Textos na Categoria 'Zohar'

Ele e Eu, e Nós Juntos

Uma pergunta que recebi: Como eu faço para acompanhar o entendimento sobre O Livro Do Zohar enquanto procuro qualidades dentro de mim e, ao mesmo tempo, penso sobre a minha conexão com os outros?

Minha Resposta: Até agora, nós não sentimos como todos esses processos estão interligados, e que todos nós estamos incluídos numa única imagem – o Criador e eu. Nós estamos todos conectados de uma forma muito pequena e simples, conforme a nossa equivalência com Ele. O que chamamos de “eu” é, na verdade, o resto do mundo – os níveis  inanimado, vegetativo, animado e humano dentro de mim. E o Criador é o conjunto de forças e causas.

Portanto, nós devemos usar O Livro do Zohar de forma prática, para percebermos a unidade e o ponto de nossa conexão. “Eu” sou um, “o Criador” é um, e juntos, “Nós” estamos unidos como um todo. Enquanto isso não acontecer, nós nos sentiremos alienados, separados, e confusos, mas aos poucos começaremos a mudar. Do mesmo modo que uma criança que está crescendo, somente o esforço que fizermos nos ajudará.

Traga O Zohar À Vida Em Cada Lição


Temos de ler O Zohar várias vezes até que a Luz nos comece a influenciar. Inicialmente, as pessoas sentem-se muito inspiradas quando lêem O Zohar, e este sentimento dura o primeiro mês ou o segundo. Durante este período elas não compreendem nada ainda, mas elas ficam muito inspiradas com o que quer que esteja a acontecer.

Depois este sentimento desaparece e tudo começa a aparentar enfadonho. Quando você lê O Zohar, você começa a sentir-se desta maneira muito rápido. De repente, não temos nada a que nos agarrar no texto, e simplesmente lemos-o com o entendimento de que isto é o que precisamos fazer mesmo quando nos sentimos indiferentes ao material, ele parece “sem gosto”, e até repulsivo.

A razão pela qual sentimos isto é porque nos está a ser revelado um desejo egoísta adicional que agrava as conexões entre nós. O Zohar brilha sobre nós na medida em que nos conectamos com os outros. Bem no início, é-nos dada uma conexão de pontos no coração. À medida que começamos a ler O Zohar usando a conexão inicial que nos foi dada, os nossos pontos no coração despertam e desejam revelar algo novo e desconhecido. O próprio nome, “O Zohar”, inspira-nos.

À medida que começamos a ler, a Luz Circundante brilha sobre nós e ajuda-nos a elevar os pontos no coração acima do nosso egoísmo regular, deixando-o em baixo. É por isso que no inicio sentimos uma conexão entre nós e uma aspiração para um objectivo espiritual comum. Tudo isto acontece devido à Luz Circundante (Ohr Makif) que vem e cria este estado para nós.

Mas um mês ou dois mais tarde, o nosso desejo egoísta cresce devido à influência da Luz. Por um lado, a Luz faz com que fiquemos inspirados, mas por outro lado, o nosso egoísmo torna-se maior, e devido a isto, cada pessoa sente-se pesada no interior, como se houvesse uma força a puxá-la para baixo. Há apenas uma coisa que podemos fazer para nos salvar: aumentar a conexão entre todos nós. Nada mais pode ajudar.

 

Precisamos usar todos os métodos possíveis, até os artificiais, para renovar esta conexão. Se aumentarmos esta conexão, mesmo ligeiramente, iremos ser capazes de nos elevar acima do fardo do coração e do nosso egoísmo porque iremos voltar ao sistema conectado da criação.

Nós estamos a receber uma revelação da nossa falta de correcção e a nos ser mostrado o quanto estamos separados de todos os outros. Quando eu tento me opor a esta separação, a impressão e inspiração de O Zohar volta imediatamente. Isso funciona instantaneamente! À medida que você começa a experimentar um sentimento de peso, você deve imediatamente fazer algo para fortalecer a sua conexão com os outros. Por exemplo, comece a pensar sobre quanto você quer se unir a eles e se aproximar deles, de forma a corrigir suas almas. Esta acção pequena e forçada é suficiente para que você imediatamente comece a sentir a influência aumentada da Luz, e para que o peso desapareça. Entçao, você irá sentir a mesma inspiração e excitação que O Zohar lhe deu durante as primeiras lições.

É assim que funciona. Você tem de colocar todo o esforço necessário nisto; você não recebe quaisquer “descontos” neste respeito. O esforço reside em tentarmos nos unir entre nós até que gritemos para que a Luz Circundante venha até nós, pois apenas a Luz nos pode dar a inspiração e o sentimento de quão grandioso é O Zohar. Então, este texto, subitamente, ganhará vida para nós.

Você Consegue Provar O Zohar?


Uma pergunta que recebi: Você falou de dois tipos de busca interna durante a leitura do Livro do Zohar. Uma é mais racional, quando procuramos dentro de nós mesmos aquilo que ele diz. O outro tipo de busca é sensorial, quando tentamos sentir tudo o que ele diz. Contudo, à medida que eu tento sentir algo, eu descubro que não sinto nada. Eu tento descobrir algo dentro de mim mesmo, mas não descobri nada. O que eu devo fazer?

Minha Resposta: Continue a procurar. Você deve desejar encontrar dentro de si tudo aquilo que O Zohar fala. Tudo isso está dentro de você, incluindo o Criador, o homem, animais, peixes, o mundo, montes, montanhas, árvores, crocodilos, e não importa o que mais.

Não há uma única palavra no mundo que descreva algo fora de você. Porque é assim? Toda a palavra consiste de letras, sendo as letras desejos ou recipientes (vasos) de recepção – Kelim, que estão ordenados de acordo com as Luzes. Isto é o que você deve desejar sentir.

O desejo é representado por uma palavra, mas ele já existe. Você deve desejar conhecer esta palavra, sentí-la, para estar realmente dentro das letras, que são desejos cheios de Luz. Cada palavra é um modelo ou conexão entre você e o Criador, a Luz Superior. Você tem que desejar sentir este modelo dentro de você e descobrir: onde está ele?

É como quando você lê a palavra “limão”, você pode imediatamente começar a sentir o sabor do limão na sua boca. Ora, do mesmo modo você deve desejar sentir algo quando lê O Livro do Zohar, sem contemplação adicional.

Nós experimentamos sensações que são comuns a todos nós; por exemplo, cada pessoa no mundo irá sentir o mesmo quando ela escuta a palavra “limão”. Nós podemos falar com cientistas e eles explicarão porque nós sentimos o sabor do limão e quais são os seus ingredientes químicos. Porém, quando perguntamos aos Cabalistas, eles nos dirão o que significa o “limão” do ponto de vista da Cabalá. Se perguntarmos a uma dona de casa, ela nos dirá como usar um limão para preparar comida. Mas, de qualquer modo, todos têm um entendimento comum do que é um limão.

Da mesma forma, quando nós lemos O Livro do Zohar, devemos alcançar, antes de mais nada, uma sensação comum. É assim que alcançaremos uma revelação mais profunda, mais detalhada, à medida que avançamos ao longo de todas as quatro fases e investigamos as raízes. Mas tudo isto tem de ser revelado naturalmente, isto é, pela nossa aspiração pela Luz. A Luz, por sua vez, influenciará o nosso desejo e revelará a raiz das nossas sensações, ou o motivo pelo qual nós sentimos da forma como sentimos.

Depois das sensações, você começa a revelar o seu intelecto. Então, você pode dizer que quando você escuta a palavra “limão”, a onda sonora desta palavra alcança a membrana da sua orelha e vai para o seu cérebro, onde ela é comparada à informação que está alojada na sua memória. Isto, por sua vez, desencadeia certo sinal, e, como resultado, você realmente pode sentir uma fatia de limão na ponta da sua língua.

No entanto, na sabedoria Cabalística, a compreensão é resultado do desenvolvimento dos nossos desejos, em vez do resultado de um processo de aprendizagem, como acontece neste mundo.

Onde Está o Zohar Dentro de Mim?


Uma pergunta que recebi: Devo eu tentar entender o significado de cada palavra durante a leitura do Livro do Zohar?

Minha Resposta: Nós devemos nadar a favor da corrente da história. Nós estamos lendo sobre o que está acontecendo dentro da nossa alma, como se lêssemos um livro sobre a fisiologia do corpo humano. Ele fala sobre o metabolismo do corpo, os diferentes órgãos, como eles influenciam uns aos outros, que tipo de reações eletro-químicas e processos estão em andamento, e assim por diante.

Pois bem, um organismo espiritual é uma cópia exata de um material. A diferença é que com o nosso corpo físico, nós não temos consciência dos milhares de sistemas dentro dele, ao passo que quando estudamos a nossa alma, eles são revelados a nós. Assim, a principal coisa durante a leitura do Livro do Zohar é a busca interna – onde está isso dentro de mim?

Desejos e Qualidades: Uma Definição


Uma pergunta que recebi: Qual é a diferença entre desejos e qualidades? O que é um desejo, e o que é uma qualidade?

Minha Resposta: O desejo é a matéria da criação, que sempre recebe. Não há mais nada a dizer sobre isso. A qualidade é a forma que a matéria (o desejo) toma; ela determina como funciona o desejo, o que espera do seu trabalho (ou seja, a sua intenção), e o seu objetivo – seja para si ou para alguém fora dela (os outros e o Criador). Embora esta matéria seja o desejo de receber prazer, ela pode ter várias formas de funcionamento e estar em diferentes estados, dependendo das circunstâncias e do ambiente.

Apesar do fato de eu ser, por exemplo, a qualidade de “Abraão”, que é uma qualidade de doação total, eu não tenho oportunidade de doar, porque estou sob o controle de alguém. Talvez as minhas circunstâncias sejam tais que não tenho ninguém para doar, ou as pessoas que me rodeiam não querem que eu doe a elas.

Isto é chamado de qualidade. Uma qualidade significa que o desejo de receber prazer trabalha de alguma forma externa específica, sendo revestida por ela. Existem dez Sefirot principais, e todos os outros “objetos” espirituais são formas ou qualidades que são revestidos dentro delas.

Ao ler O Zohar, nós reconhecemos diferentes qualidades em nós, como Jó, Faraó, e o Criador. Todas elas são qualidades, revestidas no nosso desejo de receber. Qualquer coisa que nós possamos imaginar é simplesmente o desejo de receber prazer. Portanto, do nosso ponto de vista, o Criador é também uma forma particular do desejo de receber prazer – iluminado, elevado, superior, maravilhoso, e doando a todos. Nós somos incapazes de imaginá-Lo de forma diferente, porque não temos qualquer outra matéria, exceto o desejo de receber.

Aos poucos, na medida que tentamos distinguir todas estas qualidades dentro de nós, nós somos influenciados pela Luz Circundante. Como resultado, o sistema espiritual começa a ser esclarecido cada vez mais dentro de nós e começamos a perceber essas qualidades de maneira correta. Nós só precisamos de paciência.

A Parede é o Único Local Onde Podemos Encontrar a Porta


O Zohar, Capitulo “Venha Ao Faraó”, Item 41: Este crocodilo monstruoso entra na fonte (Keter) do Rio Nilo e gradualmente fortalece-se nela. Ele nada e entra no mar, Malchut de Atzilut, onde engole várias espécies de peixe, que são os graus dentro do mar que lhe são inferiores. Ele governa sobre eles e engole-os. Eles são completados dentro dele, e ele volta ao Nilo imóvel.

É tão difícil para nós imaginarmos isto dentro de nós! Onde está o desejo chamado “Nilo”, e onde está o “crocodilo” dentro de mim – onde está tudo isto? Nós não sabemos o que pensar destas qualidades e que quadro imaginar quando lemos sobre as dez Sefirot, os dez rios (um dos quais é Keter, e os outros estão abaixo dele), e todos os tipos de monstros…

Todavia, não importa se não conseguimos tocá-los. É até melhor que não pintemos qualquer quadro do Zohar. É melhor do que se tentássemos imaginar algo que já conhecemos, coisas das quais já temos certa concepção. Quando lemos sobre Moisés, a Arca da Aliança, o Templo, Faraó, ovelhas, vacas, e tudo mais, nós não sabemos o que tudo isso é na verdade, e então só imaginamos qualidades.

Todos estes nomes não são importantes, dado que há qualidades espirituais das quais não temos qualquer entendimento. Estamos a tentar aprender alguma coisa que é impossível reconhecer!

Então, nós precisamos compreender que os nossos esforços nunca serão bem sucedidos. Nós não devemos ter quaisquer ilusões acerca disto. Em vez disso, o nosso sucesso virá quando nos depararmos com uma parede intransponível e compreendermos que não sabemos o que significam as qualidades espirituais, mesmo depois de todos os esforços que fizermos para revelá-las.

Quando nós completarmos a medida necessária de esforço (chamada “Se’a”), a nossa taça transbordará e o mundo espiritual será revelado a nós, de acordo com a regra “Eu trabalhei e encontrei” (Higati ve Matzati).

Trabalho Individual com o Livro do Zohar


Dentro de mim eu desejo ver o Criador e todas as partes da minha alma: Keter, Hochma, Bina, Daat, Hesed, Gevurah, Tifferet, Netzah, Hod, Yesod, Malchut, e suas conexões com as demais. Estas qualidades também podem ser chamadas Abraão, Isaac, Esaú, Ismael, Jacó e os 12 irmãos (os filhos de Jacó), José, David, e Salomão. Por todos os lados, eles são revestidos de forças boas e más, tais como Jó, Faraó e etc.

 

 

Nós precisamos imaginar este corpo espiritual não apenas como três linhas, mas como multidimensional. É como o corpo humano, que contém vários sistemas: o sistema linfático, o sistema nervoso, o sistema circulatório, e muitos outros, que nem sequer conhecemos. Além disso, existem energias, líquidos, e substâncias químicas fluindo através deles. O corpo espiritual contém ainda mais componentes e conexões, porque cada uma das suas partes tem qualidades diferentes, tipos diferentes de conexões, e formas diferentes em todos os níveis.

Nós somos incapazes de aprender isto até que o sintamos de verdade. Todo aquele que pensa que pode aprender isto é um tolo. Nós só precisamos desejar existir dentro deste sistema integral, que funciona em prol da doação. Nesse sistema, nós descobriremos o Criador e a criação; na verdade, tudo está dentro dele. Nós devemos olhar para ele de acordo com o princípio: “O ser humano é um pequeno mundo”.

Contudo, nós não estamos a falar sobre o nosso mundo e os corpos físicos. O “ser humano” sou eu, e “o pequeno mundo” é O Livro do Zohar e sua história.

Não Mostre a um Tolo um Trabalho pela Metade


Eu recebo muitas respostas sobre como as pessoas se sentem ao ler O Livro do Zohar. Na ciência Cabalística, a pessoa ensina a si mesma; ela é a criança e o professor ao mesmo tempo.

Nós temos que descobrir um mundo totalmente novo, onde o nosso desenvolvimento começa do zero, a partir da ausência total de percepção. Nós conquistamos uma percepção cada vez maior deste mundo, até que o alcançamos plenamente, e no processo, atravessamos as mesmas fases de desenvolvimento que as crianças: experimentamos confusão, olhamos para o mundo de maneir infantil, e o percebemos de modo estranho ou incompleto, em comparação aos adultos. Nós realmente não entendemos o que fazemos, e de que nos serve tudo isso. Mas, nesse meio-tempo, nós nos desenvolvemos.

Nós precisamos atravessar as fases do desenvolvimento, designadas 0, 1, 2, 3, e 4; quando alcançamos o quarto nível (Behina Dalet), alcançamos a nossa raiz, a causa primordial. Então, nós compreendemos o “porquê e como”. Nós compreendemos o caminho que atravessamos e como temos de reagir a ele. Mas esta realização surge apenas no final.

É por isso que você não mostra a um tolo um trabalho pela metade, visto que na metade ele parece ainda pior que no principio. É semelhante a pedaços de tecido antes de serem juntados num traje, ou um carro que foi desmontado em partes, ou o corpo de um paciente no meio de uma operação. Nós somos incapazes de compreender o resultado final, visto que primeiro desenvolvemos os desejos e as qualidades necessários para perceber  isto. No Item 137 da “Introdução ao Talmud Eser Sefirot” é dito que heróis são aqueles que são pacientes, e eles são os únicos que alcançarão o castelo do Rei e entrarão através de seus portões.

Nós temos que aceitar todos os estágios deste caminho, em que começamos como pequenas crianças, sem qualquer entendimento do que fazemos e do que acontece conosco. Às vezes nós sentimos novas qualidades a surgir dentro de nós, e às vezes sentimo-nos completamente vazios. Através de tudo isso, devemos permanecer pacientes e aspirar o desenvolvimento interior.

A ciência Cabalística é chamada de parte interior da Torá porque fala apenas sobre a pessoa que desenvolve seus próprios desejos. Quando os desejos da pessoa atravessam os quatro níveis de desenvolvimento, no quarto nível ela revela o mundo espiritual. Desta forma, toda a nossa atenção e concentração devem estar apontados para dentro de nós mesmos. Nós devemos desenvolver sensações internas ao longo das quatro fases do desejo, junto com a mente que se desenvolve a seu lado.

Tudo o que O Zohar se refere, dirige-se ao desenvolvimento da nossa sensação interna. Todo o nosso trabalho reside em desenvolvermos a sensação da realidade espiritual desde o ponto no coração. Por enquanto, este ponto não sente qualquer espiritualidade, e é por isso que não compreendemos as palavras e noções que lemos neste livro. Nós só tentamos, com a ajuda do “Comentário do Sulam”, imaginar o que lemos na forma de três linhas: direita, esquerda e do meio, e discernir se algo é superior ou inferior nas dez principais Sefirot, seja externo ou interno, Galgalta ve Eynaim ou AHP, Tzimtzum Bet ou Parsa.

Se eu não compreendo o que estes nomes significam, então eu tenho de pelo menos tentar ver relações geométricas entre eles, para que surja algum tipo de imagem. Desta maneira, eu revelarei gradualmente a verdadeira percepção da realidade e compreenderei que esta existe apenas dentro de mim. Eu compreendo o significado da existência material em relação à espiritual, e descubro qual delas é a verdadeira realidade e qual é apenas um sonho.

Avance Para Um Novo Mundo


Os quatro prefácios ao Livro do Zohar ajudam a nos sintonizarmos, para entendermos corretamente este livro. São eles: “Introdução ao Livro do Zohar”, “Prefácio ao Livro do Zohar”, “Prefácio ao Comentário do Sulam” e “Introdução ao Prefácio da Sabedoria da Cabalá”. Eles se destinam a nos ensinar a linguagem do Livro do Zohar, para que compreendamos e também esperemos mudanças dentro de nós, como resultado de sua influência.

É assim que começamos a compreender que tudo acontece dentro do nosso desejo, e que não há nada excepto o nosso desejo e a Luz. Tudo acontece dentro da nossa alma, à medida que começamos a nos desenvolver. Desta forma, os prefácios são mais importantes, pois nos dirigem à abordagem correcta. Inversamente, se abrirmos O Livro do Zohar sem estarmos preparados, não compreenderemos nada!

Nós devemos trabalhar em conjunto para compreendermos O Livro do Zohar. Se aprendermos a abordá-lo correctamente, se continuarmos a lê-lo, e nos aprofundarmos neste livro, então viajaremos através dele como no país das maravilhas; ele se tornará o nosso mundo, porque viveremos nele. À medida que lermos e sentirmos estas aventuras, cresceremos, conquistando conhecimento do mundo espiritual e a nossa alma que existe dentro dele.

Mas primeiro nós temos que entrar nesse mundo. A coisa mais importante é avançar e nascer dentro dele. Quando encontramos a nossa direção dentro do Livro do Zohar, começamos a reconhecer sua linguagem, tal como pai e mãe, parentes e estranhos, amigos, inimigos, e tudo mais. Nós começamos a compreender quem são eles pelas forças que representam. Não existem nada senão forças que aprendemos a visualizar correctamente ao descobrirmos a abordagem certa.

Nunca é Tarde para Ler O Zohar

Uma pergunta que recebi: A ordem é importante durante a leitura do Livro do Zohar? E se eu só me juntei ao estudo recentemente? Eu devo ler tudo o que se estudou até este ponto?

Minha Resposta: Primeiro de tudo, não faz diferença qual parte do livro do Zohar estamos a ler. Está escrito: “Não existe o tempo na Torá”. Portanto, não importa onde você começa a ler: do meio, fim ou começo.

Também não importa o quanto você entende ou não, ou se você se juntou ao estudo agora e esta é a sua primeira aula, ou se você estuda há muito tempo. Você pode participar do estudo desde o início ou desde o meio da aula, quando metade do material já foi coberto.

Tudo que estudamos são processos que ocorrem em Bina, Zeir Anpin, e Malchut (AHP), onde todas as Forças Superiores estão localizadas acima de Bina. Isto quer dizer, Bina é a relação das Forças Superiores relativamente a nós; Zeir Anpin é um sistema que transmite as forças de Bina até nós ao longo das três linhas, e Malchut recebe essas três linhas. Nós nos conectamos a Malchut e trabalhamos na nossa conexão com Zeir Anpin a fim de nos conectarmos à Bina.

A imagem é sempre a mesma — Bina, Zeir Anpin, Malchut. Não há mais nada. Portanto, não importa que texto Cabalístico você leu, seja capítulos da Torá ou partes do Zohar, o texto sempre fala sobre a mesma coisa: a correção da alma no sistema de AHP, ZAT de Atzilut.

É por isso que você verá uma grande quantidade de repetições em O Zohar, as quais são todas diferentes descrições de como a Luz afeta a alma. Nós não sabemos por que os autores de O Zohar o escreveram da maneira que fizeram, por que escolheram essas palavras e seqüência de palavras específicas. Mas eles fizeram isso naturalmente; seus escritos reflectem as ações corretas das Luzes sobre o desejo à medida que a alma ascende.