Textos na Categoria 'Percepção'

Os Contornos Da Escuridão E Da Luz

Dr. Michael LaitmanEm nosso trabalho, a preparação é extremamente importante. Ela determina o resultado. Não importa o que você estuda ou o quanto sabe. A principal coisa é preparar-se, ou seja, mudar o vaso, o desejo, a fim de sentir o mundo superior em vez deste mundo.

Nada muda, exceto você mesmo, e depois você descobre que o mundo superior está aqui, que sempre esteve aqui. Você quer o paraíso, aqui vai. Você quer o inferno, aqui vai. Tome o que quiser, tudo depende do seu vaso.

É como se houvesse um “controle” diante de você que você pudesse rodar em qualquer direção e ele mudasse o seu mundo de um extremo ao outro, de um extremo ao outro. Você aparentemente rola uma sequência de imagens em seu computador.

Tudo isso está dentro de, você, tudo é descrito num fundo de luz branca. A Luz em si é irreconhecível, bem como a escuridão; nós só vemos uma contra a outra. Nossa vida atual está nos contornos minimamente perceptíveis deste quadro…

Da Conversa sobre a Preparação para a Convenção em São Petersburgo 26/06/13

Suba Para A Órbita Superior

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o prerrequisito para um desejo se unir? É o meu desejo de entender e sentir tudo dentro de mim?

Resposta: Durante o processo de trabalho espiritual, o nosso desejo de compreender e sentir tudo dentro de nós não se contrai, pelo contrário, cresce cada vez mais. E ele deve se expandir, porque está se tornando cada vez mais integral. Eu já começo a entender como a minha imagem da realidade muda e que o meu corpo, ocupando um determinado volume no espaço físico, me dá uma sensação de distância, o isolamento de outras pessoas, inclusive oposição e diferença dos outros.

Eu chego a um estado em que me sinto livre do corpo. O corpo não existe. Acima do meu corpo, ou seja, para além do ego, não existe conexão entre eu e os outros. E o corpo não existe, é algum tipo de imagem egoísta na minha imaginação, na nossa consciência. É assim que preciso aprender a descrever o meu estado futuro para mim. O que me interessa é apenas a unidade espiritual entre nós. Não há significado nos corpos. Mais tarde, vamos ver como eles desaparecem.

Na sabedoria da Cabalá nós aprendemos sobre o nascimento do Kli espiritual, sobre o seu crescimento e mudanças de estado. A mesma coisa acontece com a gente em nosso mundo, o nascimento e o crescimento do nosso corpo bestial, que, em princípio, é o ego. Nosso corpo é o que existe em nossa imaginação; na verdade, ele é formado dentro do nosso ego. Depois disso ele se derrete, desaparece, morre, e em seu lugar um outro corpo aparece, e outro, e assim por diante, até chegarmos ao nível da correção completa. Nós voltamos aos corpos o tempo todo, porque eles são fundamentais para nós, para a nossa realização, independente de cada nível espiritual.

Entre cada nível espiritual, há uma desconexão, uma divisão. A fim de atingir um determinado nível, você precisa cair para o nível deste mundo. Pelo menos por um momento, você deve sentir que existe somente neste estado bestial, e depois disso, começará a atingir o próximo nível espiritual mais elevado. Você cai para este nível o tempo todo, e, em seguida, você realiza novamente um salto enérgico para o próximo nível superior.

Somente com a conclusão de todas as correções, quando você realiza uma ação chamada (Samuel II 23:20) “… um homem valente de Kabtziel que tinha feito muitos atos” (o que significa: “Eu vou reunir”), quando você reúne todos esses níveis e os conecta integralmente, é que surge o último estado da plena realização da correção. Até lá, nós vamos corrigir todos os valores de uma forma discreta (isolada), tal como um elétron salta dentro do átomo para os próximos níveis. Mas, em geral, quando ele salta emite fótons, enquanto que nós fazemos o oposto, porque estamos subindo espiritualmente; portanto, nós aparentemente absorvemos a energia do campo energético circundante chamado “Criador” ou “Luz”, e isso nos obriga a subir para uma órbita cada vez mais elevada.

Da 2ª Preparação para a Convenção em Krasnoyarsk 13/06/13

Um Contraste Que Revela A Verdadeira Imagem Do Mundo

Dr. Michael LaitmanA Torá, Êxodo, 20:14: “Tu não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo”.

A casa, a esposa, o servo, o boi ou o jumento são os principais desejos de uma pessoa que aos poucos se conectam nela, começando dos vasos externos para os desejos mais internos.

“Tu não cobiçarás”, significa que você tem que trabalhar com os seus desejos “para doar” e não “para si mesmo”.

Se até agora era sobre o que você tem e como você deve trabalhar com isto, agora é sobre o que o outro tem e o que você não pode usar.

Usar significa “querer”. Não é apenas “Não cobiçarás” no sentido de “não pegue”, mas sim “não ambicionar”, de modo que você não sentirá a menor inveja do outro. Então você começa a entender que, se você se relacionar com ele, você não vai ver nem mesmo a sua imagem.

Normalmente você vê coisas boas e ruins numa pessoa e a inveja um pouco, etc. Você não pode vê-la como ela realmente é; você a vê em relação a você, seja melhor ou pior, de uma maneira ou de outra. Se você não olhar para ela através do prisma da inveja, etc., você não vai ver a sua imagem.

Ela nunca vai ser retratada a você, uma vez que a nossa sub-base é como um disco compacto que é sensível à luz, que está por trás da lente da câmera que captura a imagem, a transforma em sinais elétricos e os transmite para o controle, de modo que a nossa sub-base percebe tudo só em relação a nós: até que ponto parece melhor ou pior no que diz respeito ao meu ego.

Se eu me livro disso em relação a mim, então eu não vejo você; você desaparece da minha vista. O que acontece? Acontece que o mundo não existe. Eu só vejo um vácuo absoluto.

Isto significa que o estado corrigido implica falta de inveja em mim e em todos os outros estados com relação às outras pessoas e à humanidade. Nesse caso, eu começo a entender que não há ninguém e que tudo desaparece. Então eu tenho que encontrar um atributo totalmente novo que me permite ver o que realmente existe.

Acontece que se o meu ego é anulado, toda a imagem do mundo é anulada e o mundo não existe. Então, o que existe? Não há nada, exceto o atributo de doação. Mas como eu posso percebê-lo? Eu começo a mudar a mim mesmo de acordo com este atributo de doação e, na mesma medida em que não sou compatível com ele, eu começo a ver as diferenças e vice-versa; na medida em que sou compatível com ele, eu começo a sentir este atributo, pois foi criado um contraste. Acontece que a parte do mundo em que eu não sou compatível com o atributo de doação é, por enquanto, ainda eu, e a parte do mundo em que eu sou compatível com o atributo de doação, é o Criador. Então, eu e o Criador aparecemos e não há ninguém além de nós.

Quando eu atinjo gradualmente a correção integral, é como se eu desaparecesse e só o meu sentimento de um único Criador permanecesse. Assim, eu alcanço o reconhecimento de que “não há outro além Dele”.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 04/03/13

Romper Com O Mundo Da Fantasia Para O Mundo Da Verdade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso sentir os outros, se o coração ainda não sente que eles estão perto?

Resposta: Você tem que pensar que os outros são partes de sua alma e que somente pela conexão com eles você pode construir o vaso para receber a Luz, a revelação do Criador, a revelação do verdadeiro estado: a doação. O mundo da verdade é o mundo da doação. Nós, no entanto, estamos sob o domínio de uma mentira, de uma fantasia, de que este mundo aparentemente existe pela força de recepção. Nós temos que pensar sobre isso tanto quanto pudermos, até ficar claro que tudo existe de acordo com a força de doação.

Nossa percepção fictícia e distorcida que nos obriga a pensar e sentir de forma diferente existe apenas em nós. Então, por causa disso, nós não vemos o mundo real, e somos como cegos, andando no escuro, sentindo o nosso caminho se segurando numa parede. Nós não entendemos onde estamos!

Assim, toda a humanidade está vagando com os olhos vendados, no escuro. Nós temos que fazer nossos maiores esforços, a fim de remover essa ocultação, e daí nós veremos que toda a realidade só existe pela força de doação e amor. Nós veremos a realidade como uma espécie de mundo encantado de fantasia onde tudo funciona pelas leis de doação total. Nós vagamos por esta cidade encantada e temos a chance de constantemente corrigir e melhorar a nós mesmos, cada vez adquirindo energia adicional de doação.

Assim, nós compreendemos gradativamente esta cidade e podemos usar tudo, entender e sentir mais. Isso é chamado de subir a escada espiritual.

Mas no momento em que a escada espiritual nos é revelada, torna-se claro que toda a realidade é doação e amor. Além disso, há uma pequena bolha nesta realidade em que nós dormimos como num coma, sem recuperar a consciência. Esta fantasia doente está apenas em nossas cabeças como na mente de uma pessoa que perdeu a consciência e um fluido diferente, pensamentos caóticos, fluem em sua mente. Isto é o que está acontecendo conosco agora…

A realidade do nosso mundo não existe! É apenas um tipo de fantasia, mas é muito importante, pois só a partir dela que podemos subir à verdade.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 04/06/13, O Zohar

Contato Com O Campo De Informação

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que a comunicação entre as pessoas mudará na sociedade integral? Será que elas vão passar para algum tipo de sistema profundamente sensível de comunicação?

Resposta: Ao se complementar mutuamente, as pessoas vão criar tais dispositivos e mecanismos de medição que vão sentir o próximo nível, o mundo, que por enquanto não sentem hoje, já que não estamos conectados uns aos outros.

A questão é que, apesar da presença da repulsa relativa, não há atração entre nós, o que significa que não há duas forças trabalhando para construir a imagem desta criação.

A pessoa tem que ter um novo órgão sensorial chamado de “alma”. Ao se unir em grupos integrais, as pessoas acham contato com sua alma e começam a se comunicar no nível da alma geral: o campo unificado de informação ao qual elas têm que se conectar.

Portanto, há o surgimento de um grande grupo de crianças sensíveis, porque a humanidade está agora mais preparada para ter contato com este campo de informação.

Pergunta: Nós podemos esperar alguma evolução no nível dos corpos biológicos?

Resposta: Não. O corpo biológico existe apenas dentro dos nossos sentimentos. Na medida em que os nossos sentimentos começarem a mudar, a ser maiores, então o corpo vai gradualmente perder a sua importância dentro dos nossos sentimentos, até um estado em que o mundo inteiro vai começar a desaparecer como num nevoeiro. Físicos e psicólogos já estão falando sobre isso. Estas são afirmações puramente científicas.

De KabTV “Através do Tempo” 20/03/13

Quem Nós Corrigimos

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam “Paz no Mundo”: Tudo é avaliado não por sua aparência em um dado momento, mas de acordo com sua medida de desenvolvimento. Tudo na realidade, bom e mau, e mesmo os mais prejudiciais do mundo, tem o direito de existir e não deve ser erradicado do mundo e destruído. Nós devemos apenas consertar e reformá-lo, porque qualquer observação do trabalho da Criação é suficiente para nos ensinar sobre a grandeza e perfeição do seu operador e Criador.

Disso, podem ser tiradas conclusões claras e de longo alcance. Tudo o que acontece no mundo a cada momento vem da única fonte, do Criador. Eu corrijo minha percepção, a minha própria visão. Além disso, eu a corrijo numa única direção: para conseguir plenamente a doação. Assim, eu descubro o mundo, que é menos distorcido pela minha natureza, mais completo; eu vejo que essa é a sua forma verdadeira e imutável.

Pergunta: Se nós corrigimos apenas a nossa percepção do mundo, por que precisamos disseminar entre outras pessoas?

Resposta: Eu quero trazê-las para mais perto da meta através da disseminação. Na verdade, elas são partes da minha alma. O mundo inteiro é parte da minha alma, e eu trabalho com elas duplamente: por um lado, eu levo a Luz a elas, e por outro lado, crio as condições para que elas se aproximem de mim. A principal coisa é que, graças a estas duas ações, diretamente e “pela porta dos fundos”, alternando-as, nós nos unimos, e no final, eu devolvo todas as partes da minha alma.

Esta é a maneira que eu tenho que olhar para o mundo, incluindo a natureza inanimada, vegetal e animal. Toda a realidade é a essência da minha alma, um desejo unificado. Ele é revelado a mim agora porque, por definição, não posso sentir nada, exceto ele. O desejo é o meu “material sensível”, e eu só preciso revelar a sua realidade corretamente. Eu trabalho nisso, corrigindo minha própria percepção.

Como? De acordo com o princípio do “ama o teu próximo como a ti mesmo”. Por quê? Eu faço isso porque agora as partes do meu ego, que distorcem a imagem do mundo, parecem remotas para mim, muitas vezes nojentas, opostas, e eu tenho que corrigir minha percepção.

Assim, no final, eu só corrijo a mim mesmo. É por isso que o Baal HaSulam escreve que mesmo as coisas ruins não devem ser destruídas, mas corrigidas. Agora, eles são ruins, odiosos aos meus olhos, e quando eu corrigir a minha visão, a minha atitude, eles vão se tornar bons e úteis para mim.

É impossível corrigir alguma coisa no mundo, exceto si mesmo. Nós já vemos que isso só traz prejuízos. Portanto, é necessário entender que todas as correções, todas as mudanças positivas, são realizados justamente na nossa atitude.

Mesmo se eu vejo a pessoa mais maléfica diante de mim, eu preciso me corrigir para que ela deixe de fazer o mal. Você só pode destruir alguém se ele quiser parar a minha ação de correção, ou seja, me matar. Assim, ele não me deixa escolha, e neste caso será também uma correção. No entanto, enquanto eu tiver uma solução diferente, eu preciso agir, trabalhar na correção, a fim de que o mal seja eliminado do mundo.

Pergunta: Ainda assim, por que explicamos às pessoas a metodologia integral como se quiséssemos convencê-las de alguma coisa?

Resposta: Porque desta forma nós garantimos a nossa própria correção. Para quem eu explico o método? Eu explico para as partes da minha alma. No entanto, eu não as corrijo, mas apenas dou-lhes uma ferramenta para se corrigir. Para mim, esta é a autocorreção.

Nós devemos imaginar um sistema onde minhas partes estão fora de mim, e é por isso que eu posso corrigi-las desta forma. Eu não as destruo ou suprimo, mas passo o método de correção por meio de explicações gentis. Eu me preocupo com elas, na medida do quanto elas são capazes de usá-lo, e na medida de sua incapacidade, eu crio as condições para que possam se aproximar de mim. No entanto, eu não as atraio à força, não exijo obediência. Afinal de contas, nós estamos separados pela inclinação ao mal e eu tenho que corrigi-la. Em outras palavras, eu faço isso e elas se aproximam de mim, apesar da rejeição mútua. Assim, eu as devolvo à fonte.

Nós temos que pensar nesta imagem. Um motivo maléfico penetrou o desejo unificado, partiu-o em pedaços e os espalhou em diferentes direções. Agora, ao invés de pertencer a um todo, nós experimentamos oposição, ódio; nós precisamos entender como podemos transformar essa separação em unidade. No novo poder da nossa unidade, nós precisamos entender por que começamos a correção desta forma, preservando a singularidade de todos. Eu tenho que proteger o desejo egoísta. É como o “Anjo da Morte”, que vai se transformar no “Anjo Puro”. Sem isso, toda a criação é inútil.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 09/06/13, Escritos do Baal HaSulam

Responsáveis Uns Pelos Outros

Dr. Michael LaitmanNossos sábios disseram: “Todos em Israel são responsáveis uns pelos outros”. Isso fica claro até mesmo nos dias de Abraão, que descobriu o método de correção e reuniu pessoas que entenderam que só podemos mudar o mundo mudando o homem. Além disso, ao mudar o homem nós não simplesmente mudamos o mundo, mas também mudamos a nossa percepção da realidade, e em vez deste mundo, nós sentimos o mundo superior. Estas são as pessoas que Abraão ensinou como se conectar, de modo que eles sejam capazes de estabelecer o atributo de doação mútua na relação entre elas, que é o vaso para a revelação do mundo superior, o estado superior.

O estado da conexão egoísta e do que se faz sentir dentro de si é chamado de “este mundo”. O novo estado em que estamos conectados e amamos um ao outro é chamado de “o mundo superior”. Além disso, nesse novo estado, na conexão mútua entre nós, nós sentimos a força geral da natureza. Nós não projetamos a nós mesmos em doação mútua, mas existe uma força acima de nós, que decorre da natureza que está em equivalência de forma conosco e está agora sendo revelada em nós. Isso é chamado de “revelação do Criador à criatura”.

Assim, uma “criatura” é quem conseguiu conectar-se como “um homem em um coração”, na doação mútua. Assim, de acordo com a equivalência de forma, nós chegamos ao estado superior. Assim, o princípio de “todos em Israel são responsáveis uns pelos outros” pode ser entendido em dois sentidos, direto ou não:

· Se você pertence à categoria de “Israel”, você é responsável por todos.

· Se as pessoas se conectam e querem pertencer à categoria de “Israel”, elas devem ser responsáveis pelo outro.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/06/13, Escritos do Baal HaSulam

Aumentando A Sensibilidade Da Nossa Percepção Espiritual

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos adquirir a abordagem integral no que diz respeito ao mundo inteiro, a toda à realidade?

Resposta: Imagine que você conta para alguém sobre o seu local de trabalho, sobre o lugar onde você vive, e sobre o mundo em geral. Você não é obrigado a fazer nenhum esforço especial, já que é a sua vida, e você sente que o mundo é seu. Você o “respira” e pode passear nesta imagem interna mentalmente e descrevê-la em palavras.

Nós também devemos ver a imagem interna do mundo integral na qual podemos discernir todos os detalhes e a conexão entre eles. As mesmas regras operam aqui. Há estados onde eu posso seguir a conexão geral entre certos fenômenos, mas os detalhes da cooperação mútua ainda não estão claros, já que eu ainda não entrei nesta área. Eu vejo certas partes em linhas gerais e elas são relativamente compreendidas, mas quando se trata de partes individuais, há problemas e eu não estou certo sobre o que está acontecendo.

Este é o processo no qual eu penetro cada vez mais fundo e descubro mais sutilezas. É como se eu voasse numa nave espacial para a terra ou verificasse a escala de um mapa na internet até que eu “aterrissasse” numa determinada parte.

Mas também há exceções: em nosso mundo nós vemos áreas maiores, mas menos detalhes, e quando nos aproximamos, nós vemos mais detalhes, mas uma área menor. Na espiritualidade, no entanto, não é assim. Lá, tanto as características de quantidade e de qualidade da imagem do mundo aumentam gradualmente. Eu englobo todo o sistema ao mesmo tempo, incluindo seus atributos separados, porque neste sistema cada detalhe inclui todos os outros detalhes.

Por esta maravilhosa “patente” espiritual eu vejo o quadro geral e cada um de seus detalhes como um, exatamente o mesmo.

Pergunta: Como eu posso me tornar mais integral? Como eu posso aumentar a sensibilidade desta percepção em mim?

Resposta: Peça por isso. Não há outro meio. Não importa o que você faça, adicione um pedido por isso que seja o mais claro possível e você vai ver como funciona.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/05/13, Escritos do Baal HaSulam

Da Fé À Verdade

Dr. Michael LaitmanNós devemos ansiar em realmente ver o amigo como o maior em nossa geração, realmente senti-lo “dentro da razão”, como se fosse a verdade e não como parece ao desejo de receber de uma pessoa. O desejo de receber sempre quer se sentir bem e confortável e, por isso, instintivamente, reduz tudo à sua volta, de modo a estar “no topo”. A coisa mais importante para ele é governar.

Assim, aceitar o pensamento sobre a necessidade de se conectar com os amigos como um meio para se chegar à conexão com o Criador só é possível na “fé acima da razão”, uma vez que, certamente, não vemos as coisas como elas realmente são. É somente de acordo com esta menor condição externa (de que uma pessoa anseia pelo mesmo objetivo e está pronto para aceitar todas as condições necessárias para avançar em direção a ele), que começamos a nos relacionar com o outro como um amigo, como um meio de conexão com o Criador.

De acordo com estes sinais externos, nós decidimos começar a trabalhar na nossa atitude em relação a essa pessoa. Se ela está pronto para trabalhar junto nós descartamos todas as outras exigências do nosso ego e nos aproximamos dessa pessoa e nos conectamos a ela para realmente descobrir a conexão entre nós, não só na “fé acima da razão”.

Na medida em que realmente nos comunicamos, nós abordamos a construção do vaso espiritual em que o Criador é revelado. A conexão pode ser “razão acima” quando eu não vejo que o amigo “vale a pena”, mas eu ainda me conecto a ele. Eu a utilizo como um meio, que é chamado de tempo de preparação, quando eu respeito os amigos não porque vejo que eles são ótimos. De acordo com os meus sentidos, eu sinto que sou maior do que eles, mas eu trabalho acima dos meus sentidos, não concordo com eles, e imagino que os amigos são maiores.

A fim de passar do estado de “fé acima da razão” para o estado de “dentro da razão”, o que significa respeitar verdadeiramente os amigos, eu tenho que corrigir os vasos, a minha percepção. A correção dos vasos é quando começamos a trabalhar com a conexão entre nós, apesar do fato de que sabemos o oposto. Nós estabelecemos uma sociedade onde todos impressionam os outros com o sentimento da grandeza do grupo e do objetivo.

Ao trabalhar em conjunto, nós atraímos a Luz que Reforma, e, no final, passamos da “fé acima da razão” para a “fé dentro da razão”, e, assim, continuamos a subir. Os níveis seguintes são mais difíceis, é claro. Primeiro, os amigos pareciam bastante razoáveis, tendo algo bom e algo ruim. Quando eu tinha que trabalhar “acima da razão”, eu podia facilmente fazer isso e aceitá-los como iguais, como parceiros ao longo do caminho espiritual e até mesmo como o maior em nossa geração. Seu objetivo parecia importante, e eles pareciam bem.

Mas então veio o endurecimento do coração e eu comecei a ver as diferentes falhas neles; tornou-se difícil aceitá-los como grandes e ver o Criador por trás deles, entusiasmar-se com o fato de que não presto atenção em ninguém, exceto os amigos que se tornam a coisa mais preciosa para mim. Assim, cada vez se torna mais difícil, até que eu consigo superar essas interrupções e preencho a minha medida.

Então, todos os meus esforços de trabalhar “acima da razão” voltam-se para “dentro da razão” e se tornam o vaso correto onde ocorre a primeira revelação do atributo de doação, ou seja, que a pessoa é preenchida com a sensação do Criador dentro dela. Assim, a “fé acima da razão” é um processo gradual, à medida que subimos de um nível para o outro, mas quando construímos o nosso vaso nós temos que ansiar por tê-lo dentro da razão, tanto quanto pudermos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/06/13, Escritos do Rabash

Meu Coração Está Trancado E Há Alguém Batendo Do Lado De Fora

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando é que a realidade corpórea se torna uma realidade espiritual para a pessoa?

Resposta: Isso acontece quando ela consegue se relacionar com o outro como consigo mesma, quando a fronteira entre os dois é apagada.

Na verdade, nós não podemos sequer dizer que adquirimos o atributo de doação, embora essa transição seja descrita dessa forma. Nós não podemos realmente adquirir novos atributos. Nossa essência, como um harware de informática, permanece inalterada.

A questão é até que ponto eu “tomo” o outro como se fosse eu mesmo. Eu opero acima do meu ego crescente, pois caso contrário haveria uma proximidade natural entre eu e o outro, assim como entre um casal ou entre parceiros que se preocupam com o outro por causa de interesses comuns ou interdependência. Esta é a razão pela qual a resistência do ego deve ser construída, acima da qual eu ainda trago o outro para perto de mim, até que ele, na verdade, se torne como eu, de acordo com os princípios de “não faça aos outros o que é odioso para você”, e “ama teu amigo como a ti mesmo”.

Isso não signfica que eu saio de mim mesmo. Mais precisamente, eu “engulo” os atributos do outro, o que parece externo a mim. Então, o mundo inteiro é meu.

Comentário: O problema é que quando eu olho para o meu Grupo de dez, eu não quero “engoli-lo”…

Resposta: Isso ocorrerá, e você vai sentir que os amigos são as pessoas mais próximas a você, e que ninguém está mais perto do que eles. Até mesmo seus parentes, sua família, vão parecer muito mais distante do que os amigos. Afinal, os amigos estão perto de sua alma e a família está mais perto do seu corpo. A família é como um contrato que temos que manter, e a garantia mútua entre os amigos é muito dinâmica, em constante mutação, ao se juntar, aproximar-se cada vez mais de você…

Por fim, eu repito: você não vai sair, mas vai realmente deixar todos os amigos entrar em você.

Pergunta: Como eu posso acelerar este processo? Uma vez que ele volta e bate em mim repetidamente…

Resposta: É isso mesmo, o futuro está batendo em sua porta, e você não o deixa entrar e, assim, sente dor. Você tem que abrir a porta com antecedência, antes que batam nela, antes que seja tarde demais.

Diz-se no “Cântico dos Cânticos”: “Abra a porta para mim, minha amada”. Mas sua amada não está pronta, ela não quer receber o seu amado, e sua porta está trancada. Quando ela abre, o amado já se foi, e está escondido: “Eu procurei por ele, mas não o encontrei, eu o chamei, mas ele não me respondeu”.

Portanto, você deve abrir a porta com antecedência, abrir-se ao Criador juntamente com os amigos.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/06/13, Escritos do Baal HaSulam