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A Espiritualidade é Alcançada Através do Esforço


Enquanto lemos O Livro do Zohar, devemos traduzir instantaneamente todas as palavras e nomes em duas noções (ou qualidades, forças, categorias) que compõem tudo; estas duas noções são a Luz e o desejo. Toda a pessoa tem de dizer a si mesma: todas estas palavras são diferentes desejos e qualidades dentro de mim. Eu devo reconhecê-las dentro de mim e usá-las como exemplo, pois através delas o Criador me mostra a estrutura da minha alma, o meu mundo, a minha estrutura interna, e tudo na existência que Ele criou. Desta forma, Ele revela o meu estado eterno.

É assim que devemos tentar ver sobre o que fala O Zohar. E não devemos nos desesperar, porque tudo é alcançado através de esforços. À medida que cada um de nós emprega a soma de esforços necessária, ele revelará o seu Mundo Superior.

Não importa quão confusos estejamos durante a lição, quão “dormente” seja o nosso estado, quão incapazes nos sintamos na nossa mente e coração (no entendimento e nasensação), nenhum destes esforços depende de nós. Temos de agradecer ao Criador por nos dar a oportunidade de estar à frente deste livro.

Os Cabalistas chamam O Livro do Zohar simplesmente de “O Livro,” enfatizando que não há outros livros além dele. Porque o livro refere-se a uma estrutura, um sistema ou método que revela o Criador à criação.

Não depende da pessoa, de quão preparada ela esteja para ler este livro; depende da sua alma. No entanto, ela está agora colocada no melhor estado possível para ela e está sentada à frente deste livro e começa a escutar a lição sobre O Zohar. Isso significa que ela é capaz de revelá-lo.

O Que Pensar Antes de Ler O Zohar


Quando a pessoa começa a ler O Livro do Zohar, geralmente ela está num estado “adormecido”, e a partir dele ela deve começar a se sintonizar para ler e penetrar o material. Dependendo do quão correcta é a intenção da pessoa, como ela se posiciona, gira em torno de si mesma e se impulsiona numa determinada direcção, ela avançará mais na direcção correta à medida que lê o livro. Desta forma, é importante isolar seus sentimentos e pensamentos de todos os assuntos materiais e concentrá-los novamente na maneira sobre a qual O Zohar está escrito.

Há muitas formas de se “organizar” e se preparar para ler o texto de O Zohar. Aqui está uma delas:

Apenas uma coisa foi criada: o desejo de ser satisfeito pela Luz (o Criador). Dentro da pessoa, este desejo pode ser satisfeito fazendo com que você seja maior, mais elevado, mais forte e poderoso que as outras pessoas. Por outro lado, o mesmo desejo também pode ser satisfeito fora de você, ao se satisfazer os outros. Nesse caso, quanto mais você satisfaz os outros, mais você é preenchido com a sensação de satisfazer os outros. Ao medir esta satisfazção dentro de si, você mesmo é satisfeito.

Em ambos os casos você usa a espessura do desejo (Aviut), todos os seus cinco níveis (ou camadas) , mas você faz isso para o seu próprio benefício ou pelo benefício dos outros. O Zohar nos fala sobre as sensações que são sentidas no desejo de doar. O Zohar diz que o desejo de satisfazer a si mesmo não é natural, porque natural é o Criador. O Criador, a qualidade de doação, é contrário à forma a que estamos acostumados a sentir, porque nós nascemos com esta percepção.

A Força Que Opera Em Toda a Realidade é Alcançada Através de Suas Acções


O Zohar fala apenas sobre o desejo e o que ocorre dentro dele. Os meus amigos são também meus desejos; eles são aspirações para se conectar com cada um e comigo de forma a revelar o Criador. Os desejos que trabalham contra isso são chamados meus inimigos.

É assim que eu divido toda a realidade. Não há tal coisa como “este mundo” ou “o mundo vindouro,” mas apenas o desejo. Nós devemos nos habituar a estas definições e parar de ver o mundo de outras maneiras. Temos de nos livrar do hábito que temos desde que nascemos – de ver o mundo como uma estrutura que existe fora de nós. Temos de sentir que já tivemos o bastante essa falsa percepção, e que queremos voltar à verdade. Não queremos mais viver nesta ilusão.

Eu quero compreender o meu desejo e revelar a força que opera dentro dele. Esta força é alcançada através das suas acções. É por isso que O Zohar explica como os meus desejos estão conectados uns aos outros, e como eles influenciam um ao outro. Ao aprender o que se passa entre os meus desejos, eu começo a compreender esta força.

Esta força não pode ser revelada por si mesma, mas apenas através das suas acções dentro dos desejos. Por exemplo, como reconhecemos um ímã? Vendo como ele movimenta pedaços de metal. Para identificá-lo, você tem de ser esperto e compreender a sequência de causa e efeito. Se você mostrá-lo a uma criança, ela pensará que você faz milagres.

Nós percebemos fenômenos através da causa e efeito, através da reacção da matéria, assim como as consequências. Não podemos ver uma corrente eléctrica, mas apenas o efeito resultante, tal como um objecto em movimento ou rodando. Então, nós percebemos apenas as manifestações de algo, mas não conseguimos alcançar a essência, mesmo que seja a nossa própria essência. É por isso que O Zohar nos explica todos os fenómenos dentro do desejo geral.

O problema é que os Cabalistas não têm palavras à sua disposição senão as que pertencem a este mundo; é por isso que eles usam a linguagem dos ramos. Eles usam palavras que descrevem coisas neste mundo para descrever coisas no reino espiritual. É uma verdadeira bênção que esta linguagem exista, à medida que ela permite com que entremos na espiritualidade de forma independente e voluntária, ao aprendermos a entende-la de fora para dentro.

Como podemos descobrir sobre a espiritualidade, se nós estamos do lado de fora e não sabemos ou compreendemos nada sobre ela? Em relação à espiritualidade, eu sou como um recém-nascido. A diferença é que um bebé se desenvolve instintivamente, empurrado para a frente pela natureza (o Criador), ao passo que nós temos de pedir a Ele para nos dar a força para avançar em direção a Ele. Porém, ao fazê-lo, nós exercemos a nossa liberdade de escolha – a liberdade de nos tornarmos semelhantes ao Criador.

Duas Formas de Percepção


Quando quer que comecemos a ler O Livro do Zohar, temos de nos sintonizar conosco mesmo de forma a fluirmos junto com o material preparado para nós pelos grandes autores deste livro. Eles nos dizem que a única coisa que foi criada é o desejo de desfrutar. Este desejo tem duas formas de perceber a realidade (ou o seu Criador). Uma é a percepção directa dentro do desejo, ao qual eles chamam “de cima para baixo”. Nesta forma o desejo pode apenas perceber o que sentimos neste momento “dentro de nós mesmos”. Tal percepção é chamada “este mundo”. A segunda forma de percepção ocorre acima do desejo, “fora” dele. É quando nós não nos satisfazemos a nós mesmos, mas os outros (ou, o que nos parecem ser os outros).

Nós não estamos acostumados ao segundo tipo de percepção, dado que não nascemos com ela. Parece-nos esquisita e estranha para nós, e ainda assim os autores de O Zohar dizem-nos que esta forma de percepção é a mais natural, pois deriva da natureza (o Criador). Em adição ao minúsculo mundo que sentimos dentro de nós mesmos, há vários outros mundos “fora” de nós.

O Zohar aponta-nos para que pudéssemos adquirir esta percepção adicional da realidade fora dos nossos corpos. Por esta razão, se queremos ver do que fala O Zohar, precisamos nos sintonizar para perceber a realidade que existe “fora” de nós, em vez de “dentro”.

Este livro descreve muitas coisas que soam como que fenômenos deste mundo, assim como criaturas mágicas, como anjos, espíritos ou câmaras. Todavia, independentemente do quão realistas ou sobrenaturais estas coisas nos possam parecer, O Zohar fala sempre da forma de percepção “dentro” de nós mesmos. Desta forma, se queremos compreender o que O Zohar nos quer dizer, ou pelo contrário, o que nos quer revelar dentro de nós, temos de nos sintonizar conosco mesmo na mesma direcção – em vez de aspirarmos por auto-satisfação, devemos aspirar sentir a realidade “fora” de nós mesmos.

Quem Oculta o Livro do Zohar?


Durante o período em que O Livro do Zohar estava oculto às pessoas – desde a sua composição no século II até à sua descoberta no século XI – ninguém lhe chamava “oculto”, pois ninguém sabia algo sobre ele. Hoje, porém, toda a pessoa deste mundo pode facilmente adquirir O Livro do Zohar e lê-lo; então, porque ele é chamado secreto ou oculto?

O Livro do Zohar contem tudo. Este tem a habilidade de revelar este mundo e os Mundos Superiores a nós na sua totalidade, pois este foi escrito do ápice de todos os 125 níveis, do alcance do universo inteiro, e ele narra todo o nosso caminho. O único problema é que este livro permanece fechado, pois a pessoa que o lê está a fechá-lo a si mesma na sua incapacidade de se concentrar, e de se sintonizar correctamente para ver o que está ocorre dentro do livro. Por conta própria, naturalmente, o leitor é incapaz de se posicionar correctamente perante o texto da maneira que o faz ao ler qualquer outro tipo de texto. Ele fica confuso com o texto de O Zohar, pensando que este descreve imagens do nosso mundo, história, geografia, fisiologia ou anatomia. Ele liga erroneamente os conceitos, objectos e acções usando a sua compreensão terrena.

Pense num aparelho eléctrico com muitos fios e detalhes, e você os liga a todos incorrectamente. Você será capaz de fazer o aparelho funcionar? Obviamente não! Tal é o caso com O Zohar: Tudo permanece aberto perante nós, mas o problema é que nós não conseguimos revelá-lo, pois somos incapazes de nos envolver adequadamente com este sistema ou de nos conectarmos correctamente a ele. Nós simplesmente não temos a abordagem correta do O Livro do Zohar.

Antes e depois da leitura, a pessoa deve aprender constantemente a se sintonizar com este novo foco, compreensão e visão. Além disso, ela tem de avançar gradualmente, sem se apressar. O processo de sintonia é necessário, pois se ela simplesmente abrir O Livro do Zohar e o começar a ler, ficará apenas confusa, e mais tarde será muito difícil corrigir a desordem e voltar ao principio.
Desta forma, a maior dificuldade reside em aprender como entrar correctamente no Livro do Zohar. É por isso que O Livro do Zohar é acompanhado de materiais que falam sobre como sintonizar o nosso instrumento ou percepção – a alma.

O Nosso Mundo é como uma Imagem na Tela do Computador


Para percebermos a verdadeira realidade, não devemos imaginar nada, exceto o nosso próprio desejo. Desde que nascemos nós temos sido condicionados a ver um filme que mostra o todo como estando fora de nós. Porém, este existe apenas dentro do nosso desejo. Temos de travar uma guerra interior com nós mesmos de forma a nos convencermos que tudo acontece dentro do desejo. Contudo, este facto não revoga a realidade, dado que o desejo é a realidade.

Normalmente, nós pensamos que um desejo é simplesmente quando queremos algo. Porém, o desejo é tudo. Uma parede que impede o nosso caminho também é um desejo – quando vamos contra ela, vamos contra um desejo. Tudo à nossa volta são desejos ou forças, que são retratados de certa forma na nossa tela ou ecrã. Quando olhamos para uma fotografia numa tela de computador, não pensamos que são objectos reais dentro do computador. Sabemos que a imagem é criada por forças eléctricas. Todavia, quando olhamos para o nosso mundo, não nos apercebemos disto, porque não vemos a tela na qual este mundo é projectado.

Embora, na realidade, tudo o que ocorre seja ainda mais simples. O que vemos numa tela de computador parece acontecer fora de nós, na tela, e daí a imagem entra no nosso olho, é processada, comparada com que está armazenado na nossa memória; então, ela é reconhecida com ajuda de processos electro-químicos no nosso cérebro. Porém, quando vemos o mundo, vemos-o dentro de nós mesmos, no nosso cérebro. Na realidade este também está projectado numa tela, em que forças eléctricas descrevem uma imagem. Entretanto, nós pensamos que esta imagem está localizada fora de nós.

Se nos aproximarmos desta percepção autêntica com a ajuda de O Zohar, então veremos um mundo de forças e qualidades diante de nós. Estas forças e qualidades são operadas por uma força geral, o Criador. Ao alcançarmos esta visão e realização, revelaremos o Criador, que é o nosso maior desejo. Esta revelação ocorre dentro do nosso desejo, dependendo da sua equivalência de forma com o Criador. Todo O Zohar está apontado apenas à revelação da percepção correta da realidade.

Altere a Sua Realidade para Malchut do Mundo do Infinito


Quando nós lemos O Zohar, encontramos nomes como Jacó, Esaú, Abraão e Noé. Porém, se nós interpretarmos esses nomes através das nossas noções anteriores sobre a Torah, vendo-a como um conto histórico, então ficaremos completamente confusos e compreenderemos mal o que O Zohar nos conta. Nós devemos avançar em direção a um vácuo vazio no espaço sideral, onde não há terra e nada que tenha ocorrido alguma vez; tudo isto apenas pareceu-nos real. Tempo, movimento e espaço são uma ilusão que só existe na nossa imaginação. Nós pensamos que algo existiu há milhares de anos atrás, e que agora fazemos escavações arqueológicas sobre isso; nós encontramos ossos como prova da sua existência. Porém, tudo isto existe apenas nas nossas percepções, que chamamos realidade.

Porém, agora nós queremos nos elevar ao entendimento adequado – para ver o desejo que contém Reshimot (genes informativos). É isto que queremos investigar, em vez de escavações arqueológicas.

Eu quero ver este mundo inteiro dentro do meu desejo, dado que é o único lugar onde ele existe verdadeiramente. Eu tenho de mudar para perceber a verdadeira realidade, em vez de uma imaginária. Eu quero ver as pessoas à minha volta como várias formas ou imagens dentro do meu desejo, em vez dos corpos físicos que aparecem à minha frente. Eu quero ver como toda a realidade – até o Criador – está contida dentro do meu desejo. Então, a minha realidade será chamada Malchut do Mundo do Infinito.

Eu tenho que unir tudo em um, dado que tudo está contido dentro de um desejo. A razão pela qual eu vejo imagens diferentes, acções, e movimento através do tempo e espaço (tanto no tempo e espaço material, quanto no espiritual) é porque a Luz, o Criador, age dentro do meu desejo. Desta maneira, gradualmente, passo a passo, isso me leva ao verdadeiro entendimento das Suas acções.

A Oração de Muitos (Coletiva)


O Zohar: A oração das massas ascende diante do Criador, e o Criador é embelezado por esta oração, porque eleva-se com pedidos diferentes: um pede misericórdia, outro coragem e o terceiro piedade ou compaixão. Além disso, inclui vários lados: a direita, a esquerda e o meio.

No entanto, a oração de uma pessoa não inclui todos os lados e só tem uma forma: ou ela pede por misericórdia, ou por coragem, ou por piedade. Portanto, a oração de uma pessoa é imperfeita e não pode ser aceita como uma oração comum, uma vez que não inclui todas as três linhas.

Para se chegar a uma oração comum, a uma oração por todos como um todo, e para ser um todo, é preciso primeiro passar por estados muito difíceis de busca interior. A pessoa tem que entender:

1. A meta espiritual é mais importante do que todas as outras metas.
2. É impossível atingir esta meta sozinho, mas somente através da criação de uma aspiração comum de todas as aspirações individuais. Então, a aspiração será semelhante ao Criador, e a Luz Superior vai preenchê-la.

Somente este tipo de pedido ou oração pode ser “ouvido”, o que significa que apenas este tipo de oração é capaz de provocar as ações de reforma da Luz Superior.

A leitura do Livro do Zohar desperta em nós, uma percepção interna de que temos de estar juntos, pois, sem sairmos de nós mesmos, é impossível alcançar a doação, a qualidade do Criador, e existir no mundo superior.

Está escrito: “Do amor pelos seres criados ao amor pelo Criador”. O Criador deu-nos a ilusão de que há muitas pessoas ao nosso redor. Temos que romper esta ilusão e entender que tudo o que existe está dentro de nós, e pedir-Lhe para unificar o mundo inteiro dentro de nós.

Então, a oração de muitos (coletiva) vai se transformar em uma verdadeira oração de um.

O Zohar nos Instrui como um Professor Experiente


Ao ler O Livro do Zohar, toda pessoa tem que tentar encontrar um estado mais interno dentro de si. Nós não temos a capacidade de imaginar nenhum estado superior ao estado adjacente. Eu posso fantasiar infinitamente e pensar que estou imaginando o Mundo do Infinito, mas isso apenas parecerá ser dessa forma para mim, enquanto que, na realidade, eu descobrirei mais tarde que isso era apenas o próximo estado interior, ligeiramente mais elevado do que o meu estado atual.

Por isso, a pessoa deve direcionar toda a sua energia e todos os seus esforços na tentativa de discernir os desejos interiores e as qualidades que correspondem a cada palavra escrita no O Zohar. Por exemplo, “cidade,” “torre,” “ascender,” “descender,” “anjos,” “demônios,” “espíritos,” “os filhos de Efraim” – não importa o que ou quem está sendo descrito, tudo isso está se referindo aos desejos e qualidades interiores da pessoa.

O livro ou o autor está falando conosco como um adulto com uma criança, nos contando apenas as coisas que são apropriadas para nós. Nós não seremos capazes de ler nada além disso no Livro do Zohar, nem imaginar, ouvir ou ver além. Mas, de fato, o conteúdo deste livro é muito maior do que aquilo que vemos atualmente. Nós apenas não conseguimos ver isso por enquanto. Nós somos capazes de ver apenas uma pequena parte, como se nós estivéssemos sendo ensinados por um professor experiente que é capaz de nos dar apenas aquilo que é benéfico para nós, e nada além disso.

Por isso, nós não devemos temer dar tudo o que temos tentando encontrar os conceitos internos dentro de nós, os quais são descritos pelo texto a nossa frente. Nós vamos ascender a essas noções, vamos reconhecê-las e senti-las por um tempo, como uma criança que cresce durante um dia, uma semana ou um mês, e então é capaz de entender mais do que antes; ela ganha a habilidade de revelar coisas mais profundas, mais internas. Anteriormente, a criança não podia ver ou reconhecer essas coisas porque elas simplesmente estavam além do seu campo de visão.

O nosso desenvolvimento espiritual acontece da mesma forma: com a releitura do mesmo texto, nós vamos continuamente revelar novas qualidades internas e novas conexões.

Noé Realmente Existiu?


Quando a pessoa lê o O Zohar, ela deve sempre pensar em si mesma. A Torah não diz uma palavra a respeito da história. Porém, toda a raiz espiritual deve tocar um ramo material, e é por isso que todos estes acontecimentos também ocorreram em nosso mundo.

As pessoas descritas pela Torah compreendiam quem eram? Esta é certamente uma questão digna de ser perguntada. O Baal HaSulam escreve que houve um tempo em que uma pessoa “acidentalmente” decidiu dar dar o nome à colina que viu de “O Monte das Oliveiras”, porque pensou que era um bom lugar para plantar oliveiras. Porém, na realidade, ela deu este nome à montanha de forma natural, instintivamente, porque cada pessoa age de acordo com sua raiz espiritual. Esta raiz é instigada em toda a pessoa desde o Alto, e nós executamos suas ordens.

Então, Noé realmente existiu? Sim, ele existiu. Ele era a pessoa mais justa de todas as gerações? Ele compreendia o que fazia? Esta é uma boa pergunta, que iremos discutir em determinado momento no futuro. Ele teve filhos, chamados Shem, Cam e Jafé? Sim, ele teve. Eles também eram justos, e compreendiam o Criador, e falavam com Ele? Tudo isto requer uma explicação.

Porém, eu não estou interessado em toda esta história. O mundo espiritual deve ser impremido numa forma material, dentro de mim, de certa forma. Ele foi certamente impresso lá, mas isto não é importante no que me diz respeito. Eu devo organizar tudo isto de uma forma ordeira, para eu próprio, da favorecer o meu próprio avanço.

Todas estas histórias bíblicas falam sobre o mundo interior do homem. Desta forma, eu não quero saber de mais nada. O resto pode muito bem ser inexistente, como se nunca tivesse havido qualquer história, ou Antiga Babilónia, ou este mundo inteiro. Isso não existe até que eu o descubra por mim mesmo, em vez de escutar outra pessoa qualquer que fale sobre ele.

Neste momento eu estou num espaço vazio onde não há nada. Tudo ocorre dentro de mim. Mas quem sou eu, que permanece no meio deste espaço vazio? Eu sou alguém que sente. E o que eu sinto? Eu sinto o que O Zohar me diz – e nada existe além disto.

É assim que eu, um ponto dentro do espaço vazio, estudo O Livro do Zohar, construindo um mundo inteiro a partir do material que absorvo. Este é o único mundo que existe – não o Mundo Superior ou o mundo inferior, mas um único. Eu me esforço para compreender como este mundo está organizado, e onde são encontradas cada qualidade e acção descritas pelo O Zohar neste mundo. É isso que eu sempre tento imaginar. Eu sou apenas um ponto que tenta encontrar estas qualidades.