Textos na Categoria 'Nações do Mundo'

O Mundo Inteiro Está Sobre Nossos Ombros

laitman_943Pergunta: Eu gostaria muito de ver a realização dessa mesma unidade do povo que você descreve. Mas eu vejo que ainda estamos muito longe de tal unidade. Brigas por toda parte explodem em todos os níveis: no lar, no trabalho, no governo.

Por outro lado, você disse que o meu dever é corrigir o mundo e trazer todos à unidade, como se o mundo inteiro estivesse em meus ombros. Como eu posso trabalhar com o mundo inteiro?

Resposta: Tente imaginar que você pode corrigir o mundo. Este mundo é dado a nós para que façamos o mesmo trabalho que Abraão fez na antiga Babilônia.

Ele começou a se unir e conectar as pessoas, explicando que a regra geral, “E você deve amar o seu amigo como a si mesmo”, é a principal lei. É impossível viver em contradição e oposição a esta lei; caso contrário, nós despertamos e atraímos problemas e desastres sobre nós mesmos.

Uma parte das pessoas ouviu Abraão e deixou a Babilônia com ele. Elas formaram o povo de Israel que viveu muitos anos de acordo com esses princípios. Nós não entendemos a singularidade do povo judeu, mas essa singularidade tem sido mantida até hoje só porque este povo viveu de acordo com o princípio da doação e do amor, a unidade.

Por esta razão, o povo judeu é original, e todos concordaram com isso. Hoje não vivemos de acordo com esses princípios, e apesar de tudo isto, algum tipo de partícula disso permanece em nós, a qual é recebida em algum lugar como uma memória. E através desta singularidade do povo de Israel, nós ainda recebemos o benefício da nossa unidade prévia.

Não há escolha; hoje nós estamos novamente nos aproximando da mesma situação. Organizar a vida para todo o mundo e nós mesmos só é possível trazendo-nos à semelhança e equivalência com a natureza. E a natureza é totalmente integrada e conectada; todos os seus elementos se complementam.

A ciência moderna está descobrindo essa integralidade e conexão mútua, e nós devemos começar a abordá-la. Para isso, precisamos subir acima do nosso ego, para a unidade geral. Nós esperamos ter êxito, de forma rápida e em breve.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 08/02/15

A Rede Que Vive E Respira

laitman_550Pergunta: Eu concordo que a salvação da nação de Israel está em nossa unidade, e eu estou tentando estabelecer boas relações com as pessoas em casa e no trabalho, mas vejo que mesmo os conflitos mais banais anulam imediatamente todos os meus esforços e levam à raiva e disputas.

Então, como eu posso alcançar esta unidade se não sou justo e facilmente explodo no momento em que alguém me corta na estrada?

Resposta: A sabedoria da Cabalá não é sobre as relações simples entre nós, mas sobre algo totalmente diferente. Ela ensina que se quisermos ver o mundo corretamente, devemos agir como se estivéssemos unidos, especialmente nesses casos, quando a raiva e insatisfação irrompem em nós.

Se há um conflito na estrada, no trabalho ou na família, e sabemos como trabalhar acima de todas essas interrupções, intensificando a conexão entre nós, a nossa unidade é estreitada por essa conexão e começamos a sentir como esse mundo é construído. Nós vemos como todos os elementos da natureza estão conectados, e começamos a ver e sentir que esta rede vive e respira.

Nós descobrimos que estamos todos nela, ligados por conexões sem fim, e que a distância entre nós não é vazia, mas sim como o ar cheio de ondas de rádio em todas as frequências ultra e infra. Nós descobrimos que estamos todos conectados e que esta conexão está em movimento contínuo, numa dinâmica especial.

Nós sentimos o fluxo da vida nessa conexão, e começamos a afetar a conexão entre nós e, consequentemente, o nosso destino. É porque o bom destino depende de nossas relações mútuas, e essa mudança está em nossas mãos. Então, não teremos que brigar com nossos vizinhos e seremos capazes de resolver todos os problemas pelas boas conexões entre a nação israelense.

Nós não teremos que depender das políticas de governos estrangeiros como Estados Unidos, Rússia e França. Nós podemos corrigir todo o mundo através do reforço e da intensificação da conexão entre a nação judaica. É disso que trata a sabedoria da Cabalá. Os judeus receberam essa oportunidade, e por isso é doloroso ver como estamos destruindo nossa própria vida e a vida de todo o mundo.

O mundo entende que a nação de Israel pode melhorar a vida de todos e que não o faz, e assim culpa os judeus por todos os seus problemas. Na verdade, a nação judaica é que pode afetar a rede de conexões entre todas as nações e tornar maravilhosa a vida de todos neste mundo.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 08/02/15

A Verdadeira Religião E A Religião Do Exílio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu o compreendo, a sabedoria da Cabalá veio do judaísmo e todos os Cabalistas do passado eram muito religiosos. Qual é a verdadeira conexão entre a sabedoria da Cabalá e a religião?

Resposta: A sabedoria da Cabalá é o fundamento da verdadeira “religião”. Baal HaSulam escreve sobre isso no artigo, “A Essência da Religião e Seu Propósito”.

As três principais religiões – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – são baseadas nos ensinamentos de nosso pai Abraão. Mas Abraão, especificamente, descobriu a sabedoria da Cabalá, que é a base de todas as religiões, e ele descreveu sua descoberta no livro Cabalístico, Sefer Yetzirah (Livro da Criação).

O princípio fundamental da religião que foi descoberto por Abraão é “E você deve amar o seu amigo como a si mesmo”. Assim também está escrito: “E amarás o teu amigo como a ti mesmo é a grande regra geral da Torá”. Em princípio, este é entendido em todos os sentidos. Ou minimamente: “O que é odioso para você, não faça ao seu amigo”.

Toda a Torá fala sobre as boas relações entre as pessoas. Relações deste tipo existiam entre o povo de Israel antes da destruição do Segundo Beit HaMikdash (Templo) 2000 anos atrás, que foi destruído por causa da súbita erupção do ódio infundado.

Tudo gira em torno de apenas um ponto: boas ou más atitudes entre os judeus determinam o que vai acontecer com eles e todo o mundo em geral. Esta é precisamente a razão para o antissemitismo; é porque o povo judeu não pode chegar a um acordo entre si, e por isso o mundo inteiro sofre.

A sabedoria da Cabalá está envolvida apenas com a forma de atingir a conexão correta entre nós, e este é o fundamento de toda a religião. E o que tem sido considerado religião nos últimos 2000 anos é a manutenção de todos os tipos de tradições que parecem ser suficiente para as pessoas.

Esta é a forma que a religião adquiriu no exílio quando estávamos separados do princípio “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”, do desejo de se unir. Esta é a forma em que o povo judeu teve que amadurecer por 2000 anos, para sair às nações do mundo e ser misturado com elas, e depois disso voltar à sua terra.

Mas depois que voltamos fisicamente para a terra de Israel, precisamos reviver a sabedoria da Cabalá, para que ela viva entre nós e nos ajude a construir um povo e uma nação da mesma forma como era antes: com amor e unidade entre nós.

Não há restrições nisso. Se uma pessoa estuda o método de conexão, não faz diferença se ela é religiosa ou secular, de que país ou comunidade ela veio, ou se é um homem ou uma mulher. Todos devem estudar este método e o mais rapidamente possível, porque o nosso bom futuro depende disso.

A sabedoria da Cabalá nos ensina a perceber essa unidade, e de uma maneira prática possibilita sentir isso durante os workshops e na conexão nos círculos de discussão que levamos a toda a parte. Milhares de pessoas já participaram de nossas mesas redondas, e elas sentem que dentro de meia hora de discussão de acordo com o método da sabedoria da Cabalá, de repente experimentaram um sentimento estranho, uma iluminação, um despertar de inspiração e calor. E esse sentimento se espalha a todos os participantes.

Comentário: Eu fui capaz de participar dessas mesas-redondas que foram transmitidas de acordo com a antiga sabedoria da Cabalá. E eu me lembro que no início as pessoas que se reuniam eram muito céticas e até mesmo cínicas, lamentavam o tempo que estavam perdendo. Mas, ao final da noite, as pessoas simplesmente flutua´ram de excitação e emoção, foram às lágrimas e se abraçaram. Este foi um surto de força vital e calor que derreteu todo o gelo e a indiferença que separa nossos corações.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/02/15

Destinados A Unir

Laitman_931-01O Governo do Indefeso

A história de Purim é uma metáfora que nos fala sobre o papel da nação judaica e sobre o seu último avanço rumo à plenitude. Mordecai parece fraco e indefeso no início. Ele se senta à porta do Rei e parece impotente, um típico judeu na diáspora. Em frente a ele está o respeitável ministro, Hamã, que vê que pode aniquilar os judeus que estão no exílio.

Pergunta: Por que ele deveria aniquilar os judeus?

Resposta: Hamã sente que eles interrompem o seu governo. É verdade que os judeus estão no exílio sob a dominação estrangeira e qualquer um pode humilhá-los, mas, apesar do fato deles serem indefesos, eles têm um enorme atributo oculto que as nações do mundo não podem suportar.

Todo mundo ao redor deles sente que elas não têm o grande trunfo que os judeus têm e que elas nunca terão. Elas sentem que nós compreendemos melhor e estamos mais fortemente conectados a algum santo segredo da criação.

Eu me lembro que décadas atrás uma mulher idosa na Sibéria, onde ninguém tinha visto judeus, disse-me, “o Criador te ama”. Acontece que durante a Segunda Guerra Mundial, quando sua mãe lhe contou sobre as intenções dos fascistas, ela disse, “Hitler não ganhará uma vez que está agindo contra os judeus”.

Este sentimento está vivo entre as nações do mundo. Esta é a razão que Assuero (Xerxes), e  especialmente Hamã, queria nos aniquilar. Esta é a razão para o Holocausto, embora pareça não incomodávamos os nazistas. A nossa existência é dolorosa e prejudica aqueles ao nosso redor, como se nós estivéssemos impedindo-os de alcançar a plenitude.

Nós demos à humanidade a Torá, a fonte das duas principais religiões. Nós lançamos as bases para a educação e cultura. Nós somos uma nação que parece governar o mundo não pelo poder, mas pela sabedoria, pela profundidade, pela proximidade com as fontes secretas e ocultas da criação, que os outros não podem alcançar. Este é um fardo pesado para as nações.

Um Fator Ameaçador

No entanto, nós só podemos chegar à Divindade por meio do reconhecimento do mal. Esta é a razão de precisarmos de Hamã, que invoca o mal em nós, de modo que o conflito com ele nos empurre à bondade. Sem este fator não teríamos retornado à terra de Israel a partir do exílio. Hamã invoca nos judeus, um medo existencial muito sério. Então, Mordecai envia Ester para pedir ajuda ao Rei para que ele pudesse anular a sentença.

Em resposta, ela diz, “Eu não posso. Com quem eu devo ir? Eu preciso de um desejo, uma deficiência. Eu preciso de uma necessidade. Eu preciso levar o clamor do povo ao Rei. Eu não tenho nada meu para contar a ele. Reúna os judeus na capital e diga-lhes para jejuar e orar ao Criador por três dias”. Ester não pode vir ao Rei de mãos vazias. Ela precisa de um pedido que só pode nascer como resultado do jejum, quando os judeus não querem nada, exceto a conexão e unidade entre eles. Isto é o que Mordecai deve explicar aos seus irmãos, que apenas conexão e unidade entre eles pode salvá-los, e se não, eles vão morrer. É um dos dois.

Duas Faces Reais

Então, os judeus ouviram e viram que não estavam unidos, e eles queriam estar. É com esse desejo que Ester foi ao Rei, e ele ajudou, mas esse já é o Rei superior. Assuero é apenas um lado do Criador, a liderança com o atributo de Din (julgamento). Além disso, há o lado da misericórdia.

Os judeus devem tentar chegar à unidade e ver que não podem fazer isso. Na verdade, não está em nosso poder realmente se unir. Ainda assim, como o livro de Ester nos diz, se pedirmos ajuda de Cima com a deficiência correta, nós a obtemos. Assim, em vez de Hamã, Mordecai monta o cavalo, e nós alcançamos o sucesso, o nosso estado mais elevado, e uma vida feliz.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 01/02/15

O Livro De Ester: Purim Aqui E Agora

Dr. Michael LaitmanUma continuação do post “O Livro de Ester É Nossa Herança Espiritual“.

Purim é a salvação, mas não pela força das armas. O que aconteceu no passado está acontecendo agora em Israel, na Europa e em todos os lugares. É revelado de uma forma oculta, sob a forma de figuras atuais, que são basicamente idênticas às do passado. Nossa força está na nossa unidade. Apenas a unidade vai salvar a nação judaica de seus inimigos.

Nós vemos como Hamã levanta a cabeça novamente e nos sentencia. Mordecai não tem que ir mais para a praça da cidade, já que agora a sua mensagem ecoa através dos meios de comunicação e da Internet. Este é um sinal claro de que o oculto deve ser revelado. A vida nos chama para lembrar o amor que é utilizado para conectar nossos corações.

Quando despertarmos da nossa indiferença e separação e nos unirmos como um só homem, vamos nos tornar um modelo positivo. Isso ocorre porque a humanidade de hoje realmente precisa de um método para superar os conflitos e alcançar a compreensão e doação mútua. Quando nos tornarmos um modelo real, apropriado e ativo, o mundo inteiro vai estar do nosso lado.

Do Folheto do Feriado de Purim, 01/03/15

A Grande Luz De Purim

Dr. Michael LaitmanO Livro de Ester (Meguilat Ester) 1:1: E sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a India até a Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias. Assim começa Megillat Ester, o Livro de Ester. A palavra hebraica “Megillah“ é derivada da palavra “Gilui” (divulgação) e “Ester” significa escondido. Ester é o nome da rainha, a esposa de Assuero (Xerses). Megillat Ester simboliza a revelação do oculto, o que implica que, embora algo seja revelado a você, você deve se lembrar que tudo se mantém em ocultação.

O Livro de Ester (Meguilat Ester) 2:5-7 – 2:20: Mardoqueu tinha uma prima chamada Hadassa, que havia sido criada por ele, por não ter pai nem mãe. Essa moça, também conhecida como Ester, era atraente e muito bonita, e Mardoqueu a havia tomado como filha quando o pai e a mãe dela morreram. Quando a ordem e o decreto do rei foram proclamados, muitas moças foram trazi­das à cidadela de Susã e colocadas sob os cuida­dos de Hegai. Ester também foi trazida ao palácio do rei e confiada a Hegai, encarregado do harém.

A moça o agradou e ele a favoreceu. Ele logo lhe providenciou tratamento de beleza e comida especial. Ester não tinha revelado a que povo pertencia nem a origem da sua família, pois Mardoqueu a havia proibido de fazê-lo.

O rei gostou mais de Ester do que de qualquer outra mulher; ela foi favorecida por ele e ganhou sua aprovação mais do que qualquer das outras virgens;

Ester pertencia ao povo judeu que tinha uma conexão com a força superior, e se ela tivesse dito a verdade sobre sua origem, isso poderia ter prejudicado o seu relacionamento com o rei.

Ela alcançou graça e favor aos seus olhos, porque ela revelou certa parte de seu potencial espiritual em seu relacionamento com o rei.

Então, o rei deu um grande banquete, o banquete de Ester, para todos os seus minsitros e oficiais. Proclamou feriado em todas as provín­cias e distribuiu presentes por sua generosidade real. Quando as virgens foram reunidas pela segunda vez, Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real.

Ester havia mantido segredo sobre seu povo e sobre a origem de sua família, conforme a ordem de Mardoqueu, pois continuava a seguir as instruções dele, como fazia quando ainda estava sob sua tutela.

…Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real.

Mardoqueu (Mor Dror) é a força superior, uma força muito séria que está totalmente oculta. Ester continuou totalmente sua linha.

Isto significa a porta do rei superior, a força superior da natureza. Sentar representa o estado de humildade, de pequenez. Portanto, Mardoqueu esperou pacientemente pela oportunidade de passar o atributo da força superior a todas as pessoas na Terra. A população da Babilônia naqueles dias era, na verdade, toda a humanidade.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3-1, 3: 5-9: Depois desses acontecimentos, o rei Assuero honrou Hamã, filho de Hamedata, descendente de Agague, promovendo-o e dando-lhe uma posição mais elevada do que a de todos os demais nobres.

Deve haver um grande desejo, a fim de revelar a força superior, a grandeza do Criador. Em primeiro lugar, ele decorre do ego, depois ele é corrigido e a revelação do Criador é recebida no desejo corrigido. Mardoqueu não tem esse desejo. Ele estava num estado de pequenez, sentado à porta do rei, por isso foi necessário incluir o ego nele, a fim de elevá-lo ao próximo nível. O ego que é adicionado ao Mardoqueu é chamado de Hamã.

Quando Hamã viu que Mardoqueu não se curvava nem se prostrava, ficou muito irado. Contudo, sabendo quem era o povo de Mardo­queu, achou que não bastava matá-lo. Em vez disso, Hamã procurou uma forma de exterminar todos os judeus, o povo de Mardoqueu, em todo o império de Xerxes. No primeiro mês do décimo segundo ano do reinado do rei Xerxes, no mês de nisã, lançaram o pur, isto é, a sorte, na presença de Hamã a fim de escolher um dia e um mês para executar o plano. E foi sorteado o décimo segun­do mês, o mês de Adar.

Hamã representa o ego universal. Ele teve que matar o desejo chamado Mardoqueu, que constantemente ameaçava o ego. Ele planejou aniquilar e destruir todos os judeus, visto que o povo judeu é, na verdade, um canal para a Luz e o atributo de doação. Se eles começassem a doar a todas as outras nações certamente seriam capazes de corrigi-las e transformá-las em altruístas, transformá-las numa nação superior assim como eles; uma nação que não serviria mais a Hamã. Hamã sabia que não poderia corrigir-se e por isso não tinha outra escolha e foi obrigado a agir contra Mardoqueu.

Então Hamã disse ao rei Assuero: “Exis­te certa nação dispersa e espalhada entre as nações de todas as províncias do teu império, cujos costumes são diferentes dos de todas as outras nações e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los. Se for do agrado do rei, que se decrete a destruição deles…”.

Cada uma das nações que viviam nas 127 províncias do império babilônico tinha um território próprio, mas os judeus estavam dispersos entre todas as nações e não tinham a sua própria terra. No entanto, eles ainda atribuíam para si uma tribo em particular chamada nação de Israel.

Esta é a razão que Hamã disse: “Exis­te certa nação dispersa e espalhada entre as nações de todas as províncias do teu império”, o que significa que eles não estavam conectados entre si. O ego os separava e os fazia sentir repulsa mútua. Eles não podiam ser uma nação, uma vez que todas as outras nações eram definidas por sua origem e tinham um completo egoísmo terreno, que os judeus não tinham. Eles diferem de tal forma que falavam aramaico entre si e não hebraico, sua língua materna.

Na época do Primeiro Templo, os judeus estavam num nível espiritual e falavam hebraico, mas quando eles caíram para um nível egoísta que era muito inferior aos das outras nações, eles realmente perderam sua língua, a língua de doação e amor mútuo, e começaram a falar aramaico, a língua que é o inverso do hebraico. Além disso, cada nação sentiu que pertencia a uma classe social e cada nação respeitava o rei e se curvava a seus ídolos, enquanto os judeus não tinham ídolos, não respeitavam o rei, e não há tinham relações sociais mútuas adequadas entre si. Eles eram os maiores egoístas que não se davam bem uns com os outros.

Pergunta: Se a nação judaica foi separada a tal ponto, que perigo ela impôs a Hamã?

Resposta: Hamã sentiu que o tempo do despertar dos judeus para a unidade estava se aproximando. É dito que Hamã era um grande astrólogo. Ele viu de acordo com os sinais, o que significa de acordo com o seu sentimento interior, o que a nação judaica realmente é. Hamã é o lado oposto de um Cabalista, daquele que doa. Ele percebeu que algo estava prestes a acontecer que acabaria com o exílio da nação de Israel fim e que eles voltariam a sua terra, que para ele significava a morte. Eles tiveram que destruí-lo em seu caminho de volta, uma vez que era impossível reconstruir o Segundo Templo sem matar e destruir Hamã. Portanto, ele não tinha escolha, exceto destruí-los, não por maldade, mas de acordo com as leis claras e precisas da natureza.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3:10-11, 03:13: Em vista disso, o rei tirou seu anel-selo do dedo, deu-o a Hamã, o inimigo dos judeus, filho de Hamedata, descendente de Agague, e lhe disse: “Fi­que com a prata e faça com o povo o que você achar melhor”.

Assuero (Xerxes) pensou em como elevar a nação de Israel. Ele percebeu que eles deviam ter medo e, assim forçou-os a se unir e se conectar, uma vez que o seu poder está somente na unidade e na ascensão ao nível superior. Mas isso só foi possível com a ajuda de Hamã. Os judeus tiveram que ser aterrorizados pelo seu ego e destruí-lo para que pudessem transformá-lo em altruísmo, e só então conseguirem se elevar. Eles não poderiam subir sem Hamã.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3:10; 4:1-2: As cartas foram enviadas por mensageiros a todas as províncias do império com a ordem de exter­minar e aniquilar completamente todos os jude­us, jovens e idosos, mulheres e crianças, num único dia, o décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar, e de saquear os seus bens. Quando Mardoqueu soube de tudo o que tinha acontecido, rasgou as vestes, vestiu-se de pano de saco, cobriu-se de cinza, e saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz. Foi até a porta do palácio real, mas não entrou, porque ninguém vestido de pano de saco tinha permis­são de entrar.

Mardoqueu teve que dizer a todos o que estava prestes a acontecer e despertar as forças do bem e do mal, a fim de revelar corretamente o caminho que a humanidade devia seguir. Por isso, Ele saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz. Ele não era mais o velho despercebido que se sentou calmamente na porta da cidade. Na verdade, ele começou a ser ativo.

“Chorando amargamente em voz alta”, refere-se à revelação, à chamada, à conexão, que ele recriou entre Malchut e Keter. Até então, Mardoqueu estava num estado de pequenez (Malchut em Bina), mas agora, quando mudou para um estado de grandeza, um estado de revelação, ele conectou os dois pontos opostos da Criação, Malchut e Keter, através de Bina. É dito: Mardoqueu rasgou as vestes. Vestes é o estado atrás do qual a pessao se esconde. Rasgando suas vestes, Mardoqueu põe fim ao seu estado humilde anterior. Ele quer ser revelado.

O atributo de Mardoqueu é o atributo de Bina, doação completa. Não tem nada a ver com o ego e não pode fazer nada por si só. Existe a necessidade dessa conexão agora. As cinzas são o último nível egoísta. Quando coloca as cinzas na cabeça, Mardoqueu eleva este nível acima de si mesmo, o que significa que se coloca abaixo de todas as criações, abaixo de tudo. Estas não são apenas palavras bonitas, mas uma ação espiritual real; uma ação que ele realizou para que pudesse ser capaz de transmitir a grande força de correção a todos através dele. Assim, ele se prepara para o estado de desconexão do ego e para a subida ao atributo de Bina, quando ele poderia transmitir toda a Luz superior chamada Mardoqueu (Mor Dror), uma grande Luz, por meio dele.

De uma Conversa sobre Purim 19/02/15

Conexão E Unidade Agora!

laitman_944Pergunta: Será que o feriado de Purim fala sobre o papel do povo de Israel?

Resposta: Ele fala sobre a obrigação dos filhos de Israel! A tarefa pode ser diferente, mas a obrigação continua sendo uma: unir e levar toda a humanidade a um novo nível espiritual através da unidade.

Hoje, nós estamos numa crise semelhante à mesma crise que existia na antiga Babilônia. O ego nos atrai para dentro, para um lugar que é muito estreito, escuro, e incompreendido; um lugar onde começamos a nos devorar. A humanidade deve se elevar sobre este estado, e essa ascensão depende do povo de Israel em primeiro lugar. Assim, em nosso tempo, o antissemitismo tem se desenvolvido de novo, porque as nações do mundo inconscientemente sentem que o povo de Israel deve fazer algo, mas não está realizando a sua missão, e isso causa danos ao mundo. É precisamente a separação entre nós a razão para o antissemitismo.

No momento em que começarmos a nos unir, uma corrente de Luz vai passar através de nós para toda a humanidade. As pessoas vão entender o que deve ser feito, e o antissemitismo desaparecerá imediatamente. Mesmo 2.500 anos atrás os profetas previram que as nações do mundo iriam erguer o povo de Israel sobre os seus ombros e levá-los a Jerusalém para construir o terceiro Beit Ha Mikdash (Templo). Assim, é dito que toda a humanidade será atraída ao Criador, e todas as religiões, crenças, povos, nações e raças vão se unir num único conjunto.

Pergunta: O que você espera para o povo de Israel e os judeus que vivem em outros países do mundo?

Resposta: Em primeiro lugar, eu gostaria que todos os povos do mundo entendessem corretamente o feriado de Purim e que com a sua pressão sobre o povo de Israel eles participassem do nosso objetivo geral e comum.

Além disso, eu espero que o povo de Israel entenda o nosso papel universal, e entenda e reconheça o fato de que o bem do mundo realmente depende deles. Todo mundo que está interessado em saber mais pode entrar em nossas páginas e arquivos na Internet, olhar em nossos livros, ler as nossas páginas do Facebook, assistir nosso canal de televisão israelense, e experimentar as aulas ao vivo de nossos centros de educação.

Nós devemos nos unir! Apenas em unidade nós podemos encontrar uma solução real para todos os problemas! Não há nenhum problema que não possa ser resolvido através da unidade, e não há problema que possa ser resolvido através de qualquer outro método.

Venham, vamos transformar este feriado numa realidade onde nós realmente resolvemos os problemas deste mundo entre nós, elevando-nos ao próximo nível da natureza e nos redimindo de todos os problemas. Nós mesmos vamos fazer isso! Nós estamos fazendo isso agora juntos! Sucesso para todos nós!

De uma Palestra sobre Purim 18/02/15

A Força Especial Dos Feriados

laitman_744Pergunta: Existe uma força especial que opera em nós e nos afeta? Existe uma iluminação especial que brilha sobre nós?

Resposta: Um feriado é um estado especial no mundo, quando o desejo se torna semelhante à Luz de alguma forma e a cooperação entre o desejo e a Luz é chamada por um nome especial que coincide com a Gematria (valor numérico da Torá) cabalística. Um feriado é caracterizado pelo acúmulo dos níveis anteriores, até certo novo nível qualitativo.

Em nossa vida, por exemplo, a psicologia é um campo muito significativo: a psicologia da criança, a psicologia das massas, a psicologia social, etc. Nestas estruturas nós tendemos a nos imaginar em diferentes situações e só as sentimos porque queremos senti-las tanto. Mas estes não são os estados espirituais e não têm nada a ver com os feriados.

A pessoa que está subindo a escada espiritual, por outro lado, desperta em si mesma e até na nação uma onda especial de influência a partir desse nível, mesmo que ela não tenha atingido o nível do feriado, pelo simples fato de que ela tenta subir a ele através da realização de certas ações mecânicas em nosso mundo com o conjunto da nação. Isso só é possível quando todos anseiam em alcançar isso juntos.

Durante o feriado de Shavuot (entrega da Torá), por exemplo, nós vemos a localização dos planetas, da lua e do sol que correspondem a esta ação espiritual, o que significa que a força superior também é organizada de certa maneira. Se, além disso, toda a nação ansiar por isso, ela receberá uma iluminação especial, pois toda a hierarquia do sistema da criação está sincronizada. Mas uma pessoa comum que não sabe nada sobre o trabalho espiritual, e simplesmente faz o que tem sido ensinada, não percebe essa iluminação e só tem a sensação psicológica deste feriado. No entanto, as pessoas que anseiam pelo significado interior do feriado sentem certa iluminação e, portanto, podem executar correções adicionais durante este tempo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 11/06/14

Bêbado De Plenitude

laitman_572_02Pergunta: Por que o feriado de Purim é considerado um feriado familiar em todo o mundo?

Resposta: Não é um feriado familiar. O feriado de Purim é mais como um feriado das crianças, um feriado de felicidade e alegria, porque simboliza o renascimento do povo. Nós aparentemente renascemos neste feriado!

Quando nós estamos separados uns dos outros, não somos um povo. No entanto, quando começamos a nos reunir, algo novo nasce em nós. Assim, em Purim, há o costume de dar presentes uns aos outros, Mishloach Manot (pacotes de presente), especialmente vinho e doces.

O vinho simboliza Ohr Hochma (Luz da Sabedoria). Hamãtashen, biscoitos de forma triangular, simbolizam Ohr Hassadim (Luz da Misericórdia). Hassadim e Hochma devem se conectar, se vestir uma na outra, e isso nos dará elevação espiritual.

No feriado de Purim, há um costume muito interessante de beber vinho sem quaisquer restrições, Ad De’lo Yada (até que a pessoa não saiba). Se neste dia a pessoa estiver tão bêbada quanto Lot, é um sinal de que ela cumpriu a tradição do feriado.

Isto é, se mantivermos o feriado de Purim espiritualmente e nos unirmos, com isso vamos levar toda a humanidade à unidade e elevá-los diante de nós ao nível de adesão com o Criador. Toda a humanidade alcança a eternidade e plenitude, e este estado pode ser materializado em alguém sobre quem se diz, “…até que a pessoa já não saiba a diferença entre ‘Bendito seja Mardoqueu’ e ‘Maldito seja Hamã’”. Em outras palavras, a pessoa esquece completamente todas as suas limitações. Ela entra num espaço onde não há nada, exceto a eternidade e plenitude. Esse estado pode ser comparado apenas com o estado de uma pessoa que está bêbada de felicidade sem beber qualquer bebida alcoólica.

No feriado de Purim, todas as ruas de Israel estão cheias de sons de canto, dança e carnavais, que são chamados de Adloyada. Nós vestimos roupas e aparentemente mudamos nossas identidades, tornando-nos outra pessoa.

Pergunta: Por que nós dizemos que chegará a hora quando todos os feriados vão desaparecer e só o feriado de Purim permanecerá?

Resposta: Isso é porque todos os feriados simbolizam fases de transição no caminho em direção à completa unidade e realização do Criador, a adesão com o poder superior. Todos os feriados são classificados até este nível: Rosh Hashaná (Ano Novo), o êxodo do Egito, a recepção da Torá, e assim por diante. Eles representam precisamente as etapas do trabalho para a unidade entre nós, enquanto Purim é o feriado final que simboliza a conclusão da correção. Depois disso, nós alcançamos cem por cento de plenitude e eternidade.

De uma Palestra sobre Purim 18/02/15

Purim É Um Chamado Para Unir

laitman_933Purim é o grande feriado da redenção; é o feriado do êxodo do exílio. A sabedoria da Cabalá nos diz sobre a história da evolução da humanidade de Adão em diante. Antes dele havia seres humanos e civilizações, mas Adão encarna o início de uma nova história, a história do desenvolvimento espiritual da humanidade.

Ele foi o primeiro a descobrir que a vida não era apenas para sobreviver no plano deste mundo, mas para ascender deste mundo para o próximo nível, para o mundo espiritual, e para se tornar uma entidade totalmente diferente, para se tornar um ser humano.

A palavra “Adam” deriva da palavra hebraica “Edame” (assemelhar-se), assemelhar-se ao Criador que existe numa dimensão diferente. E visto que ele foi o primeiro a descobrir a possibilidade de ascensão do estado animal para o nível humano, para o nível de se assemelhar ao Criador, ele é chamado de Adão.

Mas foi só Abraão que conseguiu alcançar a equivalência com a força superior, ascendendo os níveis da natureza inanimada, vegetal e animal, até o nível humano, ao sentir que estava numa nova dimensão. Isso aconteceu 20 gerações depois de Adão.

Qual é a razão de Abraão ter conseguido isso? Foi porque a humanidade, que era apenas um pequeno número de pessoas que povoam a antiga Babilônia na época, de repente se viu num beco sem saída egoísta.

As boas relações entre os babilônios, que viviam como uma família, de repente se encheu de falta de confiança, roubo e abuso mútuo, tais relações egoístas a partir das quais eles não sabiam para onde ir. Eles pensaram: “Nós temos que subir aos céus e descobrir a razão para o que está acontecendo conosco”. Neste momento, na antiga Babilônia, duas personalidades líderes se destacaram representando dois pontos de vista diferentes: o ideólogo e cientista de sua época, Abraão, e o rei de Babilônia, Nimrod.

De acordo com a ideologia de Abraão, a humanidade existia para se unir acima do ego que mantém as pessoas separadas. Unindo-as, eles poderiam atingir o próximo nível de seu desenvolvimento.

O ego intencionalmente os levou a um beco sem saída, para que eles não sucumbissem a ele, caso contrário ele iria levá-los a sua aniquilação mútua. Eles não tinham outra escolha, a não ser simplesmente se conectar acima dele. Além disso, há tal força na natureza que pode ser atraída, de modo que ela pode nos ajudar a realizar esta ação.

Nimrod, por outro lado, acreditava que eles tinham que seguir um caminho diferente: se dispersar por todo o mundo como uma família que não pode viver junto e conviver uns com os outros. Eles tiveram que se dispersar e ir em direções diferentes, de modo que todos se sentiriam bem.

Milhares seguiram Nimrod e apenas alguns seguiram Abraão. De acordo com o conhecido historiador Titus Flavius ​​Josephus, os babilônios se dispersaram por todo o mundo e começaram a se estabelecer na Índia, China, África, Rússia e Europa. Mais tarde, eles cresceram em nações que lançaram os fundamentos da atual civilização global geral. Abraão, por outro lado, reuniu seus seguidores que concordavam com ele e entendiam seu ponto de vista, e que o seguiram até a terra de Canaã, a localização do atual estado de Israel.

As nações que se dispersaram por todo o mundo começaram a ser chamadas por seus locais de origem, suas famílias, suas tribos ou o lugar em que se estabeleceram: alemães, russos, etc. Os seguidores de Abraão, porém, se chamavam “Israel”, decorrente das palavras hebraicas “Yashar – El”, ou seja, direto ao Criador. Isto significa que eles se concentravam diretamente na força superior, no plano superior da natureza que une e junta tudo em um.

O grupo de Abraão era composto por representantes de diferentes comunidades que sentiam que sua ideia era certa e, portanto, se uniram a ele. É assim que nasceu a nação que se reuniu com base numa ideia comum. Esta é a diferença entre os judeus e outras nações.

Os descendentes de Abraão foram Isaac, Jacó e José, que eram os próximos níveis de desenvolvimento deste grupo, os níveis de uma conexão cada vez maior. O grupo que deixou Babilônia junto com Abraão encontrava-se diante de grandes conflitos e divergências, que é chamado de exílio no Egito. Note que nós falamos de eventos históricos à luz de ações espirituais; por isso, nós denominamos categorias geográficas e históricas de acordo com seu estado espiritual.

É dito que havia fome na terra de Israel e os judeus desceram para o Egito, o que significa que a nação sentia uma fome espiritual, resultante da confusão e enfraquecimento da conexão entre eles. Thomas Mann descreve muito bem os conflitos e as divergências ideológicas entre os filhos de Jacó em seu livro José e Seus Irmãos.

O estado do Egito (Mitzraim) simboliza a concentração de mal na qual os judeus sentiram a forte dominação do ego chamado Faraó (egoísmo) e tentaram romper com ele. Eles decidiram que não podiam permanecer no estado de hostilidade mútua, de ódio e de dominação do Faraó, porque isso não permitia que eles se aproximassem um do outro. Assim eles perceberam e entenderam que tinham caído da conquista daquele pequeno nível espiritual que se encontravam anteriormente. Eles perceberam que não tinham escolha a não ser fugir do estado do Egito. Isso aconteceu à noite, na escuridão, às pressas.

Mas antes disso, eles passaram pelas dez pragas do Egito, que eles sentiram em sua carne, e assim foram libertados da dominação do ego, o domínio do Faraó.

Quando eles saíram do Egito, ou seja, da hostilidade mútua, eles gradualmente se uniram e chegaram ao estado do Monte Sinai, que deriva da palavra hebraica “Sina” (ódio). Eles tinham que subir acima dele para alcançar o Criador.

Há um atributo na nação israelita chamado Moisés, decorrente da palavra hebraica “Moshech” (atrair ou puxar), que é a personificação da ligeira conexão entre eles que os tira do Egito e pode puxá-los acima do ódio, a fim de se conectar com o Criador e receber Dele o método de formação da nação. Este método é chamado de Torá.

A Torá é a Luz que corrige o ego de toda a massa do povo para criar um único desejo que está acima da separação, do ódio e das acusações mútuas, e que está, na verdade, ansiando em estabelecer boas relações acima de tudo isso.

Quando a conexão entre as pessoas torna-se homogênea, direta e igual, e todos os desejos anteriores são integrados, criando um desejo único inclusivo, no qual a pessoa dá aos outros e os ama, e todo mundo faz isso mutuamente, este desejo se volta para o estado superior, ao Criador, o que significa à natureza, com amor mútuo. O Criador (Elokim) simboliza a força superior, o atributo superior, a liderança superior.

Quando elas anseiam pela doação, pela força superior, em amá-Lo e pela adesão mútua com Ele, elas atingem esse estado. Agora elas já são chamadas de “Israel”, e começam a sentir o próximo nível de sua existência ao ascender dos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza ao nível do Criador, o nível da força superior da natureza que está oculto de nós.

Elas transcendem o Machsom (barreira) de ocultação, descobrem-No e, assim, começa realmente a sentir e viver Nele a tal ponto que a existência do corpo físico se torna sem importância. É porque o corpo é uma entidade corpórea e a pessoa na verdade não se importa se ela morre ou não, uma vez que nesse nível ela já existe no seu estado pleno e eterno.

Hoje qualquer um pode chegar a este estado, assim como os nossos antepassados ​​o fizeram. Eles escreveram sobre ele na Torá cHamãdo-o de “Primeiro Templo”. Neste estado, toda a criação é revelada, a força superior, a existência ilimitada da humanidade para além do tempo e do espaço.

Eles viveram nesse estado por vários séculos, e depois o ego começou a comprometer seu estado e começou a separá-los novamente, controlando-os por acusações mútuas. Eles perceberam que isso era necessário para que eles pudessem subir ainda mais alto acima do ego e alcançar o próximo nível, mas eles não conseguiram superá-lo e caíram no estado de ódio infundado.

Este estado é chamado de “exílio na Babilônia”. Mil anos mais tarde, eles voltaram à mesma Babilônia de onde Abraão lhes tinha tirado, mas agora ela não era mais o mesmo pequeno país na Mesopotâmia, mas o império gigante do rei Nabucodonosor que governava 127 estados. Sendo um líder inteligente, o rei dispersou os judeus em todos os estados e, assim, manteve-os separados e desconectados, mas isso era ainda melhor na época.

Muitos anos se passaram até que Babilônia foi governada pelo rei Assuero e o ímpio Hamã, que surgiu com a ideia de aniquilar os judeus. Ele começou a denegri-los perante o rei: Há certo povo disperso e separado entre os povos em todas as províncias do teu reino, e as suas leis são diferentes [das de] cada povo, e eles não mantêm as leis do rei; é [portanto] inútil que o rei os deixe viver. (Livro de Ester).

Um judeu sábio chamado Mardoqueu, que era parente da rainha Ester, a esposa amada de Assuero, vivia na Babilônia naqueles dias. Ele decidiu impedir uma conspiração e torná-la conhecida do Rei. Mas Ester disse que nem ela nem o rei poderiam fazer algo, já que os judeus estavam separados. Se vocês se reunirem eu vou contar ao Rei sobre a conspiração. Você vai começar a orar de cima e eu vou começar a agir de baixo e nós vamos destruir o ímpio Hamã e todos aqueles que conspiram contra nós. Além disso, vai ser o início de nosso retorno à nossa pátria, à terra de Israel. (Livro de Ester)

Mardoqueu disse aos judeus que viviam na cidade de Sushan, a capital do império babilônico, sobre isso. Ele os chamou para jejuar, se aproximar e ser como um homem em um só coração, de acordo com a lei judaica que foi aceita na base do Monte Sinai. Assim, elevando-se acima do ego e conectando-se totalmente, eles retornaram à sua raiz e foram recompensados ​​com a volta à terra de Israel, o que significa que adquiriram atributos que eram iguais a essa terra. Assuero libertou-os e lhes permitiu regressar à sua terra. Mais tarde, o filho de Ester e Assuero ajudou a construir o Segundo Templo e o exílio na Babilônia havia terminado.

Vários séculos depois, o Segundo Templo foi destruído por causa do ódio que mais uma vez eclodiu entre os judeus e, mais uma vez eles foram exilados da terra de Israel. Hoje nós estamos saindo desse exílio, mas cada lugar e estado ao redor do mundo tem o seu próprio Hamã e especialmente em torno do Estado de Israel.

Mas o resgate é exatamente o mesmo que foi durante o tempo da Rainha Ester: se nos unirmos, vamos facilmente nos livrar de todos os nossos inimigos. Eles vão nos libertar da sua presença má e vão nos ajudar assim como fizeram no passado para restaurar e reconstruir o Templo. Também está escrito no livro do profeta Ezequiel, que as nações do mundo vão levar os judeus em seus ombros à sua terra e construir o Terceiro Templo com eles.

Tendo retornado do exílio corpóreo e vivendo na terra de Israel, nós estamos num exílio espiritual e temos que sair dele, o que significa ascender ao nível da redenção espiritual do ego que nos despedaça, para nos conectarmos a fim de ascender ao nível da eternidade e plenitude. Este é o chamado de Purim, o feriado da unidade. Nós temos todas as condições necessárias para fazer isso aqui e agora.

De uma Palestra sobre Purim, 18/02/15