Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

A Terra Além Do Horizonte

Dr. Michael LaitmanPergunta: Há 70 anos o Baal HaSulam alertou as pessoas que o Holocausto estava chegando, mas ninguém ouviu. Hoje, nós também alertamos para terríveis acontecimentos e a possibilidade de uma guerra mundial. Por que nós não traçamos um paralelo claro com as palavras do Baal HaSulam, como prova de que estamos certos?

Resposta: A própria qualidade do ego humano é tal que não consegue ver esse cenário. As pessoas são simplesmente incapazes de discerni-lo.

Mesmo assim, a situação atual é diferente daquela do século passado. Há 70 anos o Baal HaSulam estudava com cinco a seis de seus alunos regulares, mas hoje há milhares que estudam os seus materiais, que naquele momento ele não podia levar para fora do grupo. As pessoas do mundo todo estão começando a aceitar esta mensagem e se identificar com ela. Naturalmente, cada um à sua própria maneira.

Não há nada que você possa fazer; essas são as leis da evolução. Se você pudesse ver toda a extensão de Malchut que precisa de correção, você não teria esses questionamentos.

Imagine que você está navegando da Europa para a América sem um mapa, e mesmo quando você está apenas a poucos quilômetros da terra, você ainda não consegue vê-la, você pensa que está perdido no coração do oceano. Seu campo de visão é limitado ao horizonte, e você verá apenas a água até o último momento, quando a margem do continente surgir sobre ela.

O primeiro a vê-la será alguém sentado no ponto mais alto, desde que haja alguém em seu navio que tenha subido mais alto e veja mais longe. “Terra!”, ele gritará. Mas você ainda não a verá. Você acreditará nele?

Da 5ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/08/11, “A Nação”

A Oração, Crescendo Secretamente No Coração

Dr. Michael LaitmanVoltar-se para o Alto com um apelo (elevar MAN) é uma ação que não sentimos. Ela é conseqüência de várias ações, atos, horas de estudo, trabalho na disseminação, união com o grupo e análise interna. Tudo isto se acumula cada vez mais até chegar a um estado em que este vaso transborda.

Essa é a razão pela qual a pessoa não sabe quando isso vai acontecer. Ela está se esforçando, treinando, tentando se preparar e, finalmente, chega para executar esta ação como resultado de toda a grande preparação anterior. Então, ela pode dizer algo sobre isso.

Na realidade, esta ação é acumulada fora da própria pessoa e, de fato, não é ela quem prepara e finalmente executa a ação. É por isso que é dito: “Cada centavo é acumulado numa grande conta”. Então, essa grande conta comum ativa o superior, forçando-o a agir. Todas as ações obedecem à lei de equivalência de forma, e é por isso que ela ocorre quando o apelo do inferior começa a corresponder ao que o superior está pronto para fazer com ele.

MAN é uma oração, um apelo, um desejo, com o qual eu me volto para o Alto, e esta é a única coisa que sou capaz de fazer. Quando eu invoco o Alto com um apelo, eu não sei se ele é correto ou não. Eu não sei se fiz isso porque a oração é chamada de “trabalho no coração”, e é por isso que nós não sentimos de que modo nós elevamos a oração, as centelhas deixadas para trás após a quebra (Reshimot .

Nós não sabemos o que realmente está acontecendo nas profundezas do nosso coração, e só sentimos a conseqüência quando recebemos a resposta à nossa oração. A resposta é sentida no coração. Ele se expande e começa a perceber fenômenos novos a partir de uma dimensão diferente, algo que a pessoa nunca sentiu, compreendeu ou conheceu antes.

O coração se expande à medida que a pessoa sai de si mesma e se incorpora cada vez mais em seu círculo. Primeiro, o seu círculo inclui parte do mundo e, depois, o mundo inteiro, todos os mundos superiores e os níveis espirituais.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/08/11, Shamati # 81

A Ocultação Nos Torna Humanos

Dr. Michael LaitmanTodo o trabalho ocorre acima da ocultação. Se tudo é revelado, o que mais deve ser feito? A ocultação me permite ser independente, estabelecer o meu trabalho e me posicionar.

Por enquanto, uma criança não é tão conhecedora como nós somos e não entende o que fazemos. Mas é essa falta de conhecimento, em particular, que lhe permite, finalmente, subir mais alto e tornar-se mais esperta do que nós. Isso lhe ajuda a receber de nós o nosso conhecimento e, além disso, acrescentar algo de si mesma.

Se uma criança soubesse tudo o que fazemos de uma só vez, ela não cresceria. Assim, um animal nasce com todos os instintos naturais, controla completamente seu programa natural em alguns dias e não se desenvolve mais.

Nós evoluímos devido à ocultação, devido a não termos nada. Gradualmente, por meio de numerosos esclarecimentos, eu construo a minha personalidade: nova, diferente de todas as outras, e mais à frente das predecessoras. E se nada estivesse oculto, não haveria nada a acrescentar. A ocultação nos permite subir à altura total e compreender.

Se eu recebesse tudo pronto, eu não saberia o que está acontecendo. Mas, ao construir cada detalhe, conectando todos eles juntos, eu reúno Malchut do mundo Infinito, baseado na minha individualidade, no ponto da minha alma – eu conheço a criação de ponta a ponta. 

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 01/09/11, Shamati #101

Dois Pólos Unidos Por Uma Meta

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é “Verdade e Fé”?

Resposta: Verdade é uma “punição e recompensa” justa, quando eu trabalho e recebo o que tenho direito por meu trabalho.

Porém, vemos que a vida não é sempre organizada de acordo com esse princípio. E a pessoa que trabalha mais do que todo mundo não necessariamente recebe mais do que todos os outros. Se esse fosse o caso, o mundo seria relativamente justo.

Mas, para nos tirar dessa retidão egoísta, o Criador faz Suas adições e nos confunde muito. Assim, vemos que um cálculo justo e verdadeiro nem sempre ocorre, e há um lugar para a fé, ou seja, a esperança de boa sorte ou de alguma ajuda superior além da nossa compreensão.

A fé destrói o princípio da verdade justa. É por isso que as pessoas ficam tão confusas neste mundo e esperam por um milagre, uma bênção, ou por uma cura milagrosa. A mesma confusão existe no caminho espiritual: por um lado, tudo é dado conforme o esforço pessoal, mas, por outro, tudo depende da sorte.

A pessoa deve trabalhar para juntar esses dois princípios em um. Está escrito: “Através de Isaac sua descendência será nomeada, mas sacrifica-o”. Isto é, por um lado, você vai vê-lo dando à luz aos seus “netos”, todos os novos sucessores até o fim da correção, mas, por outro lado, ele precisa ser aniquilado. Como isso é possível?

Não está claro para nós agora, mas isso constitui o primeiro princípio da entrada no mundo espiritual, que Abraão teve que adotar de acordo com esta história. A pessoa corrige sua visão de tal forma que pela primeira vez ela é capaz de juntar dois opostos em um.

Isso significa que ela subiu ao primeiro nível e controlou um princípio espiritual, segundo o qual dois opostos se fundem em um todo. Agora, ela entende como trabalhar com a razão e a fé acima da razão simultaneamente – com ódio, cujos pecados são cobertos pelo amor. 

Se a pessoa começa a entender este princípio e o leva em consideração no seu trabalho, mesmo sem tê-lo realizado ainda, ela não vai mais experimentar obstáculos difíceis que a empurram para trás. Ela sente que esses obstáculos, em especial, foram criados para fazê-la avançar e ver que todas essas contradições são uma oportunidade para ela subir. Então, ela sobe.

Do contrário: “O orgulho do homem o abaterá”. Se ele não aceita essa condição e não está disposto a juntar dois opostos em um só, isso se torna um obstáculo intransponível. É por isso que ele sai da trilha e deixa o caminho.

Portanto, é importante dirigir-se corretamente: direto para o mundo do Infinito, entendendo que a diferença entre este mundo e o próximo está na nossa capacidade de unir dois pólos em um. Isso nos dá uma direção, assim como a tomada de uma meta.

Este princípio se expressa de várias maneiras: “Israel, a Torá e o Criador são um”; subidas e descidas que têm que se tornar um todo; o grupo e eu deveríamos trabalhar juntos para que eu invista nele no momento da subida e receba dele no momento da descida, ou seja, para que o grupo sirva como meu “retificador” de corrente elétrica.

A principal conclusão que se segue disso, com relação a este mundo, é que não devemos destruir nem uma única qualidade em nós mesmos ou no mundo. Precisamos levar todas elas à correção e combiná-las em uma – para nos elevar acima delas unindo-nos com o Criador.

Nós não seremos capazes de estabelecer uma boa vida e uma sociedade justa em nosso mundo se não nos unirmos entre nós mesmos como iguais. Isto é, todos trabalharão na medida de sua habilidade e receberão de acordo com suas necessidades.

Mas nós só podemos satisfazer esta condição se aspirarmos a ela com o objetivo de nos unir com o Criador, isto é, em prol da qualidade de amor e doação que une nossas qualidades opostas em uma só, num estado infinitamente perfeito.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 23/08/11, Shamati #43

Sentimentos Através De Cálculos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que o egoísmo no nosso mundo impede a conexão da mente e dos sentimentos?

Resposta: É um fato óbvio que quando estamos muito preocupados com alguma coisa a mente desaparece. E quando tentamos entender ou examinar algo, os sentimentos desaparecem. Estas duas abordagens diferentes, sensorial e racional, anulam-se mutuamente.

Essa é uma consequência da quebra. Nossa raiz está na quebra, quando a tela que costumava conectar a mente e o coração, o cálculo e o prazer, desapareceu. É por isso que no nosso mundo somos incapazes de fazer um cálculo correto com base nos sentimentos. E quanto mais podemos deixar nossos sentimentos para trás, mais rápido podemos olhá-los de lado. Quanto mais nos afastamos de nossos sentimentos, mais somos capazes de fazer um cálculo profundo no lugar que foi liberado, no mesmo intervalo que não está preenchido por sentimentos.

Parece-nos que somos capazes de conectar a mente e o coração, mas na verdade não somos. Se eu estivesse 100% dentro dos meus sentimentos, mas começasse a sair deles uns 30%, eu seria capaz de trabalhar com a minha mente no lugar que está 30% livre dos sentimentos.

Em nosso mundo, os sentimentos e a mente não podem trabalhar juntos. Se a mente e os sentimentos estivessem conectados, seria a Luz Refletida, uma ação espiritual. Antes disso ocorrer, a Restrição (Tzimtzum) precisa acontecer, a recepção da Luz que Corrige, a fusão com o Superior pela fé acima da razão, de modo a adquirir a mente e o coração do Superior, ou trabalhar acima dos sentimentos pessoais com a ajuda de uma razão superior.

Isso já diz respeito ao trabalho espiritual. É exatamente esse o propósito da tela: conectar a sensação e a mente, “A Torá e o trabalho”.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 8/08/11, Shamati #45

Um Bom Hábito: Desejar Doar

Dr. Michael LaitmanTodos sabem que o hábito se torna uma segunda natureza. Digamos que quero aprender algum ofício e ofereço-me como aprendiz a um ferreiro ou um carpinteiro. Ainda não estou familiarizado com o material, e é-me ensinado gradualmente como trabalhar com ele. Isto é, eu adquiro capacidades (hábitos) no trabalho e começo a sentir o material: como ele se comporta em resposta ao que eu lhe faço e como trabalhar da melhor forma com ele.

Com a experiência, eu ganho um sentimento adicional do material que toco. É quando dizemos que um hábito se torna a minha segunda natureza. E as coisas que antes eram estranhas, incompreensíveis, imperceptíveis e indistinguíveis para mim, eu começo a sentir e a reconhecê-las melhor. Eu até identifico os detalhes aos quais anteriormente não prestava qualquer atenção e que me fugiam.

Evidentemente, nada ocorre sem uma razão. Portanto, por que o hábito de repente se torna a minha natureza? Há sempre a Luz que trabalha na nossa matéria, o nosso desejo de desfrutar. De acordo com a aspiração do homem, o seu desejo de alcançar determinado nível, a Luz trabalha nele e leva-o para mais perto deste estado, permitindo-lhe percebê-lo e senti-lo.

É assim como temos desenvolvido através da nossa evolução por milhares de anos: tudo devido aos hábitos que eram parte da nossa natureza. A Luz permaneceu por trás de cada um dos nossos desejos e ajudou a implementá-los. O desejo atrai a Luz, o homem evolui, e assim nós crescemos.

Nós vemos como muitas vezes uma criança repete a mesma acção, até se habituar finalmente a ela (aprender) e parar. Crianças mais novas parecem fazer tais coisas tolas, mas para elas é absolutamente necessário, e é a natureza que as empurra para isso, porque é assim que elas devem crescer.

Nós também crescemos constantemente no contraste de estados opostos, nas subidas e descidas, nos sentimentos de deficiência e sua satisfação. É esse o caminho.

Nós achamos difícil acreditar que mesmo agora estamos no mundo do Infinito! Mas com a ajuda das subidas e descidas por que passamos, começamos gradualmente a habituar-nos a esta idéia. Afinal de contas, vemos que o mundo aparece tal como ele é dependendo com que olhos nós olhamos para ele. Quando eu acordo de manhã de bom humor, parece-me que tudo está bem e o mundo todo é bom. Se algo estraga o meu humor, o mundo imediatamente se torna mau.

Ainda assim, ao mesmo tempo, as nossas qualidades não mudam; é apenas o equilíbrio delas que muda um pouco. Se começamos a mudar as nossas qualidades, como os Cabalistas dizem, vemos muitos mundos diferentes, uma realidade diferente.

Tudo depende da pessoa apreendê-la. Mas a própria realidade é a mesma Luz do Infinito, e você vê o que pode actualmente atrair para si no seu pano de fundo. Isto define o seu mundo: um grau de ocultação da Luz do Infinito, em que você está actualmente presente de acordo com as suas qualidades. Assim, se quisermos ser semelhantes a esta Luz e doar como ela, podemos atrair a Luz que Corrige, que nos corrigirá e transformará o nosso desejo de desfrutar. E ele desejará existir na forma de doação.

Estas acções tornar-se-ão o nosso hábito. Mas este hábito opõe-se sempre ao nosso desejo e requer esforço, até revelarmos em nós próprios tais qualidades onde iremos experienciar a forma de doação, a forma do Criador. Isso se chama a revelação do Criador aos seres criados.

Tudo ocorre em virtude do hábito que se torna uma segunda natureza. Nós treinamos para despertar em nós o desejo com a ajuda do ambiente e dos estudos, de forma a nos aproximar da doação a partir de um estado muito distante dela.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/8/2011, Shamati #7

O Que Fazer Se Você Caiu

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se eu cair, o que eu preciso fazer para avançar?

Resposta: Quando você cai, antes de tudo você fica triste com isso e quer sair do estado de queda, subir acima de sua natureza, a qual você não consegue mais suportar. Você está até mesmo justificando esta queda e entende que “Não há outro exceto o Criador”.

Depois, gradualmente, você esquece isso e volta ao seu estado normal, pensando que não há nada assustador nisso e que todo o tipo de coisas acontece. E assim continua até o próximo golpe.

Quantos golpes como este serão necessários depende do quanto você conecta a sua mente a ele e trabalha em suas quedas com a ajuda do grupo. O grupo deve se tornar o seu depósito, acumulando toda a sua mente no momento em que você está completamente sob o controle dos seus sentimentos, para equilibrá-la.

Por outro lado, quando você cai sob o controle da razão fria e seca, e quando você nem sequer sabe como despertar os sentimentos dentro de si mesmo, a fim de ser inspirado pela espiritualidade, você recebe a impressão em termos de sentimentos do grupo.

Mas você nunca será capaz de possuir ambos, o sentimento e a mente. É por isso que a conexão com o grupo é tão necessária para nós; ela pode compensar a falta do oposto e de certa maneira, conectar os dois. Sob a condição de que você se abaixe diante do grupo e esteja pronto a aceitar a sua tristeza. Então, você pode conectar o coração e a mente dentro de si mesmo de alguma forma.

Embora, na realidade, eles não se conectem realmente, porque você ainda não está realmente conectado ao grupo, mas ainda assim ele influencia você de longe. Esta influência “circundante” indireta permite que você de alguma forma conecte os dois opostos dentro de si mesmo. E isso já está ajudando você a entender um pouco sobre o que é a espiritualidade e o que significa a conexão desses dois pólos, quando você sente e compreende a espiritualidade simultaneamente no mesmo local.

Este é um sentimento totaltamente especial, no qual não há entendimento. Essas coisas são praticamente inexistentes em nosso mundo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 8/8/11, Shamati

O Criador Empurra, Enquanto O Ambiente Me Pega

Dr. Michael LaitmanNós estamos sempre à mercê do Criador, e Ele nos preenche, fazendo-nos sentir Ele ou Seu oposto. Este sentimento pode ser revestido numa variedade de imagens diferentes, mas, na verdade, existem apenas dois estados.

Se a pessoa tenta permanecer continuamente nesta avaliação do Criador, embora esteja consciente que está trabalhando apenas contra Ele, ela economiza tempo. Então, ela compreende que durante as subidas e descidas, durante os tempos em que elogia ou critica o Criador, ama ou o acusa, ao mesmo tempo ela está nas mãos da força superior que quer derrubá-la para fora do caminho ou a ajuda nele.

Isso é considerado um sucesso ou uma transgressão somente em termos do ponto de vista pessoal. Para o Criador, tudo é sagrado, porque é necessário para o esclarecimento da qualidade de doação, e não há nada de errado no processo que a pessoa experimenta.

Ainda assim, você deve tentar esclarecer as coisas de forma rápida e profunda. Você precisa jogar contra o Criador da mesma forma que Ele joga com você, para neutralizar este jogo. O Criador eleva ou rebaixa você, mas você deve usar o ambiente de modo a suavizar os altos e baixos, ao dar e depois receber dele.

Em meio a esses altos e baixos, você deve usar o ambiente para encontrar algum tipo de estado estável e intermediário para si mesmo que não mude. Ou seja, usar o ambiente como um regulador, uma fonte, um gerador de energia, que lhe ajuda a manter o equilíbrio durante uma subida e descida. Você usa o ambiente para transfundir de um estado para o outro a força, as intenções e os desejos, quando você está no fundo do poço ou na altura mais elevada.

Assim, o ambiente funcionará como um retificador de corrente alternada e todos os seus altos e baixos chegarão a  um estado: a revelação do Criador como uma força.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/08 /11, Shamati # 62

A Escravidão Voluntária: Executando As Leis Da Natureza

Hoje, nós estamos em um estado especial, quando pela primeira vez a humanidade já não entende o seu desejo. Uma mudança muito importante está acontecendo: toda a humanidade está se deslocando do primeiro (“inanimado”) para o segundo nível (“vegetal”). Por enquanto, isso não está claro para nós, mas é só o começo.

Aos poucos, nós entenderemos que a natureza, os nossos desejos, o govermo superior, e a nossa vida comum e familiar, tudo isso é relativo, dependente de algum fator que é desconhecido para nós, que não podemos sentir ou levar em conta. Nós chamamos este fator de sociedade, ambiente, humanidade global e integral, uma nova conexão entre nós que está sendo revelada hoje. Mas, na realidade, a pessoa descobre que é completamente dependente de toda a humanidade; nós estamos totalmente em suas mãos.

Atualmente, nós estamos saindo da subordinação inconsciente para o governo superior, sob o qual existíamos obedientemente no “nível inanimado”, acreditando que esta era a única forma de vida e que devíamos nos habituar, porque não há mais nada. Mas agora, nós estamos descobrindo nesta vida um outro componente: o ambiente. Na verdade, não é um ambiente externo, mas a força superior que está sendo revelada para nós. A pessoa começa a sentir que ela depende do ambiente, que o ambiente depende dela, e que ambos se influenciam mutuamente.

Em essência, esta é a revelação do govermo do Criador em relação ao ser humano. De acordo com isso, a pessoa mudará para escapar dos problemas e confusões iminentes, já que ela permanece no desejo de desfrutar. Vários fenômenos estão começando a se revelar diante dela, e ela sente que é uma receptora. Ela percebe que há alguém, um grande doador, o ambiente, o mundo, do qual ela depende. Assim, a revelação da Luz, do governo superior sobre o homem, acontece.

E quando a pessoa entende que tudo depende completamente do ambiente, ela entra na segunda fase de desenvolvimento: “vegetal”. Ela tem que dar à comunidade da qual ela recebe, percebendo que a lei de reciprocidade existe, e que esta não será boa para ela ou para a sociedade se ela só recebe.

Ela não divide mais o mundo de forma rígida em duas partes: ela e “eles”, ou seja, todos os outros. Estando no “nível inanimado”, ela procurava apenas receber, mas como ela não tinha conhecimento e o fazia instintivamente, isso não contava como recepção; ela estava apenas obedecendo à sua natureza.

Agora, quando ela sobe para o “nível vegetal”, ela deve realizar ações conscientes e dar em troca. Isto é, ela tem que mudar seu comportamento, que no nível inanimado era considerado 100% correto, mesmo que ela roubasse e tomasse para si, já que a sua natureza a obrigava a fazê-lo.

Agora, ela recebe um pouco de liberdade de sua própria natureza e, por conseguinte, deve dar ao ambiente. O mundo inteiro deve chegar a isso; nós precisamos aprender a não apenas receber, mas também dar.

Assim, nós cumprimos o nível inanimado do nosso desenvolvimento. Todos os outros níveis: vegetal, animal e humano serão acrescentados ao primeiro nível (inanimado). Na medida em que eu revelo meu egoísmo acima do nível inanimado, eu corrijo a minha inclinação egoísta e retorno ao nível inanimado realizando as leis da natureza como um escravo, mas voluntariamente.

Portanto, tudo é baseado no nível inanimado. Dentro deste HaVaYaH está toda a criação e a atitude da força superior em relação a ela.

Da 1ª parte da  Lição Diária de Cabalá 26/08/11Shamati # 115

Sobre A Importância Dos Nossos Encontros

Dr. Michael LaitmanPergunta: No início de setembro, nós teremos uma convenção no norte de Israel. Hoje, com todos os nossos esforços dirigidos para a disseminação externa, qual é a importância de tais encontros “internos”?

Resposta: Uma coisa não exclui a outra. Como grupo, nós estamos estudando a ciência da Cabalá: as raízes da criação e sua correção, e as ações espirituais de uma pessoa, que estão por trás de seus atos corporais. Em sua interação com os outros, querendo ou não, a pessoa ativa um enorme mecanismo com o qual ela não está familiarizada. Nós estudamos este mecanismo e aprendemos a entender e operar nossas ações internas por meio de atos externos. Basicamente, este é o propósito do nosso estudo.

Nós estamos estudando o sistema e encontrando os pontos onde estamos conectados a ele, onde o sistema espiritual termina, dando forma ao sistema corporal: os corpos e as forças do nosso mundo. A conexão destes dois sistemas reside no meu desejo: se eu anular o meu  desejo em relação ao outro [indivíduo], eu o vejo na espiritualidade. Se eu abaixar a minha cabeça diante dele, ele se torna o meu Kli (vaso) espiritual. É assim que eu subo para a espiritualidade.

O próximo [o outro] está acima do meu “eu” atual, além da Machsom (a barreira que nos separa da espiritualidade). Se eu tratá-lo da maneira que eu trato a mim mesmo, eu subo ao seu nível e nós nos tornamos um todo. É assim que eu atravesso a Machsom.

Eu transfiro novas partes da minha inclinação ao mal, que tenho aqui neste mundo, para o outro. Antes de mais nada, eu saturo a minha atitude em relação a ele com a doação em prol da doação, corrigindo os chamados “erros”. Mais tarde, eu mudo para corrigir “as transgressões”. Dessa forma, eu elevo o meu ponto no coração, revelando a inclinação ao mal em mim. Como resultado, através da conexão apropriada com o outro, eu subo a um grau mais elevado.

O “outro” é a humanidade. A regra de amar ao próximo como a si mesmo se aplica ao povo regular. Parece que eu recebi um exercício: mudar a minha atitude para com eles. Sem o conhecimento deles, eu estou transferindo o meu “eu” para o mundo espiritual, realizando a etapa de transição. A ciência da Cabalá explica isso usando termos especiais, mas para simplificar: desta forma, nós adquirimos uma vida boa e segura para nós e nossos filhos.

Voltando à pergunta, o benefício de nossas convenções está no estudo e, mais importante, na conexão interna e na união. Somente quando estamos conectados, quando nos aproximamos cada vez mais, quando estamos nos anulando diante dos outros, somente assim temos algo com que nos dirigir ao mundo.

Em primeiro lugar, nós estamos levando o espírito de união. É por isso que nós precisamos de eventos de união, quando os amigos se reúnem por alguns dias. Nós estamos planejando realizar um grande encontro internacional em dezembro. Sem isso, não teremos o poder da união para transmitir.

Eu espero que a nossa convenção em dezembro ocorra em um novo nível. Então, todos os amigos que virão até aqui de todo o mundo receberão tanta força que eles serão capazes de transmitir a disseminação da Cabalá em todo o mundo como todos os eventos que estão acontecendo em Israel agora também chegarão finalmente a seus países. Haverá uma necessidade do método: mesmo que inconscientemente, o desespero que subjugará as pessoas abrirá seus corações para a união.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/08/11, “A Nação”