípios Cabalísticos.

Torne-se Um Instrumento Do Criador

232.05Decidir quando seguir pela direita e quando pela esquerda é uma tarefa difícil, e é algo que teremos que fazer no futuro.

Sempre que cada um de nós se depara com perturbações pessoais que nos desviam do caminho, nós as superaremos e restauraremos nossa integridade. Somos como as teclas de um instrumento musical, que são pressionadas e liberadas alternadamente.

Às vezes, um de nós se torna maior e o outro menor, e vice-versa. Dessa forma, sentiremos como o Criador nos fala, como Ele nos toca como se tocasse dez teclas de piano, transmitindo Sua linguagem. Nos tornaremos o instrumento musical que o Criador toca.

A melodia reflete todos os nossos estados e os conflitos entre nós, tanto em tonalidades menores quanto maiores, numa sinfonia de sons diversos. Portanto, cada melodia é muito diferente. Se observarmos os Salmos do Rei Davi, podemos ver como são distintos. Embora não saibamos quais eram suas melodias, mesmo por suas palavras e ritmo podemos imaginar que obras sonoras únicas deviam ser.

Espero que possamos alcançar um estado em que possamos ouvir os cânticos do Rei Davi, sua música celestial, porque nada desaparece no mundo espiritual. Poderemos ouvir a voz do Rei Davi cantando os Salmos.

O Criador nos fala através de todas as fontes primárias, as obras dos Cabalistas, porque foram escritas a partir de um estado de adesão ao Criador, de conquista, sempre na linha do meio.

Da Lição Diária de Cabalá 06/09/20, “Trabalho com Fé Acima da Razão”

Não Há Ninguém Mais Próximo De Uma Criança Do Que Sua Mãe

919Rabash disse que seu pai, Baal HaSulam, prometeu que, seguindo seu caminho e seus conselhos, receberíamos a vida eterna do Criador, contanto que nos mantivéssemos fiéis a Ele.

O próprio Rabash alcançou um elevado nível de realização espiritual utilizando apenas as obras e os conselhos de seu pai. Não existe outro meio prático de revelar o mundo superior à nossa geração, exceto pelas obras de Baal HaSulam.

É por isso que sua alma nos é tão querida. Afinal, avaliamos tudo pelo seu benefício para nós mesmos. Não comparamos a estatura dos Cabalistas: Moisés, Rashbi, o Ari, Baal HaSulam e Rabash.

Assim como a coisa mais importante para uma criança é sua mãe, também eu dependo de receber a vida espiritual eterna da alma que me precedeu: Rabash e Baal HaSulam. É claro que ainda existem muitas almas elevadas, mas só podemos nos conectar com o sistema espiritual através de Rabash e Baal HaSulam.

Da Lição Diária de Cabalá de 16/09/10, Dia em Memória do Baal HaSulam

Busque Um Solo Fértil Para O Seu Crescimento

764.2Pergunta: Se uma pessoa está acima do seu ambiente, ela pode influenciá-lo e corrigi-lo?

Resposta: Uma pessoa não pode se elevar acima do seu ambiente! Ela é completamente dependente dele. Mesmo que sejam pessoas comuns, e ela seja uma grande cabalista, ainda assim a influenciarão.

Imagine que você pega uma linda árvore carregada de frutos, a arranca da terra e a planta no meio do deserto. O que acontecerá com ela? Transformará o deserto em um jardim florido?

Nossa alma depende do ambiente da mesma forma.

O propósito da criação reside tanto no trabalho coletivo quanto no meu trabalho pessoal, e no Criador interior, neste ponto específico. Imagine que toda a sua vida depende deste único ponto que você precisa desvendar. Neste exato momento, a sua sobrevivência depende disso! E assim é a cada instante.

Por exemplo, você não consegue respirar se não pressionar este ponto, e o oxigênio chega até você por ali. E se eu não o pressionasse, se eu não o conectasse, não haveria oxigênio.

Da Lição Diária de Cabalá 18/04/10, Escritos do Baal HaSulam, “A Liberdade”

Como Fazer A Transição Para A Realidade Superior

237Passar das sensações da realidade atual deste mundo para a realidade superior, que chamamos de mundo vindouro, significa passar da razão para a fé acima da razão, da recepção para a doação. Embora seja impossível explicar qualquer coisa aqui com palavras, é como descrever a existência de diferentes sons musicais para uma pessoa surda.

Mas existem exercícios que podem nos ajudar a despertar a luz que retorna à fonte, e isso nos dá a força da doação. Então, gradualmente, começamos a pensar na existência com essa força de doação, em vez da força de recepção. É possível.

Quando buscamos a união, ou seja, anular nosso desejo egoísta pessoal e nos voltarmos ao desejo comum de contribuir para o grupo, então, gradualmente, os alicerces em nós se transformam.

É assim que chegamos à fé acima da razão, à abordagem espiritual que nos permite sentir, compreender, tomar decisões e realizar ações que começam e terminam não no nosso desejo de obter prazer, mas acima dele, ou seja, no mundo espiritual.

Quando perdemos o gosto pelo trabalho, ficamos irritados e culpamos o destino, o Criador, a sabedoria da Cabalá e o professor. Não compreendemos que a perda do gosto pelo estudo e pelo grupo é um convite a ascender a um nível espiritual, onde trabalhamos não em busca de prazeres materiais, egoístas e terrenos, mas para trazer contentamento ao Criador.

Gradualmente, passo a passo, nos acostumamos a esse trabalho. O principal é perceber que a perda do paladar e do humor vem de cima, do Criador pessoalmente para cada indivíduo, a fim de libertá-lo do egoísmo e conceder-lhe alguma liberdade dos prazeres egoístas, e fazê-lo sentir-se independente do interesse pessoal.

Sinto-me como se estivesse suspenso entre o céu e a terra, pois nenhum prazer me atrai, não tenho forças para me mover nem razão para fazê-lo; a vida não promete realização. Esta é uma ajuda imensa do Criador que liberta a pessoa das intenções egoístas, deste mundo inteiro.

Então, a única opção que resta é trabalhar sem qualquer combustível, sem motivação egoísta, mas apenas em prol da grandeza do Criador: vir às aulas, aos eventos, viver em geral! Tento trocar os prazeres anteriores que me davam esperança egoísta por um novo estado, no qual não quero imaginar o futuro e a recompensa futura, mas me esforço apenas para me apegar ao Criador a cada instante.

Essa sensação de estar fazendo algo para o Criador me dá energia para trabalhar, e nesse momento estou vivo. E no segundo seguinte, preciso fazer outro esforço, e assim por diante, repetidamente, a cada instante. Dessa forma, avançarei; o Criador me ajudará a me desconectar e me purificar do meu desejo por prazer, e então poderei agir para a Sua satisfação. Para isso, existirei.

Esses momentos, estados em que sentimos que não temos forças para viver e agir, quando o mundo se torna sombrio e mergulha na escuridão, sem prometer esperança ou realização, são uma grande ajuda do Criador. É assim que Ele nos desapega da nossa realidade, deste mundo, e nos dá a oportunidade de trabalhar para Ele.

Se o Criador não nos tivesse desvinculado dos prazeres e das satisfações deste mundo, não teríamos qualquer chance de alcançar um nível espiritual. Permaneceríamos para sempre escravizados ao Faraó, que nos pagaria fielmente, e nós trabalharíamos obedientemente em busca dessa recompensa. Essa é a nossa vida no egoísmo.

Portanto, o desapego do egoísmo, quando surge o sentimento de vazio, impotência, desesperança e perda, é precisamente o estado em que existe a possibilidade de transitar da razão para a fé acima da razão, ao grau de doação, quando decido que farei tudo em nome do céu, para a satisfação do Criador.

É necessário, repetidamente, realizar tais exercícios organizados pelo Criador, e agradecê-Lo por isso, regozijar-se por finalmente estar ascendendo deste mundo para o mundo espiritual e estar em transição. Precisamos acelerar e fortalecer tais ações para que cada uma se torne um salto em frente para nós, e tudo depende da nossa conexão com o ambiente, com a dezena.

Da Lição Diária de Cabalá 02/12/19, “Trabalho com Fé Acima da Razão”

O Princípio Da Unidade Espiritual

938.02A condição para a conexão no mundo superior é a condição de “não em prol de si mesmo“, mas “para em prol dos outros”. Este é um princípio que simplesmente não conseguimos compreender.

Em nosso mundo, construímos sistemas de saúde, educação, segurança contra incêndios e assim por diante, mas tudo isso é feito para nós mesmos. Caso contrário, não participaríamos disso. Esse é o nosso mundo. Essa é a nossa natureza. Não devemos nos iludir pensando que somos diferentes.

Mas a unidade espiritual se constrói sobre o princípio exatamente oposto: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.

Se eu quiser alcançar isso, eu me conecto com os outros, não porque me sinto bem com eles, não porque juntos alcançaremos algo melhor como confiança, segurança e desenvolvimento bem-sucedido, mas porque aceito seus desejos e os realizo com a minha própria força. Só isso!

Em outras palavras, é como se eu mesmo não existisse. Existe apenas um mecanismo que funciona para satisfazer os desejos dos outros. Este é o cumprimento do princípio: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.

Do Congresso Internacional de Cabalá em Moscou, 02/05/16, Lição 1

Aquilo Que Nos Dá Vida

926.01Pergunta: É evidente que a chuva é uma bênção para a Terra, e assim por diante. Mas qual o significado da palavra “chuva”? O que ela significa para uma pessoa?

Resposta: A palavra “chuva” contém o fundamento, a raiz, o princípio de toda a vida corpórea. Porque a chuva é essencialmente uma bênção que desce dos céus para a terra. Ela simboliza a atitude benevolente do Criador para com as Suas criações.

Pergunta: Por favor, explique-me, no contexto do trabalho interior e espiritual de uma pessoa, o que significa o envio de chuva? O que isso simboliza?

Resposta: A chuva é uma grande e benevolente bênção espiritual que desce do alto e se manifesta em nosso mundo corpóreo na forma de chuva, água que cai do céu.

Pergunta: Que grande bênção é essa para o meu coração, para a minha alma?

Resposta: É o que nos sustenta; é o que nos dá vida.

Pergunta: Especificamente sobre a chuva?

Resposta: Sim, especificamente a água. Refere-se também à água espiritual: as águas superiores e as águas inferiores. É a força da natureza, a bondade do Criador para conosco que desce e se expressa de forma corpórea por meio de Suas ações sobre nós.

Pergunta: Quando alguém diz: “Minha alma morreu, estou seco por dentro, tudo em mim secou”, isso é um pedido por chuva?

Resposta: Sim, esse estado pode ser assustador. Assim como somos imersos na água no útero de nossa mãe e saímos com as águas. Essas coisas não são simples.

Pergunta: Então, na prática, pedimos chuva sempre que nos sentimos mal?

Resposta: Sim. Chuva, água, significa Rachamim, misericórdia. É por isso que a pedimos.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 12/11/25

Uma Oração Que Percorre Todos Os Firmamentos

962.3A oração de um homem é obra de Ruach [espírito], obra de Bechina Bet, que depende da fala. É um segredo bem guardado, desconhecido para a maioria das pessoas, que a oração de um homem rompe ares e firmamentos, abre portas e ascende (Rashbi, Zohar para Todos, Vol. 5 “VaYakhel”, “A Ascensão da Oração”).

Está escrito que a oração deve ser oferecida perto de um pilar. Isso não significa, na verdade, um pilar perto do qual se deva orar. A questão é que todos os Partzufim, do mundo do infinito ao nosso mundo, estão dispostos na forma de um pilar, onde os AHP do Partzuf superior estão localizados dentro de Galgalta ve Einaim (GE) do Partzuf inferior, e assim todos estão encaixados uns nos outros.

Não existe um único Partzuf que esteja disposto de forma diferente. Cada Partzuf está posicionado de modo que sua parte superior fique dentro do Partzuf superior, e sua parte inferior fique dentro do Partzuf inferior.

Ou seja, a parte superior do meu Partzuf está junto com a parte inferior do Partzuf superior, e a parte inferior do meu Partzuf está junto com a parte superior do Partzuf inferior. Acontece que na minha parte superior (GE) eu formo as dez Sefirot junto com os AHP do mais elevado, e na minha parte inferior (AHP) eu estou nas dez Sefirot com GE do inferior.

Acontece que, nas dez Sefirot superiores, estou conectado com o superior, e nas dez Sefirot inferiores com o inferior. Mas onde estou? Eu mesmo sou a parte que me divide em duas metades; chama-se Klipat Noga. Ela divide o Partzuf ao meio.

Klipat Noga é toda a nossa livre escolha. Se eu decidir me conectar agora com o mais elevado nas dez Sefirot superiores (1) para elevar o mais baixo (2), e estou trabalhando apenas para isso, significa que estou exercendo minha livre escolha em Klipat Noga, que está no meio.

A livre escolha é conectar-me com o Criador, em um nível superior, para corrigir o inferior. É assim que funcionamos.

Da Lição de Cabalá de 24/08/11, O Livro do Zohar

Os Desejos Expandem A Mente

282.01Um pensamento é resultado do desejo (Baal HaSulam, Shamati 153, “Um pensamento é resultado do desejo”).

Isso é de fato verdade, porque o mais importante em uma pessoa é o desejo. Os pensamentos surgem apenas para satisfazer esses desejos.

Os desejos surgem no coração, e nós apenas o ouvimos. A mente só se ativa quando é necessário para realizar os desejos que emanam do coração. Portanto, o essencial é o desejo, enquanto o intelecto é meramente uma ferramenta auxiliar, um meio para alcançar o que se deseja.

Uma pessoa pensa no que deseja. Ela não pensa no que não deseja.

Em nosso mundo, isso é natural. Você pode olhar para qualquer pessoa e, compreendendo seus desejos, adivinhar quais pensamentos ela tem. Todos os seus pensamentos são direcionados unicamente para a realização do que ela deseja. E na medida em que seus desejos têm uma hierarquia, você pode dizer quais pensamentos dominam e quais são menos importantes, o que a ocupa mais ou menos. Em outras palavras, os desejos praticamente nos governam.

Por exemplo, uma pessoa nunca pensa no dia de sua morte. Pelo contrário, ela sempre contemplará sua eternidade, pois é isso que deseja. Assim, pensa-se sempre naquilo que é desejável para ela.

O pensamento é secundário, auxiliar. Ele se desenvolve apenas porque a pessoa tem desejos. Portanto, a pessoa desenvolve o intelecto para alcançar o que deseja. Como diz o ditado: “Um homem derrotado vale por dois ilesos”. Pois aquele que é derrotado, que é forçado e compelido, torna-se mais sábio porque busca maneiras de se realizar.

Assim, a mente sempre se desenvolve quando existem grandes desejos. E, inversamente, se não há desejos, não há grande mente. Portanto, se você deseja desenvolver seus filhos, deve despertar neles grandes desejos, e não os frustrar.

Mimar significa tentar impor algum tipo de satisfação a uma criança antes mesmo que ela a deseje. Ao contrário, deixe-a desejar, deixe-a experimentar um pouco de carência, deixe-a buscar como realizar o que quer. A partir disso, seu intelecto se desenvolverá. Somente desta maneira, e de nenhuma outra.

Da Lição de Cabalá em Russo 14/03/19