Textos na Categoria 'Torá'

Um Ponto Escondido Nas Nuvens Dos Desejos Humanos

A Torá, Êxodo, Jetró ( Itró), 19:20-19:24: E o Eterno desceu sobre o cume do monte Sinai e o Eterno chamou a Moisés ao cume do monte, e Moisés subiu.

E o Eterno disse a Moisés : “ Desce, adverte ao povo para que não ultrapasse a sua posição no termo para ver o Eterno, porque muitos deles cairão. E também os sacerdotes que se aproximam do Eterno, que eles se santifiquem, para que o Eterno não os atinja.”

E Moisés disse ao Eterno : Não poderá o povo subir ao monte Sinai, porque Tu nos advertiste, dizendo: “ Demarca limites ao monte e santifica-o.” E o Eterno disse-lhe: “ Anda, desce, e tu subirás, e Aarão virá contigo; mas que os sacerdotes e o povo não transpassem o termo para subir ao Eterno, para que não os atinja.”

As palavras do Criador que proíbem as pessoas de se aproximarem Dele significam que todas as ações e todos os desejos egoístas não devem entrar em contato com Ele, uma vez que ainda não conseguimos trabalhar em nome da doação. Moisés diz que as pessoas já ouviram falar deste mandamento. Por outras palavras, apesar de pensarmos já termos recebido avisos suficientes, ainda não podemos usar os nossos desejos egoístas, pois apesar de eles não serem controlados pelo poder evidente do Faraó, eles ainda não foram corrigidos. Eles ainda são desejos habituais, terrenos, egoístas, opostos a um “ponto no coração”, que está separado deles.

Moisés é um ponto em nós que está conectado com o Criador e que possui a Sua natureza. No entanto, ele está muito misturado com outros desejos e está assim porque é invisível. Ele ainda não brilha, mas interessa-nos ao desencadear pensamentos turvos sobre o significado da vida.

Outros pensamentos e desejos nossos continuam a ser entrelaçados com este mundo e esta realidade material. Assim, mesmo que nos pareça a nós que não queremos esta nossa existência inútil, uma vez que começamos a implementar os nossos desejos materiais, nós imediatamente “deslizamos” de volta. Os desejos que são orientados para este mundo acordam em nós e esquecemos o ” sublime material “.

Assim, temos que dividir estritamente o ponto no coração (a propriedade de Moisés e Aarão) do resto dos nossos desejos egoístas. Se não fosse o ponto chamado “Moisés” (desejos que descem do próximo nível superior, da propriedade de doação), seriamos simplesmente como animais.

Este ponto chega-nos de um plano totalmente diferente e personifica a qualidade do Criador em nós. Devido a isso, fazemos muitos erros. Parece-nos que já nos tornamos justos e que subimos ao topo. Na verdade, assim que começamos a fazer algo terreno, nossos pensamentos imediatamente “voam” para a direção oposta e nós experimentamos quedas profundas. Isso acontece por causa do ponto no coração. E, no entanto, não devemos ficar envergonhados, indignados ou surpresos, já que é assim a natureza humana. Temos que considerar isto como um mecanismo que age de forma imprevisível, sem qualquer ideia do que vai acontecer no momento seguinte.

Este estado de coisas dura até chegarmos a correção final antes da qual a maior queda sem fundo acontece. O que vivemos até hoje são apenas flutuações muito insignificantes, para trás e para a frente, mais e menos. Descobertas maravilhosas nos aguardam pela frente.

A partir de KabTV “Mistérios do Livro Eterno”, 25/02/13

“Não Jurarás Em Vão Em Nome Do Eterno, Teu Deus”

A Bíblia, Êxodo, 20, 7: Não jurarás em vão em nome do Eterno, teu Deus; porque o Eterno não livrará ao que jurar em vão pelo Seu Nome.

“Não jurarás em vão em nome do Eterno, teu Deus….” é uma ação realizada por uma pessoa. “Pois o Eterno não terá por inocente o que jurar em vão em seu nome”, é a resposta da força superior à ação de uma pessoa.

” Não jurarás em vão em nome do Eterno, teu Deus…” significa que você não pode aspirar à força do Criador, a fim de executar determinadas ações egoístas, já que o Criador é a força de doação absoluta, o atributo de doação. Você não pode pedir, exigir, ou usá-la para fins egoístas de qualquer forma. Não te vai levar a nada, uma vez que tais ações afastam-te para longe do Criador, e esta é a punição.

Se o Criador é o absoluto perfeito, é impossível influenciá-Lo de qualquer maneira! Você pode usá-Lo apenas para se corrigir a si mesmo ou para se afastar da correção. É com isto que todos os mandamentos estão relacionados. Os primeiros Dez Mandamentos são os principais uma vez que uma pessoa é feita de dez atributos principais.

O primeiro atributo, “não há nada além d`Ele”, pertence à Sefira de Keter (cabeça), que é aparentemente ideológica e isolada de todo o resto. Tu não o vês, ouves, conheces, ou O sentes. Tu não podes usá-Lo de maneira nenhuma!

O segundo atributo é para não atraí-Lo com propósitos egoístas e pertence ao atributo de Hochma. Há uma espécie de delegação da autoridade aqui, uma espécie de revelação do Criador que uma pessoa pode usar. Mas cuidado, pois se tu usares esta Luz sem a preparação correta, podes recebê-la dentro de ti e isso pode levar a uma ruptura. Isto irá levar-te para longe do Criador! A Luz de Hochma vai jogar-te para trás.

No entanto, se tu usares a Luz de Hochma corretamente, o que significa para a correção dos teus desejos e não em vão, esta irá esclarecer e analisar tudo corretamente: tu vais saber quem tu és e ser capaz de continuar a trabalhar corretamente.

Então tu deves prestar atenção para qual direção tu estás a trabalhar. O Criador não perdoa os nossos erros e uma ação errada leva a um resultado indesejável.

Da KabTV “Segredos do Livro Eterno” 25/02/13

“Lembra-Te Do Dia Do Sábado”

A Bíblia, Êxodo, 20, 8-11: Lembra-te do dia do Shabat (sábado), para santificá-lo. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o Shabat do Eterno, teu Deus, no qual tu, teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, teu animal e teu prosélito que estiver em teus portões, não farão nenhuma obra, porque o Eterno fez os céus e a terra, o mar e tudo o que há neles em seis dias e repousou no sétimo dia, e por isso o Eterno abençoou o dia do Shabat e o santificou.

Uma pessoa que quer avançar em direção à espiritualidade deve manter esta condição uma vez que a Torah não fala sobre dias corpóreos , mas sim de dias espirituais. O situação é que temos de corrigir a nós mesmos, a fim de nos assemelharmos mais a forma espiritual especial chamada Zeir Anpin. É feita de seis partes, e nós chamamos a esta réplica os seis dias da semana.

Não se trata de trabalhar numa fábrica ou num escritório, não é de todo considerado trabalho. Logo não vamos de todo trabalhar fisicamente , o nosso trabalho vai ser realmente alcançar os níveis espirituais.

Isto significa que, no primeiro dia de trabalho assemelho-me à primeira Sefira ,Hesed. No segundo dia assemelho-me à segunda Sefira, e assim por diante. Estes não são dias corpóreos , e não importam as 24 horas do dia, nem a rotação da Terra em torno de seu eixo.

Ao trabalhar em mim mesmo estou a corrigir o meu desejo geral: Eu classifico-o de acordo com as sete partes e corrijo-o , de tal modo que ele assume a forma de Hesed, Gevura ,Tiferet , Netzah , Hod e Yesod . Eu não posso corrigir a sétima parte do meu desejo.

Todos os meus desejos que são corrigidos durante os seis dias são acumulados e acabam no sétimo nível chamado Malchut. Este nível não pertence aos seis dias do meu trabalho de correção, é uma espécie de presente do Alto, um complemento para os seis dias.

Devemos dizer que a divisão em sete dias não existe de todo no nosso mundo do ponto de vista astrológico. Há um mês, um ano, a rotação da lua, a rotação da terra, a rotação do sol, mas não existe qualquer coisa como uma semana. A rotação completa da terra em torno de seu eixo é um “dia.” “Mês” é a rotação da Lua ao redor da Terra, e um “ano” é a rotação da terra em torno do sol, etc.

Além disso, existem feriados chamados de “um mês novo”, um “ano novo”, e assim por diante. Um feriado de um mês novo, o que significa o início do mês, tem uma mensagem clara ,uma vez que há uma lua nova, quando a terra não consegue escondê-la completamente, e aos poucos a revela. A lua parece crescer gradualmente e é um sinal astronômico. Você olha para o céu, vê-a, e você pode medir tudo de acordo com isso. Se você mora em Jerusalém, você mede-o em relação a Jerusalém, etc, dependendo da sua longitude.

Mas uma semana é apenas um conceito espiritual. Ninguém a comemora. Na verdade, se originou no grupo de Abraão, cujos membros começaram a dirigir-se para as forças espirituais dessa maneira.

Ela não só pertence a Jerusalém. É comemorada em qualquer longitude onde você está. Se eu celebro agora o Shabat (sábado) em Jerusalém , o meu amigo, no México não estão a celebrá-lo, sendo ainda um dia de trabalho. Isto é, este sinal não existe no nosso mundo.

O que isso indica? Se uma pessoa realiza um trabalho espiritual e corrige as seis partes dentro dele, seis Sefirot de sua alma – Hesed , Gevura , Tiferet , Netzah , Hod e Yesod, ele atinge um estado em que todos eles se conectam, uma vez que Yesod é a peça de ligação. Tudo isso entra no sétimo dia da semana, Malchut.

Este estado espiritual não tem nada a ver com os dias da semana do calendário. Ele pode durar um minuto ou dez minutos, não faz diferença uma vez que o tempo não importa. Naquele dia, o que significa naquele estado espiritual, uma pessoa não deve fazer nada, já que ele tem que receber o resultado da chamada semana de trabalho, um dos seis estados de correção, dentro dele. Como resultado deste trabalho alternando as seis partes de correção com a sétima parte e da sua ligação, uma pessoa chega ao fim da correção, quando toda a sua alma está totalmente corrigida.

Da KabTV “Segredos do Livro Eterno” 25/02/13

“Honra Teu Pai E Tua Mãe”

Dr. Michael LaitmanTorá, Êxodo 20:12: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra que o SENHOR teu Deus te dá”.

Pergunta: O mandamento “honra teu pai e tua mãe” é aceito literalmente pela humanidade. Como podemos explicar isso?

Resposta: A questão é que o “pai” e a “mãe” que são mencionadas nos Dez Mandamentos não têm nada a ver com o nossos pais corporais, mas sim pertencem a dois sistemas especiais.

“Pai” é o atributo de Hochma a partir do qual decorre a Luz de Hochma, a Luz da vida. “Mãe” é o atributo de Bina, do qual resultam todas as preocupações. Estas luzes são opostas uma à outra e mutuamente complementares. A Luz do “Pai” é branca e dá à pessoa cérebro, coragem e poder. A Luz da “Mãe” lhe dá suavidade, conexões e uma atitude correta para com os outros. Revelado nesta Luz está o amor e a capacidade de sentir os outros, etc.

“Honra” significa olhar como o “Pai” e a “Mãe” integram essas forças corretamente. A força do “Pai” e a ternura de “Mãe” entram um no outro e você deve fazer exatamente a mesma coisa dentro de você, integrando esses atributos.

“… Para que teus dias se prolonguem sobre a terra”, significa que tal integração tem de ser feita com “a terra”, ou seja, com seu ego, com o seu desejo. Você não conseguirá existir facilmente com ele.

No geral, é tudo muito simples. Nós devemos entender que tudo se refere à nossa natureza e nos fala sobre como devemos corrigi-la. O que mais podemos falar? Sobre a vida neste mundo? Ela termina de qualquer forma. Aqui nós vamos falar sobre como devemos subir ao próximo nível e começar a viver numa dimensão totalmente diferente enquanto ainda estamos neste mundo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 15/02/13

Você Não Deve Fazer Um Ídolo

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Um Mandamento”: Por habituar-se a servir as pessoas, a pessoa benefícia outros e não a si mesma. Assim, ela se torna gradualmente apta a manter as Mitzvot do Criador com a condição necessária: beneficiar o Criador e não a si mesma.

Eu não percebo, não consigo entender, não alcanço este princípio. Eu entendo que eu deveria “trabalhar pelos seres criados”, para me conectar a humanidade. Afinal, nós estamos todos aqui juntos e é só devido à quebra que a ruptura a ruptura entre eu e os outros foi criada, e eu me sinto isolado deles. Isso significa que eu tenho que superar para corrigir a quebra e me conectar a eles.

Mas o que isso tem a ver com Criador? Talvez Ele esteja em algum lugar lá fora, e eu possa alcançá-Lo através da humanidade. Ou talvez eu descubra que Ele está na união com os outros no grupo entre nós, e que Ele inclusive preenche todo o espaço.

Ainda assim, é difícil se concentra no grupo para o bem do Criador. O que isso significa? É uma exigência muito vaga. Eu entendo que tenho que corrigir minhas relações mútuas com outras pessoas, mas como eu posso, além disso, estabelecer uma relação com os outros? Nosso problema é que nós não retratamos a imagem correta, e a confusão continua em nossa imaginação por muito tempo.

O Criador é o absoluto, o infinito, o todo, o atributo de doação. A conexão entre eu e o grupo é o vaso destinado a receber o atributo de doação. Nós queremos alcançar o amor e a conexão entre nós. Nós queremos que o mundo se torne redondo, global e integral, mas para o bem do Criador, o que significa que o atributo de doação vai nos conectar, de modo que ele vai habitar entre nós e nos dominar.

Portanto, nós não precisamos atribuir qualquer personalidade ou a imagem ao Criador, uma vez que isso é chamado de “idolatria”, e nos conduz para fora do caminho numa direção totalmente diferente. A palavra “Criador” é feita das palavras hebraicas “Bo–Re“, (venha e veja); se você entra num grupo e chega à conexão, então, graças os amigos, você descobre o atributo de doação que é chamado de Criador.

Portanto, diz-se que “Israel, a Torá e o Criador são um”, o que significa que eu, juntamente com os amigos (ou com a humanidade) alcanço o Criador. Em outras palavras, eu e os amigos somos chamados de Malchut ou Shechina, e descobrimos Zeir Anpin que é revelado em Malchut, de acordo com a conexão que foi alcançada nela.

Aqui é onde se origina o significado da fórmula “trabalhar pelos seres criados para o bem do Criador”. Nós não devemos imaginar que o Criador é alguém ou algo; o Criador não é uma personalidade ou um fenômeno, mas um atributo que é revelado em nós. Se eu descrevo outra coisa, isso significa que me envolvo em idolatria e que faço um ídolo ou uma imagem. Se nos mantivermos constantemente nesse princípio, não haverá nenhum problema.

Afinal, nós queremos estabelecer um sistema que inclui todos os vasos e Luzes, isso é Malchut de Ein Sof (Infinito) no qual estamos unidos, conectados na medida em a Luz é revelada no vaso. Nós fomos criados lá na primeira fase, na segunda fase nós corrigimos nossa atitude (e nada mais! só nossa atitude), e na fase três nós podemos perceber e compreender o mundo em que estamos.

Não há nenhuma imagem externa a nós para a qual temos que trabalhar e que temos que alcançar; nós podemos apenas imaginar as intenções e os cálculos desta forma esquemática: primeiro (1) nós criamos um vaso, e, em seguida, (2) na medida em que podemos nos conectar de acordo com a lei da equivalência de forma, nós descobrimos o Criador neste vaso, de acordo com o princípio do “venha e veja”. Mas o lugar continua a ser o mesmo lugar, o mesmo desejo, a mesma Malchut, que permanece inalterada.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 25/02/13

Dois Níveis Da Torá

Dr. Michael LaitmanA Torá nos é dada em dois níveis. Um deles é o nível do homem comum, que determina a estrutura de sua comunidade e família. Afinal, ele tem que acreditar em alguma coisa, manter-se na estrutura, talvez até mesmo para aspirar a alguma coisa, se ele desenvolve algum tipo de desejo mais elevados. Mas, em princípio, a Tora foi dada para elevar as pessoas até o nível do Criador, onde não existe matéria, organismos, ou imagens.

Por um lado, esta força incorpórea controla tudo, incluindo a nossa matéria; ela leva a algum tipo de imagem, a algum propósito. Por outro lado, ela própria não é sentida. Como nós podemos tratá-la? Não há como. É por isso que há milhares de anos as pessoas oram, choram e se atormentam, não importa o que elas fazem, e não há reação.

E com razão ela está ausente. Nós não chegamos ao Criador. Para entrar em conexão com Ele, nós precisamos estar no mesmo nível com Ele, ou pelo menos tentar estar no mesmo nível.

É por isso que a sabedoria da Cabalá foi revelada, e explica como é possível solicitar essa força, que não é sentida, para nos elevar ao nível de senti-la, ao nível do diálogo, e ao nível da integração com ela.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 25/02/13

Transmitindo Espiritualidade De Uma Pessoa Para Outra

O professor fica na frente, ele vê mais longe e orienta os alunos. Mas, se um aluno tem suas próprias ideias a respeito de seu desenvolvimento e da correção do mundo, ele já é seu próprio professor. Ele pode continuar a ser um estudante e acreditar que o professor está errado sobre a direção do desenvolvimento. Ele não pode receber a realização espiritual do seu professor, mas só pode receber o conhecimento teórico, a sabedoria. Assim, ele não estuda Torá, que é o meio, as instruções de como alcançar o atributo de doação; estudar significa estar em contato com o superior através da realização de ações diferentes. Não tem nada a ver com a mente, como ele diz, “não é o sábio que aprende.” Um aluno recebe a força de doação do seu professor por sua conexão com ele.

A força da doação é transmitida por um canal interno, uma vez que não é filosofia nem a ciência teórica. Assim, todos podem receber essa força, tanto o mais estúpido e o mais sábio. Sua transmissão depende apenas das ações necessárias que cada pessoa realiza com o meio ambiente, submetendo-se, elevando o seu professor, e conectando-se com o grupo, para que todo o grupo se conecte ao professor que representa o nível superior, recebendo, assim, a correção dele. Isto é o que acontece em cada nível.

Se um aluno sobe, seu professor também sobe com ele, e se um aluno desce, então seu professor, certamente, desce com ele. Isto não é o estado real do professor, mas como ele é retratado para o aluno, tudo é em relação a quem alcança.

Quando uma pessoa só vem para estudar, ele não entende tudo isso em primeiro lugar. Ele tem que esperar até que ele começa a ouvir. Pode levar um par de anos, mas quando ele finalmente começa a ouvir, o grupo deve ajudá-lo pois caso contrário pode demorar décadas. Os amigos devem explicar-lhe que é impossível alcançar a espiritualidade, a menos que ela seja transmitida de uma pessoa para outra e somente se existe uma ligação entre eles e contato físico, o que significa que eles podem ver, ouvir, sentir, entender, e de alguma forma impressionar um ao outro, executar determinadas ações, estar em contato, e estar em interação mútua. Esta é a forma como foi organizado durante anos, e não pode mudar, já que é uma réplica das raízes espirituais.

A maravilha do último nível deste mundo é o lugar onde por minhas ações corporais posso trazer-Lhe contentamento ao subjugar-me, conectar-me a Ele, aderir a Ele por algum tipo de assistência material, e assim receber a revelação espiritual d’Ele. Como isso é possível? No entanto, eu posso fazer esforços no nível que eu possa fazê-lo já que não posso fazer mais nada. Entretanto eu não entendo o que é doação, não tenho a intenção de “a fim de doar”, mas posso atuar no nível corporal e é o suficiente para o momento.

Da 1 ª parte da Lição Diária de Cabala 6/05/13, Escritos do Baal HaSulam “Um discurso pela conclusão de O Zohar“

É Hora De Enfrentar A Verdade

Dr. Michael LaitmanNós recebemos um desejo de receber quebrado de modo que sejamos capazes de atingir o atributo de doação. Além disso, todos receberam uma centelha de desejo pelo Criador. Trata-se das pessoas em quem essa centelha foi acesa, enquanto outras não têm escolha e são totalmente gerenciadas por sua natureza. Somente as pessoas que têm a centelha, além do desejo de receber quebrado, anseiam atingir a meta espiritual sem ter escolha.

Se durante a lição elas ouvem que apenas através da nossa conexão podemos receber os poderes para satisfazer essa centelha, elas avançam pelo caminho da Luz, pelo caminho do “eu vou apressá-lo”. Mas se elas não conseguem ouvir, se não conseguem ser incorporadas no ambiente que pode acordá-las e torná-las mais sensíveis, elas vão avançar pelo caminho do sofrimento, pelo caminho do “em seu tempo”. Então, anos mais tarde, elas vão sentir que este caminho não leva a qualquer resultado, já que os pequenos poderes de todos não lhes permite sair do nível corporal.

Pode levar um longo tempo para se chegar a esse reconhecimento, mesmo 20 a 30 anos. Só mais tarde a pessoa é forçada a fazer um exame de consciência e enfrentar a verdade, e aceitar a condição de se conectar com os outros, a fim de receber o seu despertar, sem ter outra escolha. Então, o seu ponto no coração tem poder suficiente para satisfazer a si mesmo.

Só então ela começa a ouvir e trabalhar em si mesma, mas isso também não acontece de uma só vez, mas de forma gradual. Ainda assim, ela avança e tem um senso de direção. Ela entende que tem que aceitar e se render às condições que os Cabalistas falam e que são os fundamentos da Torá: a conexão entre as pessoas e o amor ao próximo, e não tentar escapar disso.

As pessoas tentam escapar e se esconder dessas condições em diferentes religiões e credos. Toda religião afirma que as pessoas devem manter os rituais, as ações externas pessoais ou públicas, tais como feriados e costumes que a caracterizam. É tudo feito para esconder a verdade e não lidar com a correção do ego da pessoa que a leva para “a fim de doar”.

Mas o caminho do sofrimento acabará por levar a humanidade a um beco sem saída e vai obrigar as pessoas a ver que não há escolha e que elas têm que ouvir o que a Torá diz. Então as pessoas vão perguntar como fazer isso. Portanto, nós temos que preparar o método ativo de correção para elas e tentar encurtar seu caminho de sofrimento.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 27/05/13

Um Empréstimo Em Termos Espirituais

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Paz”: Estas são as palavras do rabino Akiva: “O livro está aberto e a mão escreve”. Qualquer estado em que a geração se encontre é como um livro, e todos os malfeitores são como mãos que escrevem pois cada mal é gravado e escrito no livro até que eles acumulem a uma quantia que o público não o mais pode suportar. Nessa altura, eles arruínam esse estado mau e reorganizam-se num estado mais desejável. Então, toda ação é calculada e escrita no livro, isto é. no estado.

E ele diz, “Todos os que desejam pedir emprestado podem vir e pedir emprestado”. Isto significa que ele acredita que este mundo não é como uma loja aberta sem um dono, mas que há um dono presente, um lojista que permanece na sua loja e exige de cada cliente o preço certo pela mercadoria que ele está a levar da loja, isto é labuta na Sua obra enquanto ele é nutrido por essa loja, de uma maneira que é certa a o trazer ao propósito da criação, como Ele deseja.

Sua meta é atingir a doação. No entanto, a pessoa requer poderes para perceber isso, e ela não tem esses poderes. Ela os toma a título de empréstimo, mesmo que pretenda tudo para a doação. O mesmo ocorre se ela quiser reembolsar, isto é, não usar qualquer coisa para si. Ela usa o mundo inteiro para doação.

De acordo com os padrões do nosso mundo, é impossível declarar que uma pessoa como esta esteja tomando algo como empréstimo. Você percebe que nós pegamos um empréstimo para benefício pessoal. Aqui, tudo é diferente. A propósito, a proibição da Torá contra emprestar com interesse deriva disso. No mundo espiritual, nenhum empréstimo deve ser pago de volta com mais do que aquilo que foi recebido.

Portanto, as forças que eu não tenho no início eu tomo por empréstimo, mas não estou tomando para mim mesmo. Elas não são minhas. Eu só acrescento a elas um desejo pela doação. Em vez do Criador, eu doo a todos, e todo o meu objetivo é apenas transmitir essa doação de forma habilidosa, como se fosse de Suas mãos. Eu não tenho nada meu além do meu eu altruísta que contrai o desejo egoísta dentro dele e age acima dele. Portanto, eu não tenho nada a retornar.

Pergunta: Apesar de tudo isso, não está claro: Como uma pessoa pode pedir um empréstimo para si na espiritualidade?

Resposta: Eu disse que este é outro tipo de empréstimo. Você vê, eu não tenho os meus próprios poderes de doação. Além disso, eu (especificamente, eu) quero dar da mesma forma que o Criador. Eu tenho que transmitir e dar aquilo que Ele deseja para o mundo.

Este estado é descrito alegoricamente com uma metáfora que diz que o Criador quis dar às nações do mundo o método de correção. No entanto, elas não podiam aceitá-lo. Então, Ele usou um grupo de transição chamado Israel, que significa “direto ao Criador”. O povo de Israel é como um intermediário que conecta a Luz superior com o AHP. Graças a isso, Malchut pode subir à Bina e ser “adoçada” lá, de modo a passar a Luz de cima para baixo.

Isso é chamado de empréstimo só porque a pessoa não tem o poder de doação, e ela recebe isso do Criador. No entanto, ela não o utiliza para si, como é habitual no nosso mundo egoísta. Neste mundo, a pessoa procura primeiro beneficiar a si mesma, e depois, ela pensa no benefício dos outros, seja em questões financeiras, bem-estar ou prazer. Na espiritualidade, eu não peço para mim. Eu quero participar da vida do Criador. Esta participação se destina inteiramente à doação. Por isso, eu ativo todo o meu desejo no nível máximo. Tudo o resto eu mantenho temporariamente “fechado” sob a restrição.

Pergunta: Portanto, por que é necessário pedir um empréstimo como este para a meta de doar?

Resposta: Isso é chamado de subida, uma solicitação de correção (MAN). Do Criador, eu peço poder para ser capaz de examinar e corrigir a própria ação. Eu quero que Ele faça isso, como está escrito: “Revista-se em mim e realize a ação de doação”. É como uma criança que pede ajuda à sua mãe ou simplesmente chora e a mãe vem e ajuda. O problema todo é transformar num “choro infantil” internamente. E leva tempo para se aprender isso….

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/04/13, “A Paz”

O Equilíbrio Elimina Contradições

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos explicar para a humanidade a razão de todas as contradições existentes? As pessoas não estão sequer interessadas ​​na pesquisa do “Bóson de Higgs” a “partícula de Deus”, realizada no Grande Acelerador de Hadron do CERN. As últimas descobertas afirmam que qualquer instabilidade pode fazer o mundo inteiro e toda a massa desaparecer a qualquer momento. Como você pode explicar isso aos seus alunos?

Resposta: Não há nada de ambíguo nisso, já que eu considero o mundo como duas forças: positiva e negativa, doação e recepção. Não importa a forma como as denominamos. Estas duas forças constroem o universo inteiro, e não apenas este mundo, mas até mesmo os reinos que são muito mais elevados do que o nosso e que não sentimos com nossos cinco sentidos materiais animais.

Para desenvolver este padrão de percepção e observar o mundo através da recepção e doação, nós temos que subir a este nível. Nós ainda estamos na fase egoísta elementar de recepção, o que significa que tudo o que fazemos é consumir tudo o que nos rodeia. A Torá nos diz que temos que doar: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Se conseguíssemos equilibrar a recepção e a doação, e atingir o equilíbrio, nós perceberíamos que o nosso mundo desaparece entre esses dois estados e a dimensão superior (o mundo das forças) surge para nós.

De KabTV “A Crise Global”, 19/03/13