Textos na Categoria 'Nações do Mundo'

Separar-se Da Infância

Laitman_115_05Duas ideologias, hebraica e grega, colidiram nos dias dos Macabeus. A primeira falava do bem ao próximo, a segunda falava do benefício pessoal em detrimento de outros.

Este conflito é ainda relevante hoje. Afinal, a abordagem judaica não é uma abstração; é um caminho altamente específico e prático para os tempos modernos. Esta não é apenas uma percepção do mundo, mas também instruções para o uso diário.

Nos dias dos Macabeus, estas instruções lhes permitiram vencer a guerra espiritual para a percepção do mundo, para a relação com a natureza, com a pessoa, com a sua existência e essência, e mais importante, com a sua meta de vida. Os gregos viam o propósito da vida como um sucesso material, um bom corpo, e os Macabeus, pelo contrário, destinavam-se a elevar o espírito para o bem do por que uma pessoa vive.

Pergunta: Por que a vitória dos Macabeus foi temporária?

Resposta: Porque há um programa da criação de acordo com o qual nós deveríamos resistir por algum tempo antes da destruição do Segundo Templo.

Em geral, ao longo da história, a humanidade se desenvolve aumentando o egoísmo, enquanto o povo de Israel se desenvolveu espiritualmente desde o tempo de Abraão, passando pelo Egito, a construção do Primeiro Templo, e depois, o retrocesso ocorreu a partir deste elevado nível espiritual até o colapso do Segundo Templo há dois mil anos; isso não acabou com a nossa tendência de unir em prol da revelação do Criador.

Em cada geração o egoísmo crescente nos divide cada vez mais, e hoje nós vemos em primeira mão que não há um povo assim, mas apenas uma coleção de exilados.

Tudo é construído no programa de desenvolvimento do mundo. Por outro lado, é dito que no final do século XX nós começamos a trabalhar na integração do povo, onde em nossa unidade nós revelamos a força superior. Mas vai ser uma libertação completa, na medida em que vamos levar toda a humanidade a nos seguir.

Em geral, o termo “libertação” significa a revelação da força superior. No curso de seu desenvolvimento, a humanidade deve formar a capacidade de revelar o Criador (Bore), que significa “venha e veja” (Bo-re). Em outras palavras, nós precisamos nos desenvolver num determinado processo até chegarmos ao estágio em que “vemos” o Criador e O revelamos em todas as sensações formadas.

Tendo chegado a esta fase, as pessoas se sentem vivendo numa dimensão mais elevada, fora do corpo. O corpo está lá, mas a sua importância é reduzida; ele desaparece. Agora, as pessoas empregam diferentes sentimentos, o sentimento de doação, amor e união entre si. Então, todos os pequenos sentimentos egoístas relacionados com o corpo animal, nossos relacionamentos primitivos, gradualmente se dissipam.

Precisamente na medida em que nós amadurecemos, a infância e a adolescência passam. Ao longo do tempo, nós deixamos os nossos jogos e a diversão juvenil na caixa de areia.

A mesma coisa vale para o caminho espiritual; começando o “jogo” no mundo superior, nas forças superiores, ao sairmos do corpo humano, nós revelamos a realidade superior. Então o nosso passado, os jogos “infantis” se desvanecem e dissipam.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/12/14

O Direito De Escolher, Parte 4

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em cada pessoa um imenso ego tem crescido de modo que ela se sente um rei. Como será se ela corrige o seu ego e o ódio para com os outros em amor?

Resposta: Em primeiro lugar, nós esclarecemos que todos nós dependemos uns dos outros, como órgãos de um único corpo. Portanto, não temos escolha; nós devemos nos conectar de forma mútua e correta para que todos trabalhem para o bem de todos. O sistema que é construído por nós deve ser integral, fechado e pleno.

Na mesma medida em que nos aproximamos de relacionamentos como estes, ao nos completarmos mutuamente, nessa medida nós começamos a sentir o poder que está agindo dentro de nós. Entre nós, e dentro de nossa conexão, a força integral que chamamos de “superior” é revelada.

Nós começamos a descobrir isso um pouco, mesmo nos workshops regulares e durante as discussões nos círculos que nós organizamos em diferentes lugares, inclusive nas ruas. É assim que demonstramos às pessoas como, com a conexão correta, até mesmo uma conexão espontânea como essa que dura apenas uma hora, é possível sentir uma espécie de força, um humor único, uma sensação incomum. Algo mudou, e até mesmo o mundo parece diferente.

Pergunta: O que é essa coisa única que a força integral traz para nossas vidas?

Resposta: Esta força integral nos obriga a mudar nossas vidas para sermos semelhantes a ela. Todo mundo se torna consolidado, conectado, e cada um sente todos os outros.

Pergunta: Onde desaparecerá esse ego tão poderoso que obriga cada um a sentir que é como um rei?

Resposta: O ego permanecerá, uma vez que nos conectamos acima deste ego! Como se diz em Provérbios 10:12: O amor cobre todas as transgressões. Cada um vai sentir que é um rei, e, especificamente, com o seu poder real, vai querer fazer todos felizes. Ele vai querer ser um bom rei. Por que você acha que ele vai ser um déspota do mal?

Pergunta: Mas se cada um sente que é um rei, como todos estes reis vão se dar bem juntos?

Resposta: Num sistema integral, cada indivíduo é tão importante quanto todos os outros. Isso porque, se ele não executa o seu papel, todo o sistema vai quebrar.

Pergunta: E quem obriga cada indivíduo a executar o seu papel?

Resposta: O sistema mantém e suporta uma pessoa e a obriga a agir, e por isso ela dá tudo para fazer isso. Este apoio mútuo é chamado de um pacto, o poder de Arvut (garantia mútua), que deve existir entre todos.

Pergunta: Existe uma chance de que Israel se torne estável?

Resposta: Nós vamos estar prontos para fazer isso, pois nenhuma outra escolha permanecerá. Mas a questão é, será que chegamos a este através do caminho do sofrimento ou graças a um entendimento e conscientização, através do qual é possível avançar por um caminho curto e agradável?

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/12/14

Construção De Uma Nação Modelo

Dr. Michael LaitmanNós só podemos resolver os nossos problemas no nível social através das relações entre nós. A humanidade é um sistema geral, um corpo geral, que deve ser gerido de forma adequada para que se sinta bem em qualquer momento de sua existência.

Que forma deve assumir a humanidade na medida em que se desenvolve? É claramente avançando em direção a certo estado, certa forma, a um objetivo. Nós estamos mudando e o mundo ao nosso redor também está mudando, e nós nos desenvolvemos para melhor ou para pior.

A questão é o que a natureza exige de nós? Estudando as leis da natureza nas últimas décadas, nós começamos a perceber que a natureza é um sistema integral completo onde cada componente está conectado a todas as outras partes, assim como no corpo humano.

Portanto, todas as partes devem combinar mutuamente e não se opor. Mesmo que não pareça assim, é só porque não sabemos como elas se integram.

A natureza proveu a humanidade com ótimas condições, com exceção da conexão entre as pessoas. Estas devem ser as conexões de uma nova qualidade, para que não avancemos por golpes, pelo ego, ódio, falsidade, guerras, e dominando outros.

Agora todos nós estamos cozinhando numa panela. Se algo ruim acontece com alguém, acabará por ser ruim para todos. Neste mundo global, nós temos de construir uma sociedade homogênea na qual todas as pessoas são iguais, estão devidamente conectadas entre si e se complementam reciprocamente. Tal sociedade é baseada nos princípios de igualdade, a conexão correta em que há espaço para todos, na educação correta para crianças e adultos, e concessões mútuas, até que juntos, chegamos às conexões de amor. Afinal de contas, não pode haver certas partes que desejam se devorar num só corpo, a menos que seja câncer.

Pergunta: Qual é o trabalho complementar indispensável entre todas as partes em relação a Israel?

Resposta: Israel precisa disso muito mais do que qualquer outra pessoa. É porque a nação de Israel deve ser a primeira a perceber este processo e cumpri-lo, a fim de estabelecer um exemplo para os outros, para ser Luz para as nações. O papel da nossa nação no mundo é ser uma nação modelo. Esta é a razão de nós sermos odiados, porque mostramos a todos o oposto e definimos um exemplo negativo.

Pergunta: Como o desenvolvimento da sociedade israelense é expresso no plano da natureza?

Resposta: Deve ser uma comuna, uma conexão, de acordo com o princípio de “todos de Israel são amigos”, e “ama teu amigo como a ti mesmo”, para que ninguém falhe, não exista grande ou pequeno, e todo mundo esteja igualmente conectado. Todo mundo só deve se preocupar com a conexão máxima entre as pessoas em complementação mútua.

É exatamente assim como o corpo humano, como cada órgão, complementa todos os outros, e, como resultado, o corpo funciona corretamente.

Pergunta: Será que um determinado líder, que entende o plano de nossa evolução e vê pelo menos um ou dois passos à frente, pode ganhar a confiança do público?

Resposta: Não. Primeiro ele teria que explicar a sua abordagem ao público e prová-la, trazendo evidências da ciência e da sabedoria da Cabalá, e, assim, gradualmente fazer o público se acostumar com o novo modelo. É porque as pessoas só querem resolver seus problemas diários e isso é tudo.

Portanto, eles devem primeiro ser preparados para entender a situação atual e o que está acontecendo, por que somos chamados de nação de Israel, por que o mundo inteiro se relaciona conosco de uma maneira especial, e o que devemos ser. É porque de acordo com o plano da natureza nós somos a mais especial de todas as nações e não podemos fugir do nosso papel.

Pergunta: E se as pessoas não acreditam nisso, será que nos desenvolveríamos de forma diferente?

Resposta: Não. Nesse caso, a natureza vai nos obrigar a cumprir o nosso papel, mas apenas sob o recebimento de duros golpes. Se não quisermos entender e aceitar esse papel, vamos aceitá-lo sob a pressão de problemas e dificuldades, incluindo guerras e até mesmo guerras nucleares.

Pergunta: Se um determinado líder consegue perceber o plano da natureza e avançar ao longo do caminho correto, que medidas específicas ele deve tomar?

Resposta: Em primeiro lugar, ele deve levar o plano educacional para toda a nação por meio da mídia, escolas, creches e locais de trabalho. Educação refere-se a conhecer a natureza. Em Gematria, natureza (Teva) e Deus (Elokim) têm o mesmo valor. Vamos reconhecer quem nos governa e o que Ele quer de nós. Esta é a única maneira de melhorar a nossa vida e prosperar.

Isto é o que acontece com uma criança que não ouve seus pais, mas depois, no final, entende e faz o que os pais necessitam. Então, naturalmente, a atitude deles em relação a ela muda para melhor. Assim, isso significa que nós alcançamos a solução para todos os nossos problemas, incluindo os problemas de saúde, as guerras, o alto custo de vida, etc. Tudo vai dar certo e avançar sem problemas, e, portanto, vamos receber tudo, até mesmo antes de pedir por isso.

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/12/14

Ganhando O Jogo Contra O Ego

Dr. Michael LaitmanToda a Torá trata apenas dos estados interiores de uma pessoa. A família de Jacó com apenas setenta pessoas atinge o Egito e se estabelece entre os egípcios. Os setenta representantes da nação de Israel são os setenta principais atributos altruístas que descem ao desejo de receber, ao seu ego.

Primeiro eles atingem altas posições no Egito e se tornam administradores, mas aos poucos os egípcios, ou seja, os desejos egoístas de uma pessoa, começam a escravizar seus atributos altruístas e a subjugá-los.

Pergunta: Por que a nação de Israel desce ao Egito?

Resposta: A questão é que é impossível se desenvolver espiritualmente neste mundo e avançar para o mundo espiritual se você não subir para novos níveis na escada espiritual, que é suportada pelo seu ego. Os níveis da escada espiritual são construídos com a matéria do ego humano, e quanto mais o ego cresce, mais a pessoa sobe ao superá-lo. Esta é a única maneira de ascender deste mundo para o nível do mundo superior, de Malchut à Bina.

Portanto, é impossível administrar sem a escravidão no Egito, sem o Faraó, e sem todas as figuras perversas que são reveladas na Torá. Todos estão em seu coração.

Os filhos de Israel descem ao Egito porque há fome na terra de Israel, ou seja, não há nenhum lugar para avançar na espiritualidade se você não anexar cada vez o seu ego a isso, corrigi-lo, e depois subir. Esta é a única maneira dos níveis espirituais serem construídos. Por isso a família de Jacó não tem escolha a não ser ir para dentro do ego.

No entanto, eles não levaram em conta que um novo rei sobe no Egito, “um novo rei que não conhecia a José”. O novo Faraó é o mesmo desejo de receber que, de repente, começa a crescer acentuadamente numa pessoa. A pessoa quer desenvolver o atributo de doação dentro dela, sonha em ascender nesta vida a uma forma mais sublime de existência. De repente, ela vê surgir nela apenas pensamentos e desejos que a afastam disso e que a agarram pelos braços e pernas.

Ela sente como se uma carga pesada fosse colocada sobre seus ombros. Isto significa que um novo rei sobe no Egito, que não conhecia a José. O novo ego não quer jogar com a pessoa, não tem contas com ela, e só quer uma coisa: que você trabalhe para ele como um escravo.

Ele lhe obriga a viver como todos os outros neste mundo, como todos os egípcios, e a ser ainda mais egoísta do que eles. Infelizmente, os israelenses hoje conseguem ser escravos leais do ego.

Os judeus ganham prêmios Nobel e são muito bem sucedidos em todo o mundo e até mesmo têm orgulho com o fato de que são mais bem sucedidos corporalmente do que todos os outros. Nós temos tido o maior orgulho em sermos os campeões europeus de basquete, aprendemos jogos dos gregos e começamos a jogar estes jogos corporais ainda melhores do que eles.

Nosso ego está pronto para trabalhar em seu próprio benefício e isso é chamado de Faraó. Se os desejos por doação, espiritualidade, conexão e unidade, que devem ser um exemplo para todos, são revelados dentro de nós, o Faraó, que é a força do ego que nos gere, imediatamente os mata.

De KabTV “A Torá – Capítulos com Shmuel Vilozni” 15/12/14

O Macabeus E A Ideologia Grega, Parte 3

laitman_276_02Nós devemos entender que os judeus não desfrutavam da cultura grega, como autores contemporâneos tentam retratar. Eles simplesmente não entendem a essência interna do povo judeu e o que significava ser judeu na terra de Israel, o povo de Israel na nação de Israel naqueles dias.

O grego e as ideologias judaicas são basicamente duas perspectivas opostas. Todas as outras ideologias, tais como a ideologia grega ou outras ideologias, vieram do homem, que é uma criatura corpórea, um animal, um egoísta. Uma pessoa só pode vir com uma ideologia que vise o seu próprio benefício físico.

Os antigos gregos, a propósito, adoravam atletismo e esportes. Eles construíram estádios, realizaram Jogos Olímpicos, e estavam geralmente inclinados ao hedonismo. Basicamente, qualquer coisa que ajude a pessoa a alcançar o objetivo da criação é boa, mas se eu simplesmente desfruto de força, agilidade e resistência enquanto o corpo está vivo, eu vivo para ele.

Isto também é verdade em relação a outros conceitos estéticos e filosóficos. Eles são todos corporais e vêm dos cinco sentidos do nosso corpo e não excedem a sua percepção estreita.

O problema é que essa limitação é evasiva e não pode ser notada, a menos que a pessoa sobe acima dos seus cinco sentidos e diga adeus ao seu corpo e se eleve a um nível superior, não após a sua morte, mas sim aqui nesta vida.

A ideia é perceber a realidade acima dos cinco sentidos corporais que são o desejo de compreender, conhecer e sentir o que está ao nosso redor. Todos os sentidos de uma pessoa percebem tudo de uma forma egoísta, internamente, de acordo com o princípio da absorção em si mesmo. Em tal estado eles não podem perceber mais do que é ditado a eles pela limitação de tempo, espaço e movimento, bem como em função da tolerância de cada órgão sensorial.

É com base nesta percepção que os gregos estabeleceram a sua ciência e o reino dos mitos, que inclui contos de fadas terrestres sobre as relações entre os seus deuses. É assim como eles imaginavam as leis da natureza, sob a forma de um panteão olímpico onde os deuses flertam um com o outro, se casam, se divorciam, vivem em paz ou brigam.

Esta é uma imagem muito primitiva, que obviamente é totalmente errada. Portanto apenas livros infantis mantém isso para as próximas gerações, e eu não os recomendo, porque eles estabelecem uma concepção errada da natureza numa pessoa.

Consequentemente, apenas o básico da natureza e da terminologia científica são deixados de toda a antiga cultura grega.

Quanto à tradicional perspectiva judaica, ela é realmente inclinada para fora. Na sua estrutura, nós não precisamos absorver dados da natureza e processá-los por nossos sentimentos e mente. Nós precisamos sair de nós mesmos e ser incorporados em outros fora de nós mesmos. Assim, nós podemos melhorar as nossas ferramentas de percepção e torná-las ilimitadas e infinitas.

Afinal de contas, eu saio de mim mesmo, deixando meu corpo, não querendo permanecer nele. Ele só me limita e não me permite compreender as coisas como elas realmente são. Eu não consigo nem sentir algo, já que estou preso nos estreitos limites dos meus sentidos.

Além disso, quando eu percebo a informação através dos meus cinco sentidos, eu a processo calculando o meu ganho pessoal. É inevitável, porque esta é a forma como meu corpo funciona graças à sua força egoísta. Portanto, fora de todo o mundo que me rodeia, não importa o que seja, eu só percebo o que pode entrar nos meus cinco sentidos egoístas, o que é certamente em meu benefício ou pode me trazer prejuízos nos limites de certo sentido.

Nós não distinguimos todos os outros fenômenos que nos rodeiam. Ao mesmo tempo, podemos usar os instrumentos que expandem um pouco nossos limites, mas também percebemos esta informação através do prisma do nosso ganho pessoal.

Acontece que, se eu quiser ser um verdadeiro pesquisador, eu tenho que ser independente de tudo. Isso é possível? Afinal, eu nasci um egoísta, e por definição só vejo o que é bom ou ruim para mim, o que é agradável ou desagradável, benéfico ou prejudicial.

Eu filtro o fluxo de dados externos de forma automática e inconsciente, isolando apenas o que meu ego considera que vale a pena e ignorando tudo o resto. Esta é a razão de todos nós vermos o mundo e o avaliarmos de forma diferente.

Ao mesmo tempo, há uma percepção distinta que é oposta à percepção grega natural. De acordo com essa percepção, eu tenho que transcender o que acontece comigo aqui neste planeta, sair do meu ego e subir acima de mim mesmo com o meu eu, se eu quiser ser um verdadeiro cientista objetivo e independente, que não pode ser encontrado no formato ordinário deste mundo.

Há um método que por uma série de exercícios e com a ajuda do ambiente e dos amigos permite que uma pessoa comum realize tais mudanças nela: expandir sua percepção natural e adicionar uma percepção sobrenatural, o que significa uma percepção que opera além do ego natural de uma pessoa.

Assim, eu posso desenvolver sentidos adicionais dentro de mim que não são baseados na absorção interna, mas na doação, quando eu estou pronto para dar, amar, doar, e estou pronto para estar acima de mim mesmo. Amor e doação são opostos a partir da percepção da recepção, da auto-apreciação e do ódio.

É por tal abordagem que eu começo a observar a realidade que está além dos meus vasos egoístas de percepção. Estes vasos percebem apenas miseráveis dois por cento de todo o espectro e também distorcem a imagem, apresentando-a para mim na forma deste mundo.

Mesmo hoje os físicos dizem que chegaram a certo limite e que não podem transcendê-lo. Embora exista, sem dúvida, algo além disso, eles não sabem como tocar o que está escondido no outro lado…

De KabTV “Uma Nova Vida” do KabTV 14/12/14

Os Macabeus E A Ideologia Grega, Parte 2

Dr. Michael LaitmanAté agora, nós esgotamos todas as possibilidades da abordagem egoísta em todas as áreas, seja na educação, cultura, cotidiano, família, relações entre povos e nações, capacidade de continuar a exploração do universo e assim por diante. A limitação da consciência egoísta do mundo já está tão perto que podemos senti-la.

Isto não está só falando sobre o colapso da ciência, mas sobre seu fim, sobre a linha onde termina a sua capacidade de aprender e explorar a natureza de uma forma introvertida, com base em nosso desejo egoísta. Há ainda uma infinidade de coisas e fenômenos do mundo, mas não temos o poder de alcançá-los; não temos a capacidade de perceber e descobri-los. Eles permanecem “invisíveis” para os nossos atuais sentidos.

Por outro lado, quando eu subo acima da pesquisa de acordo com o modelo “grego” e quero ir lá fora, no sentido da doação e amor, eu subo acima do meu “eu” humano, material, bestial e quero sentir a realidade da natureza como ela é, sem interferência do “feito por mim mesmo”, sem um “filtro” orientado para benefício pessoal.

Primeiro a pessoa percebe a realidade e depois a investiga. Portanto, eu quero perceber a realidade sem preconceito, sem qualquer “filtro”, sem qualquer interferência interna. Eu quero vê-la como ela realmente é.

Depois, ao trabalhar em mim mesmo, eu descubro que, essencialmente, ela é inteiramente imenso amor e doação. Há uma multiplicidade de sistemas que funcionam de acordo com esse poder. Eles estão ao nosso redor e eu posso criar uma conexão com eles, graças à qual posso entender o que realmente está acontecendo.

Porque além do convencional dois por cento, todo o resto dos detalhes da realidade são especificamente encontrados lá no sistema de doação. Além disso, nós chamamos isso de sistema “superior”, porque é especificamente ele que direciona, inspeciona e determina tudo o que está acontecendo.

Retornando ao feriado de Chanucá: era por isso que os Macabeus estavam brigando; por um senso de realidade e uma atitude judaica em relação a isso. Ou nosso próprio método extrovertido estaria em sua fundação, que ultrapassa as limitações da percepção corpórea e materialista, ou o contrário, estaríamos satisfeitos com uma percepção estreita do corpo, que significa a versão “grega”. A luta foi realizada entre essas duas sensações opostas naqueles dias.

Pergunta: O que podemos deduzir e aprender desse dia?

Resposta: Hoje, após dois mil anos da percepção “grega”, nós devemos abandoná-la. Portanto, toda essa percepção, juntamente com a sua ciência e cultura, afundou numa crise. Agora os judeus e aqueles que entendem que têm razão devem sair da sociedade humana, novamente adquirir uma percepção objetiva do mundo e levar todo mundo para este nível.

Então, nós abordaremos o estudo da verdadeira realidade, onde todo o mundo infinito é colocado diante de nós e nós sabemos como nos adaptar a ele como criaturas ilimitadas vivendo felizes dentro da eternidade e plenitude.

Isto é o que hoje é chamado de “Guerra dos Macabeus”.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/12/14

Contra O Que Lutaram Os Macabeus?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós sabemos que os Macabeus não lutaram só contra os gregos, mas também contra os helenistas. Sobre o que é este conflito? É sobre duas ideologias opostas?

Resposta: O conceito de helenismo é uma percepção da realidade, um paradigma, uma cosmovisão, uma filosofia e uma perspectiva do mundo. As percepções de mundo dos gregos e dos romanos eram totalmente egoístas.

Eles alegavam que o homem é o centro da criação e que ela não é ruim e não é um erro. O homem era considerado uma criatura perfeita, o que significa que sua evolução foi concluída e que ele não pode mudar sua natureza. De acordo com essa percepção a evolução só poderia ser:

•Física — esportes e Jogos Olímpicos;

•Racional — a fabricação de mitos e fantasias, que eram comuns naqueles dias.

A sabedoria da Cabalá é a abordagem que permitiu que a nação de Israel saísse da Babilônia universal, que é a base para todas as outras percepções, incluindo a percepção grega e a evolução natural do desejo e da mente para alcançar uma boa vida neste mundo. Todas as outras percepções sobre a nossa natureza se referem a este mundo.

Esse método se baseia na absorção, na percepção e na recepção, com a ajuda do ego feroz que constantemente se desenvolve numa pessoa. Esta força é como uma mola apertada que é liberada dentro de nós, constantemente nos empurrando para diferentes prazeres.

Assim, nós cozinhamos dentro do nosso ego, cada um em sua própria panela, e todos juntos numa panela gigante. Este processo nos ajuda a avançar cientificamente, culturalmente, em esportes e em outros aspectos que tornam nossa vida mais confortável. Graças ao ego que constantemente queima dentro de nós como parte da nossa natureza, nós construímos coisas fantásticas para nos satisfazer.

Mas há uma abordagem oposta, segundo a qual nossa natureza é basicamente má. Por quê? — Porque ela não é para a conexão entre as pessoas, mas leva à separação entre elas. Afinal de contas, cada um estabelece relações com os outros apenas para benefício próprio. Portanto, esta abordagem é falha e destrutiva.

Minha natureza me obriga a tirar proveito de tudo que se passa em torno de mim, de todo mundo que está ao meu redor. É tudo para me agradar. Este é um desejo natural, meu atributo inato. Em qualquer momento eu peso meus movimentos para utilizar o mundo egoisticamente.

Isto leva ao desprendimento, porque nós estamos numa luta contínua entre nós, em competição, que é a base da cultura grega antiga. Os Jogos Olímpicos são um exemplo claro disso. No final, a abordagem grega requer o uso dos outros para o nosso próprio benefício.

Por outro lado, nossa nação acredita em valores totalmente diferentes. Abraão reuniu seus alunos e explicou-lhes que fossem estabelecer uma sociedade que deveria viver nos princípios da mutualidade, unidade e amor. A essência da abordagem judaica significa que o outro é mais importante que eu.

Essa percepção que Abraão iniciou foi realizada no Egito, Monte Sinai e na terra de Israel e foi aceita até dois mil anos atrás. O princípio permaneceu inalterado: desenvolver-se constantemente em benefício dos outros, para que eles sejam mais importantes para mim do que eu.

Mas o que eu ganho como isso? Afinal, esta abordagem também se baseia no ego porque nós não temos nada mais que isso.

Tal atitude para com os outros me permite sair de minha natureza, ascender acima de minhas limitações, acima do meu corpo e sentir o mundo através dos outros que são mais caros para mim do que eu.

É exatamente assim que uma mãe vê o bem-estar do mundo através do bem-estar de seu filho. É como se ela se vestisse nele, e assim ela não funciona de acordo com seus próprios desejos, mas em benefício dele.

Se eu me vestir assim em toda a humanidade, verei um mundo totalmente diferente e perfeito independentemente dos meus atributos, desejos e limitações.

A abordagem grega se baseia na absorção, enquanto a abordagem judaica se baseia na doação, na saída de mim mesmo, o que me permite descobrir a força da natureza que opera no exterior. Além disso, eu adquiro a força do amor e da doação pela qual exploro toda a realidade.

A principal coisa é que eu descubro a força superior que criou toda a realidade espiritual que opera em doação e, também, na realidade corpórea, egoísta que opera na recepção. Eu conheço a força geral e ascendo ao seu nível. Quando eu me separo do desejo egoísta do meu corpo, subo acima dele para uma dimensão eterna de amor e doação. Porque ela é eterna? Porque é plena e não lhe falta nada.

Por outro lado, a percepção grega pode, no final, contribuir com a pessoa durante sua curta vida corpórea e isso é tudo, visto que todos os seus objetivos não excedem o âmbito da existência física e o corpo não é eterno.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/12/14

Folheto: “Quem É Você, Povo De Israel?”, Em Alemão


A revista judaica NU com o folheto “Quem é Você Povo de Israel?” foi enviada a 4300 destinatários na Áustria.

A Chama Eterna Da Unidade

Laitman_931-01Pergunta: Como o seu professor (Rabash) se relacionava com Chanucá?

Resposta: Muito pouco era dito sobre Chanucá. Nós líamos um pouco sobre o feriado no livro do Ari, O Portão das Intenções (Shaar Kavanot).

A questão é que este feriado não vem da Torá em si. Chanucá simboliza um caso típico que do tempo de Abraão em diante deve se repetir continuamente. Ela simboliza as inúmeras correções que nos esperam ao longo do caminho espiritual.

Nós estamos numa guerra contínua contra os nossos inimigos internos egoístas e devemos constantemente nos conectar e unir contra eles. Assim, um milagre acontece na conexão entre nós: a força superior do amor.

Pergunta: É por isso que dizemos Chanu-kah que em hebraico significa uma parada ao longo do caminho?

Resposta: Uma parada ao longo do caminho é apenas metade da correção do ego, do desejo de receber, até o nível de doação. Mas nós não temos nada para doar e, assim, Chanucá simboliza a subida acima do ego. Esta subida é como a chama de uma vela que cintila acima do ego.

O óleo que é absorvido pelo pavio simboliza o nosso ego que deve ser corrigido dessa forma, de modo que, em contraste com a nossa natureza, ele dará a sua Luz. Isso acontece sob pressão interna, quando pretendemos nos conectar apesar do nosso ego, a fim de alcançar a doação completa. Esta é a essência de Chanucá.

A queima do óleo simboliza a nossa autoanulação perante o outro na conexão entre nós. O pavio é o nosso esforço coletivo para se conectar e unir, o qual acende o fogo.

O milagre é quando a Luz, que conecta Malchut (os nossos desejos egoístas) com Bina (o atributo de doação), chega. Oito dias (oito níveis) depois Malchut alcança o atributo de Bina e um novo ego começa a crescer, com o qual nós trabalhamos da mesma maneira.

Pergunta: Nós temos que chegar a um estado de unidade de um jeito ou de outro, quer ao longo do caminho da Luz ou ao longo do caminho do sofrimento. O que vai acontecer com Chanucá?

Resposta: Todos os feriados, exceto Purim, desaparecerão. Em Chanucá nós só subimos acima do nosso ego, enquanto em Purim nós o utilizamos a fim de trabalhar com a intenção para doar. Aqui nós usamos todo o nosso velho ego até o fim para que ele funcione plenamente em amor e doação. Assim, um estado como Purim é eterno.

É um estado de alegria superior que engole todos os outros estados e os feriados que lhes correspondem, e assim todos eles desaparecem.

Purim é o feriado mais sublime que simboliza o fim da correção da humanidade.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 17/12/14

Um Mundo Sem Fronteiras

Dr. Michael LaitmanA Torá “Levítico”, Parshat Kedoshim, 19:23-25: E quando tiverdes entrado na terra, e plantardes toda a árvore de comer, ser-vos-á incircunciso o seu fruto; três anos vos será incircunciso; dele não se comerá. Porém no quarto ano todo o seu fruto será santo para dar louvores ao Senhor. E no quinto ano comereis o seu fruto, para que vos faça aumentar a sua produção. Eu sou o SENHOR vosso Deus.

Pergunta: Qual é a intenção da divisão em três, quatro e cinco? O que é essa gradação dentro de uma pessoa?

Resposta: A pessoa que está envolvida em se corrigir tem cinco níveis de ego dentro de si mesma. Nos primeiros três níveis (0, 1, 2) ela ainda não pode sentir seus desejos egoístas, assim como uma criança que também é inconsciente de si mesma. Depois que ela passa por esses três anos, ela atinge o quarto nível, o nível do sagrado.

No quarto nível, o nível de Bina, ela deve dar todos os frutos que desenvolve no nível atual. Isso é chamado de “doar para doar”. E no quinto nível, a sua recepção será destinada a doar; portanto, neste nível, ela pode consumir os frutos de seu esforço.

No mundo físico, ao falar sobre cumprir a Mitzvah (preceito) de consumir frutas, nós devemos levar em conta apenas o que cresce dentro das fronteiras da terra de Israel, e não o que está fora da terra. Assim, de geração em geração, têm havido constantes debates sobre onde acabam as verdadeiras fronteiras de Israel. De acordo com as fronteiras bíblicas, todas as terras do Rei Davi, que existiam antes mesmo do primeiro Beit HaMikdash (templo), pertencem a Israel.

Isto incluiu uma área bastante ampla, que incluiu a Transjordânia, Síria e Líbano. Assim, quando nós trazemos uma fruta que cresce de lá, um problema é criado. Por um lado, os israelenses não desenvolvem a fruta, mas, por outro lado, não está claro no território de quem eles estavam trabalhando. Há muitas questões aqui, mas elas não nos afetam, uma vez que estamos envolvidos com a correção espiritual e não a correção física.

É dito: “E quando tiverdes entrado na terra, e plantardes toda a árvore de comer”. No trabalho espiritual, quando você chega a um desejo e começa a trabalhar com ele, ele se transforma do nível inanimado para o vegetal. Você só pode usá-lo “a fim de dar” depois de passá-lo pelas primeiras quatro fases: 0, 1, 2, 3 sem usá-lo, pois na quarta fase de Bina, tudo é transmitido ao Beit HaMikdash (Templo Sagrado). Apenas na última fase é possível usá-lo para si mesmo, porque agora a sua recepção será a fim de doar.

Pergunta: Você acha que as fronteiras físicas de Israel devem ser como naqueles dias do rei Davi?

Resposta: De acordo com o Talmude, houve um tempo em que as fronteiras de Israel se estendiam do rio Nilo, de um lado, incluindo o Sinai, e, do outro lado, até a Babilônia.

Eu suponho que não precisamos discutir isso, porque a correção que está forçadamente se aproximando de nós agora, destrói de qualquer forma todas as fronteiras e borra-as entre os diferentes povos, suas culturas, e todas as diferentes formas de vida. A correção unirá tudo e a mistura das pessoas em si vai se tornar a mesma Babilônia, exceto corrigida.

Pergunta: Por que isso não afeta diretamente Israel? Por que a mistura de diferentes povos ocorre em todos os lugares, ao passo que Israel é aparentemente deixado de lado?

Resposta: Porque Israel deve ser o professor, o líder da correção global, e deve prover a demonstração da correção.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 09/04/14