Textos na Categoria 'Nações do Mundo'

Escuridão Global Antes Do Amanhecer

Laitman_931-01Pergunta: Por que se diz que em cada geração a pessoa deve ver a si mesma como se tivesse saído do Egito?

Resposta: Não se trata de acontecimentos históricos, mas dos estados que devemos passar em cada geração. Apesar de já termos atravessado um determinado processo que nos aproxima uns dos outros e da sociedade, de termos nos corrigido de alguma forma, e dos nossos antepassados terem feito o mesmo em suas gerações, nossos filhos têm que repetir o mesmo processo.

Todo mundo nasce em seu ego, já que a natureza de uma pessoa é má desde seu nascimento, e nós temos que superá-lo continuamente e nos aproximar um do outro. Mas este processo não é infinito e já estamos nas últimas gerações que têm que terminar a correção.

No passado, esse processo continuou de uma geração para a outra, e agora restam apenas algumas gerações para completá-lo, na medida em que amarramos todas as gerações juntas na geração única do Messias. Isso é chamado de última geração, uma vez que resume todas as ações que nos aproximam um do outro e, assim, alcançamos o melhor estado.

Comentário: Infelizmente, nós não vemos que a sociedade atual está cada vez mais perto do estado corrigido. Todos os dias nós ouvimos falar de novos incidentes de violência no noticiário. Eu chamaria o nosso estado de catastrófico e sem correção.

Resposta: Isso é verdade e eu ainda estou muito otimista. Nós vemos a mesma sequência de eventos no exílio no Egito. Ele também começa de uma forma muito agradável nos sete anos de saciedade, quando os judeus vivem uma vida maravilhosa no Egito e têm os melhores e mais altos postos. Moisés se torna filho adotivo de Faraó e é criado no palácio, no colo do Faraó, como o príncipe do Egito. Parece que não se poderia desejar uma vida melhor. Mas depois chegam os sete anos de fome, de repente. Os filhos de Israel suspiram sob o trabalho duro. Um novo rei surge no Egito e eles começam a sentir como a escuridão cresce até que chegam as dez pragas do Egito. Estas pragas chovem sobre nós, a partir do Faraó, ou seja, do nosso ego, e realmente nos ajudam a escapar e nos obrigam a mudar a nossa atitude perante a vida: unir-se.

Hoje nós sentimos que o período da escuridão do Egito está começando mais uma vez, mas é geral, global, e em todo o mundo. Essa escuridão se destina a nos aproximar da redenção, mas primeiro vai ser muito escuro. Nós podemos entender que a escuridão é o sinal de um novo estado brilhante e maravilhoso; isso indica que nós queremos nos aproximar, mas não podemos. Como resultado, nós não precisamos receber golpes fortes, porque já sentimos que nos falta a força de amor e doação.

Mas, se desrespeitarmos o outro, os golpes do Egito certamente virão. Isso significa que tudo depende de nós agora. Se entendermos com um olhar, como uma criança que entende o aviso do seu pai e melhora o seu comportamento, então não há necessidade dos golpes.

Porém, se a criança não escuta, ela tem que ser punida e, no final, vai fazer o que é exigido dela. Tudo depende de quão bem nós podemos ouvir o que a sabedoria da Cabalá nos diz. Vamos esperar que possamos ouvir suas advertências.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/03/15

Pessach É Um Lembrete Do Futuro

Dr. Michael LaitmanPessach nos lembra não só o passado, mas também o futuro.

Desde tempos imemoriais, a noite de Pessach tem unido as famílias judaicas ao redor da mesa do feriado. A festa é descoberta em todos os detalhes, embora seja estranha ao formalismo, e sua cerimônia sem pressa revive a saída da escravidão egípcia.

Mas se nós saímos do Egito, por que repetimos novamente: “Este ano somos escravos, no próximo ano seremos livres”?

Nossas fontes afirmam que por trás dos conhecidos acontecimentos e altos e baixos, há mais uma camada de informação que não se refere tanto à história, mas às relações humanas. Ou melhor, trata-se da unidade e do entendimento mútuo que o povo judeu chegou e que é tão necessário, não só para o povo judeu, mas especialmente hoje para toda a humanidade.

Um Copo De Vinho Para A Ascensão Espiritual

Laitman_509Pergunta: Por que se bebe vinho nos feriados, em particular a tradição de beber quatro copos de vinho na refeição de Pessach (Páscoa Judaica)?

Resposta: O vinho simboliza a Luz do preenchimento (Hochma) que vem até nós durante os feriados, permitindo que realizemos certa ascensão espiritual.

O vinho não é apenas um símbolo de alegria. Pelo contrário, ele prova que nós constantemente melhoramos a nossa conexão e nos aproximamos da revelação do mundo espiritual superior.

Assim que chegarmos a um estado chamado travessia do Mar Vermelho e transcendermos do desprendimento mútuo à conexão recíproca, vamos revelar novos relacionamentos benevolentes entre nós chamados de mundo superior.

Há quatro etapas que devemos percorrer para construir uma boa conexão entre nós. Elas são simbolizadas pelos tradicionais quatro copos de vinho que bebemos durante as refeições de Pessach.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/03/15

A Limpeza Diária No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é tão importante celebrar Pessach (Páscoa Judaica) e observar suas condições?

Resposta: Este feriado judaico não é para comemorar um determinado dia na história. Pelo contrário, cada dia você tem que sentir como se saísse do Egito, tudo de novo.

Sair do exílio não é um evento antigo que nunca vai acontecer de novo. Todos os dias você tem que subir ainda mais acima de seu egoísmo e unir-se com outras pessoas através de laços de bondade.

O que nós celebramos em Pessach é o fato de que temos esta oportunidade. Nenhuma nação além de Israel tem a oportunidade de subir acima de seu egoísmo, para se unir e começar a sentir realmente como nós subimos acima da nossa natureza.

Pergunta: Então, os feriados são um tipo de lembrete?

Resposta: Os feriados são um programa com o qual temos que trabalhar dia após dia. Tudo depende de qual nível a pessoa se encontra. Nós estamos sempre em movimento, através de estados interiores especiais chamados Pessach, Sucot, Shavuot, Tu Bishvat,  dia 9 de Av, e assim por diante.

Pergunta: Por que há uma tradição que é passada de uma geração para a outra de realizar a refeição festiva de Pessach, quando os pais dizem aos seus filhos sobre o êxodo da escravidão no Egito?

Resposta: É porque nós precisamos aprender – ensinar os outros – sobre a ordem de sair do Egito, ou a ordem em que nos elevamos acima do nosso egoísmo e nos unimos com os outros, alcançando finalmente a garantia mútua e a unidade em torno do Monte Sinai (a montanha de ódio mútuo). O pai tem que ensinar seu filho a maneira certa de se unir com os outros.

Tanto pai quanto filho (meu estado ontem e meu estado hoje) estão dentro de mim todos os dias. Tudo acontece dentro da pessoa e no interior da nação.

Pergunta: O que você diria a uma pessoa moderna que não vê qualquer outra coisa neste mundo que não seja ela mesma e seu telefone celular? Como você lhe diria sobre a conexão entre as pessoas, sobre os diferentes tipos de relacionamentos? Que tipo de nova vida você pode prometer-lhe?

Resposta: A harmonia universal, a conexão entre as pessoas, é semelhante a um time de futebol perfeitamente coordenado, ou até mesmo a máfia, que estão ligados por laços estreitos. Esta conexão sempre faz a pessoa se sentir confiante, feliz, lhe dá um bom senso de unidade e de inclusão mútua nos desejos dos outros. Ela pode chegar a uma unidade de tal magnitude que desde dentro ela vai saber tudo o que os outros sabem.

Como todos nós estamos dentro de um sistema, o conhecimento e as sensações do mundo inteiro podem fluir entre nós, sem qualquer limitação. Os cientistas estão revelando que o nosso cérebro é um modem conectando-nos ao repositório comum de informação que está no ar.

Pergunta: Por que as crianças de hoje não são tão felizes?

Resposta: Porque elas atingiram um nível de egoísmo que não podem encontrar satisfação. No passado, se uma família tinha um quarto para morar, isso era suficiente para que eles fossem felizes. Mas hoje cada pessoa precisa de um apartamento separado e um carro para dar uma volta sozinha. Nós estamos sempre nos isolando e cada pessoa se encerra dentro de si.

Ninguém se sente feliz, e a razão para isso é o nosso isolamento. A felicidade só pode ser sentida quando você sente como  a energia, a força, e o calor fluem dentro da nossa conexão com o outro.

A solidão é a escravidão egípcia e vale a pena sair dela.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 15/03/15

Nós Dependemos Uns Dos Outros

Pergunta: Existe uma razão para todos os nossos problemas?

Resposta: Se houver um conflito com nosso cônjuge, nossos filhos, nossos vizinhos, no trabalho, e até mesmo dentro de nós mesmos, isso significa que o nosso ego, chamado Faraó, nos domina.

Pergunta: Mas a escravidão no Egito, de que a Torá nos fala, só foi em tempos antigos e terminou há muito tempo.

Resposta: O Faraó nos domina o tempo todo, até mesmo agora. Os eventos descritos na Torá não estão relacionados a um determinado período de tempo e não são uma estória histórica. Nós ainda estamos escravizados ao mesmo ego, à nossa natureza egoísta, que não nos permite viver uma vida normal.

Nós vivemos em um mundo especial hoje, em um momento especial. Estamos todos conectados em uma rede, num mundo integral, uma economia integral, e dependentes uns dos outros. Se a comunidade internacional impõe certas sanções contra qualquer país, ela corta as suas ligações com aquele país, como o Irã, por exemplo, este estado cai, já que todo mundo depende de todo mundo. [Leia mais →]

Uma Ponte Entre Dois Infinitos

laitman_936Rabbi Kalonymus Kalman Halevi Epstein, Maor va Shemesh (Luz do Sol): A escrita implica que o objetivo da criação foi a de que nenhuma doação deve descer a não ser por intervenção de baixo e elevação de MAN, que a assembléia de Israel desperta, e, ao elevar MAN, todos os mundos ascendem e adicionam ao desejo de aderir a sua raiz.

Este é o principal deleite para o Criador, que Israel se purifique das profundezas da corporalidade e anseie se aderir ao seu Criador.

Há a Luz de Ein Sof (Infinito) e o vaso de Ein Sof. O vaso de Ein Sof é toda a humanidade, e há um tubo entre eles com uma válvula ou uma torneira, que somos nos. Quanto mais fortemente nos unimos, quanto mais abrimos a torneira, maior o fluxo da abundância superior que atinge o vaso de Ein Sof, toda a humanidade, através de nós.

Portanto, tudo depende da assembleia de Israel, da conexão das pessoas em quem as Reshimot (reminiscências) despertaram que as obrigam a ansiar pelo Criador, o que significa procurar uma conexão especial com Ele. Por outro lado, elas podem estar conectadas com o grande vaso de toda a humanidade.

Nós devemos determinar uma conexão mútua tanto com o nível superior como com o nível inferior, a fim de conectá-los através de nós. Na medida em que nos unirmos neste trabalho, vamos alcançar a doação .

No início, este trabalho é representado para nós como se houvesse a Luz Superior acima e um grande vaso abaixo, e nós estamos no meio como um tubo que transporta a Luz. Quando nos conectamos, abrimos o tubo, e a Luz e a abundância fluem através dele ao inferiores, corrige, conecta, e preenche-os.

Mas só agora é que nós acreditamos nesta forma esquemática. Mais tarde, veremos que é um pouco diferente, que o Criador já está no grande vaso da humanidade, e, portanto, nós entramos naquele vaso para encontrar o Criador.

É por nossa conexão que permitimos que Ele se manifeste nos seres criados, mas Ele já está neles. Todo este trabalho assume uma forma diferente. Nós começamos a sentir que o Criador e os seres criados estão aderidos como um, e só nós estamos fora desta conexão e unidade. Esta é a segunda fase do trabalho, e, depois, existe também uma terceira fase.

Nesse meio tempo, nós temos que imaginar este trabalho desta forma, como se fôssemos um tubo com uma torneira e que, de acordo com a nossa conexão, somos recompensados em transmitir a Luz Circundante ao circundado, ou seja, de Ein Sof da Luz ao Ein Sof do vaso.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/05/14, Conversa sobre a Importância da Unidade

O Mundo Inteiro Está Sobre Nossos Ombros

laitman_943Pergunta: Eu gostaria muito de ver a realização dessa mesma unidade do povo que você descreve. Mas eu vejo que ainda estamos muito longe de tal unidade. Brigas por toda parte explodem em todos os níveis: no lar, no trabalho, no governo.

Por outro lado, você disse que o meu dever é corrigir o mundo e trazer todos à unidade, como se o mundo inteiro estivesse em meus ombros. Como eu posso trabalhar com o mundo inteiro?

Resposta: Tente imaginar que você pode corrigir o mundo. Este mundo é dado a nós para que façamos o mesmo trabalho que Abraão fez na antiga Babilônia.

Ele começou a se unir e conectar as pessoas, explicando que a regra geral, “E você deve amar o seu amigo como a si mesmo”, é a principal lei. É impossível viver em contradição e oposição a esta lei; caso contrário, nós despertamos e atraímos problemas e desastres sobre nós mesmos.

Uma parte das pessoas ouviu Abraão e deixou a Babilônia com ele. Elas formaram o povo de Israel que viveu muitos anos de acordo com esses princípios. Nós não entendemos a singularidade do povo judeu, mas essa singularidade tem sido mantida até hoje só porque este povo viveu de acordo com o princípio da doação e do amor, a unidade.

Por esta razão, o povo judeu é original, e todos concordaram com isso. Hoje não vivemos de acordo com esses princípios, e apesar de tudo isto, algum tipo de partícula disso permanece em nós, a qual é recebida em algum lugar como uma memória. E através desta singularidade do povo de Israel, nós ainda recebemos o benefício da nossa unidade prévia.

Não há escolha; hoje nós estamos novamente nos aproximando da mesma situação. Organizar a vida para todo o mundo e nós mesmos só é possível trazendo-nos à semelhança e equivalência com a natureza. E a natureza é totalmente integrada e conectada; todos os seus elementos se complementam.

A ciência moderna está descobrindo essa integralidade e conexão mútua, e nós devemos começar a abordá-la. Para isso, precisamos subir acima do nosso ego, para a unidade geral. Nós esperamos ter êxito, de forma rápida e em breve.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 08/02/15

A Rede Que Vive E Respira

laitman_550Pergunta: Eu concordo que a salvação da nação de Israel está em nossa unidade, e eu estou tentando estabelecer boas relações com as pessoas em casa e no trabalho, mas vejo que mesmo os conflitos mais banais anulam imediatamente todos os meus esforços e levam à raiva e disputas.

Então, como eu posso alcançar esta unidade se não sou justo e facilmente explodo no momento em que alguém me corta na estrada?

Resposta: A sabedoria da Cabalá não é sobre as relações simples entre nós, mas sobre algo totalmente diferente. Ela ensina que se quisermos ver o mundo corretamente, devemos agir como se estivéssemos unidos, especialmente nesses casos, quando a raiva e insatisfação irrompem em nós.

Se há um conflito na estrada, no trabalho ou na família, e sabemos como trabalhar acima de todas essas interrupções, intensificando a conexão entre nós, a nossa unidade é estreitada por essa conexão e começamos a sentir como esse mundo é construído. Nós vemos como todos os elementos da natureza estão conectados, e começamos a ver e sentir que esta rede vive e respira.

Nós descobrimos que estamos todos nela, ligados por conexões sem fim, e que a distância entre nós não é vazia, mas sim como o ar cheio de ondas de rádio em todas as frequências ultra e infra. Nós descobrimos que estamos todos conectados e que esta conexão está em movimento contínuo, numa dinâmica especial.

Nós sentimos o fluxo da vida nessa conexão, e começamos a afetar a conexão entre nós e, consequentemente, o nosso destino. É porque o bom destino depende de nossas relações mútuas, e essa mudança está em nossas mãos. Então, não teremos que brigar com nossos vizinhos e seremos capazes de resolver todos os problemas pelas boas conexões entre a nação israelense.

Nós não teremos que depender das políticas de governos estrangeiros como Estados Unidos, Rússia e França. Nós podemos corrigir todo o mundo através do reforço e da intensificação da conexão entre a nação judaica. É disso que trata a sabedoria da Cabalá. Os judeus receberam essa oportunidade, e por isso é doloroso ver como estamos destruindo nossa própria vida e a vida de todo o mundo.

O mundo entende que a nação de Israel pode melhorar a vida de todos e que não o faz, e assim culpa os judeus por todos os seus problemas. Na verdade, a nação judaica é que pode afetar a rede de conexões entre todas as nações e tornar maravilhosa a vida de todos neste mundo.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 08/02/15

A Verdadeira Religião E A Religião Do Exílio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu o compreendo, a sabedoria da Cabalá veio do judaísmo e todos os Cabalistas do passado eram muito religiosos. Qual é a verdadeira conexão entre a sabedoria da Cabalá e a religião?

Resposta: A sabedoria da Cabalá é o fundamento da verdadeira “religião”. Baal HaSulam escreve sobre isso no artigo, “A Essência da Religião e Seu Propósito”.

As três principais religiões – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – são baseadas nos ensinamentos de nosso pai Abraão. Mas Abraão, especificamente, descobriu a sabedoria da Cabalá, que é a base de todas as religiões, e ele descreveu sua descoberta no livro Cabalístico, Sefer Yetzirah (Livro da Criação).

O princípio fundamental da religião que foi descoberto por Abraão é “E você deve amar o seu amigo como a si mesmo”. Assim também está escrito: “E amarás o teu amigo como a ti mesmo é a grande regra geral da Torá”. Em princípio, este é entendido em todos os sentidos. Ou minimamente: “O que é odioso para você, não faça ao seu amigo”.

Toda a Torá fala sobre as boas relações entre as pessoas. Relações deste tipo existiam entre o povo de Israel antes da destruição do Segundo Beit HaMikdash (Templo) 2000 anos atrás, que foi destruído por causa da súbita erupção do ódio infundado.

Tudo gira em torno de apenas um ponto: boas ou más atitudes entre os judeus determinam o que vai acontecer com eles e todo o mundo em geral. Esta é precisamente a razão para o antissemitismo; é porque o povo judeu não pode chegar a um acordo entre si, e por isso o mundo inteiro sofre.

A sabedoria da Cabalá está envolvida apenas com a forma de atingir a conexão correta entre nós, e este é o fundamento de toda a religião. E o que tem sido considerado religião nos últimos 2000 anos é a manutenção de todos os tipos de tradições que parecem ser suficiente para as pessoas.

Esta é a forma que a religião adquiriu no exílio quando estávamos separados do princípio “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”, do desejo de se unir. Esta é a forma em que o povo judeu teve que amadurecer por 2000 anos, para sair às nações do mundo e ser misturado com elas, e depois disso voltar à sua terra.

Mas depois que voltamos fisicamente para a terra de Israel, precisamos reviver a sabedoria da Cabalá, para que ela viva entre nós e nos ajude a construir um povo e uma nação da mesma forma como era antes: com amor e unidade entre nós.

Não há restrições nisso. Se uma pessoa estuda o método de conexão, não faz diferença se ela é religiosa ou secular, de que país ou comunidade ela veio, ou se é um homem ou uma mulher. Todos devem estudar este método e o mais rapidamente possível, porque o nosso bom futuro depende disso.

A sabedoria da Cabalá nos ensina a perceber essa unidade, e de uma maneira prática possibilita sentir isso durante os workshops e na conexão nos círculos de discussão que levamos a toda a parte. Milhares de pessoas já participaram de nossas mesas redondas, e elas sentem que dentro de meia hora de discussão de acordo com o método da sabedoria da Cabalá, de repente experimentaram um sentimento estranho, uma iluminação, um despertar de inspiração e calor. E esse sentimento se espalha a todos os participantes.

Comentário: Eu fui capaz de participar dessas mesas-redondas que foram transmitidas de acordo com a antiga sabedoria da Cabalá. E eu me lembro que no início as pessoas que se reuniam eram muito céticas e até mesmo cínicas, lamentavam o tempo que estavam perdendo. Mas, ao final da noite, as pessoas simplesmente flutua´ram de excitação e emoção, foram às lágrimas e se abraçaram. Este foi um surto de força vital e calor que derreteu todo o gelo e a indiferença que separa nossos corações.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/02/15

Destinados A Unir

Laitman_931-01O Governo do Indefeso

A história de Purim é uma metáfora que nos fala sobre o papel da nação judaica e sobre o seu último avanço rumo à plenitude. Mordecai parece fraco e indefeso no início. Ele se senta à porta do Rei e parece impotente, um típico judeu na diáspora. Em frente a ele está o respeitável ministro, Hamã, que vê que pode aniquilar os judeus que estão no exílio.

Pergunta: Por que ele deveria aniquilar os judeus?

Resposta: Hamã sente que eles interrompem o seu governo. É verdade que os judeus estão no exílio sob a dominação estrangeira e qualquer um pode humilhá-los, mas, apesar do fato deles serem indefesos, eles têm um enorme atributo oculto que as nações do mundo não podem suportar.

Todo mundo ao redor deles sente que elas não têm o grande trunfo que os judeus têm e que elas nunca terão. Elas sentem que nós compreendemos melhor e estamos mais fortemente conectados a algum santo segredo da criação.

Eu me lembro que décadas atrás uma mulher idosa na Sibéria, onde ninguém tinha visto judeus, disse-me, “o Criador te ama”. Acontece que durante a Segunda Guerra Mundial, quando sua mãe lhe contou sobre as intenções dos fascistas, ela disse, “Hitler não ganhará uma vez que está agindo contra os judeus”.

Este sentimento está vivo entre as nações do mundo. Esta é a razão que Assuero (Xerxes), e  especialmente Hamã, queria nos aniquilar. Esta é a razão para o Holocausto, embora pareça não incomodávamos os nazistas. A nossa existência é dolorosa e prejudica aqueles ao nosso redor, como se nós estivéssemos impedindo-os de alcançar a plenitude.

Nós demos à humanidade a Torá, a fonte das duas principais religiões. Nós lançamos as bases para a educação e cultura. Nós somos uma nação que parece governar o mundo não pelo poder, mas pela sabedoria, pela profundidade, pela proximidade com as fontes secretas e ocultas da criação, que os outros não podem alcançar. Este é um fardo pesado para as nações.

Um Fator Ameaçador

No entanto, nós só podemos chegar à Divindade por meio do reconhecimento do mal. Esta é a razão de precisarmos de Hamã, que invoca o mal em nós, de modo que o conflito com ele nos empurre à bondade. Sem este fator não teríamos retornado à terra de Israel a partir do exílio. Hamã invoca nos judeus, um medo existencial muito sério. Então, Mordecai envia Ester para pedir ajuda ao Rei para que ele pudesse anular a sentença.

Em resposta, ela diz, “Eu não posso. Com quem eu devo ir? Eu preciso de um desejo, uma deficiência. Eu preciso de uma necessidade. Eu preciso levar o clamor do povo ao Rei. Eu não tenho nada meu para contar a ele. Reúna os judeus na capital e diga-lhes para jejuar e orar ao Criador por três dias”. Ester não pode vir ao Rei de mãos vazias. Ela precisa de um pedido que só pode nascer como resultado do jejum, quando os judeus não querem nada, exceto a conexão e unidade entre eles. Isto é o que Mordecai deve explicar aos seus irmãos, que apenas conexão e unidade entre eles pode salvá-los, e se não, eles vão morrer. É um dos dois.

Duas Faces Reais

Então, os judeus ouviram e viram que não estavam unidos, e eles queriam estar. É com esse desejo que Ester foi ao Rei, e ele ajudou, mas esse já é o Rei superior. Assuero é apenas um lado do Criador, a liderança com o atributo de Din (julgamento). Além disso, há o lado da misericórdia.

Os judeus devem tentar chegar à unidade e ver que não podem fazer isso. Na verdade, não está em nosso poder realmente se unir. Ainda assim, como o livro de Ester nos diz, se pedirmos ajuda de Cima com a deficiência correta, nós a obtemos. Assim, em vez de Hamã, Mordecai monta o cavalo, e nós alcançamos o sucesso, o nosso estado mais elevado, e uma vida feliz.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 01/02/15