Textos na Categoria 'Percepção'

Como Permanecer Na Linha Reta Mais Curta

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Shamati, artigo 53, “A Questão da Limitação”: A questão da limitação é a de limitar o estado que a pessoa está e não querer Gadlut (Grandeza). Em vez disso, a pessoa quer permanecer em seu estado atual para sempre, e isso é chamado de Dvekut (adesão) eterna. Independentemente da medida de Gadlut que a pessoa tem, mesmo que ela tenha a menor Katnut (Pequenez), se ela brilha para sempre é considerada ter sido gratificada com a Dvekut eterna.

No entanto, a pessoa que quer mais Gadlut, considera-se luxo. E este é o significado de “qualquer dor será excedente”, ou seja, que a tristeza vem à pessoa porque ela quer luxos. Isso é o que significa que, quando Israel passou a receber a Torá, Moisés levou o povo para o pé do monte, como está escrito, “e puseram-se ao pé do monte”.

Monte (Har, em hebraico) significa pensamentos (Hirhurim, em hebraico). Moisés levou-os até o fim do pensamento, do entendimento e da razão, o menor grau que existe. Só então, quando eles concordaram com tal estado, de caminhar nele sem qualquer hesitação e movimento, mas de permanecer nesse estado, como se tivessem a maior Gadlut, e ser feliz nele, este é o significado de “Servir ao Senhor com alegria”.

Nós temos que nos manter constantemente num estado mínimo. É o estado mais desejável; essa é a pura doação, Hafetz Hessed, o estado constante. Então, se sou atirado para fora no sentido negativo, ao “negativo”, pela adição de mais ego, eu tenho que adicionar Gadlut (grandeza) na direção oposta, a importância do Criador, “positivo”. É assim que eu avanço.

Assim, eu preencho cada descida e sentimento de baixeza, que devo sentir, com o reconhecimento daquele que me dá, de onde vem, e com quem tenho que chegar à equivalência de forma. Nesse caso, eu constantemente retorno ao estado constante e constantemente avanço na linha reta mais curta, nem mais e nem menos. Eu não preciso de nenhum luxo, nem mesmo uma camisa, como o justo (Hafetz Hessed) vivendo na floresta. Assim, eu avanço, e nada pode me jogar fora do caminho.

É o mesmo quando sinto Gadlut e sou jogado em direção ao “positivo”; eu não levo isso em conta. O importante é que constantemente anseio por um estado constante, e, embora ele seja constante, eu ainda avanço sob a influência externa e subo a escada do nível zero até o nível 125. Mas eu não peço nada para mim, exceto para ficar num estado constante.

Eu estou pronto para permanecer no mesmo estado que estou e nem sequer preciso da revelação ou qualquer coisa acima disso. Na mesma medida em que desisto da revelação e me recuso a aceitá-la, eu descubro o mundo espiritual nos mesmos vasos. Portanto, há o resultado oposto, como sempre acontece em nosso trabalho, pois tudo é construído acima dos vasos de recepção.

Obviamente, tudo é feito pela Luz que Reforma. Sem a Luz nada vai acontecer, e é apenas ela que realiza todas as mudanças e correções. Nós nunca devemos sentir pena que não as realizamos, mas devemos sentir pena apenas com relação a “onde está a Luz que pode nos corrigir”. Se nós sentimos que não realizamos correções, isso é bom; já é a revelação do que nos falta. Nesse caso, a Luz Circundante virá, a Luz que Reforma, e nos corrigirá.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 16/01/13

Romper Os Estreitos Limites Deste Mundo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos saber que nossas ações são a favor do Criador?

Resposta: Se o Criador é certa forma que eu juntei dentro de mim, então eu tenho que saber o que está em Seu favor e o que não está. Se a forma que estou juntando é uma forma total de doação, então é em seu favor doar.

O Criador está dentro de mim. A pessoa não sabe nada sobre o que está fora dela; o mundo que parece me cercar é uma ilusão. É uma mentira que foi criada para que, através da minha atitude para com ela, como se para com o mundo externo, eu serei capaz de descobri-la em maiores detalhes, levando coisas para fora de mim.

Se eu pudesse extrair meus sentimentos e meus pensamentos e ver que os espalho por todo o mundo, então seria o mundo de Ein Sof (Infinito). Então eu descobriria que nosso mundo não existe, que ele é todas as partes dos meus vasos. Na verdade, não há nada, nem todas as imagens e as pessoas ao meu redor. Tudo isso sou eu, chamado de “Adão” (homem) que diante da força do Criador. Agora eu não O vejo, mas me foi dada a oportunidade de começar a senti-Lo.

Nunca poderemos saber nada fora de nós mesmos, uma vez que tudo é apenas “de Suas ações vamos conhecê-Lo”, e para fazer isso temos que adquirir atributos espirituais por nós mesmos. É nisso que o mundo espiritual difere do mundo corpóreo.

Existe uma região em nós que é como uma mancha branca, em que agora não sentimos nada. Esta região está gradualmente sendo revelada e é chamada de “mundo superior”.

Há também uma região que eu sinto como “este mundo”, e eu começo a me sentir mal nela, como se fosse demasiado estreito e lotado neste círculo. Eu começo a procurar; talvez haja algo fora dela..

Alguns dos meus sentidos me dizem que há algo além de meus limites porque esta parte dos meus sentidos está oculta: eu sinto que vivo e morro neles. Há também diferentes discernimentos em mim: a natureza inanimada, vegetal, animal e “falante,” que eu também sinto como “este mundo”. Eles também aparecem e desaparecem, nascem e morrem. Eu vejo sua vida e morte, e por isso começo a pensar que tudo é temporário e dispensável; tudo muda e eu sinto uma espécie de vazio. Então eu começo a procurar e investigar o que está além dos limites da vida corpórea.

Se eu não romper os meus limites, como poderei descobrir o que acontece lá? Isto é como nós entramos no mundo superior que está além dos limites deste mundo, mas este mundo e o mundo superior são ambos um desejo de receber, e se nós os unirmos, o resultado é o mundo de Ein Sof.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/01/13, Escritos do Rabash

Agradecimento Por Um Momento Que Vale A Eternidade

Dr. Michael LaitmanO único problema em cada estado é que neste mundo não podemos conectar dois opostos em um. A Física Quântica moderna também lida com o fato de que a luz é tanto uma onda como uma partícula. Embora uma onda e uma partícula não sejam opostas perfeitas, os físicos não conseguem entender como elas podem estar integradas num único fenômeno. Eles não ainda conseguem ver um fenômeno onde dois opostos totais se conectam simultaneamente, como acontece no mundo espiritual, mas eles já veem o início deste fenômeno.

A pessoa que estuda a Cabalá enfrenta um problema semelhante, não no nível da natureza inanimada, não como na física, mas sim no nível dos pensamentos, intenções e sentimentos: no quarto nível, em comparação com o primeiro nível da natureza inanimada. Os primeiros níveis são a natureza inanimada, vegetal e a animal, e só depois há o nível humano, que determina o que está na mente e no coração de uma pessoa, os pensamentos e sentimentos, o poder e o discernimento.

Este dualismo traz muitos problemas. Por um lado, eu tenho que ver a verdade e eu a vejo com meus próprios olhos: todo este mundo corporal é corrupto, está numa crise, e eu também estou numa crise. Por outro lado, se eu me corrigir, não vou ter mais nada para corrigir e, então, não vou ter nada para fazer, já que o mundo inteiro parecerá corrigido e certamente o estará. Eu vou vê-lo desta forma, uma vez que “a pessoa julga de acordo com as próprias falhas”.

Por enquanto, não há nenhum dualismo nisso. O dualismo está no fato de que, por um lado, eu tenho que doar ao mundo inteiro e me preocupar se serei capaz de doar a todos. Por outro lado, eu tenho que entender que estou fazendo tudo isso para mim e que este mundo não precisa disso. Todas as corrupções que vejo só me mostram onde eu tenho que trabalhar, e elas foram feitas especialmente para mim.

Há a mesma contradição aqui como na história de Abraão, a quem foi dito que ele tinha que sacrificar seu filho Isaque, mas que, através dele, ele iria multiplicar — estas são duas coisas contraditórias. É assim como devemos ver nosso caminho: por um lado, nos preocupamos corrigindo tudo no mundo exterior, por outro lado, não há nada para se preocupar, uma vez que toda a realidade já está em estado de repouso absoluto e corrigida.

A pessoa deve ser grata ao Criador pelo momento na vida em que foi premiada com algum contato com a força superior. A questão é como podemos entender isso. Mas se ela esteve em contato com o Criador, mesmo por um momento, não é apenas um momento qualquer. Afinal, ela poderia penetrar naquele momento e entrar no mundo superior através dele, o mundo eterno, onde não há tempo, e, portanto, cada momento é uma eternidade.

Portanto, se a pessoa consegue realmente ser grata por aquele momento, ela já está no final da correção, ou pelo menos corrigiu seu nível atual.

Esta é a razão porque é difícil para nós estar nos estados espirituais e aceitá-los, e isso é de propósito. Todo o nosso trabalho é “acima da razão”; nós temos que aceitar as condições espirituais como “um boi para a carga e um burro para o fardo”. Embora não os entendamos, um “hábito se torna uma segunda natureza”, a Luz gradualmente nos influencia e constrói novos desejos em nós. Assim, nós chegaremos a um estado onde todos os opostos se conectarão em um. Então, através deles, nós seremos capazes de entrar no mundo espiritual.

Por um lado, o nosso ego nos separa cada vez mais dos outros, já que “aquele que é maior do que seu amigo, seu desejo é ainda maior”. A distância entre os desejos permanece, mas nós trabalhamos nisso, de modo que pelas intenções nos conectaremos num todo. Acontece que todo mundo está infinitamente separado dos outros, mas em nossas intenções, nós estamos num ponto comum e o Criador está nele.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 14/01/13

Um Caleidoscópio De Formas Espirituais

Dr. Michael LaitmanQuando nós nos movemos para nos corrigir, todas as nossas intenções devem ser orientadas para a unidade, e nenhuma delas pode ser de natureza pessoal. Nossos pontos no coração são a única coisa pessoal que temos. Com o que pode este ponto no coração se preocupar exceto em alcançar a unidade com o resto do nosso corpo coletivo, do qual ele acabará recebendo a espiritualidade?

É por isso que nossas tentativas em participar do nosso corpo coletivo nos revelam suas várias formas e características que lemos na Torá: Faraó, um anjo, Moisés, Abraão, Isaac, Jacó, e muitos outros. Quem são eles? São as imagens que toda a humanidade, o grupo, e o mundo adquirem conforme a sua realização.

O quadro descrito na Torá é a forma da alma geral que muda constantemente e se revela numa nova forma. No entanto, ela se revela apenas com a condição de que aspiremos continuamente à unidade. O Livro do Zohar fala sobre isso. Cada palavra e cada linha do Livro do Zohar representam uma revelação profunda e gradual, que continua até que ele se revela plenamente aos “os olhos de todo o Israel”. Não é por acaso que estas palavras são a frase final da Torá.

Nós só revelamos formas espirituais quando estamos conectados.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/01/13, O Zohar

O Fruto Proibido: A Segunda Tentativa Fracassada

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos explicar às pessoas que existe realmente apenas uma alma de Adam HaRishon (primeiro homem)?

Resposta: Há um desejo de receber e ele está cheio de Luz. Este estado é chamado de Ein Sof (Infinito). Não há fronteiras ou limites; não importa o tamanho do desejo, a Luz o preenche ao máximo. É por isso que na espiritualidade tudo é medido não por parâmetros quantitativos, mas por qualitativos. Se há “um grama” do desejo, há “um grama” de prazer para combinar com ele, e isso já é Ein Sof, sem limites: a Luz e o desejo são iguais.

Ao mesmo tempo, quando o desejo de receber começa a se conhecer mais profundamente, descobre em si uma maior intensidade qualitativa, até atingir o círculo central chamado de alma de Adam HaRishon. Dentro do meu desejo de receber, na minha Malchut, eu atinjo de onde vim e por que razão. Então, eu realmente quero me unir com a Luz e receber a alma de Adam HaRishon.

Baal HaSulam dá o exemplo do convidado que diz ao anfitrião que quer ser como ele.

– Bem, diz o anfitrião, eu vou fazer isso por você.

Então o convidado elimina a Luz, mas, na verdade, ele age contra o anfitrião e começa a se afastar dele em busca de um estado em que possa provar a si mesmo e ao anfitrião que pode ser como ele, para mostrar ao anfitrião sua verdadeira doação.

Da mesma forma, Adam HaRishon queria provar da “árvore do conhecimento” usando todos os meios possíveis, o que significa receber a Luz em seus vasos de recepção com a intenção de doar. Este foi o “pecado da árvore do conhecimento”, que é semelhante à “quebra dos vasos” no mundo de Nekudim, mas de uma maneira mais revelada. Já há detalhes aqui como: “serpente”, “Eva”, “Jardim do Éden”, e “Inferno”, que significa que há partes inteiras do desejo de receber cuja essência e objetivo que você já entendeu. Assim, você penetra na profundidade do desejo que foi criado pelo Criador. Isso se torna mais detalhado, mais claro, mais maduro, como um fruto que amadurece numa árvore.

Este fruto promete sabores maravilhosos e evoca grande paixão em você. O primeiro sabor era realmente a fim de doar: Adão e Eva receberam toda a Luz de Ein Sof, mas ainda não tinham um desejo completo com Reshimot (genes espirituais) destinado a este prazer. Mas depois, quando as novas Reshimot, os novos gostos, penetraram o desejo, ele não pode renunciar à intenção egoísta na segunda tentativa, ou mais precisamente, não pode evitar ser tentado. Afinal, não há “circunstâncias restritivas”, em espiritualidade. Ali, tudo é resolvido dentro do desejo, e se eu quiser roubar, eu roubo.

Agora nós temos que corrigir esses desejos, os vasos. Quando os corrigimos, voltamos para a alma corrigida de Adam HaRishon.

Por que é uma para todos? Porque todos atingem a unidade com todos os outros. Afinal de contas, a correção é a conexão com todos, graças a qual eu atinjo o vaso unido e nele recebo a única Luz da alma. Você não pode se corrigir separadamente e deixá-los permanecer “maus”. Não há tal coisa. Eu não vou me corrigir se não me conectar com todos e corrigir todos.

É por isso que finalmente cheguei a um estado em que todos estão corrigidos, e eu sou chamado de “justo completo”, o que significa que eu justifico e julgo a mim mesmo e ao mundo à escala de mérito.

Imagine que alguém próximo a você, falando de seu coração puro, diz que o mundo inteiro é bom e que o Criador é bom e benevolente e que simplesmente não pode haver o mal. Você olha para ele e não entende de onde ele vem: “Talvez devêssemos chamar uma ambulância? Será que ele não vê o que está acontecendo no mundo”. Você não entende, mas ele entende que você. Uma vez que ele já subiu a escada da realização espiritual, ele alcança a alma de Adam HaRishon e vê todos em Ein Sof. Embora você sinta o nosso mundo cruel em seus vasos de corrupção, você está realmente lá também.

O que devemos fazer para sentir isto? Apenas uma coisa: corrigir-nos. O mundo não muda, você muda, e então você o vê de forma diferente. É apenas a sua percepção interna pessoal. Hoje você está olhando tudo pelo prisma de suas falhas, de modo que você não vê a verdadeira realidade, mas vê a si mesmo do jeito que é hoje…

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/01/13 “600.000 Almas”

Vida Inconsciente: O Livre Arbítrio Não Existe?

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (from Max Planck Society): “Muitos processos no cérebro ocorrem de forma automática e sem o envolvimento da nossa consciência. Isso evita que a nossa mente seja sobrecarregada com simples tarefas rotineiras. Mas quando se trata de decisões, nós tendemos a assumir que elas são feitas por nossa mente consciente. Isso é questionado pelos nossos atuais resultados. …

“Os pesquisadores descobriram que era possível prever, a partir de sinais cerebrais, que opção os participantes escolheriam sete segundos antes dele conscientemente tomarem sua decisão. …

“Isso sugere que a decisão é inconscientemente preparada antes do tempo”.

Meu comentário: A decisão é feita fora de nós, acima, mas não só no nosso caso, mas, no caso de todos os objetos do mundo de acordo com o princípio: o vidro começa a quebrar antes que a bala o atinge. Tudo no mundo acontece de uma forma oposta a que pensamos; os nossos pensamentos, decisões e ações não vêm de nós para o mundo, mas na ordem inversa, eles vêm de “em algum lugar” até nós… O Criador passa por nós uma série de sensações, e nós temos que aprender a responder corretamente, reconhecendo-O em cada um deles. Então, a nossa vida vai se tornar consciente!

As Condições Em Que O Amor É Testado

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que simboliza a percepção da realidade na forma de “Israel, a Torá e o Criador são um”?

Resposta: A percepção de “Israel, a Torá e o Criador são um” é a única realidade verdadeira que existe. Nós, por outro lado, estamos em um estado de ocultação imaginária, em “mundos”, ou seja, em ocultações que existem apenas em relação a nós, para que possamos ser corrigidos.

O anfitrião que se depara com o convidado aceita o desejo do convidado e cria esta ocultação entre eles para que o convidado não sinta o anfitrião e suas boas ações. É porque esse presente paralisa o convidado! O hóspede quer ser como o anfitrião, mas não pode fazer nada enquanto o anfitrião o satisfaz com tudo o que é bom.

Sob tais condições, o convidado não pode dizer ao anfitrião que o ama e quer doar a ele. Mesmo que ele diga essas palavras, elas só serão ditas em agradecimento ao anfitrião por sua bondade para com o hóspede. Não é desta forma que o amor e o relacionamento são testados. O amor é testado quando você está pronto para dar tudo o que tem! Então, fica evidente que você ama e doa.

Assim, o anfitrião concorda com o hóspede, que ele deve ter as condições adequadas para expressar a sua atitude. Caso contrário, o convidado não tem porque receber a bondade do anfitrião, e só vai experimentar tristeza. Em vez de apreciar os refrescos que o anfitrião preparou, ele vai se torturar.

Isto traz grande tristeza ao hóspede, e por isso ele está pronto para restringir seu desejo (restrição I). Mais tarde, um sistema se desenvolve que permite ao convidado se corrigir. É como se ele fosse jogado fora do anfitrião para o outro lado da criação, da realidade, como se ele caísse de um penhasco em um abismo.

Mas ele está feliz com isso, pois ao cair ainda mais, ele começa a descobrir quem ele é. Antes, ele se dissolveu na Luz superior que tomava conta de tudo e cobria tudo. A Luz preencheu o desejo de receber e o desejo nem mesmo entendia o que realmente era. É assim que sente uma pessoa que tem um patrão importante e influente, que ela não pode pensar em nada sozinha, e assim começa a se perder.

Mas a criatura que é jogada fora do Criador para o outro lado da realidade pode agora verificar se o seu desejo era real no mundo de Ein Sof (Infinito) e pode fazer tudo pelo anfitrião, assim como o anfitrião faz por ela. Será que o convidado pode realmente fazer isso e será que ele quer? Aqui é onde começa o seu trabalho.

Primeiro há um longo período de preparação, milhares de anos de nossa história, que por enquanto nem podemos sequer considerar que existíamos com relação ao mundo espiritual. Por enquanto é apenas um processo que ocorre dentro de nós, como um sonho. Como num sonho, 50 anos de nossas vidas passam em cinco minutos. É a mesma coisa conosco, que ao entrar na realidade espiritual, na escada espiritual, olharmos para trás e para todo o caminho que fizemos em nossa vida como parecendo um episódio curto e sem sentido de no máximo um par de dias. A escala dos eventos muda totalmente.

Após o convidado restringir seu desejo, ele já pode começar a trabalhar e se adaptar ao anfitrião. Ele está pronto para receber do anfitrião na medida em que pode doar a ele por isso. Ele está pronto para estar no escuro e receber tanto a Luz quanto a escuridão. Isso significa que ele não precisa sentir o gosto e as satisfações do anfitrião para seu próprio prazer. Ele recebe essas satisfações apenas para doar e dar alegria ao anfitrião.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/01/13, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Muitas Centelhas, Uma Alma

Dr. Michael LaitmanPor um lado, há muitas almas e cada uma delas é dividida em mais partes. Mas, por outro lado, pode a espiritualidade ser dividida em partes? Nós sabemos que existe uma única realidade e nada mais que isso. Mesmo quando estamos confusos, à medida que vemos suas partes separadas, é realmente um todo, já que apenas um estado foi criado desde o início, uma alma.

Ela é chamada de alma de Adam HaRishon (primeiro homem), Malchut de Ein Sof (Infinito). Após a preparação, nós descobrimos muito mais claramente esta realidade interior por trás dos Partzufim e “mundos”. Trata-se do desejo que está aderido ao Criador. No nível zero ou da raiz da adesão, ele é chamado de Malchut de Ein Sof, e no quarto nível da adesão é chamado de alma de Adam HaRishon. Tudo se resume em como vemos este desejo num determinado ponto do nosso desenvolvimento.

Portanto, só o mundo de Ein Sof foi criado, ou a alma de Adam HaRishon, e nada mais. Esta alma está em cada pessoa chamada de “Israel”, que significa Yashar-El (direto ao Criador), que alcançou a espiritualidade. Além disso, ela é plena em todo mundo, já que a espiritualidade não é dividida em seções e partes como vemos na corporeidade. Só a falta de correção me impede de ver a imagem real. Apesar de tudo, eu estou nela, no estado inicial de uma alma que foi preparada por nós para se revelar.

Mas os Cabalistas dizem que há 600 mil almas que são divididas em “centelhas”. Portanto, o que representa esta estrutura, uma “árvore genealógica”? Esta é a imagem distorcida da realidade, que é dividida pela força do desejo corrompido em cada um de nós. Primeiro esse desejo se separa e evita totalmente a entrada da Luz, sendo totalmente oposto a ela. Depois, pela força da correção, o desejo começa a receber a intenção “a fim de doar”; em outras palavras, ele é refinado. Na medida em que ele tem essa intenção, a alma geral ilumina nele. Isto significa que o desejo gradualmente descobre o seu verdadeiro estado. Primeiro ele sente que é uma pequena parte da alma geral, e finalmente descobre que é o mesmo que a alma. Depois, ele descobre que é Adam HaRishon.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/01/13, “600.000 Almas”

Não Precisamos De Muitas Palavras

Pergunta: A convenção “Uma chama no Deserto” parece estar fechando o círculo que a primeira convenção no deserto começou há cerca de um ano atrás. Nós sentimos que a fase anterior está terminando e há novas oportunidades para nós sobre a conexão emocional conosco. O nosso grupo mundial será semelhante a o quê após o seu nascimento espiritual, quando conseguirmos alcançar a conexão?

Resposta: Eu não acho que a nossa forma externa vai mudar muito, e a conexão interna não pode ser descrita em palavras. Haverá uma conexão entre nós, que você vai sempre sentir como se o seu filho estivesse longe de você, a distância física separa você, mas você o conhece e o sente  tão bem que a imagem dele tornou-se uma parte sua e está vivendo em você; e é assim que todos nós vamos sentir um ao outro.

Nós não precisamos falar muito, uma vez que entendemos  os sentimentos uns dos outros internamente através da adesão. Haverá poucas palavras e os esclarecimentos serão curtos e mais simples. É como se estivéssemos comendo uma salada, e eu digo que não há sal suficiente e você já entende isso mesmo quando eu digo a metade de uma palavra. Afinal, você está provando o mesmo prato, e sente a mesma realidade.

Nós não necessitamos de palavras intermináveis ​​e poderosos meios de comunicação, a fim de criar a conexão entre nós como fazemos hoje, quando não nos sentimos conectados. Nós vamos nos corresponder, mas em pocu tempo e direto ao ponto, uma vez que vamos entender o que cada um sente, de qualquer forma. Vamos nos tornar “um homem em um coração”.

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Da 1 ª parte da Lição Diária de Cabala de 8/1/13,”Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”

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A Alegria de Doação Retirada A Partir Da Ocultação

Baal HaSulam, Shamati, “Qual é a sigla de Elul no Trabalho”: No entanto, há uma condição para isso: É impossível obter revelação antes de um receber o discernimento de Achoraim (posterior), entendido como ocultação da Face, e dizer que ele é tão importante para ele quanto a revelação da Face …

Isso significa que, quando se chega a um estado em que não se tem apoio, este estado torna-se preto, que é o menor discernimento no mundo superior, e que se torna o Keter para o inferior, como o vaso de Keter é um vaso de doação .

O menor discernimento no superior é Malchut, que nada tem de si próprio, o que significa que ela não tem nada. E só assim é chamado de Malchut. Isso significa que se um assume o Reino do Céu – que está em um estado de não ter nada de boa vontade – depois, torna-se Keter, que é um vaso de doação e do mais puro Kli. Em outras palavras, a recepção de Malchut num estado de escuridão subsequentemente se torna um Kli de Keter, que é um vaso de doação.

Temos que trabalhar duro e fazer tudo o que pudermos, como se diz: “Faça tudo o que está em seu poder” até chegar a um estado que o”dorso”do Criador e a “face”do Criador se tornam igualmente importantes. Isso significa que você vai ver a obra do Criador em você tanto na ocultação como na revelação. Se você quer trabalhar a fim de trazer contentamento ao Criador e não para o seu bem, então você recebe tanto a ocultação (o “dorso”) como a revelação (a “face”) de bom grado.

Você não verá nenhuma diferença entre a Luz e a escuridão, a diferença entre estas é apenas sentida no desejo corrupto para receber, mas no desejo corrigido, elas são iguais. Assim, todas as suas reflexões acerca da boa Providência desaparecem. Todos os estados da ocultação da face do Criador tornam-se igualmente importantes e desejáveis para você, assim como Sua revelação.

Então você atinge um estado onde não há mais ocultação. Uma vez que tudo é determinado pela sua percepção, de acordo com a pessoa que recebe. Enquanto isso, você oculta as ações do Criador boas e benevolentes de você mesmo com o seu desejo de receber, e em vez do bem, você vê tudo escuro e mau. Ao corrigir-se a si mesmo, você descobre que antes tudo era bom e correto e a única coisa que teve que mudar foi a sua percepção.

Assim você acaba por compreender que é sua Malchut com toda a sua espessura que atinge a grande doação de Keter, ao transformar a sua força de receber (a espessura) em doação (pureza). Não é apenas uma mudança de receber para doar, mas de receber mal para receber bondade. Você, com todo seu material egoísta, vai participar na revelação da bondade, purificando-o a fim de sentir a Luz e doando-o como um bem , e em vez do ego, mudá-lo para doar.

Desta forma você faz a sua contribuição, participa e constrói a revelação por si mesmo. É pela espessura de seu desejo de receber que você aumenta a doação do Criador, aumentando-a a partir de uma pequena centelha de Luz e de um pequeno ponto de desejo até ao tamanho de Ein Sof.

Da preparação para a Lição Diária de Cabala 08/01/13