Textos na Categoria 'Percepção'

Alcançar O Outro É Alcançar A Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Muitas vezes nós falamos sobre o outro. O que é o desejo de receber do outro?

Resposta: Toda a realidade que você pode imaginar se resume ao outro. Em outras palavras, é tudo o que está fora do “eu”. Nós devemos entender que o “eu” é apenas uma centelha e pronto. Tudo o resto é restrito e sem importância. Você pode comer, beber e gozar a vida, mas apenas para sustentar a si mesmo. Tudo é determinado pela intenção da pessoa.

Você deve ver a si mesmo como uma centelha. Tudo o resto é o nível animal e você deve fornecer o que ele precisa, mas toda sua atenção deve ser destinada ao exterior, para o que é externo à centelha. Lá, fora de si mesmo, está o seu desejo, o seu vaso espiritual, tudo o que você pode imaginar: todos os níveis da natureza inanimada, vegetal, animal e falante.

Você pode controlar automaticamente os três primeiros níveis dos seus desejos externos (os níveis inanimado, vegetal e animal), pois não há resistência por parte deles. Mas nós temos problemas com a natureza humana, pois nela você vê a si mesmo, a sua essência, o que você é. É como o atlas de sua anatomia espiritual interna com todos os seus componentes. Tudo está lá, e ainda assim, é o seu desejo, e por isso você deve trabalhar com ele.

Isso não significa que você tem que corrigir os outros. Simplesmente por se preocupar com eles, você descobre que eles pertencem a você. É por isso que disseminamos. É como se você quisesse alcançar os outros, transmitir o método de correção a eles, mas para se aproximar deles você tem que entender e sentir que é o seu próprio “eu”. Então, ao se sentir realmente neles, você começa a entender o que está escrito nos livros dos Cabalistas.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/03/13, “Introdução ao Livro do Zohar

Derech Eretz (O Caminho Do Meio) Aquecido Pelo Sol

Dr. Michael LaitmanA correção é possível através de grandes sofrimentos que não podem sequer ser descritos, uma vez que requer o pleno reconhecimento do mal em cada propriedade individual, a fim de recusar receber em cada um e passar para o caminho de doação. Este caminho é impossível, já que a pessoa não consegue suportar tais sofrimentos.

Portanto, o avanço é geralmente em algum lugar no meio, entre o caminho do sofrimento e o caminho da Torá (o caminho da Luz), entre “eu vou apressá-lo” (Achishena) e “a seu tempo” (Beito), razão pela qual é chamado de “Derech Eretz (o caminho da terra)”. A pessoa avança à medida que é empurrada por trás pelos sofrimentos ou puxada pela frente pela Luz. Ela não pode estar no mesmo caminho o tempo todo.

É impossível mover-se pelo caminho da Torá desde o início, de forma incondicional, mas na medida em que tentamos fazê-lo – especialmente ao construir realmente a Shechiná, ou seja, ao construir a conexão entre nós na doação mútua, conforme o nosso esforço e nossa responsabilidade pelos outros-, nós deixamos o caminho do sofrimento e avançamos à meta ao longo do “Derech Eretz“, ao longo do caminho do meio.

Não é que a “linha média” seja melhor para a nossa ascensão espiritual, mas o “caminho do meio” é um compromisso entre as duas estradas em que devemos permanecer. A única opção é fortalecer a nossa sociedade, para que ela influencie a todos. Nós devemos ver os amigos como a área onde o Criador será revelado, o atributo de doação. Assim, eu vejo a minha alma e não a mim mesmo.

A pessoa pode verificar a si mesma e o seu avanço de acordo com a forma como se preocupa com os amigos e o grupo, de modo que a revelação ocorrerá neles, como uma mãe que se preocupa com seus bebês. Então ela pode ter certeza de que entende o que significa avanço, sabe o que adicionar a ele e pode realmente realizar isso neste mundo agora, e levar a sua intenção à totalidade.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 04/03/13

O Poder Do Pensamento

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se nós tiramos uma foto de um futuro brilhante, parece que o percebemos, não é? Como se costuma dizer, “Você quer ser feliz, seja feliz”.

Resposta: Em geral, é verdade, porque os pensamentos funcionam. Se cultivarmos pensamentos positivos, vamos naturalmente criar o campo positivo nos círculos integrais e todos os outros lugares e gerar as forças positivas da natureza.

Por outro lado, o campo irá também nos educar. É por isso que é desejável estar de bom humor o tempo todo com um bom apoio, e assim uma vida relativamente fácil é garantida.

Nós estamos no absoluto da natureza e todos os tipos de dados fluem dentro de nós, os quais percebemos como o fluxo da vida. Por isso, se percebemos de forma diferente os mesmos dados que fluem através de nós agora, a vida vai parecer bem diferente. Acontece que nós mesmos regulamos a qualidade da nossa vida: o que ela é, boa ou má, proposital ou sem sentido.

Você não pode imaginar o quanto nós afetamos uns aos outros! Mesmo que a pessoa não saia para fora, ela ainda afeta os outros! É o mesmo campo unificado!

De KabTV “Segredos Profissionais” 10/02/13

Meu Grão De Areia Favorito No Universo Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em sua carta nº 29, Baal HaSulam escreve que “a proibição é o mesmo que permissão, visto que a chave que é boa para fechar também é boa para abrir”. Que tipo de “chave” ele quer dizer?

Resposta: A chave é a Luz de Hassadim, a intenção de doar. Por um lado, nós podemos nos fechar com esta chave e, assim, impedir a Luz de entrar em nossos desejos egoístas. Por outro lado, podemos nos abrir para a Luz que se veste de intenção de doar. Sob esta condição, a Luz tem permissão de entrar no desejo de receber. Bina se recusa a receber; portanto, Bina é contra a Luz de Hochma. Como é que ela se abre para a Luz de Hochma após a restrição? Ela se transforma numa “vestimenta para a Luz”, numa condição. Nós estamos prontos para receber guloseimas da mesa do anfitrião sob a condição de que Ele nos permita pensar Nele, e não nos nossos estômagos.

Se nós continuamos pensando no Criador enquanto continuamos recebendo prazeres, se O sentimos e entendemos que ele gosta de nós, então nossas sensações se tornam um milhão de vezes maior do que aquelas que recebemos de uma autoindulgência direta. Nós multiplicamos o prazer porque entendemos o significado do Anfitrião e sentimos amor por Ele. É assim que ficamos prontos para aceitar as guloseimas.

Portanto, Bina bloqueia apenas uma pequena quantidade de Luz (Nefesh de Nefesh) que poderia ter recebido diretamente no desejo de receber. Ela se abre para a Luz de NRNHY, a Luz infinita do Criador. Isso implica que a chave que fecha a porta também abre. Como se diz: “Abra um pequeno espaço do tamanho de um buraco de uma agulha para Mim e Eu vou abrir os portões por onde carros e carruagens entram”.

Nós não podemos receber diretamente mais do que um fino raio de Luz que sustenta a vida de todos nós e revive todo o mundo. A intenção de doar multiplica a pequena centelha viva e a expande até o tamanho do Criador, se nós nos esforçamos em doar a Ele.

Nós “usamos” o Criador como uma lupa e amplificamos o fino raio que formou toda a criação, toda a matéria. Nós temos que aumentar tanto a matéria quanto o prazer proporcionalmente à grandeza do Criador aos nossos olhos. Essa oportunidade é concedida a nós por uma “ferramenta” chamada de “intenção de doar”.

É chamada de “doação”, mas devido a ela nós recebemos a oportunidade e adquirimos a capacidade de aumentar nosso desejo de receber que foi moldado pelo Criador “a partir do nada”. É semelhante a um minúsculo grão de areia, uma ponta da agulha, que podemos multiplicar proporcionalmente à “escala” do Criador, para que possa ser preenchido com a Luz que é tão poderosa quanto o próprio Criador.

Isso acontece porque temos que começar a trabalhar em doação “na ponta de uma agulha”, num “minúsculo grão de areia”, de um desejo de receber que foi criado por Ele. Nós recebemos um grama de prazer e simplesmente não conseguimos “nos encaixar” mais neste pequeno desejo que é tão pequeno quanto um grão de areia. No entanto, se conseguirmos expandi-lo em prol da doação, é crucialmente importante em prol de quem fazemos isso. Assim, nós multiplicamos nosso desejo e o prazer proporcionalmente à escala de Seu amor por nós, como uma criança que sorri para sua mãe e, portanto, causa enorme alegria nela.

É a “patente” que usamos, a oportunidade milagrosa que nos foi concedida pelo Criador. Nós usamos seu poder e a força do Seu amor por nós ao expandir-nos com a sua ajuda. Caso contrário, seríamos as menores criaturas do mundo. Todos os outros níveis da natureza (inanimado, vegetal e animal) se satisfazem diretamente, enquanto que, pelo simples fato de que nascemos como pessoas, passamos por todos os níveis anteriores (inanimado, vegetal e animal) e só há uma coisa deixada para nós, um ponto no coração que está completamente vazio de qualquer satisfação.

Como somos tão infelizes, uma pequena centelha desperta em nós. É o desejo de receber prazer no nível falante que agora permanece vazio em nós. Se não formos capazes de receber o poder do Criador e não tirarmos “vantagem” do Seu amor e de Sua gentil atitude em relação a nós, usando-a para “engrandecer” a nós mesmos com esta qualidade, nós ficaremos com um desejo escasso e oco. Mesmo a morte é melhor do que esse tipo de vida…

Felizmente, nós recebemos a oportunidade de receber o poder do Criador se tratarmos cada um de forma correta. É por isso que aconteceu a quebra e todos os outros tipos de preparações do Alto, de modo que as pessoas possam sentir a necessidade de amar, ou pelo menos perceber a necessidade de se unir.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/02/13, Escritos do Baal HaSulam , “Carta 29”

Não Há Nada De Novo Sob O Sol, Exceto A Revelação Espiritual

Dr. Michael LaitmanNós avançamos da ocultação à revelação e descobrimos o que já existe. “Não há nada de novo sob o sol”, não há nada que não tenha sido criado e apareça de repente, do nada, exceto as revelações que constantemente adicionamos pelos nossos esforços de acordo com o nosso avanço. Nós abrimos cada vez mais a imagem que já existe e a descobrimos cada vez mais.

É como se fosse escuro e eu gradualmente ligasse a luz ao girar lentamente o botão do regulador da luz. Ela fica cada vez mais brilhante e eu posso ver melhor e entender todos os detalhes da imagem.

Não é uma simples luz, mas a luz da mente, a luz de nossos sentimentos. Ela me permite penetrar essa imagem e descobri-la, conectar mais fortemente a ela e influenciá-la. Eu descubro o sistema que se conecta a mim. De repente, eu vejo que estou nele, incorporado nele, e não simplesmente observando-o de fora como um pesquisador independente. Eu vivo nele!

Nós descobrimos que todo o mundo superior já existe. Este é todo o nosso trabalho: descobrir o mundo de Ein Sof (Infinito) como o estado fixo, eterno e verdadeiro. Tudo o resto é apenas suas ocultações que temos que nos livrar ao nos elevar acima delas.

Todas as ocultações são necessárias apenas para que possamos ser capazes de, gradualmente, de um nível para outro, ajustar-nos ao mundo de Ein Sof.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/02/13, O Estudo das Dez Sefirot

Como A Ocultação É Formada?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Do que é formada a ocultação?

Resposta: A ocultação foi formada de nossos sentimentos e mente corrompidos. É como se eu estivesse tentando entender alguma coisa, mas não consigo. Eu me esforço, “quebro a cabeça”, tentando me aproximar por um lado e por outro, mas não consigo entender isso. Acho diferentes pontos para me agarrar, mas não consigo penetrá-los para que isso faça sentido para mim. A razão para isso é a falta de conexão, ou seja, a falta de vasos de percepção.

É como um quebra-cabeça que tem que ser reunido para que cada saliência combine perfeitamente com o entalhe designado. É a mesma coisa aqui, eu não tenho os entalhes corretos na minha deficiência, de modo que a peça do quebra-cabeça entre em mim e se conecte comigo. Então, eu vou entender, perceber e sentir, e a imagem vai, subitamente, ser revelada a mim.

Eu me lembro que quando eu era estudante do Rabash e fui reclamar com ele indignado que a ocultação dura muito tempo. Mas a ocultação decorre da falta de equivalência, da falta de compatibilidade entre os seus atributos internos e as deficiências do mundo que tem que entrar em você. Por enquanto, a sua deficiência não pode perceber esta forma. Portanto, o que pode ser feito aqui? Você é como uma criança que está tentando com força colocar um cubo num buraco redondo. Mas a criança não entende que não vai conseguir e assim continua empurrando o cubo e chorando.

Nós também não entendemos a necessidade de compatibilidade aqui, que é alcançada pela observação e pelos esforços. Isso é difícil e nós vemos como uma criança não consegue suportar essa situação. É o mesmo conosco, visto que a razão é sempre a incompatibilidade, a falta de equivalência. Imagens perfeitas e completas vêm de Cima, mas nós temos que nos tornar compatíveis a elas.

Assim, todos os eventos em sua vida, todas as situações que não são sentidas como totalmente perfeitas, como a imagem do Criador, indicam a falta de vasos de percepção, algum tipo de incompatibilidade sua com o superior.

Primeiro, agradeça o sentimento de deficiência; já é uma revelação. Você não precisa acalmar e silenciar esse sentimento, mas sim trabalhar com ele de propósito. Alegre-se que os males estão sendo revelados e comece a corrigí-los.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/02/13, O Estudo das Dez Sefirot

Uma Voz Chamando Na Floresta Escura

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Shamati, artigo 241, “Chame-O Enquanto Ele Está Perto” (Isaías 55:6): Nós temos que entender o que significa “enquanto Ele está perto”, uma vez que “toda a terra está cheia da sua glória”! Assim, Ele está sempre perto. Então, o que significa “enquanto Ele está perto”? Parece que há um tempo em que Ele não está perto. …

Da mesma forma, aquele que perdeu o bom caminho e entrou num lugar ruim, e já se acostumou a viver entre os animais, a partir da perspectiva do desejo de receber, nunca lhe ocorreu que deveria voltar para um lugar de razão e santidade. No entanto, quando ele ouve a voz chamando-o, ele desperta e se arrepende.

Assim, quando o Criador deseja tirá-lo da floresta densa, Ele lhe mostra uma Luz remota, e o indivíduo reúne o resto de sua força para caminhar no caminho que a Luz lhe mostra, de forma a atingi-la.

Mas se ele não atribui a Luz do Criador, e não diz que o Criador o está chamando, então a Luz é perdida, e ele permanece na floresta. …

Tudo depende da nossa preparação, na medida em que ansiamos em descobrir o atributo de doação, que é chamado descobrir o Criador. Nesta medida, nós começamos a ouvir a voz do Criador nos chamando e convidando-nos a Ele, dando-nos diferentes sinais de Sua aproximação de nós. No entanto, a pessoa só pode senti-los quando imagina corretamente o objetivo que quer atingir, o atributo de doação que está acima de seu atributo de recepção, e não outra coisa. Isso é chamado de ter “fé acima da razão”.

No entanto, se a pessoa ainda não se corrigiu, ela não pode sentir ou acreditar que é o Criador que a chama, e acha que essas são coincidências ou que simplesmente despertou sozinha. Ela não entende que é a voz do Criador chamando-a, atraindo-a ao atributo de doação.

Tudo é determinado pela preparação da pessoa. Se a preparação foi correta e suficiente, se a pessoa se esforçou bastante e encheu sua medida, ela começa a sentir como o Criador a convida em todas as oportunidades que encontra.

Se a pessoa se esforça, ela finalmente percebe que o Criador está esperando por ela em cada esquina, convidando-a até Ele ao dar diferentes sinais e pistas. Assim, conexões entre eles são formadas, e a pessoa se torna parceira do Criador. Na medida em que o Criador é atraído à pessoa, ela também é atraída ao Criador, à doação mútua, até que ambos se encontram e se abraçam.

Aqui, tudo depende da preparação da pessoa. Primeiro ela nem sente que está perdida na floresta escura. Ela está olhando para o lugar errado e acha que pode avançar e alcançar o que deseja sozinha. Ou ela pode simplesmente esperar que alguém venha salvá-la: há também esta fase ao longo do caminho. Leva tempo até que ela consegue identificar a voz do Criador e entender que é realmente o Criador chamando-a.

Assim, eles se conectam e o Criador salva a pessoa, porque ela já entende qual é a verdadeira salvação.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 27/02/13

Não Há Espaço Para Desespero E Decepção

Dr. Michael LaitmanNós temos que descobrir todas as deficiências, já que o bem é revelado apenas em seu oposto. Portanto, devemos nos regozijar quando descobrimos a forma negativa; é o primeiro nível da revelação, após o qual já existe uma correção e realização.

Assim, nós temos que entender que se a pessoa segue o caminho certo, não há espaço para desespero e decepção. A pessoa que avança corretamente deve estar sempre feliz, pois passa por todas as fases ao longo do caminho, justificando-os à medida que entende que são necessários para a revelação da totalidade.

A corrupção é, acima de tudo, a minha discordância com o meu estado – sentir-se relutante em justificá-lo e aceitá-lo como necessário – que deve ser revelado. Todos os estados já estão impressos na raiz da minha alma na minha natureza.

Os estados são revelados do mais fácil ao mais difícil: Ibur (gestação), Yenika (sucção, amamentação) e Mochin (adulto). Primeiro, eu sou apenas um pequeno embrião que carece de toda a autoconsciência. Depois, eu nasço, ou seja, a consciência nasce dentro de mim, a compreensão. Antes disso eu simplesmente sentia algo sem saber onde estava e o que estava acontecendo. Então, eu começo a sentir sensações agradáveis ​​e desagradáveis, diferentes alterações de estados. Depois, eu começo a conhecer um pouco o superior, quem Ele é, e como Ele gerencia e me muda.

Eu estou conectado a Ele. Ele parece ser esperto, já que se esconde de mim quando eu O procuro e persigo, sem saber onde Ele está. Disseram-me que posso descobri-Lo através do ambiente, mas eu não quero esse ambiente. No entanto, verifica-se que isso ocorre na mesma medida que não O quero, já que é a mesma coisa.

Isso significa que eu tenho que passar por muitos estados antes de compreender e alcançar o reconhecimento, Mochin, que é o último nível da nossa evolução que vem depois de Ibur e Yenika. Isso é natural, já que eu não entendo nada, exceto que tenho bastante experiência e atinjo as razões para o que se passa, a conexão entre eles, e começo a amarrar um com o outro. Assim, os estados começam a me iluminar um pouco internamente, e eu entendo o que é vem de quê. Através da conexão entre os eventos, eu descubro a sua origem, que está na verdade fora das ações que sinto.

Portanto, é muito difícil para uma pessoa avançar, porque ela não consegue justificar as ações que sente, que parecem coincidência. Ela sequer entende a sua ordem. Ela gostaria de ver quem está agindo nela, mas não o faz. É algo mais difícil, já que não atribuímos tudo o que acontece conosco ao Uno – que “não há outro além Dele” e nós não reconhecemos o fato de que Ele é um bom e benevolente.

Como não tentamos confiar nesta força única e boa, não descobrimos nada no caminho. Há inclusive uma fase no nosso desenvolvimento, quando a pessoa teme quaisquer novas descobertas e prefere que nada de novo aconteça. Ela simplesmente sente a dor física, porque a revelação é descoberta tão dolorosamente que tudo dentro dela é um sentimento desagradável.

Se a pessoa estivesse esperando mais revelações, ela poderia fazer esforços a fim de alcançá-los e não apenas por uma questão de agir externamente, mentindo para si mesma que está trabalhando, mas sim com medo de dar um passo adiante.

Só se ela tem um ambiente bom e forte, ou seja, se supera o seu ego e se volta ao ambiente, é que ela anula o seu ego que se encontra entre ela e seus vasos independentes que parecem estar fora. Assim, ela recupera esses vasos e estes meios, e através deles, ela pode descobrir os próximos estados de alegria e aproximá-los. Isso só é possível na medida em que ela anula seu ego diante da sociedade, entendendo que não é a sociedade externa, mas seus atributos internos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/02/13, Escritos do Baal HaSulam

Equilíbrio Coletivo

Dr. Michael LaitmanPergunta: As pessoas têm diferentes sensibilidades. Existe a chance de que alguém não seja capaz de se integrar na unidade que emerge durante os workshops?

Resposta: É quase impossível, porque as pessoas que estão sentadas juntas em círculo se infectam mutuamente. É por isso que a mais insensível delas recebe delicadeza, ternura e sensibilidade das outras, e a mais sensível se torna equilibrada pelas outras. Tudo chega a um denominador comum.

Elas não têm nada de pessoal, porque tudo muda no coletivo. Você diz que algumas delas se sentem assim e outras se sentem assado. Não há mais “alguém”: cada uma delas inclui todas as outras em si mesma.

De KabTV  “Segredos Profissionais” 08/02/13

Um Contra Toda A Natureza

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“, Item 1: Quando examinamos a nós mesmos, descobrimos que somos tão corrompidos e baixos quanto possível. E quando examinamos o operador que nos fez, somos obrigados a estar no mais alto grau, pois não há ninguém tão louvável quanto Ele. Por isso é necessário que somente operações perfeitas derivem de um operador perfeito.

Na verdade, nós vemos que a natureza é perfeita e que tudo nela é organizado com muito mais sucesso do que em nossas vidas. A atitude de uma pessoa para com os outros desce nó nível do desejo de estuprar, matar, comer, abusar e bater nos outros, de qualquer maneira possível. Vemos que essa abordagem é ruim e prejudicial. A fim de levar uma vida normal, seria melhor se existíssemos muito bem com base nos princípios da mutualidade, preservando a natureza e protegendo-nos uns aos outros. Nós ensinamos nossos filhos a não brigar, a serem generosos e brincar juntos. Mas parece que as crianças não podem fazer isso e nem os adultos podem. Acontece que nossa natureza é má. Isso é o que descobrimos quando olhamos para nós mesmos.

Por outro lado, na natureza tudo é construído maravilhosamente. Numerosos estudos estão mais claramente desenhando o retrato deste equilíbrio harmonioso e a cooperação mútua. No final, a natureza criou a vida, que requer a coordenação entre mecanismos delicados e complexos trabalhando juntos. Vemos quão versátil e complexo é o mundo, e como sabiamente foi criado. Tudo isso de onde vem? De algum pequeno “átomo” que foi criado como resultado do Big Bang?

De uma forma ou outra, a versatilidade precisa e complexa que vemos nos impressiona, mas quando olhamos para o homem que é a “coroa da criação”, vemos uma inclinação: a de destruir tudo. Isso faz com que consideremos como pode ser isso; que a parte mais complexa, a “melhor” parte, também é a pior parte.

Uma formiga ou uma barata não prejudicam ninguém, só agem de acordo com as ordens da natureza e ajudam os outros no sistema geral que está mutuamente conectado. Nele, todos vivem a fim de sustentar os outros e cada um tem seu próprio nicho e se sustenta a fim de estar conectado com milhares de outras criaturas. Juntos, todos formam um perfeito quebra-cabeça, uma combinação inseparável das linhas do quadro geral. Se você tirar um item, tudo é imediatamente perturbado, e a perfeição será destruída.

Entretanto, em geral, isso é o que o homem faz. Suas ações estão em contraste com a perfeição da natureza. Todos os animais e plantas, tudo, existe em perfeito acordo e, sobretudo, em perfeição mútua; todos estão conectados e dependem de todos, precisam um do outro. Na natureza tudo é baseado no equilíbrio, onde você não pode tirar um elo e movê-lo para outro lugar; é um quebra-cabeça completo. E junto vem o homem e o destrói até que o mundo gradualmente se aproxima do desastre. Até agora nós não compreendemos que, diferente de nós, toda a natureza é perfeita, e as coisas que nos parecem imperfeitas são uma indicação do “espelho distorcido” da nossa percepção ou resultado de nossa participação destrutiva.

O homem não pode ser incorporado à plenitude já que é corrupto. Ele é a única criatura que é oposta à natureza e isso mostra que a chave para a correção está realmente dentro de nós.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/02/13, “Introdução ao Livro do Zohar