Textos na Categoria 'Percepção'

Nos Bastidores De Um Teatro De Sombra

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós podemos avaliar o equilíbrio de poder em nosso mundo de acordo com o equilíbrio de forças espirituais na história de Purim? Como a educação integral e a ciência da Cabalá estão refletidas nessa nesta história?

Resposta: Vamos dar uma olhada nos personagens de Purim: O rei, Mordechai, Hamã e Ester que os une. Todos os fios são tecidos nela.

Isto é como as inclinações de uma pessoa são apresentadas: as três linhas e o Criador acima, ou seja, o conhecimento e a aspiração por Keter acima da razão na linha do meio. Mas, na realidade, tudo isso se manifesta devido ao trabalho de unificação. Daí os eventos de Purim acontecerem durante o exílio Babilônico.

Purim é o símbolo mais importante.

O grupo de Abraão veio da Babilônia, realizou uma série de correções, caiu de seu grau e desceu para a Babilônia novamente para revelar o último método de correção lá.

Com esse método, o grupo constrói novamente um vaso espiritual; no entanto, ele não pode permanecer nele porque este vaso é muito mais fraco do que o anterior. Ele tem muito mais limitações do que o anterior, porque agora o mundo inteiro precisa ser corrigido.

Então, novamente, a mistura ocorre, mas já na base deste vaso corrigido na Babilônia e adaptado para o mundo.

Então os filhos de Israel saem ao mundo para estar junto com ele e nos nossos dias eles vêm para a mesma Babilônia, para a mesma situação com Hamã, Mordechai, e Assuero.

Hoje, tudo está pronto, mas queremos avançar ao longo de um bom caminho, acima da razão, e por isso temos que explicar a todos que a salvação está na união.

Na época, Hamã queria usar o estado de “sono” dos filhos de Israel: eles não mantiveram a conexão correta entre si e isso proporcionou a oportunidade de destruí-los, ou seja, destruir a aspiração espiritual e fazê-los trabalhar egoisticamente.

Por outro lado, a educação integral nos diz: “não, temos que começar a nos unir porque nela reside a salvação do mundo, material e espiritual”. Nós não temos outra opção.

Nas condições atuais, nós estamos aparentemente contra o mundo inteiro, exigindo o consumo razoável de acordo com as necessidades básicas, a igualdade, a distribuição justa, etc. Nós explicamos que o inflado setor bancário e a produção excessiva não têm lugar no mundo. Gradualmente compreendendo como temos que viver em novas condições, a humanidade vai se livrar de todas aquelas atividades inventadas, deixando apenas o que é realmente necessário para a existência normal.

Isso não significa que podemos voltar ou inverter a história. Claro, podemos continuar a desenvolver diversas tecnologias, mas de uma forma que elas não sejam frescuras, mas necessidades reais para a vida.

Por exemplo, se a produção for automatizada, as pessoas não terão que trabalhar nem por uma hora por dia. Bem, deixe-as se envolver na atividade principal da sua vida: o desenvolvimento espiritual. Deixe-as fazer o trabalho interno em si mesmas.

Nós não entendemos ainda que as tecnologias de ponta criam um novo mundo “virtual”, onde o desejo de receber existirá calmamente acima do nível do “animal”, porque depois de ter subido ao nível humano, você deixará de sentir o “sabor” dos desejos anteriores. Da mesma forma, não sentimos como nosso cabelo e unhas crescem, e como os aparamos.

A sensação deste mundo vai começar a “desaparecer” e todas as nossas ações, todas as conexões, toda a existência, serão sentidas apenas nas relações entre as pessoas. Só estas relações serão baseadas, não no princípio de “dar e receber”, não apenas na interação física nem por meio da troca de mercadorias, este nível irá recuar para o fundo e desaparecer da percepção; ao invés dele, cada vez mais nós sentiremos a essência interior do que está acontecendo, nosso relacionamento verdadeiro e profundo.

Assim, em nossa percepção, vamos passar para o próximo nível, que não existe em nosso mundo, pois consiste dos níveis inanimado, vegetal e animal, e o nível humano não pertence a ele. Se você o alcança, todos os outros graus são incluídos nele e desaparecerem como tal. Então, nossa percepção é subitamente transportada no mundo das forças, não no mundo da matéria. Acontece que a “matéria” é o desejo de receber, e não imagens materiais, como sombras, projetadas no espelho da nossa consciência.

As tecnologias modernas oferecem bom suporte para essa percepção. Nos próximos anos vamos ver como as pessoas perdem suas atividades habituais, como se fossem deixadas sem nada. Então, por que somos carentes?

Nós somos carentes, mas não na forma de corpos. Afinal, o “eu” é algo eterno, imutável, e podemos subir a este grau por meio da educação integral, que nos permite avançar suave e confortavelmente e não sob a enxurrada de golpes que não nos deixam outra escolha.

Nós não podemos nos desesperar neste caminho. Afinal, nosso pequeno esforço espiritual muitas vezes excede todos os esforços materiais. Se pensarmos um pouco mais, “nos esforçarmos” um pouco mais no desenvolvimento espiritual, sem bombas e mísseis, seremos capazes de resistir a isso, milhões de inimigos serão impotentes diante disso.

Nós temos que estar cientes da diferença de potenciais entre a força espiritual e a força material. Como Baal HaSulam escreve que todos os representantes do nível “animal” são iguais a um representante do nível humano. Em essência, não há nada para comparar, porque o poder entre os níveis difere muito. Nós só precisamos ir mais fundo, e você vai ver como chegaremos ao Purim…

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/02/13, Escritos do Rabash

O Pagamento Por Ser Fiel

Dr. Michael LaitmanRabash, “Revelação e Ocultação”: A questão da ocultação se refere ao fato de que a pessoa quer ver e entender, e não vê ou entende. Assim, nós devemos dizer que isso está oculto dela. Além disso, o nível de ocultação é medido de acordo com a sua necessidade de saber. Portanto, se a pessoa não precisa saber nada, não há porque dizer que ela sofre ocultação.

Por exemplo, se a pessoa tem que trabalhar num determinado lugar por apenas meia hora por dia e recebe seu pagamento uma vez por mês, ela deve acreditar que será paga, embora não tenha visto ninguém que já tenha recebido seu pagamento. Por isso, ela acredita na empresa, embora esteja oculto dela se a empresa irá lhe pagar e como, já que ninguém conhece a empresa em que ela deseja trabalhar. E se ela quiser trabalhar mais de meia hora, ela tem uma maior necessidade de saber se a empresa paga em dia. Por isso, se ela ouve alguma fofoca sobre a empresa, ela sofre mais por causa da ocultação, e se ela quer trabalhar dia e de noite, é claro que ela sente maior ocultação, uma vez que tem uma maior necessidade de saber se vai receber o seu salário, como prometido.

E uma vez que o Reino do Céu está acima da razão, todo mundo sofre com a ocultação, mas aqueles que querem trabalhar em prol do Céu, têm maior ocultação, uma vez que têm maior necessidade de saber, já que o corpo pede uma e outra vez: “Que trabalho é este trabalho que você faz?”. Acontece que esta questão está constantemente pronta, de acordo com o que a pessoa quer que seja totalmente em prol do Céu, e a resposta a esta pergunta é “enfraquecer os dentes”.

Nós devemos aceitar o fato de que nunca vemos o pagamento com antecedência. Pelo contrário, como já antecipamos, vemos imagens opostas, de que não existe pagamento e que não haverá nenhum. Tudo isto é com o fim de nos elevar acima da razão.

Quanto menos nós conhecemos e entendemos, menos certeza temos, e quanto menos prova nós temos, mais chances isso dá para se construir uma rede de apoio e confiança acima da razão. Então, essa confiança não é revelada em nossos vasos de recepção, mas apenas em doação, acima da razão, sem qualquer prova, uma vez que “Nele se alegra o nosso coração”. Isso significa que não em nós, nem no nosso ego, mas Acima, no Criador ou no grupo, na conexão, é que descobrimos a força superior.

Assim, ninguém vai receber qualquer pagamento. Quem não aceitar isto pode sair imediatamente e procurar o salário na vida comum corporal. Porém, na vida espiritual, o pagamento está em desistir dele, no sentimento da importância de saber para quem estou trabalhando.

Da preparação para a Lição Diária de Cabala de 24/02/13

O 50º E Último Portão

Dr. Michael LaitmanO mesmo processo se repete em todos os níveis. O símbolo disso são os feriados que se repetem a cada ano, a cada novo ciclo. Tudo isso é revelado de acordo com os Reshimot (genes espirituais), com respeito aos que recebem, que esclarecem suas Luzes, centelhas e vasos, e passam por estas fases. Assim, uma pessoa passa por 49 “portões de impureza” e chega ao 50º portão de Bina. Então, tudo que parecia terrível para ela muda. O nível superior parecia impossível de alcançar e horrível, mas ela está pronta para aceitá-lo acima da razão em todas as formas possíveis.

Assim, por seus esforços, ela passa pelos 49 portões, e cada vez parece que não consegue avançar, mas de alguma forma ela supera o obstáculo e passa. No 50º portão ela para, não consegue atravessá-lo, e daí uma oração nasce nela, que a ajuda a fazer isso.

Ester simboliza a ocultação dupla de ambos os vasos de recepção e de doação. As correções feitas por Mordechai parecem levar a um resultado oposto, que se destina a ser a Luz especial “Mor-Dror” (pura mirra). Assim, nós chegamos a Purim, onde o pior estado de desamparo é revelado, mas nós tentamos atribuí-lo ao Criador e estamos prontos para trabalhar em doação, acima dos piores estados, a fim de invertê-los, ao nos elevar acima deles e revelar o estado oposto. A Luz se veste em tudo isso e a ajuda de Cima é revelada.

Nós devemos entender que tudo depende da pessoa, enquanto não há nenhuma ação por parte do superior. Todo o sistema superior já existe, mas nós o despertamos: Partzufim, Abba, Ima, Arich Anpin, ao elevar a nossa oração (MAN) a ZON de Atzilut.

E quando há um “despertar de Cima”, é somente se for a sua vez no ciclo de nossas ações mútuas, de acordo com o nosso despertar de baixo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/02/13, Escritos do Baal HaSulam

A Arte De Sintonizar-se Na Frequência Certa

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que você pode fazer se nem sente a resposta inicial ao que Baal HaSulam descreve aqui internamente?

Resposta: A fim de sentir o que Baal HaSulam fala nós precisamos ser sensíveis. Isto significa que se você está na mesma frequência que a onda é transmitida, você a ouve, mas se você está em outra frequência, não será capaz de recebê-la.

É como se você estivesse num carro que é equipado com tudo que você precisa: uma antena e um rádio, mas se você não ligar o botão e não sintonizar o rádio na onda que deseja, você não vai ouvi-la. Embora a onda já tenha sido recebida pela antena e entrado no rádio, ela não passou pela parte do receptor que é responsável pela identificação da frequência. Ele não está sintonizado na frequência correta, de modo que possa ser compatível à frequência que é enviada a você.

Acontece que o Baal HaSulam escreve numa determinada frequência e, por enquanto, você não pode percebê-la. Você pode se lamentar por isso e pensar em como pode se calibrar e se tornar mais sensível a esta frequência, mas isso não significa que você tem que se torturar e ser infeliz, mas sim que tem que estar em alegria!

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/02/13, Escritos do Baal HaSulam

Apegar-se Às Suas Qualidades

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Discurso Para a Conclusão do Zohar“: Nós devemos entender o que significa a Dvekut (adesão) com o Criador. Afinal, o pensamento não tem nenhuma percepção Dele de forma alguma. Na verdade, nossos sábios têm discutido esta questão antes de mim, perguntando sobre o versículo, “e apegar-se a Ele: Como pode alguém apegar-se a Ele? Afinal, Ele é fogo que consome”.

E eles responderam: “Apegar-se às Suas qualidades: como Ele é misericordioso, você é misericordioso; como ele é compassivo, você é compassivo”.

Se nós alterarmos vários atributos em nós, transformando-os de “a fim de receber” para “a fim de doar”, como isso nos permitirá compreender quem é o Criador? Além disso, como isso nos ajuda a nos assemelhar a Ele? Como podemos adquirir esta semelhança? Como nos aderimos a Ele? Afinal, é impossível tocá-Lo. Assim, como fazer “truques” internos que nos permitam nos assemelhar a alguém que nem mesmo vemos e com quem não conseguimos nos identificar? Como podemos compreender o princípio: “por Suas ações Lhe conhecemos?”. Como as mudanças internas me levam a Ele? Como é possível amar os outros se não é minha natureza?

Eis porque eu não sou obrigado a amar diretamente, mas posso corrigir meus 611 desejos. Assim, a 612ª correção será a aquisição completa do atributo de Hassadim, e a 613ª correção será “receber para doar”. Assim, é impossível obrigar alguém a amar, mas é a partir das correções que a precedem que podemos atingi-lo.

Assim é como a semelhança com o Criador é atingida. Vamos cumprir e organizar todas as ações necessárias internamente, mas isso não significa que todas as ações em si sejam importantes, mas sim os esclarecimentos que fazemos em relação a cada detalhe. Todos os esclarecimentos somam e acumulam e se transformam em vasos espirituais.

Assim, nada está faltando em nosso trabalho. Nós não podemos chegar ao final da correção em um salto. Na verdade, já estamos no final da correção, mas não temos os vasos para senti-la. Então, nós devemos coletar todos os vasos ao longo do caminho para finalmente chegar a esta revelação.

Pergunta: O que significa para nós hoje “apegar-se ao Criador”?

Resposta: Eu construo Sua imagem dentro de mim através de diferentes discernimentos que faço internamente. Não se trata de sinais externos, mas de uma essência interna. O Criador é um espírito de doação que nasce e me preenche. É uma atitude na qual eu posso produzir o “doar a fim de doar” ou o “receber a fim de doar”. É uma reflexão que eu pondero de dentro de mim, para fora.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/02/13, “Discurso Para a Conclusão do Zohar

O Criador Está Em Foco

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos nos tornar semelhantes ao Criador se às vezes pensamos que suas ações estão erradas?

Resposta: Não às vezes, mas constantemente! O que há de bom neste mundo? Mesmo os piores vilões não conseguem suportar o que está acontecendo nele. Ainda assim, este mundo é criado por Ele.

O fato é que consideramos este mundo como sendo 100% oposto ao Criador. Por quê? Porque somos opostos a Ele. O Criador brilha dentro de nós e Sua Luz é a bondade absoluta. Mas quando a Luz cai no nosso “filme sensível à luz”, faz um negativo que é oposto ao original. Assim, quanto mais Luz recebemos, maior se torna a escuridão e vice versa. Esta é a forma como vemos o mundo.

A Luz desenha várias formas na tela do nosso desejo de receber, e todas elas são desenhadas no negativo. Elas são opostas à Luz. Assim é como o mundo é descrito dentro de nós.

Como poderemos alcançar similaridade com o Criador? De que forma, como resultado de nossa oposição, podemos vê-Lo e não um retrato imaginário? Para isso, temos que transformar o “quadro” e inverter a sua gama de contraste. E se fizermos isso com o primeiro “quadro”, alcançaremos o primeiro grau espiritual. Então, vamos trabalhar com o segundo, com o terceiro e com todos os “quadros” subsequentes.

Assim, a Torá inteira correlaciona-se com uma pessoa e vive dentro dela. Cada pessoa é um pequeno mundo.

Desta forma, tudo tem a ver com a “tecnologia”: como trabalhar internamente para transformar a escuridão imaginária em luz, e a imaginária luz em escuridão. Para isso, eu preciso transformar minhas propriedades em seu oposto: transformar o negativo em positivo. Esta transição interna é a Torá, a Luz que Reforma. Isso é o que eu preciso.

Sinto o Criador dentro de mim. Mesmo agora eu O percebo nos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza e nas pessoas. Tudo ao meu redor é o Criador, que Se “traduz” para mim e copia a Si mesmo dentro de mim. Eu só tenho que decodificar esta imagem.

Eu trabalho não com o mundo, os amigos, ou o Criador, mas comigo mesmo, dentro de mim. Enquanto isso, eu estou autorizado a usar as formas, aparentemente externas, a fim de decodificar a imagem original.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 31/01/13, “Discurso Para a Conclusão do Zohar

O Caloroso Abraço Da Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que um despertar do Alto ocorre a cada minuto, e qual é a nossa resposta correta a ele?

Resposta: Não é só o despertar do Alto, mas sim toda a nossa existência que é possível graças à Luz superior, que constantemente nos sustenta, como um ímã segurando um pedaço de ferro no ar, e realiza todos os tipos de ações em nós.

Não há dúvida sobre isso, a matéria da criação não seria capaz de existir, não mudaria, e não sentiria a si mesma sem a Luz superior. A Luz faz tudo.

A resposta correta da nossa parte é tentar aumentar a nossa sensibilidade e a nossa compreensão refinada em relação ao que a força superior faz conosco, para entender como devemos responder para ser exatamente como ela, e aderir a seus atributos, às alterações que ela faz e sua influência sobre nós.

Isto significa que em cada protuberância ou entalhe que o Criador faz em mim, eu imediatamente me uno à sua ação e me visto nela, como o desejo de Nukva no desejo do homem. Acontece que nós constantemente colaboramos na ação geral, como parceiros. Desta forma, eu deveria tentar agir em toda a minha vida, e assim eu atinjo o estado de plenitude chamado adesão.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/02/13, Escritos do Baal HaSulam

Educação Integral Não Pode Ser Confundida Com Outra Coisa

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quantas aulas serão necessárias para moldar a visão integral dentro de uma pessoa?

Resposta: Eu tenho certeza que a sensação da nova atitude para com o mundo é formada dentro de uma pessoa durante a primeira aula. Ela pode ser de uma hora e meia ou duas horas, dirigida à formação da conexão e interação com os outros.

Normalmente, durante a primeira aula a pessoa começa a sentir que já olha de forma diferente para as pessoas, o mundo, e para si mesma. De repente, ela percebe que não existe apenas o “eu individual”, mas há algo além disso. Ela se torna muito atraída por este “além de mim individualmente”. De repente ela sente calor. Através de sua interação com os outros ela sente confiança e relaxamento como se estivesse no ventre de sua mãe.

Comentário: Mas há vários treinamentos deste tipo…

Resposta: Isso não é a psicologia. É impossível confundi-lo com qualquer outra coisa, porque aqui a pessoa obtém um meio totalmente diferente de conexão fora de si mesma. Ela começa a sentir o mundo fora de si, além de suas propriedades. Não importa com que propriedades eu nasci, e qual educação recebi. Agora eu começo a subir acima das minhas propriedades originais e acima das propriedades já adquiridas até hoje, e começo a sentir os outros, o que eles realmente são.

O ambiente integral inevitavelmente dá à pessoa sentidos adicionais. Ela começa a sentir o mundo de forma muito mais ampla.

De KabTV, “Mundo Integral”, 27/11/12

Uma Personalidade Que Nunca Existiu Na Natureza

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você acha que, como resultado de passar pelo processo de educação integral, alguém pode subir ao próximo nível e permanecer um ladrão, por exemplo?

Resposta: Ele não vai permanecer um ladrão! Ele vai adquirir novos valores, uma nova percepção da realidade, e é a mesma coisa, uma vez que a realidade é percebida pela soma dos valores de uma pessoa. Por que eu vejo uma coisa, mas não vejo outra? Por que presto mais atenção numa coisa e menos atenção noutra? Isso acontece de acordo com o conjunto de valores que tenho.

Na verdade, aqueles que eu vejo como bons são prisioneiros de suas próprias imaginações pueris. Estes são, de fato, os mais prejudiciais e difíceis, e serão os últimas a chegar à correção.

De que maneira eles são melhores do que o ladrão que você mencionou? Eles também roubam, mas de forma diferente. É normal tomarem alguns bilhões das pessoas para si, o que significa que são bem sucedidos. Mas se você roubar é for capturado e colocado na prisão, isso significa que você não foi bem sucedido. Quem é melhor, quem é pior? Quem causa mais danos aos outros e quem causa menos danos? Nós organizamos tudo em seu lugar de acordo com o nosso conjunto de valores.

Ao adquirir um novo sentido, uma nova ferramenta de compreensão, a pessoa não vai se comportar como antes. Isto é de fato o que vai tirá-la de seu estado anterior.

Um novo sistema de sentir o mundo é criado nela, e ela já age de acordo com ele. É como se ela colocasse óculos novos, adquirisse novos olhos, novos ouvidos, uma nova mente coletiva. Ela leva todos em conta, não pode pensar em si mesma, mas pensa em “nós”. É uma nova personalidade a partir de uma perspectiva qualitativa, que até agora nunca existiu na natureza. Ela é chamada de Adam (humano), uma imagem unificada.

De KabTv “Mundo Integral” 27/11/12

Um Olhar Sobre O Mundo Através Das Lentes Da Integralidade

Pergunta: Suponha-se que, durante os estudos integrais no grupo há um ladrão ou um informante entre nós. De acordo com o sistema temos que nos superar e valorizar o outro, assim como nos valorizamos a nós próprios. Mas uma pessoa sempre se justifica, portanto, se tentarmos justificar o comportamento do outro, vamos perder todos os nossos valores morais, e não poderemos destruí-los sem criar uns novos.

Resposta: Eu não destruo nenhum dos valores morais, mas aprendo a me elevar ao meu nível seguinte quando o “Nós” se torna mais importante para mim do que o “Eu”.

Como posso cooperar com toda a humanidade, se esta é sempre apreendida por mim como pior do que eu: “Este é estúpido e o outro é mais inteligente do que eu, mas aquele outro é tão bom em outra coisa, etc.”. Então, como posso eu relacionar-me com todos integralmente, se eu não aprendo agora como justificá-los? Eu tenho que aprender! Não estou a dizer com isto que devemos desculpá-los.

O objetivo dos nossos workshops (oficinas) é criar um órgão global para a perceção do mundo. Então eu vou ver que o mundo é diferente; vou ver as conexões recíprocas nele, a rede. Tudo isso vai estar em mim, e assim de repente, quando eu olhar para o mundo, eu serei capaz de dizer: “Oh, esse é o caminho que deve ser feito!” Dentro de mim não vai ser tão difícil.

Tente preparar um programa para distribuir toda a comida do mundo agora. Suponha que todas as indicações são colocadas em suas mãos: Há uma certa quantidade de alimentos no mundo, que é encontrada em certos lugares, agora distribua-a para que todos se sintam bem. Você vai sentir aos pedaços, não vai ter recursos humanos e tecnológicos suficientes para realizar isso.

No entanto, se você tem uma perspetiva integral da vida parecer-lhe-á natural, assim como uma mãe que sabe o que precisa preparar para o seu bebê e o que precisa preparar para o seu marido, etc. E tudo fica pronto! Por quê? Porque ela os sente. São parte dela, estão dentro dela. Mas se tivermos que fazer algo para outras pessoas, nos deparamos logo com um grande problema, e se for para o mundo inteiro, então ainda pior.

Por isso, é importante “sair” de mim próprio. Eu “exercito-me” com os outros. Quanto mais estúpidos me parecem, mais a sua perspetiva é oposta da minha, mais eu posso “sair de mim”, elevar-me para temporariamente estar de acordo com eles.

Pergunta: O que determina este acordo temporário?

Resposta: O fato de que eu estou criando um novo órgão integral da percepção. Eu começo a entender todas as outras pessoas e através de todo o sistema que é criado e nasce em mim, eu começo a ver como eu posso cooperar com o mundo inteiro. Eu não vou corrigir ninguém, é impossível corrigir o ego.

Todos os outros participantes passam pela mesma etapa. Mas nós não nos corrigimos uns aos outros! Nós elevamo-nos ao próximo nível.

De “Integral World”, KabTV de 11/27/12