Textos na Categoria 'Torá'

Legado Dos Cabalistas: Não Apenas Livros

Dr. Michael LaitmanNa Cabalá, o aspecto histórico desempenha um papel menor. Não importa quando ou em que a geração certo Cabalista agiu; o que importa é o que ele fez e o que cumpriu no sistema geral dos mundos, que correções ele fez, de modo que graças a isso, aqueles que vêm depois dele possam avançar de uma forma melhor, mais fácil. Eu não posso avaliar os Cabalistas ou compará-los até que eu esteja no sistema superior. Eu julgo de acordo com o que vejo hoje. Suponha que alguém deixou maravilhosos escritos que iluminam minhas emoções e minha mente e me capacitam a avançar. Do mesmo modo eu vejo esse Cabalista como grande.

Por outro lado, o Baal Shem Tov, por exemplo, não deixou nenhum livro, mas todos os Cabalistas que o seguiram subiram graças ao seu estudo. O Ari também não escreveu nada. Todos os seus ensinamentos foram escritos por seu discípulo, o rabino Chaim Vital. Houve também Cabalistas que encurtaram o caminho para as próximas gerações. Tudo depende da raiz da alma de uma pessoa. Apenas na rede de conexões entre as almas podemos discernir o que cada uma delas fez no quadro geral, e quais correções fez nela.

O Rabash diz que os sábios do Talmude fizeram grandes correções. Por um lado, eles atingiram a espiritualidade num nível muito elevado, e por outro lado, já estavam em exílio. Isto lhes permitiu escrever e descrever os estados num nível corporal e, ao mesmo tempo, fazer grandes correções espirituais. Na “Introdução ao TES”, o Baal HaSulam fala sobre os requisitos daqueles tempos: “Você deve comer pão e sal, beber água com moderação, dormir no chão, e trabalhar na Torá”. Mas com seu trabalho espiritual, os Cabalistas anularam estas condições extremamente difíceis e nos deixaram apenas um meio, a Luz que Corrige. Desde então, basta cumprir a meta da criação.

Obviamente, eles também atraíram a Luz antes disso, como se diz: “Você deve trabalhar na Torá”, mas isso era em acréscimo ao ascetismo. Mais tarde, os autores do Talmude desenvolveram os canais de abundância a tal ponto que agora podemos levar uma vida corporal normal, não necessitando de luxos e nos contentando com as necessidades. A Luz cria uma realidade tal que não precisamos pensar ou nos preocupar com isso.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/11/12, “A Essência da Sabedoria da Cabalá”

Você Sabe Por Que A Sabedoria Da Cabalá Veio Ao Mundo?

Dr. Michael LaitmanAté a destruição do Segundo Templo, a sabedoria da Cabalá era a Torá, o estudo da nação de Israel, o grupo que Abraão trouxe da Babilônia e transformou numa nação que vive de acordo com as leis da sabedoria da Cabalá. A destruição do Templo significa que eles caíram do “ama ao próximo como a ti mesmo” para o ódio infundado.

Desde então, a sabedoria da Cabalá deixou de existir entre as pessoas que ainda chamamos de povo de Israel, embora elas não estivessem mais ligadas à lei do “ama ao próximo como a ti mesmo”, e, portanto, não têm o direito de serem chamadas de “Israel” (Yashar – Kel), que significa “direto ao Criador”. Portanto, a compreensão do por que precisamos da sabedoria da Cabalá se perdeu. Baal HaSualm fala sobre seu medo: “e é terrível que isso seja esquecido, Deus me livre, no povo de Israel”.

Ele tem medo disso, mas outros nem mesmo pensam nisso, pois não sabem para que serve a sabedoria da Cabalá. Por fim, o Baal HaSulam escreveu a “Introdução ao TES” para explicar por que é obrigatório estudar o livro ‘O Estudo das Dez Sefirot’ (TES) e a sabedoria da Cabalá em geral.

Ele não percebeu interesse das pessoas nesta sabedoria ou resposta ao seu apelo, que ouvissem o quão importante e essencial é esta sabedoria. Todos a rejeitaram encontrando diferentes desculpas. As pessoas religiosas que estudavam a Torá não entendiam por que precisavam de algo mais. E uma pessoa que vivia uma vida corpórea comum estava com medo de que a sabedoria da Cabalá arruinasse sua vida. Quem sabia que forças estavam ocultas nela, o que ele evocaria a si mesma ao mencionar os nomes Sagrados; talvez ela evocasse problemas com isso…

Outros se justificavam dizendo que havia pessoas que estudaram Cabalá, que se chamavam Cabalistas, mas que não a recomendavam a outros. Existem muitas razões pelas quais a sabedoria da Cabalá foi posta de lado, longe da atenção geral, e é uma maravilha que tenha existido até agora. Afinal, havia muitas sabedorias que foram esquecidos e desapareceram ao longo da história.

As pessoas rejeitavam este estudo, mas Baal HaSulam pensava que isso devia acabar. Chegou o momento da humanidade mudar sua atitude e de mostrar às pessoas por que a sabedoria da Cabalá é necessária e por que veio ao mundo: a fim de elevar a humanidade ao nível da unidade com o Criador, que é o objetivo da nossa vida, o objetivo da criação. É o momento de cumprir esse objetivo aqui e agora.

Por esta razão o Baal HaSulam escreveu o TES e a “Introdução ao TES “, onde ele explica a importância do seu estudo. No seu tempo era muito difícil levar essa ideia às pessoas. Hoje ela é aceita de uma forma totalmente diferente, e nós podemos anunciar abertamente o estudo generalizado da sabedoria da Cabalá. Eu me lembro da agitação provocada em Bnei Brak, cidade ortodoxa, quando as pessoas descobriram que eu havia trazido um grupo de estudantes não religiosos de Tel Aviv para o meu professor, o Rabash. O Rabash fez uma verdadeira revolução, mas não havia outra escolha, o mundo está num estado tal que a sabedoria da Cabalá tem que ser revelada.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/11/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot“

Liberdade Entre O Criador E O Faraó

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam: “Matan Torá (A Entrega da Torá)”, item 13: Há duas partes na Torá: 1) Mitzvot entre homem e Deus, e 2) Mitzvot entre homem e homem. E ambas visam a mesma coisa: levar a criatura ao propósito final de Dvekut (adesão) com Ele.

As Mitzvot que regem as relações entre as pessoas se resumem ao princípio “Ama o teu amigo como a ti mesmo”. E as Mitzvot que regem as relações entre o homem e o Criador se resumem ao princípio “Ama o Senhor, teu Deus”. Assim, existem dois níveis no caminho para cumprir a Mitzva do amor: primeiro, a pessoa a cumpre com relação à humanidade, e se tiver êxito, ela alcança o amor completo do Criador.

Por que o processo é dividido em duas partes? A questão é que se não houvesse a quebra dos vasos, que fez com que o meu mundo parecesse estar povoado por muitas pessoas, eu não teria nenhuma base, nenhuma fundação, para realizar as ações de correção, uma vez que estas ações precisam estar ocultas.

Por outro lado, se o Criador é revelado a mim, eu sou subornado, condenado, escravizado, anulado, vendido e privado do livre-arbítrio. Em suma, em tal caso, eu tenho que doar, já que não tenho escolha. Quando eu olho para Ele, eu não tenho outra escolha. Ele me controla, domina, e eu me torno um “anjo”, que não doa como resultado do livre-arbítrio.

Para ter livre arbítrio, eu tenho que estar separado do Criador e aprender como doar através daqueles que não me obrigam a fazê-lo pela força. No entanto, eles me evocam por sofrimentos. Por exemplo, eles me enviam a tempestade Sandy ou o tsunami. Porém, tais desastres não me empurram para as correções, já que eu não sinto que eles vêm diretamente do Criador, e por isso eu mantenho meu livre arbítrio. No geral, nós estamos constantemente num estado de indefinição.

Este mundo foi dado a nós para que possamos ser livres do Criador e por isso há dois tipos de Mitzvot. Há Mitzvot que dizem respeito às relações entre as pessoas, que mantemos sem qualquer obrigação. Na verdade, nós aumentamos o nosso reconhecimento interno de como elas são necessárias e, com o tempo, à medida que nos tornamos experientes, começamos a entender que somos realmente livres nisso.

No momento eu não penso assim. Eu sou empurrado por trás por um pedaço de pau e puxado pela frente pelo ponto no coração. Eu não olho mais para os lados, mas apenas avanço e retrocedo. Isso é livre arbítrio?

No caminho, no entanto, nós começamos a estabelecer a conexão entre nós, sentimos que estamos livres na resistência entre o Criador e o Faraó. A verdadeira liberdade está oculta neste ponto médio, na mistura entre o bem e o mal (a Klipat Noga). Este é o lugar onde a intenção, ou seja, o homem, nasce. A intenção é o homem.

Assim, as Mitzvot são divididas em duas partes, uma vez que devemos estar num estado de ocultação para ter o livre arbítrio. Portanto, primeiro nós realizamos as Mitzvot entre as pessoas, a fim de, finalmente, manter as Mitzvot entre o homem e o Criador.

A quantidade de Mitzvot é determinada pelos nossos 613 desejos que são divididos em 248 “órgãos” e 365 “ligamentos” na alma de uma pessoa. Nós temos que corrigir todos estes desejos com a intenção “a fim de doar”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/11/12, ” Matan Torá (A Entrega da Torá)”

Seguir A Sabedoria Ou A Luz?

Dr. Michael LaitmanRabash, Shlevei HaSulam (Os Degraus da Escada), Volume I, Artigo 12, “O que é a Torá e o Trabalho no Caminho do Criador”: Acontece que a pessoa tem que fazer um grande esforço antes de começar a estudar, de modo que seu estudo dará frutos e bons resultados. Isso significa que o estudo deveria trazer-lhe a Luz da Torá, que pode reformá-la.

Primeiro nós temos que desenvolver o desejo correto; na verdade, isso é indispensável. A pessoa chega à sabedoria da Cabala apenas com um “ponto no coração”, que não tem qualquer direção. Ela não sabe aonde chegou ou onde está, como uma gota de sêmen no útero. Neste caso, é o grupo que faz o papel do útero, e tem que “formatar” a pessoa, dar-lhe uma forma, e exercer influência. Não devemos esperar que ela atue corretamente. Nós devemos ter cuidado se ela “se exibe”, já que a exibição deveria ser do grupo.

Há aqueles que chegam cheios de energia e começam a trabalhar, para eles é realmente uma abordagem positiva, mas não é definitivamente na direção certa. E onde se pode encontrá-la? A partir de suas ações egoístas? A pessoa não teve sequer a chance de descobrir a inclinação ao mal e ainda está num nível inferior.

Portanto, o grupo deve delicadamente controlar o novo aluno, a fim de dar-lhe a forma correta, a direção certa. E quando a pessoa sente que “rédeas e freio” são colocados sobre ela, ela é obrigada a aceitá-los já que não tem outra escolha. O grupo deve controlar todos.

Os amigos devem buscar a inclinação ao mal e a falta de conexão. Nós ansiamos pela conexão; nós esclarecemos em que medida os nossos parâmetros qualitativos e quantitativos estão corretos; se isso atende às nossas necessidades e nos satisfaz, até que descobrimos a forma do Criador na conexão.

Nós atravessamos os níveis de Nefesh, Ruach, Neshamah, Haya e Yechida em cada um dos 125 graus. Em busca de conexão, nós descobrimos uma deficiência e atraímos a Luz que Reforma durante o estudo. Assim, o estudo torna-se intencional e eu me analiso constantemente, não de acordo com o quanto entendo ou não, ou como isso é interessante ou não. Isto não tem nada a ver com o que fazemos. O estudo é um tempo de cura, um tempo de esclarecimento, um momento de atrair a Luz da correção. Tudo isso está de acordo com a nossa deficiência, que descobrimos durante a preparação para a lição. Nós descobrimos isso durante as reuniões de amigos e em nossas ações coletivas e daí chegamos à lição com a demanda pela Luz que Reforma.

Nesta demanda nós somos diferentes do resto do mundo. As pessoas sentem que são justas; elas não exigem a Luz que Reforma, estão satisfeitas com o que fazem, como todos aqueles que nem pensam nisso. Nós precisamos constantemente avaliar a nós mesmos de acordo com a deficiência pela Luz e a Luz em si.

Quando eu cheguei ao Rabash, perguntei a ele depois de alguns meses: “Qual é a principal coisa com respeito a trabalhar com o livro? Onde está descrita a essência do nosso mundo durante a lição matinal?”. Então, ele me mostrou o item 17 da “Introdução ao TES”, onde se diz: “E assim a pessoa que estuda compromete-se antes de estudar a fortalecer sua fé no Criador e Sua Providência em castigo e recompensa”, já que isso é importante. O nosso único trabalho é preparar o desejo de mudança através do esforço no grupo. No geral, nós descobrimos que não podemos fazer isso e é só lá que devemos realizar a correção. Com este reconhecimento, chegamos ao estudo de novo.

Assim, enquanto estudamos, descobrimos uma deficiência e, por outro lado, somos corrigidos e curados.

Portanto, nesse sentido “a pessoa deve fazer grandes esforços antes de começar a estudar”. Se não conseguimos alcançar os resultados certos, então devemos verificar se chegamos para estudar com a intenção correta. Caso contrário, nós estudamos a fim de adquirir conhecimento de um determinado livro, em vez de atrair a Luz, como é exigido da Torá.

Portanto, há “sabedoria” e há “Torá”. E uma pessoa que simplesmente quer saber o que está escrito no livro lida com sabedoria, e uma pessoa que busca a correção e quer mudar a si lida com Torá, com o verdadeiro método. Esta é toda a diferença…

Da Preparação para a Lição Diária de Cabala 04/11/12

As Letras Da Torá Nascem Da Descida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos alcançar um desejo tão forte pela espiritualidade que irá rejeitar todos os outros desejos corporais?

Resposta: Existem “613” desejos em cada um de nós, que devemos dirigir à grandeza e importância da doação, amor, conexão e garantia mútua, de acordo com o nosso entendimento. Tudo o que é externo aos meus próprios interesses, externo aos interesses da minha pele, deve tornar-se mais importante para mim do que os meus desejos egoístas corpóreos.

Se a pessoa divide seus desejos internos e externos desta maneira e dirige-se para fora de seu corpo, é o suficiente para o momento. Nós devemos verificar constantemente a nós mesmos e tentar nos manter na mesma linha de pensamento.

No final, o hábito se torna uma segunda natureza, e pelos esforços que faço, a Luz vem a mim. Então eu faço mais alguns esforços, e um pouco mais de Luz vem. Eu começo a me construir a partir desses momentos, porque “não há correção para uma pessoa, exceto dirigir todos os momentos presentes e futuros, para que eles sejam dedicados e sirvam ao Seu grande nome” (Baal HaSulam, carta 18) um pouco mais cada vez. É a partir de tais saídas (Yetziot em hebraico) (de “Sião”) que a Torá vem de fora, como se diz: “É de Sião que a Torá deve vir”.

Afinal, quando eu sinto que saí da intenção correta, eu sinto uma deficiência para voltar, e então eu exijo a Luz que Reforma, chamada a Torá. Assim, verifica-se que é a partir de Sião, de tais saídas, que a Torá nasce: não das subidas, mas sim das descidas, a partir das saídas da intenção correta.

Assim, eu sempre adiciono uma “letra” após a outra, até que todo o livro da Torá passe por mim.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/10/12, Escritos do Rabash

Forçado Pela Vara Ou Pela Escolha?

Dr. Michael LaitmanDiz-se que o Criador criou a inclinação ao mal, mas, na verdade, a questão é que eu mesmo tenho que descobrir a minha inclinação, descobrir que meu desejo inicial é mau e oposto ao Criador.

Isso não é tão fácil. Mesmo que o Criador dê e eu receba, o que há de tão ruim nisso? A questão não é o desejo; ele permanece o mesmo, nem bom nem mau. Eu mesmo determino o mal ao alcançá-lo. 

A pessoa alcança a entrega da Torá quando precisa de correção, quando descobre dentro de seu desejo uma intenção má: para si mesma e contra os outros, o que significa contra outras pessoas e contra o Criador. Isso é o que ela chama de mal. Isso requer uma preparação séria para sentir tal vergonha quando você sente “Eu prefiro morrer a viver”. 

Nós imaginamos a entrega da Torá como uma necessidade tão convincente como a montanha de ódio pairando sobre nós e que nos deixa sem escolha. Mas a pessoa tem que sentir a necessidade, já que não há nenhuma coerção na espiritualidade. Então, como esse problema pode ser resolvido? Por um lado, o Criador “me empurra contra a parede”, e por outro lado, eu preciso sentir a deficiência. 

Na verdade, o que o Criador dita é apenas uma condição e se eu a cumprir, recebo a Torá, o que significa o método de correção, mas eu mesmo tenho que estabilizar esta condição e concordar com ela: “Se eu não aceitá-la, eu prefiro morrer a viver”. Esta é a preparação necessária para uma pessoa. 

Da 4ª Parte da Lição Diária de Cabalá 28/10/12, Matan Torá (A Entrega da Torá)

A Grande Assembleia Ao Pé Da Montanha

Dr. Michael LaitmanDo Livro A Luz do Sol, do rabino Kalonymus Kalman Halevi: A principal realização da Torá é através da unidade, como se diz: “E Israel acampou diante da montanha como um homem com um coração, e lá a doação foi interrompida e cada tribo corrigiu e acrescentou o seu Ha-Va-Ya-H“.

E eles disseram “Faremos e ouviremos” com grande paixão, do fundo de seus corações, e elevaram Mei Nukvin (MAN) e revelaram Maim Dechurin (MAD), que o Criador desceu para dar-lhes a Torá e eles foram recompensados com a realização da Torá.

A realização da Torá significa a realização do plano de toda a criação, do seu objetivo, a realização de todo o caminho de correção que é atingido pela unidade. Isto é porque nós temos que corrigir a quebra e, como resultado, além da correção da quebra, chegamos à realização. Isso significa que, pelo nosso esforço nós contribuímos para a nossa compreensão, para o reconhecimento do estado em que nos encontramos. Nós abrimos todos os mundos espirituais para nós mesmos de um nível para outro até o mundo de Ein Sof (Infinito).

Porém, antes de chegarmos a esta realização, não sentimos qualquer diferença entre o nosso mundo e o mundo de Ein Sof. O Infinito só é alcançado pela unidade, e a unidade é construída em duas linhas: a da direita ou do amor, e a da esquerda ou do ódio, uma em contraste a outra.

Por isso, diz-se: “E Israel acampou ali, diante da montanha” (Jetro, 19, 20). Eles se depararam com o ódio que descobriram depois de terem estado sempre na linha direita, entusiasmados com a espiritualidade, buscando a unidade, e ansiosos em se conectar. Foi então que eles descobriram a linha esquerda, que estava diante deles como uma montanha alta não os deixando conectar.

Depois, eles precisaram da Torá, a Luz que Reforma, e descobriram a linha do meio, a Torá, o Criador, que é revelado e ajuda a conectar as duas linhas juntas. Graças a sua oração, eles receberam uma resposta do Alto. O Criador desceu e deu-lhes a Torá e assim eles foram premiados com a realização da Torá.

Portanto, nós devemos seguir constantemente a linha direita, em doação pura, em Hafetz Hesed, e depois, em contraste a ela, a linha de esquerda é revelada: diferentes falhas, decepções, fraquezas, críticas, Din. É bom que tudo isso seja revelado, já que assim nós finalmente percebemos que não há outra opção senão seguir a linha direita.

Nós percebemos que não há nada que possamos desfrutar na linha esquerda e que estes são vasos de recepção que exigem preenchimento e não há preenchimento! Então, tudo o que resta, é ascender acima de tudo isso; quando atingimos a plena medida, a plena medida da revelação das linhas direita e esquerda, a união diante do Monte Sinai é revelada, a linha do meio, e depois a Luz que conecta as duas linhas vem até nós. Isso é chamado de “o Criador faz a paz no Céu e Ele vai trazer a paz para nós”. A linha média vem e decide entre as duas primeiras linhas, trazendo-nos paz e plenitude.

A Torá é atingida pela unidade, se ansiarmos constantemente por ela, como se diz, “E Israel acampou diante da montanha, como um homem com um coração”. Não importa o quão duro eles tentaram se conectar, eles descobriram o contrário: ódio, desapego e rejeição. “E lá a sua impureza foi suspensa e cada tribo corrigiu a combinação de seu Ha-Va-Ya-H“, o que significa que em cada um de nós e entre todos nós há muitos problemas e conflitos internos que exigem correção.

“E eles disseram: ‘Faremos e ouviremos!”. O que significa que eles estão prontos para ir acima de sua razão, acima do sentimento de qualquer crítica, já que não há outra opção, já que vimos que não podemos nos conectar em nossos vasos egoístas. “E eles elevaram Mei Nukvin (MAN) e em contraste Maim Dechurin foi revelada, e o Criador desceu para dar-lhes a Torá e eles foram recompensados com a realização da Torá”. Vamos esperar que sejamos recompensados com o recebimento da Torá, já que o Criador a dá todos os dias.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 26/10/12

Para Cada Um o Seu e a Coisa Principal Para Todos

Baal HaSulam, “Introdução ao Livro doZohar”, Item 69: A partir do alto, podemos entender perfeitamente que a Torá, também, contém internalidade e externalidade, como o mundo inteiro. Portanto, aquele que se engaja na Torá tem estes dois graus, também. Quando se aumenta o trabalho na internalidade da Torá e seus segredos, nessa medida, faz-se a virtude da internalidade do mundo, que é Israel, soar alto acima da exterioridade do mundo, que são as Nações do Mundo.

Uma pessoa no nosso mundo é atraída a uma sabedoria, uma fonte, a um enchimento que se adapta a sua natureza. Todo mundo tem as suas prioridades: cores especiais, sons especiais, ou um estilo de vida especial. Nós adquirimos muitas dessas preferências da nossa família. No geral as pessoas são diferentes e ainda existem certos tipos de personagens deste espectro.

Uma pessoa pode estar interessada na ciência ou na música, ela pode ser calma ou ativa, fechada ou extrovertida, inclinada ao trabalho físico ou atividade mental, de se expressar de uma forma ou de outra, que são todos os resultados da nossa diversidade. A pessoa escolhe uma ocupação adequada e os meios para ter sucesso na vida de acordo com sua natureza.
[Leia mais →]

Os Mandamentos São Os Degraus Da União

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o significado da exigência indicada nos livros para acostumar-se a cumprir a Torá e Mitsvot (mandamentos), que em última análise vai nos ajudar a obter uma segunda natureza — o amor ao próximo?

Resposta: As ações de correção que eu quero implementar são chamadas de mandamentos. Em primeiro lugar, eu devo revelar dentro de mim o que preciso corrigir, como está escrito, “é impossível implementar um mandamento se, em primeiro lugar, a pessoa não o violou”, ou seja, que primeiro nós revelamos a falta, a inclinação ao mal dentro de nós, e depois vemos o que precisamos corrigir.

A correção do desejo de desfrutar em prol da doação é chamada de implementação do mandamento, porque este é o preceito do Criador. Mas realizar isto é possível por meio da Luz, a força que é chamada de Torá.

Ou seja, me foram dadas todas as condições para a revelação do meu princípio egoísta, trabalhando com os amigos e esclarecendo a minha relação com eles. E quando eu estou revelando meu ego, eu entendo o que precisa ser corrigido, já que este é o verdadeiro mal, porque ele me separa da força superior, do Criador.

Então eu uso a força do grupo. Se nós temos o desejo de nos unir para receber a força de correção, a Torá, então nós a recebemos desde cima e ela nos une. As etapas da nossa união são chamadas de mandamentos, que foram implementados. Isto é, eu estou implementando essas sucessivas partes dos preceitos do Criador, Sua vontade em relação a mim, e, no fim, chego ao fato de que meu desejo de desfrutar torna-se uma doação, e, de acordo com a equivalência das qualidades, a força de doação, o Criador, é revelado dentro dela. Tudo isso é realizado no local onde me encontro nesta terra e não em algum lugar nos céus como nos parece.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 01/07/12, “Matan Torah (A Entrega da Torá)”

A Nação Que Se Une Acima Do Ego

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Arvut (Garantia Mútua)”: Assim, em virtude da necessidade acima, a Torá foi dada especificamente à nação de Israel, apenas para os descendentes de Abraão, Isaac e Jacó, pois era inconcebível que qualquer estranho tomasse parte nela. Por isso, a nação de Israel tinha sido construída como uma espécie de porta de entrada pela qual as centelhas de pureza iriam brilhar sobre toda a raça humana em todo o mundo.

Não se trata apenas de uma das nações a quem, de repente, foi dada a Torá. A “nação israelita” é um conjunto de pessoas que saíram da Babilônia antiga. Elas se conectaram sob a liderança de Abraão, que as ensinou a se conectar através de laços de amor acima do ódio. Claro, elas não queriam isso, assim como todos os outros babilônios, mas aceitaram o método de Abraão. Graças à “centelha” que está oculta nelas, elas entenderam que na verdade é um método de correção e que a natureza egoísta, o ódio, foi dada para que nós nos unamos acima dela e construamos um grupo no qual haverá estes dois discernimentos, um oposto ao outro: o ódio abaixo e o amor acima. Assim, elas chegaram ao “Monte Sinai”, ao estado onde revelamos a força superior.

Quando elas se conectaram, elas começaram a trabalhar através da conexão, de acordo com método de Abraão, de Isaac, e depois de Jacob, o que significa em “três linhas”. Nesse processo, elas receberam um crescente “endurecimento do coração” e no seu trabalho atravessaram as fases de HBD, HGT e NHY, incluindo o exílio no Egito. Isso significa que sentiram os difíceis estados internos e os superaram elevando-se acima do seu ego e alcançando a necessidade de adesão. O ego separou-as muito, e elas ainda tentaram se segurar, tanto quanto podiam, pelo menos mantendo sua inclinação pela conexão.

No final, a tensão necessária entre elas foi criada. Por um lado, o ego que surgiu sob a forma das “dez pragas do Egito” e o “Faraó” inacessível no interior, e por outro lado, o reconhecimento da necessidade da conexão, que elas construíram acima delas. Elas estavam mesmo dispostas a ir ao deserto sem qualquer recompensa, apenas para ter a chance de servir ao Criador. Isto é o que elas exigiram do Faraó quando Moisés deu-lhes a mensagem do Criador: “Deixe o meu povo ir, para que eles me sirvam”.

Então, elas chegaram ao estado em que poderiam receber a Torá, o que significa a Luz que Reforma. Havia tensão suficiente entre o ego que foi revelado e a pressão destinada à conexão. Elas receberam condição de se tornar “um homem com um coração”, de “amar ao próximo como a si mesmo”, e elas aceitaram, dizendo: “Faremos e ouviremos”. Então, a revelação da Luz que Reforma começou, o que significa que elas receberam a Torá.

Assim, elas se tornaram uma nação. Agora, elas tinham uma infraestrutura coletiva que as unia: a Luz as unia. Sem a Luz, não existe nenhuma conexão entre elas, o que significa que não há nação. Portanto, Baal HaSulam diz que Israel no exílio não é uma nação, mas “um saco de nozes”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/06/12, “A Arvut (Garantia Mútua)”