Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Os Freios Dianteiros

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Arvut (Garantia Mútua)” (versão resumida): E você certamente descobre que a entrega da Torá teve que ser adiada até que eles saíssem do Egito e se tornassem uma nação por si mesmos, para que assim todas as suas necessidades fossem fornecidas por eles mesmos… 

O Êxodo do Egito não é apenas uma fuga da dominação da inclinação ao mal, embora em si mesma esta também seja uma grande conquista. A pessoa deve realmente escapar de seu ego assim como fugiria do fogo. Não importa o que, ela está pronta a se sacrificar até o fim. “Eu prefiro morrer a viver”. Ao mesmo tempo, a doação aos outros parece pior que a morte.

A segunda condição é se tornar uma nação. Não basta escapar do meu próprio egoísmo, eu também tenho que concordar em me conectar com os outros e cuidar de todos. Na verdade, eu os sirvo, e minha recompensa é que eles me permitem fazer isso. No caminho para alcançar esse objetivo não faltará nada a ninguém. Isso significa que eu estou diante do nível de Binah.

No entanto, enquanto eles ainda estavam misturados com os Egípcios… permeados de amor-próprio. Assim, a parte que foi dada nas mãos de estrangeiros não será assegurada a qualquer pessoa de Israel, porque seus amigos não serão capazes de prover suas necessidades…

Isto é o que provoca dor na pessoa e o motivo pelo qual ela escapa da mesma. Como prisioneira do ego (amor-próprio), que é chamado de Egito, ela não consegue cuidar dos outros e por isso decide fugir.

Mas aqui ocorre que, no sentido material, tudo está bem. Imagine que você tenha toda a comida que precisa e que você vive no lugar mais fértil. Ocorre que você pode estar bem na vida, no seu egoísmo. Até agora você foi empurrado pelo sofrimento, e aqui, quando você precisa escapar dele para doar, é como se você estivesse sendo retido pela frente: “Mas você também pode conseguir dentro do seu ego”.

Então, você volta a trabalhar, mas agora trabalha no próximo nível. Anteriormente, você escapou dos sofrimentos físicos, e, a fim de se livrar deles, você estava até mesmo pronto a se conectar. É por isso que as pessoas se conectam quando elas não têm escolha, em tempos de guerra ou de desastres. Até certo ponto, a conexão parece ser boa, mas de repente, ela não parece mais boa.

Você sobe ao próximo nível e lhe dizem: “Não vale a pena, você também vai viver muito bem no mundo corporal”. Essa resistência frontal impede que você anseie pela conexão egoisticamente. Há uma grande quantidade de sociedades que se conectam maravilhosamente por causa dos interesses pessoais, mas o mesmo não ocorre conosco.

Se a pessoa resiste à força do freio a cada vez e, apesar disso, quer chega à conexão, ela desenvolve um novo desejo que não está voltado para si. Ela cai e se levanta uma e outra vez, continua estudando, trabalhando no grupo e atraindo a Luz que Corrige, até que completa o segundo nível.

Agora, ela está pronta para se conectar somente para doar aos outros. Uma atitude direta para a doação é revelada nela, que ela coloca acima de todos os interesses pessoais.

Então, vem o terceiro nível. É quando a pessoa está como todos os outros, se sente bem com eles, e doa a eles, esquecendo-se de si mesma e de seus problemas, e se conectando aos amigos, à eternidade e perfeição. Depois, transparece que ela ainda precisa de uma recompensa, mas de uma qualidade mais elevada. Assim verifica-se que ela está trocando uma vaca por um burro, ou seja, trocando este mundo pelo próximo. Então, uma nova forma de resistência aparece: ocorre que você tem que agir em prol do Criador.

Assim, a pessoa passa para um nível qualitativamente superior de desapego pessoal. Agora, ela não está interessada em si ou no grupo, mas na Fonte, na idéia abstrata, abstrata no sentido que ela não tem nenhuma conexão com essa idéia.

É impossível continuar doando ao Criador: O Criador não sabe sobre mim, e eu não posso alcançá-Lo. Então, como posso formar um vaso de uma doação tão elevada? Para isso há um sistema especial sobre o qual falaremos mais tarde. 

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 13/11/11, “Arvut (Guarantia Mútua)”

No Caminho Da Correção

Dr. Michael LaitmanO povo de Israel recebeu a Torá, quando este grupo concordou em ser como um homem com um coração, em garantia mútua. Por causa de sua conexão, eles receberam pela primeira vez os dez mandamentos fundamentais, os “Dez Mandamentos”, o plano da nossa correção completa contra as dez Sefirot completas.

Isso significa que eu tenho que ser corrigido de acordo com estas dez leis: respeite isso, não faça aquilo, e assim por diante, ou seja, cumprir as dez condições. Então, eu começo a me adaptar a outras leis que são reveladas a mim.

Eu descubro que é como se eu construísse o “bezerro de ouro”, depois as “águas da disputa” se manifestam a mim, o “pecado dos espiões”, ou eu pudesse perder a cebola e o alho que comi no Egito. Isto significa que a pessoa descobre diferentes estados, que ela tenta corrigir. Ela deve estar imersa na quebra e sentir todos esses atributos. É por isso que a Torá descreve tantos pecados.

Assim, em vez dos detalhes das dez principais leis, nós recebemos um livro inteiro que nos dá conselhos sobre como atravesar gradualmente corrupções sempre novas e correções dentro de nós mesmos. Se você agir corretamente, a Luz que Corrige brilha sobre você, despertando-lhe, mostrando e esclarecendo vários buracos negros.

Então, você começa a entender quem você é, e você grita, tentando se conectar com os outros como um homem com um coração a cada vez. E as formas de conexão que você precisa para isso são reveladas a você.

Finalmente, você completa todas as correções, e isso significa que você cumpriu todos os “dez mandamentos” que foram esclarecidos a você através deste processo, composto de 620 correções ou “mandamentos”.

Se você concordou em se conectar como um homem com um coração, você tem que seguir em frente agora, manter essa linha, e em cada passo estar conectado como “um homem”. Assim, você vai começar a descobrir uma queda atrás da outra: o bezerro de ouro, as águas da disputa, o pecado dos espiões, e assim por diante. Cada vez você vai descobrir um problema e corrigi-lo.

Isso se chama “o caminho da Torá” ou o “caminho da Halachá” (a palavra “Halachá” vem da palavra hebraica “Alicha” ou caminhada), que é um conjunto de leis que a pessoa deve seguir. Quando você se depara com um problema e não sabe o que fazer, a Torá lhe diz como fazer a correção. Assim, você junta todo o vaso da alma coletiva.

O livro da Torá nos fala sobre o processo interno que você tem que passar, sobre esclarecimentos e correções. Se você lê este livro e sente o que ele diz, você vê o caminho.

O caminho é longo, e você ainda nem começou a avançar, mas você pode ler sobre ele, esperando que alguma correção das futuras correções brilhe sobre você. A partir daí, você receberá a iluminação chamada Luz Circundante ou a Luz que Corrige.

Isso acontecerá se você desejar todas estas correções e se você compreender o que está lendo. Talvez você esteja lendo isso como um romance histórico ou algum livro da lei. Tudo depende da sua atitude.

O mesmo ocorre quando se trata do Livro do Zohar e O Estudo das Dez Sefirot. Todos os livros dizem a mesma coisa: como revelar o mal dentro de si mesmo e como corrigi-lo. Isso é chamado de “Torá”, já que tanto a revelação do mal e sua correção acontecem graças à Luz da correção. Se a pessoa trabalha nessas correções, isso significa que ela estuda a Torá. Sem isso, ela simplesmente estuda, a fim de adquirir conhecimento árido.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/11/11, “O Amor pelo Criador e o Amor pelos Seres Criados”

A Convenção Em Arava É Uma Desconexão Programada De Todos Os Distúrbios

Dr. Michael LaitmanPergunta: De que serve o isolamento do grupo na Convenção no deserto de Arava?

Resposta: Nós estamos aqui reunidos para estabelecer as bases para uma nova sociedade, cujo objetivo é atingir a adesão com o Criador. Para atingir a adesão com Ele, nós temos que atingir a adesão entre nós. E para atingir a adesão entre nós, temos que nos unir, nos desconectar das perturbações do mundo exterior. Afinal de contas, nós somos pequenos e temos que reforçar um ao outro, de modo que o mundo não seja um impecillho para isso. É por isso que nós estamos indo para o deserto.

No passado, grupos de Cabalistas realizavam medidas muito mais extraordinárias para se isolar do ambiente externo. A pessoa tem que se permitir um pouco mais de liberdade deste mundo confuso e sem sentido, recolher-se interiormente um pouco mais e entender qual é o seu destino.

No turbilhão da vida, sob o ruído do rádio e da televisão, você não consegue decifrar a fina voz de sua alma ou alcançar a frágil inspiração interior. Você simplesmente não tem energia para isso. Mesmo os Cabalistas, vivendo centenas e milhares de anos atrás, num mundo completamente diferente, que ainda desconhecia as “maravilhas” da mídia, ainda assim isolavam-se, excluindo-se do ambiente habitual, e iam até “para o exílio”, saindo de casa sem levar nada com eles e partindo para perambular por anos, sobrevivendo com ganhos e alimentos ocasionais.

Você nem sabe o que está perdendo no mundo moderno, que está enchendo e afundando você com sua sujeira. Você quer alcançar algo elevado? Se quizer, que esforços você está fazendo para se livrar do pântano?

É útil que encontremos tempo para este tipo de isolamento, onde sentiremos apenas as nossas próprias forças, sem as perturbações do mundo exterior. Vamos separar um dia na vida para sentir quem somos, em vez de quem são eles.

Obviamente, nós não forçamos ninguém a participar e não fazemos listas de participantes ou desertores. Nós não colocamos marcas de comprovação para o futuro. Quem não quiser ou não pode vir simplesmente não venha. Neste sentido, tudo é muito liberal e aberto. Por outro lado, se a pessoa for até lá, ela deve participar nas ações que o grupo designou para nos ajudar do desprendimento de tudo e sentir apenas nós mesmos.

Às vezes, você não deseja ficar sozinho consigo mesmo? É assim que o grupo quer ficar: sozinho consigo mesmo, sentir-se. Você entra numa sala, fecha a porta e permanece com seus próprios pensamentos. É assim que nós queremos permanecer, com nossos pensamentos. Na realidade, isso é claro e comumente aceito. Mas para nós não é apenas um minuto de descanso, mas um desprendimento do “grau das mulheres e crianças” e uma ascensão ao “nível dos homens”.

No artigo, “A importância do Grupo”, o Rabash escreve: “Quando uma pessoa trabalha no verdadeiro caminho, ela precisa se isolar das outras pessoas. Afinal, o caminho da verdade exige fortificação, porque ele contradiz as noções comuns. As opiniões do mundo são construídas no conhecimento e na recepção, enquanto as opiniões da Torá são construídas sobre a fé e a doação. Se a pessoa se distrai, ela imediatamente se esquece de todo o trabalho no caminho da verdade e cai no mundo do amor-próprio. Apenas no grupo é que os amigos se ajudam mutuamente e, portanto, cada um recebe forças do grupo para lutar contra as noções comumente aceitas”.

O mundo superior é o nosso mundo interior. Nós temos que mudar nosso olhar da externalidade para a internalidade. Portanto, com a ajuda dos amigos, eu tento ir para dentro, olhar para dentro, a fim de adquirir uma sabedoria profunda, para atingir o significado interno da Torá. Não há outra escolha: eu preciso disto.

A pessoa deve sempre mergulhar interiormente, penetrar no seu íntimo – e justamente aí ela revela o verdadeiro mundo. O mundo externo deliberadamente nos confunde, de modo que através do conflito com ele, na resistência, nós construamos nossa direção para dentro. Nossa luta é para penetrar cada vez mais no fundo da realidade deste mundo, que nos puxa para fora.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/11/11, “Arvut (Garantia Mútua)”

Antes De Um Ataque

Dr. Michael LaitmanO nosso principal trabalho é ascender acima dos nossos pensamentos e desejos, conseguir separar-nos deles, e ascender à altura onde todos nós existimos juntos, onde a alma está. Existe apenas uma alma no mundo.

É por isso que está escrito que antes de receber a Torá, os filhos de Israel tiveram de abster-se por três dias. Cada um tentou subir acima de todas suas preocupações corpóreas, pensamentos, desejos e cálculos, de forma a dedicar-se apenas aos objectivo superior.

Isso é muito difícil e requer um trabalho dedicado, meticuloso, semelhante a juntar pequenos grãos até juntá-los todos, um por um, e os nossos cálculos egoistas terminarem, até que os pensamentos e desejos inúteis parem de despertar na pessoa, puxando-a em diferentes direcções. Então, ela estará mais ou menos preparada para se incluir nos pensamentos e desejos do ambiente.

Esta austeridade e abstinência, o enorme esforço que a pessoa faz para se preparar, não é uma coisa simples. A pessoa tem de quebrar o seu ego, sair de si mesma, retirar-se da sua posição com esforço físico real, e tornar-se fisicamente incluída nos outros. Então, tem de tentar baixar a sua cabeça e aceitar o espírito deles, que a irão influenciar. Ela não pode permitir qualquer liberdade para os seus pensamentos, porque eles podem atirá-la para fora dos limites da sociedade, do grupo.

A pessoa deve reduzir-se a si mesma e forçar-se a concentrar de forma a colocar tudo debaixo do poder do ambiente, tanto na forma corpórea como no interior, espiritualmente, em pensamentos, no desejo. Ela deve perder-se! Deixe que isso que existe no ambiente a influencie de forma que nenhum coração ou mente permaneça dentro dela, e a única coisa que a controlará será o que quer que exista no ambiente.

Esta é a primeira etapa da preparação para se tornar incluído um no outro. Se formos capazes de fazer isto, podemos começar a falar da influência da força superior, o poder do grupo.

O grupo não é a formação física que imaginamos; não é um grupo de corpos físicos. A força interna do grupo irá influenciar-nos juntamente com a Luz que Corrige, que existe no grupo, dá santidade a todos, e permite-lhes que subam acima de si próprios. Então, nesta ascensão a pessoa começará a sentir a força geral que preenche o universo, e será capaz de perceber o que foi escrito.

Por esta razão, durante a nossa convenção e pelo menos três dias antes dela (e devemos começar a habituar-nos a ela hoje), a coisa mais importante para nós é estar acima de todos os pensamentos e cálculos estranhos e limitar-nos às necessidades que nos deixam sem escolha. Aja através da fé acima da razão em cada situação.

Especialmente durante os últimos três dias antes da convenção, devemos começar um ataque real, dias de abstinência, tanto fisicamente como em pensamentos e desejos, de forma que tenhamos apenas uma aspiração e sintamos a quantidade mínima de distúrbios.

Da Lição 1, Convenção Arvut em Israel 11/11/11

Um Coração Partido

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós só revelamos o Criador, a força de doar, quando nos tornamos semelhantes a Ele em nossas qualidades. Então, qual é o significado do princípio, “não perca esperança na Sua misericórdia”?

Resposta: Significa que a pessoa apelou milhares de vezes, como o Rei David, que simboliza Malchut colectiva, o vaso colectivo, alguém que é mais profundo do que os Salmos revelam. Leia-os. Eles são todos os seus apelos e pedidos, louvores e lamentações. Este é o significado de “não perca esperança na Sua misericórdia”. Tente exprimir e efectuar a sua lamentação da mesma forma, e você chegará a uma bênção final.

Pergunta: Então acontece que o Criador está esperando que nós gritemos a todo pulmão?

Resposta: Está escrito que o Criador espera por orações e um coração partido, que Ele gosta de pessoas cujos corações estão partidos, e Ele recebe muito prazer de suas lágrimas. Isto porque suas lágrimas são um sinal de fragilidade do egoísmo e o seu desapontamento com ele.

Nós recebemos golpes do egoísmo, não do Criador. Contudo, leva algum tempo para perceber isso. Realmente, o que é que você quer do Criador se você está a ser ferido pela sua inclinação ao mal?

É por isso que precisamos determinar estritamente que o nosso lugar de trabalho é o grupo. Somente então atingiremos uma oração verdadeira, e ela naturalmente acontecerá através de vários desapontamentos.

Da Lição 3, Convenção Arvut em Israel 11/11/11

O Céu De Hoje É O Inferno De Amanhã

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, Capítulo “Pekudei (Contas)”, Item 839: Assim como há graus e palácios do lado de Kedusha, também há do lado de Tuma’a, e todos eles estão presentes e agindo no mundo no lado de Tuma’a. É por isso que existem sete palácios em oposição aos sete nomes do Inferno, que são chamados por esses nomes dos sete departamentos do Inferno, e todos estão preparados para julgar e macular aqueles ímpios do mundo a quem tenham se aderido, e que não guardam os seus caminhos enquanto neste mundo.

O inferno é o meu desejo de receber. Ele pode ser pequeno e fraco e pode não parecer tão ruim para mim no momento. Ele é contra a conexão, ou nem tanto a favor da conexão quando eu penso em mim mesmo: como vou lucrar, o que vai acontecer comigo, e assim por diante?

De acordo com meu nível, esse desejo parece bastante razoável no momento, e ele pode ser chamado de Céu, porque graças a ele eu lucro, alcanço e me sinto bem. Mas quanto mais eu entendo o sistema superior, mais eu começo a ver este desejo como o Inferno, porque nele, eu penso em mim mesmo, “me consumo em chamas”, me afasto e estou em oposição à Luz, o Criador.

Tudo depende de como a pessoa vê seus desejos. Esta é toda a diferença entre o Céu e o Inferno.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/11/11, O Zohar

Uma Ilusão De Ótica

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se não existem partes separadas, o que O Livro do Zohar descreve? A forma como a alma se corrige?

Resposta: O Livro do Zohar nos diz como nos conectamos numa só alma. Afinal, não há mais nada para falar. Existe um estado perfeito, uma única alma, e há um estado imperfeito, quando a alma está quebrada. Nós temos que retornar ao estado perfeito.

Basicamente, a quebra só existe na nossa consciência. Quando nós descobrirmos  o que está corrompido, veremos que tudo está corrigido. Eu só preciso corrigir minha percepção, a minha visão. É por isso que esta sabedoria é chamada de “sabedoria da Cabalá” (“Cabalá” significa “recepção” em hebraico), a sabedoria sobre como receber, perceber a realidade. Isso é tudo! A realidade é perfeita, e não houve quebra: é tudo com relação àqueles que recebem, à pessoa que a alcança.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/11/11, O Zohar

Um Mundo Estruturado A Meu Pedido

Dr. Michael LaitmanOs mundos superiores estão nos mostrando um modelo, e nós devemos nos tornar semelhantes a ele. A nossa conexão é a qualidade que somos capazes de atingir a fim de corresponder à Luz. Quando uma pessoa se conecta com outras, com sua doação ela constrói de si mesma um Partzuf espiritual a partir das dez Sefirot.

A doação não pode existir em qualquer outra forma exceto as dez Sefirot. Quando ela assume a forma correta, ela se manifesta como um Partzuf espiritual, cuja altura podemos medir de acordo com os degraus da escada espiritual nos mundos superiores.

Acontece que nós podemos medir a altura de uma alma, ou seja, as conexões dos desejos separados, e entender o poder que atingimos através disso em relação à toda a alma comum. No final, o desejo criado pelo Criador permanece, mas adquire a forma das Sefirot, as fontes de iluminação que chegam a mim de todos os mundos, por meio das quais passa a Luz simples do mundo do Infinito.

O Criador coloca o sistema de mundos na minha frente, e ele serve como uma fonte de Luz que está sempre pronta para me influenciar, isso é, afetar o meu desejo se eu o preparei para o uso. A Luz está num estado de repouso absoluto, e a forma como ela vai me afetar só depende do meu desejo. Não há mudanças na Luz. Todas as mudanças ocorrem apenas no meu desejo, que eu sou capaz de mudar à medida que trabalho na conexão no grupo.

Afinal, a conexão de um grupo é o verdadeiro desejo que desperta a Luz, forçando-a a brilhar e nos direcionar à doação, à conexão com o outro. Não há outro desejo exceto aquele que existe dentro do grupo e é direcionado para a união. Só este tipo de desejo pode atrair a Luz, porque eles têm a mesma natureza. Nenhum dos outros desejos estão sujeitos a correção, e eles são egoístas.

O único desejo que conta é o desejo de se unir com o amigo, o grupo, quando a pessoa realmente se eleva acima do seu corpo físico e deseja se conectar acima dele, “em sua cabeça”, colocando esta aspiração pela conexão acima de todos os seus objetivos particulares. Apenas neste nível é que a Luz chega até a pessoa através de todas as Sefirot e corrige o seu desejo, conectando o seu desejo particular ao desejo comum.

Desta forma, nós corrigimos a quebra e revelamos o vaso de nossa alma e a Luz que o preenche em nossa conexão. Então, a pessoa vê que os mundos não existem por si mesmos, fora do homem. Tudo isto só existe em potencial e é realizado apenas na prática, quando queremos nos conectar. Então, conforme a força, altura e natureza dessa conexão, nós revelamos a Luz superior que está sempre pronta. Isto significa que o sistema dos mundos está sendo revelado a nós.

Este sistema de mundos não existe sem o nosso apelo. Ele está totalmente no mundo do Infinito, no Pensamento da Criação de agradar aos seres criados. Somente no momento exato em que surge o desejo, que exige ser corrigido com o propóstio da conexão, é que o sistema de ocultação começa a agir em relação a este desejo, adequando-o exatamente de acordo com sua altura e natureza. A Luz influencia o desejo a partir deste sistema e o corrige.

Da 1a parte da  Lição  Diária de Cabalá 14/11/11, Shamati #68

Preste Atenção E Repita Comigo!

Dr. Michael LaitmanQuando eu subo acima do meu egoísmo e começo a me preocupar com os outros, eu não apago o meu desejo de receber anterior, nem me livro dele e passo cegamente para o desejo de doar, começando a desfrutar a doação do mesmo modo que uma alegre mãe alimenta seu bebê. Se a mãe tratasse o bebê de outra pessoa como trata seu bebê e mostrasse o mesmo amor (embora isso não seja natural), ela iria adquirir outra natureza: o desejo de doar acima do seu desejo de receber. Na diferença entre esses dois níveis, nós descobrimos a profundidade de nosso vaso (desejo) e suas quatro fases pelas quais chegamos à criação.

É assim que se desenvolve a nossa “educação formal”, e nós temos que nos organizar para esperar a chegada de novas formas de doação. Não importa quão inesperadas e surpreendentes elas sejam, elas devem chegar o mais rapidamente possível. A prontidão em aceitar estas novas formas vem somente com a condição de que a pessoa as pratique num grupo.

O grupo é controlado desde o Alto, e se nos colocarmos em suas mãos, ele nos prepara corretamente para aceitar todas as formas de doação da Luz que Corrige. Nossa tarefa é preparar a nós mesmos e permitir que a Luz superior faça o seu trabalho. Nisso nós somos seus parceiros. Por um lado, tudo aqui depende de nós, porque sem a preparação a Luz não age, à medida que ela está em repouso absoluto. Nossa preparação nos dá a capacidade de perceber a influência da Luz.

Mas, na verdade, nós só descobrimos o nosso vaso e revelamos a Luz, previamente oculta, numa nova forma. Isto significa que nós preparamos as formas, mas elas são percebidas e sentidas por nós na medida em que somos semelhantes à Luz superior.

Há “613” Luzes diferentes na Luz superior, bem como todos os níveis e todo o plano de criação do início ao fim. O vaso se desenvolve a partir do ponto de “ausência”, atravessando todo o caminho: primeiro para baixo e depois, voltando novamente, de baixo para cima. Num determinado ponto do desenvolvimento, quando o ser criado se realiza, ele se torna parceiro do Criador na criação das formas semelhante à Luz.

Toda a nossa educação espiritual é uma educação formal, aprendendo formas dentro de formas. O desejo busca formas suas que se assemelhem à Luz, e se ele as encontra, alcança a adesão com a Luz.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/11/11, Escritos do Rabash

Trabalho No Deserto Árido

Dr. Michael LaitmanO trabalho começa com a pergunta: “Qual é o significado de nossa vida?”. Este ponto já contém o desejo de alcançar o objetivo da criação, cujo significado é a adesão com o Criador. Este é o ponto final.

Nós não temos idéia do que significa esta adesão, que tipo de entendimento e sensação ela traz. Mas está escrito que temos que aderir às Suas qualidades. Existem qualidades do Criador, que Ele gradualmente nos revela, e nós temos que alcançar a equivalência com elas.

Todas as qualidades do Criador são, basicamente, apenas a qualidade única de doação, o “bem absoluto”. Esta é a qualidade que a pessoa tem que adotar, “o bom que faz o bem”. Na medida em que o Criador revela Sua bondade a ela, é assim que a pessoa deve se tornar.

Essa bondade se expressa em relação ao próximo, a fim de nos permitir alcançar a doação verdadeira e não doar para o nosso próprio benefício, egoisticamente. Portanto, nós temos que ir por um caminho preliminar bastante longo, avançando gradualmente, passo a passo, ao longo da cadeia de causa e efeito.

Nós começamos a partir do estado que é diametralmente oposto ao Criador e nos movemos com a ajuda da força superior, com a ajuda da Luz, que atua imperceptivelmente dentro de nós. Isso é chamado de Luz Circundante, a iluminação oculta que nos leva de volta à sua fonte.

Ao atrair essa iluminação até nós, nós nos corrigimos e avançamos. Ela só pode ser atraída por equivalência de forma. Assim como o Criador se oculta de nós agora, permitindo-nos realizar a correção e atingir a verdadeira qualidade de doação, do mesmo modo nós temos que concordar em trabalhar em ocultação. Nesse caso, nós podemos aspirar a sua qualidade de doação, em vez da satisfação agradável que ela nos dá.

No entanto, a correção final, o objetivo da criação, é deleitar as criaturas, onde deleitar está acima de nossa qualidade egoísta de recepção.

Portanto, este trabalho ocorre no “deserto”, na terra árida, ou seja, nós não sentimos qualquer resultado agradável de nossos esforços. Isso foi feito deliberadamente, de modo que a pessoa pudesse procurar por possibilidades de trabalhar sem uma recompensa, acima da recompensa. A pessoa deve concordar com isso e desejar apenas isso, porque ela aspira à verdade, à qualidade de doação, ao invés de tentar alcançar uma sensação agradável.

Toda essa preparação é chamada de correção preliminar, antes da entrada na Terra de Israel. Primeiro, nós recebemos a força de correção, a qualidade de fé e doação, que é chamada de “40 anos de peregrinação no deserto”. Depois disso, nós começamos a trabalhar com o desejo de desfrutar, e até mesmo esse desejo age na direção da doação. Isso é chamado de “trabalho na Terra de Israel”.

Trabalhar na correção do nosso desejo e elevar a qualidade de doação acima do desejo de desfrutar é chamado de “trabalho no deserto”, a fase de preparação. Ele é descrito pelo mandamento, “Não faça aos outros aquilo que você mesmo odeia”. Isso significa trabalhar com os desejos de doação (Galgalta Eynaim), o estado de pequenez (Katnut).

Mas trabalhar na Terra de Israel já significa trabalhar com os verdadeiros desejos: não acima deles, mas diretamente dentro deles. Isso é chamado de “trabalho nas três linhas”. Este trabalho é feito com o verdadeiro desejo de receber, que é chamado de AHP, no estado de grandeza ou adulto da alma (Gadlut).

Ao trabalhar com o desejo de receber em prol da doação, em seus quatro níveis, nós revelamos os nomes do Criador. Ou seja, nós já somos capazes de expressar qualidades dentro de nós que são iguais a Sua qualidade e imprimir Seu nome dentro de nós. O desejo começa a se comportar como a Luz, e é assim que a pessoa alcança a similaridade, a unificação e a adesão com a Luz superior, até que ela atravessa todos os níveis de maturação da alma e alcança a equivalência total e a adesão absoluta, que é o objetivo da criação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/11/11, Escritos do Rabash