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Andando pelo Porão Escuro com a Luz de uma Vela


O Zohar: Todos os caminhos do Criador são corretos, e Seus caminhos verdadeiros. Conseqüentemente, “os justos andam neles”, dado que eles conhecem os caminhos do Criador e se empenham na Torah; e qualquer um que se empenhe nas correcções da Torah conhece os caminhos da Torah e anda neles, e não se desvia para a direita ou para a esquerda. Porém, é aqui que os transgressores tropeçam.

Isto não se refere ao mundo material, mas apenas à alma da pessoa, se esta usar todos os meios possíveis e toda a sua força para tentar atrair a Luz da Correcção, de forma a se fundir com o Criador. A pessoa quer andar no caminho certo, mas algumas vezes ela experimenta a noite ao longo do caminho, e algumas vezes o dia.

É por isso que todos os “transgressores” descritos na Torah (Esaú, Balam, Balaque, Assuero, a Serpente primordial, o Faraó), assim como os “justos” (Abraão, Isaac, Jacó, David) surgem na pessoa. Ela cai num estado de escuridão, medo, guerra, problemas, e depois desperta, tem êxito e avança adiante. Então, ela atravessa o mesmo ciclo, repetidamente. Ela “peca” inúmeras vezes no caminho espiritual, porque deve revelar todo o seu desejo não-corrigido, e sente quão oposta ela é em relação ao objectivo espiritual. Somente depois disso é que ela pode aprender que tipo de Luz ela precisa para corrigir o seu desejo e transformá-lo num desejo de doação.

Nós não temos qualquer outra questão mediante a qual estudamos o que o Criador fez e como Ele age dentro de nós; nós só podemos fazer isso através do desejo de desfrutar, através das cascas vazias e más que são reveladas em nós. Assim, podemos converter o mal em bondade com a ajuda da Luz, à medida que ganhamos conhecimento acerca de como fazer isto. Primeiro a pessoa tem de pecar, de forma a compreender que ela usa o seu desejo de desfrutar em prol do mal – contra todos e contra o Criador. Ela percebe que está cheia de egoísmo e que ele governa sobre ela. Enquanto atravessa estes estados ela é chamada de “transgressora”, e ao corrigi-los ela torna-se “justa”. Então, esperemos tornar-nos os transgressores sobre os quais a Torah nos fala, dado que estes são estados espirituais elevados.

Estes estados chegam à pessoa que está pronta para perceber o seu mal, desde que ela não se submeta a ele, mas sim sinta-o e o distinga. Uma Luz especial brilha sobre ela, permitindo-a discernir a escuridão dentro de si mesma. Da mesma forma que verificamos Chometz com uma luz de vela antes do feriado de Pesach, a pessoa deve descer ao porão escuro do seu interior, e auxiliada pela luz de uma vela, começar a verificar onde está Chometz e onde está a comida que é adequada para Pesach.

Apenas os Kelim de doação são adequados para Pesach, enquanto que todos os outros são proibidos. Nós precisamos ao menos de uma pequena luz de vela para descer ao porão e começar a verificá-lo. É assim que nós nos preparamos para sair do nosso Egipto interno. Ao revelar e verificar o mal interior, a pessoa dá um passo adiante e sai do exílio para o Mundo Superior.

A Escuridão Suporta A Luz


Na preparação para a lição O Zohar, nós devemos nos sintonizar de modo a querer perceber, compreender e sentir O Zohar dentro de nós, dentro da nossa matéria; então, a Luz será revelada e se abrirá, em vez de sermos tranquilizados por nossas fantasias. Além disso, não devemos esquecer que todas as formas de conexão da Luz com os Kelim, são atingidas dentro da nossa união e conexão, através do restabelecimento da conexão entre nós no local onde ela foi quebrada.

Os nossos Kelim estão quebrados e temos de revelar a conexão interrompida entre nós, e sentir como corrigí-la. A corrupção, bem como a correcção, estão dentro de nós, e ambos os sentimentos devem ser expressos em nós como a escuridão e a Luz. Eles devem definir-nos as formas das letras, a forma da nossa conexão, e a nossa sensação do Nível Superior. As palavras expressam uma relação especial entre o Kli (recipiente ou vaso) quebrado e o corrigido. A partir destas duas formas a pessoa atinge a si mesma, o Criador, as relações entre os dois e a união.

“Nada desaparece na espiritualidade” é uma lei que significa que as minhas formas anteriores, quebradas, são reveladas a mim através dos meus erros, transgressões, problemas e obstáculos, e que elas nunca desaparecem. Isto permite com que eu me esforce no sentido de revelar estas coisas e atraia a Luz Circundante, que corrige o que ocorreu antes.

No entanto, a corrupção continua dentro de mim, para que eu seja capaz de construir a correcção por cima dela. Ambos os estados têm de existir. É impossível ter apenas perfeição serena, uma vez que eu não seria capaz de sentir ou compreender nada. A corrupção continua sempre a existir, e a correcção acontece acima dela, mas estes dois estados se apoiam um ao outro. A escuridão está abaixo e a Luz está acima, e isso é que produz a compreensão e a sensação dentro de mim, a relação entre eu e o Criador, assim como tudo que daí decorre.

As Palavras Representam Acções Espirituais


Uma pergunta que recebi: Se os gráficos são uma linguagem, e as letras são gráficos, então qual é o significado dos pontos vocálicos (Nekudot)? Qual é o seu papel na percepção?

Minha Resposta: Os pontos vocálicos são muito mais que adições às letras. A coisa mais importante para nós são os recipientes, ou vasos, de percepção (Kelim, as letras), visto que falamos sobre a percepção da Luz. Os Nekudot (os pontos sob as letras) e os Tagin (as coroas sobre as letras) criam um fluxo necessário para compreendermos as conexões entre as letras.

Nós não podemos pronunciar palavras sem vogais. Nós temos de acrescentar vogais (representadas pelos pontos vocálicos, Tagin e Nekudot) entre as consoantes, uma vez que elas nos permitem fluir de um Kli para outro – de uma letra para a próxima.

É impossível avançar sem todo o TANTA (Taamim, Nekudot, Tagin, e Otiyot). Um TANTA segue outro, e depois é seguido por um terceiro, e assim por diante; o fluxo deles cria uma palavra. Entretanto, as letras não são palavras por si mesmas, e nós não podemos definí-las como estados.

Você não pode definir um estado a menos que você se conecte a ele com uma causa e efeito, uma sequência de outros estados. Isto se chama uma “palavra”. Você tem de saber de onde vem este estado e quem o determina; onde está o Criador nesta situação, o que quer Ele de você, como você age, o que você faz, e no final da palavra – como você sairá deste estado.

Portanto, a palavra é uma acção especifica, e ela contém tudo. Ela inclui qualidades, e, desta forma, ela não pode ser formada por apenas uma letra, mas deve ter pelo menos duas.

Quando a Escuridão Está Cheia de Luz


O Zohar: Quando a escuridão chega e Nukva se conecta a ela, ela governa e brilha em Hochma, que é a sua governança. E dado que lhe falta Hassadim, todas as suas aberturas estão bloqueadas de todos os lados, pois todas as Luzes congelam dentro dela e não há abertura nela, através da qual qualquer luz possa aparecer.

Ela está cheia de Luz, mas as aberturas estão bloqueadas. Posteriormente, quando a linha do meio desperta nela e abre as aberturas, elas irão receber a iluminação de Hochma dela, que estava bloqueada dentro dela nessa altura. Está escrito que elas imploram penetrar Nukva precisamente quando ela é percebida como pequenas formas e aberturas bloqueadas, dado que somente então é que Hochma está nela de forma completa.

Na verdade, a noite está cheia de Luz, mas nós somos incapazes de ver na noite, dado que nos falta a Luz do amor e da doação (Hassadim) para ver a Luz. Apenas na Luz de Hassadim podemos nós obrigar a Luz de Hochma a se revelar e a brilhar na Luz de Hassadim. Quanto maior a Luz de Hassadim, maior a revelação.

A noite ou escuridão é um estado em que eu estou num oceano de Luz de Hochma, mas não tenho Luz de Hassadim. Se eu começar a desenvolver qualidades internas de amor e doação ( Luz de Hassadim), então a Luz de Hochma começará a brilhar para mim pouco a pouco. Isto significa que eu desperto o amanhecer, a Luz da manhã, o dia.

Do meio dia para a frente, a Luz de Hassadim, a minha força de doação, enfraquece e eu começo a descer do nível de Hassadim que estava antes. É como se o crepúsculo, a diminuição da Luz de Hochma na Luz de Hassadim, se estabelecesse. É então que a tarde vem, seguida pela noite. Afirmando de forma diferente, o meu desejo de desfrutar cresceu e não me deixa forças para que eu permaneça em doação e amor (Hassadim); ele ganha mais e mais poder sobre mim. As forças da escuridão da noite capturam-me e eu desisto, descendo até à escuridão e tornando-me incapaz do amor e doação.

Mas então, enquanto estou nesta escuridão, eu acumulo novamente a força de doação, e a partir da meia-noite eu começo a combinar Hochma e Hassadim, para que uma Luz brilhe dentro da outra. É assim que eu revelo a Luz.

Tudo isto é feito por uma pessoa se ela supera o seu desejo de desfrutar através da sua aspiração pelo doação; então ela vê a Luz. E vice-versa, ela vê a escuridão à medida que seu egoísmo a supera. É assim que avançamos no nosso desenvolvimento espiritual, do dia para a noite, repetidamente. Tudo depende apenas da pessoa, dado que na parte do Criador, a Luz rodeia-nos permanentemente, como está escrito, “Eu não mudei o meu HaVaYaH”, e, “A lei é dada e ninguém pode quebrá-la”. Tudo já lhe foi dado, e de agora em diante você é benvindo a fazer o que quer que você queira.

Lembrando o Que Tem Sido Esquecido


A percepção da realidade que a Cabalá explica nos parece muito estranha e extraordinária .  No entanto, um bebê recém-nascido também encontra o mundo que ele vê ao seu redor muito extraordinário. Ele não está acostumado com o lugar  e começa a estudar este mundo desde o início. Estamos exatamente na mesma em relação ao mundo espiritual. [Leia mais →]

O Zohar Explora O Nosso Mundo Interno dos Desejos


Os Cabalistas explicam que o desejo é a única criatura que o Criador criou. Ela é constituída por 613 desejos (Taryag) diferentes, com todas as suas diferentes manifestações. Nós vivemos no interior destes desejos. Eles são todos nós.

A Luz do Criador brilha sobre esses desejos. Na realidade, é Ela quem separa um desejo comum dentro de uma multidão de desejos particulares, porque o desejo torna-se dividido e mais complexo sob influência da Luz. É por isso que ele se divide em partes diferentes, até mesmo partes que são opostas umas das outras.

Entre esses desejos, alguns são contrários e opostos à  Luz, e outros apoiam e são semelhantes à Ela. Os nossos desejos maléficos nos afastam da Luz e são chamados de “inclinação ao mal” (Yetzer Ra), “forças do mal” (Kohot HaTumaa), ou o lado oposto (Sitra Achra). Os nossos desejos benéficos, chamados Yetzer Tov, nos empurram mais em direção ao objetivo e nos ajudam a alcançá-lo. Eles são chamados de “forças da santidade” (Kohot HaKedusha).

Também existem em nós desejos em diferentes níveis de desenvolvimento: inanimado, vegetativo, animado e humano. Além disso, existem desejos chamados “anjos”, “demônios”, “espíritos”, e assim por diante. Há uma enorme variedade de diferentes tipos de desejos, mas eles estão todos dentro de nós; nós somos constituídos por eles.

No entanto, nós nos relacionamos com os nossos desejos e qualidades de diferentes maneiras. Nós tratamos alguns deles como se estivessem perto de nós e fossem úteis, enquanto outros parecem longe de nós, opostos a nós e prejudiciais. Nós os tratamos de um modo ou de outro dependendo da nossa meta, da nossa forma de trabalhar com eles, e outras considerações.

No entanto, independentemente do que dizemos, pensamos, ou mencionamos, nós estamos sempre nos referindo aos nossos desejos. As pessoas que vemos ao nosso redor também são expressões do nosso desejo, um desejo que tomou “nossa” forma sob a influência da Luz.

Alguns desejos são grandes e relativamente constantes; se eles mudam, eles o fazem lentamente. Estes desejos estão no nível inanimado de desenvolvimento. Outros desejos são mais flexíveis e estão nos níveis  vegetativo e animado. Eles mudam mais rápida ou lentamente de acordo com seu tipo e força. Todos esses desejos dependem de um maior nível de desejos – o nível humano, também  chamado de “alma”. Os desejos “animados” que são menores do que este nível são chamados de “espíritos” e “anjos”.

Além disso, as “câmaras” são diferentes tipos de espaços ou cavidades; esses são desejos do nível animado que têm suas próprias características. Alguns desejos que operam dentro destas câmaras são mais ativos e flexíveis, e são chamados de “espíritos”, os quais estão no mesmo nível vegetativo. Os desejos que são ainda mais ativos operam dentro dos espíritos; estes são “anjos”, o nível animado. Finalmente, num nível ainda mais profundo existem as almas que se ajudam mutuamente.

Desta forma, O Zohar revela o mundo inteiro para nós. Mas todo este mundo está dentro de mim e dos meus desejos. É como se eu estivesse viajando dentro deles, como uma pessoa minúscula num desenho animado vagando dentro do seu próprio corpo, penetrando diferentes órgãos e espaços entre eles e vendo como seu o organismo funciona.

O Zohar descreve algo muito semelhante. Ele nos diz como existimos no mundo espiritual e que todo o mundo espiritual é o nosso desejo, que nos parece como se estivesse dentro ou fora, em todos os tipos de estados diferentes. E tudo isso com a intenção de trabalharmos com ele.

Mude a Sua Intenção e Voce Mudará a Sua Realidade


Eu sou um pequeno mundo, e percebo tudo dentro de mim. Como o Baal HaSulam explica no “Prefácio ao Livro do Zohar”, existe uma  “câmera” dentro de mim que projeta a imagem do mundo numa tela, na parte posterior da minha cabeça. Assim, o mundo se apresenta para mim através do seguinte sistema de coordenadas: ” mundo, ano,  alma”. Portanto, a fim de ver a verdadeira imagem do mundo, eu tenho que organizar adequadamente os meus desejos, através dos quais percebo o mundo.

Ao corrigir cada um dos meus desejos, de recepção para doação, eu gradualmente começo a converter as imagens deste mundo, atualmente percebidas em função da recepção, para uma imagem do mundo em função da doação. Então, passo a passo, eu me aproximarei do retrato fiel da realidade – aquele que está fora de mim e independente dos meus corruptos vasos de recepção (Kelim). Eu verei a realidade em sua verdadeira forma, fora de mim; dito de forma diferente, eu “verei” o mundo espiritual.

Tudo o que tenho que fazer para conseguir isso é mudar o método de utilizar os meus desejos, de recepção para doação. Portanto, primeiro eu devo imaginar que o mundo que eu atualmente sinto e no qual pareço habitar é, na verdade, os meus desejos; é nesses desejos que eu habito, os quais são destinados ao consumo (recepção).

Como eu gradualmente começo a convertê-los de recepção para doação, ao sair fora deles, a imagem do mundo mudará. Isto é muito difícil para eu entender, porque estou acostumado a perceber o mundo como ele se parece atualmente para mim. No entanto, toda a imagem do mundo é criada por forças que descem do Alto, como a imagem numa tela de computador. Eu posso mudar meus desejos, e assim perceberei uma realidade diferente.

Nós estamos vivendo numa época especial, quando todas as forças, todas as condições, e todos os estados que atravessamos nos ajudam a desfazer a nossa percepção atual do mundo, a percepção da realidade corpórea, e desenvolvem o desejo de adquirir uma percepção diferente da realidade – a do mundo espiritual.

Não Ande em Solidão


O Zohar: está escrito sobre o pecador Bilam: “Ele andou em solidão … como uma víbora na estrada”, como uma cobra que rasteja sozinha, e um corvo ao longo de estradas sinuosas. Assim Bilam andou em solidão para fortalecer seu espírito de impureza.
Assim é com toda pessoa que anda sozinha, mesmo num lugar de destaque, mesmo numa cidade, em locais conhecidos, ela atrai sobre si mesma o espírito de impureza.

Tudo isto está dizendo-lhe: Una-se com os seus amigos. Os Cabalistas estão a dizer-lhe que você não pode embarcar sozinho no caminho espiritual. Se você quiser ir para a estrada, mas a estrada está escura, e você não consegue ver nada porque não tem Luz (nenhuma qualidade de doação, você ainda não se conectou ao sistema espiritual, às outras almas), então você não deve deixar sua “casa” sozinha. Você está no escuro porque está sozinho.

Assim está escrito: “Que o homem não ande em solidão numa estrada e numa cidade” – mas apenas em conexão com os outros, mesmo onde as pessoas caminham e habitam.

E também: “Que o homem não ande sozinho à noite” – porque nesse horário não há pessoas.

Você não deve dar um único passo sequer; isso não irá beneficiá-lo porque você ainda não é capaz de se unir com os outros apesar do seu egoísmo. Você não deve dar um único passo sequer, visto que este passo não será dado na direcção correta: na direcção da doação, do amor, do Criador. Primeiro você tem que se unir aos outros e só depois sair. E uma vez unido a eles, de repente você verá que lá fora não é noite, em absoluto, mas dia.

Mas à noite vocês não devem embarcar num caminho, mesmo quando juntos, porque isso significa que ainda não alcançaram o nível requerido de unidade. Como vemos em O Zohar, quando a noite cai, você tem que se esconder numa “caverna” – as qualidades de Bina (doação), como Noé em seu abrigo.

Agora vamos voltar atrás e perguntar: Qual é o significado de tudo isto? O objectivo de O Zohar não é assustar-nos com histórias horripilantes. Pelo contrário, é um livro sagrado que nos diz qual a abordagem correcta para corrigirmos nossas almas. Temos que abrir o livro com o desejo de corrigir todas estas forças dentro de nós, todos os desejos e qualidades sobre os quais lemos. Eles estão todos dentro de nós.

O Egoísmo é o nosso Maior Inimigo


Quando nós lemos O Livro do Zohar devemos nos lembrar que “Não há ninguém além D’Ele”, e que Ele é Bom e faz o Bem. Esta é a única forma que devemos abordar nossas vidas e tudo o que acontece no mundo. Temos de compreender que há apenas uma força por trás de tudo.

Não há diabo ou espíritos maus tentando nos prender, arrastar-nos para o inferno e nos assar num fogo eterno. Quando O Zohar descreve várias criaturas más, é para nos mostrar como a pessoa se sente quando revela as forças egoístas interiormente. Ela se sente como se ardesse no inferno, e deseja escapar ao controle destas horríveis forças das trevas que a controlam. Ela vê que estas a impedem de avançar para o Criador, mas ela não consegue lutar com elas e é forçada a segui-las.

O Anjo da Morte vem até à pessoa e lhe dá uma espada, cuja ponta está manchada com uma gota de veneno mortal, e a pessoa obedece, abre a sua boca e engole o veneno. O Zohar explica que o Anjo da Morte é o nosso desejo egoísta na sua forma final e mais cruel. Todas estas qualidades estão dentro de nós e estão a matar-nos. Não há nada pior que este estado, embora não nos apercebamos dele.

A Cabalá é uma Ciência Sobre a Alma


Na sabedoria Cabalística nós estudamos a Alma – o sentido que revela o Criador. Na realidade, o Criador só criou este sentido específico, este espaço específico, e nada mais além dele.

Neste momento, nós também percebemos nossas vidas com o mesmo sentido, mas numa forma oculta. É por esse motivo que nos referimos à nossa vida atual como o nosso corpo, esta vida, e este mundo. Contudo, na realidade, o Criador criou apenas um desejo. E O Livro do Zohar inteiro descreve como podemos trabalhar com este desejo de forma a reconhecer o lugar em que temos liberdade de escolha, em que podemos trabalhar e aplicar esforços de forma a revelar este sentido ou este desejo, e então perceber a verdadeira vida nele. Isto não irá acontecer sem a nossa participação.